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terça-feira, 5 de agosto de 2025

Agosto dourado: como o cuidado farmacêutico é aliado na amamentação

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a amamentação se inicie na primeira hora de vida do bebê e se prolongue até os dois anos da criança, sendo exclusiva nos primeiros seis meses 


O mês de agosto é marcado pela celebração do Agosto Dourado, uma data que conscientiza sobre a importância da amamentação, que traz benefícios para o bebê e também para as mulheres, reduzindo as chances de sangramento pós-parto; ou de desenvolver anemia, câncer de mama e de ovário, diabetes e infarto.¹ 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é que os bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno até os 6 meses de idade, e que, mesmo após a introdução dos primeiros alimentos sólidos, sigam sendo amamentados até, pelo menos, os 2 anos de idade.¹ 

Mas sabemos que a amamentação pode não ser um momento fácil para todas as mulheres e diversos profissionais de saúde podem auxiliar nesse momento, como é o caso dos farmacêuticos. 

Segundo a farmacêutica da Drogaria da Drogaria São Paulo, rede do Grupo DPSP, Marizene Brito, é comprovado que o leite materno é um alimento completo para bebê, e atua no organismo como uma vacina natural, o nutrindo e protegendo de doenças. 

Marizene explica que na farmácia, o farmacêutico pode atuar orientando a lactante sobre quais medicamentos são ou não indicados para quem está amamentando, além de cuidados na hora de utilizá-los. “Alguns medicamentos, quando ingeridos podem chegar como fragmentos no leite, podendo prejudicar o bebê, causar alergias e quadros mais graves. Por isso, é importante avisar o farmacêutico que está amamentando na hora de comprar um remédio, seja ele para uma simples gripe ou para alguma condição mais severa”, alerta a farmacêutica da Drogaria São Paulo. 

Além disso, o profissional da farmácia pode orientar sobre fórmulas, mamadeiras e outros produtos que auxiliam a amamentação disponíveis nas farmácias. “Uma boa orientação farmacêutica pode prevenir reações adversas, queda na produção de leite e até mesmo intoxicações, sendo esse profissional um aliado nesse momento da vida da mãe e do bebê”, explica a farmacêutica da Drogaria Pacheco, Mayara de Souza.

 

Grupo DPSP
Drogarias Pacheco
Drogaria São Paulo
 

Referências

  1. Ministério da saúde, disponível no link: Link , acesso em 30/07/2025.


Por que perder peso não significa emagrecer?

 

Luta contra a obesidade e o emagrecimento vai além dos números indicados pela balança

 

É comum encontrar pessoas que lutam contra a perda de peso e até têm resultados na balança, mas fisicamente a gordura localizada permanece no corpo. Enquanto o peso corporal total engloba músculos, ossos, líquidos e gordura, emagrecer refere-se especificamente à redução da gordura corporal. Portanto, é possível perder peso eliminando líquidos ou massa muscular, sem que haja uma diminuição significativa da gordura.

Estudos científicos reforçam essa distinção entre perda de peso e emagrecimento. Uma pesquisa publicada no Journal of Obesity & Metabolic Syndrome, em 2020, demonstrou que intervenções focadas apenas na balança podem resultar em perda de massa muscular e líquidos, mas com pouca ou nenhuma redução significativa na gordura corporal.

Segundo o estudo, estratégias de emagrecimento eficazes precisam priorizar a redução da gordura visceral, especialmente a abdominal, em vez da simples queda numérica no peso total. Além da luta contra medidas, essa diferença é essencial para ganhos reais em saúde metabólica no geral e ajuda na prevenção de doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão.

Para além da contagem de calorias e das dietas passageiras, o emagrecimento sustentável exige uma compreensão mais profunda do funcionamento do corpo humano. “Essas células não desaparecem com a perda de peso. Elas apenas encolhem. E se os hábitos inadequados retornarem, elas voltam a se expandir. É por isso que a manutenção do peso exige mudanças contínuas na rotina e acompanhamento com profissionais especializados”, afirma o gastroenterologista e cirurgião geral Mauro Lúcio Jácome, diretor da Clínica Cronos. 

Muito além do que indica a fita métrica, a obesidade é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos maiores problemas de saúde pública do Século XXI. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2023 revelaram que cerca de 22% da população adulta é obesa, enquanto mais da metade, 56,8%, está com excesso de peso.

Ampliando a magnitude, no mundo, a situação é igualmente alarmante. Um relatório da própria OMS de 2022 estimou que mais de 1 bilhão de pessoas convivem com sobrepeso ou obesidade. Isso inclui 650 milhões de adultos, 340 milhões de adolescentes e ainda 39 milhões de crianças.

Contudo, para Dr. Mauro, o desafio, no entanto, vai além da balança. “Perder peso é só o começo. O mais difícil é sustentar a perda. Trata-se de um processo multifatorial e mais complexo, que exige até mesmo acompanhamento contínuo e regularidade nos seus processos. Isso inclui uma equipe multidisciplinar, seja com nutricionista, endocrinologista, psicólogo e até mesmo o educador físico”, completa.

Entretanto, o avanço da medicina tem ampliado as alternativas terapêuticas para pessoas com obesidade. “Procedimentos como a cirurgia bariátrica e a colocação do balão intragástrico são cada vez mais recomendados, especialmente em casos nos quais a reeducação alimentar e a atividade física não geram os resultados necessários. O balão intragástrico, por exemplo, ocupa parte do estômago e contribui para a saciedade precoce. Já a bariátrica, indicada para obesidade grau II com comorbidades ou grau III, promove uma alteração estrutural no trato gastrointestinal com impacto direto na absorção de calorias”, acrescenta o médico.

