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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Inavolisibe é aprovado pela Anvisa para tratamento de câncer de mama

Medicamento proporciona redução de até 57% no risco de progressão e recidiva em comparação ao tratamento padrão 


A Roche Farma Brasil recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o inavolisibe (Itovebi®), um medicamento de uso oral que atua diretamente em uma proteína específica do tumor. Esta aprovação é um avanço importante para pacientes com câncer de mama HR+/HER2− cujo tumor apresenta a mutação PIK3CA. 

Cerca de 40% das pacientes com esse tipo de tumor possuem esta mutação, que torna a doença mais difícil de tratar e resistente aos tratamentos convencionais. Inavolisibe (Itovebi®), em combinação com palbociclibe e fulvestranto, é indicado para adultos com câncer de mama localmente avançado ou com metastático, portadores de mutação PIK3CA e resistência endócrina após recorrência durante ou após o uso de terapia endócrina adjuvante.2 

A aprovação foi baseada no estudo internacional INAVO120, que mostrou resultados expressivos:

  • Redução de 57% no risco de progressão de doença ou morte em comparação ao tratamento padrão3,4.
  • O tratamento com inavolisibe, reduziu em mais de 30% o risco de morte em pacientes com câncer de mama avançado RH-positivo, HER2-negativo, com mutação em PIK3CA, em comparação com palbociclibe e fulvestranto isoladamente.4.
  • Atraso de 23 meses para a necessidade de iniciar a quimioterapia, permitindo que a paciente controle a doença por mais tempo com comprimidos orais3,4.
  • O percentual de pacientes que apresentaram redução ou desaparecimento temporário dos sinais do tumor foi de 63%, comparado a 28% no grupo que recebeu o tratamento padrão. Estes dados são baseados em um acompanhamento de pacientes por quase três anos (34 meses)2,3.

“Com a aprovação do inavolisibe no Brasil, reforçamos nosso compromisso de trazer inovações que realmente impactem a vida dos pacientes", afirma Michelle Fabiani, diretora médica da Roche Farma Brasil. “Este marco amplia as possibilidades de cuidado individualizado para mulheres que enfrentam uma doença historicamente desafiadora”. finaliza.


Gene PIK3CA

Este gene funciona como um "interruptor" para o crescimento das células. Quando ocorre a mutação, o interruptor fica travado na posição "ligado", fazendo com que as células cancerosas se dividam e cresçam sem parar. O novo medicamento funciona "desligando" esse sinal para interromper o avanço do câncer. Com uma tecnologia inovadora, o inavolisibe consegue agir diretamente na proteína alterada, preservando as células saudáveis. Isso ajuda a diminuir o impacto do tratamento no corpo e a reduzir os efeitos colaterais.


Referências

1. Fillbrunn M, Signorovitch J, André F, Wang I, Lorenzo I, Ridolfi A, Park J, Dua A, Rugo HS. PIK3CA mutation status, progression and survival in advanced HR + /HER2- breast cancer: a meta-analysis of published clinical trials. BMC Cancer. 2022 - Sep 21;22(1):1002. doi: 10.1186/s12885 022-10078 5. PMID: 36131248; PMCID:

PMC9490901.

2. Itovebi® (inavolisibe). Bula profissional. Roche Farma Brasil; 2025.

3. Turner NC, et al. Inavolisib-Based Therapy in PIK3CA-Mutated Advanced Breast Cancer. N Engl J Med. 2024;391(17):1584 1596.

4. Jhaveri KL, Im SA, Saura C, Loibl S, Kalinsky K, Schmid P, Loi S, Thanopoulou E, Shankar N, Jin Y, Stout TJ, Clark TD, Song C, Juric D, Turner NC. Overall Survival with Inavolisib in PIK3CA-Mutated Advanced Breast Cancer. N Engl J Med. 2025 Jul 10;393(2):151 161. doi: 10.1056/NEJMoa2501796. Epub 2025 May 31. PMID: 40454641.


Canetas emagrecedoras proibidas podem representar risco ao coração, alertam cardiologistas


A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de proibir a comercialização e o uso das canetas emagrecedoras Gluconex e Tirzedral acendeu o debate sobre os riscos do uso de produtos irregulares para a saúde, especialmente para o coração.

Os dois medicamentos, vendidos como injetáveis com ação semelhante aos análogos de GLP-1, não possuem registro no Brasil e, segundo a agência, têm composição desconhecida. A ausência de controle sobre o conteúdo e a qualidade levanta preocupações sobre possíveis efeitos adversos imprevisíveis.

Para o cardiologista Dr. Ricardo Ferreira, o principal risco está justamente na falta de informação sobre o que está sendo administrado no organismo. “Quando não sabemos exatamente a composição de um medicamento, não conseguimos prever como o corpo, e principalmente o coração, vai reagir”, explica.

Segundo o especialista, substâncias com ação metabólica podem interferir diretamente no sistema cardiovascular, alterando pressão arterial, frequência cardíaca e até o ritmo dos batimentos. “Produtos irregulares podem desencadear arritmias, oscilações de pressão e outros efeitos que, em alguns casos, podem ser graves”, afirma.

