Consequências deste cenário
podem levar ao feminicídio, doenças associadas à infecção pelo HIV e
suicídio
Balanço
divulgado pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos,
destacou que as denúncias de violência contra mulheres tiveram um aumento de
35,9% em abril, em comparação ao mesmo período de 2019. A cada dia os casos se
tornam mais visíveis em decorrência de políticas públicas que se propõem a
garantir a segurança das mulheres e dos movimentos sociais que visam o
empoderamento feminino.
Segundo,
André Novaes, coordenador do Curso de Psicologia da Universidade UNIVERITAS e
especialista em terapia cognitivo comportamental para múltiplas necessidades
terapêuticas, a violência contra a mulher vem a cada dia sendo mais vista, isso
não quer dizer que antes não havia, pois há tempos que a Organização Mundial da
Saúde (OMS) emitia alertas sobre violência destes âmbitos. "Hoje, as
mulheres têm ganhado mais voz e, portanto, os casos parecem mais evidentes.
Este problema de saúde pública é grave, mas precisamos enxergá-los diante de
várias óticas para melhores soluções", explica.
"A
quarentena trouxe à tona uma realidade muito mais presente do que imaginávamos,
com a obrigatoriedade do isolamento o convívio familiar aumentou em tempo e,
infelizmente, intensidade, gerando um número maior de agressões. Cabe salientar
que neste momento de confinamento há uma tendência de aumentar a agressividade
e sentimentos como a raiva, uma vez que nossa liberdade foi restringida sem
opção de escolha. Diante disso, sentimentos foram deslocados e por vezes
direciono meu descontentamento com a frustração de estar "preso" para
alguém que entendo que não poderia me causar um mal em retorno à ação de
agressão e não menos importante, lembrarmos que vivemos em uma cultura
coercitiva e que entende a punição como mecanismo de mudança de
comportamento", completa Novaes. Vale salientar que o Brasil ainda vivencia
uma cultura patriarcal e originada por regimes escravocratas a doença se
espalha, e neste caso uma doença cultural, social e que suas raízes vão muito
mais longe do que imaginamos. As pesquisas comprovam que nas Américas, por
exemplo, este problema generalizado tem afetado de diferentes maneiras cada
região, os índices vão de 14% das mulheres, com idade entre 15 e 49 anos em
algum momento de suas vidas até 60% da população feminina. Importante ressaltar
que as consequências deste cenário podem levar ao feminicídio, doenças
associadas à infecção pelo HIV, suicídio e mortalidade materna, bem como
lesões, infecções sexualmente transmissíveis (IST), gravidez indesejada,
problemas na saúde sexual e reprodutiva e transtornos mentais segundo dados da OMS.
"Oferecer
às vítimas suporte é muito importante e necessário, entretanto precisamos mais
do que remediar os estragos causados pela agressão, devemos promover medidas de
caráter profilático, é sempre menos oneroso gastar com remediação do que com a
prevenção, preços pagos que não têm como serem restituídos, como no caso do
feminicídio e sem falar nas consequências vinculadas a autoestima",
finaliza.
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