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segunda-feira, 10 de março de 2025

Musculação protege o cérebro de idosos contra demência, sugere estudo

Metade dos participantes praticou musculação duas vezes
por semana, com intensidade de moderada a alta e progressão da carga
(
fotos: Isadora Ribeiro)
Trabalho feito na Unicamp envolveu 44 pessoas com comprometimento cognitivo leve. Após seis meses, os voluntários que praticaram treinamento de força apresentaram melhoras na memória e na anatomia cerebral, enquanto as demais tiveram declínio nos parâmetros avaliados

 

Os benefícios da musculação são amplos: promove o ganho de força e massa muscular, diminui a gordura corporal, contribui para o bem-estar e a saúde mental. E agora um estudo feito na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) comprovou outro efeito importante: protege o cérebro de idosos contra demências. Os resultados foram divulgados na revista GeroScience.

A pesquisa envolveu 44 pessoas com comprometimento cognitivo leve – condição clínica intermediária entre o envelhecimento normal e a doença de Alzheimer, na qual há uma perda cognitiva em extensão maior do que a esperada para a idade, indicando maior risco de demência. Os resultados revelam que o treino de força não só foi capaz de melhorar o desempenho da memória como também de alterar a anatomia cerebral.

Após seis meses praticando musculação duas vezes por semana, os participantes apresentaram proteção contra atrofia no hipocampo e pré-cúneo – áreas cerebrais associadas à doença de Alzheimer –, além de melhoras nos parâmetros que refletem a saúde dos neurônios (integridade da substância branca).

“Que haveria melhora da parte física a gente já sabia. A melhora cognitiva também já era imaginada, mas queríamos ver o efeito da musculação dentro do cérebro de idosos com comprometimento cognitivo leve. O estudo mostrou que, felizmente, a musculação é uma forte aliada contra demências, mesmo para pessoas que já apresentam risco elevado de desenvolvê-las”, afirma Isadora Ribeirobolsista de doutorado da FAPESP na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e primeira autora do artigo.

O trabalho foi conduzido no âmbito do Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (BRAINN) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP – e é o primeiro a demonstrar o que acontece com a integridade da substância branca de indivíduos com comprometimento cognitivo leve após a prática de musculação.

“Além de testes neuropsicológicos, realizamos exames de ressonância magnética no início e no final do estudo. São resultados muito importantes por indicarem a necessidade de, no nível da atenção básica de saúde, incluir mais educadores físicos no sistema público, já que o aumento da força muscular está associado à diminuição do risco de demência. É um tratamento menos complexo e mais barato capaz de proteger as pessoas de doenças graves”, comenta Marcio Balthazar, pesquisador do BRAINN e orientador do estudo.

“Por exemplo, as novas drogas antiamiloide aprovadas nos Estados Unidos, indicadas para o tratamento de demências e para pessoas com comprometimento cognitivo leve, custam cerca de US$ 30 mil por ano [cerca de R$ 173 mil]. É um custo muito alto. Essas medidas não farmacológicas, como mostramos ser o caso da musculação, são eficazes, atuando não só na prevenção de demência como na melhora de quadros de comprometimento cognitivo leve”, completa o pesquisador.


Protocolo

Os participantes da pesquisa foram divididos em dois grupos: metade cumpriu um programa de treinamento resistido com sessões de musculação duas vezes por semana, intensidade de moderada a alta e com progressão da carga. Os demais não realizaram o exercício durante o período do estudo e integraram o chamado grupo-controle.

Nas análises feitas ao final da intervenção, os voluntários que praticaram musculação tiveram melhor desempenho na memória episódica verbal, melhora na integridade dos neurônios e áreas relacionadas à doença de Alzheimer protegidas contra atrofia, ao passo que o grupo-controle apresentou piora nos parâmetros cerebrais.

“Uma característica das pessoas com comprometimento cognitivo leve é que elas têm uma diminuição do volume em algumas regiões cerebrais relacionadas ao desenvolvimento do Alzheimer. Porém, o grupo submetido ao treinamento de força teve o lado direito do hipocampo e do pré-cúneo protegido contra atrofia. Trata-se de um resultado que justifica a importância da prática regular de musculação, sobretudo para pessoas idosas”, ressalta Ribeiro.

A pesquisadora acredita na possibilidade de que um período mais longo de treinamento promova resultados ainda mais positivos que os relatados no estudo. “Todos os indivíduos do grupo que praticou musculação apresentaram melhoras de memória e na anatomia cerebral. No entanto, cinco deles chegaram ao final do estudo sem o diagnóstico clínico de comprometimento cognitivo leve, tamanha foi a melhora. Isso nos leva a imaginar que treinamentos mais prolongados, de três anos, por exemplo, possam reverter esse diagnóstico ou atrasar qualquer tipo de progressão da demência. Sem dúvida é algo que traz esperanças e que precisa ser investigado futuramente”, defende Ribeiro.

De acordo com os pesquisadores, a musculação pode proteger o cérebro contra demências a partir de duas frentes: estimulando a produção do fator de crescimento neural (proteína importante para o crescimento, manutenção e sobrevivência de neurônios) e promovendo a desinflamação global do organismo.

“Sabe-se que qualquer exercício físico, seja musculação ou atividade aeróbia, aumenta os níveis de uma substância química envolvida no crescimento das células cerebrais. Além disso, também pode mobilizar células T anti-inflamatórias. Isso é central. Afinal, quanto mais proteína pró-inflamatória é liberada no organismo, maior a chance de desenvolver demência, de acelerar o processo neurodegenerativo e de formar proteínas disfuncionais que acabam matando os neurônios”, explica Balthazar.

Para avaliar essas questões foram medidos nos voluntários, entre outros fatores, os níveis de irisina e de BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro) – substâncias cuja síntese é estimulada pela contração muscular e que estão relacionadas à proteção neural e à plasticidade sináptica. Os resultados ainda estão sob análise.

“Trata-se de uma continuação deste estudo, na qual vamos buscar entender melhor como esses fatores estão relacionados às alterações de anatomia cerebral. Acreditamos que seja um conjunto de fatores anti-inflamatórios e neuroprotetores que levam a essas mudanças”, adianta Ribeiro.

