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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Demanda das empresas por crédito voltou a crescer em setembro com alta de 15,5%, revela Serasa Experian

 Setor de Serviços apresentou a maior expansão no mês; visão em 12 meses aponta aceleração consistente na busca dos negócios por recursos financeiros

 

A busca das companhias brasileiras por recursos financeiros cresceu 15,5% em setembro de 2025 na comparação anual, segundo o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país. O indicador considera exclusivamente as consultas a CNPJs registradas na base da instituição. O resultado sucede a retração registrada em agosto e reforça um movimento de retomada da procura por financiamento por parte das empresas.

 

A visão de longo prazo indicou aceleração: nos 12 meses até setembro, a demanda por crédito das empresas cresceu 5,9%, acima dos 4,3% registrados em agosto. Segundo a economista da datatech, Camila Abdelmalack, “o crescimento expressivo do indicador reflete a necessidade das empresas de recompor capital de giro e sustentar operações em um contexto ainda marcado por custos financeiros elevados. Contexto agravado pela desaceleração econômica que tende a prejudicar a expectativa de receita das empresas”.

 

Veja, nos gráficos a seguir, o detalhamento dos dados a variação anual e na variação acumulada dos últimos 12 meses:

Na análise setorial, setembro apresentou avanços expressivos em todas as categorias, com destaque para as empresas do setor de “Serviços”, que registrou a maior expansão anual (19,1%), seguido por “Demais” com alta de 29,1%. As companhias da “Indústria” (12,4%) e o Comércio (10,6%) também mostraram recuperação significativa frente ao desempenho negativo observado em parte de 2024. Veja, no gráfico a seguir, os dados e a comparação com o mesmo período do ano anterior:

 

Já na visão acumulada dos últimos 12 meses, o setor de “Serviços” manteve a liderança do crescimento (9,8%), refletindo a retomada gradual das atividades ligadas ao consumo e à prestação de serviços, enquanto “Indústria” (4,3%), “Demais” (8,2%) e “Comércio” (1,8%) também seguiram em trajetória de expansão, indicando recomposição consistente da demanda no horizonte mais longo. Confira, no gráfico abaixo, os dados e a comparação com o mesmo período de 2024: 


Entre os portes empresariais, o destaque do mês ficou com as “Micro e Pequenas Empresas” (MPEs), que ampliaram a demanda por crédito em 16,0% na comparação anual, seguidas pelas “Grandes” companhias, que avançaram 3,1%, enquanto as “Médias” permaneceram estáveis (0,0%). Na visão acumulada de 12 meses, o padrão se repetiu: as MPEs lideram o crescimento com 6,0%, acompanhadas das “Médias” (2,4%) e “Grandes” (0,1%).

 

Camila explica que “o resultado da variação anual demonstra que os pequenos negócios continuam utilizando o crédito como ferramenta de sustentação operacional em um ambiente de custos financeiros ainda elevados. Já os dados do acumulado em 12 meses reforçam que a demanda de longo prazo permanece mais intensa entre empresas de menor porte, que tipicamente têm maior exposição a pressões de fluxo de caixa”.


 

Visão regional: variação anual

 

A variação anual da demanda das empresas por crédito em setembro indicou que os estados do Centro-Oeste, Sul e Norte concentraram os maiores crescimentos percentuais. Entre todas as Unidades Federativas, Mato Grosso do Sul (35,9%), Roraima (31,5%), Santa Catarina (13,4%), Rio Grande do Sul (19,8%) e São Paulo (24,2%) figuraram entre os cinco maiores avanços do país. Na outra ponta, as menores variações foram observadas em Rio de Janeiro (2,3%), Maranhão (3,3%), Pernambuco (4,6%), Acre (6,0%) e Piauí (5,2%). Confira o detalhamento estadual no gráfico abaixo:

 

 

Visão regional: variação acumulada em 12 meses


No acumulado em 12 meses, a demanda por crédito seguiu positiva em quase todas as regiões do país, com destaque para o Sul e Centro-Oeste, que reuniram os estados de maior expansão: Santa Catarina (12,9%), Amazonas (10,1%), Mato Grosso (11,6%), Mato Grosso do Sul (12,0%) e Roraima (11,5%). No ranking das menores variações, apareceram Pernambuco (2,1%), Rio de Janeiro (0,9%), Espírito Santo (1,1%), Amapá (5,0%) e Acre (5,0%). Veja, no gráfico abaixo, o detalhamento estadual desta visão:

 

 

Para conferir mais informações e a série histórica do indicador, clique aqui.

 

Metodologia do indicador


O Indicador Serasa Experian da Demanda das Empresas por Crédito é construído a partir de uma amostra significativa de CNPJs, consultados mensalmente na base de dados da Serasa Experian. A quantidade de CNPJs consultados, especificamente nas transações que configuram alguma relação creditícia entre empresas e instituições do sistema financeiro ou empresas não financeiras, é transformada em número índice (média de 2024 = 100). O indicador é segmentado por UF, setor e porte.

  



Experian
experianplc.com


Resultado x Propósito: o que faz a diferença no sucesso corporativo?


Por que algumas empresas apenas sobrevivem, enquanto outras prosperam e inspiram o mercado? Por muito tempo, a resposta esteve fixada em 'o quê' – o produto ou serviço oferecido – e no 'como' – a diferenciação no mercado. Hoje, diante de tamanha competitividade, a verdadeira chave para o sucesso e crescimento sustentável reside muito mais no 'porque': a razão de existência e propósito de cada negócio, que destaque seus valores além do dinheiro em si. Isso, certamente, é o que impulsionará uma empresa verdadeiramente lucrativa – em todos os sentidos.

Toda organização precisa, certamente, gerar resultados excelentes que lhe permita prosperar. Entretanto, a forma na qual conduz esse processo não deve se basear, apenas, nesse crescimento econômico. Empresas que focam, excessivamente, no lucro em si e, consequentemente, lideram seus times com esse mindset, tendem a não perpetuar suas operações, justamente por deixarem de lado o que, realmente, deve ser o coração de seu planejamento estratégico: a conexão de cada um com o que está sendo feito.