Outro ponto de preocupação é o uso desses medicamentos sem acompanhamento médico. A facilidade de acesso, principalmente pela internet, tem levado muitas pessoas a recorrerem a soluções rápidas para perda de peso, sem avaliação prévia de riscos individuais.

“Mesmo medicamentos aprovados exigem indicação e acompanhamento. No caso de produtos ilegais, o risco é ainda maior, porque não há garantia de dose, pureza ou estabilidade da substância”, destaca o cardiologista.

Além dos efeitos diretos, o uso indiscriminado pode mascarar problemas de saúde ou levar à falsa sensação de segurança. “A pessoa emagrece e acredita que está mais saudável, mas pode estar expondo o organismo a riscos silenciosos, inclusive cardiovasculares”, alerta.

A recomendação dos especialistas é clara: evitar o uso de qualquer medicamento sem registro e sempre buscar orientação médica antes de iniciar tratamentos para perda de peso.

A própria Anvisa orienta que produtos irregulares não sejam utilizados em nenhuma hipótese e reforça a importância de denunciar a comercialização ilegal. Para os médicos, o episódio reforça um ponto essencial: quando o assunto é saúde, especialmente a do coração, não há espaço para atalhos.

 

Dr. Ricardo Ferreira Silva - graduado em medicina pela Universidade de Uberaba (MG), fez residência em Cardiologia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, em 2011, e se especializou em Estimulação Cardíaca Artificial e Arritmia Clínica no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese de São Paulo, em 2014 - título reconhecido pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial. Além de ter especialização em eletrofisiologia clínica e invasiva no Hospital do Coração de São Paulo e concluído seu Doutorado pela Universidade de São Paulo (USP), em 2018. Já em 2017, Dr. Ricardo fundou o Centro Cardiológico em sua cidade natal, Uberaba, para levar o que havia de mais moderno em tratamento de arritmia cardíaca para o interior do estado. Em pouco tempo, com a evolução do serviço e a necessidade de facilitar o acesso aos pacientes de outras localidades do país, expandiu para São Paulo. Hoje, está presente também dentro de hospitais como Beneficência Portuguesa, Samaritano e São Camilo – em São Paulo.


Emagrecimento estagnado? A ciência explica o que pode estar errado além das calorias

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Sono ruim, excesso de estresse e vários outros fatores que você nem imagina podem estar dificultando a sua perda de peso. Descubra quais são eles!

 

Quando o assunto é perder peso, a conta parece simples: consumir menos calorias e gastar mais energia. Na prática, no entanto, o processo é muito mais complexo. Diversos fatores biológicos, comportamentais e ambientais podem interferir na perda de peso. 

“O corpo humano possui mecanismos de adaptação que podem dificultar o emagrecimento ao longo do tempo. Além disso, hábitos do dia a dia muitas vezes passam despercebidos e acabam sabotando os resultados”, alerta o médico nutrólogo especialista em obesidade Nataniel Viuniski, mestre em Nutrição e Alimentos e membro do Conselho para Assuntos Nutricionais da Herbalife. 

A seguir, entenda os motivos mais comuns que podem estar por trás da dificuldade para emagrecer.

 

1. Sono insuficiente ou de má qualidade

Dormir pouco pode interferir diretamente nos hormônios que regulam a fome e a saciedade. Um estudo publicado no Annals of Internal Medicine mostrou que pessoas que dormiam cerca de 5,5 horas por noite perderam 55% menos gordura e mais massa magra durante uma dieta quando comparadas àquelas que dormiam 8,5 horas. “Os impactos são a necessidade de uma quantidade maior de comida ou mesmo de beliscos durante o dia”, diz o especialista.

 

2. Estresse elevado

O estresse crônico estimula a liberação de cortisol, hormônio que pode aumentar o apetite e favorecer o acúmulo de gordura abdominal. Uma revisão publicada na revista Obesity Reviews indica que níveis elevados de cortisol estão associados a maior acúmulo de gordura abdominal e a alterações no comportamento alimentar, o que pode dificultar o controle do peso. Nesse caso, vale buscar medidas que te ajudem a lidar melhor com os gatilhos que geram o estresse, como ioga, terapia, acupuntura…

 

3. Deficiência de vitaminas e minerais

Segundo a nutricionista Clara Lucia Valderrama, membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife, a falta de nutrientes também pode dificultar o emagrecimento, já que eles participam de processos importantes do metabolismo energético, da regulação do apetite e da disposição para a prática de atividades físicas. “Deficiências de ferro, vitamina D e magnésio, por exemplo, estão associadas a alterações metabólicas e pior controle da glicose, fatores que podem influenciar indiretamente a perda de peso”, explica a especialista, que recomenda exames de uma a duas vezes por ano para entender se há a necessidade de ajustes na dieta ou mesmo de suplementação. “Por isso, pessoas que fazem uso dos medicamentos injetáveis para a perda de peso que limitam extremamente a quantidade de alimentos ingeridos devem avaliar o consumo de alimentos com alta densidade nutricional, como o shakes nutritivos e proteicos”, acrescenta o nutrólogo.

 

4. Baixa ingestão de proteínas

A proteína é um nutriente importante para promover saciedade e preservar a massa muscular. Uma revisão publicada no American Journal of Clinical Nutrition mostra que dietas com maior teor de proteína contribuem para aumentar a saciedade e ajudar a preservar a massa magra durante o emagrecimento.

