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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Saúde: Frio derruba estoques de leite materno e acende alerta nos bancos de coleta


Doação de leite materno salva vidas e beneficia a saúde da mãe e dos bebês
 Magnific

Especialistas falam sobre a importância do alimento para os bebês e respondem às dúvidas comuns; veja como e onde doar em todo o Brasil

 

Com a chegada do inverno e o aumento de viroses respiratórias, os estoques dos Bancos de Leite Humano (BLHs) sofrem uma redução média de 30% em todo o país. Para contrapor esse impacto sazonal, especialistas falam sobre a importância da doação desse alimento, que é insubstituível para recém-nascidos prematuros ou de baixo peso.

 

“Cada gota importa, pois um mililitro (1 ml) de leite humano já é o suficiente para nutrir um bebê vulnerável em seus primeiros momentos em uma UTI. E um litro de leite materno pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia”, explica a médica pediatra Lilian Ferreira Shikasho, professora do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR).

 

Segundo a Rede Global de Bancos de Leite Humano da Fiocruz, no Brasil, cerca de 330 mil crianças nascem prematuras por ano e precisam da doação de leite, já que permanecem sendo assistidas nos hospitais e maternidades. 

 

Múltiplos benefícios


O leite materno possui tudo o que o bebê precisa até os seis meses de vida. A ciência o reconhece como o alimento mais completo para o recém-nascido devido ao seu amplo espectro de benefícios: é rico em carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas, minerais e substâncias imunocompetentes (como a imunoglobulina A, enzimas e interferon).

 

“Ao amamentar, a mãe transfere anticorpos diretamente para o bebê, protegendo-o de doenças e evitando alergias ou problemas gastrointestinais graves. O ato de doar o leite materno também traz vantagens à saúde da doadora, pois a retirada do excesso estimula a produção contínua e estável, além de esvaziar as mamas adequadamente, aliviando o ingurgitamento mamário e prevenindo processos inflamatórios e infecciosos graves, como a mastite”, destaca Lilian.

 

“O leite materno também promove o desenvolvimento harmonioso da face, dos ossos e dos músculos orais, favorecendo o posicionamento correto de dentes e língua, além de estimular a sucção, a deglutição e a respiração coordenadas”, explica o cirurgião-dentista Manuel da Fonseca Rodrigues, professor do curso de Odontologia do Centro Universitário Integrado.


 

Como e onde doar em todo o país


O Brasil é considerado referência internacional na área e possui a maior e mais bem estruturada rede de bancos de leite do mundo.

 

O país conta atualmente com 239 bancos de leite em funcionamento, sendo 96 no Sudeste, 55 no Nordeste, 40 no Sul, 27 no Centro-Oeste e 17 no Norte. A localização dos BLHs e postos de coleta podem ser conferidas no link https://rblh.fiocruz.br/localizacao-dos-blhs


 

Dúvidas comuns


Para esclarecer as dúvidas frequentes sobre a doação de leite materno, os especialistas do Centro Universitário Integrado respondem aos questionamentos:

 

1) Quem está apta a doar?

Toda mulher que está amamentando, possui excedente de leite, apresenta boa saúde geral, tem exames pré-natais compatíveis com a amamentação e não utiliza medicamentos contraindicados, álcool, tabaco ou drogas está apta a doar. Porém, a prioridade absoluta deve ser a amamentação do próprio filho.

 

2) A doação enfraquece o organismo da mãe ou retira o cálcio dos dentes?

Não. O processo não afeta a estrutura dentária. O cálcio utilizado para a produção do leite provém da dieta equilibrada da mãe ou de suas reservas ósseas internas, nunca dos dentes.

 

3) Mulheres em tratamento odontológico podem doar?

Sim. Tratamentos de rotina e o uso de anestésico local comum (como lidocaína) é totalmente seguro, possui rápida metabolização e eliminação pelo organismo, não exigindo a interrupção da amamentação ou das doações.

 

4) A doação traz benefícios à própria mãe?

Sim. A retirada regular do excesso de leite via ordenha estimula fisiologicamente uma produção contínua e saudável, ajudando a manter a amamentação estável.