Uma pesquisa da Gallup, como prova disso, mostrou que, se todos os trabalhadores do mundo estivessem realmente engajados com esse propósito, a economia global poderia ter um aumento de produtividade de até US$ 9,6 trilhões, o equivalente a cerca de 9% do PIB mundial. Estamos perdendo um enorme potencial de impulsionar nosso mercado, enquanto muitas operações ainda não se preocuparem em também priorizar o motivo pelo qual tudo está sendo feito.

Um exemplo nítido disso é o que está acontecendo, atualmente, com a Meta. Em estado de alerta após perder diversos talentos, Mark Zuckerberg bilhões de dólares no recrutamento de profissionais de inteligência artificial, preocupado em perder competitividade nessa corrida intensa da IA generativa. Uma organização que, por muito tempo, foi considerada uma das mais disruptivas de seu ramo, hoje busca meios de atrair e reter profissionais que queiram trabalhar lá com uma visão à longo prazo.

O que está por trás dessa dificuldade? Um foco intenso apenas em ter equipes altamente qualificadas tecnologicamente, mas que, não necessariamente, estejam verdadeiramente conectadas com um propósito maior nesses valores e objetivos. Essa falta de alinhamento é cada vez mais percebida no mercado global, mostrando que de nada adianta prezar por ótimos resultados financeiros, sem que os talentos estejam conectados com tudo que é feito no ambiente de trabalho.

Simon Sinek, em seu conceito do Golden Circle, destaca esse modelo de liderança como essencial e um diferencial competitivo ao inspirar os profissionais a pensarem, agirem e se comunicarem gerando um impacto positivo na sociedade. O ‘porquê’ das operações, em sua visão, deve ser o núcleo de todas as estratégias corporativas: por que a empresa foi criada? Pelo que você trabalha?

Todos os processos, métodos, produtos e serviços desenvolvidos cercarão esses ideais, prezando por sua flexibilidade como forma de se ajustar às mudanças constantes do mercado. Isso é o que favorecerá a construção de uma cultura organizacional forte e a conexão genuína com clientes, equipes e demais parceiros de negócio.

Como levar toda essa teoria à prática? Definindo, com clareza, o propósito da organização, revisitando-o constantemente, se adaptando às mudanças do mercado e, principalmente, alinhando a execução do planejamento estratégico ao propósito de cada um. Encantar e engajar os profissionais dentro de um ambiente de trabalho não é simples, mas determinante para um sucesso saudável de qualquer negócio. Então, comece pelo porquê tudo isso está sendo feito, que outros direcionamentos virão com muito mais clareza e eficácia.

 

Fernando Poziomczyk - sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

Wide
https://wide.works/


A IA brasileira que está redefinindo atendimento, vendas e crescimento em tempo real — e não, ela não é um bot.


Em um mercado saturado por chatbots genéricos, respostas prontas e “robôs” incapazes de entender contexto humano, nasce uma tecnologia brasileira que promete virar o jogo: MAIWise, a primeira IA de atendimento, vendas e automação comercial criada para pensar, operar e aprender como um humano estratégico, não como um assistente mecânico. 

Criada pelo empreendedor Luiz Felipe Escudero, a MAIWise surgiu após o que ele chama de “a era dos bots burros”.

Felipe explica:

“O mercado está cheio de soluções que se vendem como IA, mas que no fundo são apenas chatbots com respostas engessadas. A MAIWise não é isso.

Ela entende intenção, aprende com cada interação e evolui com dados reais.

A MAIWise não responde. Ela atua. Não executa tarefas. Ela pensa a operação.”

 

🚀 RESULTADOS EM NÚMEROS (Primeiros 90 dias):

+312% de aumento na velocidade de atendimento

54% de redução no tempo médio de resposta

+41% de aumento na conversão em vendas em empresas que ativaram a IA em horário comercial

+68% de conversões adicionais fora do horário (madrugada/weekend)

CAAC (custo por atendimento resolvido) até 6x menor que o modelo humano tradicional

Retenção de leads + SMS + WhatsApp totalmente automatizados com lógica comportamental

– Mais de 1,8 milhão de interações processadas, com 96,4% de precisão contextual

Esses números tornam a MAIWise uma das soluções de IA de crescimento mais promissoras do Brasil, já sendo adotada em segmentos como clínicas, e-commerces, agências, consultorias, varejo e empresas B2B.

 

O DIFERENCIAL: UMA IA QUE PENSA COMO NEGÓCIO, NÃO COMO ROBÔ

A MAIWise opera com 4 pilares que nenhum bot tradicional oferece:

1. Consciência contextual

A IA entende histórico, intenção e momento do lead — e muda o comportamento conforme o usuário.

 

2. Ação estratégica em tempo real

Ela cria follow-ups inteligentes, ajusta fluxos, propõe novas abordagens e identifica oportunidades de venda sozinha.

 

3. Personalização contínua

Aprende com conversas reais, KPIs, comportamento dos leads e dados da operação.

 

4. Lógica de crescimento integrada

Diferente de um bot, que apenas “responde”, a MAIWise foca em resultado: 

  • mais vendas
  • mais agendamentos
  • mais qualificação
  • mais velocidade
  • mais presença

 

Felipe resume:

“Chatbots são recepcionistas. A MAIWise é uma gerente de crescimento.”

 “A missão da MAIWise é simples: transformar qualquer empresa em uma máquina de atendimento, vendas e relacionamento 24/7.

Sem fricção, sem desculpa, sem limite humano.

A IA não é um recurso.

Ela é o futuro do crescimento — e nós estamos entregando esse futuro hoje.”