O artigo Resistance training protects the hippocampus and precuneus against atrophy and benefits white matter integrity in older adults with mild cognitive impairment pode ser lido em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11357-024-01483-8.


Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/musculacao-protege-o-cerebro-de-idosos-contra-demencia-sugere-estudo/54124


Economia Circular e a luta contra a pobreza menstrual

Uma das características mais marcantes das mulheres, o ciclo menstrual e o poder de dar vida, também pode ser um dos temas mais cercados por tabus, estigmas sociais e significativos desafios econômicos, ambientais, mentais e de saúde. Pode parecer exagero, mas, infelizmente, a dignidade - ou a falta dela - com que os períodos menstruais são gerenciados impacta diretamente a vida de milhões de meninas e mulheres em todo o mundo. 

Esse assunto está ganhando atenção global, mas é na África que se encontram algumas das estatísticas e realidades mais alarmantes. Um estudo da UNICEF revelou que, em algumas regiões do continente, 50% das meninas não têm acesso a produtos menstruais, sendo forçadas a recorrer a alternativas inseguras, como panos velhos, jornais, folhas, pedaços de colchões ou até areia. No Zimbábue rural, meninas chegam a utilizar esterco de vaca como proteção menstrual devido ao alto custo dos produtos de higiene feminina. Em outros casos, foi possível testemunhar meninas usando migalhas de pão, uma realidade chocante que evidencia a profundidade desta crise. 

As causas da pobreza menstrual são muitas. Os produtos menstruais são frequentemente caros, de baixa qualidade ou feitos com plásticos que causam alergias. Para muitas famílias que vivem na pobreza, esses produtos são considerados um luxo e, em algumas comunidades, simplesmente não estão disponíveis. Assim, todos os meses, milhões de mulheres e meninas enfrentam o desafio silencioso, mas constante, de gerenciar sua saúde menstrual com dignidade.  

O que muitas consideram básico – a capacidade de escolher como e com o que gerenciar a menstruação – é um sonho distante para muitas outras. Além da falta de acesso a produtos acessíveis, o estigma cultural e os danos ambientais causados pelos produtos descartáveis agravam ainda mais o problema.  

Na África, os desafios são duplos. Os absorventes descartáveis não só contribuem para a degradação ambiental, mas também estão financeiramente fora do alcance de muitas pessoas. Em áreas rurais, um pacote de absorventes pode custar o equivalente a um dia de trabalho, forçando as famílias a escolher entre produtos menstruais e itens essenciais, como comida ou remédios. Como resultado, muitas meninas recorrem a alternativas perigosas, colocando sua saúde em risco. Outras simplesmente ficam em casa durante o período, perdendo dias de escola e ficando para trás nos estudos, enfrentando vergonha e isolamento. Em casos extremos, a pobreza menstrual leva à prostituição, depressão e até ao suicídio.  

Em muitas cidades africanas, a falta de saneamento básico e de sistemas de gestão de resíduos agrava o problema dos absorventes descartáveis, que muitas vezes são jogados em terrenos abertos ou queimados, liberando gases tóxicos devido aos plásticos de baixa qualidade. Globalmente, bilhões de absorventes são descartados anualmente, poluindo lixões, rios e mares. Esse impacto ambiental e econômico ressalta a urgência de soluções sustentáveis e acessíveis. Uma possível resposta pode estar em práticas antigas e sustentáveis, que usavam materiais naturais, como panos, musgo ou fibras de bananeira, para gerenciar os ciclos menstruais, oferecendo um modelo mais ecológico e livre de lixo.  

Hoje, os produtos menstruais reutilizáveis modernos, como absorventes de pano, copos menstruais e calcinhas absorventes, resgatam esse legado, combinando sabedoria tradicional com tecnologia atual. Essas inovações não só são ecológicas, mas também economicamente viáveis. Um único absorvente reutilizável, por exemplo, pode durar até cinco anos, economizando o custo recorrente dos descartáveis. Já os copos menstruais, feitos de silicone médico, podem durar até 10 anos - um investimento único com benefícios para a vida toda. 

Os produtos menstruais reutilizáveis oferecem benefícios que vão além da economia e da sustentabilidade, desafiando o estigma em torno da menstruação. Ao normalizar as conversas sobre o ciclo menstrual e promover alternativas ecológicas, as mulheres estão retomando sua autonomia e transformando narrativas culturais, enfrentando a pobreza menstrual e abrindo caminho para um futuro mais justo. A Economia Circular, que prioriza a reutilização e reciclagem de recursos, alinha-se a esses esforços, resgatando o conhecimento ancestral para criar um mundo onde nenhuma menina precise escolher entre educação, saúde e dignidade. 

Juntas, nós podemos fazer isso!  




Isabela Bonatto - embaixadora do Movimento Circular e possui doutorado e mestrado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina, além de MBA em Gestão Ambiental. É consultora socioambiental com foco em gestão de resíduos, Economia Circular e sustentabilidade corporativa, e tem experiência em diversos setores, incluindo ONGs e instituições internacionais

Inchaço pós-Carnaval? Saiba quais frutas e verduras podem ser aliadas contra a retenção de líquido

Vegetais ricos em água e antioxidantes são remédios poderosos contra a ressaca e a recuperação do organismo

 

Durante os dias de folia, é comum sair da rotina, abusar do fast food ou de bebidas diversas. Após a festa do Rei Momo, vêm as consequências: inchaço e quilos a mais na balança. A alimentação saudável é essencial para quem busca recuperar o peso e a disposição. Camila Lima, professora de Nutrição do Centro Universitário de Brasília (CEUB), destaca o poder das frutas e legumes low carb, ideais para essa fase de reequilíbrio da vida saudável e manutenção do bem-estar. 

