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O número de casos de Mpox, doença anteriormente conhecida como varíola dos macacos, voltou a crescer nas últimas semanas. Até o início de março de 2026, foram confirmados 136 novos registros da infecção, a maioria diagnosticada após o período do Carnaval.
Em grande parte, tratam-se de casos
leves, sem registro de óbitos até o momento, mas ainda assim suficientes para
acender o alerta das autoridades de saúde. O aumento ocorre em um contexto de
maior circulação de pessoas e de contato físico intenso durante as festas,
fatores que favorecem a transmissão do vírus.
A Mpox é uma doença zoonótica causada
pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae.
Sua manifestação mais característica são as lesões cutâneas, que apresentam
alta carga viral e funcionam como importante via de transmissão. O acumulado de
casos confirmados desde 2022 é de 14.614, concentrado principalmente nos
estados do sudeste (São Paulo, Rio de janeiro e Minas gerais respectivamente).
A doença acomete predominantemente homens cisgêneros entre 18 e 49 anos, em sua
maioria que fazem sexo com outros homens.
O contágio ocorre principalmente por
contato direto pele a pele, mas também pode acontecer por meio de objetos
contaminados, via respiratória ou relações sexuais. Segundo o infectologista
Ricardo Cantarim Inacio, do Hospital HSANP, qualquer item que tenha tido
contato com a pele de uma pessoa infectada pode se tornar fonte de infecção ou
o contato prolongado em ambientes fechados com pacientes doentes.
“Roupas, copos, pratos, toalhas e
outras superfícies que tenham tido contato direto com a pele de alguém com a
doença pode facilmente estar contaminada também. A transmissão permanece
possível até que todas as crostas das lesões desapareçam completamente”,
explica o especialista.
De acordo com a Organização Mundial da
Saúde (OMS), a transmissão também pode ocorrer da gestante para o feto, por
meio da placenta, ou durante e após o parto, pelo contato direto. O período de
incubação varia, em média, de 3 a 16 dias, e até 21 dias em alguns casos.
O infectologista do Hospital HSANP
explica que as lesões podem surgir em qualquer região do corpo, inclusive áreas
genitais, faciais e mucosas. “Para que a doença seja apropriadamente
diagnosticada, é realizado um exame laboratorial, com a coleta da secreção/swab
das lesões, ou caso as lesões já estejam secas, as crostas serão coletadas. No
momento, não há tratamento para a Mpox, apenas cuidados durante o período de
incubação para que sequelas de longo prazo sejam prevenidas”, acrescenta.
Apesar da ausência de um tratamento, A
vacinação pré e pós-exposição segue como estratégia de controle, priorizando
grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença.
“A principal medida preventiva é evitar
contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação de Mpox. Quando o
contato é inevitável, é fundamental utilizar equipamentos de proteção
individual, como luvas, máscaras, aventais e óculos de proteção, além de
reforçar a higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel”, finaliza
Ricardo Cantarim Inacio, médico infectologista do Hospital HSANP.

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