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quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Peso paterno influencia o tamanho da criança ao nascer, constata estudo

O excesso de peso paterno pode levar a alterações
 epigenéticas que afetam o o crescimento feto-placentário
 Freepik
Pesquisadores da USP analisaram dados de 89 pares de pais e filhos e observaram que, quanto maior o índice de massa corporal do genitor, menor era o do recém-nascido – e isso pode influenciar a saúde ao longo de toda a vida

 

 Estudo realizado com 89 pares de pais e filhos mostrou haver uma associação entre o excesso de peso paterno e o peso do bebê ao nascer. Quanto maior o índice de massa corporal (IMC, ou seja, relação peso/altura) do pai, menor era o do recém-nascido.

Os resultados, divulgados no International Journal of Obesity, reforçam a ideia de que questões antropométricas não estão exclusivamente a encargo das mães e que a manutenção de um estilo de vida saudável também deve ser uma preocupação dos homens antes da concepção de um bebê.

“Muito se fala e há muitos estudos sobre a relação entre o desenvolvimento do bebê e a saúde materna, incluindo questões como excesso de peso no período pré-gestacional e gestacional, mas o fato é que a saúde dos pais também tem um grande impacto no desenvolvimento tanto fetal quanto depois do nascimento do bebê. Nosso estudo foi o primeiro realizado com famílias brasileiras a mostrar que, quanto maior o IMC do pai, menor é o peso do bebê no nascimento. E evidencia a importância do pai nas questões de saúde e desenvolvimento do bebê”, destaca Mariana Rinaldi Carvalho, bolsista da FAPESP e coautora do artigo.

O peso do bebê ao nascer é considerado um preditor importante para a saúde não só na infância, mas em toda a vida adulta. Além do maior risco de morte, diversos estudos já demonstraram que bebês que nascem com baixo (ou alto) peso podem vir a desenvolver doenças não transmissíveis ao longo da vida, como as cardiovasculares, diabetes do tipo 2 e alguns tipos de câncer.

O trabalho, realizado por pesquisadoras da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), é o desdobramento um estudo clínico maior apoiado pela FAPESP, que avaliou a efetividade do aconselhamento nutricional em 350 gestantes com sobrepeso, atendidas em Unidades Básicas de Saúde (UBS).

“Em estudos conduzidos entre gestantes notamos haver um componente faltando na equação que envolve o estilo de vida materno e o recém-nascido. Por isso, miramos na análise do efeito da antropometria paterna no desenvolvimento fetal”, conta Daniela Saes Sartorelli, professora do Departamento de Medicina Social da FMRP-USP que orientou o estudo de doutorado de Carvalho.

O grupo ainda vai analisar o efeito da dieta paterna na antropometria e adiposidade neonatal. Serão considerados parâmetros como o consumo de ultraprocessados e a qualidade da gordura da dieta paterna.


Saúde pública

O excesso de peso materno é considerado uma questão de saúde pública. Diversos estudos já demonstraram que o ganho excessivo de peso durante a gestação expõe tanto a mulher quanto o bebê a riscos aumentados de saúde no curto e longo prazo. Na mãe, eleva os riscos de diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia e cesarianas. Na criança, há uma alta probabilidade de, no curto prazo, os bebês nascerem com alto ou baixo peso. No longo prazo, há o risco aumentado de desenvolverem obesidade e doenças associadas, como diabetes tipo 2 ou hipertensão arterial, em uma idade precoce.

Se no caso das mães há uma relação direta via placenta e outras células entre a obesidade e o desenvolvimento fetal, o excesso de peso paterno pode levar a algumas alterações epigenéticas (modificações bioquímicas no DNA que reprogramam a expressão dos genes). Segundo Carvalho, estudos anteriores conduzidos em animais já haviam demonstrado que alguns genes expressos pelo pai podem afetar o crescimento feto-placentário.

De acordo com a pesquisadora, esses estudos evidenciaram que, ainda dentro da barriga da mãe, o feto pode sofrer restrições de crescimento, influenciado pelo excesso de peso paterno, não atingindo o seu potencial genético de crescimento. Basicamente, a exposição paterna aos chamados estressores ambientais no período antes da fecundação, como alimentação, prática de atividade física e tabagismo, por exemplo, pode levar a alterações no metabolismo dos filhos por meio de alterações epigenéticas (leia mais em: agencia.fapesp.br/40302 e agencia.fapesp.br/21915).

“O que se sabe até agora é que esses estressores ambientais, como o excesso de peso, por exemplo, podem influenciar a estrutura e qualidade dos espermatozoides alterando as expressões gênicas e influenciando o DNA do filho. Essa influência está relacionada à epigenética, área da ciência que estuda como estímulos ambientais podem ativar ou silenciar genes”, explica Carvalho.

“É claro que a mãe é um ponto fundamental e, inclusive, os estudos mostram a importância do cuidado nutricional da gestante. Mas é preciso jogar luz sobre a questão do excesso de peso paterno no período pré-concepção. Os resultados mostram que, assim como é importante o aconselhamento nutricional materno, os pais também precisam mudar hábitos antes da concepção”, afirma a pesquisadora.

O estudo realizado com os 89 pais e filhos ainda constatou que, quanto maior o IMC e a circunferência de cintura paternas, menor a circunferência cefálica do recém-nascido. “Não identificamos nenhuma anomalia ou má-formação, mas é uma correlação importante, já que a circunferência cefálica do bebê é um parâmetro relevante de crescimento. No entanto, ainda precisamos de novos estudos para avaliar o real significado desse achado”, afirma Carvalho.

Estudos anteriores sobre obesidade, acrescenta, identificaram que o excesso de peso pode influenciar a deposição mineral óssea do recém-nascido. “Ressaltamos que neste estudo há uma limitação: não tivemos acesso à informação de quanto tempo as mulheres ficaram em trabalho de parto [em caso de parto vaginal]. E sabemos que a circunferência cefálica logo após o nascimento pode ser alterada temporariamente quando o bebê ficou muito tempo no canal vaginal”, conta.

