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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Musculação causa varizes? Mitos e verdades sobre o impacto do peso na circulação.

Descubra como o exercício físico, se bem orientado, ajuda no bombeamento do sangue e por que quem já tem predisposição genética precisa de acompanhamento vascular para treinar com segurança. 

 

A prática regular de exercícios físicos é frequentemente apontada como um pilar da saúde, mas no ambiente das academias, um receio comum persiste entre os frequentadores: o medo de que o levantamento de peso excessivo possa provocar o surgimento de veias dilatadas e tortuosas. Dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) indicam que as varizes afetam cerca de 38% da população adulta no Brasil, sendo a predisposição genética o principal fator de risco. O que muitos desconhecem é que, longe de ser uma vilã, a musculação pode atuar como uma importante aliada no retorno venoso, desde que executada com a técnica correta e acompanhamento especializado. 

De acordo com o cirurgião vascular e endovascular Josualdo Euzébio, o mito de que o esforço físico causa a doença surge da observação de atletas com veias muito aparentes. "Existe uma diferença crucial entre a veia saltada, comum em quem tem baixo percentual de gordura e alta vascularização muscular, e a veia doente, que perdeu sua função elástica. O exercício resistido, na verdade, fortalece a musculatura da panturrilha, que funciona como o nosso segundo coração, empurrando o sangue de volta para a parte superior do corpo", explica o especialista. 

O problema não reside no peso em si, mas na forma como a pressão intra-abdominal é gerada durante séries muito intensas sem a respiração adequada. Quando uma pessoa prende o fôlego ao fazer força, ocorre um aumento momentâneo da pressão nas veias das pernas, o que pode agravar quadros em quem já possui válvulas venosas fragilizadas. Por isso, o médico ressalta que o treino deve ser progressivo, evitando bloqueios respiratórios prolongados que dificultem o fluxo sanguíneo em direção ao tronco. 

Para aqueles que já possuem histórico familiar ou sintomas iniciais, como cansaço e peso nos membros inferiores ao fim do dia, a avaliação profissional se torna indispensável antes de iniciar um cronograma de alta performance. O cirurgião esclarece que "quem tem predisposição genética não precisa abandonar a musculação, mas deve entender que o equilíbrio entre carga e repetição é a chave para não sobrecarregar o sistema circulatório". Em alguns casos, o uso de meias de compressão esportivas durante a atividade pode ser recomendado para otimizar a performance vascular. 

Além do fortalecimento muscular, a atividade física auxilia no controle do peso corporal, reduzindo a carga inflamatória que prejudica as paredes dos vasos. O sedentarismo, este sim, é um inimigo real, pois a falta de movimento faz com que o sangue acumule nas extremidades, aumentando a pressão venosa crônica. O foco deve ser sempre a prevenção combinada, unindo a força dos treinos com o monitoramento constante da saúde das veias. 

O diagnóstico precoce e o tratamento moderno das varizes, que hoje dispensa longos períodos de repouso, permitem que o paciente retorne rapidamente às suas atividades físicas. "O objetivo atual da medicina vascular é devolver a autonomia ao indivíduo. Orientamos que o treino seja um aliado do tratamento, mantendo a circulação ativa e as pernas saudáveis para suportar a rotina", finaliza. 



Fonte: Dr. Josualdo Euzébio — Cirurgião Vascular e Endovascular
@dr.josualdo


Quando levar seu filho à emergência? Pediatras orientam famílias sobre sinais de alerta

Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul esclarece quais sintomas exigem atendimento imediato e como agir diante de situações de urgência 

 

Diante da superlotação recorrente dos serviços hospitalares e da redução de pediatras na atenção básica, a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) reforça uma orientação essencial às famílias: saber reconhecer sinais de gravidade é decisivo para proteger a saúde de recém-nascidos, bebês, crianças e adolescentes. O objetivo é esclarecer, de forma prática, quando a busca por atendimento de urgência é realmente necessária. 

De acordo com o vice presidente e coordenador do Pediatric Advanced Life Support (PALS) polo SBP-RS Silvio Baptista, algumas situações exigem avaliação imediata. “Existem quadros que não podem aguardar consulta eletiva. Febre em recém-nascidos, dificuldade respiratória, alterações de consciência, convulsões e sinais de desidratação são exemplos claros de urgência. Reconhecer esses sinais precocemente pode evitar complicações”, explica. 

Entre os recém-nascidos, merecem avaliação urgente o aparecimento ou agravamento de icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), dificuldade para mamar, ausência de urina, alterações respiratórias, pausas ou ruídos ao respirar, febre acima de 37,5°C medida com termômetro digital axilar, após corrigir excesso de agasalho ou ambiente abafado, além de mau cheiro ou presença de pus no coto umbilical. 

Nos bebês, são sinais de alerta a febre que não melhora com a medicação orientada, febre com duração superior a 48 horas sem diagnóstico definido, prostração, manchas na pele, dificuldade para respirar, respiração rápida ou com esforço, vômitos repetitivos, presença de sangue, recusa alimentar com sinais de desidratação como ausência de lágrimas e saliva, além de dor acompanhada de choro inconsolável. 

Para crianças e adolescentes, somam-se dificuldades de equilíbrio, alterações do nível de consciência, sangramentos por orifícios naturais, dores intensas que não cedem com medicação habitual e quadros de intoxicação por álcool ou outras substâncias com alteração de comportamento. 

Independentemente da idade, situações como traumatismo craniano com sonolência ou mudança de comportamento, quedas com deformidades, ferimentos penetrantes, suspeita de violência física, psicológica ou sexual, crises convulsivas, desmaios, ingestão ou aspiração de corpo estranho, reações alérgicas com dificuldade respiratória e queimaduras extensas exigem avaliação imediata. 