 

A MAIWise está iniciando sua fase de expansão nacional com: 

  • Novas integrações com WhatsApp, CRM e plataformas comerciais
  • Parcerias estratégicas com agências, clínicas e e-commerces
  • Programa de early adopters, limitado aos primeiros 100 clientes
  • Roadmap público de evolução da IA para 2025–2026

 

A tecnologia é 100% brasileira e foi construída sobre sistemas híbridos de inteligência: 

  • IA generativa
  • IA comportamental
  • Machine learning supervisionado
  •  Algoritmos proprietários de priorização e conversão

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Superávit do agro paulista chega a US$ 21 bilhões no acumulado do ano


SP ocupa o 2º lugar no ranking de maior exportador do agro


Nos onze primeiros meses de 2025, o agronegócio paulista manteve um bom desempenho no comércio exterior, alcançando um superávit de US$ 21,07 bilhões. O saldo positivo decorre de exportações que somaram US$26,35 bilhões e de importações que totalizaram US$5,28 bilhões. A participação das exportações do agronegócio paulista no total exportado pelo estado de janeiro a novembro de 2025 foi de 40,6%, enquanto as importações do setor corresponderam a 6,6% do total no estado. 

“O desempenho do agro paulista mostra que São Paulo está na direção certa. Investir em ciência, infraestrutura, desburocratização e competitividade. Assim, São Paulo alcança um superávit de US$ 21 bilhões porque tem produtores qualificados e políticas públicas que dão segurança e liberdade para produzir. Estamos com grandes expectativas com o fechamento da balança de 2025 e para o desempenho do agro paulista em 2026” completa o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Guilherme Piai.

 

PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS 

O complexo sucroalcooleiro foi responsável por 31,3% do total exportado pelo agro paulista, totalizando US$8,2 bilhões. Deste total, o açúcar representou 93,0% e o álcool etílico, etanol, 7,0%. O setor de carnes veio logo em seguida com 15,2% das vendas externas do setor, totalizando US$4 bilhões, com a carne bovina respondendo por 85,1%. Produtos florestais representaram 10,5% do volume exportado, com US$2,7 bilhões, com 56,2% de celulose e 35,1% de papel. Sucos responderam por 9,9% de participação, somando US$2,6 bilhões, dos quais 97,8% são referentes ao suco de laranja, e complexo soja teve participação de 8,6% do total exportado, registrando US$2,2 bilhões, 78,3% referentes a soja em grão e 16,1% de farelo de soja. Esses cinco grupos representaram, em conjunto, 75,5% das exportações do agronegócio paulista. O café aparece na sexta posição, com 6,2% de participação na pauta de exportações, somando US$1,6 bilhão, 76,7% referentes ao café verde e 19,5% de café solúvel. 

Vale dizer que as variações de valores, em comparação com o mesmo período do ano passado, apontaram aumentos das vendas para os grupos de café (+39,2%), carnes (+24,1%), complexo soja (+1,3%), e quedas nos grupos sucroalcooleiro (-29,6%), produtos florestais (-4,8%) e sucos (-4,9%). Essas variações nas receitas do comércio exterior são derivadas da composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.
 

PRINCIPAIS DESTINOS DAS EXPORTAÇÕES DO AGRO PAULISTA

A China segue sendo o principal destino das exportações, com 24,4% de participação, adquirindo principalmente produtos do complexo soja, carnes, açúcar e florestais. A União Europeia vem em seguida com 14,3% de participação, e os Estados Unidos somaram 11,8% de participação. 

O tarifaço norte-americano foi iniciado em agosto, as exportações para o país apresentaram recuo: em agosto de 14,6%, setembro 32,7%, outubro 32,8% e em novembro a queda foi de 54,9%. Mesmo assim, os Estados Unidos continuam sendo os terceiros maiores compradores do agro de São Paulo. “Até julho vínhamos com um resultado bastante positivo nas exportações para os Estados Unidos. Agosto ainda manteve o desempenho, mas a partir de setembro houve uma desaceleração que se acentuou em novembro. Essa queda foi parcialmente compensada por novos destinos de exportação, como China, México, Canadá, Argentina e União Europeia”, diz o diretor da Apta, Carlos Nabil. 

A retirada das tarifas sobre determinados produtos brasileiros foi anunciada por Donald Trump no dia 20 de novembro. Constam na lista divulgada pela Casa Branca produtos como café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina. Com isso, a expectativa é de melhora no fluxo de embarques, mesmo que demore alguns meses para que haja uma normalização de contratos e exportações.
 

PARTICIPAÇÃO PAULISTA NO AGRO NACIONAL

No cenário nacional, o agronegócio paulista manteve posição de destaque, respondendo por 17% das exportações do setor no Brasil. Ocupa a 2ª posição no ranking, logo atrás do estado de Mato Grosso (17,3%).

Figura 1: Participações das exportações do agro por UF,
 janeiro a outubro de 2025.


“A projeção para 2026 depende muito do comportamento das principais cadeias produtivas. É algo que precisa ser analisado setor a setor, com base nas previsões específicas de cada safra.”, afirma Nabil. 

A análise da balança comercial do agronegócio paulista é elaborada mensalmente pelo diretor da Apta, Carlos Nabil Ghobril, e os pesquisadores José Alberto Ângelo e Marli Dias Mascarenhas Oliveira, do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
  

Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios – Apta.


Negar atendimento médico é negar a vida

O volume de ações judiciais contra operadoras de planos de saúde suplementar no Brasil tende a explodir. Ao menos é o que discute um estudo recente do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) que indica que os casos de judicialização poderão chegar a 1,2 milhão de novos processos por ano até 2035. 

De uma maneira geral, o IESS chegou a essa projeção de que o volume de judicialização pode alcançar tal margem com base na análise do crescimento exponencial das demandas judiciais contra planos de saúde nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, por exemplo, houve um aumento de 112% no número de novos processos, saltando para cerca de 300 mil apenas em 2024.

Esse crescimento reflete falhas estruturais do sistema. Quando as operadoras negam cobertura sem motivação clara ou deixam de comunicar com transparência os critérios de cobertura, abre‑se um vácuo legal. O consumidor busca a Justiça não por escolha, mas por necessidade. Com lembrar que a Lei 9.656/1998, que regula os planos de saúde, exige cobertura de procedimentos prescritos por médico quando justificados clinicamente e a negativa injustificada fere esse direito.