O artigo Relationship between paternal excessive weight and neonatal anthropometry in a clinical trial of nutritional counseling for pregnant women with overweight pode ser lido em: www.nature.com/articles/s41366-024-01639-8#.

 


Maria Fernanda Ziegler
Agência FAPESP https://agencia.fapesp.br/peso-paterno-influencia-o-tamanho-da-crianca-ao-nascer-constata-estudo/53235


Creatina: quais os benefícios e como usá-la?

Especialista explica que o suplemento pode ser indicado para qualquer pessoa, mesmo para quem não é atleta


A creatina é um suplemento popular entre praticantes de atividades físicas, porém, ela pode ser indicada para qualquer pessoa devido aos benefícios proporcionados à saúde, entre eles o aumento da força e massa muscular; efeitos positivos na função cerebral, melhorando a memória e o desempenho cognitivo; e ajuda a preservar a massa muscular e a força em idosos, contribuindo para a manutenção da mobilidade e qualidade de vida.

 

 A endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato orienta como usar a creatina para ter os benefícios citados acima:

 

Consumo Diário: A creatina deve ser consumida diariamente, mesmo nos dias em que não houver treino. A dose ideal na fase de manutenção é entre 3g e 5g por dia.

 

Absorção Otimizada: Para melhor absorção, recomenda-se ingerir a creatina junto com carboidratos. Isso potencializa a eficácia do suplemento.

 

Diluição Adequada: Nunca consuma o pó de creatina diretamente na boca. É essencial diluí-lo em água para evitar irritações e possíveis danos ao esmalte dos dentes.

 

Escolha da Marca: Opte por marcas de qualidade comprovada para garantir a eficácia e segurança do suplemento.


“É importante lembrar que, embora a creatina seja segura para a maioria das pessoas, é aconselhável consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplementação, especialmente para aqueles com condições médicas preexistentes”, alerta Dra. Lorena. 



Dra. Lorena Lima Amato - A especialista é endocrinologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com título da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM), endocrinopediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e doutora pela USP.
Site: https://endocrino.com/
www.amato.com.br
Instagram: https://www.instagram.com/dra.lorenaendocrino/


Anadem pede atenção aos mais de 71 mil casos de câncer de próstata que o Brasil deve registrar só neste ano

Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética reforça a ampla rede de exames e tratamentos disponíveis via SUS

 

Mês dedicado não apenas à saúde, mas também à conscientização masculina sobre a importância de ir ao médico para a prevenção de doenças, o “Novembro Azul” tem como foco principal o câncer de próstata, o segundo mais comum entre os homens, perdendo apenas para o câncer de pele não melanoma. 

Dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) indicam que, em 2023, o câncer de próstata matou 17 mil homens no Brasil, média de 47 por dia. Para 2024, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam 71.370 novos casos da doença, média de 196 diagnósticos diários. 

Embora a campanha “Novembro Azul” exista desde 2008 no Brasil, ainda há preconceito com relação aos exames preventivos, como o de toque retal. “A única maneira de aumentar as chances de cura do câncer de próstata é o diagnóstico precoce, e o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento completo em hospitais especializados em oncologia, além de exames clínicos e cirurgias, como prevê a Política Nacional para a Prevenção e Controle do Câncer”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), Raul Canal.

 

Atente-se!

As Unidades Básicas de Saúde existentes em todo o Brasil oferecem diferentes tipos de exames, como biópsia de próstata, ultrassonografia de próstata por via abdominal, ultrassonografia de próstata via transretal e a dosagem de antígeno prostático específico, o PSA, além dos exames para diagnóstico, como laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos. “Reforçando a importância do tema, em 17 de novembro celebra-se o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata. Então, mesmo sem qualquer tipo de sintoma, homens a partir dos 45 anos, com fatores de risco, ou 50 anos, sem esses fatores, devem procurar um médico urologista”, afirma Canal. 

Entre os principais sintomas, estão a dificuldade de urinar, a demora em começar e terminar de urinar, o sangue na urina, diminuição do jato e a necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. 

Outro ponto importante, que fará a diferença, é adotar bons hábitos e ter um estilo de vida mais saudável, por meio de uma alimentação equilibrada, da prática de atividades físicas e do acompanhamento médico. “Está nas mãos dos homens o poder de diminuir esta alta taxa de mortalidade por conta do câncer de próstata. Rever alguns conceitos é o primeiro passo”, reitera o presidente da Anadem. 



Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética – Anadem
Para saber mais, clique aqui.


Sarampo pode causar conjuntivite e cegueira temporária

Fonte: Biblioteca Virtual em Saúde
 Ministério da Saúde
Mais comum em crianças, a infecção geralmente provoca febre alta, manchas avermelhadas na pele, irritação ocular, entre outros sintomas


O Brasil corre o risco de ter novos surtos de sarampo em razão da queda na cobertura vacinal, alerta a Organização Pan-Americana de Saúde, a OPAS. Grave e altamente contagiosa, a doença pode ser prevenida por meio da vacina tríplice viral, disponível em postos de saúde e que faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. No entanto, de acordo com o Painel de Cobertura Vacinal do Ministério da Saúde, a taxa de imunização caiu de 112%, em 2014, para 84%, em 2024. 

O sarampo é transmitido pela tosse ou espirro da pessoa infectada e afeta principalmente as crianças. Alguns dos sintomas são: febre alta e manchas avermelhadas na pele. “O paciente ainda pode apresentar irritação ocular, conjuntivite, lacrimejamento, olhos secos, embaçamento visual, sensibilidade à luz, entre outras complicações oculares graves, além de cegueira temporária, que sem o tratamento adequado pode gerar transtornos maiores e com comprometimento visual persistente”, alerta o médico oftalmologista Pedro Antonio Nogueira Filho, chefe do Pronto-Socorro do H.Olhos, Hospital de Olhos. 

