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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Seis tendências de inovação para 2026


Inovar nunca foi apenas sobre tecnologia, mas sobre aliar uma visão de futuro, capacidade de adaptação e estratégia para se antecipar e sobressair. O mercado vive cenários de grandes mudanças e transformações que exigem das empresas não apenas investir nessas inovações, mas, acima de tudo, saber quais integrar, com eficácia, à realidade do negócio, ganhando ainda mais escalabilidade, maturidade e vantagem competitiva. 

Em 2026, o cenário global continuará desafiador: custos pressionados, consumidores mais conscientes, mercados mais voláteis e uma concorrência cada vez mais digital. E é justamente nesse cenário que as tendências inovadoras se tornam peças estratégicas - não apenas de sobrevivência, mas para construir uma base de crescimento mais sólida em 2027. 

Pensando nisso, veja seis dessas tendências que mais se destacarão este ano: 

#1 Inverno e bolha de IA: o termo do AI Winter, surgido na década de 80, descreve períodos em que o entusiasmo pela inteligência artificial teria uma grande queda, normalmente visto após um ciclo de altas expectativas – algo que poderemos notar em 2026. Isso porque, segundo um estudo recente da Gartner, apenas 6% dos CFOs notaram um aumento no lucro ou receita com essa tecnologia. A IA não está gerando o retorno que tanto se esperava, o que pode levar ao fechamento de portas de muitas empresas e a um efeito cascata grave em termos econômicos para todo o mercado. 

#2 Mudanças geopolíticas: a corrida pela supremacia em IA está reconfigurando o mercado global, cujos acordos e mudanças vêm fazendo emergir novas potências referências nessa tecnologia como, por exemplo, a China, que já está ganhando forte visibilidade em suas inovações de computação quântica, 6G, e demais serviços estruturados com essa ferramenta. Qualquer alteração nessa competição impacta, diretamente, a logística e o fornecimento de soluções tecnológicas ao mundo. 

#3 Computação quântica: muitos projetos nesse sentido já estão sendo desenvolvidos na China, e devem ganhar força este ano na prestação de serviços pautados com essa tecnologia. Ela permitirá uma maior velocidade em simulações computacionais, agilizando as tomadas de decisões e desenvolvimento de ações que, antes, poderiam levar meses ou anos. Segundo estimativas de um levantamento do InvestingPro, este mercado deve atingir uma receita de US$ 2 bilhões em 2026, uma área extremamente rica a ser explorada. 

#4 Dados, confiança e governança: cada vez mais, por conta não apenas da IA, mas também do IB e das intensas transformações tecnológicas, é essencial ter confiança nos dados que são analisados como base para as tomadas de decisões. Afinal, sem informações reais e confiáveis, os riscos de estratégias sem retorno são altos. É aqui que a governança se faz presente, crucial para garantir essa segurança, ainda mais quando apoiada por metodologias internacionais que reforcem medidas nesse sentido, como a ISO 27001 – mitigando riscos de fraudes e vazamentos que prejudiquem as operações. 

#5 Transformação do trabalho: a tecnologia nunca substituirá o trabalho humano. Contudo, é fato que, conforme tivermos cada vez mais avanços digitais, todo o mercado se transformará, criando posições e vagas imersas nesse universo – ao mesmo tempo em que outras podem deixar de existir com o tempo. Essas mudanças exigem que as empresas invistam na capacitação de seus times, fornecendo o conhecimento necessário para que usufruam dos recursos e benefícios que essas soluções podem oferecer. 

#6 Economia prateada: muitas dificuldades têm sido relatadas nos ambientes profissionais em lidar com as gerações mais novas, pouco pacientes ao mundo corporativo. Isso vem fazendo com que muitos gestores estejam contratando talentos mais seniores, dando espaço para que reingressem no mercado e tragam toda a sua bagagem e experiência aos tempos modernos – o que, certamente, também favorece muito a pluralidade de visões e pensamentos a fim de transformar ideias em geração de valor. 

O ano de 2026 será marcado por grandes dificuldades e inflexões, ainda mais diante de eventos globais como a Copa do Mundo, conflitos geopolíticos e as eleições nacionais. Ao mesmo tempo, pode ser um período de importantes transformações ao mercado, que exigirá o mesmo movimento de adaptação por parte das empresas. Afinal, só aquelas que souberem como se adaptar, com estratégia, neste intenso dinamismo, conseguirão colher frutos maduros em 2027. 

 


Alexandre Pierro - mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.


