Alice Paiva alerta que o medicamento sozinho regula o apetite, mas hábitos alimentares continuam sendo essenciais para resultados saudáveis e duradouros
As canetas emagrecedoras ganharam popularidade como recurso rápido para perda
de peso, mas especialistas reforçam que elas não são milagrosas. Segundo a
nutricionista Alice Paiva, especializada em emagrecimento e reeducação
alimentar, o medicamento atua na regulação do apetite e da saciedade, mas não
ensina o corpo a lidar com escolhas alimentares adequadas, tornando essencial a
manutenção de uma alimentação equilibrada para preservar massa magra, melhorar
o metabolismo e prevenir o efeito sanfona.
Alice
explica que o consumo adequado de proteínas por refeição ajuda a manter a
saciedade por mais tempo, potencializando o efeito da caneta. Ela alerta que
usar a medicação sem acompanhamento nutricional pode gerar perda desequilibrada
de peso, com redução de massa muscular, queda do metabolismo, fraqueza e
deficiências nutricionais. “Apenas 20 a 25 g de proteína por refeição já
podem reduzir significativamente a perda de músculo durante o emagrecimento”,
completa.
Para
a manutenção do peso, Alice reforça que os hábitos adquiridos durante o
processo são decisivos. “Incluir fibras solúveis, como aveia e legumes,
ajuda a controlar a glicemia e aumenta a saciedade, elementos que contribuem
para manter os resultados a longo prazo”, explica.
A
nutricionista destaca que o maior erro de quem acredita que a caneta é
milagrosa é encarar o medicamento como atalho, sem mudar o estilo de vida. “Comer
devagar e mastigar bem aumenta a liberação de hormônios da saciedade, efeito
que o remédio sozinho não consegue substituir”, afirma.
Entre
os riscos de emagrecer apenas com a medicação estão deficiências nutricionais,
perda de massa muscular, flacidez, alterações intestinais, queda de cabelo e
baixa energia. “A falta de micronutrientes como magnésio e zinco pode
reduzir a força muscular e prejudicar o metabolismo energético. O consumo de
legumes coloridos garante antioxidantes que ajudam a reduzir inflamação, muitas
vezes elevada em quem emagrece rápido com medicamentos”, complementa.
Alice
observa diferenças no comportamento de quem chega ao consultório já utilizando
a caneta. Muitos estão frustrados porque emagreceram, mas perderam energia ou
não conseguiram sustentar o resultado. Estudos mostram que o suporte
psicológico combinado com nutrição aumenta a adesão e a percepção de saciedade,
potencializando a eficácia do medicamento.
O
medicamento aliado à dieta é mais indicado para pessoas com obesidade,
resistência insulínica, compulsão alimentar e histórico de tentativas
frustradas de emagrecimento. Nesses casos, alimentos ricos em proteínas e baixo
índice glicêmico ajudam a controlar a compulsão e estabilizam a glicemia,
complementando a ação da caneta.
Alice
reforça que a parceria entre médico e nutricionista é essencial. “O médico
avalia a indicação e acompanha a resposta clínica. O nutricionista ajusta a
alimentação, previne deficiências, preserva massa magra e trabalha a reeducação
alimentar. Uma abordagem multidisciplinar pode reduzir até 50% o risco de
recuperação de peso”, conclui.
Para
a nutricionista, a caneta deve ser encarada como uma ferramenta temporária,
nunca como solução definitiva. “O atalho pode até funcionar no começo, mas o
peso perdido volta se não houver mudança real de hábitos. Pequenas mudanças
diárias, como trocar refrigerante por água com gás e frutas, fazem mais
diferença no longo prazo do que dietas extremas temporárias”, finaliza.
Nenhum comentário:
Postar um comentário