O médico reforça que receber a vacina é a melhor forma de se proteger do sarampo. De acordo com ele, “se surgirem sintomas suspeitos, os pais devem procurar o atendimento regular para fechar um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento. Também é importante consultar um médico oftalmologista para que o paciente receba os cuidados necessários para a preservação da saúde ocular”. 

A Organização Mundial da Saúde, a OMS, alerta para o aumento consistente dos registros de sarampo em diversas regiões do mundo. Em 2023 foram cerca de 300 mil casos, 79% a mais que no ano anterior. Além disso, de acordo com a OMS, o número de países que reportaram surtos de sarampo passou de 32 para 51, de um ano para o outro1. 

O Brasil chegou a ser reconhecido como livre do sarampo, mas o vírus voltou a circular no país em 2018 e em cinco anos infectou em torno de 48 mil pessoas. Entre os anos de 2018 a 2022 foram confirmados 9.329, 21.704, 8.035, 670 e 41 casos de sarampo, respectivamente. 

Em 2022, os estados que confirmaram casos foram: Rio de Janeiro, Pará, São Paulo e Amapá, sendo que o último caso confirmado foi registrado no estado do Amapá, com data de início do exantema (erupção na pele) em 05/06/2022. Este ano foram registrados 4 casos importados nos estados do Rio Grande do Sul, em janeiro, Minas Gerais, em agosto, e São Paulo, em outubro, em pacientes que visitaram outros países.



Referências:

1 - Link

2- Link


Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez: Cuidados Essenciais para a Saúde Auditiva desde a Infância

A prevenção da perda auditiva depende de simples mudanças de hábitos e da atenção precoce, reforçam especialistas para o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, em 10 de novembro


Em 10 de novembro, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez destaca a importância da atenção com a saúde auditiva, uma questão cada vez mais relevante para a qualidade de vida e comunicação das pessoas.

A perda auditiva é irreversível, mas medidas preventivas são simples e eficazes, como explica a Dra. Maura Neves, otorrinolaringologista e doutora pela USP. “Mudanças de hábitos já proporcionam grandes benefícios para a saúde auditiva, especialmente quando iniciadas desde cedo.”

Entre as principais recomendações da Dra. Maura para a prevenção de problemas auditivos estão:
 

-Evitar exposição prolongada a ambientes barulhentos;

-Utilizar proteção auditiva adequada (EPI) quando exposto a ruídos intensos no trabalho;

-Ouvir música em volume moderado, especialmente com fones de ouvido;

-Procurar atendimento médico em casos de infecção no ouvido, uma causa frequente de perda auditiva;

-Evitar o uso de objetos pontiagudos e cotonetes nos ouvidos, que podem lesionar o tímpano.

-Atenção Redobrada na Infância


A saúde auditiva desde o nascimento é fundamental para o desenvolvimento infantil. A Dra. Roberta Pilla, otorrinolaringologista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), ressalta que os pais devem ficar atentos a sinais de perda auditiva em bebês e crianças, como o aumento do volume da TV, irritabilidade e dificuldade em responder a estímulos sonoros. “Essas pequenas alterações de comportamento podem indicar problemas auditivos leves, mas que impactam profundamente a comunicação e o desenvolvimento da criança”, explica.

O diagnóstico precoce deve começar na maternidade, por meio do teste da orelhinha. Em crianças maiores, a Dra. Roberta recomenda que os pais observem se a criança não reage a sons ou não emite sons básicos após os seis meses. Para estimular a audição e o desenvolvimento da linguagem, atividades como contar histórias, cantar e brincar são essenciais.


Os 4 Estágios da Perda Auditiva

Para uma compreensão da evolução da perda auditiva, a Dra. Maura Neves explica que a perda é classificada em quatro estágios:


Leve: percepção de sons acima de 30 decibéis;

Moderada: percepção de sons a partir de 50 decibéis;

Severa: percepção de sons a partir de 80 decibéis;

Profunda: percepção apenas de sons acima de 100 decibéis.

Neste Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, os especialistas reforçam que a atenção à saúde auditiva e o diagnóstico precoce são essenciais para preservar a comunicação, a integração social e a qualidade de vida de todos.



Dra. Maura Neves – Otorrinolaringologista. Formação: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Residência médica em Otorrinolaringologia no Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasal no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Título de especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF. Doutorado pelo Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP



Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz. Distúrbios da Deglutição. Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022)
2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF
2021- 2022: Secretaria Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF
Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP/São Paulo)


15 mil casos de câncer de boca por ano gera alerta para prevenção no Novembro Vermelho

Campanha destaca importância de identificar sinais precoces e adotar hábitos saudáveis para reduzir risco da doença

Novembro é o mês dedicado à conscientização do câncer de boca, uma doença grave que ocupa o quinto lugar entre os tipos de câncer mais comuns em homens no Brasil e também é preocupante entre as mulheres. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são diagnosticados cerca de 15 mil novos casos da doença anualmente no país, com uma alta taxa de mortalidade, já que muitos pacientes só buscam ajuda médica quando o câncer está em estágio avançado. A campanha Novembro Vermelho busca sensibilizar a população para os fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce, que é crucial para o sucesso do tratamento e para a qualidade de vida dos pacientes.

O câncer de boca se manifesta principalmente nos lábios, gengivas, língua, céu da boca, soalho bucal e na região retromolar, localizada atrás dos dentes do siso. Em 2024, o Novembro Vermelho visa reforçar o conhecimento sobre sintomas que muitas vezes são ignorados, como feridas na boca que não cicatrizam, áreas esbranquiçadas ou avermelhadas, e dores persistentes. Quanto antes a doença for identificada e tratada, maiores são as chances de cura, com uma taxa de sucesso significativamente mais alta em estágios iniciais.