 

5) O leite doado vai direto para o bebê?

Não. Todo leite passa por um rigoroso processo de triagem, análise e pasteurização no Banco de Leite Humano antes de ser distribuído aos recém-nascidos.

 

6) Quem recebe o leite doado?

Os recém-nascidos prematuros ou de baixo peso que estão internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais brasileiras e não podem ser amamentados pela própria mãe.

 

7) É possível fazer a coleta em casa?

Sim, basta seguir os passos recomendados pelo Ministério da Saúde.

 

8) Qual a maneira correta para a extração de leite humano em casa?

-Escolha um local limpo, confortável e tranquilo;

-Massageie as mamas com as pontas dos dedos, fazendo movimentos circulares no sentido da parte escura (aréola) até o corpo;

-Segure a mama com a mão em formato de “C”;

-Firme os dedos e empurre para trás, em direção ao corpo;

-Aperte o polegar contra os outros dedos até sair o leite;

-Despreze os primeiros jatos de leite ou gotas;

-Posicione o frasco devidamente higienizado debaixo da aréola e inicie a retirada do leite da mama;

-Retire o leite até que a mama esvazie e fique mais maleável;

-Feche bem o frasco com a tampa;

-Coloque um rótulo com seu nome, a data e a hora da retirada

-Guarde o frasco em geladeira (no congelador)

 

9) Que quantidade do frasco deve ser preenchida?

O frasco pode ser preenchido até dois dedos antes da borda. Também é possível usar o mesmo frasco para coletas diferentes.

 

10) O que fazer caso o frasco não tenha sido preenchido em apenas uma extração?

Deve-se colocar o leite materno recém-retirado em um copo de vidro devidamente esterilizado e, depois, adicioná-lo ao frasco de leite materno que já está congelado.

 

11) Qual a maneira correta de armazenar o leite materno? 

-O leite deve ser armazenado em frasco limpo e esterilizado; 

-Lave um frasco de vidro e sua tampa de plástico rosqueável com água e sabão, retirando o rótulo e o papel de dentro da tampa; 

-Coloque o frasco e a tampa em uma panela com água, cobrindo-os completamente; 

-Ferva-os. Conte 15 minutos a partir do início da fervura; 

-Escorra o frasco e a tampa com a abertura voltada para baixo, sobre um pano limpo, até secar; 

-Feche o frasco sem tocar com as mãos na parte interna da tampa; 

-Após a retirada do leite materno, coloque o frasco imediatamente no freezer ou congelador;

-O leite materno deve ser transportado a um Banco de Leite Humano antes do seu vencimento (até 15 dias após a primeira coleta).

 

12) A doação pode levar à escassez de leite para o próprio bebê?

Não. Sempre que o bebê mama ou o leite materno é extraído, mais leite é produzido (lei da oferta e da procura).

 

 

Rede de apoio no Paraná

Na Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão (Comcam), a grande referência é o Banco de Leite Humano do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Campo Mourão. As lactantes de municípios vizinhos podem fazer o cadastro com a nutricionista ou enfermeira responsável pela saúde da mulher em sua cidade para receber o suporte logístico, que inclui a coleta agendada em domicílio, sem necessidade de deslocamento.

 

Para as mães residentes em outras localidades, a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) disponibiliza o mapeamento digital completo com telefones e endereços na Tabela oficial da SESA-PR.

 

 

Centro Universitário Integrado

 

Junho Vermelho reforça importância da doação de sangue para salvar vidas

Doctor Clin destaca que gesto simples, seguro e regular ajuda a manter estoques dos hemocentros e garantir atendimentos de urgência, cirurgias e tratamentos contínuos 

 

Com a chegada do inverno, período em que os estoques dos hemocentros costumam registrar queda, a campanha Junho Vermelho chama a atenção para a importância da doação regular de sangue. A Doctor Clin reforça, neste mês de conscientização, que o gesto é essencial para a saúde coletiva e para o funcionamento da rede de atendimento, beneficiando pacientes em situações de urgência, cirurgias, tratamentos oncológicos, partos de risco e outras condições que dependem de transfusão.

