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segunda-feira, 15 de abril de 2024

Ferramenta mapeia surto de sarampo no Brasil, evidencia relação com cobertura vacinal e pode embasar combate à doença


Uma ferramenta desenvolvida por cientistas brasileiros para compreender a disseminação do sarampo pode ajudar gestores e profissionais de saúde a manejar situações de surto e definir as melhores medidas de controle. 

A solução utiliza dados de notificação do Ministério da Saúde e cruza as informações com as coordenadas geográficas dos endereços dos pacientes. Também considera parâmetros como mobilidade dos indivíduos, taxa de assintomáticos e não expostos. 

Após essas análises, os resultados são apresentados de forma espacial, em um mapa de calor que facilita a visualização dos dados no território. A ferramenta também traça relações entre os pacientes, permitindo o acompanhamento temporal da transmissão da doença.


Mapa de calor indica locais com maior concentração de casos positivos da doença


“Ao visualizar em tempo real onde os casos estão acontecendo e fazer análises de agrupamentos de casos, as equipes podem direcionar os esforços na vacinação de certos bairros ou reforços nas unidades de atendimento da região afetada”, diz Helder Nakaya, pesquisador do Einstein e coautor do estudo que detalha o desenvolvimento e o uso da ferramenta na análise da última epidemia de sarampo.

Intitulado “Temporal and spatial analysis of over 7,000 measles cases outbreak from 2018 to 2019 in the Brazilian Amazon” (Análise temporal e espacial de mais de 7.000 casos de sarampo de 2018 a 2019 na Amazônia brasileira), o artigo é fruto do trabalho de cientistas do Einstein, da Universidade do Estado do Amazonas, Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, Universidade de São Paulo, Instituto de Tecnologia da Geórgia, Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas e Instituto Todos pela Saúde (ITpS). 

“Um dos diferenciais do nosso artigo é focar no surto de sarampo, uma doença que se espalha muito rápido e tem um perfil epidemiológico diferenciado, afetando principalmente crianças não imunizadas”, destaca Vanderson Sampaio, diretor de operações do ITpS. 

No estudo, os cientistas relatam que 95% das cerca de 7 mil pessoas que testaram positivo para a doença não haviam sido vacinadas e reforçam que uma alta cobertura vacinal é a principal forma de evitar a propagação do sarampo. 

“Modelos como o que utilizamos são sensíveis a questões locais. Nossos achados são muito úteis para o Brasil e eventualmente para os países do Sul global, mas dificilmente para Europa e América do Norte, por isso decidimos submeter o estudo a uma revista brasileira”, conta Sampaio. 

Com a ferramenta, os cientistas conseguem estimar como a rapidez na adoção de medidas de controle, incluindo isolamento e ações de vacinação, pode impactar a disseminação da doença e indicar conexões entre os principais sintomas associados ao sarampo, contribuindo para a melhor compreensão da sintomatologia da doença. 

“Geralmente, as análises tratam cada sintoma como uma variável independente. Poucas olham para a coocorrência de sintomas ou para a detecção de casos mais graves com mais sintomas”, afirma Nakaya. 

A pesquisa que relata a construção da ferramenta e sua aplicação ao surto em Manaus foi publicada na revista científica einstein, mantida pelo Einstein e gratuita tanto para pesquisadores que querem publicar seus resultados quanto para quem acessa a publicação, uma iniciativa a favor da Ciência Aberta, movimento mundial em prol de uma ciência mais colaborativa. 

A solução criada pelos cientistas está disponível online, e o grupo espera que ela seja adaptada e aplicada também para outras doenças.


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