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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Vitaminas e suplementos podem transformar o tratamento da SOP, apontam especialistas

 

Estudos mostram que nutrientes como vitamina D, ácido fólico e mio-inositol auxiliam na regulação hormonal, fertilidade e qualidade de vida das mulheres com síndrome dos ovários policísticos 


A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é considerada a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva, atingindo entre 6% e 15% desse público no mundo. Apesar de frequente, o diagnóstico ainda é um desafio, pois os sintomas podem variar e se confundir com outras condições. Nos últimos anos, além dos tratamentos tradicionais, a ciência tem apontado o papel fundamental de suplementos e vitaminas na melhoria dos sintomas e da fertilidade. 

Segundo a Dra. Rita Piscopo, ginecologista e associada da AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil, o acompanhamento clínico aliado a estratégias nutricionais tem se mostrado cada vez mais eficaz. “Hoje sabemos que vitaminas como B12, D e ácido fólico, assim como o mio-inositol, são aliados importantes para regular o ciclo menstrual, reduzir a resistência insulínica e melhorar a função ovariana em mulheres com SOP”, afirma. 

Um dos suplementos mais promissores é o mio-inositol, substância naturalmente presente em alimentos como milho, castanhas e frutas. Ele atua como sensibilizador da insulina, favorecendo a indução da ovulação e apresentando resultados superiores em tolerabilidade quando comparado à metformina. Pesquisas recentes apontam que seu uso pode melhorar inclusive os resultados de fertilização in vitro em pacientes com SOP. 

Outro nutriente essencial é o ácido fólico, tradicionalmente recomendado na fase de pré-concepção para prevenir defeitos do tubo neural. No caso da SOP, estudos indicam que ele também auxilia na maturação dos óvulos e no equilíbrio metabólico. 

A vitamina D, cuja deficiência é comum em mulheres com SOP, merece atenção especial. “Baixos níveis desse nutriente estão relacionados a irregularidades menstruais, ovulação comprometida e maior resistência à insulina. A suplementação pode ser decisiva para aumentar as taxas de gravidez e melhorar parâmetros metabólicos”, explica a Dra. Cacia Rocha, ginecologista e associada da AMCR. 

Além desses, antioxidantes como a coenzima Q10 e a N-acetilcisteína (NAC) vêm ganhando destaque em pesquisas. Ambos contribuem para a melhora da qualidade dos óvulos e para o equilíbrio hormonal, reduzindo processos inflamatórios que agravam a síndrome. 

Embora os avanços sejam promissores, especialistas alertam que os suplementos não substituem mudanças no estilo de vida. Alimentação balanceada, prática regular de atividade física e controle do peso permanecem como pilares fundamentais do tratamento. 

Outro ponto importante é a individualização. Nem todas as mulheres com diagnóstico de SOP apresentam as mesmas necessidades, por isso a avaliação médica é imprescindível para definir doses e combinações seguras de nutrientes. 

Com o aumento da conscientização e o avanço dos estudos, cresce também a esperança de que a SOP deixe de ser vista apenas como um obstáculo à fertilidade e passe a ser tratada de forma integrada, considerando corpo, mente e hábitos de vida. “Nosso objetivo é oferecer qualidade de vida e mais chances de maternidade às mulheres com SOP. E os suplementos são parte desse caminho”, conclui a Dra. Rita.





AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil


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