Escolher alimentos com baixo teor de carboidratos e alto teor de água é essencial para recuperar o peso de forma saudável. Entre as frutas indicadas, a nutricionista recomenda morango, melão, melancia e limão, que são ricos em água, vitamina C e antioxidantes. “Já no grupo das verduras, opções como alface, espinafre, brócolis e couve-flor são recomendadas, pois possuem poucas calorias e são fontes de vitaminas do complexo B, essenciais para o metabolismo energético.” 

Segundo a docente do CEUB, as formas de consumo podem potencializar ou minimizar os benefícios dessas frutas e verduras. Camila indica distribuir as frutas ao longo do dia em pequenas refeições ou mesmo acrescentar frutas nas saladas, caldos e smoothies. Além do consumo das frutas e chás, é preciso manter a hidratação com cerca de 2 a 3,5 litros de água por dia. Evitar o consumo de álcool e alimentos industrializados também ajuda a acelerar a recuperação. 

Para Camila Lima, além de ajudarem na hidratação e reposição de líquidos perdidos, esses alimentos fornecem vitaminas e minerais que fortalecem o sistema imunológico. “As frutas e verduras também são ricas em antioxidantes, que combatem os radicais livres e protegem as células. A alta quantidade de fibras e o baixo teor de carboidratos contribuem para a perda de peso e o controle do açúcar no sangue”, explica Camila.

 

Remédio para ressaca: alimentação natural

Para aqueles que exageraram nas bebidas alcoólicas, a especialista do CEUB recomenda medidas para aliviar os sintomas da ressaca e reequilibrar o corpo, como o consumo de água de coco, que é excelente para repor minerais. “Outra dica poderosa é incluir o chá de gengibre, que ajuda a reduzir náuseas e enjoos. Nesse período, vale evitar alimentos gordurosos e processados para não sobrecarregar a digestão, permitindo uma recuperação plena do organismo”, finaliza a nutricionista.

 

CUIDAR DO SONO É CUIDAR DA SAÚDE

A Relação do Sono com a Saúde do Cérebro 

 

No Dia Mundial do Sono é necessário falarmos sobre a importância do sono para a nossa saúde e, especialmente, para a saúde do cérebro. O sono vai muito além de um momento de descanso. É um processo fundamental para o bom funcionamento do nosso sistema nervoso, sendo essencial para o nosso bem-estar físico e mental. 

Infelizmente, problemas relacionados ao sono afetam uma parcela significativa da população. Para se ter uma ideia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 1 em cada 3 pessoas no mundo sofra de algum tipo de distúrbio do sono, sendo a insônia o distúrbio mais comum acometendo cerca de 30% da população mundial – desses, em torno de 10% dos adultos têm insônia crônica.  

Para entender: a insônia crônica significa que há dificuldades para dormir ou manter o sono por pelo menos três noites por semana durante três meses ou mais. Isso afeta não apenas a qualidade de vida, mas também a produtividade, o bem-estar emocional e a saúde física. 

Durante o sono, o cérebro realiza funções vitais de recuperação e reorganização. Período em que as informações adquiridas durante o dia são processadas e consolidadas a memória, bem como a eliminação de toxinas que se acumulam ao longo das atividades diárias. 

O sono também tem um papel crucial na regulação emocional, aprendizado e função cognitiva. Sem um sono de qualidade, os riscos de dificuldades cognitivas, problemas de memória e até distúrbios neurológicos aumentam consideravelmente.

Em condições neurológicas, como Alzheimer, Parkinson, esclerose múltipla, epilepsia e distonias, os distúrbios do sono são comuns. Essas doenças podem tanto interferir no sono quanto se agravar pela falta de descanso adequado. 

A privação de sono pode acelerar o progresso de doenças neurodegenerativas e aumentar a frequência de sintomas como tremores, espasmos musculares, dificuldades cognitivas e ansiedade. 

As causas da insônia são diversas e incluem estresse, ansiedade, depressão, hábitos inadequados de sono e doenças físicas e neurológicas. Abaixo algumas informações que são uteis para melhorar a qualidade do sono: 

Estabelecer uma rotina. Dormir e acordar sempre no mesmo horário ajuda a regular o relógio biológico e melhorar a qualidade do sono. Criar um ambiente propício, um local escuro, silencioso e com temperatura agradável favorece um sono mais profundo e reparador. 

Outro detalhe importante: evitar substâncias estimulantes como cafeína, nicotina e álcool próximo a hora de dormir, pois podem interferir no sono. E, também, praticar exercícios regularmente, pois ajuda a relaxar o corpo e melhorar o sono, mas evite exercícios intensos perto da hora de dormir.

Por fim, técnicas de relaxamento, como meditação e respiração profunda, ajudam a acalmar a mente e a facilitar o adormecer. 

Se você sofre de distúrbios do sono, como insônia, apneia do sono ou outros problemas relacionados, é importante procurar a orientação de um médico. 

O sono é essencial para a saúde neurológica. Através de estratégias corretas e a adoção de hábitos saudáveis, é possível garantir noites de descanso reparador, o que contribui diretamente para o bem-estar geral e a qualidade de vida.

 



Dr. Kleber Duarte, Neurocirurgião: O Dr. Kleber Duarte é médico neurocirurgião com quase 30 anos de experiência na área de neurocirurgia funcional e dor. Atualmente é coordenador do Serviço de Neurocirurgia para Saúde Suplementar e Neurocirurgia em Dor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Tem amplo conhecimento e alta qualificação em técnicas cirúrgicas e de estereotaxia para tratamento de doenças que comprometem o sistema motor e em dores crônicas.
@drkleberduarte

 

Coito programado: especialista em reprodução assistida e professor do CEUB detalha método de concepção natural

Tratamento utiliza medicamentos para estimular o crescimento dos folículos ovarianos e aumentar as chances de gravidez 

 

Engravidar pode ser uma jornada desafiadora: de 10% a 15% dos casais em idade reprodutiva enfrentam dificuldades para conceber após um ano de tentativas (Organização Mundial da Saúde (OMS). Fatores como idade, distúrbios hormonais e qualidade do esperma podem impactar diretamente a fertilidade. Entre as possibilidades de tratamento, o coito programado visa aumentar as chances de concepção de maneira menos invasiva e com menor custo. O professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Bruno Ramalho, descreve aspectos deste tratamento e quando ele é recomendado.

