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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Segurança no parto de risco: o papel da cirurgia vascular no controle de hemorragias

Entenda como procedimentos preventivos minimamente invasivos garantem a proteção da mãe em casos de placenta invasiva, unindo tecnologia e cuidado no momento do nascimento.

 

A chegada de um filho costuma ser o momento mais esperado da vida de uma família, mas, para algumas mulheres, o diagnóstico de placenta invasiva transforma o sonho em um período de apreensão. De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a hemorragia pós-parto ainda é uma das maiores vilãs da saúde materna no Brasil, respondendo por cerca de 25% das mortes no ciclo gravídico. Quando a placenta se prende ao útero de forma excessiva, o risco de um sangramento incontrolável no parto é real, exigindo que a medicina vá além do básico para garantir que mãe e bebê voltem em segurança para casa. 

É nesse cenário de alta complexidade que entra um aliado fundamental, muitas vezes invisível para quem está de fora: o cirurgião vascular e endovascular. Longe de ser apenas uma participação técnica, esse especialista atua como um escudo preventivo dentro da sala de parto. Através de procedimentos modernos e minimamente invasivos, ele consegue blindar o sistema circulatório da gestante, permitindo que a equipe de obstetrícia trabalhe com a tranquilidade necessária para lidar com uma estrutura anatômica delicada e fragilizada. 

O trabalho começa antes mesmo do nascimento, com o posicionamento de pequenos balões nas artérias que irrigam a região pélvica. Josualdo Euzébio esclarece que a técnica funciona como uma torneira de segurança que pode ser fechada a qualquer momento. "Nós agimos de forma silenciosa e estratégica. Se o sangramento foge do controle na hora de retirar a placenta, inflamos esses balões para interromper o fluxo sanguíneo imediatamente, dando ao obstetra o tempo e a visibilidade que ele precisa para salvar o útero e a vida da paciente", detalha o cirurgião. 

Essa integração entre especialidades mudou drasticamente o desfecho de casos que, antigamente, terminavam quase sempre em cirurgias de emergência para a retirada do útero. Hoje, o foco não é apenas a sobrevivência, mas o respeito ao corpo e ao futuro da mulher. Para o especialista, a tecnologia serve para humanizar o atendimento em momentos críticos. "Nosso papel é diminuir o trauma físico. Queremos que essa mãe saia da mesa de cirurgia pronta para segurar seu filho, sem passar por transfusões pesadas ou longos períodos de UTI", afirma o médico. 

O que chama a atenção na técnica endovascular é a delicadeza do processo, realizado por meio de furinhos minúsculos que dispensam cortes profundos. Isso reflete diretamente no bem-estar da mãe, que sente menos dor e tem uma recuperação muito mais ágil. No fim das contas, a presença de um especialista vascular no centro cirúrgico transforma uma situação de pânico em um protocolo organizado, onde cada movimento é planejado para proteger o vínculo mais importante que existe: o início da vida. 

A informação correta é a melhor ferramenta para as famílias que enfrentam uma gestação de risco. Saber que existe uma retaguarda tecnológica e humana capaz de prever e conter complicações traz o alívio necessário para o dia do parto. Como bem define Josualdo, a medicina moderna é feita de parcerias e antecipação: "Não esperamos o problema acontecer para agir. Nós montamos um cerco de proteção em volta daquela vida, garantindo que o nascimento seja lembrado pela alegria, e não por um susto médico". 



Fonte: Dr. Josualdo Euzébio — Cirurgião Vascular e Endovascular
@dr.josualdo

 

Entenda o que torna o Ebola uma das doenças mais temidas do mundo

Infectologista explica os riscos, sintomas e o comportamento de uma das doenças mais letais já conhecidas

 

O avanço de novos casos de Ebola em países africanos voltou a colocar o mundo em estado de atenção para uma das doenças mais letais já registradas. Conhecido pela rápida evolução clínica e pelo alto risco de morte, o vírus provoca temor internacional há décadas e segue mobilizando autoridades de saúde sempre que novos surtos são identificados. 

De acordo com a infectologista Polyana Gitirana, do Hospital Vitória Apart, o Ebola é uma doença viral que provoca febre hemorrágica severa, semelhante ao que ocorre em formas graves da dengue e da febre amarela — porém com potencial de letalidade muito maior. 

“O Ebola é conhecido como uma das doenças de maior letalidade já descritas. Dependendo do surto e da variante do vírus, a taxa de mortalidade pode variar de 70% a 90%”, explica a médica. 

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, vômito e secreções. Os sintomas iniciais podem se confundir com outras infecções virais: febre, dor de cabeça, mal-estar, vômitos e diarreia estão entre os mais frequentes. O maior temor, no entanto, está na evolução para a febre hemorrágica, quadro grave que pode levar rapidamente à morte. 

“O paciente pode começar com manifestações gastrointestinais, mas evoluir para um quadro sistêmico grave. Diferentemente da dengue, em que os casos hemorrágicos são mais raros, no Ebola essa evolução acontece com muito mais frequência”, destaca Polyana.
 

O risco da contaminação

Além da agressividade da doença, outro fator que contribui para o medo em torno do Ebola é a limitação das vacinas disponíveis atualmente. Existem imunizantes para algumas variantes específicas do vírus, mas a aplicação costuma ocorrer apenas em regiões afetadas pelos surtos, e ainda não há cobertura ampla para todas as cepas. 

