Estudos
também buscam caminhos para reduzir sintomas do Parkinson através da
neuromodulação e do HIFU (High-Intensity Focused Ultrasound), tratamento novo
no Brasil
A doença de
Parkinson não tem cura, mas a medicina vem avançando na busca por tratamentos
que melhorem as condições de vida dos pacientes. A Academia Brasileira de
Neurologia (ABN) acredita que o Dia Mundial de Conscientização da Doença de
Parkinson, celebrado em 11 de abril, é um bom momento para conscientizar a
população sobre que vem sendo feito para melhorar a qualidade de vida de quem é
afetado pela condição.
Segundo o Dr.
Rubens Gisbert Cury, coordenador do Departamento Científico de Transtornos do
Movimento da ABN, há muitas pesquisas visando o tratamento neuroprotetor da
doença. “Ainda não há nenhuma medicação neuroprotetora comercializável, mas
existem várias pesquisas nessa linha para Parkinson”, diz o médico.
Para aliviar os
sintomas, tratamentos com neuromodulação (estimulação cerebral profunda ou DBS)
e mais recentemente com o HIFU (High-Intensity Focused Ultrasound) já são
oferecidos. O HIFU é um procedimento que utiliza ondas de ultrassom de alta
intensidade em um ponto específico do cérebro responsável pelos tremores
causados pelo Parkinson. Essa terapia mostrou ser bastante eficaz no controle
dos tremores e na qualidade de vida de quem tem a doença.
“Além do DBS
e do HIFU, terapias como a estimulação contínua de dopamina também vão ajudar
muitos pacientes Parkinson. Embora ainda não exista nada curativo, o futuro dos
tratamentos é promissor”, avalia o Dr. Cury.
Importância
da data
O Dia Mundial de
Conscientização da Doença de Parkinson relembra o nascimento de James Parkinson
(1755 – 1824), o médico que primeiro descreveu a doença, e foi estabelecido
pela Organização Mundial de Saúde, em 1998. O objetivo é esclarecer dúvidas
sobre a doença e as possibilidades de tratamento para que o paciente e sua família
tenham uma melhor qualidade de vida.
“A data é uma
possibilidade de trazer para as pessoas mais conhecimento da doença
neurológica, crônica, que mais cresce no mundo, em termos proporcionais. O
Parkinson cresce mais proporcionalmente do que o Alzheimer, AVC, esclerose
múltipla ou epilepsia. Hoje, estimamos 11,8 milhões de pessoas no mundo com
Parkinson”, diz o Dr. Cury.
Trata-se de uma
doença altamente prevalente, que pode ser incapacitante se não tiver tratamento
adequado. “Essa conscientização ajuda na busca por um diagnóstico mais precoce
dos pacientes, para que eles entendam quais são os sintomas e que o tratamento,
por meio de atividade física e medicações, melhora muito a qualidade de vida”,
recomenda o médico.
O
que é a Doença de Parkinson?
A doença de
Parkinson é uma doença cerebral, crônica, progressiva, causada pela redução da
produção da dopamina no cérebro. A dopamina é como se fosse o nosso
combustível. “Serve pra gente andar, correr, gesticular, escrever, tomar banho,
se vestir, trabalhar. Quando a dopamina reduz, é como se o cérebro ficasse mais
devagar. O principal sintoma do Parkinson é a lentidão”, explica o Dr. Cury.
Outro sinal da
doença é causar rigidez nas articulações. Além disso, 70% dos doentes sentem
tremor, que aparece geralmente quando o braço está parado, relaxado. O que é o
que é peculiar do Parkinson é que geralmente começa em um dos lados do corpo.
O Parkinson é uma
doença que tem sintomas motores, como lentidão, rigidez, tremor e dificuldade
de andar. E sintomas não motores, como dificuldade do sono, ansiedade,
depressão, apatia, alteração do olfato e intestino preso. Os sintomas não estão
presentes em todas as pessoas, mas podem aparecer no curso da doença.
Normalmente, o
Parkinson acomete pessoas na faixa de 50, 60 anos de idade, embora possa
aparecer em pessoas mais novas. O diagnóstico da doença é feito com base na
história clínica do paciente e no exame neurológico. Não há nenhum teste
específico para o seu diagnóstico ou para a sua prevenção. “O diagnóstico é um
quebra-cabeça, não tem uma peça só, precisamos algumas peças para chegar no
diagnóstico final”, explica o Dr. Cury.
Boa parte das
pessoas que tem Parkinson apresentam fatores genéticos. Em média, 20% das
pessoas com Parkinson têm algum familiar acometido. Mas há também os fatores
ambientais. O envelhecimento é o principal deles. Na medida em que o cérebro
vai ficando mais velho, aumenta a chance de a pessoa ter insuficiência de
dopamina. Outros fatores de risco são poluição, alguns solventes, pesticidas,
trauma craniano, consumo de laticínios, que aumentam a chance de desenvolver a
doença.Trata-se de uma interação complexa entre genética e ambiente.
Para o tratamento da doença há medicamentos, terapias avançadas e mudanças no estilo de vida. A pessoa com Parkinson deve fazer atividade física, em especial aeróbica, como caminhada, bicicleta, natação, jogar algum esporte, pois reduz a evolução da doença. Além disso, precisa controlar os fatores clínicos, como diabetes, hipertensão, parar de fumar. E se alimentar bem, ter uma dieta saudável. São três pilares: atividade física, dieta saudável e controlar os fatores cardiovasculares.
Também é possível
repor a dopamina com medicamentos e conforme discutido, para alguns casos, há a
cirurgia, que é a estimulação cerebral profunda (DBS) ou o procedimento HIFU,
que foca no alívio dos tremores.
Com a evolução dos tratamentos, a expectativa de vida de uma pessoa com Parkinson é igual à de uma pessoa sem Parkinson. A diferença é que doente de Parkinson vai ter mais desafios e precisará se adaptar a algumas condições.
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