O coito programado é especialmente indicado para mulheres que não ovulam regularmente, como aquelas com a síndrome dos ovários policísticos. Envolve, em sua essência, uma estratégia para promover a ovulação e aumentar as chances de concepção. Ao contrário das técnicas mais invasivas, o coito programado é menos complexo e inclui a orientação para que o casal mantenha relações sexuais nos dias mais férteis, após a indução medicamentosa da ovulação e monitoramento da resposta ovariana.

“O tratamento é indicado para mulheres que têm dificuldades em ovular espontaneamente. Essa indução da ovulação, associada ao acompanhamento por ultrassonografia, faz com que aconteça uma janela fértil, quando as chances de gravidez são mais altas”, explica Bruno. No entanto, alerta o especialista, a técnica não é indicada para mulheres que não têm problemas com a ovulação ou para quem apresenta outros fatores de infertilidade, como alterações no esperma ou obstrução das trompas.


Exames e acompanhamento prévios


Antes de iniciar o tratamento do coito programado, o casal deve passar por uma avaliação médica detalhada, incluindo exames laboratoriais para descartar problemas de fertilidade tanto femininos quanto masculinos, como a análise do esperma. A avaliação da permeabilidade das trompas também é fundamental, pois o tratamento é ineficaz se ambas estiverem obstruídas. O acompanhamento ultrassonográfico é recomendado para monitorar o desenvolvimento dos folículos ovarianos, permitindo identificar o melhor momento para as relações sexuais.

Confira as diferenças deste e de outros tratamentos de reprodução:

O coito programado se diferencia principalmente pelo fato de não envolver a manipulação dos gametas fora do corpo da mulher.

A inseminação artificial consiste na introdução de espermatozoides diretamente no útero para aumentar a chance de fertilização.

Já a fertilização in vitro, envolve a fecundação do óvulo em laboratório, com a transferência do embrião para o útero.

“O coito programado não chega a ser uma técnica de reprodução assistida propriamente dita, já que não ocorre manipulação de óvulos ou espermatozoides fora do corpo da mulher”, esclarece. De acordo com o docente do CEUB, o tratamento pode ser tentado por até seis meses, sobretudo para mulheres com menos de 35 anos que não ovulam regularmente. Em paralelo, o especialista sugere monitorar a idade da mulher e as condições do parceiro, já que fatores como a qualidade do esperma e a saúde reprodutiva de ambos impactam diretamente as chances de sucesso.


Detox Pós-Carnaval: O Que Realmente Funciona

Após os dias intensos de folia, muitos buscam soluções rápidas para eliminar os excessos do Carnaval. Mas, será que sucos detox e chás realmente limpam o organismo? A resposta pode surpreender: quem faz esse trabalho de verdade é o fígado – e ele não precisa de ajuda de produtos milagrosos para funcionar


Após dias de folia, ressacas e alimentação fora da rotina, muitos buscam um “detox” para recuperar o corpo. Mas, será que sucos verdes, chás e suplementos realmente fazem essa limpeza? Dra. Patrícia Almeida, Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein, alerta: o verdadeiro detox não vem de produtos milagrosos, mas do próprio fígado – um órgão que trabalha incansavelmente 24 horas por dia para eliminar toxinas e equilibrar o organismo.

O fígado desempenha mais de 500 funções essenciais, sendo a eliminação de substâncias tóxicas uma das principais. “Essas toxinas podem ser produzidas pelo próprio organismo ou ingeridas, como no caso do álcool, medicamentos e alimentos ultraprocessados”, explica a Dra. Patrícia.

No processo natural de desintoxicação, o fígado converte substâncias insolúveis em compostos solúveis, facilitando sua eliminação pelo organismo. Os rins, por sua vez, complementam esse trabalho ao filtrar e excretar substâncias hidrossolúveis pela urina.


O Mito dos Produtos Detox

Apesar de populares, sucos, chás e pílulas detox não têm comprovação científica de eficácia. A crença de que esses produtos “limpam” o organismo tem raízes históricas, mas não encontra respaldo na medicina. “A ideia de ‘limpeza interna’ remonta ao século 19, quando práticas como purgações eram utilizadas para eliminar supostas toxinas do corpo. Hoje, sabemos que essa teoria é ultrapassada e, muitas vezes, impulsionada pela indústria de suplementos e modismos de saúde”, esclarece Dra. Patrícia.

O famoso suco de couve, por exemplo, ganhou fama por conter isotiocianato, substância presente nas brássicas, que supostamente otimizaria a função hepática. “Embora nutritiva, não há estudos que comprovem o efeito detox da couve ou de qualquer outro alimento específico. O cuidado com o fígado vai muito além de um único ingrediente”, alerta.

Ao invés de apostar em fórmulas mágicas, a médica recomenda focar em hábitos que realmente ajudam o fígado a trabalhar de forma eficiente:
 

Hidrate-se bem: A água auxilia no funcionamento do fígado e dos rins, facilitando a eliminação de toxinas.

Evite excessos: Modere o consumo de álcool, alimentos ultraprocessados e gorduras.

Alimente-se de forma equilibrada: Dê preferência a frutas, legumes, proteínas magras e grãos integrais.

Pratique atividade física regularmente: O exercício ajuda na regulação do metabolismo e na recuperação do organismo. 

“A promessa de uma solução rápida e milagrosa atrai quem busca compensar excessos, mas essas estratégias são ilusórias. O corpo humano já possui mecanismos naturais altamente eficazes para eliminar toxinas. O melhor que podemos fazer é respeitar esses processos e investir em mudanças consistentes no estilo de vida”, reforça Dra. Patrícia. 

Se você quer se recuperar dos excessos do Carnaval, esqueça os modismos e foque no essencial: hidratação, alimentação equilibrada e movimento. O fígado já faz sua parte – e, com bons hábitos, ele retribui com um organismo mais saudável e equilibrado. “Quando cuidamos do corpo como um todo, ele responde com um funcionamento pleno – sem precisar de ‘poções mágicas’ ou dietas radicais”, conclui a especialista.

