Psicólogo compartilha cinco dicas para controle emocional e financeiro durante a maior promoção do ano
A compulsão por compras, também conhecida como oniomania ou Transtorno do Comprar Compulsivo (TCC), afeta entre 2% e 8% da população, sendo mais prevalente em mulheres (entre 80% e 94% dos casos), de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com a proximidade da Black Friday, o psicólogo da Telavita, especialista em reabilitação e neuropsicologia, Márlon de Souza, alerta para os gatilhos que intensificam esses comportamentos nesse período.
Segundo o especialista, a Black Friday cria o cenário ideal para que impulsos de compra se intensifiquem, levando muitos consumidores a cederem ao "medo de perder" uma oportunidade aparentemente única. “Uma boa oportunidade de compra é aquela em que o valor está no uso do item, que é necessário naquele momento e cuja compra foi precedida de uma pesquisa de preço, garantias e prazos de entrega. Por outro lado, a compra impulsiva carece dessas informações. Muitas vezes, uma rápida pesquisa no Google pode resultar em uma economia de mais de 10%”, explica o especialista.
A compra impulsiva pode gerar consequências psicológicas negativas a longo prazo, como sentimento de culpa, arrependimento e falta de controle sobre as próprias ações. Segundo o psicólogo, esses sentimentos podem evoluir para uma baixa autoestima, uma vez que as pessoas passam a se considerar “incapazes” de gerenciar seus impulsos, o que pode impactar seriamente seu bem-estar emocional e sua visão de futuro. “Sentimento de culpa, fracasso, arrependimento, falta de controle sobre os próprios comportamentos, tristeza e raiva de si mesmo são as consequências mais comuns observadas em pessoas que sofrem com compras impulsivas”, destaca Souza.
Para evitar compras compulsivas, o especialista recomenda que a pessoa escreva o que está pensando e sentindo antes de realizar a compra, avaliando a intensidade da emoção em uma escala de 1 a 5. “Em seguida, deve questionar o motivo da compra tantas vezes quanto a pontuação atribuída, confrontando as possíveis consequências negativas. Por exemplo, se a pessoa atribuiu nota 5 à alegria, deve responder cinco vezes por que deseja fazer a compra. Essa estratégia pode ajudar a tornar a compra mais racionalizada”, orienta Márlon.
Para aqueles que desejam reduzir o consumo impulsivo, o
psicólogo compartilha as seguintes dicas:
1. Aceite ajuda: Reconheça
a necessidade de apoio para o controle de impulsos.
2. Encontre outras fontes de felicidade:
Busque fontes de bem-estar além do consumo excessivo.
3. Visualize metas de médio prazo: Pense
em algo maior que pode realizar caso resista ao impulso.
4. Considere o impacto nas pessoas ao redor:
Compreenda como seu consumo afeta familiares e amigos.
5. Invista em autoconhecimento: Busque
entender o que desencadeia suas compras impulsivas.
6. Faça um planejamento financeiro: Esta é uma ferramenta eficaz para evitar privações de lazer e estabelecer limites saudáveis para os gastos.
“Desenvolver autoconhecimento é essencial, entendendo
como a história de vida e o ambiente influenciam as emoções do indivíduo. Em
seguida, é importante trabalhar continuamente para confrontar os pensamentos
que antecedem as compras, de modo que, em períodos como a Black Friday, esses
pensamentos confrontadores estejam mais ‘ativos’ e ajudem a evitar compras
impulsivas. A terapia que desenvolve o autoconhecimento, permitindo que o
indivíduo compreenda, através de sua história de vida, o que o levou a agir
assim, é muito eficaz. Desta forma, o paciente pode desenvolver estratégias de
autorregulação emocional e buscar outras fontes de prazer sustentáveis,
promovendo um ‘hedonismo responsável’”, finaliza o psicólogo.
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