De volta ao estudo, também é considerado que, sem mudanças estruturais, como capacitação dos profissionais que compõem os NATJUS, mediação obrigatória e decisões mais técnicas e fundamentadas pelas operadoras, esse cenário seguirá em crescimento acelerado. A falta de um modelo regulatório transparente e baseado em evidências reforça a tendência do consumidor judicializar sempre que se sentir lesado.

O contexto jurídico se complica ainda mais diante da jurisprudência recente: decisões favoráveis aos beneficiários têm prevalecido, especialmente quando o pedido é para terapias de alto custo ou tratamentos não previstos expressamente no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Há, inclusive, estudos indicando que, em casos de negativa, o Judiciário decide em favor do paciente em mais de 80–90 % das ações. É bom as operadoras ficarem atentas.

Isso sem dizer que a escalada dos processos impõe custos elevados ao setor. De 2019 a 2023, por exemplo, a judicialização consumiu cerca de R$ 17,1 bilhões das operadoras, segundo o IESS. No fundo, é um verdadeiro cabo de guerra entre os consumidores e as operadoras de planos de saúde e o consumidor que precisa de tratamento. Muitos desses, inclusive, são simples. Exemplos como exame de sangue, partos, cirurgias neurológicas, cirurgias cardiológicas, tratamentos oncológicos e outros. Durante esse período muitos pacientes morrem ou ficam com sequelas.

Fora que, existem demandas de reajustes acima do permitido pela ANS. Já observei casos em que houveram um aumento no aniversário do plano de saúde em 100%. O que vemos no dia-dia é tenebroso. A falácia de que elas negam somente o que está fora do rol é uma tremenda mentira. A realidade é que o está fora do rol não chega nem a 15% da quantidade das ações, eu acredito.

No fim das contas, com a expectativa de crescimento das demandas judiciais, é urgente implantar mecanismos que tragam celeridade para a prestação dos serviços das operadoras. Negar cobertura não é custo. É risco de vida. As pessoas contratam esse serviço de forma preventiva. É para elas se salvarem da doença. Não para se afogarem tanto nelas e ainda nos tribunais. As agências e as operadoras precisam entender isso de uma vez.

 

Thayan Fernando Ferreira - advogado, especialista em direito de saúde e direito público, membro da Comissão de Direito Médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados - contato@ferreiracruzadvogados.com.br


Judicialização de planos de saúde deve superar 1 milhão de processos por ano e demanda reformulações urgentes

Advogado mineiro especialista em causas de recusas de planos de saúde discute questões triviais acerca do serviço brasileiro de saúde suplementar

 

O volume de ações judiciais contra operadoras de planos de saúde suplementar no Brasil tende a explodir. Ao menos é o que discute um estudo recente do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) que indica que os casos de judicialização poderão chegar a 1,2 milhão de novos processos por ano até 2035. 

De uma maneira geral, o IESS chegou a essa projeção de que o volume de judicialização pode alcançar tal margem com base na análise do crescimento exponencial das demandas judiciais contra planos de saúde nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, por exemplo, houve um aumento de 112% no número de novos processos, saltando para cerca de 300 mil apenas em 2024.

Para o advogado Thayan Fernando Ferreira, especialista em direito da saúde e direito público, esse crescimento reflete falhas estruturais do sistema. “Quando as operadoras negam cobertura sem motivação clara ou deixam de comunicar com transparência os critérios de cobertura, abre‑se um vácuo legal. O consumidor busca a Justiça não por escolha, mas por necessidade. Com lembrar que a Lei 9.656/1998, que regula os planos de saúde, exige cobertura de procedimentos prescritos por médico quando justificados clinicamente e a negativa injustificada fere esse direito”.

De volta ao estudo, também é considerado que, sem mudanças estruturais, como capacitação dos profissionais que compõem os NATJUS, mediação obrigatória e decisões mais técnicas e fundamentadas pelas operadoras, esse cenário seguirá em crescimento acelerado. A falta de um modelo regulatório transparente e baseado em evidências reforça a tendência do consumidor judicializar sempre que se sentir lesado.

“O contexto jurídico se complica ainda mais diante da jurisprudência recente: decisões favoráveis aos beneficiários têm prevalecido, especialmente quando o pedido é para terapias de alto custo ou tratamentos não previstos expressamente no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Há, inclusive, estudos indicando que, em casos de negativa, o Judiciário decide em favor do paciente em mais de 80–90 % das ações. É bom as operadoras ficarem atentas”, acrescenta Thayan, que também é membro da Comissão de Direito Médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados.

Isso sem dizer que a escalada dos processos impõe custos elevados ao setor. De 2019 a 2023, por exemplo, a judicialização consumiu cerca de R$ 17,1 bilhões das operadoras, segundo o IESS. “No fundo, é um verdadeiro cabo de guerra entre os consumidores e as operadoras de planos de saúde e o consumidor que precisa de tratamento. Muitos desses, inclusive, são simples. Exemplos como exame de sangue, partos, cirurgias neurológicas, cirurgias cardiológicas, tratamentos oncológicos e outros. Durante esse período muitos pacientes morrem ou ficam com sequelas”, comenta.

Thayan ainda continua com a realidade. “Fora que, existem demandas de reajustes acima do permitido pela ANS. Já observei casos em que houveram um aumento no aniversário do plano de saúde em 100%. O que vemos no dia-dia é tenebroso. A falácia de que elas negam somente o que está fora do rol é uma tremenda mentira. A realidade é que o está fora do rol não chega nem a 15% da quantidade das ações, eu acredito”, completa o advogado.

No fim das contas, com a expectativa de crescimento das demandas judiciais, Thayan defende que é urgente implantar mecanismos que tragam celeridade para a prestação dos serviços das operadoras. “Negar cobertura não é custo. É risco de vida. As pessoas contratam esse serviço de forma preventiva. É para elas se salvarem da doença. Não para se afogarem tanto nelas e ainda nos tribunais. As agências e as operadoras precisam entender isso de uma vez”, finaliza.