 

Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821 - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010), Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12), Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15), Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016), Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017), Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017, Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH, Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein.


Diabetes na gestação: Silencioso, mas arriscado. Importante estar sempre alerta

Durante a gravidez, o excesso de glicose no sangue materno pode afetar o desenvolvimento do feto, além de aumentar o risco de complicações como abortamento, pré-eclâmpsia e partos prematuros. Mulheres com diabetes tanto tipo 1 como tipo 2 precisam tomar precauções e idealmente planejar a gestação para evitar riscos. Além disso, algumas mulheres podem desenvolver diabetes ao longo da gestação, que chamamos de Diabetes Gestacional

 

Mulheres que têm diabetes tipo 1 ou tipo 2 e aquelas que desenvolvem diabetes gestacional têm de tomar cuidados extras para ter uma gravidez tranquila e um bebê saudável. O alerta é da coordenadora do Departamento de Diabetes na Gravidez da Sociedade Brasileira de Diabetes, Lenita Zajdenverg, que acrescenta: “O diabetes prévio não impede a gravidez, mas a mulher deve planejar a gravidez em momento que esteja com bom controle do diabetes e da pressão arterial. O acompanhamento regular e frequente pela equipe de saúde é necessário, pois as necessidades de ajustes no tratamento para controlar a glicose, a pressão e o ganho de peso são essenciais para evitar as complicações.” Além disso, ela lembra que o diabetes é silencioso e muitas mulheres só ficam sabendo que têm aumento da glicose se realiza os exames de pré-natal. 

De acordo com dados do Vigitel 2023, do Ministério da Saúde, no conjunto das 27 capitais, a frequência do diagnóstico médico de diabetes foi de 10,2%, sendo maior entre as mulheres (11,1%) do que entre os homens (9,1%). O que tem levado a esse alto número de mulheres com diabetes é o aumento de peso da população em geral. Além disso, lembra dra. Lenita, a gravidez em idades mais avançadas é outro fator que faz com que a prevalência do diabetes atinja cada vez mais mulheres grávidas. “Em anos anteriores, a maior parte das gestantes com diabetes prévio tinha diagnóstico de diabetes tipo 1, que geralmente acomete pessoas mais jovens. Atualmente, o maior número das mulheres com diabetes que engravida tem Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2)”, diz a médica, que também é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 

A Sociedade Brasileira de Diabetes lembra que as gestantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica são especialmente afetadas pelo diabetes e suas complicações. Por isso, é muito importante que o acesso aos serviços de saúde deva ser garantido para todas as gestantes. 

Revisão sistemática e meta-análise de estudos publicados entre 2010 e 2020 trouxe dados novos para o Atlas de Diabetes das regiões estudadas pela IDF (Federação Internacional de Diabetes), mostrando que a prevalência de diabetes pré-existente em mulheres grávidas dobrou durante o período 1990–2020. Os fatores que podem contribuir para o aumento desta prevalência incluem, como citado, aumento do número de mulheres que engravidam em idades avançadas e, por outro lado, também aumento da prevalência de DM2 em pessoas mais jovens. 

Em primeiro lugar, de acordo com dra. Lenita, o planejamento da gravidez é muito importante para evitar complicações. “Infelizmente, temos observado que muitas mulheres com DM2 desconhecem a importância e engravidam sem realizar este planejamento”, diz. “A glicose e a hemoglobina glicada devem estar bem controladas antes mesmo de engravidar”, explica a médica. Isso porque as malformações que podem afetar os filhos de mães com diabetes ocorrem bem no início da gestação, nas primeiras semanas de vida intrauterina, muitas vezes antes mesmo da mulher ter conhecimento da gravidez “Quando a glicose está em níveis adequados, esse risco é muito menor.” Peso adequado é outro ponto importante, pois a obesidade aumenta também o risco de complicações. 

Outro cuidado é relacionado ao uso de medicamentos orais. O seu uso não deve ser interrompido, mas é necessário a mulher procurar o médico bem no início da gravidez, pois ela terá de trocar esses medicamentos pela insulina, que é mais segura e eficaz para controlar o diabetes na gravidez. Além disso, a automonitorização da glicose, ou seja, medir a sua própria glicemia por meio de fitas ou sensor de glicose, passará a ser uma rotina fundamental na gestação. O bom controle da glicose reduz os riscos de malformações, parto prematuro e hipoglicemia no bebê, dentre outras complicações. 

Dra. Lenita lembra ainda que fazer exercícios físicos, se não estiverem contraindicados, e ter uma alimentação saudável são fundamentais para garantir uma gravidez tranquila.
 

Diabetes gestacional 

Uma outra condição que pode afetar a mulher grávida é a diabetes gestacional, que surge durante a gestação em mulheres que não tinham diagnóstico da doença. As complicações obstétricas, neste caso, variam desde parto prematuro até pré-eclâmpsia; o bebê pode nascer grande e ter complicações como hipoglicemia e desconforto respiratório. É importante salientar também que as mulheres que tiveram diagnóstico de DMG têm maior risco de progredir para Diabetes Mellitus tipo 2 e os seus filhos, maior chance de evoluírem com obesidade e diabetes ao longo da vida. 

Durante a gravidez, para permitir o desenvolvimento do bebê, a mulher passa por mudanças em seu equilíbrio hormonal. A placenta, por exemplo, é uma fonte importante de hormônios que reduzem a ação da insulina, responsável pela captação e utilização da glicose pelo corpo. O pâncreas, consequentemente, aumenta a produção de insulina para compensar este quadro. Em algumas mulheres, entretanto, este processo não ocorre e elas desenvolvem um quadro de diabetes gestacional, caracterizado pelo aumento do nível de glicose no sangue. Há algumas características que elevam o risco de a gestante ter essa complicação, como história familiar de diabetes mellitus; já ter exames de sangue com glicose alterada em algum momento antes da gravidez; excesso de peso antes ou durante a gravidez; gravidez anterior com feto nascido com mais de 4 kg; histórico de abortos espontâneos sem causa esclarecida; ter hipertensão arterial; ter ou já ter tido em gestação anterior pré-eclâmpsia ou eclâmpsia; ter síndrome dos ovários policísticos e usar corticoides. 