A Dra. Sílvia Picado, Médica Cirurgiã de Cabeça e Pescoço estatutária da Prefeitura Municipal de Santos e Diretora Social da APM Santos, ressalta a importância desta campanha de conscientização para educar a população e reduzir a mortalidade. “Infelizmente, a maioria dos casos de câncer de boca é diagnosticada tardiamente, o que diminui as opções de tratamento e piora o prognóstico. Por isso, alertar sobre os fatores de risco e os sintomas é essencial para a detecção precoce”, explica a especialista.

Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo e o consumo de álcool, cuja combinação potencializa ainda mais o risco de desenvolver câncer de boca. “O tabagismo aumenta em até 15 vezes a chance de aparecimento do câncer, e quando combinado ao álcool, o risco se torna ainda maior. É fundamental que as pessoas entendam que esses hábitos são extremamente prejudiciais”, alerta Dra. Sílvia. Além disso, fatores como dieta pobre em frutas e vegetais, má higiene bucal e exposição excessiva ao sol sem proteção também contribuem para o desenvolvimento da doença.

A especialista também destaca a importância de prestar atenção aos sinais iniciais, que muitas vezes são negligenciados por parecerem inofensivos. “As pessoas devem procurar um médico caso notem qualquer ferida na boca que não cicatrize em até 15 dias, ou alterações na voz, dificuldades para mastigar, nódulos na região do pescoço, entre outros sintomas”, reforça. Ela acrescenta que o mau hálito persistente e a perda de peso sem motivo aparente também podem ser sinais de alerta.

A prevenção é um dos pilares para reduzir a incidência de câncer de boca. De acordo com a Dra. Sílvia, hábitos saudáveis como evitar o consumo de cigarro e álcool, manter uma dieta rica em frutas e vegetais, e usar preservativos durante o sexo oral podem fazer uma diferença significativa na redução do risco da doença. A especialista ainda recomenda o uso de protetores labiais com filtro solar, especialmente para quem tem exposição frequente ao sol.

A higiene oral adequada, com escovação e uso de fio dental diariamente, além de consultas periódicas ao dentista, são medidas fundamentais para detectar qualquer alteração na cavidade bucal. “A visita ao dentista deve ser vista como uma medida de prevenção contra o câncer de boca. Muitas vezes, o dentista pode identificar lesões iniciais e orientar o paciente a buscar uma avaliação mais detalhada com um especialista”, comenta Dra. Sílvia.

A Dra. Sílvia reforça que o papel dos profissionais de saúde é fundamental nesse processo de conscientização e diagnóstico precoce. “Quanto mais cedo uma lesão é identificada, maior a chance de cura. Profissionais de saúde, como médicos e dentistas, têm um papel crucial em orientar e encaminhar o paciente para uma avaliação especializada quando necessário.”

A campanha Novembro Vermelho visa, portanto, incentivar a população a adotar um estilo de vida mais saudável e a buscar ajuda médica ao notar qualquer alteração na região da boca e garganta. Com o diagnóstico precoce, é possível aumentar consideravelmente as chances de sucesso no tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes que enfrentam essa doença.

 

Dra. Sílvia Picado - possui graduação em Ciências Médicas pelo Centro Universitário Lusíada (UNILUS). Concluiu Residência Médica em Cirurgia de Cabeça e Pescoço em 2015 e obteve o título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) no mesmo ano, tornando-se membro efetivo e integrante da atual comissão de marketing da SBCCP. Em 2019, a Dra. Sílvia Picado concluiu o mestrado no programa de Pós-graduação em Fisiopatologia Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Atualmente, exerce o cargo de professora na UNILUS e é a Diretora Social da Associação Paulista de Medicina de Santos (APM Santos).

 

Alergia a roupas? Especialista aponta possíveis causas

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Profissional esclarece que sintomas podem estar relacionados ao tipo de tecido da peça ou ao sabão utilizado para lavá-las

 

A irritação ou coceira na pele após usar uma roupa nova pode ser mais do que um mero desconforto. Muitas vezes, esses sintomas são sinais de alergia, e a origem dessas reações, comumente é complexa e multifatorial. Embora o tipo de tecido, sua composição e o acabamento das roupas possam desencadear reações alérgicas, outros fatores, como o sabão utilizado na lavagem, também podem ser os agentes causadores.

“A pele é um dos maiores órgãos do corpo humano e por isso é extremamente sensível a substâncias químicas presentes em produtos de lavanderia. Detergentes, amaciantes e até mesmo produtos de limpeza utilizados nas roupas podem conter ingredientes que irritam ou sensibilizam a pele, levando a manifestação de sintomas”, explica Julinha Lazaretti, cofundadora da Alergoshop, rede referência na fabricação de itens hipoalergênicos.

 

Alergias e detergentes: uma relação rara, mas possível

Um estudo publicado no Journal of the American Academy of Dermatology revelou que apenas 0,7% dos pacientes com dermatite reagiram a uma diluição aquosa de 0,1% de um detergente para roupas. Essa baixa incidência torna a identificação da causa da alergia ainda mais complexa. Para muitas pessoas, o desconforto pode surgir de uma combinação de fatores que incluem o tipo de tecido, a qualidade do sabão e a presença de aditivos químicos.

Os sintomas alérgicos se manifestam de várias formas. Eles podem incluir coceira intensa, vermelhidão, erupções cutâneas e até mesmo descamação da pele. A dificuldade em relacionar esses sintomas a produtos específicos pode levar a um ciclo de desconforto

Julinha enfatiza que é importante estar atento a quaisquer reações adversas após a troca de produtos de lavanderia. "Observar quando e como surgem os sintomas é fundamental para determinar a fonte da alergia”, explica. Essa vigilância facilita a identificação dos produtos problemáticos e ajudar a evitar novas reações.