Seja qual for o caminho, o combate à obesidade exige, portanto, uma abordagem ampla, baseada em evidências científicas, ações de saúde pública e, sobretudo, educação continuada da população. Afinal, como mostram os dados, a gordura pode até diminuir, mas ela permanece à espreita, pronta para voltar se o corpo for negligenciado.

“O ganho de peso não acontece do dia para a noite. O quadro de obesidade é progressivo, baseado no acúmulo de maus hábitos que, por meses e até anos, seguem lineares. O emagrecimento é como se fosse um combate a esse tempo de ganho. O paciente precisa ter paciência, mudar a rotina e levar isso adiante. Sem desanimar. Só assim as células de gordura vão perder seu tamanho e o emagrecimento acontecerá de verdade, tanto na balança quanto no espelho”, finaliza Dr. Mauro.

 

Cinco alimentos proibidos para quem tem Lipedema

 

Doença afeta 12,3% das mulheres brasileiras e não tem cura. A alimentação é parte do tratamento para amenizar sintomas e promover bem-estar 


Milhões de mulheres brasileiras vivem com um diagnóstico que, muitas vezes, demora a ser feito: o lipedema. Trata-se de uma condição crônica e progressiva, que é caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, especialmente nas pernas e braços, e costuma ser confundida com obesidade. A diferença, no entanto, é fundamental: no lipedema, o volume corporal não está ligado ao quanto se come ou se exercita. “Imagine que seu corpo distribui a gordura de forma desigual, independentemente de seus esforços. Essa é a essência do lipedema. Não está relacionado com excesso de calorias ou inatividade”, explica a especialista Dra. Elaine Dias JK, endocrinologista PhD pela USP e metabologista.

Estima-se que 1 em cada 10 mulheres no mundo conviva com o lipedema, uma prevalência que chega a 12,3% no Brasil, segundo dados da Secretaria de Saúde. A doença se manifesta, com mais frequência, em períodos de grandes alterações hormonais, como a puberdade, a gravidez e a menopausa, e pode ser percebida por sintomas como dor ao toque, inchaço persistente, hematomas frequentes e sensação de peso nas pernas.

“O tecido adiposo afetado é diferente da gordura comum, ele é mais sensível e não se desfaz com exercícios ou perda de peso convencional. A identificação do quadro pode ser feita por exames de imagem, como DEXA (densitometria de composição corporal) e bioimpedância”, explica a Dra. Elaine. 

Apesar de não haver cura, os tratamentos disponíveis buscam reduzir os sintomas, melhorar a circulação linfática e a qualidade de vida dos pacientes. A alimentação anti-inflamatória é fundamental. “A chave não está apenas em emagrecer, mas em desinflamar o corpo. Isso significa reduzir os alimentos que inflamam, provocam retenção e aumentam a dor”, enfatiza a Dra. Elaine. Ente eles, a especialista pontua 5 principais e explica os motivos. São eles:

 

Café e cafeína: A cafeína, quando consumida em excesso, estimula a liberação de adrenalina, o que pode piorar os processos inflamatórios e provocar vasoconstrição, ou seja, um estreitamento dos vasos sanguíneos. Esse efeito dificulta a circulação linfática, favorecendo a retenção de líquidos e aumentando a dor. “O ideal é limitar o consumo de café a até três xícaras por dia. A cafeína pode ser um fator agravante para quem já tem sensibilidade nas pernas”, alerta a endocrinologista e metabologista.

 

Bebidas alcoólicas: O álcool atua como um potente inflamatório sistêmico. Ele interfere no metabolismo hepático, prejudicando a circulação e sobrecarregando o sistema linfático, que é responsável pela drenagem de líquidos e toxinas. Isso contribui para o agravamento do inchaço, da dor e do aspecto de irregularidade na pele, o que é uma queixa comum e frequente entre pacientes com lipedema.

                                                   

Açúcar: O consumo frequente de açúcar pode elevar os níveis de insulina no sangue e desencadear um processo conhecido como hiperinsulinemia, que favorece o acúmulo de gordura e a inflamação dos tecidos. Para mulheres com lipedema, especialmente aquelas que já apresentam resistência insulínica, o açúcar atua como combustível para a piora dos sintomas.

 

Glúten: Embora o glúten não seja inflamatório para todas as pessoas, ele pode ser um gatilho para quem tem doenças inflamatórias como lipedema. Ele tende a aumentar a permeabilidade intestinal, um processo que permite a passagem de substâncias tóxicas para a corrente sanguínea, elevando a inflamação sistêmica. “Não sou contra o glúten, mas, é importante reconhecer que em um organismo que já vive em estado inflamatório, ele pode agravar os sintomas”, pontua a Dra. Elaine.

 

Derivados do leite: A caseína, proteína encontrada no leite e em seus derivados, é apontada por diversos estudos como pró-inflamatória em indivíduos sensíveis. Em mulheres com lipedema, seu consumo está relacionado ao aumento da inflamação, da sensibilidade e da retenção hídrica. Mesmo alimentos considerados “saudáveis”, como iogurtes naturais ou queijos artesanais, podem ser prejudiciais para quem vive nesta condição. “É preciso avaliar individualmente, mas, a maioria das pacientes apresenta melhora positiva ao reduzir ou eliminar os laticínios.

A Dra. Elaine reforça que esses cuidados não dizem respeito apenas à aparência física. “Estamos falando questões que vão além da estética. Trata-se de devolver autonomia, leveza e qualidade de vida a pacientes que vivem com dor e desconforto todos os dias. A alimentação é uma das ferramentas mais acessíveis e eficazes para isso”, ressalta a médica PhD pela USP.