A entidade também lembra que os serviços de emergência utilizam sistemas de classificação de risco, priorizando o atendimento conforme a gravidade e não pela ordem de chegada. “Utilizar o sistema de saúde corretamente e fortalecer a presença do pediatra na atenção primária são medidas fundamentais para garantir cuidado adequado a toda população pediátrica”, complementa o vice presidente da SPRS e coordenador do Pediatric Advanced Life Support (PALS), Silvio Baptista. 

A SPRS orienta que famílias mantenham acompanhamento regular com pediatra e busquem os serviços de urgência sempre que identificarem sinais de alerta ou agravamento do quadro clínico.

 Para mais informações, orientações e conteúdos educativos, acesse os canais oficiais da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul.

 

Marcelo Matusiak


Você já sofreu com “escapes” de xixi? Isso é mais comum do que parece


Entenda como a fisioterapia pélvica soluciona as perdas involuntárias de urina, devolvendo a segurança para a mulher tossir, rir e praticar exercícios sem medo ou vergonha. 

 

Estudos apontam que a incontinência urinária atinge cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil, sendo que as mulheres são as mais afetadas devido a fatores como gestação, menopausa e a própria anatomia feminina. Apesar de comum, a perda involuntária de urina ainda é tratada como um tabu silencioso, levando muitas mulheres a abandonarem a academia ou evitarem situações sociais por medo de passar vergonha ao tossir, rir ou pular. 

Muitas pacientes acreditam que perder um pouco de xixi faz parte do envelhecimento, mas a fisioterapeuta pélvica Flaviana Teixeira alerta que isso é um mito perigoso. "É fundamental entender que, embora seja frequente, não é normal perder urina em nenhuma fase da vida. O corpo está dando um sinal de que a musculatura do assoalho pélvico não está conseguindo lidar com a pressão interna", explica a palestrante. Segundo ela, aceitar o problema como algo natural impede que a mulher busque o tratamento adequado. 

A fisioterapia pélvica surge como a primeira linha de cuidado, focando no fortalecimento e na coordenação dos músculos que sustentam a bexiga e o útero. Diferente do que muitos pensam, o tratamento vai muito além de simples exercícios de contração. Envolve uma reeducação completa, que devolve à mulher a confiança de realizar atividades físicas de alto impacto ou simplesmente brincar com os filhos sem a preocupação constante com a proximidade de um banheiro. 

Flaviana destaca que o impacto emocional da condição é, muitas vezes, mais debilitante do que o físico. "Recebo mulheres que deixaram de usar roupas claras ou que evitam viajar porque o escape de xixi dita o ritmo da rotina delas. Quando iniciamos o trabalho de reabilitação, o que devolvemos não é apenas o controle muscular, mas a liberdade e a autoestima", afirma a especialista. 

O tratamento é personalizado e costuma apresentar resultados significativos em poucas semanas, dependendo de cada caso. O uso de absorventes higiênicos, embora ajude no dia a dia, deve ser visto apenas como um paliativo e não como a solução definitiva. A meta da fisioterapia é justamente eliminar a necessidade desses artifícios, tratando a causa raiz do enfraquecimento muscular. 

Para quem convive com o problema, o primeiro passo é vencer a barreira da vergonha e buscar ajuda profissional. Com as técnicas corretas e o acompanhamento especializado, é possível retomar o controle do próprio corpo e garantir uma qualidade de vida plena, livre de restrições e, principalmente, sem o medo constante de novos episódios de perda.

 

Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
@flavianateixeirafisiopelvica
flavianafisiopelvica.com.br


A influência hormonal na saúde ocular feminina.

Saiba por que alterações em diferentes fases da vida da mulher, como a menopausa, podem elevar o risco de olho seco e glaucoma, exigindo um acompanhamento oftalmológico personalizado. 

 

As oscilações hormonais ao longo da vida feminina exercem um impacto muito mais profundo do que se imagina na qualidade da visão. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que as mulheres têm uma propensão maior a desenvolver deficiências visuais em comparação aos homens, representando cerca de 55% dos casos de cegueira e baixa visão no mundo. Essa disparidade não é apenas uma questão de longevidade, mas está diretamente ligada às mudanças biológicas que ocorrem da puberdade à pós-menopausa, períodos em que o corpo passa por verdadeiras montanhas-russas de estrogênio e progesterona. 

Na Oftalmolife, o acompanhamento preventivo foca justamente em identificar como essas transições afetam a pressão intraocular e a lubrificação da superfície do olho. Durante a menopausa, a queda drástica na produção de hormônios esteroides interfere nas glândulas de Meibômio, responsáveis pela camada oleosa da lágrima. Sem essa proteção, o filme lacrimal evapora precocemente, gerando o quadro de olho seco severo, que causa ardor, vermelhidão e, se negligenciado, pode levar a cicatrizes na córnea. 

Segundo o Dr. Carlos Figueiredo, especialista em glaucoma e diretor da clínica, o perigo muitas vezes é silencioso e vai além do desconforto superficial. "A redução do estrogênio possui um efeito neuroprotetor menor sobre o nervo óptico, o que pode tornar a mulher mais suscetível ao aumento da pressão interna do olho. É fundamental que as pacientes entendam que o check-up oftalmológico deve caminhar lado a lado com o acompanhamento ginecológico, especialmente após os 40 anos, para evitar danos irreversíveis", explica o médico. 

O uso de terapias de reposição hormonal e até mesmo de anticoncepcionais orais por longos períodos também entra no radar de atenção dos especialistas. Essas substâncias podem alterar a curvatura da córnea e a espessura do cristalino, modificando temporariamente o grau de refração ou influenciando a saúde vascular da retina. Por isso, o atendimento personalizado busca entender o histórico medicamentoso da paciente para diferenciar o que é uma alteração passageira de um risco real de patologia crônica. 

