
Obra da esquerda: Costuras em lona, s/d. Cortesia do artista
Obra da direita: Riscos de pólvora, s/d. Cortesia do artista
“Riscadura de
fogo” reúne mais de cinco décadas de produção do artista mineiro e apresenta
obras monumentais na Área de Convivência da unidade;
Mostra destaca a
escultura como linguagem e dialoga com a arquitetura de Lina Bo Bardi em fina
sintonia com o programa educativo do Sesc Pompeia
O Sesc São Paulo apresenta, a partir de 17 de março, a exposição “Riscadura
de fogo – Jorge dos Anjos”, individual do artista mineiro Jorge dos Anjos, que
completa 70 anos e acumula mais de cinco décadas de produção. A mostra
apresenta um panorama de sua trajetória, reunindo esculturas, pinturas,
desenhos, vídeos e obras desenvolvidas especialmente para a Área de Convivência
do Sesc Pompeia. A curadoria é de Lucas Menezes, doutor em História da
Arte pela Université Panthéon-Sorbonne (Paris I) e curador assistente do
Instituto Inhotim, com pesquisa de Lorraine Mendes, professora, pesquisadora e
doutoranda em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro e curadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
A mostra ocupa integralmente
o espaço com trabalhos de diferentes dimensões, incluindo esculturas
monumentais em metal e pedra-sabão. Algumas dessas peças serão montadas no
próprio Sesc Pompeia, reforçando o caráter processual da exposição e o diálogo
direto com a arquitetura projetada por Lina Bo Bardi. Entre as intervenções
previstas estão uma escultura posicionada sobre o curso d'água da Área de
Convivência, outra em pedra-sabão instalada em sua borda e grandes estruturas
metálicas distribuídas ao longo do percurso do público.
O trabalho de Jorge dos Anjos
é frequentemente compreendido como uma prática afirmativa. Em vez de partir da
ideia de reparação, sua produção afirma valores culturais e históricos por meio
da forma escultórica e da relação com a matéria. Essa postura aparece na
elegância formal das obras e na maneira como transforma símbolos em linguagem
contemporânea.
A escultura é o eixo
estruturante da produção do artista, marcada pelo trabalho com ferro, aço,
pedra-sabão e madeira. A exposição também apresenta pinturas, desenhos e
registros em vídeo que revelam diferentes momentos de sua pesquisa. Muitos
trabalhos partem de procedimentos construtivos diretos, nos quais o fogo atua
como agente de transformação da matéria. Esse elemento, recorrente na produção
do artista, também orienta a identidade visual da exposição, associada a
tonalidades de vermelho alaranjado. O projeto expográfico, assinado por Tiago
Guimarães, propõe uma ocupação aberta do espaço, promovendo uma experiência
mais direta, sensível e próxima entre o público e a obra.
Segundo o curador Lucas Menezes, a mostra evidencia a consistência de uma linguagem construída ao longo do tempo. “Jorge dos Anjos desenvolveu uma gramática visual própria, marcada pela relação entre matéria, gesto e memória. Sua produção revela um percurso contínuo de experimentação, no qual cada trabalho se conecta a investigações anteriores sem perder autonomia”, afirma.
A pesquisa de Lorraine Mendes
destaca a presença de referências culturais afro-brasileiras na obra do artista
e a maneira como elas se transformam em linguagem visual. Em sua produção, o
tema da memória aparece como fundamento poético e estrutural, incorporando
signos associados às religiões de matriz africana e a experiências coletivas de
formação cultural.
Ações educativas
O programa educativo é parte
central da exposição. O Sesc Pompeia conta com ampla equipe de educadores de
exposição, formada por profissionais com trajetórias diversas nas artes e
outras áreas do conhecimento, como pedagogia, história, filosofia, ciências
sociais e até administração. O atendimento contempla grupos escolares e
professores, bem como o público amplo de diferentes regiões da cidade, além da
realização de visitas mediadas e oficinas articuladas aos temas e conceitos
relacionados à exposição. As atividades são desenvolvidas ao longo do período
expositivo, a partir de formação prévia, observação do público e investigações
conduzidas pela equipe.
A formação dos educadores
será conduzida por Ronaldo Vitor da Silva, mestre em Culturas e Identidades
Brasileiras - a partir de um plano político-pedagógico que considera o
recorte racial presente na obra de Jorge dos Anjos e o papel da arte como
experiência de educação não formal. A exposição conta ainda com projeto de
acessibilidade desenvolvido por Karen Montija incluindo recursos de
acessibilidade como vídeo em Libras, mapa tátil e audiodescrição.
Sobre Jorge Luiz dos Anjos
Pintor, escultor e
desenhista. Inicia sua formação artística precocemente, na Fundação de Arte de
Ouro Preto, onde estuda com Nuno Mello, Ana Amélia e Amilcar de Castro. Ao
longo de sua carreira participou de exposições individuais e coletivas em
diversas instituições como Palácio das Artes (Belo Horizonte, MG), MAM-Rio,
Bienal de Valencia (Espanha), Sesc São Paulo, MAM-Bahia, Musée Dapper (França),
entre outras.
Seu trabalho está presente em
importantes coleções como Instituto Inhotim e Pinacoteca de São Paulo. Além
disso, possui obras em exibição permanente em locais públicos de grandes
cidades brasileiras como a Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, e o Aterro do
Flamengo, no Rio de Janeiro. Recentemente, uma de suas obras foi adquirida para
compor o Acervo Sesc de Arte e encontra-se em exibição no Sesc Franca.
Serviço:
Exposição Riscadura de Fogo –
Jorge dos Anjos
Abertura: 17 de março de 2026
Período expositivo: de 17 de
março a 02 de agosto de 2026
Sesc Pompeia - R. Clélia, 93
- Água Branca
Entrada gratuita
Horários:
De terça à sábado: das 10h às
21h
Domingos e feriados: das 10h
às 18h
Agendamento de escolares: agendamento.pompeia@sescsp.org.br
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