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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Pesquisadores comprovam prova de conceito de vacina de DNA projetada para estimular células T contra a Covid-19

Realizado em parceria com o Institut Pasteur de São Paulo, o estudo mostra, em modelo experimental, que é possível induzir resposta de células T de forma planejada, com potencial para vacinas mais universais.

 

Um artigo publicado na revista científica Viruses apresenta resultados inéditos de uma vacina de DNA contra a Covid-19, desenvolvida especificamente para induzir células T – componentes fundamentais do sistema imunológico responsáveis por identificar e eliminar células infectadas. O estudo foi realizado em parceria entre o Institut Pasteur de São Paulo (IPSP), o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e a empresa de biotecnologia ImunoTera. No IPSP, a pesquisa foi liderada por Rúbens Alves, imunologista e virologista que coordena o grupo de Vigilância Genômica e Inovação em Vacinas. 

Segundo Alves, o diferencial do trabalho é a prova de conceito de uma vacina capaz de gerar respostas de células T de forma planejada. “Durante a pandemia, as vacinas contra a Covid-19 induziram anticorpos e, por consequência, também células T – mas isso ocorreu como um efeito secundário. Nós mostramos que é possível desenhar uma vacina para gerar especificamente essa resposta, o que abre portas para enfrentar vírus de forma mais abrangente e até mesmo cânceres induzidos por vírus”, explica. 

A ideia surgiu logo após a divulgação da primeira sequência do SARS-CoV-2. Inspirado na experiência adquirida durante seu estágio no La Jolla Institute for Immunology, Alves e colaboradores decidiram que, em vez de mirar apenas na “casca” do vírus (como a proteína Spike), era estratégico mirar também no seu “motor”: regiões internas mais conservadas, que tendem a mudar menos com o tempo. Essas regiões foram selecionadas com base nas moléculas de HLA mais comuns na população brasileira, aumentando as chances de a vacina “conversar” bem com o sistema imune local. 

Nos experimentos, os pesquisadores desenvolveram uma vacina de DNA que reuniu essas regiões internas conservadas do SARS-CoV-2 e as fundiram geneticamente à glicoproteína D do vírus herpes simples (HSV-1), usada como adjuvante para potencializar a ativação imunológica. Aplicado em camundongos por meio de eletroporação, o imunizante induziu células T altamente funcionais, capazes de produzir interferon-gama (IFN-γ) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). 

Quando desafiados com o vírus, os animais vacinados apresentaram menor perda de peso, melhor score clínico e carga viral reduzida em pulmões e cérebro, em comparação aos controles. O efeito observado garantiu proteção parcial de curto prazo, com 60% de sobrevivência em desafio tardio (5 semanas após a imunização). Em testes adicionais, a retirada experimental das células T levou à perda desse efeito, confirmando que esse braço da resposta imune foi o principal responsável pela proteção registrada.

 

Impactos para futuras vacinas – Os achados reforçam a importância de se considerar a imunidade celular no desenvolvimento de vacinas de nova geração. Enquanto os anticorpos atuam como “guardas” que impedem a entrada de vírus nas células, as células T funcionam como um “órgão de fiscalização”, eliminando células já infectadas. Essa estratégia de direcionar vacinas para células T pode ter impacto em diversos cenários além da Covid-19. 

Em patógenos intracelulares, como certos vírus e bactérias que se replicam dentro das células, os anticorpos externos não conseguem atuar de forma eficaz – e é justamente nesse ponto que as células T são decisivas. No caso do câncer associado a vírus, como o HPV, a importância é ainda maior: como esses vírus permanecem no interior das células, cabe às células T reconhecer e eliminar células infectadas ou transformadas. Já em doenças como a dengue, os anticorpos podem se tornar um problema, pois, se não forem suficientemente específicos, acabam facilitando a replicação viral em vez de neutralizá-lo. Nesses casos, a indução de células T CD8 torna-se crucial para prevenir desequilíbrios imunológicos e oferecer proteção contra diferentes sorotipos.

 

Colaboração científica – O projeto nasceu em 2020, no Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas (LDV) do ICB-USP, sob a coordenado do prof. Luís Carlos Ferreira, onde Rúbens Alves teve a ideia inicial e conduziu os primeiros experimentos de prova de conceito. Em seguida, a ImunoTera, spin-off do LDV cuja CEO é Luana Raposo de Melo Moraes Aps, primeira autora do artigo, entrou como parceira estratégica: além de já estudar o adjuvante gD em vacinas contra câncer, assumiu parte dos experimentos em animais e dividiu com Alves o depósito do pedido de patente que protege a formulação. 

Posteriormente, já no Institut Pasteur de São Paulo, Alves pôde contar com a infraestrutura de alta contenção (NB3), indispensável para os testes de desafio com o SARS-CoV-2. Essa trajetória reforça como a articulação entre diferentes instituições foi decisiva para consolidar os resultados e abrir caminho para vacinas mais universais, duráveis e adaptadas a diferentes populações – uma necessidade cada vez mais urgente frente à ameaça de novas epidemias e pandemias. 

“Conseguimos mostrar que uma vacina desenhada para acionar células T e mirar partes do vírus que mudam pouco pode reduzir a doença em modelos animais, um caminho complementar às vacinas tradicionais e alinhado à realidade genética da população brasileira”, resume Alves.

  

Institut Pasteur de São Paulo - IPSP - associação privada, sem fins lucrativos, fundada em 31 de março de 2023 pelo Institut Pasteur, fundação francesa de direito privado, e pela Universidade de São Paulo (USP). Sediado dentro da USP, na Capital Paulista, o IPSP desenvolve pesquisas de classe internacional em Ciências Biológicas sobre doenças transmissíveis, não transmissíveis, emergentes, reemergentes, negligenciadas ou progressivas, incluindo as que levam ao comprometimento do desenvolvimento ou degeneração do sistema neurológico. Seu objetivo é desenvolver métodos preventivos, de diagnóstico/prognóstico e terapêuticos em relação às doenças estudadas, promovendo a inovação, a transferência e a difusão do conhecimento, em prol da saúde pública. O IPSP integra a Rede Pasteur composta por mais de 30 institutos de pesquisa, presentes em 25 países.