O mês de junho foi escolhido justamente por anteceder o período mais frio do ano, quando as baixas temperaturas, as férias e o aumento das doenças respiratórias reduzem a circulação de doadores. Apesar disso, a demanda por sangue nos hospitais permanece constante. Por isso, a informação, o incentivo e a mobilização da comunidade são fundamentais para manter os estoques em níveis seguros.

“De forma geral, podem doar sangue pessoas em boas condições de saúde, com idade entre 16 e 69 anos e peso mínimo de 50 quilos, respeitando os critérios de triagem de cada hemocentro. Antes da doação, é importante estar bem alimentado, descansado, hidratado, evitar bebida alcoólica nas horas anteriores e não fazer a doação em jejum. Depois, o ideal é manter a hidratação, evitar esforço físico intenso nas primeiras horas e seguir as orientações da equipe de saúde”, explica a diretora médica da Doctor Clin, Michele Gracioli Schneider.

A doação de sangue é considerada um ato seguro, realizado com materiais descartáveis e acompanhamento de profissionais de saúde. Antes da coleta, o voluntário passa por triagem para avaliar suas condições no momento da doação, o que contribui para a segurança de quem doa e de quem recebe.

A Doctor Clin orienta que pessoas aptas procurem os hemocentros de sua região e verifiquem previamente os critérios, horários de atendimento e eventuais impedimentos temporários. A regularidade das doações é um dos pontos mais importantes, já que o sangue não pode ser produzido artificialmente e seus componentes têm prazo de validade.

Para quem deseja contribuir, a doação pode ser realizada no Hemorgs (Hemocentro do Estado do Rio Grande do Sul), localizado na Avenida Bento Gonçalves, 3.722, no bairro Partenon, em Porto Alegre. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. O agendamento pode ser feito diretamente na página de Agendamento Online do Governo do Estado ou pelo WhatsApp (51) 98405-4260.

Mais informações sobre outros locais de doação estão disponíveis em https://saude.rs.gov.br/onde-doar-sangue 

  


Marcelo Matusiak

  

 Elgin, SPFC e GSH Banco de Sangue promovem ação de doação de sangue no dia 27 de junho

 

Iniciativa prepara um sábado especial na sede do GSH Banco de Sangue de SP para engajar sociedade em uma grande corrente de solidariedade

 

No sábado (27/06), a Elgin, em parceria com o São Paulo Futebol Clube (SPFC) e o GSH Banco de Sangue de São Paulo, realiza uma ação especial voltada à conscientização e ao incentivo à doação de sangue. O evento acontecerá das 7h às 18h, na sede do Banco de Sangue, na Rua Dr. Tomás Carvalhal, 711, e visa mobilizar a comunidade em prol de uma causa que salva vidas.

Os parceiros unem forças para engajar a população, atrair novos doadores e colaborar com o aumento dos estoques de bolsas de sangue do município. Entre 10h e 13h, os voluntários poderão interagir com o Santo Paulo, mascote oficial do clube, que visitará o espaço. Os participantes também poderão conferir a taça do Mundial do SPFC e quem realizar a doação receberá adesivos personalizados da campanha "Eu Apoio", além de brindes especiais da Elgin.

“Apoiar a doação de sangue é apoiar a vida. Para a Elgin, fazer parte desta iniciativa ao lado de parceiros tão grandiosos como o São Paulo Futebol Clube e o GSH Banco de Sangue de São Paulo reforça o nosso compromisso com a responsabilidade social. Entendemos que precisamos usar a nossa marca e a nossa sinergia para gerar um impacto positivo na sociedade, por isso estamos muito orgulhosos de impulsionar essa causa”, destaca Gabriela Feder Gil, Diretora de Marketing da Elgin.

Segundo Janaína Ferreira, líder de captação do GSH Banco de Sangue de São Paulo, a doação de sangue é um gesto simples, mas que tem um impacto imensurável na vida de pacientes que dependem de transfusões para continuar seu tratamento. “Iniciativas como esta são fundamentais para aproximar a população dessa causa e reforçar a importância de manter os estoques abastecidos de forma contínua. Ficamos muito felizes em contar com parceiros como a Elgin e o São Paulo Futebol Clube, que utilizam sua visibilidade e capacidade de mobilização para ampliar essa corrente de solidariedade e incentivar novos doadores", ressalta.