Para garantir a preservação da acuidade visual, a clínica recomenda exames específicos que medem a camada de fibras nervosas e a estabilidade da lágrima. O diagnóstico precoce permite intervenções que variam desde o uso de colírios lubrificantes de última geração até tratamentos a laser para controle pressórico. O objetivo é que a maturidade feminina não seja acompanhada por limitações sensoriais que poderiam ter sido evitadas com uma conduta clínica estratégica e atenta às particularidades do organismo da mulher. 

"Nosso papel é antecipar problemas que muitas vezes são atribuídos apenas ao envelhecimento natural, mas que têm raízes hormonais bem definidas", pontua Figueiredo. O especialista reforça que a visão é um dos sentidos que mais impactam a autonomia e a qualidade de vida, sendo o cuidado preventivo o melhor caminho para uma longevidade saudável.



Fonte: Dr. Carlos Figueiredo — Oftalmologista | Especialista em Glaucoma | Diretor Oftalmolife

Oftalmolife - @oftalmolifeclinica | https://glaucoma.com.br/

  

O que é mito e o que é verdade sobre a esclerose múltipla

Especialista explica como é possível viver com a doença, manter a autonomia e planejar o futuro

 

A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune e crônica que afeta o sistema nervoso central. Isso significa que o próprio sistema imunológico passa a atacar a mielina, uma espécie de “capa protetora” dos nervos, responsável por garantir que as mensagens do cérebro cheguem corretamente ao corpo. Quando essa proteção é danificada, podem surgir dificuldades de movimento, sensibilidade, equilíbrio, visão e memória.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a esclerose múltipla atinge cerca de 2,8 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a estimativa é de mais de 40 mil casos diagnosticados, de acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM). A EM é majoritariamente diagnosticada em adultos jovens, entre 20 e 40 anos, e atinge mais mulheres do que homens.

 

Sem o tratamento adequado, a progressão da doença pode levar à perda de autonomia física e cognitiva, impactando a vida social, profissional e emocional do paciente.

A seguir, a neurologista Viviane Carvalho, membro da Academia Brasileira de Neurologia, esclarece mitos e verdades sobre a condição

 

“Há cura para esclerose múltipla”


MITO. Atualmente, a esclerose múltipla ainda não tem cura estabelecida. O que existe hoje são tratamentos capazes de controlar a atividade inflamatória da doença, reduzir a frequência de surtos, diminuir o aparecimento de novas lesões na ressonância magnética e retardar a progressão da incapacidade em muitos pacientes. Em outras palavras, ainda não falamos em cura, mas sim em controle da doença — o que já representa um avanço importante. Em alguns casos, a resposta ao tratamento é tão positiva que a pessoa pode permanecer por longos períodos sem surtos, sem novas lesões e sem piora clínica aparente.

 

“A esclerose múltipla é difícil de diagnosticar e costuma ser descoberta tardiamente”


VERDADE (com ressalvas). A esclerose múltipla pode ser desafiadora de diagnosticar, porque seus sintomas são variados e, muitas vezes, inespecíficos. Alterações como visão turva, dormência, fraqueza, desequilíbrio, fadiga ou problemas urinários podem ter diferentes causas, o que pode dificultar a identificação da doença. Além disso, não existe um exame único capaz de confirmar o diagnóstico. Ele é feito a partir da combinação da história clínica do paciente, exame neurológico, exames de imagem — como a ressonância magnética — e, em alguns casos, análise do líquor e outros testes complementares.

 

Por outro lado, afirmar que a doença costuma ser descoberta tardiamente já não reflete totalmente a realidade atual. Com critérios diagnósticos mais refinados e maior acesso à ressonância magnética, muitos casos têm sido identificados mais precocemente. Ainda assim, atrasos no diagnóstico podem ocorrer, especialmente quando os sintomas iniciais são sutis, inespecíficos ou confundidos com outras condições.

 

“A progressão da Esclerose Múltipla é inevitável e sempre rápida”


MITO. A evolução da esclerose múltipla é bastante variável e não ocorre da mesma forma em todos os pacientes. Também não se pode afirmar que a piora seja sempre rápida. Há pessoas que permanecem por muitos anos com boa funcionalidade, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento adequado é iniciado de forma oportuna.

 

A doença pode apresentar fases inflamatórias mais evidentes, marcadas por surtos, ou formas progressivas, em que a piora ocorre de maneira mais lenta e gradual. O ponto central é que a progressão não segue um padrão único. Atualmente, o objetivo do tratamento é justamente reduzir a progressão da doença e retardar ao máximo o acúmulo de incapacidade. Quanto antes iniciarmos o tratamento do paciente, melhores os resultados.


“O tratamento para Esclerose Múltipla é difícil de seguir”


MITO. No passado, as opções terapêuticas eram mais limitadas e, em alguns casos, mais difíceis de incorporar à rotina. Hoje, porém, existem diversas alternativas de tratamento para a esclerose múltipla, incluindo medicações orais, injeções aplicadas sob a pele e medicamentos administrados diretamente na veia, o que permite maior individualização da terapia. Com orientação adequada da equipe de saúde, em muitos casos ele pode ser integrado à rotina do paciente de forma segura e viável.

 

“A esclerose múltipla impede o paciente de manter uma rotina ativa e trabalhar”


MITO. Ter esclerose múltipla não significa, necessariamente, perder a vida ativa, a produtividade ou a capacidade de trabalhar. Muitas pessoas com a doença estudam, trabalham, praticam atividades físicas e mantêm uma rotina independente.