Câncer de mama: 6 dúvidas que toda mulher tem da prevenção ao pós-tratamento

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Oncologista esclarece principais dúvidas sobre exames, terapias, acompanhamento e suporte emocional para mulheres em todas as fases da doença



O Outubro Rosa não é apenas um alerta para prevenção: é um momento de reflexão sobre o cuidado com a saúde da mulher em todas as fases da vida. Com mais de 73 mil novos casos estimados anualmente no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é a doença oncológica mais incidente entre as mulheres, tornando a informação e o acesso a exames essenciais para salvar vidas. 

Além da conscientização, é fundamental que mulheres tenham acesso a orientação clara sobre diagnóstico, tratamento e acompanhamento, sabendo o que esperar em cada etapa da jornada. Entender a função de exames como a mamografia, ultrassom e ressonância, conhecer as opções de reconstrução mamária, os efeitos colaterais e as estratégias de suporte psicológico ajuda a reduzir a ansiedade e promove mais segurança para enfrentar a doença. 

Para esclarecer essas questões, Daniel Gimenes, oncologista da Oncoclínicas, responde às principais dúvidas das pacientes:
 

Mamografia sempre acerta? Quando usar outros exames? 

A mamografia segue como o principal exame para rastreamento do câncer de mama e é capaz de identificar alterações em estágios iniciais, antes mesmo de serem palpáveis. Segundo o INCA, esse tipo de câncer representa cerca de 30% de todos os diagnósticos de tumores em mulheres, o que reforça a importância do rastreamento regular. No entanto, como todo exame, a mamografia pode ter limitações. 

Mulheres com mamas densas, por exemplo, podem apresentar resultados menos conclusivos. Nesses casos, o médico pode indicar exames complementares, como o ultrassom, que ajuda a diferenciar nódulos sólidos de cistos, ou a ressonância magnética, geralmente reservada para situações de maior risco ou para investigar achados específicos. “A mamografia é o ponto de partida, mas nem sempre responde a todas as perguntas. O uso de outros exames, quando necessário, garante maior precisão no diagnóstico”, explica. 

Quando há suspeita maior, a biópsia é fundamental para confirmar ou descartar a presença de células malignas. Esse procedimento é o único capaz de dar o diagnóstico definitivo e orientar o tratamento adequado.
 

Devo fazer teste genético? 

A dúvida sobre a necessidade do teste genético é cada vez mais frequente. Em geral, ele é indicado para mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou ovário, especialmente em casos diagnosticados em idade precoce. Além disso, o histórico de câncer de próstata em familiares homens jovens, câncer de pâncreas e melanoma, também pode ser considerado, já que certas mutações genéticas aumentam o risco de diferentes tipos de câncer na família. “Nem todas as pacientes precisam realizar o teste, mas quando há suspeita de predisposição genética, como nas mutações BRCA1 e BRCA2, esse exame pode ser decisivo para definir estratégias de prevenção e tratamento”, reforça o especialista. 

O teste genético ajuda a identificar pessoas com risco aumentado, possibilitando medidas de acompanhamento mais rigoroso, rastreamento antecipado e até intervenções cirúrgicas preventivas. Por outro lado, sua indicação deve ser feita com cautela, sempre associada a aconselhamento genético, para que os resultados sejam interpretados corretamente. 

No contexto do Outubro Rosa, a discussão sobre genética reforça a importância de personalizar os cuidados. Cada paciente tem uma história única, e entender se há risco hereditário é parte essencial desse processo.
 

Reconstrução mamária: imediata ou tardia? 

A reconstrução da mama é uma das etapas mais importantes do tratamento para muitas mulheres, impactando diretamente na autoestima e no bem-estar. A cirurgia pode ser feita de forma imediata, junto à retirada do tumor, ou em um segundo momento, após o término do tratamento oncológico. 

A decisão depende de fatores como o tipo de cirurgia realizada, a necessidade de radioterapia e as condições clínicas da paciente. “Sempre que possível, a reconstrução imediata é considerada, pois traz benefícios emocionais significativos. No entanto, em alguns casos, é mais seguro aguardar, garantindo melhores resultados estéticos e funcionais”, explica Gimenes. 

Independentemente do momento, a reconstrução é um direito assegurado pelo SUS e pelos planos de saúde, previsto em lei. Mais do que uma questão estética, ela representa um passo importante para resgatar a imagem corporal e a confiança após o tratamento.
 

Efeitos colaterais: como manejar no dia a dia 

Os efeitos colaterais do tratamento variam conforme a terapia utilizada, cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia ou terapias-alvo. Entre os mais comuns estão fadiga, queda de cabelo, náuseas, alterações de pele e sintomas relacionados à menopausa induzida. 

Embora possam causar desconforto, muitas dessas reações têm manejo possível. Medicamentos de suporte, ajustes de rotina e acompanhamento multidisciplinar fazem toda a diferença. “Nosso objetivo é não apenas tratar o câncer, mas também minimizar o impacto do tratamento na qualidade de vida da paciente”, destaca o oncologista. 

Além do acompanhamento médico, práticas como atividade física adaptada, alimentação equilibrada e suporte psicológico contribuem para lidar melhor com os efeitos do tratamento no dia a dia.
 

Como será o acompanhamento após o tratamento? 

O acompanhamento após o término da terapia é essencial para monitorar possíveis recidivas e garantir a saúde global da paciente. Nos primeiros anos, as consultas e exames costumam ser mais frequentes, a cada três a seis meses, e depois podem ser espaçadas, conforme avaliação médica. 