A ação é totalmente gratuita e aberta ao público geral. Para participar, basta preencher os requisitos básicos, como peso mínimo de 50kg, estar alimentado e apresentar documento oficial com foto. No momento da doação, o voluntário passará por uma triagem com os profissionais do Banco de Sangue, em que serão verificados alguns outros componentes de saúde.


Serviço:

Campanha de Doação de Sangue – Elgin, SPFC e GSH Banco de Sangue de SP
Data: 27 de junho (sábado)
Horário: Das 7h às 18h
Local: Banco de Sangue de São Paulo
Endereço: Rua Dr. Tomás Carvalhal, 711 - Paraíso, São Paulo - SP


Confundida com estresse e menopausa, fadiga grave em mulheres pode ser uma doença rara do fígado

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Considerada o sintoma mais incapacitante da colangite biliar primária, doença rara e progressiva, exaustão extrema que não melhora com o sono afeta até 80% das mulheres com a condição

 

A exaustão extrema em mulheres é frequentemente relativizada e atribuída ao estresse ou à menopausa. No entanto, quando esse esgotamento se torna persistente, pode ser um sinal da colangite biliar primária (CBP), uma doença autoimune e crônica que ataca os pequenos canais que conduzem a bile dentro do fígado e pode evoluir para cirrose. Embora prevaleça em mulheres de 55 a 75 anos, a enfermidade acende um alerta ao surgir na faixa dos 35 aos 55 anos. Segundo a Dra Liliana Mendes, hepatologista do Hospital de Base de Brasília, o impacto nessa fase é ainda mais avassalador, pois coincide com o auge da atividade profissional, cuidados com filhos e a gestão de múltiplos projetos pessoais. 

O grande desafio da CBP está em sua natureza silenciosa e na falta de especificidade dos sintomas iniciais, frequentemente confundidos com ansiedade ou depressão. “Muitas mulheres passam longos períodos assintomáticas, descobrindo a patologia de forma incidental por meio de alterações em exames laboratoriais de rotina, como a elevação da enzima fosfatase alcalina”, esclarece a especialista. De acordo com estudos, no momento do diagnóstico, 60% das pessoas com a doença estão assintomáticas. 

O sintoma mais comum e limitante da doença é a fadiga, que afeta até 80% das pessoas1. Diferente do cansaço comum, ela não tem ligação com o esforço físico e não é resolvida com repouso, persistindo mesmo após uma boa noite de sono2. Quem tem a doença, descreve a sensação como "andar em uma névoa constante"3, uma exaustão invisível que gera incompreensão social. Liliana pontua que esse peso afeta o bem-estar de forma tridimensional: fisicamente, uma vez que reduz a força para tarefas simples; mentalmente, porque prejudica a cognição com lapsos de memória e concentração; e emocionalmente, pois gera frustração, ansiedade e isolamento - impactando diretamente o trabalho e os relacionamentos. Diante dessa realidade, contar com o suporte e a compreensão de familiares e amigos torna-se um pilar indispensável para mitigar o isolamento social e ajudar a mulher a manter sua qualidade de vida. 

Além da exaustão, as manifestações clínicas da CBP costumam incluir o prurido - coceira intensa que ocorre sem lesões visíveis na pele, piora à noite e compromete a qualidade do sono -, secura nos olhos e na boca, dores abdominais e articulares, e a associação com outras condições autoimunes, como problemas na tireoide ou artrite. A especialista ressalta que, embora possa estar associada a outras doenças, a CBP exige um cuidado adequado específico (que permite maior controle da doença) e não deve ser vista apenas como consequência de outros problemas. “Atualmente, o Brasil já conta com uma terapia específica, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), capaz de retardar a progressão da doença, melhorar o prurido e a fadiga e garantir mais qualidade de vida”, reforça a médica. 