Além da alimentação, há outros cuidados que promovem qualidade de vida, como: uso de meias compressivas, drenagens linfáticas manuais, tecnologias como radiofrequência e ondas de choque, além da lipoaspiração especializada, sempre com orientação de profissionais capacitados. 


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Tempo seco exige cuidados redobrados com a saúde das crianças, alerta pediatra

 

Com a chegada do tempo seco, é comum o aumento de queixas respiratórias e problemas dermatológicos, especialmente entre as crianças. A pediatra Mariana Bolonhezi, CEO do Instituto Macabi, faz um alerta para os principais cuidados que as famílias devem adotar nesse período, com foco em hidratação, saúde da pele e prevenção de doenças.


“É muito importante que as crianças fiquem bem hidratadas. Oferecer água com frequência, mesmo que a criança não peça, é essencial para manter o organismo funcionando bem e evitar sintomas respiratórios”, explica Mariana. Além da hidratação oral, a médica também recomenda atenção especial às vias aéreas, que podem ressecar com facilidade.


A umidificação do ambiente é uma aliada importante, mas deve ser feita com cautela. “O ideal é manter a umidade entre 40% e 60%. Acima disso, pode favorecer a proliferação de mofo. Também é fundamental manter o umidificador sempre limpo, para não agravar problemas respiratórios”, orienta.


Outro ponto de atenção é a pele das crianças, que pode sofrer com o ressecamento causado pelo frio e pelos banhos quentes. “Evitar banhos muito quentes e demorados, ou o uso excessivo de sabonetes, ajuda bastante. Em alguns casos, o uso de óleos de banho e hidratantes mais potentes pode ser necessário. É sempre bom conversar com o pediatra para escolher os produtos mais adequados”, ressalta.


De acordo com a especialista, medidas simples, aplicadas no dia a dia, podem fazer toda a diferença para a saúde dos pequenos. “A prevenção é sempre o melhor caminho. Com alguns cuidados, conseguimos atravessar esse período mais seco com mais segurança e conforto para as crianças.”

 

Variações dos níveis de glicose podem indicar gravidade de dano após infarto

Pesquisa avaliou 244 indivíduos atendidos no Hospital São Paulo
Brgfx/Freepik
Resultados de pesquisa mostram que o delta glicêmico está associado à magnitude do ataque cardíaco e à perda de força de contração do coração. O infarto agudo do miocárdio é a maior causa de mortes no Brasil

 

Níveis elevados de glicose podem funcionar como um biomarcador para indicar um pior desfecho em pacientes que tiveram o primeiro infarto agudo do miocárdio, aponta pesquisa realizada por cientistas brasileiros.

O estudo demonstrou que a variabilidade glicêmica, particularmente o delta glicêmico, está associada ao tamanho do infarto e à redução da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE). Essa fração mostra a força de contração do coração – reduzida, leva à insuficiência cardíaca.

Com base em uma amostra de 244 indivíduos atendidos no Hospital São Paulo, o trabalho concluiu que quanto maior o delta glicêmico, pior o dano miocárdico, independentemente de o paciente ter diabetes ou não. O delta é obtido a partir do cálculo da glicemia de admissão – medida na chegada ao hospital – menos a glicemia média estimada dos últimos meses, baseada na hemoglobina glicada obtida por meio de exame de sangue.

Para avaliar a perda de músculo e danos no coração foi realizada ressonância nuclear magnética 30 dias após o infarto. Fazem parte do grupo de estudo cientistas do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), do Instituto Dante Pazzanese, do Hospital Israelita Albert Einstein e da Université Laval (Québec). Os resultados do trabalho foram publicados na revista Diabetology & Metabolic Syndrome.

“Os achados nos surpreenderam e, pelo que pesquisamos na literatura, foram inéditos. Eles abrem uma série de portas para estudarmos mais a fisiopatologia dos pacientes que tiveram infarto do miocárdio”, afirma à Agência FAPESP o cardiologista Henrique Tria Bianco, professor da Unifesp e autor correspondente do artigo.

O trabalho recebeu apoio da FAPESP por meio de um Projeto Temático (12/51692–7), sob orientação do professor da Unifesp Francisco Antonio Fonseca com a participação da pesquisadora Maria Cristina Izar. Ambos também assinam o artigo.

“Por meio de um exame simples, barato e que quase todos os pacientes fazem, que é a hemoglobina glicada para admissão hospitalar, acabamos tendo um biomarcador fácil de se obter e com implicações importantes. Ou seja, o paciente que tem um delta maior apresentará maior massa infartada e vai precisar de uma proteção miocárdica – tanto em relação à glicemia como, por exemplo, ao uso de betabloqueadores – para melhorar o prognóstico”, diz Fonseca.

O infarto agudo do miocárdio é a maior causa de mortes no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se de 300 mil a 400 mil casos anuais, sendo que de cada cinco a sete registros ocorre um óbito. Também conhecido como ataque cardíaco, é caracterizado pela morte de células do músculo do coração por causa da formação de coágulos que interrompem o fluxo sanguíneo de forma súbita e intensa. Entre os sintomas estão dor ou desconforto no peito, podendo irradiar para as costas, rosto e braço (mais comum para o esquerdo). A dor costuma ser intensa e prolongada, acompanhada de sensação de peso ou aperto sobre o tórax, provocando suor, palidez, falta de ar e sensação de desmaio. Para diminuir o risco de morte, o atendimento precisa ser feito nos primeiros minutos.


“Padrão-ouro”

A amostra incluiu pacientes maiores de 18 anos que receberam fibrinolítico (medicamento para dissolver o trombo que está causando infarto) em até seis horas do início dos sintomas. Eles foram atendidos em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) que fazem parte da rede desse tipo de tratamento e depois transferidos para o Hospital São Paulo, da Unifesp. Havia indivíduos com diabetes, com pré-diabetes e sem diabetes.