Segundo Polyana, a principal forma de prevenção continua sendo evitar viagens para áreas de risco e buscar atendimento imediato diante de sintomas após exposição. O período de incubação pode chegar a 21 dias. 

“Uma pessoa pode sair da região afetada sem sintomas e desenvolver a doença semanas depois. Por isso, qualquer febre ou mal-estar após viagem para áreas de risco deve ser investigado imediatamente”, alerta. 

Apesar da preocupação internacional, a especialista explica que o risco de uma disseminação global nos moldes da Covid-19 é considerado baixo. Isso porque o Ebola não costuma ser transmitido antes do aparecimento dos sintomas, e os pacientes rapidamente evoluem para um estado debilitado, o que reduz significativamente a circulação do vírus. 

“O Ebola não apresenta o mesmo comportamento epidemiológico da Covid. O paciente só transmite quando já está doente e, geralmente, bastante debilitado. Isso dificulta a propagação em larga escala. Não é comum que a gente tenha pandemias associadas a esse perfil de vírus”, tranquiliza a infectologista do Hospital Vitória Apart.



Diagnóstico precoce transforma trajetória de paciente com doença rara hereditária

Ana Eliza encontrou no ativismo e na comunicação uma nova missão de vida após descobrir a Amiloidose Hereditária por Transtirretina 

 

A descoberta de uma doença rara hereditária mudou completamente os rumos da vida de Ana Eliza. Administradora hospitalar por mais de duas décadas, ela passou a enxergar a própria trajetória sob uma nova perspectiva após perdas familiares e o diagnóstico precoce da Amiloidose Hereditária por Transtirretina (ATTRv), condição genética rara e progressiva que afeta diferentes órgãos e sistemas do corpo.

Em 2012, Ana perdeu o pai após um infarto sem diagnóstico conclusivo. Quatro anos depois, uma tia recebeu o diagnóstico de ATTRv, o que levou a família a investigar a possibilidade da doença ter origem hereditária. A partir desse acompanhamento, Ana realizou o teste genético e descobriu precocemente que também convivia com a condição.

Embora o impacto inicial tenha sido desafiador, Ana transformou a experiência em um novo propósito de vida. As limitações físicas e a necessidade de acompanhamento constante fizeram com que ela precisasse se afastar da liderança hospitalar, mas abriram espaço para uma atuação voltada ao acolhimento e à conscientização sobre a ATTRv.

Hoje, ela atua como ativista e comunicadora nas redes sociais e em eventos, compartilhando informações sobre a doença e incentivando o diagnóstico precoce. Sua mensagem busca levar esperança, empatia e acolhimento a pacientes e familiares que enfrentam a mesma condição.


O que é a ATTRv?

A Amiloidose Hereditária por Transtirretina (ATTRv) é uma doença genética rara e progressiva causada por uma mutação hereditária responsável pelo acúmulo anormal de proteínas amiloides em tecidos e órgãos, especialmente no sistema nervoso e no coração.

A convivência com a ATTRv envolve sintomas neuropáticos e gastrointestinais, como dores nas mãos, espasmos, dormências nas pernas, além de crises alternadas de diarreia e constipação. O tratamento exige acompanhamento multidisciplinar contínuo, incluindo cardiologista, neurologista, endocrinologista e nutricionista, além de terapias complementares como pilates, fisioterapia, acupuntura e suporte psicológico.

Mesmo diante dos desafios, Ana mantém planos e sonhos pessoais, como viajar para destinos que deseja conhecer entre eles Disney, Índia e Machu Picchu, e realizar o sonho da maternidade, refletindo também sobre os impactos genéticos da doença, que possui 50% de chance de transmissão hereditária.


Viver é Raro

A história de Ana Eliza integra a terceira temporada da série Viver é Raro, produção da Casa Hunter que amplia o debate sobre doenças raras, diagnóstico precoce e qualidade de vida dos pacientes. Os episódios estão disponíveis para não assinantes no Globoplay


Casa Hunter
https://www.casahunter.org.br/


Testes genéticos pelo SUS asseguram tratamentos mais precisos para pacientes com câncer de mama

 Publicação no Diário Oficial coroa trabalho de advocacy da FEMAMA e estabelece prazo de 180 dias para que pacientes tenham acesso ao sequenciamento de BRCA1 e BRCA2 via SUS 

 

Mulheres com câncer de mama atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) conquistaram o direito a diagnósticos mais assertivos e a tratamentos personalizados mais modernos e eficazes por meio da testagem genética. Neste mês, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a Portaria SCTIE/MS Nº 25, formalizando a incorporação do sequenciamento genético para a identificação de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 na rede pública. Com a publicação dessa vitória para as pacientes, o Ministério da Saúde passa a ter o prazo legal de 180 dias para que a tecnologia seja efetivamente ofertada em todo o país. 

A oficialização dessa medida é um marco histórico para a medicina de precisão na saúde pública e representa um resultado expressivo decorrente das ações contínuas de advocacy lideradas pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), com sua rede de ONGs associadas e instituições parceiras. 

"A publicação desta portaria no Diário Oficial é a concretização de um trabalho incansável pela democratização da saúde e uma vitória imensa. Garantir o acesso a testes genéticos no SUS é fundamental para assegurar diagnósticos assertivos e direcionar os tratamentos para terapias-alvo mais modernas e eficazes", destaca o Dr. Luiz Ayrton Santos Júnior, presidente voluntário da FEMAMA. 