93% dos profissionais acreditam que o modelo de gestão afeta diretamente a saúde social e mental

 

A Organização Mundial da Saúde classifica o isolamento social como um problema capaz de aumentar em até 50% o risco de demência e em 29% a chance de ataques cardíacos, além de estar associado à depressão e à queda na longevidade. A OMS também estima que a solidão provoca quase 1 milhão de mortes por ano. Na esfera corporativa, esses efeitos se refletem em perda de engajamento, aumento de casos de burnout e queda de produtividade, um desafio que ganhou força após a pandemia e a intensificação de modelos de trabalho híbridos e remotos. Porém, para muitos, o modelo totalmente presencial também deixou de ser viável. O desafio atual é encontrar caminhos de equilíbrio. 

Doyle & Link (2024) definem saúde social como “a quantidade e a qualidade adequada das relações num determinado contexto que preencha as necessidades de um indivíduo para uma conexão humana significativa.” Essa perspectiva reforça a ideia de que vínculos consistentes não são apenas desejáveis, mas indispensáveis para a saúde integral física, mental e social. É nesse contexto que o Talenses Group, em parceria com a professora Maria José Tonelli e Daniel Andrade, ambos da FGV-EAESP, realizou entre agosto e setembro de 2025 a Pesquisa de Saúde Social, que ouviu 450 profissionais, sendo 325 respostas válidas analisadas, de diferentes setores. O estudo analisou como os vínculos interpessoais, dentro e fora das empresas, afetam a saúde e quais são as percepções sobre o papel das organizações na construção de ambientes mais conectados. 

Os resultados revelam uma crise que ultrapassa a esfera pessoal: 88% dos entrevistados percebem uma piora na qualidade das relações, 92% associam vínculos frágeis ao agravamento da saúde mental e 87% reconhecem impactos até mesmo na longevidade. Além disso, 94% percebem que a piora dos vínculos sociais está diretamente ligada ao agravamento da saúde mental. Para Luiz Valente, CEO do Talenses Group, esses dados mostram que “relações fragilizadas comprometem não apenas a vida das pessoas, mas também a sustentabilidade dos negócios, já que equipes sem conexão sofrem mais com falta de engajamento e queda de produtividade.” 

Nos grupos de foco, participantes relataram que, ao trabalhar em casa, perderam a transição entre vida profissional e pessoal, além de oportunidades de convivência e pertencimento. Foram citados fenômenos como “atrofia social”, a perda da habilidade de se conectar após a pandemia, e a dificuldade das lideranças em gerir times híbridos, fatores que têm levado a mais casos de isolamento, burnout e queda de produtividade. Essa percepção ecoa nos dados quantitativos: 93% dos profissionais acreditam que o modelo de gestão influencia diretamente a saúde social, mas apenas 50% avaliam que suas lideranças atuam de fato para promovê-la. 

A pesquisa também mostra contradições importantes. 76% afirmam manter vínculos de longo prazo com colegas de trabalho, mas 50% já enfrentaram burnout ou outro tipo de sofrimento mental. Fora do escritório, a pandemia e a polarização política deixaram marcas profundas: 50% dizem que seu círculo de amizades diminuiu e 59% acreditam que divergências políticas afetaram negativamente suas relações pessoais. Os dados também mostram que mulheres (58%) e profissionais da Geração Z (75%) são os grupos mais vulneráveis ao burnout e à solidão, revelando um desafio geracional e de gênero para as lideranças. 

“A principal mensagem do levantamento é que a solidão não pode ser vista apenas como um problema individual. Ela é um desafio coletivo, que fragiliza equipes, empresas e a sociedade como um todo. Ignorar esse cenário significa conviver com perdas em saúde, produtividade e coesão social. Por outro lado, investir em conexões sólidas pode se tornar um diferencial competitivo”, comenta Maria José Tonelli. 

“Estamos vivendo um momento de redefinição do trabalho e das relações humanas. O modelo totalmente presencial já não atende às necessidades de muitas pessoas e empresas, já que a saúde social também se constrói fora do ambiente corporativo e demanda tempo para relações familiares e comunitárias. O desafio é encontrar equilíbrio para que a flexibilidade da tecnologia e conexão caminhem juntas. Lideranças que se reinventarem, criando oportunidades e dinâmicas que promovam pertencimento e confiança e aprimorando a comunicação e os feedbacks, estarão mais preparadas para reter talentos, inovar e enfrentar os desafios do futuro. A saúde social precisa ganhar centralidade, pois é a base do bem-estar e do desempenho sustentável”, conclui Luiz Valente.