O seguimento inclui exames de imagem, avaliação clínica e, em alguns casos, exames laboratoriais. “Esse cuidado contínuo não deve ser visto como motivo de ansiedade, mas como uma forma de oferecer segurança e detectar qualquer alteração de forma precoce”, explica. 

Além da vigilância oncológica, esse acompanhamento também é oportunidade para abordar aspectos de saúde geral, como controle de peso, saúde óssea e prevenção de outras doenças.
 

Vida sexual, imagem corporal e suporte psicológico 

O impacto do câncer de mama vai além do físico. Questões relacionadas à sexualidade, autoestima e imagem corporal são comuns e devem ser acolhidas pela equipe de saúde. Alterações hormonais, efeitos do tratamento e mudanças na percepção da feminilidade podem afetar a vida íntima e emocional. 

É nesse contexto que o suporte psicológico e o acompanhamento multidisciplinar se tornam fundamentais. Terapias de casal, grupos de apoio e orientação especializada ajudam a ressignificar a experiência e a fortalecer os vínculos afetivos. “O tratamento não termina com o fim da quimioterapia ou da cirurgia. Ele continua no cuidado emocional, que é tão importante quanto o clínico”, finaliza Daniel Gimenes.


Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com


Você sabia que a panturrilha funciona como um segundo coração?

Especialista em Educação Física do CEUB revela que esse músculo ajuda a reduzir inchaços, evitar cãibras e prevenir a trombose

 

Muitas vezes esquecida nos treinos, a panturrilha exerce função vital para a circulação e vai muito além da estética. Conhecida como o “segundo coração” do corpo humano, ela atua como uma bomba que ajuda a impulsionar o sangue de volta ao peito, podendo ser decisiva na prevenção de varizes, trombose e até problemas cardiovasculares. A professora de Educação Física do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Leandra Batista, revela os impactos dessa musculatura sobre a circulação sanguínea e a saúde vascular. 

Segundo Leandra, não fortalecer a musculatura da panturrilha pode gerar consequências que vão muito além do desconforto estético. Entre elas, a insuficiência venosa periférica, edemas nos pés e tornozelos, sensação de peso nas pernas ao final do dia e até maior risco de varizes e trombose venosa profunda. A imobilidade prolongada em viagens, longos períodos sentado ou hospitalização intensificam esse risco. “Uma panturrilha ativa diminui o inchaço, reduz cãibras noturnas e contribui diretamente para a saúde vascular”, ressalta a professora. 

Se engana quem pensa que trabalhar a panturrilha interessa apenas a atletas ou fisiculturistas. De acordo com a professora de Educação Física do CEUB, o fortalecimento dessa musculatura é fundamental para trabalhadores sedentários ou que permanecem horas em pé, e para idosos, que sofrem com a perda natural de massa muscular. “Trata-se de um cuidado que garante autonomia, equilíbrio e previne quedas, além de proteger contra problemas circulatórios”, explica.
 

Como fortalecer?

A panturrilha é formada em grande parte por fibras de contração lenta, resistentes à fadiga, ideais para atividades de longa duração, como caminhar. Por isso, caminhar apenas não é suficiente para garantir hipertrofia. “Para fortalecer de verdade, é preciso incluir exercícios com maior intensidade, amplitude de movimento e, em alguns casos, sobrecarga. A orientação de um profissional faz toda a diferença para adaptar o treino a cada pessoa”, recomenda Leandra. 

O fortalecimento pode ser feito de forma segura e eficiente com exercícios simples de elevação de calcanhar, realizados em pé, sentado ou em aparelhos específicos de academia. A especialista recomenda atenção ao controle do movimento, sobretudo na fase de descida. “Além dos treinos, hábitos cotidianos ajudam a ativar a chamada “bomba da panturrilha”, como caminhar alguns minutos a cada hora, realizar pequenas elevações na ponta dos pés durante o dia e elevar as pernas acima do coração ao final da jornada”, acrescenta a docente do CEUB. 

Acrescente exercícios à sua rotina ou ao seu treino:


Elevação de calcanhar em pé

Fique de pé, apoie-se em uma parede ou cadeira, e suba na ponta dos pés. Segure 2 segundos e desça devagar. Repita 3 séries de 15 a 20 repetições.


Elevação de calcanhar sentado

Sente-se em uma cadeira, apoie os pés no chão e levante apenas os calcanhares, mantendo as pontas dos pés fixas. Ideal para trabalhar o músculo sóleo, profundo e essencial para resistência.


Degrau ou step

Faça o movimento de subir na ponta dos pés em cima de um degrau, deixando o calcanhar descer bem antes de subir novamente. Esse alongamento extra dá mais eficiência ao exercício.


Leg press

Na posição de leg press, empurre a plataforma apenas com a ponta dos pés, levantando e abaixando os calcanhares. Excelente para ganhar força com sobrecarga controlada.


Mês da Criança: Acidentes em cama elástica podem causar fraturas e lesões graves

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Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico destaca principais riscos do brinquedo e reforça medidas de segurança

 

O Dia das Crianças, comemorado em 12 de outubro, é sinônimo de alegria, presentes e muita diversão. Nessa data, famílias se reúnem para proporcionar momentos especiais aos pequenos, com brincadeiras que vão de parques a festas temáticas. Entre os brinquedos mais procurados está a cama elástica, mas apesar de parecer inofensiva, pular no equipamento é considerado uma atividade de risco pela Academia Americana de Pediatria. 

No início de setembro, Manu Tralli, filha de Ticiane Pinheiro e Cesar Tralli, torceu o pé esquerdo enquanto se divertia em uma cama elástica. Em 2023, um menino de 6 anos morreu em um acidente no brinquedo, na cidade de Votuporanga (SP). Em uma brincadeira no pula-pula com outras crianças, ele caiu, fraturou quatro costelas, sofreu lesões no peito e no braço esquerdo e foi levado imediatamente ao hospital. A criança passou por cirurgia e ficou cinco dias internada, mas não resistiu. 

Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS, na sigla em inglês), 90% dos acidentes em pula-pula envolvem crianças, normalmente, com idades entre 5 e 14 anos. Desse total, três quartos acontecem quando duas ou mais pessoas usam o trampolim ao mesmo tempo. Embora a maioria das lesões ocorram quando as crianças não estão sendo supervisionadas, muitas também ocorrem mesmo quando um adulto está presente, ressalta a AAOS em documento. 

“Os acidentes mais frequentes envolvem fraturas em braços e pernas, além de entorses e escoriações, que geralmente têm boa recuperação. Mas em situações mais graves, podem ser fatais ou deixar sequelas permanentes”, fala o presidente da Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO), Dr. Robinson Pires. 

O médico ressalta que bebês e crianças com menos de 6 anos não devem utilizar a cama elástica. A estrutura óssea e muscular nessa fase ainda é frágil, o que aumenta o risco de fraturas e traumas graves. “Nessa faixa etária, qualquer impacto mais brusco pode ter consequências sérias. Por isso, não é recomendada a participação dos pequenos nesse equipamento”.

 

Brincadeira em segurança 

A supervisão constante de um adulto é indispensável. Outro ponto importante é permitir que apenas uma criança brinque por vez, já que quando duas ou mais sobem ao mesmo tempo, os movimentos acabam interferindo uns nos outros e aumentando a chance de colisões e quedas. 

Acrobacias e saltos mortais devem ser terminantemente proibidos. “Cambalhotas, piruetas e outros movimentos de risco podem gerar lesões graves na coluna cervical, com sequelas permanentes. A orientação dos pais precisa ser firme nesse sentido”, reforça o ortopedista. 

A posição durante a brincadeira também faz diferença. A criança deve ser orientada a saltar sempre no centro da cama elástica, evitando bordas e extremidades. Na hora de entrar ou sair, o recomendado é subir e descer devagar, sempre pela escada. 

Outro cuidado é não permitir que as crianças entrem no trampolim com objetos nas mãos, como brinquedos, garrafas ou acessórios, e evitar que passem por baixo da estrutura durante o uso. 

A segurança também depende da qualidade do equipamento. “É fundamental verificar se a cama elástica possui rede de proteção e almofadas cobrindo molas e ganchos, e, principalmente, se essas estruturas estão em bom estado”, alerta Pires. 

A escolha do local é mais um ponto importante. A cama elástica deve ser instalada em espaço amplo, distante de árvores, muros e paredes. O ideal é posicioná-lo sobre gramado ou areia, de preferência com colchões de proteção ao redor. 

“O objetivo não é proibir a diversão, mas lembrar que ela só é completa quando acontece com segurança”, conclui o médico.

  


Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (TRAUMA)


Nutrição infantil e aprendizagem: por que a alimentação é tão importante quanto o currículo

Imagem gerada com auxílio de IA
Pesquisas apontam que hábitos alimentares equilibrados impactam diretamente no desempenho escolar e na saúde emocional das crianças. Escolas já começam a incluir a nutrição como parte do projeto pedagógico. 



“Cérebro bem alimentado é cérebro que aprende melhor.” A frase, que costuma ser repetida entre nutricionistas e educadores, ganha cada vez mais respaldo científico. Um estudo da Harvard T.H. Chan School of Public Health, por exemplo, mostrou que crianças que consomem regularmente frutas, vegetais e proteínas magras apresentam níveis mais altos de atenção e desempenho cognitivo em comparação às que têm dietas ultraprocessadas. 

No Brasil, uma revisão realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) aponta que o estado nutricional exerce influência direta sobre o rendimento escolar: tanto a desnutrição quanto o excesso de peso estão associados a dificuldades de atenção, memória e raciocínio, comprometendo o aprendizado. Em um mundo onde os desafios de concentração e ansiedade são cada vez mais comuns entre estudantes, olhar para o prato passa a ser tão importante quanto olhar para os livros. 

De olho nesse movimento, escolas já começam a investir em projetos de nutrição integrados ao currículo pedagógico. Um exemplo é a Start Anglo Bilingual School, que inicia suas operações no Rio de Janeiro em fevereiro de 2026 com a proposta de unir alta performance acadêmica, bem-estar e saúde. A instituição firmou parceria com a Sanutrim e conta com a curadoria da nutricionista Cynthia Howlett, referência nacional em nutrição infantil, para oferecer refeições orgânicas e balanceadas no dia a dia escolar. 

“Educação e saúde caminham juntas. Se queremos alunos atentos, produtivos e emocionalmente equilibrados, precisamos cuidar do que eles comem, do sono e da atividade física. Alimentação saudável não é detalhe, é base para o desenvolvimento integral”, destaca Kassula Corrêa, diretora regional da Start Anglo Bilingual School no Rio. 

A proposta vai além de oferecer refeições orgânicas e balanceadas. A escola prevê incluir a educação alimentar no currículo, estimulando desde cedo a consciência sobre escolhas nutricionais, sustentabilidade e autocuidado. A ideia é que a criança não apenas se alimente bem dentro da escola, mas também desenvolva hábitos para a vida toda. 

Diversos especialistas reforçam a importância desse caminho. Organismos internacionais de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), orientam que crianças tenham uma dieta baseada em alimentos in natura e minimamente processados, fundamentais para o crescimento saudável e a prevenção de doenças. Pesquisas também apontam efeitos diretos sobre a aprendizagem: um estudo da University of Leeds, no Reino Unido, publicado em Frontiers in Public Health, mostrou que estudantes que frequentemente pulavam o café da manhã tiveram notas significativamente mais baixas nos exames nacionais (GCSE), uma diferença média de quase duas notas em relação aos colegas que faziam a refeição regularmente. 

Para Kassula, o desafio da educação do século XXI não é apenas preparar para provas, mas para a vida. 

