Empresas familiares carregam em seu DNA uma
história, um legado e, muitas vezes, uma cultura que, ao mesmo tempo que pode
ser uma força inestimável, também pode se tornar um desafio gigante na hora de
atrair e reter executivos que não carregam o mesmo sobrenome. A desconexão
entre o que é prometido em um anúncio de vaga e a realidade vivida no dia a dia
é uma das maiores causas de insatisfação e rotatividade, o que pode ser
resolvido através de uma palavra-chave: transparência.
Um bom salário já deixou, há muito tempo, de ser o
único fator relevante considerado em um processo seletivo. O propósito no que
se faz, a valorização pelos esforços e um ambiente acolhedor e inspirador vêm
se tornando características estratégicas nesse sentido – mas que, nem sempre,
são claramente alinhadas entre as partes desde o primeiro contato.
Quantas vezes já não vimos, por exemplo, uma
empresa contratar um diretor, mas não lhe dar a autonomia necessária para
executar suas responsabilidades? Essa falta de clareza e transparência sobre o que
se espera do novo contratado e da própria maturidade corporativa abre margem
para frustrações e choques de cultura com os times, vendendo uma organização
que não reflete sua realidade. Isso não apenas dificulta a retenção das
equipes, como também pode prejudicar a imagem da marca no mercado e,
consequentemente, o interesse de novos executivos em fazerem parte daquele
ambiente.
Essas dificuldades fazem com que, segundo dados do
Banco Mundial e do IBGE, apenas 30% das empresas familiares consigam chegar à
terceira geração, além de somente 15% sobreviverem à sucessão de três gerações
– o que evidencia a complexidade de manter o negócio familiar ao longo do
tempo.
Empresas que escondem sua verdadeira cultura, sua
estrutura interna ou as reais demandas de uma posição, estão fadadas a atrair
executivos desalinhados e a enfrentar um alto turnover que,
certamente, impactarão seu crescimento e destaque competitivo. Por isso que a
transparência não pode mais ser vista como um mero detalhe, mas sim como algo
urgente e necessário para quebrar esse ciclo e garantir contratações mais
assertivas.
Comece olhando para dentro. Quais habilidades sua
empresa está precisando para sanar alguma dor ou problema enfrentado? Há alguém
que se encaixe nesses requisitos internamente, ou é necessário procurar este
talento externamente? Caso haja a necessidade de abrir um processo seletivo,
além de ser essencial contratar alguém que tenha fit cultural com a marca, a
grande pergunta que deve ser feita, neste momento, é se a empresa busca alguém
que dê continuidade ao que já vem sendo feito internamente, ou se a preferência
é por um executivo que, de certa forma, desafie o status quo, trazendo
provocações pertinentes que alavanquem essa transformação e profissionalização
das operações.
Mas, não adianta trazer esse líder do mercado, se
não oferecer um local onde ele possa aplicar, devidamente, seu know how
aos processos internos, elevando a empresa a um novo patamar. Essa “dificuldade
em soltar o osso” não pode existir nessas situações, para que tenham a
autonomia necessária para melhorar esses resultados e alavancar as operações.
Saiba delegar e passar o bastão, enxergando-os como um reforço positivo ao
time, e não como uma ameaça.
Essa nova mentalidade de governança será
fundamental para a evolução dessas empresas, como mostra uma pesquisa da
Fundação Dom Cabral, a qual identificou que 77% das empresas familiares no
Brasil possuem entre 50 e 499 funcionários, e grande parte (55%) tem um acordo
de sócios formalizado, o que contribui para a longevidade.
A transparência nesses pontos é a ponte que conecta
as expectativas dos executivos com a realidade dessas empresas, minimizando
frustrações e maximizando o engajamento. Essas ações, no dia a dia, são o que
farão a diferença para a prosperidade desses negócios, para que não só atraiam
aqueles que realmente se encaixem, mas que também cultivem um ambiente de
confiança mútua desde o primeiro contato, construindo um verdadeiro legado no
mercado.
Jordano Rischter - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.
Wide
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