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terça-feira, 16 de setembro de 2025

Mudanças climáticas colocam em risco a eficácia de medicamentos sensíveis à temperatura

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Oscilações entre calor e frio extremo podem comprometer tratamentos como o uso da insulina; farmacêutica do Grupo Polar lista cuidados simples para garantir a conservação correta 

 

No Brasil, as mudanças climáticas têm deixado essa situação ainda mais desafiadora: em um dia enfrentamos temperaturas altíssimas e, no outro, quedas bruscas de frio. Essa variação não afeta apenas o nosso bem-estar, mas também pode comprometer diretamente a eficácia das medicações sensíveis à temperatura. 

E quem usa insulina ou outros medicamentos que precisam de refrigeração sabe bem o frio na barriga quando falta energia ou quando precisa transportar o remédio em dias de calor intenso.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 50% dos medicamentos termolábeis ficam propensos à perda de eficácia quando chegam ao paciente devido à quebra da cadeia do frio durante o transporte. 

De acordo com a farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, (referência nacional em soluções para a cadeia do frio e embalagens térmicas para transporte e armazenamento de produtos termossensíveis) Liana Montemor, tanto o excesso de calor quanto o frio extremo podem degradar o princípio ativo dos medicamentos, tornando-os ineficazes. 

Um detalhe simples pode ser a chave para garantir a eficácia do tratamento: preparar um “plano B” para conservar o remédio de forma segura, tanto no deslocamento quanto em casa. “Medicamentos como insulinas e vacinas precisam ser transportados com sistemas ativos ou passivos de controle térmico. Isso inclui caixas com gelos específicos para cada faixa de temperatura, bolsas térmicas qualificadas ou até caminhões refrigerados”, detalha Liana.
 

As dicas da especialista:

· Nada de “até duas horas pode ficar fora da geladeira”: assim que o medicamento sair da farmácia, ele deve ser mantido refrigerado. A crença de que pode ficar em temperatura ambiente por um determinado tempo é um mito que coloca em risco a eficácia do produto. O fabricante é o único que possui esta informação (quando ela existe) e não costuma ser divulgada para os elos da cadeia de transporte.
 

· Use sempre gelo técnico: mantenha no freezer elementos refrigerantes próprios para medicamentos, que podem ser encontrados em lojas especializadas. O gelo comum de casa nunca deve ser usado, pois pode congelar e inutilizar a insulina e ou outros medicamentos;
 

· Nunca use garrafas térmicas: jamais. Não use garrafas térmicas para guardar medicamentos, pois elas não controlam a temperatura adequadamente e podem comprometer a eficácia e segurança dos fármacos, especialmente os sensíveis ao calor ou frio (termolábeis), como hormônios, vacinas e insulinas;
 

· Tenha uma bolsa ou caixa térmica adequada: existem modelos testados e aprovados que mantêm a temperatura controlada por até 96 horas. Para quedas de energia rápidas, uma bolsa pode ser suficiente; já para interrupções mais longas, uma caixa térmica é a melhor opção;
 

· Por que não guardar na porta da geladeira? A área é a que mais sofre com as mudanças de temperatura, pois abre e fecha com frequência, expondo os medicamentos a variações que podem alterar a estrutura dos fármacos e diminuir sua eficácia;
 

· Qual o local correto para guardar medicamentos na geladeira? Nas prateleiras internas. Os medicamentos que necessitam de refrigeração devem ser guardados nas prateleiras centrais da geladeira;
 

· Abre e fecha: Evite abrir a embalagem desnecessariamente. Cada vez que a bolsa ou caixa é aberta, a temperatura interna sofre alteração.
 

· Monitore a temperatura: sempre que possível, use termômetros ou dispositivos eletrônicos para garantir que o medicamento permaneça na faixa de 2°C a 8°C.
 

· Nunca encoste o frasco diretamente no gelo: use sempre as divisórias ou orientações das embalagens adequadas para evitar congelamento
 

· Nunca deixe medicamentos no carro: ou em locais quentes, as altas temperaturas podem comprometer a eficácia e levar a inutilidade deles.
 

· Não guarde os medicamentos em áreas com muita umidade: os remédios sofrem com a alta umidade, perdem suas características físico-químicas e deixam de fazer seu efeito.
 

“Esses cuidados parecem simples, mas fazem toda a diferença para garantir que a medicação mantenha sua potência e eficácia. No fim das contas, é a sua saúde que está em jogo”, reforça Liana.

 

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