 

O passado desafia a ciência

Ao longo da história, parece que nosso planeta foi palco de diferentes “camadas” de civilizações. Cada uma deixou marcas, enigmas e realizações que ainda hoje nos desafiam. Na camada atual, buscamos organizar o passado em linhas cronológicas, tentando conectar datas e teorias de evolução. Nem sempre, porém, essas conexões se sustentam de forma linear.

A teoria de Darwin, unanimidade na comunidade científica, trouxe a base para compreendermos a evolução das espécies. Mas alguns pontos ainda intrigam. Há saltos inesperados e caminhos surpreendentes, como o caso do polvo — um animal com características biológicas únicas — ou o fator Rh negativo em humanos, cuja origem permanece pouco clara. Esses exemplos alimentam a imaginação e levantam hipóteses sobre a Terra como possível “laboratório de experiências”.

Outro enigma fascinante é o surgimento e desaparecimento dos dinossauros. Eles habitaram todos os continentes e dominaram o planeta por milhões de anos. O fim abrupto, atribuído ao impacto de um meteoro na região do atual Golfo do México, teria desencadeado um inverno global que durou anos. Para alguns, esse evento sugere não apenas um acidente cósmico, mas uma intervenção programada na história da vida.

Seguindo a linha do tempo, chegamos às primeiras civilizações humanas. Povos antigos demonstraram capacidades impressionantes: ergueram blocos de pedra de dezenas e até centenas de toneladas, como o monumental bloco de cerca de 570 toneladas na base da muralha em Jerusalém. Além disso, desenvolveram conhecimentos científicos notáveis. Eratóstenes, físico e matemático grego, calculou a circunferência da Terra com precisão admirável há mais de dois milênios — e pensar que hoje ainda há quem defenda que o planeta seja plano.

Diante desse mosaico de enigmas, que vai dos saltos evolutivos às obras monumentais deixadas por povos antigos, o que realmente se evidencia é nossa inquietação ancestral. Cada hipótese, seja científica ou imaginativa, revela menos sobre o passado em si e mais sobre o desejo humano de construir sentido e reconhecer seu próprio lugar na história do planeta.

É nesse espírito de investigação curiosa que em Vale do Silêncio – O Enigma do Lago não trago respostas, mas um convite, recriando, pela ficção, o impulso que sempre nos moveu: olhar para o inexplicável e ousar formular novas perguntas. Ao final, não importa quão sólida seja uma teoria ou quão fantástica seja outra, o que permanece é a importância de continuar explorando e ampliando as possibilidades do que entendemos como origem.

Ao observar tantos pontos obscuros em nossa própria trajetória, fica claro que a humanidade ainda está longe de compreender completamente de onde veio. A ciência avança, corrige rumos, descarta teorias e propõe outras, mas deixa

brechas que alimentam nosso impulso de investigar. Cada lacuna é um convite para reexaminar certezas e assumir que parte do passado permanece fora do alcance. Especular não é apenas um exercício de imaginação, mas uma necessidade intelectual. Permite explorar caminhos improváveis, levantar hipóteses e reconhecer que a história humana é maior do que qualquer narrativa linear.

 


Eduardo Bega - empresário e escritor, autor de Vale do Silêncio – O Enigma do Lago.


A nova agenda da eficiência operacional: o que CEOs passaram a priorizar?

A eficiência deixou de ser um tema puramente tático para se tornar uma agenda estratégica. Evoluímos de iniciativas pontuais de corte de custos para programas contínuos de integração entre processos, dados e tecnologia. Hoje, ser eficiente significa reduzir variabilidade operacional, acelerar decisões e transformar economia de tempo em vantagem competitiva.

Em um cenário de instabilidade constante, a vantagem competitiva pertence a quem estrutura processos capazes de gerar resiliência, previsibilidade de caixa e capacidade de reação rápida. E, no centro dessa mudança, os CEOs assumem protagonismo.

Segundo uma pesquisa da Gartner, 62% desses líderes escolheram o crescimento da empresa como prioridade em 2024. O levantamento dialoga com o que temos observado: os CEOs vêm priorizando três frentes essenciais. A primeira é a integração de dados, buscando obter a visão única dos processos e eliminação dos silos de informação.

A segunda é o uso de Business Intelligence (BI) e analytics operacionais, que permitem identificar gargalos em tempo real e antecipar desvios. E a terceira, mas igualmente relevante, é a automação inteligente, liberando equipes de tarefas repetitivas e reduzindo falhas humanas. Essa tríade forma a base para um ganho palpável de visibilidade que se converte em decisão que, posteriormente, vira ação.

Nessa nova agenda operacional, os executivos passaram a enxergar a otimização como fonte de capacidade investível. O que se economiza em retrabalho, tempo e estoques, transforma-se em fluxo de caixa disponível para crescimento, inovação ou competitividade por preço.

Contudo, mesmo diante de avanços claros, as empresas ainda enfrentam desafios que impedem a eficiência de ponta a ponta. Entre os principais bloqueios estão: uma fundação frágil, marcada por dados fragmentados e de baixa qualidade; a arquitetura legada, com sistemas desconectados que dificultam integração; a ausência de governança, com processos sem responsáveis e fluxos pouco documentados; e a falta de priorização, que mantém o orçamento preso a projetos táticos, em detrimento de transformações de médio e longo prazo.

A esses fatores soma-se uma barreira tão silenciosa quanto poderosa: a resistência cultural. É comum encontrar equipes presas ao “como é” em vez do “como poderia ser”. Mas é justamente a cultura o elemento que separa projetos pontuais de transformações sustentáveis.

Sem mudança comportamental, tecnologia é apenas custo; com uma cultura orientada à eficiência, ela se torna alavanca e multiplicador de resultados. Para isso, três pilares precisam estar presentes: propriedade clara, na qual cada processo possui um dono com autoridade e responsabilidade; rotina de melhoria contínua, sustentada por ciclos curtos de experimentação, aprendizado e ajustes; e métricas vivas, compartilhadas em tempo real e conectadas ao propósito de cada equipe.