 

Como lidar com a alergia ao sabão?

“Se você suspeita que a alergia possa estar relacionada ao sabão, é fundamental verificar cuidadosamente o rótulo dos produtos que utiliza”, indica Lazaretti. De acordo com a profissional, uma fórmula de qualidade deve ser fabricada sem a adição de tensoativos agressivos, conservantes sintéticos, corantes e fragrâncias. O item da marca, por exemplo, é feito com 100% de óleo de coco e ainda substitui o amaciante, se consolidando como uma opção segura para quem busca evitar reações alérgicas.

 

Julinha destaca que o uso de produtos que realmente respeitem a saúde da pele é fundamental para prevenir desconfortos. “Muitas marcas afirmam conter óleo de coco, em suas fórmulas, quando, na realidade, acrescentam essências ou compostos similares, o que é extremamente perigoso”, afirma.

A transparência e a qualidade dos componentes são essenciais para garantir a eficácia do produto, especialmente para pessoas com pele sensível. Ao escolher um sabão hipoalergênico e livre de aditivos prejudiciais, os consumidores reduzem significativamente o risco de reações alérgicas.

 

Como prevenir sintomas?

Além da escolha de um sabão de qualidade, existem outras medidas que podem ser tomadas para prevenir sintomas alérgicos. Optar por roupas feitas de tecidos naturais, como algodão e linho, é uma boa estratégia, já que esses materiais são menos propensos a causar irritações.

Outra dica importante é lavar roupas novas antes do uso. Muitas vezes, as peças passam por processos que podem incluir produtos químicos e corantes que afetam a pele. Higienizá-las antes do uso auxilia na remoção desses resíduos indesejados, reduzindo o risco de reações alérgicas.

Por fim, manter um ambiente de lavagem limpo e livre de alérgenos é essencial. O uso de água quente e a limpeza regular da máquina de lavar ajudam a eliminar resíduos de produtos anteriores que possam causar irritações.

 

Alergoshop
Referência em desenvolvimento e comercialização de produtos hipoalergênicos, a rede atua há 30 anos no mercado https://alergoshop.com.br/


Novembro Azul: Médico Aponta Consequências Do Diagnóstico Tardio Do Câncer De Próstata

Urologista esclarece cuidados gerais com a saúde do homem para evitar problemas como incontinência urinária e disfunção erétil

 

A campanha Novembro Azul, direcionada ao câncer de próstata – o mais incidente no homem e um dos que mais mata no país – é também um chamariz para diferentes cuidados necessários com a saúde masculina, incluindo problemas de ereção, que pode ser consequência de um diagnóstico tardio de câncer de próstata, por exemplo. O assunto ainda é tabu em muitas famílias brasileiras, mas a disfunção sexual é uma realidade cada vez mais presente em homens acima dos 40 anos.

De acordo com um dos principais estudos sobre saúde sexual masculina, o Massachusetts Male Aging Study, a disfunção erétil afeta até 52% dos homens entre 40 e 70 anos de idade. Além disso, quase 10% apresentam casos graves e de difícil tratamento. Isso porque muitos pacientes buscam ajuda apenas quando a situação já está avançada.

O médico andrologista e urologista, Tiago Cesar Mierzwa, explica que ao receber um paciente para exames de rotina acaba muitas vezes realizando outros tratamentos, pois é comum o paciente ter diversas queixas que acreditava serem comuns do envelhecimento. Entre as principais condições tratadas pelo andrologista estão, além da disfunção erétil, distúrbios da ejaculação, correção de deformidades penianas, deficiência de testosterona, implante de próteses penianas e a infertilidade conjugal devido ao fator masculino. E em qualquer uma delas, mesmo com a relação sexual comprometida, a maioria dos homens resiste em procurar um consultório médico.

“Muitas vezes esses pacientes com alguma disfunção sexual vão diretamente à farmácia, se automedicam por vergonha de falar sobre o tema, o que prejudica a possibilidade de tratamento. Na maioria dos casos, são as parcerias que trazem este paciente até o consultório, e isso quando a situação está ficando insustentável. É compreensível, mas totalmente desnecessário esse comportamento, já que a disfunção erétil é totalmente possível de acontecer no decorrer da vida e tratar é a melhor forma de trazer qualidade de vida ao paciente e ao casal”, esclarece.

Entre outras circunstâncias que apontam o quanto a busca por um médico especialista é fundamental é o fato da disfunção erétil ser mais preeminente quando o tratamento doenças como o câncer de próstata são tardios, visto a necessidade de cirurgias mais extensas ou de tratamentos como radioterapia ou hormonioterapia concomitante.

“O receio em procurar o urologista pode acarretar em diagnósticos demorados de diversas doenças, comprometer o sistema reprodutivo, assim como a piora da qualidade de vida naqueles casos de disfunções sexuais não tratadas. Quando temos diagnóstico precoce, conseguimos melhores taxas de cura e menores complicações, como no caso do câncer de próstata. Quando diagnosticado precocemente a taxa de cura é de mais de 90%”, relata Mierzwa.


Incontinência Urinária

Embora menos frequente, a incontinência urinária é uma doença preocupante e que pode ser devastadora para qualidade de vida. Esse quadro pode surgir após a prostatectomia, procedimento cirúrgico em que a próstata é removida, especialmente indicado em casos de câncer de próstata, e quanto mais avançada a doença, mais extensa a cirurgia ou maior a necessidade de outros tratamentos, que também irão aumentar o risco de incontinência. 

A incontinência urinária frequentemente está relacionada à incapacidade do músculo esfíncter uretral de controlar a abertura e o fechamento da uretra, gerando desconforto e impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. “Isso acontece porque o esfíncter uretral não consegue controlar a eliminação da urina. Em muitos casos, é essencial realizar a reabilitação do assoalho pélvico para ajudar na recuperação da continência,” explica Dr. Mierzwa, especialista em urologia que esclarece ainda que o tratamento de incontinência deve ser iniciado o mais rapidamente possível, preferencialmente dentro dos primeiros três meses após a cirurgia.

