Copom e Federal Reserve devem manter taxas, enquanto mercado busca sinais sobre o início dos cortes ao longo de 2026
A
chamada Super Quarta-feira promete ser decisiva para os rumos
dos mercados financeiros, com decisões de política monetária tanto no Brasil
quanto nos Estados Unidos. Nesta quarta, o Comitê de Política Monetária
(Copom), do Banco Central, e o Federal Reserve (Fed)
anunciam suas decisões sobre juros.
No
Brasil, a expectativa predominante é de manutenção da taxa Selic,
atualmente em 15%. Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em
investimentos, o cenário ainda exige prudência. “Minha
expectativa é de manutenção, segundo o último Boletim Focus a projeção para o
IPCA de 2026 subiu levemente para 4,02%. Como a meta central é de 3%, o Banco
Central precisa manter o remédio forte, juros alto, para evitar que os preços
subam mais. Ainda existe uma preocupação com os gastos públicos. Provavelmente
os juros só caiam em março”, afirma.
A
avaliação é semelhante à de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da
Forum Investimentos. Ele destaca que o ambiente econômico ainda não permite uma
flexibilização imediata. “Esperamos manutenção da taxa básica de juros na
reunião desta semana, em linha com o que já é amplamente esperado pelo mercado.
A atividade econômica relativamente forte, e o mercado de trabalho ainda em
condições de pouca ociosidade, combinado a uma inflação de serviços resiliente
e à dificuldade do BCB em fazer convergir às expectativas reforçam essa visão.
Esperamos o primeiro corte de juros na reunião de abril”, diz.
Na
mesma linha, Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital,
avalia que o Banco Central deve evitar qualquer sinalização precipitada. Ainda
assim, Bolzan acredita que o comunicado pode trazer pistas importantes: “A gente
espera que flexibilize o comunicado e dê pistas que deve começar corte de
juros. Nosso cenário são cortes nesse ano terminando em 12% a Selic no fim do
ano. Para o ano que vem, deve chegar a 10,5%”.
Com os
juros elevados, o impacto direto é sentido nas estratégias de investimento.
Patzlaff destaca que o atual patamar favorece aplicações conservadoras. “Enquanto a
taxa não cai, o investidor brasileiro vive um cenário de juros reais alto, e é
momento de aproveitar a boa rentabilidade sem precisar correr tanto risco. Com
a taxa em 15% os investimentos pós fixados como, Tesouro Selic e CDBs de
Liquidez Diária estão rendendo muito bem”, afirma. Ele também
chama atenção para os benefícios tributários: “LCIs e LCAs são isentas, o que
pode dar um benefício maior para o curto prazo comparando com CDBs que tem IR
regressivo”.
Para
horizontes mais longos, o especialista reforça o papel dos títulos indexados à
inflação. “Para quem pensa no longo prazo os títulos que pagam Inflação + uma taxa
pré, os famosos IPCA+ são excelentes, garantem que seu poder de compra seja
mantido”, diz, lembrando que é fundamental observar o risco dos
emissores e os limites do FGC.
Bruno
Perri também vê os pós-fixados como protagonistas no atual cenário. “Seguem
atrativos os pós-fixados, com juros reais implícitos elevados. E devem seguir
assim, mesmo após os cortes, uma vez que esperamos um piso elevado para o ciclo
de cortes porvir e, eventualmente, por período prolongado, a depender da
sinalização de política fiscal pós-eleições”, afirma.
Já
Marcelo Bolzan explica que, apesar do foco atual em renda fixa, as carteiras
vêm passando por ajustes. “Nas carteiras de investimento, temos privilegiado
renda fixa. Está muito claro que os juros vão cair. E diante desse cenário, CDI
vai render menos. Então estamos reduzindo parcela do CDI e aumentando
estratégias em inflação e prefixados”, afirma.
Nos
Estados Unidos, o foco da Super Quarta também está na decisão do Federal
Reserve, que deve manter os juros. Para Patzlaff, a economia americana ainda
demonstra força suficiente para sustentar esse patamar. “Para o FED
a expectativa também é de pausa, mantendo os juros. O PIB americano foi
revisado para cima, o que mostra que a economia deles está aguentando bem os
juros altos. O Fed já fez cortes no final de 2025 e agora quer observar o
efeito desses cortes antes de dar o próximo passo”, avalia.
Bruno
Perri reforça essa leitura cautelosa. “Esperamos manutenção. Após o corte na última
reunião, a autoridade monetária norte-americana se colocou em modo
data-dependent e, por ora, dados mais recentes ainda não sancionam a retomada
dos cortes por lá. É provável vermos a retomada dos cortes na reunião de abril
ou junho”, diz.
Com
juros elevados nos EUA, surgem oportunidades específicas para investidores.
Patzlaff aponta alternativas na renda fixa americana. “Para
investir nos EUA com os juros mantido, o investidor pode escolher Treasury
Bills (T-Bills), que são os títulos públicos americanos de curto prazo. Bonds
de grandes empresas, como se fosse uma debênture no Brasil, que emitem dívidas
que pagam boas taxas”, afirma. Ele também destaca que o cenário
pode favorecer ações, especialmente de tecnologia, e reforça a importância da
diversificação: “A dica de ouro é não colocar todos os ovos na mesma
cesta, o cenário de 2026 pede paciência, acompanhamento e diversificação
principalmente de risco”.
Na
visão de Bruno Perri, a renda fixa segue sendo um pilar importante no exterior.
“Nos EUA, seguimos vendo algumas alternativas interessantes nas rendas
fixas, através de fundos ou via posição direta em bonds com vencimentos
intermediários”, afirma. Para ativos de risco, ele pondera que
o momento exige seletividade: “Para ativos de risco, considerando o patamar atual
dos mercados – bastante valorizados -, além de posições estruturais em renda
variável para o longo prazo, enxergamos a exposição através de hedge funds como
taticamente interessante neste momento”.
Com
decisões aguardadas de perto, a Super Quarta reforça a mensagem de cautela que
vem dominando o cenário global: juros ainda elevados, cortes mais à frente e um
ambiente que exige atenção redobrada tanto de investidores quanto dos
formuladores de política monetária.

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