A publicação da portaria consolida a recomendação positiva emitida pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em abril deste ano. A mudança de cenário – revertendo um parecer inicial desfavorável em 2025 – foi impulsionada pela forte participação da sociedade civil. A consulta pública sobre o tema registrou mais de 4 mil contribuições, com maioria se manifestando a favor da tecnologia. 

A estratégia política e social da FEMAMA foi decisiva neste processo. Recentemente, durante a 13ª Conferência de Lideranças em Saúde da Mulher em Brasília, delegações regionais da Federação visitaram os gabinetes de mais de 115 deputados e senadores, reforçando a urgência da implementação de diretrizes de navegação e testagem. O trabalho tem impactado também a tramitação do Projeto de Lei nº 265/2020, que visa assegurar o acesso aos testes genéticos como uma lei federal e que já avança nas comissões do Senado. 

“A contagem regressiva de 180 dias para a incorporação já começou, e seguiremos vigilantes para que essa inovação chegue de fato aos hospitais e às pacientes no prazo adequado. A medicina de precisão, outrora chamada de 'futuro', hoje é uma necessidade imediata para salvar vidas”, reforça o presidente da Federação.



FEMAMA - Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama
Conheça o trabalho da FEMAMA aqui.


Dia Mundial Sem Tabaco: orientação rápida pode evitar meio milhão de fumantes no Brasil, aponta estudo do INCA

Crédito: Andres Siimon

Uma conversa de poucos minutos pode salvar vidas e reduzir os impactos do tabagismo no Brasil. Estudo divulgado no ano passado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que, se todos os fumantes brasileiros com 35 anos ou mais tivessem recebido aconselhamento breve durante consultas de rotina, o país poderia ter registrado meio milhão de fumantes a menos e uma economia próxima de R$ 1 bilhão em custos relacionados ao tabaco, em valores corrigidos pela inflação. O levantamento reforça a importância da informação e do acolhimento no enfrentamento ao vício, tema que ganha destaque no Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. 

Segundo os dados analisados, em 2019 cerca de 7,1 milhões de fumantes brasileiros com 35 anos ou mais passaram por consultas médicas sem receber qualquer orientação para parar de fumar. Entre esses pacientes, houve menor procura por tratamento e menos tentativas de abandonar o vício. 

No Distrito Federal, o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) vem reforçando esse trabalho de conscientização diretamente nos canteiros de obras. A entidade intensificou as ações educativas voltadas aos trabalhadores da construção civil, levando informação sobre os riscos do cigarro convencional e dos dispositivos eletrônicos para fumar, além de oferecer acolhimento e encaminhamento gratuito para tratamento. 

“As palestras são uma oportunidade de conscientizar os trabalhadores sobre os impactos do tabagismo na saúde e mostrar que existe apoio disponível para quem deseja abandonar o vício”, explica Roseane dos Santos, assistente social do Seconci-DF. 

Além da dependência química causada pela nicotina, o tabagismo está relacionado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, respiratórias, diversos tipos de câncer e lesões pulmonares graves. O avanço do uso de cigarros eletrônicos também preocupa especialistas, principalmente entre os jovens. 

Nos canteiros de obras, as equipes do Seconci-DF promovem palestras educativas e orientações sobre prevenção, qualidade de vida e cessação do tabagismo. O trabalho também inclui acolhimento realizado pelo Serviço Psicossocial da entidade, com escuta qualificada, orientação individual e encaminhamento para atendimento médico especializado. “Parar de fumar é um processo que exige apoio e informação. Nosso objetivo é mostrar aos trabalhadores que eles não precisam enfrentar isso sozinhos e que cuidar da saúde também faz parte da segurança e da qualidade de vida no trabalho”, destaca Roseane. 

Os trabalhadores da construção civil interessados em receber atendimento podem procurar o setor de Segurança do Trabalho ou Recursos Humanos da empresa onde atuam para realizar o agendamento gratuito junto ao Seconci-DF.

 

“Decisões são mais importantes que incisões”

Cirurgião oncológico defende que reconhecer os próprios limites e encaminhar corretamente o paciente é a decisão mais importante e mais difícil do médico 

 

Na cirurgia oncológica do peritônio, há uma verdade que poucos falam abertamente: o que define o prognóstico do paciente muitas vezes não é a habilidade técnica do cirurgião, mas sim sua capacidade de reconhecer os próprios limites e tomar a decisão certa no momento certo. 

"Decisões são mais importantes que incisões. Muitas vezes, o que define o prognóstico do paciente não é a habilidade técnica de abrir e operar, mas sim a capacidade do cirurgião de reconhecer seus limites, entender a doença e tomar a decisão correta no momento certo", afirma o Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, cirurgião geral e oncológico e coordenador do Centro de Doenças Peritoneais da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo. 

Segundo o especialista, quando um cirurgião sem treinamento específico em doenças peritoneais se depara com uma carcinomatose peritoneal, a conduta mais segura para o paciente frequentemente não é tentar resolver o caso naquele momento. "O correto, na maioria das vezes, é realizar uma biópsia adequada, documentar a extensão da doença, evitar manipulações desnecessárias e encaminhar o paciente rapidamente para um centro especializado", explica. 

