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terça-feira, 5 de agosto de 2025

Educar para reciclar: por que a base da sustentabilidade está nas escolas públicas

Muito se fala sobre sustentabilidade, mas pouco se discute sobre onde, de fato, ela começa. Para mim, a verdadeira transformação não acontece apenas nas empresas, nas legislações ou nas grandes campanhas publicitárias, ela começa na escola e, principalmente, na escola pública, onde estão milhões de crianças e adolescentes que formarão a próxima geração de consumidores, trabalhadores e líderes. 

Educar para reciclar é, antes de tudo, dar acesso. A informação sobre o destino correto dos resíduos, o impacto do consumo e as alternativas de reaproveitamento precisa estar disponível para todos, e de forma prática. Não adianta apresentar gráficos ou conceitos técnicos se a criança não vê isso acontecendo ao seu redor. É preciso pegar no plástico, separar os resíduos, entender o que é lixo e o que é matéria-prima. Só assim o conceito vira consciência - e a consciência vira hábito. 

Em comunidades periféricas, onde muitas vezes faltam recursos básicos, falar de reciclagem pode parecer um luxo. Mas é justamente nesses territórios que a economia circular encontra solo fértil para florescer. Quando mostramos que resíduos têm valor, que podem gerar renda, oportunidades e aprendizado, abrimos portas que antes pareciam inalcançáveis. É possível ensinar sustentabilidade e, ao mesmo tempo, fomentar inclusão social, autoestima e cidadania. 

Nas escolas onde atuamos com oficinas, rodas de conversa e ações práticas, percebemos algo poderoso: as crianças não apenas aprendem, mas levam o que aprendem para dentro de casa. E isso transforma famílias inteiras. Muitos pais nos dizem que começaram a separar o lixo ou a repensar hábitos de consumo por influência dos filhos. É esse efeito multiplicador que torna a educação ambiental um pilar estratégico para o futuro. 

Não estou aqui para demonizar o plástico, muito pelo contrário. O problema não está no material, mas no uso inconsciente, no descarte incorreto e na falta de responsabilidade compartilhada. Quando trabalhamos isso desde cedo, na base da formação escolar, damos um passo essencial para quebrar esse ciclo. 

Sustentabilidade não é um tema verde, é um tema social. E enquanto ela não fizer parte do currículo real das nossas escolas públicas, vamos continuar enxugando gelo. Precisamos formar cidadãos que compreendam que tudo o que consomem tem um impacto - e que eles têm o poder de decidir qual impacto querem deixar no mundo.

 

Rui Katsuno - empresário e comunicador do setor de plásticos, Presidente do Instituto Soul do Plástico e da MTF Termoformadoras, com mais de 36 anos de experiência. Referência no segmento, ele ganhou destaque nas redes sociais ao desmistificar informações incorretas sobre o uso dos plásticos e promover práticas sustentáveis com linguagem acessível e direta. Rui também lidera projetos sociais em escolas públicas, levando educação, inclusão, cultura e empreendedorismo para jovens e crianças. Sua trajetória mostra que é possível unir indústria, responsabilidade social e educação em prol de um futuro mais informado e sustentável.

 

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