De acordo com o American College of Sports Medicine (ACSM), pessoas fisicamente ativas devem consumir, em geral, entre 1,2 e 2,0 g de proteína por quilo de peso corporal por dia, valor que pode variar conforme a intensidade dos treinos e os objetivos individuais. “Procure fracionar o consumo de proteína em todas as refeições, inclusive nos lanches, para favorecer a síntese muscular e a saciedade”, ensina Clara Lucia.

 

5. Pouca atividade física

Estudos clássicos, como o que foi publicado na revista Obesity, mostram que participantes de programas de emagrecimento apresentaram uma redução significativa do metabolismo basal mesmo após a perda de peso (a chamada termogênese adaptativa), o que pode tornar mais difícil continuar emagrecendo. 

Nesse contexto, a prática regular de atividade física ganha ainda mais importância. Exercícios — especialmente os que estimulam o ganho de massa muscular — ajudam a preservar o metabolismo e aumentar o gasto energético ao longo do dia. 

“Uma revisão publicada na revista Progress in Cardiovascular Diseases destaca que a combinação de alimentação equilibrada e atividade física regular é uma das estratégias mais eficazes para promover a perda de peso e, principalmente, para a manutenção dos resultados no longo prazo”, reforça o Nataniel.

 

6. Subestimar o consumo de calorias

Um artigo publicado no The New England Journal of Medicine aponta que indivíduos podem subestimar a ingestão energética em até 20% a 50% e superestimar a prática de atividade física, o que pode explicar, em parte, a dificuldade em perder peso. Daí a importância de uma orientação profissional e de ferramentas que ajudam a fazer os cálculos para um acompanhamento mais personalizado.

 

7. Condições hormonais ou metabólicas existentes

Segundo Nataniel, alterações hormonais podem afetar o metabolismo, o apetite e também a distribuição de gordura corporal. Por isso, vale fazer um check-up anual dos níveis hormonais e outros exames de sangue para investigar condições, como hipotireoidismo, resistência à insulina e síndrome dos ovários policísticos (SOP), por exemplo.

 

8. Baixo consumo de água

A hidratação é imprescindível para diversos processos metabólicos e pode contribuir para a sensação de saciedade, ajudando a reduzir o consumo de calorias ao longo do dia. Além disso, algumas pesquisas sugerem que beber água antes das refeições pode favorecer a perda de peso. Um estudo publicado na revista Obesity mostrou que adultos com sobrepeso que beberam cerca de 500 ml de água antes das principais refeições perderam mais peso ao longo de 12 semanas do que aqueles que não adotaram essa estratégia. Outras análises indicam ainda que níveis adequados de hidratação estão associados a melhor controle do apetite e do metabolismo energético.


Herbalife
www.Herbalife.com

 

Bolsonaro deve passar por cirurgia no ombro com técnica minimamente invasiva

Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) explica como funciona a artroscopia

 

O ex-presidente Jair Bolsonaro deve passar por uma cirurgia nos próximos dias após relatar dor persistente no ombro direito. O procedimento tem como objetivo reparar o manguito rotador e lesões associadas, por via artroscópica, técnica considerada minimamente invasiva. De acordo com Relatório Médico, o exame físico e os exames de imagem indicam lesão de alto grau do tendão do supraespinhal, com retração importante, comprometimento do terço superior do tendão do subescapular, subluxação da cabeça longa do bíceps e lesões associadas, contexto em que foi formalmente indicado procedimento cirúrgico para fixação das lesões do manguito rotador do ombro direito e lesões associadas, por via artroscópica.

A artroscopia permite uma avaliação mais precisa da articulação durante o procedimento. “Na técnica da artroscopia, são feitos pequenos cortes, geralmente de um centímetro no máximo e, por esse cortezinho é colocado uma microcâmera dentro da articulação, no caso, o ombro. Com essa microcâmera, é possível ter uma ideia bem mais detalhada de quais problemas tem dentro do ombro. A ressonância magnética é o melhor exame de imagem que tem para detectar as lesões, mas nada melhor do que se ver, ao vivo, na hora da cirurgia”, explica o 2º vice-presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), Sandro da Silva Reginaldo. 

Segundo o especialista, o método também possibilita identificar outras alterações que podem não ter sido detectadas previamente. “Além da lesão do tendão, você tem condição de avaliar a condição das cartilagens, ali da articulação do ombro, se algum tendão tem uma lesãozinha pequena, que não foi detectada na ressonância, se tem alguma outra lesão associada de ligamentos, então, com a técnica de artroscopia, com um corte pequeno e bem menos agressivo, você consegue ter uma visão bem ampla.”

 

Duração do procedimento

A duração da cirurgia pode variar conforme a complexidade do caso. “Depende muito do grau de lesão, de quantos tendões são acometidos, do grau da gravidade dessa lesão, se esse tendão está muito desgastado, se está muito longe do lugar original dele, isso pode impactar. É uma cirurgia que pode demorar de procedimento cirúrgico em si, sem contar os preparativos, em torno de uma hora até duas horas e meia, dependendo de quantas lesões têm que ser tratadas e dependendo de lesões adicionais que você acha no procedimento”, afirmou.