O tratamento considerado “padrão-ouro” para o infarto inclui, em um primeiro momento, uma angioplastia primária e a indução de fibrinólise.

Entre os submetidos ao tratamento farmacoinvasivo, o delta glicêmico mais alto foi associado a um infarto de maior tamanho e menor FEVE. “Temos agora um caminho a percorrer para validar esses resultados em outras populações e verificar quanto impacta a saúde do paciente”, explica Bianco.

Segundo os pesquisadores, investigações futuras devem elucidar as vias moleculares e os mecanismos celulares envolvidos nesse processo, além de buscar intervenções terapêuticas direcionadas para mitigar os desfechos adversos em populações de alto risco.

Iniciado há dez anos, o estudo analisou ainda dados relacionados à mortalidade dos pacientes. Os resultados serão publicados futuramente.

O artigo Impact of elevated glucose levels on cardiac function in STEMI patients: glucose delta as a prognostic biomarker pode ser lido em https://dmsjournal.biomedcentral.com/articles/10.1186/s13098-025-01738-0.

 

Luciana Constantino

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/variacoes-dos-niveis-de-glicose-podem-indicar-gravidade-de-dano-apos-infarto/55491


Astroturismo: conheça os destinos que oferecem experiências de observação do céu

Observatório Municipal de Campinas, um dos mais antigos do Estado de São Paulo
 divulgação

 

Observatórios universitários, polos astronômicos privados, planetários urbanos e experiências em meio à natureza são opções encontradas no Estado para olhar para o céu. Setur-SP listou alguns destes locais

 

A experiência de observar o céu, conhecer e contemplar constelações e os inúmeros corpos celestes ganha cada vez mais adeptos no país e já é considerada um segmento turístico. Conhecido como astroturismo, a atividade reúne tanto entusiastas quanto experientes a este que segundo a Revista Tendências do Turismo 2025, publicada pelo Ministério do Turismo e pela Embratur, é uma das apostas do setor. 

No estado de São Paulo, esta experiência sensorial, científica e transformadora é somada a cenários de belas paisagens, como de serras, vales, campos e até de trechos preservados de Mata Atlântica. Combinação que torna São Paulo um dos principais destinos brasileiros para os que buscam astroturismo. 

Entre os muitos apaixonados por essa jornada de observação de corpos celestes está Carlos Mariano, professor de Astronomia e diretor do Polo Astronômico de Amparo, referência nacional no segmento. Aos 54 anos, ele recorda com entusiasmo o início da sua paixão pelas estrelas. “Despertei para a Astronomia aos 13 anos, após ler um livro juvenil chamado Os Planetas. Aquilo acendeu algo em mim. Logo comecei a frequentar clubes de astronomia, trabalhar em observatórios e mostrar o céu para o público. Desde os 16 anos, dedico minha vida a isso, promovendo o ensino não formal de astronomia”, conta. 

Carlos ministrou diversas palestras e cursos, sempre com o objetivo de encantar e informar. No Polo Astronômico de Amparo, que hoje dirige, lidera uma equipe empenhada em proporcionar uma verdadeira imersão no universo. O espaço se destaca por unir ciência e natureza em um ambiente com equipamentos modernos, planetário, telescópios potentes e uma paisagem que, à noite, se transforma em pura mágica. 

Quem vive de perto essa experiência confirma o impacto. Marco Antônio, analista de sistemas de 63 anos, é um visitante frequente do Polo e não esconde a emoção de cada visita. “Tenho grande apreço por esse espaço. Observar o céu é sempre algo novo. O contato com a natureza só valoriza ainda mais a experiência. Cada vez que venho, vejo algo diferente: estrelas, constelações, planetas como Saturno e Júpiter em detalhes surreais. É como se o tempo parasse”, relata. Ele destaca ainda o impacto positivo da didática oferecida pelo Polo, especialmente para crianças e escolas. “A experiência no planetário é de arrepiar. E o mais legal é que, além de aprender, a gente se emociona”, completa Marco. 

Seja para aprender sobre o cosmos, para se reconectar com o tempo ou simplesmente para se deslumbrar com a beleza do universo, São Paulo convida os turistas a levantar os olhos e se encantarem com o céu. 

A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) listou os lugares onde são possíveis vivenciar esta experiência. Até o fim de 2025, eclipses, chuvas de meteoros e conjunções planetárias poderão ser observados em território paulista. Programe-se para esta viagem.

 

1.     Brotas – CEU (Centro de Estudos do Universo) 

Um dos principais polos privados de astroturismo do Brasil, o CEU oferece telescópios de última geração, simulações de viagens espaciais, trilhas sensoriais e atividades para todas as idades. À noite, o céu limpo do interior se torna o protagonista em sessões guiadas sob as estrelas.

 

2. Amparo – Polo astronômico 

Com planetário digital, observatório e um forte viés educativo, o espaço promove eventos especiais, sessões de observação e cursos de astronomia para crianças e adultos. Está cercado por natureza e longe das luzes urbanas, ideal para observações profundas.

 

3. Valinhos – Observatório Abrahão de Moraes (USP) 

Referência em astronomia acadêmica e extensão científica, o observatório do IAG-USP abre as portas ao público um final de semana por mês e realiza eventos em datas astronômicas marcantes. Só em julho de 2025, durante o evento de férias, recebeu cerca de 2 mil visitantes.

 

4. Campinas – Observatório Municipal Jean Nicolini 

Um dos mais antigos do Estado, oferece observações noturnas, exposições, trilhas e interação com astrônomos. Próximo a ele está o Museu Aberto de Astronomia, com estruturas ao ar livre e atividades práticas.

