Muito se fala sobre sustentabilidade, mas pouco se discute sobre onde, de fato, ela começa. Para mim, a verdadeira transformação não acontece apenas nas empresas, nas legislações ou nas grandes campanhas publicitárias, ela começa na escola e, principalmente, na escola pública, onde estão milhões de crianças e adolescentes que formarão a próxima geração de consumidores, trabalhadores e líderes.
Educar para reciclar é, antes de tudo, dar acesso. A informação
sobre o destino correto dos resíduos, o impacto do consumo e as alternativas de
reaproveitamento precisa estar disponível para todos, e de forma prática. Não
adianta apresentar gráficos ou conceitos técnicos se a criança não vê isso
acontecendo ao seu redor. É preciso pegar no plástico, separar os resíduos,
entender o que é lixo e o que é matéria-prima. Só assim o conceito vira
consciência - e a consciência vira hábito.
Em comunidades periféricas, onde muitas vezes faltam recursos
básicos, falar de reciclagem pode parecer um luxo. Mas é justamente nesses
territórios que a economia circular encontra solo fértil para florescer. Quando
mostramos que resíduos têm valor, que podem gerar renda, oportunidades e aprendizado,
abrimos portas que antes pareciam inalcançáveis. É possível ensinar
sustentabilidade e, ao mesmo tempo, fomentar inclusão social, autoestima e
cidadania.
Nas escolas onde atuamos com oficinas, rodas de conversa e ações
práticas, percebemos algo poderoso: as crianças não apenas aprendem, mas levam
o que aprendem para dentro de casa. E isso transforma famílias inteiras. Muitos
pais nos dizem que começaram a separar o lixo ou a repensar hábitos de consumo
por influência dos filhos. É esse efeito multiplicador que torna a educação
ambiental um pilar estratégico para o futuro.
Não estou aqui para demonizar o plástico, muito pelo contrário. O
problema não está no material, mas no uso inconsciente, no descarte incorreto e
na falta de responsabilidade compartilhada. Quando trabalhamos isso desde cedo,
na base da formação escolar, damos um passo essencial para quebrar esse ciclo.
Sustentabilidade não é um tema verde, é um tema social. E enquanto ela não fizer parte do currículo real das nossas escolas públicas, vamos continuar enxugando gelo. Precisamos formar cidadãos que compreendam que tudo o que consomem tem um impacto - e que eles têm o poder de decidir qual impacto querem deixar no mundo.
Rui Katsuno - empresário e comunicador do setor de plásticos, Presidente do Instituto Soul do Plástico e da MTF Termoformadoras, com mais de 36 anos de experiência. Referência no segmento, ele ganhou destaque nas redes sociais ao desmistificar informações incorretas sobre o uso dos plásticos e promover práticas sustentáveis com linguagem acessível e direta. Rui também lidera projetos sociais em escolas públicas, levando educação, inclusão, cultura e empreendedorismo para jovens e crianças. Sua trajetória mostra que é possível unir indústria, responsabilidade social e educação em prol de um futuro mais informado e sustentável.
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