O diabetes gestacional pode ocorrer em qualquer mulher e não apresenta sintomas identificáveis. Por isso, recomenda-se que todas as gestantes pesquisem a glicemia de jejum no início da gestação e, aquelas que não têm diabetes pré-existente, a partir da 24ª semana de gravidez (início do 6º mês) devem realizar o exame da glicemia após estímulo da ingestão de glicose, o chamado teste oral de tolerância à glicose. A base do tratamento do DMG é uma alimentação saudável, atividade física e controle das glicemias capilares.


Prevenção no Outono: 7 cuidados para evitar doenças comuns

 Com dias mais frios e secos, o outono traz um aumento nos casos de doenças respiratórias, como resfriados, gripes, rinites e sinusites. Com temperaturas amenas, as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados, contribuindo para que os vírus se propaguem com maior facilidade.

Para enfrentar esse período de forma saudável, o médico Marcos Pimentel, diretor clínico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), destaca a importância da adoção de hábitos saudáveis e atenção redobrada a alguns cuidados.


1- Mantenha uma boa alimentação e hidrate-se

De acordo com o especialista, manter uma alimentação equilibrada e a hidratação adequada são essenciais para reforçar o sistema imunológico. "Hábitos saudáveis, como ingestão de líquidos, água e sucos naturais, além do consumo de frutas, verduras e uma dieta rica em vitaminas e proteínas, ajudam a proteger o organismo", explica Pimentel.

 

2. Lave as mãos com frequência e hidrate a pele
A lavagem regular das mãos ajuda a evitar a propagação de vírus e bactérias. Além disso, com o clima mais seco, hidratar a pele previne o ressecamento e possíveis infecções cutâneas.

 

3. Faça atividades físicas e tenha boas noites de sono

A prática de atividades físicas continua sendo fundamental para a manutenção da saúde, já que colabora bastante para o fortalecimento do sistema imunológico e ajuda a prevenir doenças típicas da estação. Da mesma forma, ter boas noites de sono também é importante para aumentar a imunidade e diminuir as chances de ficar doente.


4. Mantenha os ambientes sempre arejados

Outro ponto importante é a ventilação dos ambientes. "O outono é marcado pelo aumento das crises respiratórias. Por isso, é recomendado ficar sempre em ambientes arejados e, principalmente, atentar-se às roupas que estão guardadas nos armários há um tempo e voltarão a ser utilizadas agora. É importante que sejam lavadas ou expostas ao sol um tempo antes, para eliminação dos ácaros", alerta.

 

5. Considere a suplementação de vitaminas

O médico também ressalta que a suplementação de vitaminas, feita sob orientação médica, pode ser uma aliada para fortalecer o sistema imunológico. A reposição das vitaminas C, D e zinco, por exemplo, influencia diretamente na melhora da imunidade, diminuindo a incidência de diversas doenças.
 

6. Faça lavagem nasal regularmente

O especialista indica a realização de lavagens nasais com soro fisiológico, principalmente para quem tem tendência a rinites e sinusites, como forma de aliviar e prevenir esses problemas.

 

7. Mantenha as vacinas em dia
A vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças respiratórias, como a gripe. Verifique a caderneta de vacinação e atualize as doses necessárias, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.


Fique atento

As doenças mais comuns no outono incluem gripe e resfriado, que têm sintomas semelhantes, mas a gripe é mais intensa. A rinite causa espirros e coriza, enquanto a bronquite provoca tosse seca e dor no peito, podendo evoluir para pneumonia. Já a sinusite gera dor de cabeça, congestão nasal e febre, com causas virais, bacterianas ou alérgicas. Se, apesar da prevenção, houver sintomas, é importante observar a evolução. "Se não houver melhora nas primeiras 48 horas, mesmo com hidratação e alimentação adequada, é recomendado procurar um médico. Caso haja piora do quadro, essa consulta deve ser antecipada", enfatiza Pimentel.

Por fim, é essencial redobrar a atenção com crianças e idosos, pois são os mais vulneráveis às doenças típicas do outono e requerem cuidados especiais. É o caso também de pessoas com doenças crônicas, como diabetes e problemas cardiovasculares. "Esses grupos devem seguir exatamente as recomendações citadas. Uma alimentação balanceada, hidratação, ambientes arejados e acompanhamento médico em caso de sintomas são fundamentais", finaliza o diretor clínico do Evangélico.


 

Hospital Evangélico de Sorocaba

 

Dia Mundial do Sono

A base da saúde que não pode ser ignorada


IOU alerta para os impactos da privação do sono e destaca avanços na área 


Um boa noite de sono é essencial para a saúde física e mental, mas cada vez mais pessoas estão dormindo menos do que deveriam. É preciso reforçar a importância de tratar o sono como um hábito saudável, assim como a alimentação equilibrada e a prática de atividades físicas. O Dia Mundial do Sono, lembrado anualmente em 14 de março, tem como mote em 2025 “Faça da saúde do sono uma prioridade”.

"Dormimos cerca de um terço da nossa vida, e a privação do sono tem consequências diretas na memória, concentração, humor e no ganho de peso ", alerta o Dr. Edilson Zancanella, coordenador do Serviço de Distúrbios do Sono do IOU - Instituto de Otorrinolaringologia & Cirurgia de Cabeça e Pescoço/ Unicamp e presidente da Academia Brasileira do Sono.

Entre os problemas mais comuns que afetam a qualidade do sono estão a apneia, que pode atingir mais de 30% da população economicamente ativa, e a insônia, que impacta cerca de 25% das pessoas, sendo mais comum em mulheres no pós-climatério. Além disso, a restrição do sono é um problema generalizado devido aos hábitos modernos, como o uso excessivo de telas antes de dormir e a falta de uma rotina adequada.