 

Recuperação 

O tempo de recuperação também depende das condições encontradas durante a cirurgia. “Está muito interligado com o que realmente vai encontrar. Normalmente, quando tem uma lesão do manguito rotador, uma lesão total que você precisa dar ponto desses tendões, o paciente vai ficar pelo menos nos primeiros 30, 40 dias com o braço mais imobilizado na tipoia. E, a partir daí, você tem uma sequência da reabilitação para fazer, de recuperar os movimentos, que no primeiro momento pode perder movimento por essa imobilização e pela cirurgia em si.”

O médico acrescenta que a reabilitação é progressiva. “Depois, o paciente tem um tempo que vai recuperar esses movimentos, em torno de três meses e meio a quatro meses depois da cirurgia, faz um trabalho de força e, normalmente, uma lesão de manguito rotador, a depender dela, vai ter uma reabilitação aí em torno de seis meses”, conclui.

 

Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte - SBRATE 

 

Sexo seguro também pode ser prazeroso? Médica explica como aliar proteção e satisfação

 Dados mostram que o preservativo ainda é o método mais eficaz contra ISTs, mas continua enfrentando resistência por mitos ligados à perda de prazer

 

Apesar dos avanços nas discussões sobre sexualidade, ainda é comum que o uso de preservativos seja associado à perda de sensibilidade ou à diminuição do prazer durante a relação sexual. Esse tipo de percepção, no entanto, está mais ligado a mitos do que à realidade, segundo especialistas em saúde íntima, que defendem que proteção e satisfação podem caminhar juntas. 

Dados do Ministério da Saúde apontam que o preservativo é o método mais eficaz para a prevenção do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), sendo também uma importante ferramenta para evitar a gravidez não planejada. Ainda assim, a adesão ao método segue baixa: uma pesquisa nacional indica que cerca de 59% dos brasileiros afirmam não utilizar camisinha em suas relações sexuais. 

De acordo com a Dra. Larissa Cassiano, médica parceira da DKT South America, empresa de planejamento familiar responsável por marcas como Prudence, a resistência ao uso do preservativo muitas vezes está relacionada à falta de informação e à experiência inadequada com o produto. “Hoje existem preservativos com diferentes texturas, espessuras e estímulos sensoriais que contribuem para o prazer. A ideia de que o uso reduz a sensibilidade não é uma regra e pode estar mais ligada à escolha do produto ou ao uso incorreto”, explica.

Além disso, quando utilizado corretamente, o preservativo pode atingir até 98% de eficácia na prevenção da gravidez, segundo dados de especialistas em saúde , reforçando sua segurança como método contraceptivo. Ainda assim, falhas no uso, como colocação incorreta ou uso tardio durante a relação, são fatores que contribuem para a percepção equivocada de baixa eficácia. 

Outro ponto importante é o impacto psicológico na vivência do prazer. Sentir-se protegido durante a relação pode reduzir a ansiedade e aumentar o relaxamento, fatores que influenciam diretamente na qualidade da experiência. Quando o cuidado com a saúde sexual está presente, o foco tende a se voltar mais para o momento, favorecendo a conexão entre os parceiros. 

A diversificação dos produtos disponíveis no mercado também tem contribuído para mudar essa percepção. De acordo com o Ministério da Saúde, a oferta de preservativos com diferentes características, como versões mais finas e texturizadas, busca justamente aumentar a adesão ao uso ao tornar a experiência mais confortável e atrativa.

Para a Dra. Larissa, desassociar o preservativo da ideia de limitação é um passo importante para ampliar o uso e promover a saúde sexual. “O preservativo deve ser visto como um aliado, não como um impedimento. Ele permite que as pessoas vivam sua sexualidade com mais liberdade, responsabilidade e tranquilidade”, afirma.

Ao integrar proteção e prazer, o uso do preservativo se consolida como parte natural da experiência sexual, reforçando a importância de escolhas conscientes e informadas para o bem-estar físico e emocional.


DKT South America
DKT Salú
DKT Academy
Use Prudence


Invisíveis no espectro: por que o autismo feminino ainda escapa do diagnóstico

Distorção histórica nos critérios para o diagnóstico do transtorno faz com que milhões de mulheres cheguem à vida adulta sem saber que tem autismo.


O Abril Azul, mês internacional de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), chegou mais uma vez com campanhas, laços simbólicos e debates nas redes sociais. Mas há um grupo que ainda permanece à margem dessa visibilidade: as mulheres com autismo.

Elas passaram décadas se perguntando por que se sentiam diferentes. Eram chamadas de tímidas demais, sensíveis demais, exigentes demais. Aprenderam cedo a observar as outras pessoas e a copiar seus comportamentos, a sorrir na hora certa, a fingir interesse quando o cansaço social já havia chegado ao limite. Para o mundo ao redor, pareciam apenas introvertidas. O autismo nunca foi cogitado. 

O Brasil tem hoje 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), segundo o IBGE, o equivalente a 1 em cada 38 crianças entre 5 e 9 anos. Mas por trás desse número há uma distorção que especialistas descrevem como um problema estrutural de décadas: a taxa de diagnóstico entre homens (1,5%) é significativamente maior do que entre mulheres (0,9%). 

