O envelhecimento dos pets é um processo natural,
mas que traz consigo mudanças significativas na saúde e no comportamento. Entre
as alterações mais comuns está a perda de mobilidade, resultado de dores
articulares, rigidez muscular e, em muitos casos, do avanço da osteoartrite.
“Cães e gatos idosos podem passar a ter dificuldade
em subir escadas, saltar para o sofá, correr ou até mesmo realizar atividades
simples, como caminhar longas distâncias. Esses sinais não devem ser vistos
apenas como parte inevitável da idade, mas como um alerta para que o tutor
adote medidas de prevenção e cuidado que garantam bem-estar e qualidade de vida
na fase sênior”, afirma Mariana Raposo, médica-veterinária gerente de produtos
da Avert Saúde Animal.
Manter a mobilidade é essencial não apenas para a
saúde física, mas também para o equilíbrio emocional do animal. Os pets que
permanecem ativos apresentam menor propensão à depressão, à ansiedade e ao
isolamento, além de preservarem por mais tempo sua autonomia e autoestima.
“Para isso, a introdução de exercícios leves, adaptados à idade e às condições
do animal, é uma estratégia indicada. Caminhadas curtas, atividades de baixo
impacto e brincadeiras controladas ajudam a fortalecer músculos, manter a
circulação ativa e evitar o ganho excessivo de peso, que pode agravar problemas
articulares. No caso dos gatos, estimular movimentos com brinquedos
interativos, arranhadores em alturas acessíveis e circuitos simples dentro de
casa também contribuem para preservar a mobilidade”, detalha a profissional.
Outro recurso é a fisioterapia, sessões de
hidroterapia, alongamentos guiados e exercícios com equipamentos específicos
promovem fortalecimento muscular e alívio das dores articulares. A fisioterapia
não apenas melhora a mobilidade, como também estimula a liberação de endorfina,
trazendo sensação de bem-estar. Muitos tutores relatam melhora significativa na
disposição e no humor dos pets após algumas sessões, mas vale lembrar que o
tratamento deve sempre ser indicado pelo médico-veterinário, pois o
profissional irá avaliar a necessidade e o melhor exercício a ser realizado de
acordo com o histórico do animal.
A prevenção de doenças articulares também é
essencial quando se pensa em envelhecimento saudável. “Identificar os sinais
precoces, como relutância em brincar, andar mais devagar, mancar ou evitar
determinados movimentos é o primeiro passo para que o tutor possa buscar ajuda.
Por isso, nessa fase as consultas regulares com o médico- veterinário são ainda
mais importantes e permitem monitorar a saúde articular e ajustar o plano de
cuidados conforme a necessidade do pet”, conta Mariana.
Além das atividades físicas, a nutrição desempenha
papel decisivo na preservação da mobilidade. O uso do ômega-3, por exemplo, tem
se mostrado benéfico no manejo de cães idosos.
O ômega-3 é um grupo de ácidos graxos essenciais.
Dentro desse grupo, dois componentes se destacam por sua importância clínica: o
EPA (ácido eicosapentaenoico) e o DHA (ácido docosahexaenoico).
“O EPA é especialmente eficaz na redução de
processos inflamatórios crônicos, como os que ocorrem nas doenças articulares,
ajudando a diminuir dor e rigidez nas articulações. Ele age controlando a
produção de substâncias químicas que causam inflamação, o que resulta em maior
conforto para o animal e melhor mobilidade”, elucida a profissional.
Já o DHA atua de forma complementar, mas com foco
mais amplo. Ele contribui para a saúde das membranas celulares, especialmente
no cérebro e nos olhos, favorecendo a cognição, a memória e até a visão do pet
idoso. Em animais que sofrem com declínio cognitivo — algo relativamente comum
em cães e gatos mais velhos — o DHA pode ajudar a retardar a progressão dos
sintomas, mantendo-os mais ativos e responsivos.
É importante destacar que, para que o ômega-3
exerça efeito terapêutico esperado, a concentração de EPA e DHA deve ser
adequada. Por isso, é importante optar por suplementos com certificação de
pureza, estabilidade e padronização para garantir garante maior eficácia.
Outro suplemento essencial, ao pensar na mobilidade
dos pets, é o colágeno tipo II que ajuda a promover a regeneração e a reparação
da cartilagem, estimulando a produção de colágeno e proteoglicanos, que são
componentes importantes da cartilagem articular.
Diversos estudos apontam que a combinação do
colágeno tipo II com o ômega-3 rico em EPA e DHA potencializa os resultados,
ajudando a diminuir a inflamação, protegendo as cartilagens, melhorando a
mobilidade e favorecendo a qualidade de vida dos pets. “Essa sinergia é
especialmente indicada para cães e gatos idosos ajudando não apenas no controle
da dor, mas também na preservação da função articular a longo prazo”, conta
Mariana.
Com estímulos adequados, acompanhamento veterinário
e estratégias nutricionais, cães e gatos podem envelhecer de forma mais ativa,
confortável e saudável, mantendo não apenas a capacidade de se locomover, mas
também a alegria de interagir com a família e aproveitar cada momento da vida.
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