Por isso, a conscientização e o diagnóstico precoce são fundamentais para mudar o desfecho clínico. “A maioria das mulheres alcança um excelente prognóstico e evita a progressão das lesões hepáticas se a intervenção ocorrer cedo. Sintomas persistentes não devem ser normalizados. Enfrentar fadiga crônica ou coceira inexplicável por vários meses é um indicativo mandatório para investigar a saúde do fígado e assegurar a preservação da autonomia e da qualidade de vida”, finaliza a hepatologista.

  

Referências 

1 Khanna A, Leighton J, Lee Wong L, Jones DE. Symptoms of PBC—pathophysiology and management. Best Pract Res Clin Gastroenterol. 2018;34-35:41–7

2 Younossi ZM, et al. J Hepatol. 2024;81:726–742

3 Hale M, et al. BMJ. 2012;345:e7004


Falta de sangue nos hemocentros pode afetar desde cirurgias de aneurisma até procedimentos de emergência no cérebro

Campanha Junho Vermelho reforça importância da doação contínua; especialistas alertam que estoques baixos podem comprometer atendimentos neurológicos de alta complexidade 

 

O baixo estoque de sangue nos hemocentros das grandes cidades pode trazer consequências que vão muito além do atendimento à vítimas de acidentes. Em diversas especialidades médicas, incluindo a neurocirurgia, a disponibilidade de hemocomponentes é fundamental para garantir a realização segura de procedimentos complexos e o atendimento de emergências que exigem resposta imediata. 

Durante o Junho Vermelho, campanha nacional de conscientização sobre a doação de sangue, especialistas chamam atenção para um problema recorrente: a redução dos estoques em diferentes regiões do país. A situação pode impactar desde cirurgias programadas até procedimentos de urgência realizados em pacientes com aneurismas cerebrais, traumatismos cranianos e outras condições neurológicas graves. 

Segundo a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), embora nem toda cirurgia cerebral exija transfusão sanguínea, diversos procedimentos apresentam risco de sangramento e dependem da disponibilidade de sangue para garantir segurança ao paciente e à equipe médica. 

"Em neurocirurgia, frequentemente lidamos com situações em que cada minuto faz diferença. Em casos como aneurisma cerebral roto, traumatismos cranianos graves e algumas cirurgias vasculares complexas, a disponibilidade imediata de sangue pode ser determinante para o sucesso do tratamento e para a recuperação do paciente", explica a Dra. Vanessa Milanese, neurocirurgiã e Diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. 

Dependendo da complexidade do caso, uma única cirurgia pode demandar múltiplas bolsas de sangue e seus componentes. Além disso, pacientes submetidos a procedimentos extensos podem necessitar de reposição durante e após a operação. 

Os reflexos dos estoques reduzidos não atingem apenas os casos de emergência. Quando os níveis de sangue ficam abaixo do recomendado, hospitais podem ser obrigados a reorganizar agendas cirúrgicas, priorizando pacientes em estado mais grave e adiando procedimentos eletivos. 

Embora essa seja uma medida adotada para preservar a segurança assistencial, especialistas alertam que os adiamentos podem gerar sofrimento adicional aos pacientes que aguardam tratamento e aumentar o risco de agravamento de algumas condições clínicas. 

"A população costuma lembrar da doação de sangue em momentos de tragédia ou grandes campanhas, mas os hospitais dependem de um fluxo constante de doadores para atender demandas diárias. O sangue não pode ser fabricado e possui prazo de validade, por isso a reposição precisa ser contínua", destaca a especialista. 

Pacientes submetidos a cirurgias de aneurismas, tumores cerebrais, malformações vasculares e traumatismos cranianos estão entre aqueles que podem necessitar de suporte transfusional. Além da neurocirurgia, o sangue também é essencial para tratamentos oncológicos, transplantes, cirurgias cardíacas e atendimentos de emergência em diversas especialidades. 

Uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas, já que o sangue coletado é separado em componentes como hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado, utilizados conforme a necessidade de cada paciente.
 

