Estudos mostram que nutrientes como vitamina D, ácido fólico e mio-inositol auxiliam na regulação hormonal, fertilidade e qualidade de vida das mulheres com síndrome dos ovários policísticos
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é
considerada a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva,
atingindo entre 6% e 15% desse público no mundo. Apesar de frequente, o
diagnóstico ainda é um desafio, pois os sintomas podem variar e se confundir
com outras condições. Nos últimos anos, além dos tratamentos tradicionais, a
ciência tem apontado o papel fundamental de suplementos e vitaminas na melhoria
dos sintomas e da fertilidade.
Segundo a Dra. Rita Piscopo, ginecologista e associada da AMCR –
Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil, o acompanhamento
clínico aliado a estratégias nutricionais tem se mostrado cada vez mais eficaz.
“Hoje sabemos que vitaminas como B12, D e ácido fólico, assim como o
mio-inositol, são aliados importantes para regular o ciclo menstrual, reduzir a
resistência insulínica e melhorar a função ovariana em mulheres com SOP”,
afirma.
Um dos suplementos mais promissores é o mio-inositol, substância
naturalmente presente em alimentos como milho, castanhas e frutas. Ele atua
como sensibilizador da insulina, favorecendo a indução da ovulação e
apresentando resultados superiores em tolerabilidade quando comparado à
metformina. Pesquisas recentes apontam que seu uso pode melhorar inclusive os
resultados de fertilização in vitro em pacientes com SOP.
Outro nutriente essencial é o ácido fólico, tradicionalmente
recomendado na fase de pré-concepção para prevenir defeitos do tubo neural. No
caso da SOP, estudos indicam que ele também auxilia na maturação dos óvulos e
no equilíbrio metabólico.
A vitamina D, cuja deficiência é comum em mulheres com SOP, merece
atenção especial. “Baixos níveis desse nutriente estão relacionados a
irregularidades menstruais, ovulação comprometida e maior resistência à
insulina. A suplementação pode ser decisiva para aumentar as taxas de gravidez
e melhorar parâmetros metabólicos”, explica a Dra. Cacia Rocha, ginecologista e
associada da AMCR.
Além desses, antioxidantes como a coenzima Q10 e a
N-acetilcisteína (NAC) vêm ganhando destaque em pesquisas. Ambos contribuem
para a melhora da qualidade dos óvulos e para o equilíbrio hormonal, reduzindo
processos inflamatórios que agravam a síndrome.
Embora os avanços sejam promissores, especialistas alertam que os
suplementos não substituem mudanças no estilo de vida. Alimentação balanceada,
prática regular de atividade física e controle do peso permanecem como pilares
fundamentais do tratamento.
Outro ponto importante é a individualização. Nem todas as mulheres
com diagnóstico de SOP apresentam as mesmas necessidades, por isso a avaliação
médica é imprescindível para definir doses e combinações seguras de nutrientes.
Com o aumento da conscientização e o avanço dos estudos, cresce também a esperança de que a SOP deixe de ser vista apenas como um obstáculo à fertilidade e passe a ser tratada de forma integrada, considerando corpo, mente e hábitos de vida. “Nosso objetivo é oferecer qualidade de vida e mais chances de maternidade às mulheres com SOP. E os suplementos são parte desse caminho”, conclui a Dra. Rita.
AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil

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