 

5. Campinas – Planetários e Iniciativas privadas 

Além do observatório municipal, Campinas abriga dois planetários (um público e um privado), ampliando a oferta de experiências imersivas para escolas e famílias.

 

6. Bauru – Observatório e planetário da Unesp 

Com uma programação constante e totalmente gratuita, o espaço recebe escolas, famílias e visitantes interessados em ciência. O planetário proporciona uma viagem virtual pelo universo, ideal em dias nublados.

 

7. São Paulo – Rede de planetários e o Parque Cientec 

A capital paulista tem três planetários — Ibirapuera, Carmo e Parelheiros — com programações que incluem cursos, sessões educativas e eventos noturnos. O Parque Cientec, na Água Funda, também oferece visitas gratuitas com foco em astronomia.

 

8. Americana – Observatório municipal 

Voltado à divulgação científica, o observatório de Americana realiza sessões regulares e atividades com escolas e curiosos. É um ótimo ponto de parada em roteiros pelo interior.

 

9. Santo André – Sabina Escola parque do conhecimento 

Com um moderno planetário digital, a Sabina une educação e lazer. É ideal para famílias e grupos escolares, oferecendo também simulações e oficinas sobre astronomia.

 

10. Piratininga – Museu do café com céu rural 

Entre trilhas, animais e passeios de cavalo, o Museu do Café de Piratininga também oferece sessões de observação astronômica em ambiente rural, sob agendamento, uma imersão perfeita entre terra e céu.


Mercado de trabalho - 40% das funções vão desaparecer em até quatro anos, diz especialista

A quarta revolução industrial está em curso. O impacto da tecnologia e IA nas profissões ainda não aconteceu por completo, mas profissionais e empresas precisam se preparar. Você está preparado?

 

Uma pesquisa divulgada recentemente pela empresa Robert Half, de recrutamento e seleção, revelou que em 2025 os profissionais mais procurados no Brasil se concentram nas funções de gestão e analistas, em atividades como engenheiro de vendas, analista contábil, desenvolvedor back-end, gerente de marketing e diretor financeiro. Mesmo com salários, principalmente para os cargos de de alta gestão, chegando a mais de R$ 90 mil nos grandes centros brasileiros, a contratação não está fácil. Em Goiás, o mercado pode levar pelo menos seis meses para contratar um profissional para um cargo estratégico, quem explica é o diretor geral do Grupo Soares e diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Goiás (ABRH- GO), Ricardo Sousa. 

Cientista da computação, especialista em gestão de projetos, finanças, estratégia e recursos humanos, Ricardo avalia que o motivo é o cenário de transformações do mercado de trabalho, especialmente as motivadas pela necessidade de qualificação e o avanço da tecnologia. As mudanças, salienta o diretor da ABRH-GO, atingem não só os profissionais de alta gestão como todo o mercado de trabalho. Segundo Sousa, em uma janela de três a quatro anos, 40% das habilidades que hoje são exigidas serão dispensáveis, haverá nossas funções e, por isso, o importante é se preparar até para entender e saber usar os recursos digitais. 

 “O mercado de trabalho ainda não passou pela transformação totalmente. Ele vai passar pela chegada da inteligência artificial, que será responsável pela quarta revolução industrial. E quando falamos em qualificação precisa ser para o agora, com olhos no futuro, pois teremos, inclusive, o surgimento de muitas novas profissões”, destaca ele. 

A informação pode levar, em princípio, a uma preocupação, mas é possível se adequar às mudanças. O especialista observa que atualmente cinco gerações convivem mutuamente no mercado de trabalho e o caminho é que as empresas valorizem as visões e habilidades diferentes para aproveitar o melhor de cada uma. “A nova geração está muito focada no digital, mas temos operações no off e precisamos de pessoas para realizar. Neste sentido, a Inteligência Artificial vai ajudar muito, pois ela vai substituir a mão de obra em algumas atividades operacionais repetidas. Então, vai trazer velocidade ao trabalho”, destaca ele. 


Oportunidade para todas as gerações

Aprender a lidar com a tecnologia é uma necessidade básica e isto é um ponto pacifico entre os recrutadores. Porém, engana-se quem pensa que lidar com a IA depende unicamente de entender sobre softwares, algorítmos e outras habilidades de quem atua com o desenvolvimento em tecnologia.  Ricardo Sousa observa o uso da IA, na prática depende de se ter repertório e entender os processos da empresa para dar comandos assertivos para ferramenta e, neste quesito, as gerações mais maduras têm maior repertório e experiência para a utilizarem, enquanto as gerações mais novas, mais imediatistas não a desenvolveram ainda.

 “A IA é literal, ela entende o que você escreve exatamente, então para que você possa conduzir a inteligência artificial a trazer as melhores soluções, você precisa saber como pedir e ter repertório para isso”, explica. 

O desafio para as novas gerações, que são mais tecnológicas, será desenvolver a capacidade de pensamento estratégico, criativo e crítico. “Os problemas operacionais a IA vai resolver, e os profissionais precisarão contribuir com a habilidade na resolução de problemas complexos. Precisarão também desenvolver a capacidade de lidar com incerteza e com ambiguidade, porque o mundo cada vez mais vai ser volátil. Portanto, conhecimento no varejo, em logística, na área financeira, contábil e fiscal, serão fundamentais para ampliar os horizontes profissionais, principalmente para os que desejam ocupar cargos de liderança, que demanda conhecimento em várias áreas”, orienta. 


Como as empresas estão se preparando

Ricardo informa que o Grupo Soares é um exemplo de como as transformações estão acontecendo na prática. A holding está estruturando todos seus processos e investindo em busca de novas tecnologias que irão subsidiar sua atuação em um cenário de novos e grandes desafios. 