Como doar

De acordo com o Ministério da Saúde, podem doar sangue pessoas saudáveis com idade entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido realizada antes dos 60 anos. Menores de 18 anos precisam de autorização dos responsáveis. No dia da doação, é necessário estar bem alimentado, descansado e apresentar documento oficial com foto. 

Para os especialistas, transformar a doação em um hábito regular é uma das principais estratégias para garantir a manutenção dos estoques e evitar impactos no atendimento à população. 

"Quando alguém doa sangue, dificilmente sabe quem será beneficiado. Mas essa doação pode estar diretamente ligada à realização de uma cirurgia cerebral, ao atendimento de uma emergência neurológica ou à recuperação de um paciente em estado grave. É um gesto simples que tem potencial para salvar muitas vidas", conclui.
 

SBN - associação de médicos que exercem a especialidade de Neurocirurgia no Brasil. Mantém atividades regulares e ininterruptas no treinamento, ensino e formação do médico especialista em Neurocirurgia, seguindo protocolos e padrões que a colocam entre as melhores do mundo, conforme reconhece a WFNS – World Federation of Neurosurgical Societies. Site: portalsbn.org / Instagram sbn.neurocirurgia


Hipertensão após os 60 anos: 7 cuidados essenciais para manter a pressão sob controle

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Presente em cerca de um em cada três brasileiros, a hipertensão evolui de forma silenciosa e exige acompanhamento contínuo

 

A hipertensão arterial está entre as doenças crônicas mais comuns no Brasil e representa um dos principais fatores de risco para eventos cardiovasculares graves, como acidente vascular cerebral, infarto e insuficiência cardíaca. Dados do Vigitel 2025, pesquisa do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco para doenças crônicas, indicam que cerca de 30% da população brasileira convive com a condição, o equivalente a aproximadamente um em cada três brasileiros.

 

O avanço da hipertensão ao longo dos anos está diretamente relacionado ao envelhecimento. Com o tempo, alterações fisiológicas como a perda da elasticidade dos vasos sanguíneos favorecem o aumento da pressão arterial, tornando o controle ainda mais relevante após os 60 anos.

 

De acordo com o Dr. Augusto Neno, médico cardiologista da MedSênior, um dos principais desafios é justamente o fato de a doença evoluir de forma silenciosa. “A hipertensão, na maioria das vezes, não apresenta sintomas evidentes. Muitos pacientes só descobrem a condição após já apresentarem alguma complicação, o que reforça a importância do monitoramento regular da pressão arterial, sobretudo na população idosa”, explica.

 

Mais do que o diagnóstico, a continuidade do cuidado é determinante para evitar desfechos graves. “Controlar a pressão arterial não é apenas reduzir números. É prevenir eventos que podem comprometer a autonomia, a qualidade de vida e, em muitos casos, a própria sobrevida do paciente”, destaca o especialista.

 

A seguir, confira sete cuidados fundamentais para manter a pressão arterial sob controle e reduzir riscos na maturidade:

 

  • Acompanhar a pressão arterial regularmente

A medição frequente é essencial para identificar alterações e garantir o controle adequado, mesmo na ausência de sintomas. Fora do ambiente hospitalar e na ausência de um profissional de saúde para oferecer orientações, você pode medir sua pressão aparelhos validados por protocolos internacionais (como AAMI ou ESH) e certificados pelo INMETRO. No site da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) é possível encontrar uma lista de modelos certificados. 


  • Seguir corretamente o tratamento medicamentoso

O uso contínuo dos medicamentos prescritos é indispensável para manter a pressão estável e evitar complicações.


  • Reduzir o consumo de sal

O excesso de sódio está diretamente associado ao aumento da pressão arterial. Priorizar alimentos naturais faz diferença no controle da doença.


  • Adotar uma alimentação equilibrada

Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes e alimentos frescos contribui para a saúde cardiovascular.


  • Praticar atividade física regularmente

Exercícios auxiliam no controle da pressão, melhoram a circulação e contribuem para o bem-estar geral.


  • Manter o peso corporal adequado

O controle do peso reduz a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular e auxilia no controle da hipertensão.


  • Realizar acompanhamento médico contínuo

O acompanhamento periódico permite ajustes no tratamento e uma abordagem mais individualizada, especialmente em pessoas com outras condições de saúde. 

