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sexta-feira, 13 de março de 2026

Sesc Pompeia recebe a primeira exposição individual de Jorge dos Anjos em São Paulo

Obra da esquerda: Costuras em lona, s/d. Cortesia do artista 
  Obra da direita: Riscos de pólvora, s/d. Cortesia do artista

“Riscadura de fogo” reúne mais de cinco décadas de produção do artista mineiro e apresenta obras monumentais na Área de Convivência da unidade;

Mostra destaca a escultura como linguagem e dialoga com a arquitetura de Lina Bo Bardi em fina sintonia com o programa educativo do Sesc Pompeia


O Sesc São Paulo apresenta, a partir de 17 de março, a exposição “Riscadura de fogo – Jorge dos Anjos”, individual do artista mineiro Jorge dos Anjos, que completa 70 anos e acumula mais de cinco décadas de produção. A mostra apresenta um panorama de sua trajetória, reunindo esculturas, pinturas, desenhos, vídeos e obras desenvolvidas especialmente para a Área de Convivência do Sesc Pompeia.  A curadoria é de Lucas Menezes, doutor em História da Arte pela Université Panthéon-Sorbonne (Paris I) e curador assistente do Instituto Inhotim, com pesquisa de Lorraine Mendes, professora, pesquisadora e doutoranda em História e Crítica da Arte pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e curadora da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

A mostra ocupa integralmente o espaço com trabalhos de diferentes dimensões, incluindo esculturas monumentais em metal e pedra-sabão. Algumas dessas peças serão montadas no próprio Sesc Pompeia, reforçando o caráter processual da exposição e o diálogo direto com a arquitetura projetada por Lina Bo Bardi. Entre as intervenções previstas estão uma escultura posicionada sobre o curso d'água da Área de Convivência, outra em pedra-sabão instalada em sua borda e grandes estruturas metálicas distribuídas ao longo do percurso do público. 

O trabalho de Jorge dos Anjos é frequentemente compreendido como uma prática afirmativa. Em vez de partir da ideia de reparação, sua produção afirma valores culturais e históricos por meio da forma escultórica e da relação com a matéria. Essa postura aparece na elegância formal das obras e na maneira como transforma símbolos em linguagem contemporânea.

A escultura é o eixo estruturante da produção do artista, marcada pelo trabalho com ferro, aço, pedra-sabão e madeira. A exposição também apresenta pinturas, desenhos e registros em vídeo que revelam diferentes momentos de sua pesquisa. Muitos trabalhos partem de procedimentos construtivos diretos, nos quais o fogo atua como agente de transformação da matéria. Esse elemento, recorrente na produção do artista, também orienta a identidade visual da exposição, associada a tonalidades de vermelho alaranjado. O projeto expográfico, assinado por Tiago Guimarães, propõe uma ocupação aberta do espaço, promovendo uma experiência mais direta, sensível e próxima entre o público e a obra.

Segundo o curador Lucas Menezes, a mostra evidencia a consistência de uma linguagem construída ao longo do tempo. “Jorge dos Anjos desenvolveu uma gramática visual própria, marcada pela relação entre matéria, gesto e memória. Sua produção revela um percurso contínuo de experimentação, no qual cada trabalho se conecta a investigações anteriores sem perder autonomia”, afirma. 

A pesquisa de Lorraine Mendes destaca a presença de referências culturais afro-brasileiras na obra do artista e a maneira como elas se transformam em linguagem visual. Em sua produção, o tema da memória aparece como fundamento poético e estrutural, incorporando signos associados às religiões de matriz africana e a experiências coletivas de formação cultural.


Ações educativas

O programa educativo é parte central da exposição. O Sesc Pompeia conta com ampla equipe de educadores de exposição, formada por profissionais com trajetórias diversas nas artes e outras áreas do conhecimento, como pedagogia, história, filosofia, ciências sociais e até administração.  O atendimento contempla grupos escolares e professores, bem como o público amplo de diferentes regiões da cidade, além da realização de visitas mediadas e oficinas articuladas aos temas e conceitos relacionados à exposição. As atividades são desenvolvidas ao longo do período expositivo, a partir de formação prévia, observação do público e investigações conduzidas pela equipe.

A formação dos educadores será conduzida por Ronaldo Vitor da Silva, mestre em Culturas e Identidades Brasileiras - a partir de um plano político-pedagógico que considera o recorte racial presente na obra de Jorge dos Anjos e o papel da arte como experiência de educação não formal. A exposição conta ainda com projeto de acessibilidade desenvolvido por Karen Montija incluindo recursos de acessibilidade como vídeo em Libras, mapa tátil e audiodescrição.


Sobre Jorge Luiz dos Anjos

Pintor, escultor e desenhista. Inicia sua formação artística precocemente, na Fundação de Arte de Ouro Preto, onde estuda com Nuno Mello, Ana Amélia e Amilcar de Castro. Ao longo de sua carreira participou de exposições individuais e coletivas em diversas instituições como Palácio das Artes (Belo Horizonte, MG), MAM-Rio, Bienal de Valencia (Espanha), Sesc São Paulo, MAM-Bahia, Musée Dapper (França), entre outras.

Seu trabalho está presente em importantes coleções como Instituto Inhotim e Pinacoteca de São Paulo. Além disso, possui obras em exibição permanente em locais públicos de grandes cidades brasileiras como a Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, e o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Recentemente, uma de suas obras foi adquirida para compor o Acervo Sesc de Arte e encontra-se em exibição no Sesc Franca. 

 

Serviço:

Exposição Riscadura de Fogo – Jorge dos Anjos

Abertura: 17 de março de 2026

Período expositivo: de 17 de março a 02 de agosto de 2026

Sesc Pompeia - R. Clélia, 93 - Água Branca

Entrada gratuita

Horários:

De terça à sábado: das 10h às 21h

Domingos e feriados: das 10h às 18h

Agendamento de escolares: agendamento.pompeia@sescsp.org.br


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