“Aqui no Grupo Soares temos algumas etapas para cumprir a fim de tornar a holding uma empresa totalmente conectada e tecnológica. A primeira, que está sendo feita agora, é a etapa de otimização de todos os sistemas da operação, instalando novos softwares que facilitam a gestão e análise de dados em toda a holding, desde a parte de venda de materiais de construção na Irmãos Soares, atá na nossa empresa de agronegócio, por exemplo”, destacou ele.  

Segundo ele, nesse momento a empresa também já trabalha, simultaneamente, o Business Intelligence (BI). “Estamos trazendo o BI para todas as operações, padronizando a comunicação, padronizando o formato, gerando informação estratégica para toda a alta administração, já com olhos no futuro próximo”, explica. 

Segundo o diretor geral do Grupo Soares, a IA é uma terceira etapa, que inclusive já está sendo estudada, junto com o investimento que a empresa está fazendo na busca por startups, que tem sinergia com as atividades do Grupo e irão ser adquiridas para subsidiar essa transformação total na empresa para a quarta revolução industrial.  “Para dar um passo já consolidado, lançamos recentemente um fundo de investimento Venture Capital, que terá a gestão do Bossa Invest, por meio do qual estamos levantando fundos para realizar esse investimento”, ressalta ele, destacando que essa fase de preparação vai garantir que a empresa consiga se adaptar e crescer mesmo em meio a tantas mudanças e inovações, garantindo assim, também, um espaço atrativo para o desenvolvimento de carreiras de grandes profissionais. 


Agosto acelera seleção de estágios e trainees: como se preparar para começar com o pé direito

Com vagas abertas em diversas empresas do país, agosto marca a largada para os programas de contratação; especialista Infojobs explica como garantir seu lugar nessas oportunidades

 

A chamada “alta temporada” dos programas de estágio e trainee — período em que dezenas de empresas brasileiras iniciam processos seletivos intensos para atrair talentos que começarão a atuar ainda neste segundo semestre ou no início de 2026 — tem início no próximo mês. No Infojobs, por exemplo, em julho, são mais de 3.800 anúncios de vagas de estágio e mil anúncios de vagas trainee.

Nesse cenário competitivo, a preparação estruturada não é diferencial — é requisito. “Ter clareza de propósito, preparo técnico e comportamental faz com que o profissional apareça como um candidato qualificado para a vaga — não apenas como um currículo bem apresentado”, afirma Patrícia Suzuki, CHRO do Redarbor, grupo detentor do Infojobs, site de empregos mais usado no país.

Para a executiva, o primeiro passo é o autoconhecimento. “Conhecer suas motivações, objetivos, pontos fortes,oportunidades de desenvolvimento e o tipo de empresa que se alinha ao seu perfil é fundamental para fazer as escolhas certas durante o processo seletivo — e comunicar isso de forma coerente nas entrevistas, mesmo quando não se tem experiências anteriores” e continua, “Essa reflexão também ajuda o profissional a identificar onde realmente pode se destacar e contribuir, evitando candidaturas genéricas”.

Além disso, a CHRO destaca a importância de pesquisar sobre a empresa antes de se inscrever à vaga como uma etapa essencial nessa busca por uma oportunidade de estagiário ou trainee. Conhecer a cultura organizacional, os valores, os projetos recentes e a posição da companhia no mercado permite que o profissional encontre empresas com as quais se conecte e concentre seus esforços nos programas que realmente fazem sentido para sua carreira.

Personalização e soft skills

A preparação também passa por um currículo claro e personalizado, que destaque resultados e experiências relevantes, mesmo que sejam acadêmicas, voluntárias ou extracurriculares. O uso de palavras-chave, alinhadas à descrição da vaga, e a inclusão de evidências mensuráveis podem aumentar consideravelmente a atratividade do perfil.

“Outro ponto de atenção são as chamadas soft skills, muito valorizadas pelas empresas. Competências como trabalho em equipe, comunicação, adaptabilidade, negociação e solução de problemas são algumas delas e devem ser demonstradas por meio de exemplos reais”, aponta Suzuki.

Todos os profissionais, independente da área de atuação, devem buscar conhecimentos básicos de conceitos financeiros e administrativos. Isso porque muitos programas de trainee incluem etapas com estudos de caso ou simulações que envolvem decisões de negócio. Esse conhecimento pode ser um diferencial competitivo nessa etapa do processo.


Preparação

A organização também é uma aliada valiosa. Acompanhar prazos, montar uma agenda com datas de inscrição, preparar o ambiente para entrevistas online e testar equipamentos com antecedência são atitudes simples que evitam contratempos e demonstram comprometimento.

Uma rede de relacionamento aumenta as possibilidades de encontrar boas oportunidades e ser lembrado, por isso, investir em networking é fundamental. Perfis atualizados nas redes profissionais, interação com recrutadores, professores, participação em eventos e indicações ajudam a abrir caminhos dentro das organizações.

De acordo com Patrícia, a preparação, portanto, vai muito além do currículo: trata-se de uma estratégia completa que envolve autoconhecimento, comunicação, pesquisa, organização e visão de futuro. “Saber quem você é e o que busca faz com que suas respostas reflitam autenticidade e propósito, não apenas técnica”.

Para ela, destacar-se exige mais do que boas notas e cursos. “A combinação entre preparo técnico, alinhamento com a cultura da empresa e narrativa bem construída pode ser o fator decisivo para transformar uma candidatura comum em uma contratação certeira”, conclui a CHRO do Infojobs.