 

O impacto da esclerose múltipla varia de acordo com fatores como o tipo da doença, o grau de atividade inflamatória, os sintomas predominantes, a resposta ao tratamento e as condições do ambiente de trabalho. Em alguns casos, podem ser necessários ajustes, como flexibilização de horário, pausas ao longo do dia, controle de temperatura, adaptações ergonômicas ou redução temporária da carga de trabalho. Ainda assim, isso não significa que o trabalho se torne inviável.

 

De forma geral, a esclerose múltipla pode trazer desafios, mas frequentemente é compatível com uma vida ativa, especialmente quando há tratamento e acompanhamento adequados.

 

“Existe mais de um tipo de esclerose múltipla”


VERDADE. A esclerose múltipla não se manifesta da mesma forma em todos os pacientes. Do ponto de vista clínico, ela pode apresentar diferentes padrões de evolução ao longo do tempo e é classificada em três tipos: a remitente-recorrente (EMRR), a primária progressiva (EMPP) e a secundária progressiva (EMSP).

 

Essas categorias ajudam a compreender como a doença se manifesta e evolui em cada pessoa. Na prática, essa classificação é importante, porque o tipo de curso clínico pode influenciar o prognóstico, o acompanhamento médico e a escolha do tratamento. Além disso, os critérios de classificação da esclerose múltipla vêm sendo aprimorados ao longo do tempo, refletindo a complexidade da doença.

 

“Quem tem esclerose múltipla inevitavelmente perde a autonomia ao longo do tempo”


MITO. Esse é um dos mitos mais prejudiciais sobre a doença, pois pode gerar medo e estigma. Embora a esclerose múltipla possa levar a algum grau de incapacidade em parte dos pacientes, não é correto afirmar que a perda de autonomia seja inevitável. A evolução da doença é bastante heterogênea, e muitas pessoas mantêm independência funcional por longos períodos, especialmente quando recebem diagnóstico precoce, acompanhamento regular e tratamento adequado.

 

Além disso, a autonomia não se resume apenas à capacidade de caminhar. Aspectos como cognição, fadiga, visão, destreza manual e o manejo adequado dos sintomas também influenciam a funcionalidade no dia a dia — e muitos desses fatores podem ser trabalhados com acompanhamento multidisciplinar, envolvendo profissionais como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos. Por isso, a evolução da doença deve sempre ser analisada de forma individual, e não como uma trajetória inevitável de incapacidade.



O fim da dor crônica: como a medicina regenerativa devolve a mobilidade para mulheres 40+

Entenda como o ortopedista Dr. Rafael Raso utiliza tecnologias que evitam cirurgias de joelho e coluna, focando no equilíbrio hormonal e metabólico para garantir que a dor não retorne.

 

As transformações biológicas que acompanham o amadurecimento feminino trazem desafios que vão muito além da estética, atingindo diretamente a funcionalidade do corpo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a osteoartrite e problemas articulares afetam consideravelmente mais mulheres do que homens, sendo que cerca de 18% das mulheres acima dos 60 anos sofrem com artrose em todo o mundo. Esse cenário começa a se desenhar por volta dos 40 anos, quando a queda hormonal e a redução natural da massa muscular deixam estruturas como joelhos e coluna desprotegidos contra a sobrecarga do cotidiano. 

De acordo com o Dr. Rafael Raso, médico ortopedista especialista em tratamento não cirúrgico, o surgimento de dores persistentes nessa fase não deve ser encarado como um destino inevitável. Ele explica que a perda de força muscular, aliada a alterações no sono e aumento do estresse, cria um ambiente inflamatório que fragiliza as articulações. “Muitas vezes, o incômodo no joelho é apenas o sinal final de um desequilíbrio maior, que envolve desde a alimentação até a saúde metabólica. Precisamos entender que o músculo é o principal escudo do esqueleto e, sem ele, a cartilagem paga a conta”, afirma.

A abordagem moderna para reverter esses quadros foca na medicina regenerativa e na visão sistêmica do paciente, indo além da simples prescrição de analgésicos. O diferencial desse método está em investigar a origem do problema por meio de uma análise detalhada da composição corporal e do estilo de vida. Para o médico, tratar apenas o ponto onde dói é um erro comum que leva ao alívio temporário, mas não à cura. O objetivo atual da ortopedia conservadora é preparar o organismo para que ele recupere sua capacidade de regeneração de forma natural e sustentável. 

Para dar suporte a esse diagnóstico preciso, ferramentas como a termografia e a bioimpedância tornaram-se aliadas fundamentais no consultório. Enquanto a primeira identifica padrões de calor que revelam focos de inflamação e sobrecarga invisíveis em exames comuns, a segunda detalha o percentual de gordura e massa magra. “Essas tecnologias nos permitem enxergar o que o paciente sente, mas não consegue explicar. Com esses dados em mãos, conseguimos diferenciar se a dor é puramente mecânica, inflamatória ou se há um componente neurológico envolvido”, pontua o Dr. 

O caminho para a retomada da mobilidade passa obrigatoriamente pelo equilíbrio metabólico e suplementação estratégica, que preparam o terreno para o fortalecimento físico. Quando a mulher ajusta seus níveis hormonais e melhora a qualidade da nutrição, o corpo responde de forma muito mais eficiente aos estímulos de exercícios e terapias regenerativas. Essa integração de cuidados garante que a articulação não seja tratada de forma isolada, mas como parte de uma engrenagem complexa que depende da harmonia de todos os sistemas internos para funcionar sem atritos. 

O especialista reforça que o foco é sempre evitar intervenções invasivas sempre que houver espaço para a recuperação biológica. O tratamento não cirúrgico surge como uma esperança real para quem deseja manter uma vida ativa após os 40 anos. “O envelhecimento traz mudanças naturais no corpo, mas a perda de mobilidade não precisa fazer parte desse processo. Com diagnóstico correto, fortalecimento muscular e cuidado com o equilíbrio metabólico e hormonal, é possível tratar a dor sem cirurgia e devolver qualidade de vida para muitas mulheres”, conclui o médico.  