“Estamos falando de formar crianças com múltiplas competências, prontas para encarar um mundo que muda todos os dias. Se queremos alta performance acadêmica, precisamos garantir antes um corpo e uma mente nutridos, descansados e saudáveis”, completa.
 

6 benefícios de uma alimentação equilibrada para crianças

  • Mais foco e concentração: refeições balanceadas evitam picos de glicose, que causam dispersão.
  • Melhor desempenho acadêmico: estudos mostram que café da manhã saudável aumenta em até 100% as chances de notas acima da média.
  • Desenvolvimento cognitivo: nutrientes como ferro, zinco e ômega-3 estão ligados à memória e à aprendizagem.
  • Redução da ansiedade e irritabilidade: alimentos ricos em triptofano, por exemplo, favorecem a produção de serotonina.
  • Fortalecimento do sistema imunológico: crianças bem nutridas adoecem menos e faltam menos às aulas.
  • Formação de hábitos para a vida: escolhas alimentares conscientes na infância se refletem na saúde adulta.

Mais do que refeições no cardápio, é importante apostar em uma visão integral de aprendizagem, na qual nutrição, bem-estar e tecnologia caminham lado a lado. Afinal, como resumem educadores e médicos, não existe futuro brilhante com uma base frágil, e essa base começa no prato.

 

Start Anglo Bilingual School

 

Casos de intoxicação por metanol acendem alerta para necessidade de investimentos em inteligência e fiscalização

 

Para o Anffa Sindical, falta de estrutura e de recursos humanos fragiliza o combate a crimes que colocam em risco a saúde da população

 

Casos recentes de intoxicação por metanol após ingestão de bebidas alcoólicas nos estados de São Paulo e Pernambuco acendem um alerta para a necessidade urgente de investimentos em recursos humanos e estrutura voltados às ações de inteligência no combate a crimes envolvendo produtos de origem animal e vegetal, incluindo bebidas e alimentos, que colocam em risco a saúde da população. Diversas ocorrências foram confirmadas, mais de 15 estão em investigação e cinco pessoas já morreram em decorrência da ingestão da substância altamente tóxica.

Casos de intoxicação acendem um alerta para a necessidade
urgente de investimentos voltados às ações de inteligência
contra crimes envolvendo alimentos e bebidas
Foto: Reprodução

As investigações apontam que falsificadores “batizavam” bebidas como gin e vodca de marcas conhecidas com metanol, que posteriormente eram comercializadas e consumidas pelas vítimas. Até o momento, não há informações sobre em qual etapa da produção ou distribuição ocorreu a adulteração, nem quem seriam os responsáveis ou se outros destilados também foram comprometidos. 

Até seis horas após a ingestão, a pessoa intoxicada pode apresentar dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão arterial baixa. Até 24 horas após a ingestão, a lista de sintomas inclui visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões e coma. Em casos mais graves, o paciente pode evoluir para cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal, necrose de gânglios, tremor, rigidez, lentidão dos movimentos e chegar ao óbito. Assim, recomenda-se a assistência médica imediata. 

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) destaca que as bebidas regulares possuem registro e são fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), portanto é imprescindível verificar a procedência dos itens consumidos. Já os casos de intoxicação envolvem produtos irregulares, fruto de práticas criminosas e que, por isso, estão sob investigação policial. 

Por conta disso, para o Anffa Sindical, o episódio reforça a importância de ampliar as ferramentas de inteligência no enfrentamento a práticas criminosas que atentam contra a saúde pública e só podem ser combatidas com estrutura e servidores em número adequado. O presidente, Janus Pablo Macedo, destaca a atuação do Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais (Vigifronteira), conduzido pelos auditores fiscais federais agropecuários que, em articulação com forças policiais, já apreendeu mais de 500 mil litros de bebidas irregulares desde 2020. 

“O trabalho de fiscalização é estratégico para impedir a entrada e a circulação de produtos irregulares no País. Os profissionais que atuam no Vigifronteira têm como foco a repressão de ilícitos. Mas o avanço desse tipo de crime só poderá ser combatido com investimentos adequados em inteligência, tecnologia e, principalmente, na recomposição dos nossos quadros de servidores. Sem isso, a saúde pública continuará exposta”, afirma o presidente do Anffa Sindical. 

Ele ressalta ainda que os riscos não se limitam às bebidas adulteradas: diferentes modalidades de fraude envolvendo produtos estão presentes em todo o País, o que exige estratégias articuladas de fiscalização e repressão. Nesta lista, incluem-se também alimentos e medicamentos de uso veterinário. 

O Anffa Sindical lamenta profundamente as vítimas do episódio em São Paulo e em Pernambuco, defende a continuidade das investigações e cobra punição rigorosa aos responsáveis. O sindicato ainda reforça que somente com ações firmes, articuladas e estruturadas será possível proteger a saúde da população e evitar novas tragédias.


Acidentes com as mãos na infância são um alerta para pais e cuidadores

 Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão alerta que quedas, cortes e dedos presos estão entre os acidentes mais comuns, e reforça a importância da supervisão constante 

 

O Dia das Crianças, comemorado em 12 de outubro, é uma data para celebrar a infância e lembrar que, nessa fase cheia de curiosidade e descobertas, as mãos são o principal instrumento para explorar o mundo. Brincadeiras no parque, na escola ou em casa fazem parte do crescimento, mas também expõem os pequenos a acidentes. Entre os mais comuns, estão dedos presos em portas, janelas, gavetas e portões; cortes com objetos cortantes ou brinquedos quebrados; quedas de brinquedos que causam fraturas e queimaduras ao tocar em panelas, tomadas ou líquidos quentes.

Pais e cuidadores devem ficar atentos aos ambientes onde as crianças brincam, ressalta o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Dr. Rui Barros. “Situações comuns do dia a dia podem causar acidentes graves. Portas sem trava, brinquedos em mau estado de conservação ou quedas em parquinhos são alguns exemplos que podem resultar em fraturas, cortes profundos e até amputações. A prevenção começa com supervisão constante e ambientes seguros”, afirma.