FecomercioSP: inadimplência cresce em São Paulo e atinge maior nível em 16 meses

Apesar da alta, mercado de trabalho aquecido e inflação mais moderada devem limitar impactos mais severos às finanças das famílias

 

A inadimplência entre as famílias da capital paulista atingiu, em julho, o maior patamar desde abril de 2024, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O porcentual de lares inadimplentes passou de 21,6%, em junho, para 22,1%, em julho, superando o índice de 19,9% registrado no mesmo mês do ano passado. Com a alta, o número absoluto de lares com contas em atraso chegou a 905,7 mil.

 
[GRÁFICO 1]
Inadimplência do Consumidor

Série histórica (16 meses)
Fonte: FecomercioSP


 

O aumento foi observado em todas as faixas de renda analisadas. Como era esperado, as famílias com menores rendimentos mostraram mais vulnerabilidade, pressionadas pelos juros elevados e pela inflação. Entre as casas que ganham até dez salários mínimos, a inadimplência subiu de 26,1% para 26,5%. Já no grupo com renda superior a esse valor, o índice passou de 10,5% para 11,3%.
 
Outro dado relevante captado pela pesquisa é o porcentual de lares que não conseguirão quitar as dívidas: 9,1% em julho, ante 9% em junho. Em relação ao mesmo período de 2024, houve crescimento — eram 8,2% há um ano, o que representa um acréscimo de quase 40 mil famílias. O tempo médio de atraso também aumentou, de 61,6 para 62,1 dias.
 

[GRÁFICO 2]
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC)
12 meses
Fonte: FecomercioSP

 
Inadimplência cresce, endividamento recua

A despeito da alta na inadimplência, o número de famílias endividadas na capital recuou em julho, interrompendo uma sequência de aumentos. O porcentual de lares com dívidas caiu de 71,4% para 70,9%, o que representa cerca de 2,9 milhões de famílias. O cartão de crédito continua sendo o principal fator de endividamento, presente em 80% dos lares, seguido pelo financiamento imobiliário (15,7%).
 
Ainda que de não tenha demonstrado uma mudança expressiva na comparação mensal, há um ano, o uso do cartão de crédito se mostrava mais dominante, com 86% de incidência. O crédito pessoal, por sua vez, que ocupava a segunda posição em 2024 com 15,4%, caiu para 11,9%. Segundo a FecomercioSP, o aumento nos financiamentos de longo prazo, como os de carro e imóvel, indica que as restrições do sistema financeiro estão mais concentradas nas modalidades de curto prazo.
 
Por faixa de renda, o endividamento continua mais alto entre as famílias que ganham até dez salários mínimos: 75% em julho, ante 76% no mês anterior. No grupo com renda superior, houve leve alta de 58% para 58,8%. No comparativo anual, os comportamentos se invertem. Entre os de menor renda, o endividamento aumentou em relação aos 73,6% de julho de 2024; já entre os de maior renda, houve queda em comparação aos 61,1% registrados há um ano.
 
O comprometimento da renda com dívidas também caiu em julho, chegando a 27% — o menor nível desde fevereiro, ainda dentro da faixa considerada ideal, de até um terço da renda. A intenção de contrair crédito também diminuiu, passando de 13,6%, em junho, para 12,7%, em julho, bem abaixo dos quase 20% registrados no início do ano.
 
Dentre os que ainda planejam buscar crédito, 10,3% pretendem usar o recurso para quitar dívidas e 5%, para o pagamento de contas. Quanto à forma de pagamento mais vantajosa, o cartão de crédito parcelado lidera, com 26%, seguido de perto pelo PIX, com 25,7%.
 
Segundo a FecomercioSP, apesar do avanço da inadimplência, os dados indicam que as condições de renda estão gradualmente melhorando, com atrasos concentrados no curto prazo e baixo comprometimento da renda. Além disso, o mercado de trabalho aquecido e a inflação mais controlada devem ajudar a conter a deterioração do cenário financeiro das famílias.


 
Nota metodológica

PEIC

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é apurada mensalmente pela FecomercioSP desde fevereiro de 2004. São entrevistados aproximadamente 2,2 mil consumidores na capital paulista. Em 2010, houve uma reestruturação do questionário para compor a pesquisa nacional da Confederação Nacional do Comércio (CNC), e, por isso, a atual série deve ser comparada a partir de 2010.O objetivo da PEIC é diagnosticar os níveis tanto de endividamento quanto de inadimplência do consumidor. O endividamento é quando a família possui alguma dívida. Inadimplência é quando a dívida está em atraso. A pesquisa permite o acompanhamento dos principais tipos de dívida, do nível de comprometimento do comprador com as despesas e da percepção deste em relação à capacidade de pagamento, fatores fundamentais para o processo de decisão dos empresários do comércio e demais agentes econômicos, além de ter o detalhamento das informações por faixa de renda de dois grupos: renda inferior e acima dos dez salários mínimos.


FecomercioSP
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Educar para reciclar: por que a base da sustentabilidade está nas escolas públicas

Muito se fala sobre sustentabilidade, mas pouco se discute sobre onde, de fato, ela começa. Para mim, a verdadeira transformação não acontece apenas nas empresas, nas legislações ou nas grandes campanhas publicitárias, ela começa na escola e, principalmente, na escola pública, onde estão milhões de crianças e adolescentes que formarão a próxima geração de consumidores, trabalhadores e líderes. 

Educar para reciclar é, antes de tudo, dar acesso. A informação sobre o destino correto dos resíduos, o impacto do consumo e as alternativas de reaproveitamento precisa estar disponível para todos, e de forma prática. Não adianta apresentar gráficos ou conceitos técnicos se a criança não vê isso acontecendo ao seu redor. É preciso pegar no plástico, separar os resíduos, entender o que é lixo e o que é matéria-prima. Só assim o conceito vira consciência - e a consciência vira hábito. 