A carcinomatose peritoneal exige um conjunto altamente específico de competências: entendimento profundo da biologia tumoral, conhecimento das indicações de citorredução e HIPEC, além de experiência e domínio técnico para procedimentos desta complexidade. Caso contrário, as consequências podem ser irreversíveis. 

"Uma abordagem inadequada pode transformar um paciente potencialmente tratável em um paciente sem possibilidade curativa", alerta o Dr. Arnaldo. 

Os dados são contundentes: quanto mais intervenções cirúrgicas inadequadas, manipulações peritoneais e ressecções incompletas o paciente sofreu anteriormente, pior tende a ser seu prognóstico oncológico. 

Cirurgias indevidas promovem aderências extensas, distorcem os planos anatômicos, disseminam células tumorais e dificultam futuras citorreduções completas. 

"Muitas vezes, o que inviabiliza uma citorredução potencialmente curativa não é a doença inicial, mas sim a intervenção inadequada realizada anteriormente", reforça o especialista. 

Para o Dr. Arnaldo, a mensagem é clara e exige uma mudança de cultura dentro da medicina. 

"O melhor cirurgião nem sempre é o que faz a maior cirurgia. Muitas vezes, é aquele que reconhece precocemente uma doença complexa, evita danos irreversíveis e encaminha o paciente para um time experiente antes que a oportunidade terapêutica seja perdida", explica. 

 


Uso de esteroides anabolizantes exige atenção redobrada à saúde cardiovascular, alerta Dr. Joaquim Menezes

Uso de esteroides anabolizantes exige atenção redobrada à saúde cardiovascular, destaca o médico especialista em emagrecimento definitivo e longevidade

 

O recente caso envolvendo a morte do fisiculturista Gabriel Ganley reacendeu o debate sobre os riscos cardiovasculares associados ao uso indiscriminado de esteroides anabolizantes e à busca por padrões extremos de performance física. Diante da repercussão, o médico Dr. Joaquim Menezes reforça a importância da prevenção e do acompanhamento médico contínuo, especialmente entre praticantes de atividades físicas intensas e usuários dessas substâncias.

 

Segundo o especialista, muitas doenças cardíacas podem evoluir de forma silenciosa durante anos, sem sintomas aparentes, tornando os exames preventivos fundamentais para reduzir riscos e identificar alterações precocemente.

 

“Há muitos anos eu mantenho um posicionamento bastante firme em relação aos cuidados cardiovasculares, principalmente em pacientes expostos a situações de maior risco, como o uso de esteroides anabolizantes. O coração pode sofrer alterações importantes sem que a pessoa perceba, e isso exige acompanhamento sério, responsável e contínuo”, afirma Dr. Joaquim Menezes.

 

O especialista ressalta ainda que existem situações clínicas específicas em que o uso de esteroides anabolizantes pode ter indicação médica legítima, desde que realizado com critérios rigorosos, acompanhamento especializado e avaliação individualizada do paciente. Entre elas estão determinados quadros hormonais, perdas severas de massa muscular e algumas condições metabólicas específicas.

 

“Na medicina, tão importante quanto não acreditar em soluções milagrosas é não demonizar protocolos sem o devido aprofundamento técnico e científico. Existem contextos clínicos em que determinadas terapias podem ter indicação, mas isso exige responsabilidade, acompanhamento médico sério e análise individual de cada caso. O grande problema está justamente no uso indiscriminado, sem controle e sem avaliação adequada”, afirma Dr. Joaquim Menezes.

 

O médico destaca que, atualmente, existem exames mais modernos e sensíveis capazes de detectar alterações no músculo cardíaco antes mesmo do surgimento de manifestações clínicas. Entre eles está o ecocardiograma com strain, tecnologia já utilizada no Instituto Evoluttion como parte da rotina de avaliação cardiovascular preventiva.

 

“Hoje já contamos com ferramentas extremamente avançadas, como o ecocardiograma com strain, que é uma análise muito sensível da função do músculo cardíaco. Esse exame pode identificar alterações relacionadas à cardiomiopatia hipertrófica até cerca de um ano antes do aparecimento mais evidente da doença. Isso aumenta significativamente a possibilidade de intervenção precoce e acompanhamento adequado”, explica.

 

Embora ressalte que não é possível comentar casos específicos sem acesso ao histórico médico completo do paciente, Dr. Joaquim lamenta a morte do jovem atleta e reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre os riscos envolvidos.

 

“Não posso fazer qualquer julgamento específico sobre este caso porque não tenho acesso às informações clínicas completas, mas é impossível não lamentar profundamente uma perda tão precoce. Situações assim servem como alerta para a importância do acompanhamento médico, dos exames preventivos e da responsabilidade no cuidado com a própria saúde”, diz.

 

O especialista também chama atenção para a falsa percepção de que aparência física e alta performance necessariamente representam saúde cardiovascular preservada.

 

“Muitas vezes, pessoas extremamente condicionadas fisicamente acreditam estar protegidas de problemas cardíacos, quando, na realidade, algumas práticas podem aumentar consideravelmente o risco cardiovascular. O check-up periódico deve fazer parte da rotina de qualquer pessoa que leve o corpo ao limite”, conclui.