O papel do líder, nesse contexto, é modelar a experimentação, reconhecer ganhos reais de eficiência e criar um ambiente psicologicamente seguro para falhar rápido. Esses aspectos são cruciais não apenas para a eficiência interna, mas também para elevar a experiência do cliente.

Afinal, processos enxutos entregam consistência, confiabilidade, qualidade e menos erros – o mínimo para gerar confiança. E, à medida que a eficiência libera capacidade, esse recurso é realocado para iniciativas de maior valor percebido, como atendimento consultivo, inovação, customização e respostas mais rápidas.

Para os CEOs, a fórmula é clara: eficiência reduz o custo da operação básica e libera o potencial humano para criar diferencial competitivo. É ela que viabiliza crescimento lucrativo. E, para mensurar resultados, líderes precisam ir além das métricas financeiras tradicionais, estruturando KPIs de processo, de cliente e financeiros.

Hoje, a eficiência é um ativo tangível que amplia o poder de decisão estratégica do executivo. Em um ano que promete desafios e instabilidades, como será 2026, cabe aos gestores colocar a nova agenda em prática, estruturando processos e fortalecendo a operação – algo que pode ser potencializado com o apoio de softwares de gestão e consultorias especializadas. O futuro não espera. E saem na frente aqueles que começam agora. 



Marco Vonzodas - Co-CEO da Okser.
Okser


Automação e inteligência: a nova espinha dorsal das operações de cobrança


A pressão sobre o capital de giro tem levado as empresas a tratar automação no ciclo de cobrança não somente como uma atividade incremental aos métodos mais tradicionais, mas como parte essencial da estratégia financeira. E os dados do Índice de Recuperação do Crédito B2B (IGR), referente ao primeiro semestre de 2025, e divulgados em agosto último pela Global, reforçam por quê: ao menos 25% de todos os títulos vencidos negociados pela empresa no período concentra-se nos primeiros 10 dias de atraso, e justamente nessa janela ocorre a maior taxa de recuperação – mais de 82% dos valores ainda podem ser recuperados quando a régua atua cedo. 

Depois disso, a curva despenca com rapidez. A partir de 21 dias, a chance média de recuperação cai para perto de 52%, e após 60 dias já fica na casa de 40%. O dado é inequívoco: tempo virou sinônimo de dinheiro, e qualquer atraso na detecção ou no primeiro contato se traduz em perda real para o caixa. 

É nesse ponto que automação deixa de ser conveniência e passa a ser mecanismo de proteção. Em empresas que digitalizaram suas rotinas, conciliações, lembretes e verificações passaram a fluir de maneira contínua, reduzindo janelas de incerteza e eliminando dependência de controles manuais. Uma régua que antes dependia de planilhas e intervenções humanas agora dispara ações no exato momento em que o título vence, e isso se traduz em recuperação. 

Essa base automatizada permite a segunda camada: a inteligência aplicada ao comportamento de pagamento. Modelos analíticos aprendem padrões, identificam sinais precoces de risco e ajustam tom, canal e momento do contato. Com inadimplência crescente e juros altos, essa capacidade de agir preventivamente tornou-se um diferencial estratégico. Ainda segundo o IGR, títulos tratados cedo recuperam mais em todas as regiões e em todos os segmentos, com índices acima de 80% até o décimo dia mesmo em mercados historicamente mais sensíveis, como Norte e Nordeste.

 

O ciclo de recebimento como indicador central da saúde financeira

Se automação e inteligência formam a nova espinha dorsal da cobrança, o efeito mais visível dessa transformação aparece no encurtamento do ciclo de recebimento. Ainda segundo o IGR, quase 40% de todos os títulos vencidos já entram na régua com até 20 dias de atraso. Nessa faixa, a recuperação média supera 70% a 82%, mas basta ultrapassar 30 dias para que esse percentual despenque para 52% e, depois dos 60 dias, caia para pouco mais de 40%. 

Essa curva cria um efeito financeiro direto: cada dia adicional no ciclo reduz previsibilidade, exige mais capital próprio e empurra as empresas para linhas de crédito caras, justamente num contexto em que os juros permanecem elevados. É por isso que, entre as empresas que já digitalizaram seus fluxos, a redução do tempo entre faturamento e entrada do recurso deixou de ser ganho operacional e passou a ser pilar de liquidez. Quando a régua atua antes da deterioração, isto é, ainda dentro da janela de alta recuperabilidade, o impacto nos indicadores financeiros é imediato. 

É essa assimetria, entre uma inadimplência que avança rapidamente e processos internos que reagem devagar, que torna o ciclo de recebimento um indicador tão sensível. Ele reflete não apenas a capacidade de cobrar, mas o grau de maturidade da empresa em organizar informações, automatizar tarefas e tratar atraso como risco financeiro, não como rotina administrativa.

 

Previsão de inadimplência: como a IA altera a lógica do risco

Num ambiente em que inadimplência segue elevada, a redução dos atrasos passa pela capacidade de antecipá-los. Ferramentas de IA passaram a analisar padrões que seriam invisíveis para um analista — mudanças sutis de comportamento, alterações no histórico recente de interação ou sinais de deterioração na carteira de recebíveis. 

Com isso, a cobrança deixou de atuar apenas após o vencimento e passou a ser acionada antes do problema se consolidar. A renegociação tornou-se mais rápida, mais contextualizada e mais assertiva. A empresa passa a lidar com risco de forma contínua — e não mais como um evento que explode repentinamente no caixa.

 

A nova responsabilidade do CFO na gestão de cobrança

Com esse conjunto de pressões, o CFO assume um papel ainda mais estratégico. Ele não apenas define metas de fluxo de caixa ou aprova ferramentas de automação; ele se torna o articulador entre tecnologia, risco, crédito, fiscal e cultura organizacional. Processos de cobrança que operavam isolados agora fazem parte das discussões sobre estratégia comercial, investimentos, governança e sustentabilidade financeira. 