Um caso que ilustra bem esse risco aconteceu em agosto de 2022, quando uma menina de 8 anos perdeu parte do dedo ao brincar em um “gira-gira” em uma escola municipal de São Paulo. O brinquedo estava em mau estado de conservação, travado com um pino de metal e cadeado improvisados, segundo os autos. Enquanto brincava, a menina introduziu o dedo em um dos orifícios do equipamento, sem proteção adequada, e sofreu a lesão no dedo. A criança chegou a ser socorrida e encaminhada ao hospital, mas o reimplante não foi possível. Câmeras de segurança registraram que não havia funcionários próximos no momento do acidente. 

“Situações como essa mostram como acidentes aparentemente simples podem ter consequências graves e permanentes. Brinquedos desgastados, pouca supervisão e a curiosidade natural das crianças formam uma combinação que, infelizmente, ainda é comum em escolas, praças e parques de todo o país, reforçando a importância de ambientes seguros e bem cuidados para a infância”, salienta Dr. Rui.

O médico lembra que as mãos merecem atenção redobrada, porque qualquer lesão pode comprometer atividades simples do dia a dia da criança e até influenciar seu desenvolvimento. “Por isso, se ocorrer alguma lesão, o caso deve ser visto com seriedade, pois o atendimento rápido pode evitar sequelas e garantir que elas sigam crescendo e aprendendo sem limitações”, finaliza.

 

SBCM - Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão
Mais informações em Link.


Câncer de Mama em Mulheres Neurodivergentes: Um Alerta do Dr. Matheus Trilico no Outubro Rosa

O mês dedicado à conscientização sobre saúde feminina ganha nova dimensão quando olhamos para as necessidades específicas das mulheres neurodivergentes, um grupo que exige atenção médica diferenciada e ainda enfrenta barreiras significativas no acesso aos cuidados preventivos.



No Brasil, o Censo Demográfico mais recente revelou dados que dimensionam essa urgência: das 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no país, apenas 1 milhão são mulheres, representando 0,9% da população feminina, contra 1,5% entre os homens.

Segundo o Dr. Matheus Trilico, neurologista referência em TEA e TDAH em adultos, esses números brasileiros não apenas confirmam a tendência global de subdiagnóstico feminino, como evidenciam que milhares de mulheres ainda permanecem invisíveis aos sistemas de saúde.



O Desafio do Diagnóstico Tardio

Historicamente, o autismo foi estudado e diagnosticado com base em apresentações masculinas, criando critérios que frequentemente não capturam as manifestações femininas da condição.

“Mulheres autistas desenvolvem estratégias de camuflagem social mais sofisticadas, mascarando sintomas e atrasando identificação diagnóstica muitas vezes por décadas. Essa lacuna diagnóstica se reflete diretamente na saúde preventiva”, reforça o neurologista.

Estudos internacionais demonstram que mulheres neurodivergentes apresentam maiores taxas de ansiedade, depressão e condições físicas como síndrome do intestino irritável e distúrbios autoimunes.
“Pesquisas já evidenciaram que mulheres autistas têm probabilidade significativamente maior de desenvolver condições ginecológicas complexas, incluindo irregularidades menstruais e complicações reprodutivas”, informa o Dr. Trilico.



Barreiras Sistêmicas no Acesso à Saúde

Mulheres no espectro apresentam 70% menos adesão a mamografias preventivas comparadas à população geral, segundo pesquisas recentes. Os dados alarmantes revelam uma lacuna crítica no cuidado preventivo de uma população já vulnerabilizada pela falta de diagnósticos adequados.

Com 1 milhão de mulheres brasileiras já diagnosticadas com TEA, e considerando as que ainda não foram identificadas, torna-se evidente a necessidade de adaptar nossos protocolos de saúde feminina.

“As dificuldades sensoriais comuns no autismo, como hipersensibilidade ao toque, ruídos ou iluminação, podem transformar exames de rotina como mamografias e papanicolau em experiências traumáticas quando realizados sem adaptações adequadas”, enfatiza o médico.

Estudos internacionais identificam os principais obstáculos: hipersensibilidade sensorial aos equipamentos, dificuldades na comunicação com profissionais de saúde, ansiedade extrema em ambientes médicos e falta de protocolos adaptados.

"Uma mamografia pode ser uma experiência traumática para uma mulher autista devido à compressão das mamas, aos ruídos do equipamento e à necessidade de permanecer imóvel. Sem adaptações simples, estamos excluindo essas mulheres do cuidado preventivo", explica Dr. Matheus.

A comunicação também representa barreira significativa. Mulheres autistas frequentemente encontram desafios para expressar desconfortos físicos ou interpretar sinais corporais, podendo subestimar sintomas importantes ou ter dificuldades para descrever precisamente suas queixas aos profissionais de saúde.



Protocolos Adaptados: Uma Necessidade Urgente

A implementação de protocolos específicos para mulheres neurodivergentes durante o Outubro Rosa não é apenas recomendável:  é imperativa.

Dr. Matheus Trilico orienta que ambientes com iluminação suave, redução de ruídos, tempo estendido para consultas e comunicação clara sobre cada etapa dos procedimentos podem transformar a experiência de cuidados preventivos.

Profissionais de saúde precisam ser treinados para reconhecer apresentações atípicas de sintomas e compreender as particularidades comunicacionais dessas pacientes.

“A abordagem centrada na pessoa, considerando suas necessidades sensoriais e comunicacionais específicas, pode significar a diferença entre o acesso efetivo aos cuidados preventivos e o abandono do acompanhamento médico”, alerta o médico.



Um Chamado à Ação

Os dados do IBGE revelam que temos uma população significativa de mulheres neurodivergentes que merece cuidados de saúde equitativos e acessíveis. O Outubro Rosa de 2024 deve marcar o início de uma nova era na saúde feminina – uma que reconheça e atenda às necessidades específicas de todas as mulheres, incluindo aquelas cujos cérebros funcionam de maneira diferente.

