O maior pesadelo do Gabriel é enfrentar uma plateia. Já a Renata não pode nem pensar em expor uma ideia em uma reunião de trabalho. O Pedro trava toda vez que precisa falar com alguma pessoa com um cargo acima dele. Gabriel, Renata e Pedro são nomes fictícios aqui, mas todas as situações que acabo de descrever são comuns a milhares de pessoas na vida real. São questões que eu lido muito no meu trabalho.
Agora imagine se Gabriel, Renata e Pedro pudessem vivenciar essas situações, lidar com essas dificuldades usando a tecnologia. A tecnologia proporcionando ao Gabriel a possibilidade de falar diante de uma plateia, da Renata trabalhar suas dificuldades de falar em uma reunião estando dentro de uma reunião e a mesma possibilidade para o Pedro, colocando-o frente a frente do seu maior medo. Tudo isso de uma forma que eles se sintam seguros e sabendo que aquela é uma possibilidade que apesar de parecer real não vai passar de um mundo fictício. “Eles vão estar dentro de um ambiente de interação social simulado. Uma realidade virtual, mas que reproduz alguns aspectos da experiência no mundo físico, essa é uma das formas que o metaverso pode ser utilizado no mundo corporativo.” explica Shana Eleve, pós graduada em neurociência e mestranda em comunicação e análise de comportamento.
O termo Metaverso viralizou desde a troca do nome do facebook para Meta no
final do ano passado, e tem levado milhares de pessoas a buscar o significado e
como isso vai impactar na vida das pessoas. Ainda é cedo para endeusarmos ou
crucificarmos o Metaverso, mas uma coisa é certa, não dá para ignorar nem ir
contra a tecnologia. Ainda não sabemos se o Metaverso poderá acabar se
transformando apenas num entusiasmo súbito e generalizado, ou vai realmente
transformar o mundo. Mas pensando no que vivemos do final do século passado até
aqui eu apostaria numa transformação.
No final dos anos de 1990, quando a internet começou a ficar mais forte, muitos
gestores de grandes empresas julgavam-na como uma moda passageira que se
apresentava sob a necessidade fugaz de uma página web. Outros, que perceberam
que a internet realmente revolucionaria o mundo, mas talvez tenham acreditado
que teriam ainda muito tempo para poder integrar a internet nos seus modelos de
negócio. Quem viveu aquela época deve lembrar o quanto tudo parecia muito
utópico e sem sentido, mas hoje sabemos muito bem aonde a internet nos levou e
o quanto dependemos dela hoje em dia.
“No meu dia a dia de treinamentos tenho sentido como as
pessoas estão carentes de olho no olho. Muita gente querendo o presencial,
estamos num mundo em que a pandemia ainda está presente, apesar do coronavírus
não ser mais um motivo para nos isolarmos. Não acredito que o Metaverso vá
acabar de vez com isso, mas as ferramentas tecnológicas que vamos poder usar
para vivenciar situações seria uma soma e não uma subtração. Para isso as empresas
vão precisar de recursos como realidade virtual, realidade aumentada,
inteligência artificial, 5G e por aí vai. E isso tem um custo de investimento,
e um custo como tudo que está começando, bem alto. Mas também poderá ter um
retorno que nesse momento nem imaginamos.” analisa Shana Eleve.
Um relatório do Citi chamado “Metaverso and Money, decrypting the
future”analisou desde tokens nos jogos até criptomoedas stablecoins, CBDCs e
moeda fiduciária. Pelo relatório, a economia do Metaverso pode chegar a US$13 trilhões até 2030. Abrangendo um universo de comércio,
arte, mídia, publicidade, saúde, empresas e escolas. Imagine só simular uma
emergência dentro de um hospital onde os alunos de medicina, terão que agir
como se estivessem na vida real. O diferencial que esses estudantes teriam na
formação deles.
Em algumas empresas o Metaverso já chegou. A AMBEV, por exemplo, criou um
processo seletivo dentro do Metaverso, três etapas totalmente online. Os
inscritos vão construir seus personagens e poderão encontrar informações sobre
a empresa, além de falar com funcionários virtuais e acessar dicas sobre o
processo.
“Não estou aqui para defender o Metaverso, mas para levantar uma discussão de
onde e como essa tecnologia poderá ser usada. Um filme teenagers que fala de
Metaverso, apesar da simplicidade do roteiro, nos faz refletir: Jogador número
um. Mostra que o Metaverso pode manipular a vida das pessoas. Fazendo com que o
mundo virtual seja muito mais importante que o real” esclarece Shana. Esse é um
outro lado dessa tecnologia que talvez a gente acabe pagando pra ver. “Por
enquanto o que temos são muitos questionamentos e poucas certezas. Mas não
somos mais tão inexperientes a ponto de achar que ainda temos muito tempo pela
frente para essa revolução chegar, afinal não estamos mais no final dos anos
1990.” Finaliza Shana Eleve.
Shana Wajntraub -psicóloga
com MBA em Gestão de Pessoas pela Universidade Federal Fluminense, pós-
graduada em neurociências pelo Mackenzie. Mestranda em comunicação e análise de
comportamento pela Manchester Metropolitan University- UK (Paul Ekman). Tedx
speaker, speaker coach e curadora dos palestrantes do TEDx Campo Grande,
professora da HSM. Palestrou no CBTD em 2020e 2021e já impactou mais de 230 mil
pessoas em treinamentos na América Latina para Nestlé, Galderma, Sanofi, GPA,
Hypera, Locaweb, Seara, AstraZeneca, Dasa, Boehringer, Met Life, Grupo
Boticário, vivo, Amil, Magazine luiza, Camil.
@shana.eleve


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