Três notas do Enem, mais concorrência e escolhas estratégicas: o que muda no SISU 2026

Especialista explica como a nova regra do uso de até três notas do Enem amplia a disputa e dá orientações para evitar erros comuns na inscrição que podem custar uma vaga na universidade

 

Na próxima segunda-feira, 19 de janeiro, o Ministério da Educação abre as inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), principal porta de entrada para as universidades públicas do país. Por meio da plataforma, estudantes que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) podem concorrer a vagas em instituições federais e estaduais, utilizando a nota do exame como critério único de seleção.

Apesar de parecer simples, o processo exige atenção e estratégia. Segundo Diogo D’ippolito, coordenador de Pré-Vestibular do Colégio pH, erros comuns na inscrição podem comprometer boas oportunidades. “O Sisu não é apenas sobre ter uma nota alta, mas sobre saber usá-la de forma inteligente, acompanhando o sistema diariamente e entendendo suas regras”, explica o professor.

Uma das principais novidades desse ano é a possibilidade de o candidato concorrer utilizando a nota de qualquer uma das três edições mais recentes e válidas do Enem, desde que não tenha zerado a redação nem participado como treineiro. Quem prestou apenas o Enem 2025 concorre normalmente, mas sem a opção de escolher uma nota anterior. D’ippolito alerta que essa mudança pode elevar temporariamente as notas de corte. “Há candidatos que já cursam o ensino superior e usam notas antigas para tentar novas vagas, o que aumenta a concorrência no início, mas também dá mais dinamismo as listas de espera”, afirma.

 iStock

Outro ponto que gera ansiedade é a nota de corte, que não deve ser interpretada como um critério eliminatório. “Ficar abaixo da nota de corte não significa estar fora do jogo. Ela serve apenas como referência da chamada regular. Muitos alunos entram pela lista de espera”, destaca o professor. Durante o período de inscrição, o ideal é revisar a estratégia diariamente, observar a tendência das notas e comparar com históricos de anos anteriores, que podem ser encontrados em listas públicas de aprovados.

A flexibilidade do sistema é um dos principais aliados do candidato. As opções de curso podem ser alteradas quantas vezes forem necessárias enquanto o portal estiver aberto. A recomendação é equilibrar escolhas mais seguras com outras mais aspiracionais. “É importante lembrar que, se o aluno for aprovado na chamada regular em qualquer uma das opções, ele não poderá disputar a lista de espera”, reforça D’ippolito.

Para o especialista, a escolha não deve se basear apenas em notas de corte elevadas. “Mais importante do que entrar em uma instituição muito concorrida é avaliar onde a aprovação é viável e faz sentido para o projeto acadêmico e profissional do candidato. Realismo e planejamento fazem toda a diferença”, conclui.

Com foco em orientar os estudantes nesse momento decisivo, o Colégio pH realizou uma live gratuita, comandada por Diogo D’ippolito, esclarecendo dúvidas como essas e muitas outras questões importantes, oferecendo um serviço acessível a alunos de todo o Brasil interessados em fazer escolhas mais seguras no Sisu. O conteúdo completo está disponível no canal da instituição no Youtube.



Serviço – SISU 2026

Orientações sobre o Sisu: YouTube Colégio pH 
Inscrições: de 19 a 23 de janeiro, exclusivamente pela internet.
Portal: Portal Único de Acesso ao Ensino Superior 
Opções: até duas opções de curso
Resultado da chamada regular: 29 de janeiro de 2026
Lista de espera: para candidatos não aprovados na chamada regular


"Pacote Fiscal" e o efeito dominó no bolso dos brasileiros

Enquanto o mercado financeiro e os empresários voltavam suas atenções para as festas de fim de ano, o Diário Oficial da União trouxe, em 26 de dezembro de 2025, uma mudança estrutural que promete impactar o balanço de milhares de companhias brasileiras. 

A promulgação da Lei Complementar nº 224, regulamentada dias depois pelo Decreto nº 12.808, não foi apenas mais um ajuste fiscal; foi uma redefinição de conceitos. A nova legislação inaugurou uma lógica onde regimes tributários históricos, antes vistos apenas como métodos simplificados de apuração, foram legalmente carimbados como "benefícios fiscais". Com essa nova etiqueta, eles entraram na mira de um corte linear de incentivos, desenhado para elevar a arrecadação federal já a partir de janeiro de 2026.

A alteração mais emblemática — e que gerou polêmica por ter sido inserida no texto sem amplo debate prévio, o que em Brasília se chama de "jabuti" — ocorreu no Lucro Presumido. Durante décadas, este regime foi a escolha natural para prestadores de serviços e empresas de médio porte que buscavam fugir da complexidade burocrática do Lucro Real. No entanto, de forma inédita, o governo passou a tratá-lo formalmente como um "gasto tributário" que precisa ser contido.  

