Docente da Unifran detalha o processo de cicatrização do Implanon, ensina cuidados pós-inserção e aponta sinais que exigem atenção médica
Com o avanço dos métodos contraceptivos de longa
duração no Brasil, como o DIU e o implante no braço, o Implanon tem se
destacado por sua alta eficácia: 99,95% de proteção logo nas primeiras 24 horas
após a colocação. Contudo, o receio em relação ao procedimento e às reações
locais no braço ainda afasta muitas mulheres do método. Para desmistificar esse
processo, a Profa. Dra. Elisabete Lilian, ginecologista e docente do curso de
Medicina da Unifran, esclarece o que de fato é esperado no pós-procedimento e quais
cuidados garantem uma recuperação rápida e tranquila.
"O medo da inserção é a principal barreira
para muitas mulheres. Mas, quando explicamos o passo a passo e o que esperar no
pós-procedimento, a segurança e a adesão aumentam muito. O desconforto é
passageiro, totalmente controlável e infinitamente menor do que o impacto de
uma gravidez não planejada", afirma a docente.
Sintomas normais e esperados após colocar o
implante
Nos primeiros dias após a colocação do implante na
parte interna do braço, o organismo inicia um processo natural de cicatrização
e reação à presença do bastonete. Segundo a Dra. Elisabete, três sintomas
locais são considerados perfeitamente normais e passageiros:
- Dor
local e sensibilidade: caracterizada como leve a moderada (nota 3 a
5 em uma escala de 0 a 10), assemelha-se à dor de uma vacina ou de uma coleta
de sangue mais profunda. Costuma durar de 24 a 72 horas e melhora com
analgésicos simples (como dipirona ou paracetamol).
- Hematoma
(o "roxinho"): surge devido ao rompimento
de pequenos vasos de sangue durante a aplicação sob a pele. É uma resposta
natural do corpo e desaparece sozinho entre 7 e 14 dias. A cor evolui do
roxo para o esverdeado e amarelo até sumir, o que indica que o sangue está
sendo reabsorvido pelo organismo.
- Inchaço
discreto: uma leve reação inflamatória decorrente do
início da cicatrização ao redor do bastonete. "A paciente pode sentir
um pequeno 'carocinho' no local ao tocar, mas visualmente quase não se
nota. Não há calor excessivo nem vermelhidão importante, e o inchaço some
em poucos dias, sem atrapalhar os movimentos do braço", detalha.
"É fundamental que a paciente entenda que esse
desconforto é decorrente do procedimento físico de aplicação e não tem qualquer
relação com os hormônios do implante. Já atendi mulheres que ficaram ansiosas
achando que o corpo havia 'rejeitado o hormônio' por causa do roxo na pele, o
que é um mito. O pós-inserção é muito curto se comparado ao benefício do
método: são cerca de três dias de desconforto leve para garantir três anos de
tranquilidade anticoncepcional", explica a médica.
Cuidados fáceis para ajudar na recuperação em casa
Para diminuir o desconforto e acelerar a
cicatrização, a especialista recomenda cuidados simples divididos em duas
etapas:
Nas primeiras 48 horas (Fase De Proteção):
- Compressa
fria: aplique gelo (sempre embrulhado em um pano para não queimar a
pele) por 15 minutos, de 3 a 4 vezes ao dia. O frio ajuda a contrair os
vasinhos, reduzindo o inchaço e diminuindo o roxo.
- Curativo
seco: mantenha o curativo colocado no consultório seco por 24 horas para
evitar que o roxo aumente. No banho, proteja a região com plástico filme.
- Evite
esforço: não carregue peso, não use bolsas pesadas e
evite musculação ou exercícios intensos com o braço em que o implante foi
colocado por dois dias.
- Roupas
confortáveis: use blusas com mangas folgadas para evitar
que o tecido fique roçando na área sensibilizada.
Do 3º ao 7º dia (Fase de Cicatrização):
- Compressa
morna: após as primeiras 48 horas, compressas com
pano morno (por 10 minutos, 3 vezes ao dia) ajudam o corpo a desfazer o
roxo mais rápido.
- Hidratação
da pele: após a remoção do curativo, hidratantes sem
perfume podem ser aplicados para melhorar a cicatrização e aliviar
eventuais coceiras.
- Movimentação
leve: movimentar o braço normalmente é indicado para evitar rigidez.
A médica alerta que a paciente não deve massagear
ou apertar o local do implante na primeira semana para evitar que ele se
desloque ou que a inflamação aumente. Também não se deve aplicar pomadas sem
falar com o médico, nem expor a área ao sol enquanto houver manchas roxas para
evitar manchas permanentes na pele.
Mitos comuns desmistificados
A docente da Unifran aproveita para desmistificar
dois receios frequentes que surgem nos consultórios:
- "O
implante pode quebrar dentro do braço?"
- Mito. O
bastonete de 4 cm é feito de um material flexível e muito resistente. Ele
não quebra com atividades físicas comuns, movimentos bruscos ou mesmo em
caso de quedas.
- "É
necessário fazer repouso absoluto?"
- Mito. A
rotina de trabalho, direção e atividades leves está liberada no mesmo dia
da aplicação. A única recomendação é evitar carregar peso ou treinar o
braço nas primeiras 48 horas.
Quando se preocupar: os sinais de alerta
Embora problemas mais graves aconteçam em menos de
2% das pacientes na prática clínica, a docente orienta que o ginecologista deve
ser consultado se surgirem sintomas fora do comum:
- Sinais
de infecção: vermelhidão intensa que se espalha pelo braço
acompanhada de sensação de calor, febre acima de 38°C ou presença de pus
no furinho onde o implante foi colocado.
- Dor
muito forte: dor intensa (nota 8 a 10) que não melhora com
analgésicos comuns, piora após 48 horas, impede os movimentos do braço ou
chega a acordar a paciente à noite.
- Roxo
que não para de crescer: hematoma que aumenta
rapidamente de tamanho ou forma uma "bola" rígida sob a pele que
ultrapasse o tamanho de 6 centímetros.
- Não
sentir o implante ao toque: o implante deve ser sempre
palpável logo abaixo da pele. Se você deixar de senti-lo ao toque ou se a
pele sobre ele parecer "repuxada", consulte o ginecologista.
- Reação
alérgica: coceira intensa, placas vermelhas pelo corpo
ou inchaço no rosto/lábios nas primeiras horas (relação rara, geralmente
ligada à anestesia local).
- Dormência
ou formigamento: sensação de formigamento, perda de força ou
dormência no braço que durem mais de 24 horas.
"Como prática de cuidado, costumo agendar um
retorno presencial entre 7 e 14 dias após a inserção apenas para avaliar a
cicatrização e tirar dúvidas, o que traz muita segurança para a paciente",
conclui a Dra. Elisabete Lilian.
Unifran
www.unifran.edu.br
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