O cuidado com a hipertensão deve ser contínuo e integrado. A combinação entre hábitos saudáveis, acompanhamento profissional e adesão ao tratamento é fundamental para reduzir complicações, evitar internações e garantir mais qualidade de vida ao longo dos anos.

  



MedSênior
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A importância da profissão de doula para a humanização do ciclo da gravidez


A regulamentação da profissão de doula em 2026 representa um marco para o reconhecimento de uma atividade que vem ganhando cada vez mais espaço na assistência à gestação, ao parto e ao pós-parto. Presente em maternidades, hospitais e nos atendimentos domiciliares (prestando consultoria e acompanhamento personalizado), a doula atua oferecendo suporte físico, emocional e informativo às gestantes e famílias, contribuindo para uma experiência mais acolhedora e consciente durante todo o ciclo gravídico-puerperal.

Embora não realize procedimentos clínicos e nem substitua médicos e enfermeiros obstétras, a doula integra o cuidado multiprofissional ao acompanhar a mulher desde o pré-natal até o pós-parto. Sua atuação está centrada no acolhimento, na escuta ativa e no fortalecimento da autonomia da gestante, ajudando a compreender as diferentes etapas da gestação e do nascimento.

“A presença da doula vai além do conforto individual, é uma questão de saúde pública. O acompanhamento da profissional melhora a experiência do parto, reduzindo intervenções desnecessárias, medicalização excessiva e facilita o acesso ao parto humanizado”, diz Ana Carolina Bhering, coordenadora da área de Enfermagem do Senac São Paulo.

A presença da doula pode ocorrer em diferentes tipos de parto, incluindo partos normais, naturais, humanizados e cesarianas e entre as principais funções está a preparação da gestante para o nascimento do bebê.

Durante o pré-natal, promove encontros educativos para esclarecer dúvidas, compartilhar informações sobre os diferentes tipos de parto e auxiliar na elaboração do plano de parto, documento que registra as preferências e escolhas da mulher para o momento do nascimento, - incluindo métodos de alívio da dor, intervenções desejadas ou não, presença de acompanhantes e cuidados com o recém-nascido.

No trabalho de parto, oferece suporte contínuo por meio de métodos não farmacológicos para alívio da dor, como massagens, técnicas de respiração, banhos terapêuticos, compressas, movimentos corporais e mudanças de posição.

No pós-parto, o acompanhamento continua com acolhimento no período de adaptação à nova rotina, escuta ativa e incentivo à amamentação, sempre respeitando os limites de atuação da profissão.

 

Formação da Doula profissional

Com a regulamentação, a busca por qualificação tornou-se estratégica. A formação para atuar na área é multidisciplinar e reúne conhecimentos sobre fisiologia da gestação e do parto, métodos não farmacológicos de alívio da dor, acolhimento emocional e direitos da mulher. No Senac São Paulo, por exemplo, a capacitação em Doula alia teoria e prática, com simulações de situações reais de atendimento que permitem o desenvolvimento de habilidades essenciais, como empatia, comunicação e suporte emocional. Os interessados podem, inclusive, obter descontos ou bolsas de estudo 100% integrais, se atenderem aos pré-requisitos do curso e do Programa Senac de Gratuidade.

Os futuros profissionais também aprendem técnicas de conforto utilizadas durante o trabalho de parto, como exercícios de respiração, massagens, uso da bola de pilates e incentivo a posições que favorecem a evolução do parto. O objetivo é preparar as participantes para oferecer um acompanhamento seguro e humanizado, sempre respeitando as escolhas da mulher.


Copa do Mundo: gritar durante os jogos pode causar lesões nas cordas vocais?


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Especialistas alertam para os riscos da torcida em excesso e abuso vocal 
 

 

 

Em meio à expectativa durante a Copa do Mundo de 2026, a empolgação dos torcedores promete tomar conta de estádios, bares e reuniões entre amigos. Mas, junto com a celebração, especialistas chamam atenção para um efeito menos comemorado: o impacto dos gritos excessivos na saúde vocal. Rouquidão, dor na garganta e perda temporária da voz estão entre as queixas mais comuns após períodos de uso intenso da voz, especialmente quando há gritos repetidos e prolongados durante partidas decisivas.