A estratégia não foi aumentar a alíquota nominal do imposto, mas sim inflar a base de cálculo sobre a qual ele incide. A regra determina um acréscimo de 10% nas margens de lucro que a Receita Federal "presume" que a empresa possui. Na prática, isso cria uma matemática para quem fatura acima de R$ 5 milhões por ano. Para uma empresa de serviços, por exemplo, cuja presunção de lucro era de 32%, a nova regra impõe que, sobre o faturamento excedente a esse teto, a presunção suba para 35,2%. O efeito é um aumento direto no valor a pagar de Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social (CSLL).  

O cenário torna-se ainda mais desafiador devido a um calendário de vigência confuso: por forças constitucionais, o aumento do IRPJ já vale desde o dia 1º de janeiro, enquanto o da CSLL só poderá ser cobrado a partir de abril. Isso obrigará as contabilidades a realizarem apurações híbridas no primeiro trimestre, elevando o risco de erros e autuações.

Outro pilar do planejamento tributário corporativo que sofreu um revés foi o pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP). Ferramenta vital para a remuneração de sócios e acionistas com eficiência fiscal, o JCP ficou mais caro. A alíquota do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre esses pagamentos saltou de 15% para 17,5%. Embora pareça um ajuste percentual pequeno, ele reduz a atratividade do instrumento frente à distribuição de dividendos e encarece o custo de capital das empresas, exigindo que diretores financeiros revisem imediatamente suas políticas de remuneração para o ano de 2026. Esta mudança entra em vigor plenamente a partir de abril, respeitando a carência legal de noventa dias.

Além de atacar os regimes de lucro e a remuneração dos sócios, o governo aplicou uma "tesoura" generalizada nos incentivos fiscais federais. A regra geral imposta é uma redução linear de 10% em benefícios de PIS/Cofins, IPI e do Imposto de Importação (II). Isso significa que isenções, alíquotas zero e créditos presumidos que sustentam a competitividade de diversos setores industriais e comerciais serão diminuídos.  

Produtos que, antes, não pagavam imposto, passarão a recolher uma fração da alíquota cheia. No entanto, em meio a esse aperto, o setor de infraestrutura conseguiu uma blindagem importante: projetos vinculados ao REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) que já possuam portarias de habilitação aprovadas até 31 de dezembro de 2025, estão protegidos. A lei preservou o direito adquirido para investimentos com contrapartida (condição onerosa) já iniciados, garantindo que obras em andamento não tenham seu orçamento estourado pela nova tributação. 

Por fim, é vital entender o contexto: não estamos lidando com uma mudança isolada ou técnica. Enquanto os holofotes do mercado e a energia dos empresários estão voltados para a complexa transição da Reforma Tributária do Consumo e para as discussões polêmicas sobre a taxação de grandes fortunas, a Lei Complementar nº 224/2025 passou de forma discreta, mas com efeitos imediatos e contundentes.  

O governo não esperou a prometida Reforma da Renda para elevar a carga tributária das empresas de médio porte; ele o fez agora, via "ajustes" em benefícios e presunções. Para o empresário, a lição que fica é que, no Brasil, o planejamento tributário não pode focar apenas nas grandes reformas do futuro. O custo de 2026 já mudou, e a conta chegará muito antes da transição do IVA. 

 


Taís Baruchi - CEO na PKF BSP.

PKF BSP
www.pkfbrazil.com.br

 

Embora ainda seja escolha de poucos, disciplina de Física pode ser um diferencial no mercado trabalho do futuro

Mesmo representando menos de 1% dos ingressantes no ensino superior, a disciplina se consolida como base de profissionais que hoje atuam em times de dados, inteligência artificial e análise preditiva 

 

Enquanto o Brasil bate recorde de 10 milhões de estudantes no ensino superior, segundo o Censo da Educação Superior 2024, cursos de Física seguem fora do radar da maioria. Estima-se que menos de 1% dos ingressantes em graduação escolham a área, de acordo com estimativas do Censo da Educação Superior. Porém, segundo o Future of Jobs Report 2023 do Fórum Econômico Mundial, as profissões com maior potencial de crescimento até 2027 são aquelas ligadas à análise de dados, inteligência artificial, segurança cibernética e automação – e, para a gerente de RH da Serasa Experian, Fernanda Guglielmi, os físicos são parte essencial da transformação digital no mercado de trabalho.