Para pesquisadores e clínicos, essa diferença não reflete uma prevalência real menor do autismo no sexo feminino. Ela revela, também, falhas históricas na forma como o transtorno foi estudado, descrito e identificado.

“Apesar de conhecermos algumas diferenças genéticas e estruturais entre os gêneros, os critérios diagnósticos do autismo foram construídos, em grande parte, com base em estudos feitos com meninos. Durante muito tempo, a ciência sequer se perguntava se essa condição poderia se manifestar de forma diferente em meninas”, afirma a Dra. Letícia Amici, Psiquiatra e Docente do programa de Pós-Graduação Médica da São Leopoldo Mandic.
 

A arte de desaparecer

No centro desse subdiagnóstico está um fenômeno que os pesquisadores chamam de masking, ou camuflagem social. Desde a infância, muitas meninas com autismo desenvolvem a habilidade de observar e imitar comportamentos sociais: a forma como os outros fazem contato visual, como entram em uma conversa, como reagem a uma piada. É uma estratégia de sobrevivência, não uma escolha consciente, e que ocorre mais nas mulheres, justamente porque nelas, o "cérebro social" costuma ser um pouco mais desenvolvido. E é essa característica, precisamente o que as torna invisíveis para pais, professores e, por fim, médicos.

O custo dessa invisibilidade, no entanto, é alto. Estudos associam a camuflagem social prolongada a quadros graves de ansiedade, depressão e esgotamento crônico. Mulheres com autismo apresentam taxas significativamente maiores de burnout e ideação suicida do que a população geral. Paradoxalmente, são justamente os sintomas dessas comorbidades que costumam levá-las ao consultório, não o autismo em si. 

"O que vemos na clínica, muitas vezes, é uma mulher que chega à consulta com outros diagnósticos, como transtorno de ansiedade, depressão recorrente, às vezes até mesmo transtorno de personalidade borderline. E que já fez terapia, ou já tentou vários outros tratamentos, por anos, sem sucesso. E o autismo estava lá, subjacente, nunca investigado, mas trazendo diversos impactos, seja em relação às interações sociais, à sua carreira profissional ou em sua qualidade de vida, como um todo. Quando finalmente nomeamos, reconhecemos e iniciamos as intervenções adequadas, algo muda profundamente nessa mulher. Há desde um alívio enorme, em entender que suas dificuldades, antes compreendidas como fraqueza ou frescura, são decorrentes de características do funcionamento cerebral, como também abrem-se novas possibilidades terapêuticas e apoios muito mais efetivos”, descreve a Dra. Letícia.
 

Quando o diagnóstico acontece

Há um caminho que se repete nos consultórios de psiquiatria: uma mãe acompanha o processo diagnóstico do filho, muitas vezes um menino identificado com autismo ainda na infância, e, ao aprender sobre o transtorno, começa a se reconhecer nas descrições. A lista de características que ela lê no laudo do filho é, também, a história da própria vida, e das dificuldades que enfrentava, muitas vezes, sem nem se dar conta.

"É um momento muito particular. A mãe vem para cuidar de seu filho e sai com uma nova compreensão de si mesma. Ela passa a entender comportamentos que sempre a intrigaram, relações que nunca funcionaram como esperava, dificuldades que impactaram sua trajetória, limitaram seu potencial, além da exaustão constante de tentar se encaixar em um mundo que parecia falar uma língua diferente da sua. O diagnóstico tardio, nesses casos, tem um valor imenso. Não muda o passado, mas reorganiza o presente, e leva a um futuro diferente”, observa a especialista. 

Esse padrão evidencia também a urgência de formar profissionais de saúde aptos a reconhecer o autismo em suas diferentes apresentações. O programa de Pós-Graduação em Psiquiatria da São Leopoldo Mandic aborda o TEA com ênfase nas especificidades diagnósticas, incluindo as particularidades do espectro no público feminino e em adultos, um recorte ainda insuficientemente coberto na formação médica tradicional.

"A maioria dos médicos aprendeu a reconhecer o autismo em crianças do sexo masculino com comprometimento funcional evidente, e numa faixa etária menor. Uma mulher adulta de 35 anos, minimamente adaptada socialmente, com uma profissão e família, simplesmente não entra nesse perfil. Esses estigmas precisam ser revistos, para que os profissionais não mantenham esses equívocos, e consigam fazer diagnósticos com mais acurácia e seriedade, sem também banalizar algo tão complexo como o autismo”, avalia a Dra. Letícia. 

"Há alguns exemplos de mulheres que chegam aos 40, 50 anos sem nunca terem recebido uma avaliação diagnóstica adequada, e nem sequer suspeitam estarem no espectro autista. Elas viveram com uma série de diagnósticos que tratavam os sintomas de forma isolada ou superficial, mas não a causa, como um todo. Quando o diagnóstico correto finalmente é construído, não é uma sentença: é uma resposta. E muitas vezes, é a primeira vez na vida em que essa mulher sente que faz sentido", conclui.



São Leopoldo Mandic


Entre a lei e a realidade: os desafios no acesso aos direitos das pessoas com TEA

 

Garantir os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda é um desafio para muitas famílias. Em alusão ao mês de conscientização sobre o autismo, celebrado em abril, especialistas reforçam que a informação é essencial para assegurar acesso à saúde, educação e benefícios garantidos por lei. 