 



Dr. Joaquim Menezes - Médico especialista em Emagrecimento definitivo, longevidade, performance física e mental. Após transformar sua própria saúde emagrecendo mais de 30 kgs, transformou a vida de mais de 12000 mil pessoas a recuperarem vitalidade, composição corporal, energia e presença. Já tratou e acompanhou mais de 2.000 pacientes com emagrecimento definitivo que utilizaram como estratégia medicamentosa o uso do Mounjaro, a tirzepatida. Atua a partir de uma visão integral — metabolismo, performance e longevidade trabalhando em sinergia — para resultados que ultrapassam o físico e devolvem energia, clareza, autoestima e presença. Sua atuação ao lado de atletas, executivos e pessoas que buscavam reencontrar vitalidade consolidou uma filosofia de cuidado profundo, preciso e humano.


Instituto Evollution


Dia Mundial da Esclerose Múltipla: neurologistas destacam 5 cuidados essenciais para qualidade de vida dos pacientes

Doença afeta cerca de 40 mil brasileiros, e diagnóstico precoce é fundamental para evitar incapacidades

 

Em 30 de maio é celebrado o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, condição neurológica crônica, inflamatória e autoimune que afeta o sistema nervoso central e pode comprometer o cérebro, a medula e os nervos ópticos dos pacientes. Apesar de ainda ser considerada de baixa prevalência no Brasil, a enfermidade tem grande impacto funcional e social, principalmente entre mulheres e adultos jovens.

Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), cerca de 40 mil brasileiros convivem atualmente com a doença. Já uma revisão sistemática publicada em 2025 na revista científica Clinical Neurology and Neurosurgery estimou prevalência agrupada de 14,5 casos por 100 mil habitantes no país, com variações regionais entre 4,5 e 30,7 casos por 100 mil habitantes.

De acordo com o neurologista João Dib, do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, o diagnóstico precoce e o cuidado contínuo são fundamentais para retardar a progressão da enfermidade e preservar a qualidade de vida.

“A esclerose múltipla pode causar sintomas variados, como alterações visuais, dormências, fadiga intensa, alterações cognitivas e emocionais. Muitas vezes, eles surgem em surtos, alternando períodos de piora e melhora. Entre os principais sinais de alerta estão neurite óptica, formigamentos, fraqueza muscular, desequilíbrio, dores, alterações urinárias e fadiga persistente”, explica o especialista.


Cinco cuidados essenciais para pacientes com esclerose múltipla

Manter acompanhamento regular com o neurologista – o monitoramento frequente da condição permite avaliar a evolução da condição neurológica, ajustar terapias e identificar precocemente novos surtos ou lesões.

Seguir corretamente o tratamento – a constância no uso dos medicamentos modificadores da doença é considerada uma das principais estratégias para reduzir inflamações, surtos e incapacidades futuras.

Praticar atividades físicas supervisionadas – exercícios físicos orientados podem ajudar no controle da fadiga, no equilíbrio, na mobilidade e na qualidade de vida dos pacientes.

Priorizar hábitos saudáveis – sono adequado, alimentação equilibrada, controle do estresse e abandono do tabagismo ajudam no bem-estar geral e podem reduzir os impactos dos sintomas.
Cuidar da saúde mental – ansiedade e depressão são comuns em pacientes com EM. O suporte psicológico e o acompanhamento multidisciplinar fazem parte do tratamento.


Diagnóstico precoce pode evitar sequelas 

O neurologista reforça ainda que o tempo é um fator decisivo na esclerose múltipla. O especialista ressalta que o tratamento deve ser individualizado e envolver equipe multidisciplinar, incluindo fisioterapia, enfermagem, fonoaudiologia e suporte psicológico.


“O atraso no diagnóstico pode levar ao acúmulo de lesões e a incapacidades. Na esclerose múltipla, tempo é cérebro, medula e visão”, alerta.


Vírus sabiá circula há 142 anos no Brasil e está se modificando, aponta estudo

Estrutura da proteína GP1 do vírus sabiá e as diferenças em relação
 a cepas previamente conhecidas na figura da direita, em azul;
mudanças podem influenciar como o vírus interage com células humanas
(
imagem: Ingra M. Claro/FM-USP)

Pesquisadores apoiados pela FAPESP desenvolveram novo método diagnóstico e identificaram infecção em dois pacientes que faleceram por síndrome hemorrágica aguda e neurológica em São Paulo, em 2019 e 2020

 

O vírus sabiá (SABV), causador de uma síndrome hemorrágica e neurológica aguda com quatro casos fatais registrados desde 1990 no Estado de São Paulo, circula há 142 anos no Brasil. Análises recentes de dois casos registrados em 2019 e 2020 revelam que o vírus apresenta variação genética ao longo do tempo, e por isso não foi identificado pelos testes existentes.

Os resultados são parte de um estudo publicado na revista PLOS Neglected Tropical Diseases por pesquisadores do Centro Conjunto Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE), apoiado pela FAPESP, sediado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e no Imperial College, no Reino Unido. O grupo desenvolveu primers, pequenos fragmentos de DNA usados para detectar o vírus em testes laboratoriais. O material foi encaminhado ao Instituto Adolpho Lutz, em São Paulo, referência no Estado para esse tipo de teste.

“A cepa-referência do vírus sabiá é de 1990, de um caso em Cotia. O método diagnóstico foi desenvolvido a partir desse genoma. Como se passaram mais de 30 anos, era mesmo provável que o vírus tivesse se modificado. Não temos tantas ocorrências para poder fazer novas validações desse método, mas ele pode ser utilizado para futuros casos suspeitos com mais precisão do que os testes usados até então”, afirma Ingra Morales Claro, que realizou o trabalho durante doutorado com bolsa da FAPESP na FM-USP e atualmente realiza pós-doutorado na Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos.