 

“Existe um mito de que a Física é para quem quer dar aula. Mas a verdade é que esses profissionais estão no centro de discussões sobre modelagem de algoritmos, ciência de dados, segurança digital e previsão de risco, funções que crescem junto com a economia da inteligência artificial. A formação em Física treina o cérebro para lidar com o imprevisível, e isso é exatamente o que o mercado procura agora”, declara a executiva da empresa que é a primeira e maior datatech do Brasil. 

 

A própria companhia é um exemplo de quem contrata esse tipo de profissional para trabalhar com machine learning, fraud analytics e personalização de campanhas. Um deles é Leonardo Valadão, analista de Modelos Estatísticos da Serasa Experian, que é físico e aplica seu raciocínio analítico em dados de milhões de brasileiros. “A Física me ensinou a formular o problema certo antes de buscar a resposta. E isso faz toda a diferença em um time de dados”, conta. Ao final do Ensino Médio, Valadão se viu dividido entre duas áreas: Economia e Física. Leitor de autores como Stephen Hawking e John Maynard Keynes, a decisão começou a tomar forma após entender a Física como ferramenta para compreender o mundo de forma mais profunda e estrutural. 

 

Durante a graduação na Universidade de São Paulo (USP), Leonardo desenvolveu interesse por programação e inteligência artificial, quando passou a explorar aplicações práticas do raciocínio científico em dados e algoritmos. Esse movimento o levou ao mestrado em Matemática Aplicada com foco em Machine Learning também na USP. Hoje, na área de marketing analítico da Serasa Experian, o físico desenvolve modelos estatísticos voltados à personalização de campanhas, detecção de padrões e predição de comportamento do consumidor. Ele atribui à Física a base de seu raciocínio analítico, que o permite criar algoritmos que otimizam a conversão de clientes. Seu trabalho já foi reconhecido com prêmios como o ABEMD 2024 e o Experian Global Hackathon. 

 

“Em um dos projetos, conseguimos aumentar a taxa de conversão em 86% e multiplicar as vendas em 2,4 vezes. Isso só é possível quando você entende o problema antes de tentar resolvê-lo, algo que a Física me ensinou desde cedo”, explica Leonardo. 

 

E o interesse pela Física, mesmo que tímido no ensino superior, começa cedo. Segundo a Sociedade Brasileira de Física (SBF), mais de 250 mil estudantes do ensino fundamental e médio participam todos os anos da Olimpíada Brasileira de Física, uma das maiores competições científicas do país, organizada pela entidade em parceria com o Ministério da Ciência e o CNPq. A gerente de RH da datatech diz, ainda, que “preparar esses talentos passa por mostrar que habilidades desenvolvidas na Física, como raciocínio lógico e resolução de problemas complexos, são cada vez mais demandadas por empresas orientadas por dados”.

 

E, para quem está em dúvida sobre seguir uma carreira como Física, Leonardo é categórico: “Não se prenda à ideia de que você precisa saber exatamente onde vai aplicar esse conhecimento. A Física te dá estrutura para pensar melhor, e pensar bem é o que vai te diferenciar em qualquer área”, conclui. 

 

Com mais de 5 mil funcionários no Brasil, a Serasa Experian é reconhecida de forma consistente como um dos melhores ambientes corporativos do país. Em 2025, foi novamente certificada pelo “Great Place to Work” (GPTW), alcançando a 49ª posição no ranking nacional entre empresas de médio porte, além de figurar entre as sete melhores empresas para pessoas com deficiência e entre as melhores para mulheres, segundo o “GPTW Diversidade” 2024/25.

 

Pelo segundo ano consecutivo, a companhia conquistou o selo “Best Internship Experiences” (BIE), sendo eleita a 5ª melhor empresa para se estagiar no Brasil em 2025, além de ocupar a 13ª colocação no “Prêmio Employers For Youth” (EFY), o maior estudo da América Latina sobre a experiência de jovens no mercado de trabalho.

 

No cenário internacional, a Experian foi nomeada uma das “World’s Best Workplaces™”, reconhecimento concedido pela Great Place To Work® em parceria com a revista Fortune. Já no campo da inovação, a companhia foi premiada, em 2025, pelo terceiro ano consecutivo no “Prêmio Valor Inovação”, como a mais inovadora na categoria “Serviços”, além de alcançar a 17ª posição no ranking geral. No mesmo ano, estreou na lista das “100 Empresas Mais Inovadoras no Uso de TI”, promovida pelo IT Forum, ocupando a 18ª colocação, com destaque para o uso de Big Data, Inteligência Artificial e Machine Learning. 