Fonte: Dr. Rafael Raso - Médico Ortopedista especialista em tratamento não cirúrgico das lesões ortopédicas
@dr.rafaelraso


Envelhecer no Brasil: estamos preparados para cuidar de uma população que vive mais?


O Brasil vive uma das transformações demográficas mais profundas de sua história. Com a queda na taxa de nascimentos e o aumento da expectativa de vida, estamos deixando de ser um país majoritariamente jovem para nos tornarmos uma nação que envelhece em ritmo acelerado. Esse novo momento impõe desafios ao sistema de saúde, às políticas públicas e à forma como a sociedade enxerga o processo de envelhecimento. 

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que de 2000 a 2023, a proporção de brasileiros com 60 anos ou mais quase dobrou, subindo de 8,7% para 15,6%. Atualmente a maior parcela da população (26,2%) tem entre 40 e 59 anos, mas em 2042 o grupo de pessoas idosas já será o maior. Estima-se que em 2070 cerca de 37,8% dos habitantes do país serão idosos. 

O aumento da expectativa de vida vem acompanhado da necessidade de adequação do sistema de saúde a esse cenário, com o intuito de garantir a preservação da autonomia e da independência funcional dos idosos. Protocolos de reabilitação são essenciais tanto para o tratamento de sequelas motoras e amputações resultantes de doenças, como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e diabetes, quanto para as limitações funcionais atreladas ao envelhecimento. 

Como sociedade, precisamos colocar o envelhecimento no centro das decisões estratégicas. Isso implica ampliar investimentos em prevenção, incentivar hábitos saudáveis ao longo de toda a vida, estruturar redes de cuidado continuado e assegurar o acesso à reabilitação. Também exige reconhecer que envelhecer não significa perder protagonismo. 

O perfil das pessoas atendidas pela AACD acompanha as mudanças populacionais. Atualmente, a maioria dos pacientes da instituição, que em 1950 surgiu dedicada ao cuidado de crianças com deficiência física, são adultos (66,5%). Os atendimentos de idosos também têm crescido nos últimos anos: em 2021, o índice de pessoas com mais de 60 anos acompanhadas pela AACD foi de cerca de 19%, e em 2024, um quarto dos pacientes assistidos (25%) estava nessa faixa etária. 

Na AACD, a população idosa encontra tratamentos multiprofissionais personalizados e focados na retomada ou na manutenção de atividades do cotidiano, como caminhar, se alimentar e se comunicar. O grupo é formado por pessoas com problemas de mobilidade congênitos ou adquiridos – que podem ser consequências de doenças como AVC, diabetes, câncer, Parkinson, osteoporose, além de degeneração por idade e quedas. 

Com 80% dos seus atendimentos realizados via SUS (Sistema Único de Saúde), a AACD é um importante parceiro do acesso gratuito à ortopedia, neuro-ortopedia e reabilitação de pessoas idosas com mobilidade reduzida permanente ou temporária. Recuperar ou manter funcionalidade significa reduzir internações, dependência e custos de longo prazo. Instituições como a AACD mostram, na prática, que investir em reabilitação é investir em sustentabilidade do sistema de saúde. No entanto, é essencial que os serviços estejam disponíveis de forma mais abrangente na rede pública. Também é importante ampliar a oferta particular de atendimentos especializados voltados às necessidades específicas desse público. 

Apesar de os dados demográficos serem conhecidos há décadas, o país segue tratando o envelhecimento como um problema futuro, quando ele já é uma realidade presente. Preparar o sistema de saúde para uma população mais velha é, acima de tudo, preparar o país para um futuro mais humano e justo para todas as gerações. 

 

Valdesir Galvan - CEO da AACD, referência em ortopedia e na reabilitação de pessoas com mobilidade reduzida permanente ou temporária​

AACD
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Exame de sangue associado a inteligência artificial abre caminho para diagnóstico precoce da hanseníase

Amostra de lesão de pele com Mycobacterium leprae (os fiapos vermelhos),
 vista ao microscópio em aumento de 1.000 vezes
(
imagem: Ajay Kumar Chaurasiya/Wikimedia Commons)

Pesquisadores da USP analisaram uma molécula capaz de identificar novos casos da doença antes do surgimento de lesões mais graves

 

Um exame de sangue, combinado a um questionário padrão e a uma ferramenta de inteligência artificial, pode ajudar a mudar a forma como a hanseníase é diagnosticada no Brasil. A estratégia foi testada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) a partir de amostras de sangue coletadas durante um inquérito populacional de COVID-19 e mostrou potencial para identificar a doença mais precocemente, em fases iniciais, quando os sintomas ainda são sutis e os exames laboratoriais tradicionais costumam falhar.

O novo método diagnóstico foi avaliado em um estudo conduzido por pesquisadores do Departamento de Clínica Médica, Bioquímica, Imunologia e Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), com apoio da FAPESP. Coordenado pelo pesquisador Marco Andrey Frade, o trabalho foi publicado na revista BMC Infectious Diseases.

“A hanseníase é uma doença milenar, mas ainda enfrenta desafios típicos de problemas de saúde pouco priorizados. Ainda faltam tecnologias laboratoriais sensíveis para o diagnóstico precoce e muitos profissionais de saúde não estão devidamente preparados para reconhecer as formas iniciais da doença”, explica o biomédico Filipe Lima, um dos autores do estudo. Além disso, o tratamento padrão utilizado atualmente é basicamente o mesmo há mais de quatro décadas, o que contribui para casos de falha terapêutica e resistência bacteriana.