“A conscientização sobre câncer de mama e saúde feminina só será verdadeiramente inclusiva quando considerarmos as barreiras enfrentadas por mulheres neurodivergentes”, destaca o Dr. Trilico.
Investir em protocolos adaptados e capacitação profissional não é apenas uma questão de inclusão: é uma questão de justiça em saúde pública.

É hora de transformar o cuidado médico para que nenhuma mulher seja deixada para trás, independentemente de como seu cérebro processa o mundo ao seu redor.

 


Dr. Matheus Luis Castelan Trilico - CRM 35805PR, RQE 24818. Médico pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR; Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista.


Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/


Dia Mundial da Saúde Mental (10/10): os impasses entre masculino e feminino

Psicanalista e escritora, Maria Homem oferece reflexões fundamentais sobre como as construções de gênero impactam diretamente o bem-estar emocional. 

 

No Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro, a psicanalista e escritora Maria Homem pode contribuir com reflexões fundamentais sobre como as construções de gênero impactam diretamente o bem-estar emocional. 

Autora de Coisa de Menina? e Coisa de Menino?, ela analisa como símbolos, mitos e expectativas sociais moldam o que entendemos como masculinidade e feminilidade, e como esses modelos podem se tornar fonte de sofrimento psíquico.

Entre os temas que Maria Homem pode abordar em entrevistas, estão:

 

  • Pressão por corresponder a padrões de gênero: como meninos e meninas crescem com expectativas diferentes que afetam autoestima, relações e escolhas de vida.
  • O impacto cultural na saúde mental: como as marcas históricas que associaram força e racionalidade ao masculino, e docilidade e cuidado ao feminino, ainda reverberam em nossos modos de existir.
  • Família, escola e redes sociais: os espaços onde esses modelos são reforçados ou questionados, e como isso incide sobre a subjetividade.
  • Novas masculinidades e feminismos: possibilidades de repensar identidades, reduzir sofrimentos e abrir caminhos mais livres e plurais.
  • Infância e adolescência em crise: de que forma as contradições culturais pesam sobre a saúde mental dos mais jovens.

No momento em que o mundo discute saúde mental, refletir sobre as fronteiras entre masculino e feminino é, também, debater sobre o quanto a cultura pode ser tanto um peso quanto uma possibilidade de libertação.

 

Preservação da fertilidade antes do tratamento oncológico: o alerta pouco discutido no Outubro Rosa

Imagem ilustrativa
 reprodução criada por inteligência artificial
Especialistas reforçam a importância de discutir opções de preservação logo após o diagnóstico, sem atrasar o início do tratamento

 


Durante o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, especialistas chamam atenção para um tema ainda pouco debatido: a necessidade de orientar mulheres sobre os impactos do tratamento oncológico na fertilidade antes mesmo de seu início.

Segundo Mariane Cristina Carlucci Molina Félix, enfermeira gestora da unidade ENNE Medicina Reprodutiva - Grupo Nilo Frantz Medicina Reprodutiva e Mestre em enfermagem com o tema Oncofertilidade, muitas pacientes só descobrem os riscos tardiamente. “O problema é que a discussão sobre fertilidade costuma aparecer no pós-tratamento, quando muitas vezes já não há mais o que fazer. Essa conversa precisa estar presente desde o diagnóstico, para que a paciente possa decidir, de forma consciente e informada, se deseja congelar óvulos, embriões ou adotar outras estratégias de preservação.”

O pré-tratamento é considerado o momento-chave para tomar decisões que podem mudar a vida dessas mulheres. Hoje, protocolos já permitem iniciar o estímulo ovariano em qualquer fase do ciclo menstrual, sem necessidade de esperar a menstruação. “Isso derruba uma das principais barreiras apontadas por equipes oncológicas: o medo de atrasar o início do tratamento oncológico. O protocolo de estimulação leva, em média, de 10 a 12 dias, é adaptado à condição clínica de cada paciente e pode ser feito com alternativas seguras de medicação”, destaca Mariane.

O avanço desses protocolos mostra que, quando há integração entre oncologia e reprodução assistida, é possível preservar a fertilidade sem comprometer o tempo sensível do tratamento oncológico. “É um processo ágil, controlado e respaldado por evidências científicas. Quanto mais cedo a paciente é encaminhada, maiores são as chances de oferecer a ela essa possibilidade real de escolha.”

Além do aspecto clínico, a decisão de preservar a fertilidade antes do tratamento tem impacto direto no emocional. Estudos e relatos apontam que mulheres que congelaram óvulos ou embriões antes do tratamento se sentiram mais seguras, esperançosas e motivadas a enfrentar o processo. “Não se trata apenas de oferecer um procedimento, mas de dar esperança e perspectiva de futuro para além da cura”, reforça Mariane.

A especialista lembra ainda que a desinformação pode levar a decisões baseadas em medo ou em falsas premissas. “Há mulheres que ouviram de seus médicos que o tratamento não afetaria a fertilidade e depois descobriram que não conseguiam mais engravidar. Outras acreditaram que não haveria tempo para preservar os óvulos e abriram mão sem sequer consultar uma equipe de reprodução assistida. Nosso papel é garantir que essa paciente tenha todas as informações desde o início e possa escolher baseada em evidências, não em dúvidas.”

Mariane também ressalta que a paciente tem o direito de receber essas informações de forma clara no momento do diagnóstico. “Ela já é informada sobre os efeitos adversos das medicações e do tratamento oncológico, mas a fertilidade costuma ficar de fora. Essa omissão impacta diretamente a autonomia da mulher em planejar seu futuro reprodutivo.”