 

O Dr. Lauro Nunes de Oliveira Filho, médico otorrinolaringologista e professor da Afya Ipatinga, explica que a voz é produzida na laringe, onde estão as pregas vocais, estruturas que vibram com a passagem do ar. Quando submetidas a esforço excessivo, como gritos intensos, podem sofrer um conjunto de alterações conhecido como fonotrauma. “Esse tipo de sobrecarga mecânica pode causar irritação, inflamação da laringe e inchaço. Em alguns casos, surgem pequenas lesões, como edemas e até alterações benignas mais persistentes, como nódulos vocais”, explica o especialista.

 

De acordo com o médico, o problema não está em um único grito isolado, mas na repetição e intensidade do esforço vocal. Quando há aumento do impacto entre as pregas vocais, o atrito constante favorece inflamações e pode evoluir para quadros mais prolongados. Ele ressalta ainda que a rouquidão costuma ser passageira, mas não deve ser ignorada quando se repete ou se prolonga. “Se o sintoma ultrapassa duas semanas ou vem acompanhado de dor intensa e dificuldade para falar, é fundamental procurar avaliação médica”, alerta.

 

O especialista também alerta que o risco de lesões vocais pode ser ainda maior em situações comuns durante jogos de futebol, como consumo de álcool, ambientes barulhentos e desidratação.  “Quando a pessoa já está gripada, rouca ou desidratada, as pregas vocais ficam mais vulneráveis. O álcool contribui indiretamente porque favorece a perda de hidratação e reduz a percepção do esforço vocal”, afirma o otorrinolaringologista. Ambientes como estádios e bares também fazem com que as pessoas elevem involuntariamente o tom de voz, aumentando ainda mais a sobrecarga.

 

Sinais de alerta vão além da rouquidão

 

Dr Lauro também destaca que, entre os sinais de atenção, também estão falta de ar, engasgos frequentes, tosse com sangue e perda de voz sem melhora, situações que exigem investigação com exames específicos, como a videolaringoscopia

 

A fonoaudióloga e docente Moniki Aguiar, docente da Afya Centro Universitário Itaperuna enfatiza que nem sempre a rouquidão é o único sinal de que algo está errado. “Cansaço ao falar, sensação de garganta seca, dor ao emitir a voz, necessidade de pigarrear com frequência e perda de alcance vocal também são sinais importantes”, explica.

 

Segundo ela, outros indícios incluem voz mais fraca, soprosa ou até perda temporária da voz após eventos com grande esforço vocal. Quando a rouquidão ultrapassa cerca de 15 dias, a recomendação é procurar avaliação conjunta com otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.

 

Voz também precisa de descanso

 

Um dos erros mais comuns, segundo Moniki, é acreditar que apenas profissionais da voz precisam de cuidados específicos. “Qualquer pessoa pode sofrer com abuso vocal. Em períodos de grandes eventos, há aumento significativo das queixas relacionadas à voz”, observa.

 

Ela lembra que as pregas vocais são estruturas delicadas e que também podem sofrer lesões por sobrecarga, assim como músculos de um atleta. “Torcer é uma forma legítima de emoção, mas cuidar da voz é o que garante que ela continue saudável para muitas outras comemorações”, conclui.


 

7 maneiras de proteger a voz durante a torcida, segundo a especialista 

A fonoaudióloga reforça que medidas simples podem reduzir significativamente o risco de lesões durante a Copa do Mundo: 

  1. Manter boa hidratação antes, durante e depois dos jogos;
  2. Evitar competir com o barulho do ambiente gritando continuamente;
  3. Fazer pausas vocais sempre que possível;
  4. Preferir aplausos e instrumentos de torcida em vez de gritos constantes;
  5. Reduzir o consumo de álcool;
  6. Evitar fumar;
  7.  Tentar não cochichar quando a voz estiver cansada, já que o sussurro também exige esforço das pregas vocais. 


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