A atuação inovadora da Serasa Experian também foi reconhecida no Prêmio Best Performance 2025, com ouro na categoria Inovações tecnológicas na experiência do cliente de crédito digital, pelo case do Serasa Score em Tempo Real, e bronze em Inovação em cibersegurança, com o case de transformação digital do BRB, que reduziu em 87% o tempo de abertura de contas por meio das tecnologias da companhia.

 

Experian
experianplc.com

 

2026: como será a interdependência humano-máquina?

FREEPICK

A interdependência humano-máquina transforma não apenas nossas ações, mas a essência. Trabalho, identidade, poder, controle. A tecnologia modifica tudo de dentro para fora. Hoje, as máquinas são extensões de nós mesmos e, em 2026, talvez sejamos nós a extensão delas.

Nos tornamos agentes híbridos, ciborgues na essência, aproximando-nos do conceito de super-humanos. Mas o que significa ser humano no mundo da IA? Com a inteligência artificial, ganhamos produtividade, mas perdemos a percepção do óbvio, ressignificamos o código oculto e a ameaça de exclusão para os não-especialistas tornam-se real. O que nos resta é uma proletarização cognitiva, como diria Stiegler. A IA amplia nosso alcance e nos reduz a consumidores de decisões artificiais.

A questão não é apenas “quem controla?”. É descobrir “o que ainda controlamos?” Somos mais produtivos, mas estamos no comando? O poder da IA é invisível, silencioso e, muitas vezes, oculto. Ele molda nossas vidas, escolhas, desejos. Sentimos o impacto da IA, mesmo sem vê-lo ou ter a capacidade de medi-lo.

Não se trata de escolher entre humano ou máquina, mas de definir como nos relacionamos com a tecnologia. Precisamos de uma IA que respeite o humano, que eleve, sem oprimir ou que apoie, mas sem dominar.

As competências mudam, a especialização se fragmenta ainda mais, e a criatividade e a crítica ganham valor. Quem somos no mundo das máquinas? Precisamos de mais que habilidades técnicas. Necessitamos de uma humanidade crítica, de pensamento analítico e de uma coragem ética que não se rende ao fácil.

O futuro do trabalho não é a mera automatização. É uma contínua incorporação de extensões artificiais. É um jogo de flexibilidade, resiliência e senso de justiça. O mundo da IA pode ser fragmentado, exaustivo e alienante. Ou pode se tornar um ambiente que respeite o ser humano. Tudo depende das escolhas que faremos a partir de agora.

Este ano, vislumbramos um futuro que nos convida a uma relação de interdependência com a tecnologia, sem abrir mão daquilo que nos torna humanos. Um caminho de evolução que preserva nossa capacidade de pensar, sentir, escolher e que reconhece na nossa essência o verdadeiro centro do progresso. A interdependência humano-máquina já redefine a trajetória do ser. É a ponte entre o que fomos e o que seremos. Uma ponte artificial em que o orgânico se apoia. A tecnologia não vai parar de avançar, mas será que a humanidade será capaz de acompanhar?

 

Ricardo Cappra - pesquisador de cultura analítica, autor e empreendedor da área de tecnologia da informação, autor do livro “Híbridos: o futuro do trabalho entre humanos e máquinas”

 

Calor extremo transforma o turismo no Brasil

Procura por temperaturas mais amenas, como destinos de serra e "frio simulado", ganham força, como explica o coordenador de Gestão de Turismo da UNIASSELVI

 

O verão brasileiro, historicamente sinônimo de sol e praia, está passando por uma reconfiguração forçada pelo termômetro. Com 2024 registrando as maiores temperaturas da série histórica e o verão 2024/2025 consolidando-se como um dos mais quentes já vistos, o "fator térmico" tornou-se protagonista na hora de planejar a viagem. Segundo Rodrigo Borsatto, coordenador do curso de Gestão em Turismo da UNIASSELVI, o calor extremo está criando um novo perfil de viajante: aquele que busca o "refúgio climático".

Embora o litoral ainda lidere as preferências, respondendo por 44,6% das motivações de lazer, segundo o IBGE, a dominância absoluta das praias começa a dar sinais de descentralização. “O brasileiro tem passado a evitar destinos onde a sensação térmica superior a 40°C é constante. Também tem considerado viajar em meses de transição, olha com mais cuidado para destinos de altitude ou de clima mais ameno e valoriza hospedagens com conforto térmico, áreas verdes e boa ventilação”, explica o docente.