Outro desafio está no tempo de liberação do tratamento oncológico. Por lei, os planos de saúde têm em média 21 dias úteis para aprovar o início do protocolo, enquanto no SUS o prazo é de aproximadamente 60 dias corridos — ambos frequentemente extrapolados. “Considerando que o tratamento reprodutivo leva em média 12 dias, esses números mostram como o encaminhamento precoce faz diferença no processo, dando chances reais de compatibilizar o tempo entre os dois tratamentos”, explica Mariane.

Mesmo nos casos em que a preservação não é possível antes do tratamento, alternativas como ovodoação e útero de substituição podem permitir que a mulher realize o sonho da maternidade no futuro. “É fundamental que a paciente saiba disso desde o começo, para que tome decisões baseadas em evidências e não em medo ou desinformação”, conclui Mariane.

No Outubro Rosa, a mensagem vai além da prevenção e do diagnóstico precoce: trata-se do direito de cada paciente saber, com clareza, como o tratamento oncológico pode impactar sua fertilidade e quais alternativas existem para preservar o sonho da maternidade.

  

Nilo Medicina Reprodutiva

 

Insegurança alimentar assume nova forma: sobrepeso na primeira infância

 

10,1% das crianças pequenas já sofrem com excesso de peso; nota científica do NCPI traz recomendações para o enfrentamento do problema
 

O Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) acaba de lançar uma nota científica que acende um alerta para o avanço de um novo fenômeno no Brasil: a má nutrição. Embora o país tenha reduzido a fome aguda e saído do mapa da fome da ONU em 2025, cresce a preocupação com a qualidade da alimentação, especialmente na primeira infância (0 a 6 anos). 

Dados reunidos no documento “A nova face da insegurança alimentar na primeira infância: excesso calórico, déficit nutricional e avanço de doenças crônicas” apontam que 10,1% das crianças menores de 5 anos já apresentam excesso de peso. Além disso, 25% das calorias ingeridas por crianças e adolescentes vêm de ultraprocessados. 

Esse quadro evidencia um chamado “paradoxo nutricional”: famílias em situação de insegurança alimentar, inclusive grave, sofrem com maior prevalência de obesidade, já que alimentos ultraprocessados são mais baratos, duráveis e palatáveis, mas pobres em nutrientes e ricos em calorias, gorduras e sódio. 

Nesse cenário, vale ressaltar ainda que as regiões Norte e Nordeste sofrem o dobro da insegurança alimentar em relação ao Sul e Sudeste, evidenciando desigualdades regionais.
 

Riscos para a saúde

Segundo o documento, crianças que enfrentam a má nutrição na primeira infância têm seu crescimento e desenvolvimento prejudicados e correm risco de desenvolver doenças crônicas na idade adulta, como diabetes, hipertensão e cardiopatias isquêmicas.

Para reverter esse cenário NCPI aponta que as políticas públicas devem ser revistas para contemplar não apenas o combate à fome aguda, mas a promoção de uma alimentação adequada e saudável, com quatro eixos estratégicos:

  1. Incentivo à produção e ao acesso a alimentos in natura, como frutas, verduras e legumes.
  2. Educação crítica para alimentação e nutrição, com fortalecimento das ações em escolas e campanhas de conscientização.
  3. Reformulação da cesta básica nacional, incorporando alimentos mais nutritivos, conforme orienta o Guia Alimentar para a População Brasileira.
  4. Monitoramento da insegurança alimentar leve, a fim de antecipar crises e orientar estratégias preventivas.

“É tempo de reconhecer que o maior risco alimentar e nutricional da população brasileira está na qualidade da dieta, e não apenas em sua quantidade. O avanço da má nutrição, ancorado na insegurança alimentar leve, ameaça o futuro das próximas gerações. Para garantir uma vida saudável, as políticas de segurança alimentar devem se tornar também políticas de qualidade nutricional”, comenta Marcia Machado, Professora associada do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará (UFC)
 

 Núcleo Ciência Pela Infância – NCPI


Especialista explica caso recente de peste bubônica nos EUA

 

A peste bubônica, conhecida historicamente como peste negra, voltou ao noticiário após um morador da região da Sierra Nevada, na Califórnia, testar positivo para a doença. Embora seja rara atualmente, a infecção causada pela bactéria Yersinia pestis ainda circula em áreas rurais e semiáridas. A Dra. Alice Del Colletto, professora e coordenadora do curso de Biomedicina da Estácio, explica que a enfermidade permanece um desafio de saúde pública, mas que pode ser controlada com vigilância e tratamento adequado. 

“A doença é causada pela bactéria Yersinia pestis e transmitida principalmente pela picada de pulgas infectadas que vivem em roedores silvestres, como esquilos e ratos de campo. Em regiões rurais e semiáridas, especialmente no oeste norte-americano, esse ciclo natural entre roedores e pulgas mantém o agente infeccioso em circulação. Apesar de potencialmente grave, a infecção tem tratamento eficaz quando diagnosticada precocemente, com antibióticos que reduzem drasticamente o risco de complicações”, afirma a professora. 

O caso norte-americano está sob investigação, e os oficiais de saúde acreditam que a infecção tenha ocorrido durante um acampamento. O paciente pôde se recuperar em casa. Quando tratada rapidamente, a doença apresenta baixos riscos de complicações. 

Segundo a especialista, a presença da peste se explica por fatores ambientais e biológicos. “A persistência da peste na atualidade se explica pela presença de reservatórios naturais da bactéria e pelo contato humano com ambientes onde vivem esses animais, além de fatores ambientais, como mudanças climáticas, que podem influenciar populações de roedores e vetores”, diz. 

“Embora o risco de transmissão entre pessoas seja muito baixo na forma bubônica, a forma pneumônica — mais rara — requer atenção especial, pois pode se espalhar por gotículas respiratórias. Casos isolados, como o recente, reforçam a importância da vigilância epidemiológica, da orientação à população sobre prevenção e do acesso rápido a diagnóstico e tratamento, garantindo que o risco para a sociedade permaneça mínimo”, conclui.

 

Estácio
estacio.br


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