No Brasil, a proteção legal das pessoas com TEA é assegurada por legislações como a Lei nº 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, e pela Lei nº 13.146/2015. Essas normas garantem uma série de direitos que visam promover inclusão, dignidade e qualidade de vida. 

De acordo com a advogada e professora da Uniube, Andrea Fabri, é fundamental que as famílias conheçam essas garantias legais. “A legislação brasileira é bastante avançada quando se trata dos direitos das pessoas com TEA. O grande desafio ainda está no acesso à informação e na efetivação desses direitos no dia a dia”, destaca. 

Entre os direitos gerais estão o atendimento prioritário em serviços públicos e privados, especialmente em bancos, hospitais e repartições, além do acesso à meia-entrada em eventos culturais e esportivos, extensiva a um acompanhante. 

Também estão previstos benefícios como vagas especiais em estacionamentos, gratuidade ou desconto no transporte público e isenções fiscais na aquisição de veículos, a depender da legislação vigente. O uso de símbolos de identificação, como o colar com o quebra-cabeça, pode auxiliar no reconhecimento, mas não é obrigatório. 

No campo dos benefícios sociais, famílias podem ter acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), destinado a pessoas com deficiência que comprovem critérios de renda. O acesso é feito por meio do Cadastro Único em unidades do CRAS e solicitação junto ao INSS, pelo aplicativo ou telefone 135. 

Segundo Andrea Fabri, o acesso a esses benefícios exige atenção aos critérios estabelecidos. “É importante que as famílias busquem orientação para reunir a documentação necessária e entender os requisitos, principalmente no caso do BPC, que envolve análise de renda e avaliação social”, explica. 

Na área da saúde, a legislação garante o acesso ao diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional e tratamento adequado, incluindo fornecimento de medicamentos, tanto pelo sistema público quanto por planos de saúde. Já na educação, a inclusão é assegurada por lei, com direito à matrícula em escolas regulares, proibição de cobrança adicional para acompanhantes especializados e elaboração de plano de ensino individualizado. 

“A inclusão escolar é um direito garantido e deve ser respeitado. Nenhuma instituição pode recusar matrícula ou cobrar valores adicionais em razão do diagnóstico. O acompanhamento adequado é essencial para o desenvolvimento da criança”, reforça a especialista. 

Andrea destaca que o conhecimento desses direitos é fundamental para que as famílias possam exigir o cumprimento das leis e garantir o suporte necessário ao desenvolvimento das pessoas com TEA. 

Conhecer os direitos é o primeiro passo para garantir dignidade e qualidade de vida.


Como proteger a saúde respiratória e imunológica diante da amplitude térmica e tempo seco?


A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) alerta que os períodos com amplitude térmica acentuada, comuns durante o Outono, quando podemos ter madrugadas em torno de 12–13 °C e tardes chegando a 26–30 °C. Associados a tempo seco, o risco de exacerbações de asma e rinite aumentam, além de favorecerem infecções de vias aéreas superiores. A alternância rápida entre frio e calor estressa a mucosa respiratória, reduz a eficiência das suas defesas naturais e potencializa a ação de vírus, alérgenos e poluentes. 

“Do ponto de vista biológico, inspirar ar mais frio e seco resseca o muco e diminui o batimento ciliar, mecanismo responsável por “varrer” partículas e microrganismos. Essa combinação enfraquece a barreira das vias aéreas, podendo desencadear broncoespasmo em pessoas com asma e piorar sintomas nasais em quem tem rinite. Além disso, alguns vírus respiratórios, como o rinovírus, replicam-se com mais facilidade em temperaturas nasais mais baixas — situação comum em amanheceres frios”, explica Dra. Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da ASBAI. 

A especialista conta ainda que os efeitos tendem a ser mais pronunciados em crianças, adolescentes, idosos e pessoas com doenças respiratórias (asma, rinite, sinusites de repetição). “A baixa umidade relativa do ar piora sintomas de nariz, garganta, olhos e pele, e está ligada a mais atendimentos por agravamento de quadros respiratórios. Em épocas com umidade muito baixa, a orientação é seguir os avisos das autoridades locais (INMET/Defesas Civis) e reforçar cuidados ambientais e de saúde”, orienta Dra. Fátima Fernandes. 

A ASBAI recomenda medidas simples e eficazes para reduzir riscos: proteção do trato respiratório nas horas mais frias, hidratação e higiene nasal com soro fisiológico, manejo adequado do ambiente interno (umidade moderada, ventilação e limpeza) e adesão às medicações de controle nos pacientes com asma e rinite, conforme prescrição médica. Em caso de sinais de alarme — falta de ar em repouso, chiado persistente, febre alta, dor torácica ou queda importante do pico de fluxo — a pessoa deve procurar atendimento médico imediato. 