“Este acompanhamento deve ser feito por um médico urologista e, em muitos casos, será benéfico incluir a atuação de um fisioterapeuta especializado em saúde pélvica, o que pode proporcionar ao paciente uma abordagem mais completa e efetiva para lidar com a incontinência”, conta o andrologista.

 

Passo a Passo para Identificação do Câncer de Próstata

  1. Exame de Sangue (PSA): O exame de Antígeno Prostático Específico (PSA) mede os níveis de uma proteína produzida pela próstata. Níveis elevados podem ser um indicativo de problemas, incluindo câncer de próstata.
  2. Exame de Toque Retal: Esse exame é uma avaliação física que permite ao médico sentir a próstata e identificar qualquer anormalidade.
  3. Consulta de Rotina: Consultas médicas regulares, especialmente após os 50 anos, são essenciais para monitorar a saúde da próstata. O histórico familiar também deve ser considerado.
  4. Ultrassonografia e Biópsia: Se os exames iniciais indicarem a possibilidade de câncer, o médico pode solicitar uma ultrassonografia , uma biópsia da próstata para confirmar o diagnóstico.
  5. Exames de Imagem: Exames como a ressonância magnética podem ser realizados para avaliar a extensão do câncer caso o diagnóstico seja positivo.

Essas práticas não apenas auxiliam na detecção precoce do câncer de próstata, mas também promovem uma intervenção mais eficaz, reduzindo as chances de complicações e melhorando a qualidade de vida do paciente. É fundamental que homens, especialmente aqueles com histórico familiar, estejam cientes da importância de monitorar sua saúde prostática regularmente.

“Acho que a maior preocupação, na verdade, é levar informação aos homens porque muitos vão se adaptando e se acostumam com determinadas situações, seja um desconforto na assoalho pélvico, seja uma disfunção erétil, por anos, inviabilizando um tratamento eficaz que poderia ser facilmente resolvido. Às vezes, com um tratamento simples, eles retornam e relatam que gostariam de ter vindo muito antes porque estão se sentindo bem e felizes com suas parcerias”, finaliza o especialista em urologia, Tiago Mierzwa. 

 



Tiago Cesar Mierzwa - - Urologista e Andrologista. Especialista em medicina sexual e reprodutiva do homem 
- Mestre em Clinica Cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná. Coordenador dos Serviços de Andrologia do Hospital Nossa Senhora das Graças e Hospital Universitário Cajuru. Membro Professor do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia. Membro da Sociedade Brasileira de Urologia/ American Urological Association/ International Society for Sexual Medicine/ Sociedade LatinoAmericana de Medicina Sexual/ ABEMSS/ Confederación Americana de Urologia/ Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida. Semanalmente produz conteúdos ligados à saúde sexual e reprodutiva do homem em suas redes sociais, site e canal no Youtube.

IG: @drtiago.urologia
www.andrologia.curitiba.br
https://www.youtube.com/@drtiagomierzwaandrologia


Lipoaspiração como tratamento para lipedema: cirurgia pode melhorar qualidade de vida das pacientes

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Técnica segura e eficaz oferece alívio dos sintomas de uma doença crônica que afeta milhões de mulheres

 

O lipedema é uma doença crônica que acomete cerca de 10 milhões de mulheres no Brasil e aproximadamente 10% da população feminina mundial. Caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura em áreas como quadris e pernas, ele vai além de uma questão estética. A doença provoca dores constantes, sensação de peso nos membros e alterações na textura da pele que, embora lembrem celulite, não são. A doença costuma afetar a mobilidade das pacientes, que podem se sentir limitadas até mesmo para realizar atividades cotidianas.

Apesar dos esforços com exercícios físicos e dietas direcionadas, muitas pacientes não obtêm alívio significativo dos sintomas. Quando o quadro não responde a tratamentos convencionais, a lipoaspiração surge como uma alternativa terapêutica recomendada. “O lipedema é uma condição que vai muito além de uma simples questão estética e pode ter impactos profundos na mobilidade e bem-estar das pacientes. A lipoaspiração, quando realizada para tratar o lipedema, proporciona uma melhora real na dor, no peso dos membros e, especialmente, na qualidade de vida das pacientes, que muitas vezes sentem um alívio que não conseguiram com outros tratamentos”, afirma o cirurgião plástico, Filipe Villaça.

A lipoaspiração para o tratamento do lipedema é um procedimento que demanda técnica e conhecimento especializado. A cirurgia é realizada com o objetivo de remover o excesso de gordura doente, preservando os tecidos saudáveis e reduzindo os sintomas dolorosos e desconfortáveis que caracterizam a doença. Diferente da lipoaspiração estética, o procedimento foca na restauração da mobilidade e no alívio das dores, ajudando as pacientes a retomarem suas atividades com maior autonomia. Segundo especialistas, a cirurgia deve ser acompanhada de cuidados pós-operatórios rigorosos e uma abordagem multidisciplinar, que inclui fisioterapia e acompanhamento nutricional para manter os resultados a longo prazo.


Você sabe o que é movember?

Com o início do Novembro Azul, especialistas trazem dicas para a saúde masculina

 

Segundo dados da National Institutes of Health (NIH), mais de um milhão de homens são diagnosticados anualmente com câncer de próstata. Ainda foi constatado que 1 em cada 5 receberão esse diagnóstico ao longo de sua vida. Diante desse panorama, foi criado o Movember que, de maneira similar ao Novembro Azul, busca aumentar a conscientização sobre a saúde masculina, com foco especial na prevenção de doenças como o câncer de testículo e questões de saúde mental.