Sono e saúde

De acordo com o Dr. Zancanella, a relação entre sono e saúde está cada vez mais evidente na literatura científica. A privação do sono está associada a doenças como hipertensão, diabetes, obesidade e até câncer. No sistema imunológico, o sono adequado desempenha um papel essencial na produção de citocinas inflamatórias e na proliferação de células T, fundamentais para combater infecções. Além disso, sua relação com a saúde mental é inegável: noites mal dormidas impactam a memória, a concentração e aumentam o risco de depressão e ansiedade.

Nos últimos anos, o diagnóstico dos distúrbios do sono evoluiu consideravelmente. Exames domiciliares estão cada vez mais acessíveis, e os dispositivos vestíveis (wearables) estão sendo validados para auxiliar na análise do sono. No tratamento, avanços incluem novos medicamentos para insônia e narcolepsia, além de técnicas inovadoras para tratar a apneia, como a neuroestimulação do nervo hipoglosso. Os equipamentos de CPAP também estão cada vez mais sofisticados, oferecendo mais conforto aos pacientes.



Quando procurar um especialista?

Sinais como sonolência diurna, ronco frequente, alterações de humor, dificuldades de memória e concentração indicam a necessidade de buscar um especialista. Para melhorar a qualidade do sono, é recomendado manter uma rotina de horário fixo para dormir e acordar, evitar telas antes de dormir e tratar o sono como uma prioridade para a saúde.



Referência em distúrbios do sono

O IOU se destaca no atendimento de distúrbios do sono. Com uma equipe multiprofissional composta por otorrinolaringologistas, pneumologistas, neurologistas, dentistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas, oferece tratamentos completos pelo SUS. Recentemente, o Instituto ampliou sua infraestrutura, passando a contar com oito leitos para polissonografia e o Teste de Múltiplas Latências do Sono, essencial para diagnosticar sonolência excessiva e narcolepsia, um serviço inédito na Região Metropolitana de Campinas (RMC).

A Unicamp acaba de estruturar o Núcleo do Sono e a iniciativa representa um marco para a medicina do sono no Brasil. Este serviço unifica os avanços e pesquisas de diversas áreas, como neurologia, otorrinolaringologia, pneumologia e saúde coletiva, além de fomentar a criação de uma residência médica e multiprofissional na área.

O Núcleo também se destaca pelo uso de tecnologia avançada, incluindo dispositivos vestíveis e novas técnicas de seleção de máscaras para CPAP. Além disso, o IOU está estabelecendo parcerias com instituições acadêmicas e empresas de tecnologia para o desenvolvimento de novas terapias para distúrbios do sono. "O novo equipamento abre portas para colaborações tanto nacionais quanto internacionais, permitindo avanços significativos na área", destaca Zancanella, representante da América Latina na Sociedade Mundial do Sono.





Instituto de Otorrinolaringologia & Cirurgia de Cabeça e Pescoço-IOU
Site
Instagram: @instituto_iou


Planejando engravidar em 2025? Saiba como aumentar suas chances!

Realizar exames preliminares, manter hábitos saudáveis e se informar sobre opções de preservação da fertilidade e tratamentos disponíveis podem aumentar as chances de sucesso 

 

Para aqueles que estão querendo ter filhos ou mesmo aumentar a família, o processo de concepção envolve diversos fatores e, para garantir as melhores chances de sucesso, é fundamental contar com informações atualizadas e precisas sobre fertilidade.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Merck em parceria com o IPEC, que entrevistou mulheres entre 25 e 45 anos, apenas 5% delas afirmaram já ter conversado com um médico sobre preservação da fertilidade ou tratamentos para infertilidade. A pesquisa também revelou que 55% das entrevistadas desconhecem os procedimentos de congelamento de óvulos e embriões, enquanto 86% não sabem o que é a oncopreservação – técnica utilizada para preservar a fertilidade de pessoas que irão iniciar tratamentos oncológicos.

Segundo a Dra. Thais Domingues, do Grupo Huntington, é essencial que as mulheres e casais se informem sobre as opções de preservação da fertilidade e tratamentos disponíveis. “O planejamento antecipado é crucial para aumentar as chances de sucesso e garantir uma gestação saudável”, afirma a médica.

Para ter uma taxa bem-sucedida e realizar o sonho da maternidade, a Dra. Thais dá algumas dicas:

  1. Consulte um especialista - A primeira etapa do planejamento da gravidez deve ser uma consulta com um profissional qualificado. O médico especializado em fertilidade pode avaliar o caso individualmente, oferecendo orientações personalizadas para cada mulher.
  2. Exames Preliminares - Antes de iniciar qualquer tratamento, é importante realizar exames para avaliar a saúde reprodutiva. São incluídos nesse planejamento,  avaliação da reserva ovariana e exames de imagem, entre outros. Já quem está nas tentativas de gravidez, é fundamental incluir análise do sêmen. O diagnóstico precoce é fundamental para identificar possíveis problemas e definir a melhor abordagem.
  3. Hábitos cotidianos - Parece não fazer diferença, mas hábitos saudáveis desempenham um papel crucial na fertilidade. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente e controlar o estresse são fatores que podem melhorar as chances de concepção atual e futura. Evitar o consumo excessivo de álcool, tabaco e outras substâncias também é essencial.
  4. Tratamentos Disponíveis - Para casais que enfrentam dificuldades para engravidar, existem diversas opções de tratamentos de fertilidade. A Fertilização In Vitro (FIV) e a inseminação artificial são alguns dos procedimentos mais comuns. Já para quem deseja postergar a maternidade ou a decisão por ela, recorremos ao congelamento de óvulos como melhor opção. 

De acordo com a Dra. Thais, cada caso é único, e o médico especializado pode recomendar o tratamento mais adequado, levando em consideração a saúde da mulher e do homem, bem como outros fatores relacionados à fertilidade. “Buscar informações confiáveis e tomar decisões informadas, com o apoio de um médico qualificado, é o primeiro passo para um futuro mais seguro e feliz. Planejar com antecedência é a chave para aumentar as chances de uma gestação saudável", conclui.




