Oscilações entre calor e frio extremo podem comprometer tratamentos como
o uso da insulina; farmacêutica do Grupo Polar lista cuidados simples para
garantir a conservação correta 
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No Brasil, as mudanças
climáticas têm deixado essa situação ainda mais desafiadora: em um dia
enfrentamos temperaturas altíssimas e, no outro, quedas bruscas de frio. Essa
variação não afeta apenas o nosso bem-estar, mas também pode comprometer
diretamente a eficácia das medicações sensíveis à temperatura.
E quem usa insulina ou
outros medicamentos que precisam de refrigeração sabe bem o frio na barriga
quando falta energia ou quando precisa transportar o remédio em dias de calor
intenso.
Dados da Organização
Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 50% dos medicamentos termolábeis
ficam propensos à perda de eficácia quando chegam ao paciente devido à quebra
da cadeia do frio durante o transporte.
De acordo com a
farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, (referência nacional em
soluções para a cadeia do frio e embalagens térmicas para transporte e
armazenamento de produtos termossensíveis) Liana Montemor, tanto o excesso de
calor quanto o frio extremo podem degradar o princípio ativo dos medicamentos,
tornando-os ineficazes.
Um detalhe simples pode
ser a chave para garantir a eficácia do tratamento: preparar um “plano B” para
conservar o remédio de forma segura, tanto no deslocamento quanto em casa.
“Medicamentos como insulinas e vacinas precisam ser transportados com sistemas
ativos ou passivos de controle térmico. Isso inclui caixas com gelos
específicos para cada faixa de temperatura, bolsas térmicas qualificadas ou até
caminhões refrigerados”, detalha Liana.
As dicas da
especialista:
· Nada de “até duas horas
pode ficar fora da geladeira”: assim que o medicamento sair da farmácia, ele
deve ser mantido refrigerado. A crença de que pode ficar em temperatura
ambiente por um determinado tempo é um mito que coloca em risco a eficácia do
produto. O fabricante é o único que possui esta informação (quando ela existe)
e não costuma ser divulgada para os elos da cadeia de transporte.
· Use sempre gelo
técnico:
mantenha no freezer elementos refrigerantes próprios para medicamentos, que
podem ser encontrados em lojas especializadas. O gelo comum de casa nunca deve
ser usado, pois pode congelar e inutilizar a insulina e ou outros medicamentos;
· Nunca use garrafas
térmicas:
jamais. Não use garrafas térmicas para guardar medicamentos, pois elas não
controlam a temperatura adequadamente e podem comprometer a eficácia e
segurança dos fármacos, especialmente os sensíveis ao calor ou frio
(termolábeis), como hormônios, vacinas e insulinas;
· Tenha uma bolsa ou
caixa térmica adequada: existem modelos testados e aprovados que mantêm a temperatura
controlada por até 96 horas. Para quedas de energia rápidas, uma bolsa pode ser
suficiente; já para interrupções mais longas, uma caixa térmica é a melhor
opção;
· Por que não guardar na
porta da geladeira? A área é a que mais sofre com as mudanças de temperatura, pois abre e
fecha com frequência, expondo os medicamentos a variações que podem alterar a
estrutura dos fármacos e diminuir sua eficácia;
· Qual o local correto
para guardar medicamentos na geladeira? Nas prateleiras internas. Os medicamentos que
necessitam de refrigeração devem ser guardados nas prateleiras centrais da
geladeira;
· Abre e fecha: Evite abrir a embalagem
desnecessariamente. Cada vez que a bolsa ou caixa é aberta, a temperatura
interna sofre alteração.
· Monitore a
temperatura: sempre que possível, use termômetros ou dispositivos eletrônicos para
garantir que o medicamento permaneça na faixa de 2°C a 8°C.
· Nunca encoste o frasco
diretamente no gelo: use sempre as divisórias ou orientações das embalagens adequadas para
evitar congelamento
· Nunca deixe
medicamentos no carro: ou em locais quentes, as altas temperaturas podem comprometer a
eficácia e levar a inutilidade deles.
· Não guarde os
medicamentos em áreas com muita umidade: os remédios sofrem com a alta umidade, perdem suas
características físico-químicas e deixam de fazer seu efeito.
“Esses cuidados parecem
simples, mas fazem toda a diferença para garantir que a medicação mantenha sua
potência e eficácia. No fim das contas, é a sua saúde que está em jogo”,
reforça Liana.
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