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O uso incorreto de antibióticos é uma prática ainda
comum em muitas partes do mundo, incluindo o Brasil. Medicamentos importantes
no tratamento de infecções causadas por bactérias, os antibióticos, quando
utilizados de maneira inadequada, podem perder sua eficácia ao longo do tempo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a resistência antimicrobiana
como uma das maiores ameaças à saúde pública global e projeta que, até 2050,
ela poderá causar até 10 milhões de mortes por ano.
No Brasil, um levantamento da plataforma NewsLab, com base em
dados da Sociedade Brasileira de Infectologia, mostra que 55,5% da população
desconhece a relação entre o uso inadequado de antibióticos e a resistência
bacteriana. Além disso, 24,5% dos brasileiros afirmaram ter feito uso desses
medicamentos sem prescrição médica ao menos uma vez no último ano.
“Quando os antibióticos são utilizados sem prescrição médica ou em
doses inadequadas, as bactérias podem desenvolver mecanismos de defesa,
tornando-se resistentes aos medicamentos disponíveis”, explica Julio Onita,
Infectologista e Coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do
Hospital IGESP. “Isso dificulta o tratamento de doenças comuns e aumenta o
risco de complicações, internações prolongadas e até mortes”, acrescenta.
Entre os comportamentos mais frequentes no dia a dia da população
estão: a automedicação, a interrupção do tratamento antes do período
recomendado e o uso de antibióticos para tratar sintomas típicos de gripes e
resfriados, que geralmente têm origem viral. Esse tipo de uso pode contribuir
para o surgimento de bactérias resistentes, o que dificulta tratamentos futuros
e reduz as opções terapêuticas disponíveis.
Uso correto de antibióticos
O uso adequado de antibióticos envolve seguir a orientação de um
profissional de saúde, que pode indicar o medicamento mais apropriado para cada
situação. É importante respeitar a dosagem, os horários e o tempo de uso
recomendado. Mesmo que os sintomas melhorem antes do fim do tratamento, a
interrupção precoce pode comprometer a eficácia.
“O ideal é não utilizar antibióticos por conta própria, não
guardar sobras para uso futuro e não compartilhar o medicamento com outras
pessoas. Essas práticas contribuem para preservar a eficácia dos antibióticos e
reduzir os riscos associados ao uso inadequado”, finaliza o médico.

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