Em comunidades periféricas, onde muitas vezes faltam recursos básicos, falar de reciclagem pode parecer um luxo. Mas é justamente nesses territórios que a economia circular encontra solo fértil para florescer. Quando mostramos que resíduos têm valor, que podem gerar renda, oportunidades e aprendizado, abrimos portas que antes pareciam inalcançáveis. É possível ensinar sustentabilidade e, ao mesmo tempo, fomentar inclusão social, autoestima e cidadania. 

Nas escolas onde atuamos com oficinas, rodas de conversa e ações práticas, percebemos algo poderoso: as crianças não apenas aprendem, mas levam o que aprendem para dentro de casa. E isso transforma famílias inteiras. Muitos pais nos dizem que começaram a separar o lixo ou a repensar hábitos de consumo por influência dos filhos. É esse efeito multiplicador que torna a educação ambiental um pilar estratégico para o futuro. 

Não estou aqui para demonizar o plástico, muito pelo contrário. O problema não está no material, mas no uso inconsciente, no descarte incorreto e na falta de responsabilidade compartilhada. Quando trabalhamos isso desde cedo, na base da formação escolar, damos um passo essencial para quebrar esse ciclo. 

Sustentabilidade não é um tema verde, é um tema social. E enquanto ela não fizer parte do currículo real das nossas escolas públicas, vamos continuar enxugando gelo. Precisamos formar cidadãos que compreendam que tudo o que consomem tem um impacto - e que eles têm o poder de decidir qual impacto querem deixar no mundo.

 

Rui Katsuno - empresário e comunicador do setor de plásticos, Presidente do Instituto Soul do Plástico e da MTF Termoformadoras, com mais de 36 anos de experiência. Referência no segmento, ele ganhou destaque nas redes sociais ao desmistificar informações incorretas sobre o uso dos plásticos e promover práticas sustentáveis com linguagem acessível e direta. Rui também lidera projetos sociais em escolas públicas, levando educação, inclusão, cultura e empreendedorismo para jovens e crianças. Sua trajetória mostra que é possível unir indústria, responsabilidade social e educação em prol de um futuro mais informado e sustentável.

 

No Dia Nacional da Saúde, Anffa Sindical alerta para riscos da privatização das inspeções de produtos de origem animal

Anffa Sindical alerta: a proposta de privatização das inspeções ante
mortem e post mortem de animais destinados ao abate representa um
grave risco à saúde da população
 (Crédito: Anffa Sindical)

Auditores fiscais federais agropecuários são aliados da população na garantia da saúde pública e da segurança dos alimentos

 

O Dia Nacional da Saúde, celebrado nesta terça-feira (5), é dedicado à conscientização sobre a importância da educação sanitária e de um estilo de vida saudável. Por isso, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) alerta: a proposta de privatização das inspeções ante mortem e post mortem de animais destinados ao abate representa um grave risco à saúde da população brasileira e de mais de 150 países importadores da proteína produzida no Brasil. 

A medida está prevista na minuta da Portaria nº 1.275/2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que regulamenta a Lei do Autocontrole (Lei nº 14.515/2022). O texto propõe o credenciamento de pessoas jurídicas para realizar atividades técnicas e operacionais de defesa agropecuária, entre elas, as inspeções antes e depois dos abates nos frigoríficos. O plano permite que empresas privadas, contratadas pelos próprios frigoríficos, assumam funções hoje atribuídas exclusivamente a servidores públicos, o que, segundo o Anffa, representa um conflito de interesses inaceitável e coloca em risco a saúde pública global. 

“O primeiro passo para um estilo de vida saudável é uma alimentação segura e de qualidade. E isso só é possível graças à atuação dos auditores fiscais federais agropecuários, que hoje se veem obrigados a lutar contra propostas que colocam esse sistema em risco”, afirma o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo. 

A proposta do governo avança em um cenário tenso para o Brasil no mercado internacional, principalmente por conta das tarifas de 50% impostas Estados Unidos para produtos como a carne brasileira. O país é responsável por 12% das exportações da proteína brasileira e, em seu mercado interno, não abre mão de que as inspeções sejam realizadas pelo Estado nos frigoríficos privados. 

Além disso, o Brasil busca consolidar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Países com altos padrões sanitários, como a França, já demonstram resistência ao pacto. Enfraquecer os controles oficiais pode comprometer as negociações internacionais e expor o país a escândalos sanitários com impactos devastadores à imagem e à competitividade do agronegócio nacional. 

Diante da gravidade do tema, o Anffa Sindical já denunciou a proposta ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando a suspensão imediata da tramitação da portaria e a abertura de inquérito para apurar sua legalidade e constitucionalidade. A entidade também acompanha a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 7.351/DF), em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), que contesta dispositivos da Lei do Autocontrole por permitir a delegação de atividades típicas de Estado à iniciativa privada. 

“O Brasil não pode abrir mão de um sistema de fiscalização independente, técnico e exercido por servidores de carreira, com respaldo para agir em defesa do interesse público. Fragilizar esse modelo é dar margem a fraudes, omissões e perdas irreparáveis na confiança construída junto aos mercados internacionais ao longo de décadas. Confiamos na atuação de médicos veterinários, mas eles ficarão expostos e sofrerão pressões que os auditores fiscais federais agropecuários recebem constantemente, mas contam com a estabilidade do serviço público”, completa Macedo. 

Neste 5 de agosto, o Anffa Sindical reforça que continuará atuando junto ao Congresso Nacional, ao Judiciário e à sociedade civil organizada para garantir a preservação de um modelo de fiscalização público comprometido com a saúde coletiva, a soberania sanitária e a manutenção da credibilidade do agronegócio brasileiro no cenário global.


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