Nos últimos dias, ouvi de alguns médicos que a
contaminação do novo coronavírus vem, aos poucos, diminuindo a ponto de
determinados hospitais estarem com algumas vagas em seu centro de terapia
intensiva (CTI). E há levantamentos que corroboram com esta visão. Segundo uma
pesquisa realizada pelo IESPA (Instituto de Ensino e Pesquisa na Área da
Saúde), desde o fim de maio, houve uma queda de 15% nos casos de Covid-19 nos
hospitais particulares.
O surgimento de novos casos pode até não estar em
um crescimento exponencial como antes, há alguns indícios de que a
situação se estabilizou, mas devemos ficar atentos às experiências já vividas
por outros países, que após um período de estabilidade os casos voltaram
a crescer.
É preciso ser levado em conta alguns pontos
importantes com a flexibilização da quarentena, como o controle da pandemia, a
capacidade do sistema de saúde de enfrentar um eventual surto de novos
infectados e do sistema de vigilância em saúde para detectar esses casos,
incluindo assintomáticos. Os hospitais públicos ainda estão cheios, e os
particulares podem voltar a lotar.
Quando falamos dos hospitais públicos, existe uma
superlotação histórica. Um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas da
União mostrou que 60% dos hospitais públicos estão sempre superlotados. Com a
Covid-19 esse problema se acentuou.
Devemos considerar também que o retorno ao
trabalho, principalmente para a população mais carente, ainda é arriscado. Além
de ser um País populoso, muitos não têm acesso a um saneamento básico adequado,
utilizam de transporte público para locomoção, sem contar os impactos
psicológicos que já estão afetando muitas pessoas. O retorno deverá ser
gradativo e as empresas precisam tomar certas medidas para assegurar a saúde e
bem-estar de seus colaboradores e clientes. Profissionais que podem
exercer suas atividades normalmente de casa devem continuar atuando de forma
remota para ajudar a garantir a segurança de quem necessita sair para
trabalhar.
Todos os cuidados que já temos tomado, como o uso
de máscara, higienização das mãos e uso contínuo do álcool em gel, deve
permanecer por muito tempo. A conscientização das pessoas em olhar pra sua
saúde e cuidá-la com atividade física, produtos que melhoram o sistema
imunológico também deve aumentar ainda mais. O Brasil está longe de ter uma
imunidade coletiva que possa garantir o desaparecimento da transmissão desse
vírus.
Assim, por mais que a taxa de novos casos nos
hospitais particulares tenha caído e que tenhamos uma estabilidade na curva, os
impactos sobre o sistema de saúde ainda são preocupantes. É momento de sermos
extremamente cuidadosos para voltarmos e focados na medida de distanciamento.
Se continuarmos unidos e cautelosos, poderemos controlar essa doença com
sucesso e, aos poucos, conseguiremos retornar às nossas atividades com maior
segurança.
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