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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Sinais semelhantes podem atrasar diagnóstico de TEA e TDAH na vida adulta

Abril Azul acende alerta para identificação tardia e associação entre transtornos 


Durante o Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialistas alertam para um desafio frequente na prática clínica: adultos que recebem tardiamente a confirmação do diagnóstico e, ao longo da investigação, também identificam o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A condição afeta entre 5% e 8% da população mundial¹ e cerca de 11 milhões de brasileiros². Em aproximadamente 60% dos casos, os sintomas persistem na vida adulta³, o que ajuda a explicar por que muitos pacientes convivem por anos com dificuldades sem diagnóstico. 

Nesse contexto, a identificação do TEA na vida adulta tem se tornado mais comum, especialmente em pessoas que passaram grande parte da vida lidando com desafios relacionados à atenção, organização e interação social. Quando o transtorno é reconhecido, ele frequentemente funciona como ponto de partida para uma avaliação mais ampla, o que, dependendo do caso, pode revelar também o TDAH associado⁴,⁵. A associação entre TEA e TDAH é frequente, mas ainda pouco reconhecida. Isso ocorre porque há sobreposição de sinais, especialmente em funções executivas, como: 

Nesse contexto, a identificação do TEA na vida adulta tem se tornado mais comum, especialmente entre pessoas que passaram grande parte da vida lidando com desafios relacionados à atenção, organização e interação social. Quando o transtorno é reconhecido, ele frequentemente funciona como ponto de partida para uma avaliação mais ampla que, dependendo do caso, pode revelar também o TDAH associado⁴,⁵. A associação entre TEA e TDAH é frequente, mas ainda pouco reconhecida. Isso ocorre porque há sobreposição de sinais, especialmente em funções executivas, como: 

        desatenção

        desorganização

        dificuldade de planejamento

        regulação emocional

Ferramentas como a escala ASRS-18, da Organização Mundial da Saúde (OMS), podem auxiliar na triagem⁶, mas a confirmação do TDAH exige uma análise clínica criteriosa, que considere o histórico desde a infância e o impacto funcional. É fundamental procurar um especialista (psiquiatra, neurologista ou pediatra) para diferenciar os sinais, confirmar o diagnóstico e indicar a abordagem terapêutica mais adequada.

 

Reconhecimento parcial de TEA ou TDAH: o risco de uma abordagem incompleta 

Quando apenas uma das condições é considerada, a abordagem tende a ser limitada, com a manutenção de prejuízos no dia a dia e resposta incompleta às intervenções propostas. Por isso, especialistas reforçam a importância de uma avaliação integrada, capaz de contemplar possíveis comorbidades⁷. 

Esse cenário é ainda mais desafiador entre mulheres, que historicamente apresentam maior subdiagnóstico tanto de TEA quanto de TDAH. A presença de manifestações menos evidentes e a chamada “camuflagem social” podem atrasar o reconhecimento dos transtornos⁴,⁵. Além disso, oscilações hormonais ao longo da vida podem influenciar a intensidade dos sintomas do TDAH⁸,¹⁰, com impacto também na cognição¹¹.

 

Tratamento e manejo do TDAH 

O cuidado com o TDAH pode envolver intervenções comportamentais, acompanhamento psicológico e, em alguns casos, farmacoterapia⁷. Além dos psicoestimulantes, há alternativas não estimulantes, como a atomoxetina, que atua como inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina¹² e está disponível no Brasil desde 2023¹². A definição da estratégia deve ser individualizada, levando em conta o perfil do paciente, a presença de condições associadas, como o TEA, e a resposta ao longo do acompanhamento. 

Evidências recentes destacam o papel dos não estimulantes no TDAH. Um estudo da Nature Mental Health mostra que a atomoxetina pode ter eficácia semelhante à dos estimulantes para muitos pacientes, ampliando a escolha terapêutica desde o início do cuidado¹³. A análise de ensaios clínicos e dados de mundo real indica que o uso de não estimulantes pode favorecer estratégias mais individualizadas, reduzir ajustes sucessivos de medicação e oferecer alternativa em casos de baixa tolerabilidade ou restrições a substâncias controladas¹³.

  

Referências:

1 - ABDA – Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Prevalência mundial do TDAH.
Disponível em:
https://tdah.org.br/sobre-tdah / Acesso em março de 2026

2 -  ABDA – Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Dados de prevalência no Brasil.
Disponível em:
https://tdah.org.br/dados-estatisticos / Acesso em março de 2026

3 -  Faraone, S. V. et al. The persistence of ADHD into adulthood: a systematic review.
Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17685774 / Acesso em março de 2026

4 - Lai, M.-C.; Baron-Cohen, S. Camouflaging in autism: theoretical and clinical implications.
Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28229435 / Acesso em março de 2026

5 -  Hull, L. et al. Sex and gender differences in autism spectrum condition.
Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28688088 /Acesso em março de 2026

6 -  Organização Mundial da Saúde (OMS). Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS-18).
Disponível em:
https://www.who.int/publications/m/item/adult-adhd-self-report-scale-(asrs) /  Acesso em março de 2026

7 -  National Institute of Mental Health (NIMH). Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder.
Disponível em:
https://www.nimh.nih.gov/health/topics/attention-deficit-hyperactivity-disorder-adhd / Acesso em março de 2026

8 - Quinn, P. O. Hormonal fluctuations and ADHD in females across the lifespan.
Disponível em:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4195638 / Acesso em março de 2026

9 -  Rucklidge, J. J. Gender differences in ADHD: implications for diagnosis and treatment.
Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19015507 / Acesso em março de 2026

10 -  Dorani, F. et al. Prevalence of premenstrual dysphoric disorder in women with ADHD.
Disponível em:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26301651/ Acesso em março de 2026

11 -  Impacto das alterações hormonais e da redução do estrogênio na cognição feminina durante a perimenopausa e menopausa. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7006984 / Acesso em março de 2026

12 - Informações regulatórias e científicas sobre atomoxetina no tratamento do TDAH. Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Disponível em: https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/strattera / Acesso em março de 2026

13 - Rethinking the role of non-stimulants in ADHD treatment. Nature Mental Health.
Disponível em:
https://www.nature.com / Acesso em março de 2026

 

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