Os genomas recuperados do sabiá apresentaram 89% de identidade genética em comparação com cepas previamente descritas em 1999, quando foi registrado o segundo caso da história. “Ao analisar o genoma dos casos novos, identificamos mutações em regiões-alvo dos primers que impediram a detecção pelos testes diagnósticos existentes. Modificamos essas regiões e agora é possível identificar as cepas circulantes”, explica Claro.

O CADDE é coordenado no Brasil por Ester Sabino, professora da FM-USP responsável pelo primeiro sequenciamento do SARS-CoV-2 no país, em março de 2020, e do vírus mpox, em 2022 (leia mais em: agencia.fapesp.br/32637/agencia.fapesp.br/35290/ agencia.fapesp.br/38854). No Reino Unido, o centro é coordenado por Nuno Faria, do Imperial College.

A equipe de Faria coordenou o projeto ZiBRA, que sequenciou o vírus zika, mapeou o surto de febre amarela e a sua dispersão no Brasil e em São Paulo, além de ter coordenado, junto com Sabino, a primeira caracterização da variante gama do SARS-CoV-2 em Manaus (leia mais em: revistapesquisa.fapesp.br/fronteiras-ultrapassadas/revistapesquisa.fapesp.br/mapeamento-genetico-do-virus-da-febre-amarela-traca-origens-e-dispersao-do-virus-no-brasil/ e agencia.fapesp.br/34293).


Como o vírus interage com células humanas

O caso de 2020 de infecção pelo SABV foi identificado por meio de análise metagenômica, técnica que permite detectar diferentes microrganismos diretamente em uma amostra, sem precisar saber previamente qual vírus procurar. O sabiá estava presente no sangue de um paciente de 52 anos de Sorocaba, no interior de São Paulo. O método utilizado foi uma abordagem rápida de metagenômica desenvolvida durante o doutorado de Claro, permitindo a detecção ágil de patógenos emergentes em amostras clínicas.

Com histórico de caminhadas por áreas florestais, o homem buscou cuidados numa unidade básica de saúde em 30 de dezembro de 2019, foi transferido para o Hospital das Clínicas de São Paulo com suspeita de febre amarela e acabou morrendo em 11 de janeiro de 2020. Os testes iniciais deram negativo para febre amarela e sabiá.

Após detectar o vírus na amostra do paciente de Sorocaba, os pesquisadores decidiram analisar amostras de sangue de outros sete casos prévios de síndrome hemorrágica e neurológica aguda que haviam testado negativo para febre amarela. Foi então que encontraram o caso de um trabalhador rural de 63 anos de Assis, internado no Hospital das Clínicas em 10 de dezembro de 2019 e morto dois dias depois.

Mapa dos municípios do Estado de São Paulo indicando os locais de detecção
de infecções naturais pelo vírus sabiá (SABV). Caso 1 (1990), em Cotia; Caso 2 (1999)
 em Espírito Santo do Pinhal. Casos 3 e 4, de 2019 e 2020, pacientes de Sorocaba e Assis.
  
Em conjunto, os dados indicam a circulação silenciosa e a
 diversidade genética do SABV ao longo do tempo
(
imagem: Ingra M. Claro/FM-USP)

Nos dois casos, os pesquisadores observaram alterações na proteína de ligação do vírus com a célula humana. Análises filogenéticas, que permitem reconstruir a história evolutiva do patógeno, indicaram que ele circula há décadas no Brasil e possivelmente não se trata de uma introdução recente.

“Provavelmente houve outros casos no passado que não foram identificados. É importante conhecer o vírus, desenvolver os testes e estudar as alterações que ocorrem no seu genoma a fim de nos anteciparmos a futuros novos casos e mesmo surtos da doença”, alerta Sabino.


Reservatório desconhecido

Não se conhece ainda a espécie que serve de reservatório para o SABV, mas acredita-se que sejam roedores silvestres. As infecções se deram em áreas rurais, onde pode haver interação entre animais e seres humanos.

“Nesse contexto, abordagens de metagenômica têm se mostrado ferramentas essenciais para a detecção de patógenos raros ou inesperados, especialmente quando testes diagnósticos direcionados falham. Essa estratégia foi fundamental tanto na identificação de casos fatais de sabiá em humanos como em animais silvestres e destaca o papel essencial da vigilância genômica na detecção de riscos à saúde pública”, afirma Faria, do Imperial College, dando como exemplo um estudo recente do grupo sobre a evolução e a dinâmica de transmissão da febre amarela no Brasil.

O SABV é considerado um dos vírus brasileiros com maior risco de transmissão por aerossóis em ambiente laboratorial, o que demanda o nível máximo de biossegurança para manipulá-lo, algo ainda inexistente na América do Sul.

Está prevista para 2030 a inauguração do Orion, o primeiro laboratório no país capacitado para armazenar e manipular o vírus ativo, em construção no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. Atualmente, a cepa de referência do sabiá está guardada nos Estados Unidos (leia mais em: agencia.fapesp.br/52118).

O artigo Genomic characterization of sabiá virus in Brazil, 2019-2020: Implications for diagnostics, virus evolution, and receptor binding pode ser lido em: journals.plos.org/plosntds/article?id=10.1371/journal.pntd.0014008.
  