Foi justamente para enfrentar esse gargalo que os pesquisadores seguiram em busca de identificar novos biomarcadores e testes para diagnóstico precoce. Para isso, eles aproveitaram amostras de sangue coletadas durante um inquérito sorológico realizado durante a pandemia de COVID-19 em Ribeirão Preto. A ideia foi usar esse material já existente para identificar possíveis pessoas expostas ao bacilo da hanseníase e, dessa forma, detectar novos casos de forma mais precoce.


Triagem

O estudo combinou duas ferramentas de triagem. A primeira foi a aplicação de um questionário clínico de suspeição de hanseníase, chamado QSH, que é composto por 14 questões focadas principalmente em sinais e sintomas neurológicos. Esse questionário foi aprimorado com um sistema de inteligência artificial chamado MaLeSQs.

A segunda ferramenta usada pelos pesquisadores foi realizar um exame de sangue que detecta a presença de anticorpos contra o antígeno Mce1A, uma proteína-chave do Mycobacterium leprae, que facilita a invasão e sobrevivência da bactéria nas células humanas. Atualmente, o antígeno utilizado nos exames de sangue é o PGL-I, uma molécula que também facilita a entrada da bactéria no nervo. O método convencional é menos sensível tecnicamente.

“Diferentemente do teste tradicional [anti-PGL-I], que avalia a presença de apenas um tipo de anticorpo, o novo exame [anti-Mce1A] analisa três classes diferentes de anticorpos [IgA, IgM e IgG], o que amplia a sensibilidade e ajuda a diferenciar exposição ao bacilo, infecção ativa e contato prévio”, explica Lima. Segundo o pesquisador, o teste tradicional só costuma positivar nas formas mais graves da doença, quando o bacilo já proliferou e as lesões já existem. “O Mce1A permite identificar o contato com o bacilo e a doença ativa de forma muito mais precoce”, explica.


Convite, questionário e exame

Para chegar aos resultados, os pesquisadores convidaram as cerca de 700 pessoas incluídas no inquérito populacional sobre COVID-19 a integrar o estudo sobre hanseníase. Ao todo, 224 aceitaram participar e responderam ao questionário digital e 195 tiveram amostras de sangue analisadas. Todas foram convidadas a passar por uma avaliação clínica presencial com médicos especialistas, etapa fundamental para a confirmação diagnóstica.

Dessas, 37 compareceram à consulta presencial. Ao cruzar os dados do questionário, exame e avaliação clínica, o resultado chamou a atenção: 12 novos casos de hanseníase foram diagnosticados, o equivalente a cerca de um terço dos indivíduos avaliados. “São pessoas que não tinham sintomas evidentes, não suspeitavam que estavam doentes e foram diagnosticadas graças ao projeto”, destaca Lima.

Segundo o pesquisador, entre os exames laboratoriais, o anticorpo IgM contra o antígeno Mce1A apresentou o melhor desempenho, identificando dois terços dos novos casos confirmados. Quando os pesquisadores combinaram a análise laboratorial com a ferramenta de inteligência artificial, o método atingiu 100% de sensibilidade, ou seja, conseguiu sinalizar todos os casos suspeitos de hanseníase, confirmados na consulta presencial.

“O exame de sangue, por si só, não confirma o diagnóstico de hanseníase, mas é uma ferramenta importante para indicar quem realmente precisa ser avaliado por um especialista”, explica o pesquisador. Segundo Lima, o teste pode fortalecer a triagem diagnóstica na rede pública de saúde e, em termos de custo, a diferença em relação aos exames já utilizados é mínima. “Do ponto de vista laboratorial, são técnicas muito semelhantes, de baixo custo e fácil execução. Qualquer laboratório de análises clínicas tem capacidade técnica para realizá-las. Na prática, o que muda é apenas a molécula analisada.”

Além do diagnóstico precoce da hanseníase, o estudo também usou um mapa de georreferenciamento e analisou a distribuição espacial dos casos identificados. O mapeamento revelou um padrão difuso de exposição ao bacilo. “Isso pode ser justificado porque a gente não conseguiu avaliar clinicamente todos os participantes. Mas o nosso resultado mostra que a hanseníase está distribuída aleatoriamente na cidade, não existe uma região específica com maior concentração. Hoje vemos a doença diagnosticada em pacientes de diferentes perfis socioeconômicos”, afirma Lima.


Problema de saúde pública

A hanseníase é uma doença infecciosa que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo provocar manchas claras ou avermelhadas, perda de sensibilidade e fraqueza muscular. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 200 mil novos casos são registrados anualmente, sobretudo em países de renda média e baixa.

O Brasil ocupa a segunda posição global em número de casos, atrás apenas da Índia, e concentra cerca de 90% das notificações das Américas. Entre os sintomas mais comuns estão formigamento, câimbras, dormência e áreas da pele com sensibilidade reduzida. Nessa fase inicial, os exames laboratoriais mais utilizados, como a baciloscopia – que tenta identificar diretamente a bactéria na pele –, costumam dar negativo porque a carga bacteriana ainda é muito baixa. “Mais de 60% dos nossos pacientes podem ter exames negativos, mesmo estando doentes”, diz Lima.

O tratamento envolve uso de antibióticos por períodos de seis meses a um ano, a depender do estágio da doença, que atualmente é classificada como uma doença determinada socialmente (DDS), termo que vem substituindo a expressão “doença negligenciada” no Brasil.

O próximo passo é avançar na validação dessas ferramentas para uso em larga escala, com o objetivo de incorporá-las ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à atenção básica. Paralelamente, o pesquisador trabalha em uma nova etapa do projeto voltada a aumentar a especificidade do marcador Mce1A. “Hoje, o exame utiliza a proteína inteira da bactéria. Agora estamos estudando pequenas partes dessa mesma proteína para avaliar se é possível desenvolver um teste ainda mais sensível e com maior acurácia”, conclui.