O CFO também é o garantidor da transparência algorítmica. Com IA entrando no fluxo decisório, cabe à liderança financeira definir critérios, supervisionar métricas e assegurar que a operação esteja alinhada à política corporativa e às normas de proteção de dados. 

Na medida em que as empresas integram fluxos, antecipam risco e reduzem dependências manuais, a área Financeira ganha previsibilidade, estabiliza o caixa e reduz a necessidade de recorrer ao crédito. É uma mudança estrutural que não nasceu da adoção entusiasmada de tecnologia, mas da necessidade concreta de operar em um ambiente econômico menos tolerante ao erro e ao atraso. 

As tendências que se consolidam para 2026 apontam para um setor de cobranças mais técnico, mais orientado por dados e muito mais integrado à estratégia das organizações. A capacidade de combinar automação, inteligência preditiva e governança financeira será o diferencial entre empresas que atravessam o ano preservando liquidez e aquelas que enfrentarão sucessivas pressões sobre o fluxo de caixa. Em um mercado que cobra agilidade, transparência e assertividade, cobrar bem passa a ser, mais do que nunca, administrar bem.

 


Global 


CINCO HÁBITOS DIGITAIS QUE PRECISAM FICAR EM 2025 PARA VOCÊ NÃO VIRAR ALVO EM 2026

Deepfakes, vozes clonadas e 6,4 milhões de tentativas de fraude: perito em crimes digitais explica o que realmente deve preocupar os brasileiros em 2026.

 

Em 2025, os golpes digitais deixaram definitivamente de ser amadores. Deepfakes que imitam vozes de familiares, clonagem de documentos gerada por IA e links fraudulentos quase indistinguíveis dos originais transformaram a internet no ambiente mais arriscado já registrado no país. Segundo o Serasa, foram mais de 6,4 milhões de tentativas de fraude entre janeiro e junho de 2025 no Brasil, o que corresponde a uma tentativa de fraude a cada 2,4 segundos. 

Para 2026, o cenário é ainda mais desafiador. Segundo o perito internacional em crimes digitais Wanderson Castilho, CEO da EnetSec, o Brasil vive uma “tempestade perfeita” de desinformação, excesso de exposição e poucos hábitos de segurança digital. “A tecnologia avançou dez anos em dois; já a percepção de risco do brasileiro continua parada no mesmo lugar. Hoje, não é preciso ser hacker. As ferramentas de inteligência artificial fazem o trabalho pesado e colocam qualquer pessoa com má intenção em posição de ataque”, resume. 

Ele ainda reforça que o problema não está apenas na sofisticação dos golpes, mas na repetição dos erros cotidianos. “Estamos entrando em 2026 com os mesmos hábitos frágeis que facilitaram os golpes em 2025. E isso é tudo o que o criminoso precisa”, diz. “Golpista não mira o aparelho, mira o comportamento. Não importa se o celular é novo ou se a senha é forte, se a pessoa clica sem pensar ou envia documento pelo WhatsApp, ela vira alvo.” 

Para te ajudar, o especialista destacou quais os cinco piores hábitos de segurança digital que colocam as pessoas em risco, confira:

 

Clicar em links sem checar a origem: Golpistas dominam engenharia social. Mensagens com tom de urgência “sua conta será bloqueada”, “último aviso”, “pedido entregue” continuam sendo o principal gatilho para roubo de dados. Esses links levam a páginas falsas quase idênticas às originais e facilitam ataques de phishing, que seguem sendo a fraude mais comum no país. Castilho reforça que geralmente, o golpe começa num clique, e se existe dúvida, a recomendação é não clicar, e nunca compartilhar o link com outras pessoas

 

Enviar documentos e dados pessoais pelo WhatsApp: Um erro que parece inocente, mas é um dos maiores catalisadores de golpes. Selfies de confirmação, RG, comprovantes, prints de cartão, tudo circula por grupos e conversas sem qualquer proteção. Criminosos usam esse material para abrir contas falsas, fazer compras, solicitar crédito e até simular vídeos usando IA com o rosto da vítima. “Documento não é figurinha. Uma vez que circula, perde o controle. É a senha-mestra para vários tipos de fraude”, diz.

 

Reutilizar a mesma senha em vários serviços: É um hábito nacional, e extremamente arriscado. Quando uma única plataforma sofre vazamento, todas as outras contas do usuário ficam vulneráveis, do e-mail ao banco. Mesmo assim, pesquisas mostram que boa parte dos brasileiros ainda repete senhas “para não esquecer”. “Usar a mesma senha é como trancar a casa, o carro e o escritório com a mesma chave. Se uma cópia vaza, tudo está aberto”, explica o especialista. A recomendação são senhas únicas + autenticação em dois fatores.

 

Confiar em perfis que parecem oficiais: Criminosos se profissionalizaram e hoje replicam fotos, logos, linguagem de atendimento e até anúncios falsos para simular perfis de bancos, varejistas e empresas de tecnologia. Muitas vítimas relatam que “o perfil parecia real”, justamente porque esses perfis falsos são produzidos com alto nível de detalhamento visual. Segundo Castilho, golpistas exploram a confiança do brasileiro no aspecto estético dos canais digitais. O que valida um perfil não é o layout, é a verificação da origem. A recomendação é sempre confirmar a autenticidade por meio do site oficial ou canais validados pela empresa antes de interagir.

 

Resolver tudo com pressa, e sem verificar: A pressa segue como um dos principais motores das fraudes digitais. Situações que envolvem PIX “urgente”, cadastros “necessários para liberar acesso”, códigos enviados “para confirmar identidade” e atendimentos falsos que exigem ação imediata fazem parte da estratégia psicológica usada pelos golpistas. Wanderson Castilho explica que, sob estresse ou pressão, o usuário tende a desligar o senso crítico. O golpista cria a pressa justamente para impedir a verificação. Por isso, qualquer pedido urgente deve ser tratado com desconfiança redobrada.

 

O que esperar de 2026? 

Para o especialista, 2026 será um ponto de virada no cenário da segurança digital. A sofisticação dos golpes tende a crescer rapidamente, não pela habilidade dos criminosos, mas pela facilidade de acesso a ferramentas de inteligência artificial capazes de criar mensagens, áudios e interações praticamente idênticas às reais. 