O movimento foi criado em 2003, na Austrália, quando um grupo de amigos decidiu deixar o bigode crescer durante o mês de novembro para chamar atenção para o bem-estar masculino. Com o tempo, a iniciativa ganhou apoio global e se transformou em um movimento oficial. Hoje, o Movember Foundation financia projetos que visam combater o câncer de próstata, o câncer de testículo e incentivam discussões sobre saúde masculina e a importância da prevenção.

Com isso, é importante ressaltar que os cuidados não se restringem apenas a idas a consultas médicas - a rotina possui grande influência na manutenção de um corpo e de uma mente saudáveis. Portanto, confira abaixo dicas de especialistas com pequenas mudanças no dia a dia que asseguram qualidade de vida a longo prazo.

 

Saúde mental

A saúde mental é fundamental em todas as fases da vida, mas, ao longo da idade, cuidar dela se torna ainda mais essencial para manter a autonomia e a qualidade de vida. Segundo o geriatra Vitor Hugo de Oliveira, CEO da Acuidar, rede de cuidadores, é importante inserir atividades que estimulem a mente, como leitura, jogos de raciocínio e aprendizado de novas habilidades. Esses exercícios ajudam a fortalecer as conexões neurais, prevenindo o declínio cognitivo e promovendo uma longevidade saudável.

 

Exercícios físicos

Segundo Ewerthon Henrique, que fez uma carreira de 30 anos no futebol, praticar esportes é fundamental para manter a flexibilidade, força muscular e saúde cardiovascular. Ele recomenda ao menos 150 minutos de prática moderada por semana, para ajudar a prevenir doenças crônicas e melhorar a disposição no dia a dia. Esse tempo pode facilmente ser convertido em atividades prazerosas, como 2 partidas de futebol ou vôlei com os amigos.

O profissional ainda reforça que os exercícios contribuem para o bem-estar mental, reduzindo o estresse e promovendo o equilíbrio emocional.


Saúde bucal

Muitos homens acabam negligenciando a saúde bucal, mas ela é essencial para o bem-estar geral. De acordo com Emerson Ribeiro, cirurgião-dentista especializado em ortodontia e implantodontia, a falta de cuidados com os dentes pode levar a problemas graves, como infecções e doenças periodontais que afetam até o sistema cardiovascular.

Ele recomenda escovar os dentes após cada refeição, usar fio dental diariamente e fazer visitas regulares ao dentista. Manter uma higiene bucal adequada não apenas preserva o sorriso, mas também protege contra doenças sistêmicas.

 

Skincare

O cuidado com a pele é fundamental para os homens, especialmente com o passar dos anos, dado o aumento da sensibilidade cutânea. Kelly Nogueira, fundadora da Espaço Make, franquia de cosméticos, explica que uma rotina de cuidados simples, incluindo limpeza, hidratação e uso de protetor solar, ajuda a prevenir o envelhecimento precoce e o surgimento de manchas e irritações.

A profissional ainda recomenda a busca por produtos específicos para cada tipo de pele e reforça que esses cuidados devem ser diários para garantir uma pele saudável e bem cuidada.

 

Cuidados com a barba

Manter a barba em dia vai além da estética – é também uma questão de saúde da pele. Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da Alergoshop, rede referência na produção de cosméticos para peles sensíveis, recomenda o uso de produtos hipoalergênicos para evitar dermatites e vermelhidões.

Ela ainda reforça a importância  da limpeza adequada da barba, bem como o uso de óleos específicos para hidratação e produtos que não causem irritações. Esses cuidados não apenas evitam desconfortos, mas também deixam a barba mais macia e bem cuidada.

 

Cabelos também merecem atenção

Segundo Marina Groke, especialista em beleza da Escova Express, o cabelo masculino também exige cuidados específicos para se manter saudável e bonito. Ela recomenda lavá-lo com produtos adequados ao tipo de fio, evitar o uso excessivo de calor (como secador e chapinha) e hidratar semanalmente.

Esses cuidados ajudam a prevenir problemas como caspa, ressecamento e queda, além de manter o cabelo com uma aparência mais forte e saudável.

 

Hidratação de mãos e pés

Cuidar das mãos e pés é essencial para a saúde da pele e das unhas, especialmente em regiões onde há tendência de ressecamento. Mauricio Cesar, CEO da Unhas Cariocas, indica o uso de cremes hidratantes específicos para essas áreas, preferencialmente com ureia, que ajuda na renovação celular.

 

Necessaire de cuidados

Uma necessaire equipada com produtos essenciais facilita a rotina e garante cuidados em qualquer lugar. Rogério Zorzetto, CEO da Prioridade 10, franquia de artigos diversos, sugere incluir miniaturas de produtos como desodorante, creme hidratante, protetor solar, um pente e um gel de limpeza para o rosto. O profissional reforça que adquirir kits com embalagens plásticas em tamanho reduzido é uma boa alternativa, permitindo abastecê-los com os cosméticos utilizados diariamente.

Com esses itens, é possível manter-se preparado e bem cuidado ao longo do dia, seja no trabalho, na academia ou em viagens.


3 dicas para dormir melhor

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O mundo enfrenta uma verdadeira epidemia de distúrbios do sono e uso de medicamentos para induzi-lo. Embora toda insônia deva ser investigada clinicamente, é possível melhorar a qualidade do descanso aproveitando algo que está ao alcance de todos: a nossa própria fisiologia evolutiva.  