André Julião

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/virus-sabia-circula-ha-142-anos-no-brasil-e-esta-se-modificando-aponta-estudo/58186


Radioterapia pode tratar o câncer de pele? Entenda quando o tratamento é indicado

Em casos de câncer de pele do tipo basocelular, como o diagnosticado no presidente Lula, a radioterapia pode ser realizada de forma isolada ou combinado à cirurgia, aumentando as chances de controle da doença e reduzindo o risco morbidade e de recidiva    

 

Nesta segunda-feira, 25, foi anunciado pelo Hospital Sírio-Libanês que o atual presidente da república, Luís Inácio Lula da Silva, iniciou hoje sua primeira sessão de radioterapia para tratar um carcinoma basocelular no couro cabeludo (o tipo mais comum de câncer de pele) e recebeu a indicação de radioterapia para completar seu tratamento após a cirurgia, em abril, de retirada de tumor na pele. A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) explica que a radioterapia pode ser fundamental em alguns casos de câncer de pele, tanto no contexto adjuvante (após a cirurgia, como neste caso) ou pode, em outros casos, ser usada isoladamente. 

Diferente do melanoma, que é o tipo mais agressivo de câncer de pele, o carcinoma basocelular (assim como outros tumores cutâneos do tipo não melanoma, como o carcinoma espinocelular) tende a apresentar crescimento mais localizado, com baixa probabilidade de disseminação para outras partes do corpo. Já o melanoma, por sua vez, é o tipo mais agressivo e letal de câncer de pele, caracterizado pela alta capacidade de disseminação para outros órgãos. Ele se origina nos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, o pigmento que dá cor à pele.

Quando não diagnosticado e tratado no tempo adequado, o carcinoma basocelular pode evoluir com crescimento progressivo e infiltração de estruturas mais profundas da pele e de tecidos adjacentes. Embora raramente resulte em metástase, esse comportamento localmente invasivo pode levar a morbidades importantes, como ulceração crônica, dor, sangramentos recorrentes e comprometimento funcional e estético, especialmente em áreas como face e couro cabeludo. Em casos mais avançados, pode haver invasão de cartilagem, osso e até estruturas nobres, o que demanda abordagens mais extensas, com cirurgias de maior porte e, frequentemente, a associação com radioterapia para controle da doença e redução do risco de recidiva.


INDICAÇÕES DE RADIOTERAPIA 

A radioterapia pode ser utilizada em diferentes situações no câncer de pele, especialmente nos casos em que a cirurgia não é possível, seja por questões clínicas do paciente ou pelas características do próprio tumor. É o que explica o presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, Wilson José de Almeida Jr. “Há muitos casos em que a cirurgia não é indicada, seja pela localização do tumor, por exemplo, em regiões da face onde o procedimento pode comprometer a estética do paciente ou em situações em que há risco de déficit motor ou outras condições de saúde associadas. Além disso, a radioterapia também pode ser utilizada em combinação com a cirurgia para aumentar o controle local da doença, principalmente quando existem margens positivas, mesmo que milimétricas, reduzindo o risco de recidiva, ou ainda em tumores mais profundos, que podem comprometer estruturas ósseas”, explica Wilson.

A radioterapia também tem um papel importante em casos mais agressivos do câncer de pele, como quando a doença começa a se espalhar ao redor dos nervos, situação que aumenta o risco de o tumor voltar e avançar para regiões mais profundas da cabeça. “Nesses casos, sem o tratamento complementar da radioterapia, o risco de o tumor voltar pode chegar a 30% a 50%. Já com a radioterapia após a cirurgia, o controle local da doença costuma ficar entre 80% e 90%, além de reduzir o risco de progressão para regiões mais profundas”, explica Almeida Jr. Ainda segundo o especialista, quando o câncer retorna após uma ou mais cirurgias, o risco de uma nova recorrência pode ultrapassar de 40% a 50%. Com a associação da radioterapia complementar, porém, as taxas de controle local da doença podem chegar a aproximadamente 75% a 90%.

Além disso, técnicas modernas de radioterapia permitem tratar lesões superficiais com alta precisão, preservando tecidos saudáveis ao redor da área acometida. “Hoje, utilizamos aparelhos com aceleradores lineares de fótons e elétrons. Quando a máquina possui elétrons, conseguimos concentrar o tratamento exatamente sobre a área da lesão, com uma margem de segurança muito adequada, entregando a dose correta na profundidade necessária. Em muitos casos, isso permite tratar apenas a pele, sem irradiar estruturas mais profundas, como o cérebro. Essa é uma evolução importante da radioterapia. A braquiterapia também é uma alternativa bastante precisa para tratar lesões mais superficiais”, explica.”


As opções da radioterapia 

Radioterapia com Modulação de Intensidade do Feixe (IMRT na sigla em inglês): permite a entrega precisa de radiação ao tumor, reduzindo a exposição dos tecidos saudáveis ao redor. Isso é especialmente benéfico em casos de lesões mais profundas em que é fundamental a preservação do tecido circundante.

Radioterapia Estereotáxica Corporal (SBRT na sigla em inglês): entrega doses muito altas de radiação em um número limitado de sessões. Permite que o tratamento das metástases do melanoma em diversos locais como cérebro, pulmão, fígado e ossos seja feito em menos tempo e de forma mais intensa. 

Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT na sigla em inglês): envolve o uso de imagens em tempo real durante as sessões de radioterapia para garantir que o feixe de radiação seja direcionado com precisão ao tumor, reduzindo a influência do movimento do paciente.

Radioterapia Adjuvante: pode ser usada em alguns casos após a cirurgia para melanomas ou tumores não melanoma em estágio avançado, visando prevenir recorrências locais.

Braquiterapia: técnica em que a radiação é aplicada muito próxima ou diretamente sobre a área da lesão, permitindo tratar tumores superficiais com alta precisão e menor impacto nos tecidos saudáveis ao redor. 


Dados do câncer de pele

Segundo as estimativas mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA), os casos de câncer de pele não melanoma seguem em crescimento no Brasil e continuam sendo os tumores mais frequentes no país. No triênio 2023-2025, eram estimados cerca de 220 mil novos casos anuais da doença. Já para o triênio 2026-2028, esse número subiu para aproximadamente 263.280 novos casos por ano, demonstrando um avanço importante da incidência da doença na população brasileira.

O câncer de pele não melanoma representa sozinho mais de 33% de todos os tumores malignos diagnosticados no país. Apesar de apresentar altas taxas de cura quando identificado precocemente, Almeida Jr. alerta que muitos pacientes ainda chegam com tumores avançados. “ “É importante alertar que, ao identificar lesões diferentes no corpo, feridas que não cicatrizam, pintas que mudam de aspecto ou manchas suspeitas, o paciente deve procurar imediatamente um dermatologista para avaliação. Mas além do diagnóstico precoce, também é fundamental reforçar as medidas de prevenção, que continuam sendo a principal forma de reduzir os casos de câncer de pele. O uso diário de protetor solar, evitar exposição ao sol nos horários de maior intensidade, utilizar chapéus, bonés, roupas com proteção UV e óculos escuros, principalmente em um país tropical com alta radiação solar como o Brasil”, finaliza. 

 

Sociedade Brasileira de Radioterapia -SBRT
https://sbradioterapia.com.br/


Com 85,8 mil casos em 2025, AVC segue como desafio de saúde pública no Brasil

 Especialista explica como a Fonoaudiologia auxilia pacientes na recuperação de funções afetadas pelas sequelas neurológicas 

 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) está entre as principais causas de morte e de incapacidades permanentes no Brasil. De acordo com dados do Portal da Transparência do Centro de Registro Civil, foram registrados 85,8 mil casos da doença em 2025, o que reforça a gravidade do problema de saúde pública que pode atualmente acometer um brasileiro a cada sete minutos. Apesar do cenário alarmante, o Ministério da Saúde estima que cerca de 80% dos casos poderiam ser evitados com o controle de fatores de risco, como hipertensão, diabetes e colesterol alto. As sequelas neurológicas são frequentes e podem comprometer funções como sensibilidade orofacial, fala, deglutição, leitura e escrita, entre as áreas que podem ser tratadas pela Fonoaudiologia. 

Segundo Sonia Sellin, fonoaudióloga (CFFa 1531-2) e membro do CREFONO2 – Conselho Regional de Fonoaudiologia do Estado de São Paulo, o início precoce da reabilitação é muito importante para ampliar as chances de recuperação. “O tratamento deve ser iniciado ainda no hospital, nas primeiras horas após o AVC, para posteriormente ser dada a continuidade em clínicas ou no ambiente domiciliar”, afirma. Ao longo do acompanhamento, o fonoaudiólogo avalia as áreas cerebrais afetadas e desenvolve um plano terapêutico individualizado, de acordo com as necessidades de cada paciente. A especialista do CREFONO2 ressalta, no entanto, que a evolução varia de poucos meses a anos, conforme a extensão das lesões, as áreas neurofuncionais preservadas, a estrutura psíquica do paciente e sua rede de apoio.

Por esse motivo, Sonia Sellin destaca que o acompanhamento fonoaudiológico envolve não apenas o paciente, mas também seus familiares. “O trabalho é realizado em parceria, com orientações sobre práticas que podem ser incorporadas à rotina doméstica e suporte nos momentos mais difíceis, garantindo a continuidade do tratamento”, explica.

A especialista ressalta ainda que as sequelas do AVC podem comprometer significativamente a comunicação e a interação social. Em alguns casos, o paciente apresenta fraqueza ou descoordenação dos músculos responsáveis pela fala, quadro conhecido como disartria. Em outros, surgem dificuldades para acessar palavras e expressar ideias, sentimentos e necessidades, condição chamada afasia, que também pode afetar leitura e escrita.

Os danos neurológicos provocados pelo AVC podem atingir ainda a deglutição, causando tosse, engasgos e alterações na coordenação do processo de engolir, envolvendo estruturas como cavidade oral, faringe, esôfago e estômago.

De forma geral, Sonia Sellin reforça a relevância da atuação fonoaudiológica na reabilitação de pacientes com sequelas pós-AVC, tanto na recuperação da comunicação verbal e não verbal, incluindo estratégias de Comunicação Aumentativa e Alternativa, quanto nos aspectos cognitivos e da escrita. O trabalho também inclui orientação a familiares e cuidadores sobre condutas terapêuticas e adaptação à nova condição do paciente, além da aplicação de técnicas e exercícios específicos voltados à fala, deglutição, respiração e velocidade da fala.

 

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