Abaixo, a presidente da ASBAI orienta sobre alguns cuidados em dias de amplitude térmica e tempo seco: 

  • Vista-se em camadas. Nas manhãs frias, use máscara ou cachecol cobrindo nariz e boca; respire pelo nariz para aquecer/umidificar o ar.
  • Em casa, lavagem nasal com soro fisiológico de 1 a 2 vezes por dia
  • Evite exercícios intensos ao ar livre nas horas mais frias/secas. Prefira períodos de umidade e temperatura mais amenas ou ambientes internos bem ventilados.
  • Ventile, limpe superfícies e reduza poeira do ambiente; evite mofo. Mantenha distância de fumaça, incenso e sprays irritantes.
  • Quem tem asma ou rinite deve manter medicamentos de controle e plano de ação ajustados; revisar técnica de inaladores. Tenha o resgate por perto conforme orientação médica.
  • Acompanhe boletins de umidade e qualidade do ar (INMET/Defesa Civil/órgãos estaduais):

- 21–30%: atenção

- 12–20%: alerta

- < 12%: emergência

  • Sintomas de falta de ar, chiado persistente, cansaço desproporcional, febre alta ou piora rápida dos sintomas, procure atendimento médico. 


ASBAI - Associação Brasileira de Alergia e Imunologia
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Iamspe tem protocolo de dor torácica próprio para identificar infarto em até 10 minutos

O protocolo também agiliza o diagnóstico de pneumotórax, embolia pulmonar, tamponamento cardíaco e dissecção de aorta. O Iamspe conta com uma equipe multidisciplinar para elaborar diretrizes próprias para os pacientes do Instituto

O Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo conta com um protocolo de dor torácica próprio para identificar infarto em até 10 minutos. As diretrizes são essenciais para promover a segurança e o melhor atendimento do paciente. As condutas foram elaboradas pelas equipes do Pronto-Socorro e de Gestão de Risco e Qualidade do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE). São vantagens a agilidade e a precisão do diagnóstico do problema cardíaco. 

O protocolo de dor torácica do Iamspe foi elaborado pelo cardiointensivista e diretor do PS, Dr. Werlley Januzzi, junto à equipe de atendimento de urgência e emergência e de Gestão de Risco e Qualidade, em 2025. O paciente com queixa de dor no peito passa por um fluxo de atendimento específico, sendo direcionado à sala de avaliação com especialista de plantão, equipada com dispositivo para radiografia de tórax com apoio de inteligência artificial e ecocardiografia point of care à beira-leito. 

As diretrizes do protocolo de dor torácica do Iamspe também agilizam o diagnóstico doenças que exigem intervenção ágil, como: ar na membrana pleura do pulmão, que pode comprimir o órgão, pneumotórax; presença de coágulo sanguíneo em artérias pulmonares, embolia pulmonar; acúmulo de líquido na membrana cardíaca, tamponamento cardíaco; e rompimento da artéria aorta, dissecção de aorta.

O diretor do PS e cardiointensivista do Iamspe, Dr. Werlley, aponta também a integração com o laboratório de hemodinâmica para a avaliação rápida e adequada dos pacientes com dor torácica. “Ao integrar diferentes ferramentas diagnósticas logo na admissão, construímos, em poucos minutos, uma leitura fisiopatológica mais completa do paciente. Isso qualifica a tomada de decisão clínica e impacta diretamente nos desfechos", comenta.
 

EQUIPE ESPECÍFICA PARA PROTOCOLOS PRÓPRIOS

O Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo conta com uma equipe multidisciplinar para a elaboração de protocolos próprios para atendimento médico na instituição. Em 2025, os profissionais elaboraram diretrizes específicas para assistir pacientes com quadro de dor torácica, acidente vascular cerebral (AVC), sepse e intoxicação por metanol, além de atualizar as diretrizes para evitar lesões por pressão. 

A enfermeira responsável pela equipe de Gestão de Risco e Qualidade do Iamspe, Juliana Rosa e Silva, pontua a importância do apoio de uma equipe com profissionais de diferentes formações na criação de novos protocolos. "Com base no que existe de mais atual em pesquisas científicas e boas práticas de saúde em cada especialidade médica, o time se empenha em criar modelos que possam padronizar a assistência. O objetivo é melhorar cada vez mais o cuidado com o paciente", conclui.

Guia para cuidadores reúne cinco orientações para higiene bucal de pacientes com limitações motoras

Especialista em odontogeriatria e atendimento domiciliar, Dra. Cristiane Vasconcellos explica como adaptar a rotina, reduzir riscos de infecções e prevenir internações 

 

O Brasil já soma mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo o IBGE, enquanto cerca de 18,6 milhões de brasileiros vivem com algum tipo de deficiência, de acordo com a PNAD Contínua. No mundo, doenças bucais afetam aproximadamente 3,5 bilhões de pessoas, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Esse cenário amplia a preocupação com a higiene bucal de pacientes com limitações motoras, grupo mais exposto a infecções e complicações clínicas. 

Para a cirurgiã-dentista Dra. Cristiane Vasconcellos, mestre em Clínica Odontológica Integrada e referência em odontogeriatria e home care, a rotina de cuidados precisa ser adaptada à realidade de cada paciente. “A higiene bucal nesses casos não é pensando em  estética, é uma medida de saúde que pode evitar complicações graves e até internações”, afirma.

Com mais de duas décadas de atuação no atendimento domiciliar de idosos e pessoas com deficiência, a especialista observa que ainda há falhas importantes na execução desses cuidados, tanto por familiares quanto por equipes assistenciais. “Muitos cuidadores não recebem orientação técnica e acabam improvisando. Pequenos erros diários podem gerar lesões, dor  e perda da qualidade de vida”, diz.