Grande parte dos problemas envolvendo o sono têm origem em aspectos evolutivos do corpo humano, que reage a desiquilíbrios e interpreta que não podemos nos dar ao luxo de dormir quando estamos cansados. Algumas práticas simples podem contribuir para um sono mais reparador:

  1. Reduza o consumo de açúcar: alimentos alto teor de açúcar, geram picos de insulina que podem tornar as células resistentes a esse hormônio, dificultando a entrada de glicose. Isso faz com que o cérebro interprete a situação como "fome", ativando os circuitos da proteína orexina, que impede de dormir por entender que precisamos buscar alimento.
  1. Use filtros nas telas e evite jogos eletrônicos antes de dormir: a luz azul de dispositivos tecnológicos interfere na produção de melatonina, atrasando o início do sono. Por isso, a orientação de usar filtros que bloqueiam essa luz. Além disso, a dopamina liberada durante jogos ou discussões online estimula o cérebro, mantendo-o desperto, o que explica por que muitos adolescentes viram a noite jogando videogames. 
  1. Gerencie o estresse e evite estimulantes: a exaustão mental desencadeia a liberação de cortisol, um hormônio que ativa os centros cerebrais responsáveis pelo estado de alerta. Somando a isso, a produção de noradrenalina e adrenalina em situações estressantes aumenta a atividade cerebral, dificultando um sono tranquilo e restaurador. 


Isabel Braga - médica, doutora pela Fiocruz, referência em transtornos do sono e autora do livro Noites de Renovação.


Mielomeningocele: doença rara ocorre nas primeiras semanas de gestação e pode causar sequelas graves

 

  • Pacientes podem perder a função da bexiga, impactando a qualidade de vida

·         Cateter hidrofílico ajuda a esvaziar a bexiga com mais conforto, praticidade e segurança 

 

Celebrado em 25 de outubro, o Dia Internacional de Conscientização da Mielomeningocele é uma oportunidade para ampliar o conhecimento da população a respeito dessa doença rara. A maioria das pessoas não sabe, mas a condição ocorre nos primeiras semanas de gestação, por isso é muito importante que, quem deseja engravidar, adquira todas as informações necessárias para prevenir a doença. 

Mãe de Vitor, de 17 anos, Nina Campos conta que recebeu o diagnóstico de que seu bebê tinha a doença com 34 semanas de gestação. “Por muito tempo me cobrei e me culpei, pois quando descobri a gestação do Vitor eu não estava tomando ácido fólico, e era a primeira pergunta que os médicos me faziam. Com 34 semanas de gestação descobrimos que ele viria com uma malformação na coluna, hidrocefalia e cardiopatia, além de ser um bebê bem pequeno para a idade gestacional”, explica. Apesar de a causa dessa malformação ainda não ter sido definida, existem evidências científicas há mais de 3 décadas de que o ácido fólico tem efeito protetor na prevenção de defeitos do tubo neural.[i] 

A mielomeningocele é uma malformação do nervoso central que provoca o desenvolvimento inadequado da coluna vertebral que faz com que os ossos não se formem adequadamente, causando um defeito no fechamento do tubo neural.[ii][iii] Está associada a severas sequelas neurológicas[iv], que podem causar significativa morbidade e mortalidade[v]. Os problemas físicos mais presentes nos pacientes com mielomeningocele são graus variados de défices neurológicos e sensório-motores, disfunções urogenitais e intestinais e malformações esqueléticas[vi]. 

Assim que recebeu o diagnóstico, Nina e toda a sua família ficaram extremamente abaladas, pois nenhum conhecido sequer havia ouvido falar sobre a doença. “Não conhecíamos ninguém com algum tipo de conhecimento e as pesquisas e os profissionais só tiravam nossas esperanças”, afirma. Mas Vitor nasceu com 36 semanas, bem mais forte que todos imaginavam e com poucas horas de vida enfrentou sua primeira cirurgia. “Ele fez o procedimento para o fechamento da mielomeningocele, que, apesar de não corrigir a malformação, é extremamente necessário”, diz. 

Segundo a mãe de Vitor, os médicos sempre a alertaram a respeito das sequelas motoras, e principalmente, das lesões da bexiga e do intestino. “Com muito acompanhamento de terapias e consultas, ele conseguiu caminhar aos quatro aninhos, não desenvolveu a hidrocefalia e até a adolescência tinha o controle parcial da funções da bexiga e intestino, sem a necessidade de uso de cateter para esvaziar a bexiga”, ressalta.

No entanto, aos 13 anos, com o crescimento rápido que é comum para a idade, Vitor não conseguia mais caminhar, tendo que fazer uso de cadeira de rodas, além de ter perdido o controle dos esfíncteres, estruturas musculares responsáveis pela eliminação das fezes e da urina. “Ele fez uma cirurgia para operar a medula ancorada e após cinco meses já caminhava novamente e pode voltar ao futebol”. 

Ainda assim, Vitor precisou usar o cateterismo intermitente limpo para ajudá-lo a esvaziar a bexiga. “No começo foi extremamente difícil, pois iniciamos com os cateteres comuns de PVC, que machucavam muito a uretra do Vitão, causando estenose algumas vezes e inúmeras infecções de urina que tinham que ser tratadas com medicação intravenosa”, esclarece Nina. Até que um especialista a alertou sobre a necessidade de trocar os cateteres de PVC por hidrofílicos, que reduzem o atrito com a uretra e diminuem as infecções de repetição. 

“Isso foi o divisor de águas na vida do meu filho. Recebemos orientação que jamais tínhamos recebido em quase um ano de uso de cateterismo. Desde então o cateter hidrofílico faz parte da nossa rotina e nunca mais a estenose de uretra aconteceu e, com o tempo, as infecções de urina também não. Hoje estamos totalmente adaptados, recebendo a orientação da equipe do Programa Ativa da Coloplast e o Vitão tem muito mais qualidade de vida”, conclui. 

Para Nina, ser mãe atípica, é confiar no coração materno. “Como mãe de uma criança com mielomeningocele, quero deixar meu relato para você que possa estar com seu bebê no ventre ou seu pequeno mielo no colo, e pode se ver perdida em meio a tantas informações: confie no seu instinto, lute pelos direitos e pelo que há de melhor para seu filho”,

   


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