O fator bem-estar e o risco climático

O comportamento mudou primeiro entre famílias com crianças, idosos e pessoas com saúde sensível. Borsatto comenta que esse público foi o primeiro a ajustar esse comportamento e afirma que “a tendência é que isso se espalhe”.

Para o especialista, o clima deixou de ser apenas o “cenário” para se tornar um fator de risco ou bem-estar. Essa mudança pressiona destinos tradicionais a se adaptarem. "O litoral continua central, mas o calor extremo tende a reorganizar horários, calendário e até o tipo de experiência, com mais atividades ao amanhecer e fim de tarde, maior procura por sombra, água fresca, ambientes climatizados, e um interesse crescente em viajar para a costa fora do auge do verão, em meses com temperaturas mais suportáveis", ressalta o professor.


A ascensão da serra e do “frio simulado”

Enquanto as capitais fervem, destinos serranos na região sul e sudeste enxergam uma oportunidade de ouro para combater a sazonalidade. Tradicionalmente procuradas no inverno, cidades de clima ameno podem absorver a demanda reprimida do verão, desde que invistam em infraestrutura e novo posicionamento. Assim, destaca-se o “turismo de experiência”, onde trilhas, cachoeiras, enoturismo e gastronomia são as apostas para atrair quem quer fugir do mormaço litorâneo.

Também tem crescido o “entretenimento gelado”, com atrações como “bares de gelo” e parques de neve artificial, como um "alívio lúdico". "Ao mesmo tempo em que oferecem alívio térmico, entregam algo inusitado, ‘instagramável’, que vira história para contar", pontua Borsatto.


Impactos econômicos e adaptação

A economia do turismo deve sentir o reflexo dessa migração. Para os destinos de frio, o movimento pode gerar uma "segunda alta temporada", ampliando o número de diárias, o faturamento em hospedagem, gastronomia, vinícolas e atrativos, e gerando mais empregos diretos e indiretos.

Já para o litoral, o desafio é a resiliência, com investimentos em adaptação da infraestrutura urbana, proteção de orlas, drenagem, áreas verdes e sombreamento, uma vez que há maiores chances de interrupção das atividades por eventos extremos, como enchentes, ressacas e tempestades mais intensas. “Em contrapartida, se esses destinos conseguirem alongar a temporada para meses menos críticos, podem atenuar a dependência de um verão cada vez mais instável”, enfatiza Borsatto.

“Estudos na área do turismo e mudanças climáticas vem alertando que o setor é altamente vulnerável ao aquecimento global, mas também pode ser um dos campos com maior capacidade de adaptação e inovação, desde que haja políticas públicas, planejamento territorial e estratégias empresariais alinhadas à agenda climática. Nesse caso, destinos que se anteciparem, ajustarem seus produtos e investirem em sustentabilidade e conforto térmico tende a ganhar competitividade; quem continuar operando como se o clima fosse o mesmo de décadas atrás corre o risco de perder atratividade e receita num futuro não tão distante”, conclui.

 

UNIASSELVI


No Janeiro Branco, recorde de inadimplência reforça impacto das dívidas na saúde mental

Considerada o mal do século, ansiedade relacionada a questões financeiras já afetou a saúde mental de mais da metade dos brasileiros, indica pesquisa
 

O Brasil encerrou dezembro de 2025 com 72,96 milhões de consumidores inadimplentes, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. Mais do que um indicador econômico, o avanço das dívidas em atraso tem reflexos diretos na saúde mental da população, intensificando quadros de ansiedade, estresse e distúrbios do sono — especialmente em períodos de maior pressão financeira, como no início do ano. 

Em meio à campanha do Janeiro Branco, que convida a sociedade a refletir sobre saúde mental e emocional, o cenário de endividamento ganha ainda mais relevância. A chamada ansiedade financeira — caracterizada pela preocupação constante com contas, dívidas e falta de controle do orçamento — tem se consolidado como um dos principais gatilhos de sofrimento psicológico no País, afetando autoestima, relações pessoais e qualidade do sono, além de comprometer o bem-estar físico e emocional no dia a dia. 

Organizar-se financeiramente, além de ser saudável para o bolso, contribui para a melhora da saúde mental e emocional de toda a família. “Planejamento e organização trazem qualidade de vida e segurança, dois fatores fundamentais para uma mente tranquila. É importante dominar as próprias finanças e saber lidar com o dinheiro, seja para gastar com inteligência ou programar as despesas”, explica Thaíne Clemente, executiva de Estratégias e Operações da Simplic, fintech de crédito pessoal 100% online. 