Além do impacto clínico, o tema também ganha relevância para empresas de saúde, operadoras e serviços de home care, que lidam diretamente com custos relacionados a infecções evitáveis. A adoção de protocolos adequados de higiene bucal diária podem reduzir complicações, otimizar recursos e melhorar indicadores assistenciais.


A especialista aponta sete cuidados para evitar infecções e complicações na higiene bucal de pacientes com limitações motoras

A adaptação da higiene bucal exige atenção a detalhes práticos e à condição de cada paciente. Antes de listar as orientações, a especialista destaca que o primeiro passo é entender limitações motoras, cognitivas, quem vai realizar a higiene e o ambiente em que o cuidado será realizado. 

  • Escolher escovas adequadas e adaptadas
    Escovas com cabeça pequena e cerdas macias facilitam o acesso e reduzem o risco de lesões. Em alguns casos, adaptações no cabo ajudam o cuidador a ter mais firmeza, existem também as escovas curvas que ajudam demais. “A ferramenta correta resolve grande parte da dificuldade operacional”, explica.
  • Uso do fio dental adequado

O fio dental de passar somente com uma mão é ideal quando o cuidado é realizado em outra pessoa, ajuda demais o manejo e a prevenção de cáries entre os dentes.

 

  • Atenção à posição do paciente
    A higiene deve ser feita com o paciente levemente inclinado ou sentado, sempre que possível, para evitar aspiração de líquidos. “Esse cuidado simples reduz o risco de complicações respiratórias”, afirma. Muitas vezes é sugerido  que essa higiene seja realizada na cama ou no sofá.
  • Uso controlado de água e produtos
    Evitar excesso de água e utilizar uma pequena quantidade de creme dental é essencial (quantidade de “um grão de arroz”). Alternativas como gaze umedecida podem ser usadas em muitos pacientes.
  • Observação de sinais de alerta
    Sangramentos frequentes, feridas/úlceras, dor, mau hálito persistente ou dificuldade para abrir a boca indicam necessidade de avaliação profissional. “A boca sinaliza problemas antes de outras partes do corpo”, diz.
  • Analisar a quantidade de saliva existente na cavidade bucal

 Existem pacientes com excesso de saliva e outros com hipossalivação. Para cada tipo, existe uma conduta diferente, medicamentos para diminuição salivar, outros pacientes já utilizam a saliva artificial. 

 

  • Criação de rotina e frequência adequada
    A higiene deve ser realizada tres vezes ao dia. A previsibilidade ajuda tanto o paciente quanto o cuidador a manter o padrão de cuidado.

 

Como empresas e famílias podem estruturar o cuidado

Para além da execução diária, a especialista aponta que a estrutura do serviço faz diferença nos resultados. Empresas de home care e famílias precisam avaliar critérios técnicos na contratação de profissionais.

Segundo ela, é fundamental buscar equipes com formação específica em odontologia domiciliar ou hospitalar, além de experiência com pacientes dependentes. “Não basta saber escovar dentes. É preciso entender o quadro clínico, os riscos envolvidos e como adaptar o atendimento”, afirma.

Outro ponto relevante é a integração com equipes multidisciplinares. A higiene bucal deve estar alinhada com médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos e fisioterapeutas, especialmente em pacientes com doenças crônicas. “Quando o cuidado é integrado, os resultados aparecem mais rápido e com mínimas intercorrências”, diz.


Vantagens e impactos para o sistema de saúde

A adoção de protocolos adequados de higiene bucal traz benefícios que vão além do paciente individual. Para operadoras e serviços assistenciais, a redução de infecções e complicações clínicas impacta diretamente custos e tempo de internação.

“A saúde bucal ainda é negligenciada em muitos protocolos, mas ela influencia diretamente desfechos clínicos. Investir nisso é uma decisão estratégica, não apenas assistencial”, afirma.

Ela também destaca que o avanço do atendimento domiciliar no Brasil amplia a necessidade de qualificação nesse tipo de cuidado. “Levar o consultório até o paciente exige tecnologia, experiência, sabedoria e preparo. Quando isso é feito corretamente, conseguimos manter dignidade, conforto e saúde”, conclui.

 

Cristiane Vasconcellos - cirurgiã-dentista, mestre em Clínica Odontológica Integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES). Atua há mais de duas décadas no atendimento odontológico voltado à idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, com foco em atendimentos hospitalares, em instituições geriátricas e atendimento domiciliares. Ao longo da carreira, consolidou sua atuação no Espírito Santo levando estrutura clínica e tecnologia até a casa de pacientes que não conseguem se deslocar até os consultórios odontológicos. Especialista em Geriatria e Gerontologia, Odontogeriatria, Odontologia Hospitalar, Laserterapia, Prótese Dentária e Saúde Coletiva, dedica sua prática à integração entre saúde bucal, qualidade de vida e cuidado humanizado nesse tipo de pacientes. 

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Fontes de pesquisa

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/17270-pnad-continua.html
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9126-projecao-da-populacao.html

OMS – Organização Mundial da Saúde (WHO)
https://www.who.int/publications/i/item/9789240061484


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