O artigo Serum geoepidemiology of leprosy biomarkers in a city-wide COVID-19 survey in Brazil pode ser lido em: link.springer.com/article/10.1186/s12879-025-12483-0.
  


Fernanda Bassette

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/exame-de-sangue-associado-a-inteligencia-artificial-abre-caminho-para-diagnostico-precoce-da-hanseniase/57685


Calor extremo já impacta gestação e desenvolvimento infantil no Brasil

Gestantes que passaram por ondas de calor podem apresentar problemas de saúde mental, hipertensão e eclâmpsia


Um estudo do Centro Brasileiro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância (CPAPI), coordenado pelo professor Naercio Menezes Filho, alerta que o aumento das ondas de calor já afeta diretamente o desenvolvimento de bebês e crianças desde a gestação no Brasil. Hoje, cerca de 60% dos municípios enfrentam esse fenômeno — frente a 20% nos anos 1980 — e seus efeitos incluem maior incidência de hipertensão, diabetes e eclâmpsia em gestantes.
 

Apresentada durante o 11º Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, realizado pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), a pesquisa também destaca que cerca de 40% das mães já receberam diagnóstico de algum problema de saúde mental. Esse quadro pode ser agravado pelo calor extremo, com aumento de estresse e ansiedade. 

Além disso, a exposição às altas temperaturas durante a gestação afeta o bebê ainda no útero. Isso reduz, em média, 30 gramas do peso ao nascer por dia de onda de calor e eleva os riscos de prematuridade, malformações e menor perímetro cefálico. 

Os efeitos seguem após o nascimento. O estudo mostra que cerca de 27% das crianças do estudo apresentam risco de atraso no desenvolvimento, com sinais como irritabilidade e dificuldade de adaptação, que podem afetar a aprendizagem ao longo da vida. Aquelas que passaram por ondas de calor durante a gestação tendem a ter mais problemas de irritabilidade e dificuldades com rotinas.


Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) 


28 de abril: Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho — marco histórico: saúde mental entra na NR-1 e passa a ser obrigatória nas empresas

 Psiquiatra alerta para os sinais precoces do burnout no trabalho 

 

O Brasil registrou, em 2025, um recorde histórico de afastamentos por saúde mental, com mais de 546 mil casos. Entre 2021 e 2024, os afastamentos especificamente por burnout — já reconhecido como fenômeno ocupacional pela Organização Mundial da Saúde — cresceram 493%, segundo dados do INSS e do Ministério da Previdência Social (jan/2026). 

Neste ano, a data de 28 de abril ganha um peso ainda maior: pela primeira vez na história do país, a atualização da NR-1 passa a incluir oficialmente os fatores psicossociais no ambiente de trabalho — tornando a saúde mental uma responsabilidade formal das empresas. 

O impacto da negligência nessa área já é mensurável: estima-se uma perda anual de R$ 282 bilhões no Brasil, equivalente a 2,8% do PIB potencial, além da redução de 801 mil postos de trabalho e uma média de 51 dias de vida saudável perdidos por trabalhador ao ano, segundo levantamento da FIEMG (2026). 

Esse cenário se reflete em custos diretos para as empresas — como absenteísmo, presenteísmo, alta rotatividade e aumento da judicialização — e evidencia que a saúde mental deixou de ser apenas uma questão individual para se tornar um problema estratégico e econômico. 

O Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho (28 de abril) acende, portanto, um alerta ainda mais urgente para o aumento. 

De acordo com o médico psiquiatra Dr. Daniel Sócrates, doutor pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e com formação executiva pelo INSPER e FGV, com mais de 20 anos de experiência clínica, os casos de burnout, ansiedade e esgotamento emocional, muitas vezes são silenciosos e negligenciados no dia a dia. O problema não começa de forma abrupta — ele se instala aos poucos, mascarado por uma rotina que valoriza produtividade constante e alta performance.

“Hoje vemos pessoas funcionando no limite por longos períodos, sem perceber que já estão em sofrimento psíquico. O corpo e a mente dão sinais, mas eles são frequentemente ignorados ou normalizados”, explica. 

 

Os sinais do burnout no trabalho 

O esgotamento mental raramente aparece de uma vez. Antes do colapso, existem sinais importantes que indicam que algo não vai bem:

  • Cansaço constante, mesmo após descanso
  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória
  • Irritabilidade e impaciência frequente
  • Sensação de sobrecarga emocional
  • Insônia ou sono não reparador
  • Queda de produtividade
  • Falta de motivação para tarefas simples

“Esses sintomas são frequentemente confundidos com ‘fase difícil’ ou ‘pressão do trabalho’, mas quando se tornam persistentes, já indicam um processo de adoecimento”, alerta o psiquiatra. 

 

O maior risco hoje não é quem adoeceu e parou — é quem ainda está funcionando 

Um dos fenômenos mais preocupantes no ambiente corporativo atual é o do profissional que segue operando e entregando, mesmo já em sofrimento psíquico. À primeira vista, é alguém produtivo; na prática, é um quadro de adoecimento silencioso. “Hoje, um dos maiores riscos não é quem já se afastou — é quem continua funcionando no limite.” Segundo o especialista, “o profissional exausto passa a decidir pior, reagir mais e escutar menos — e isso impacta diretamente a qualidade da liderança e das relações no trabalho.” Esse padrão mascara o problema e amplia seus efeitos dentro das empresas.