“Estamos caminhando para um ano em que cada pessoa receberá golpes moldados exatamente ao seu perfil. A IA vai permitir fraudes altamente personalizadas, que conhecem seus hábitos, sua linguagem e até seus horários. Mas, paradoxalmente, nunca tivemos tantas ferramentas de proteção disponíveis. A diferença não está apenas na tecnologia, está no comportamento”, afirma Castilho. 

Segundo ele, o fator humano continuará sendo o elo mais vulnerável da cadeia digital em 2026. “Não existe blindagem absoluta. O que existe é a prevenção inteligente. E ela começa no básico: desconfiar do que parece urgente demais, verificar antes de agir e entender que segurança digital é um hábito", conclui.

 

Wanderson Castilho - Perito internacional em crimes cibernéticos, Wanderson Castilho já solucionou mais de 6 mil casos ao redor do mundo, utilizando técnicas avançadas de perícia digital, análise de metadados e rastreamento de identidades anônimas. Fundador da Enetsec, com sede nos EUA e no Brasil, atua há mais de 20 anos desvendando fraudes, vazamentos e assédios virtuais com precisão técnica e foco na verdade digital. Físico de formação e autor de quatro livros, Castilho é certificado em investigação de criptomoedas pelo Blockchain Intelligence Group — ferramenta usada por FBI e CIA —, além de possuir certificações como Certified Ethical Hacker (CEH), Certified Computing Professional (CCP) e ser membro da ACFE (Association of Certified Fraud Examiners). É também licenciado como investigador particular nos Estados Unidos. Seu trabalho contribuiu para mudanças legislativas, como a criação da Lei da Pornografia de Vingança (Lei 13.772/2018), sendo hoje uma das maiores autoridades em segurança digital da América Latina. Saiba mais em: www.enetsec.com



Crise entre Poderes e o papel da advocacia criminal na defesa da democracia

Escrevo estas reflexões em meio a uma generalizada confusão — talvez eu exagere? — que se instalou na República Federativa do Brasil. Estamos imersos nessa turbulência enquanto exercemos o nobre ofício da advocacia criminal e cumprimos a honrosa missão institucional da Abracrim. 

O que se observa é o prolongamento de uma crise entre os Poderes, que parecem disputar forças em um cabo de guerra permanente. O Judiciário segue interpretando a legislação a seu modo, ferindo direitos e garantias e, por vezes, retirando prerrogativas do Legislativo. Este, por sua vez, cambaleia entre tumultos e aprova mudanças penais de acordo com conveniências políticas, ora criando novos ilícitos, ora alterando penas, ora reduzindo-as. Já o Executivo enfrenta resistências e tenta consolidar políticas públicas voltadas ao combate ao crime organizado. Resulta disso um cenário de profunda falta de harmonia, em desacordo com a tripartição constitucional dos Poderes. 

Por que essa crise se aprofunda e contamina toda a nação? Até quando assistiremos à sobreposição de polarizações políticas e ideológicas que nada entregam ao país? 

E nós, advogadas e advogados criminalistas? Somos do Direito e da Justiça. Por vocação, ou por compromisso firmado, somos defensores dos direitos, das garantias fundamentais e da ordem constitucional. Nosso múnus público nos exige atuar com técnica, responsabilidade e visão crítica, sem paixões políticas ou ideológicas, para contribuir com a construção do Estado Democrático de Direito em sua plenitude. 

Cada um de nós, com suas convicções e visões de mundo, tem o dever de oferecer contribuições sinceras para apontar caminhos que reduzam conflitos e fortaleçam a segurança jurídica. É preciso refletir: esse é o Brasil que queremos? Estamos contribuindo para um país melhor? 

Devemos estar atentos, vigilantes e em ação permanente. Cabe à advocacia criminal — e à Abracrim — denunciar excessos, abusos e desmandos, exigindo a apuração dos fatos e a responsabilização das autoridades quando necessário, sempre com prudência, responsabilidade e rigor técnico. Essa é nossa missão. 

Diante da desordem, dos abusos e das injustiças, devemos ser palavra de ordem e voz de esperança para quem já não acredita mais nas instituições. Mesmo quando nos falte fé, é nossa obrigação lutar pela esperança daqueles que confiam no nosso trabalho. 

Somos a advocacia criminal. Somos a Abracrim. E, nessas circunstâncias, incumbe-nos defender as instituições democráticas, proteger a ordem jurídica e contribuir para manter nosso país nos trilhos da ordem e do progresso. 

Precisamos mostrar a força da advocacia. Podemos e devemos contribuir para o debate nacional e reconstruir relações de respeito e valorização recíproca. Exigir respeito, respeitando; exigir valorização, valorizando. Essa é a mística que deve orientar nosso exercício profissional. Achaques, ataques e desrespeitos às prerrogativas não são apenas crimes: são ofensas graves à ordem constitucional e ao Estado de Direito. 

Quando nos deparamos com violações às prerrogativas, devemos atuar para garantir a punição dos responsáveis, após o devido processo legal. Mas é preciso ir além: apontar caminhos para impedir que a violência estatal volte a se repetir nas delegacias, fóruns, tribunais ou em qualquer ambiente de trabalho da advocacia criminal. 

Temos que atuar pela advocacia criminal, pela Abracrim, pela cidadania, pelo Brasil. Somos da Abracrim. Somos brasileiras e brasileiros. Somos do Brasil. Salvemos o nosso Brasil, “brasileiro de encantos mil”. 

Ao fim dessas reflexões, escritas em pleno sobrevoo enquanto cruzo o país, recordo as palavras de meu pai, Raymundo Asfóra, quando deputado federal (1983-1986): “O Brasil não está perdido. Eu me recuso a engastar esse horror no meu espírito. O Brasil não está perdido; perdidos estão aqueles que querem perdê-lo.”

 

Sheyner Yàsbeck Asfóra - presidente nacional da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim)

 

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