Huntington Medicina Reprodutiva
Huntington


Alzheimer: mitos e verdades sobre a doença que mais cresce no mundo

Com o aumento de casos muitos mitos ainda cercam a doença. Especialista esclarece o que é fato e o que não devemos acreditar

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 55 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no mundo, sendo que aproximadamente 70% dos casos são decorrentes do Alzheimer. Até 2050, essa estimativa pode triplicar, chegando a 152 milhões de pessoas diagnosticadas com demência.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, há cerca de 1,2 milhão de pessoas com Alzheimer, número que pode saltar para 5,7 milhões até 2050, um aumento de 206%.

A população idosa do Brasil também está em ascensão. Atualmente, o país conta com 32 milhões de pessoas acima dos 60 anos, mas esse número pode dobrar até 2050, ultrapassando 60 milhões, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Diante desse cenário, muitos mitos cercam a doença e podem dificultar o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. O neurologista Dr. Edson Issamu Yokoo, da rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, esclarece o que é verdade e o que é mito sobre o Alzheimer.

1. O Alzheimer pode ser hereditário?

Sim. "Ter casos da doença na família pode aumentar o risco, mas isso não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá Alzheimer. Apenas um pequeno percentual dos casos está ligado a mutações genéticas raras", explica o Dr. Yokoo.

2. Esquecimentos frequentes indicam Alzheimer?

Mito. "Esquecer onde deixou as chaves ou um nome ocasionalmente não é preocupante. O problema é quando esses esquecimentos afetam atividades do dia a dia, como esquecer compromissos importantes ou não reconhecer familiares", alerta o neurologista.

3. É uma doença que afeta apenas idosos?

Mito. "Embora o maior fator de risco seja a idade, existe a forma precoce do Alzheimer, que pode afetar pessoas com menos de 60 anos. Nesses casos, é importante um diagnóstico preciso para diferenciar de outras condições neurológicas", diz o especialista.

4. A doença atinge mais as mulheres?

Verdade. "As mulheres vivem mais que os homens e isso aumenta as chances de desenvolver Alzheimer, mas fatores hormonais e genéticos também podem influenciar na maior prevalência da doença entre elas", comenta o Dr. Yokoo.

5. Não existe cura para o Alzheimer?

Verdade. "Infelizmente, ainda não há cura para a doença, mas os tratamentos disponíveis podem retardar sua progressão e melhorar a qualidade de vida do paciente", ressalta o neurologista.

6. O Alzheimer prejudica apenas o cérebro?

Mito. "Além dos impactos na memória e cognição, a doença pode afetar a coordenação motora, a fala e até a deglutição em estágios avançados, exigindo cuidados multidisciplinares", afirma o especialista.

O que fazer ao perceber sinais de Alzheimer?

O diagnóstico precoce é essencial para garantir um tratamento mais eficaz e uma melhor qualidade de vida ao paciente. "Os primeiros sinais incluem esquecimentos frequentes, dificuldade em executar tarefas cotidianas, mudanças de comportamento e desorientação no tempo e no espaço. Caso esses sintomas sejam percebidos, é fundamental procurar um neurologista ou geriatra para avaliação clínica e exames complementares", orienta o Dr. Yokoo.

Além disso, o suporte familiar e o acompanhamento de profissionais, como terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, podem ajudar a retardar a progressão da doença e garantir mais autonomia ao paciente.

 

 Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo

 

PROCON Santos celebra Mês do Consumidor com programação especial e destaca direitos pouco conhecidos

Atendimentos itinerantes, fiscalizações e ações educativas visam ampliar o acesso à informação e fortalecer a defesa do consumidor 

 

Em comemoração ao Mês do Consumidor, o PROCON Santos preparou uma série de atividades voltadas à conscientização dos direitos dos consumidores e ao fortalecimento da defesa do consumidor. A programação inclui atendimentos itinerantes, fiscalizações, eventos acadêmicos e ações educativas ao longo de março. 

Muitos consumidores desconhecem direitos assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), o que pode levar à perda de benefícios importantes. Por exemplo, é ilegal a cobrança de taxa por perda de comanda em bares e restaurantes, sendo responsabilidade do estabelecimento controlar o consumo do cliente. 

Além disso, os bancos são obrigados a oferecer serviços essenciais gratuitos, como fornecimento de cartão de débito e até 10 folhas de cheque por mês. Outro direito pouco conhecido é que a cobrança de preços diferenciados para homens e mulheres em eventos e casas noturnas é considerada prática abusiva e discriminatória.

 

Programação do Mês do Consumidor em Santos: 

13/03 (quinta-feira) – PROCON Móvel na Praça Visconde de Mauá: Das 10h às 16h, a unidade móvel estará no Centro de Santos, em parceria com a Fundação PROCON/SP e o PROCON Regional, oferecendo atendimento e orientação ao público. 

14/03 (sexta-feira) – Fiscalização no Shopping Praiamar e divulgação das empresas mais reclamadas: O PROCON Santos realizará fiscalização para verificar o cumprimento das normas consumeristas. No mesmo dia, o PROCON-SP divulgará a lista das empresas mais reclamadas de 2024, com um recorte regional para Santos e região. 

15/03 (sábado) – Ação educativa no Shopping Parque Balneário: Das 10h às 16h, em parceria com a Universidade São Judas, estagiários e especialistas do PROCON estarão disponíveis para orientar os consumidores. 

20/03 (quinta-feira) – Aula Magna na Faculdade de Direito São Judas: O diretor do PROCON Santos, Sidney Vida, ministrará a palestra "Direito do Consumidor na Era Digital: Desafios e Oportunidades para a Nova Geração de Juristas", às 19h30. 

27 e 28/03 (quinta e sexta-feira) – Encontro Nacional do Sistema de Defesa do Consumidor em Vitória-ES: O PROCON Santos será representado pelo diretor Sidney Vida no evento que reunirá órgãos de defesa do consumidor de todo o país para debater políticas e estratégias de proteção ao consumidor.

  


Fonte: Sidney Vida – advogado, diretor do PROCON Santos


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