 

O custo invisível do trabalho: a carga emocional que não aparece nas metas 

Mais do que o volume de tarefas, o que tem levado ao adoecimento é a carga emocional constante envolvida no trabalho — pressão, conflitos, decisões difíceis e a necessidade de manter controle o tempo todo. Esse tipo de desgaste raramente aparece nos indicadores formais, mas tem impacto direto na saúde mental. “O que mais adoece hoje não é o excesso de trabalho — é o excesso de tensão emocional que ninguém mede.” Para o psiquiatra, “há um tipo de esforço que não entra na meta, não aparece no currículo — mas cobra um preço alto na saúde mental de quem sustenta isso todos os dias.”

 

Dr. Daniel Sócrates - Médico psiquiatra, doutor pela UNIFESP, com mais de duas décadas de atuação clínica. Dedica-se ao cuidado de profissionais que enfrentam altos níveis de exigência e responsabilidade, com abordagem focada em performance sustentável, saúde mental e qualidade de vida.
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Dia Mundial da Doença de Parkinson (11/04): sinais silenciosos podem surgir anos antes dos tremores


Programa Integra Parkinson, do Vera Cruz Hospital, oferece acompanhamento multidisciplinar e personalizado em todas as fases da doença 

 

Antes mesmo dos tremores, um dos sinais mais conhecidos, a Doença de Parkinson pode se manifestar de forma silenciosa. Distúrbios do sono, depressão, constipação intestinal e perda do olfato estão entre os sintomas iniciais, que podem surgir anos antes das alterações motoras e, muitas vezes, passam despercebidos, apesar de indicarem mudanças precoces no cérebro. 

A Doença de Parkinson é a segunda condição neurodegenerativa mais comum no mundo e já afeta mais de 8,5 milhões de pessoas globalmente, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde, atualizadas em 2025. No Brasil, cerca de 200 mil pessoas convivem com a doença, com prevalência entre 100 e 200 casos por 100 mil habitantes, de acordo com o Ministério da Saúde (2025). 

Esses números ganham ainda mais destaque com a proximidade do Dia Mundial da Doença de Parkinson (11/04), data que reforça a importância da conscientização sobre a doença, do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado, especialmente diante do envelhecimento da população. 

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico do paciente. “Sabemos que a doença começa muitos anos antes dos sintomas motores aparecerem. Esses sinais iniciais são fundamentais para investigação e acompanhamento”, explica a neurocirurgiã Juliana Zuiani. O principal desafio da ciência é o diagnóstico precoce e o desenvolvimento de terapias capazes de proteger os neurônios. Enquanto isso, os melhores resultados no controle da doença estão associados ao acompanhamento multidisciplinar, que permite ajustar medicamentos, orientar a alimentação, preservar a fala e a mobilidade, além de oferecer suporte ao bem-estar físico e emocional. “Como a Doença de Parkinson tem progressão lenta e variável, o acompanhamento contínuo é essencial. Nos estágios iniciais, o foco pode estar na reabilitação e no preparo físico; já nas fases mais avançadas, o cuidado se volta ao suporte especializado e à assistência ao paciente e familiares”, completa a médica. 

Os avanços tecnológicos também vêm transformando o tratamento, com o uso de implantes e dispositivos inteligentes, sistemas de monitoramento contínuo e ferramentas de inteligência artificial que possibilitam um acompanhamento mais preciso e individualizado. Além disso, técnicas modernas de imagem contribuem para cirurgias mais seguras e planejadas.

 

Programa Integra Parkinson

Com o objetivo de proporcionar um cuidado completo e integrado aos pacientes, o Vera Cruz Hospital desenvolveu o programa Integra Parkinson, iniciativa que busca tornar a jornada do paciente mais simples e organizada, assegurando acolhimento, agilidade e segurança em todas as etapas do tratamento. 

Juliana, que também é a responsável pelo projeto, explica que o programa foi inspirado em centros de referência internacionais. “Queremos estar ao lado de quem enfrenta essa jornada, oferecendo excelência, orientação e o apoio de uma equipe que entende o quanto cada detalhe do cuidado faz diferença. O programa transforma o medo em confiança e o caminho em esperança”, afirma. 

O Integra Parkinson reúne uma equipe multidisciplinar composta por neurologistas, neurocirurgiões, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, neuropsicólogos, nutricionistas e geriatras, garantindo um acompanhamento integrado e contínuo. Entre os diferenciais está a atuação da navegadora, profissional que faz a ponte entre paciente, família e equipe médica, organizando consultas, esclarecendo dúvidas e assegurando a continuidade do tratamento. 

Cada caso é avaliado de forma conjunta, com definição de um plano terapêutico personalizado e monitoramento constante da evolução. “Os tratamentos medicamentosos, físicos, cognitivos e nutricionais são coordenados entre as áreas, com ajustes conforme a necessidade de cada paciente. Quando há indicação de terapias avançadas, como cirurgia, também oferecemos todo o suporte necessário”, explica. 

Recentemente, o programa foi ampliado para acompanhar as demandas mais atuais no cuidado à Doença de Parkinson, que vão além dos sintomas motores e incluem aspectos cognitivos, funcionais e de qualidade de vida. “Com a inclusão da terapeuta ocupacional, o atendimento passa a atuar diretamente na autonomia do paciente no dia a dia, com estratégias voltadas às atividades de vida diária, adaptação do ambiente e economia de energia. Já a neuropsicologia fortalece a avaliação das funções cognitivas e do comportamento, permitindo intervenções mais precoces e melhor orientação a familiares e cuidadores”, detalha. Para Juliana, o modelo integrado traz benefícios que vão além do clínico. “Receber o diagnóstico de Parkinson pode ser desafiador, mas ninguém precisa enfrentar esse processo sozinho. O cuidado estruturado faz toda a diferença na qualidade de vida do paciente e de sua família”, conclui.

 

Vera Cruz Hospital


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