A executiva sugere três atitudes que facilitam a iniciação em uma rotina financeira mais saudável e, consequentemente, mais sossego. Confira:
 

1 - Anote seus gastos

Anote tudo, desde as despesas recorrentes, como água e luz, até os pedidos esporádicos de delivery. A ação de anotar, seja em uma planilha de gastos ou em um aplicativo de finanças, cria o hábito saudável do registro, essencial para o controle. “Assim, você enxerga o tamanho real das despesas e tem mais clareza da situação, identificando onde e como o dinheiro está sendo gasto, se existe desperdício e como contorná-lo”, orienta Thaíne.
 

2 - Reavalie o uso do cartão de crédito

O cartão de crédito traz vantagens, como a possibilidade de parcelar as compras ou ter um prazo maior de pagamento. Mas, quando não é usado com consciência, pode se tornar um grande problema. “É importante que o uso do cartão seja inteligente e esteja planejado no orçamento pessoal. Avalie se vale a pena usá-lo com frequência, pois parcelas podem se acumular com facilidade e fugir do seu controle. Crédito não é renda extra e, se não for usado com cautela, gera dívidas indesejadas”, alerta a especialista.

 

3 - Estude educação financeira
Hoje, adquirir conhecimentos que possam proporcionar mais qualidade de vida e tranquilidade é acessível e traz benefícios de longo prazo. “Manter-se atualizado sobre as melhores práticas de organização financeira faz muita diferença com o tempo. Saber poupar dinheiro, quais são as formas ideais de utilizar o cartão de crédito e até mesmo quando é o momento de solicitar um empréstimo ou fazer investimentos pode ampliar possibilidades. Aos poucos, essas práticas acabam se tornando hábitos”, finaliza Thaíne.


 Simplic


Loteamentos em alta no Brasil

O que muda para investidores e proprietários rurais a partir de 2026


O mercado de loteamentos vive um momento de forte expansão no Brasil, impulsionado pela valorização da terra, pela busca por novas alternativas de investimento e por mudanças relevantes no cenário jurídico e regulatório.

A partir de 2026, investidores e proprietários rurais devem enfrentar um ambiente ainda mais exigente, no qual planejamento jurídico, regularização fundiária e leitura estratégica das normas passam a ser determinantes para transformar áreas em ativos seguros e rentáveis.

Dados recentes do setor imobiliário indicam crescimento consistente na venda de lotes urbanos e planejados, especialmente em regiões em expansão econômica e demográfica. A escassez de terrenos bem localizados nos grandes centros, somada à busca por projetos que ofereçam infraestrutura, mobilidade e qualidade de vida, tem impulsionado novos empreendimentos e elevado o valor do metro quadrado. Esse movimento reforça o loteamento como uma das modalidades mais atrativas do mercado imobiliário para os próximos anos.

No campo jurídico, mudanças legislativas e administrativas também influenciam diretamente esse cenário. A ampliação de prazos para regularização de imóveis rurais, trouxe mais segurança jurídica para proprietários que desejam estruturar projetos de parcelamento do solo, parcerias com incorporadoras ou mesmo operações de venda e sucessão patrimonial. A regularidade documental passou a ser condição indispensável para viabilizar qualquer iniciativa de desenvolvimento imobiliário.

Para o advogado Carlos Alberto Zonta Junior, especialista em Direito Imobiliário, 2026 tende a consolidar uma nova fase do mercado, marcada por maior rigor técnico e jurídico. “A valorização dos loteamentos vem acompanhada de uma exigência maior por conformidade legal. Hoje, não basta ter terra. É preciso ter matrícula regularizada, georreferenciamento correto, compatibilidade com o plano diretor municipal as leis de uso e ocupação do solo e atenção às normas ambientais”, explica.

Segundo o especialista, muitos proprietários rurais ainda subestimam o impacto de pendências documentais no valor do imóvel e na viabilidade de projetos futuros. Questões como registros antigos, sobreposição de áreas, ausência de averbações e incongruências cadastrais podem inviabilizar loteamentos ou gerar litígios prolongados, afastando investidores e encarecendo operações. “A due diligence imobiliária deixou de ser um diferencial e se tornou uma etapa obrigatória”, afirma Zonta.

Do ponto de vista dos investidores, o cenário segue promissor, mas exige análise criteriosa. Regiões com crescimento logístico, industrial ou agrícola continuam atraindo capital, especialmente quando combinam potencial de expansão urbana com segurança jurídica. A terra passa a ser vista não apenas como área produtiva, mas como ativo estratégico de médio e longo prazo, capaz de gerar valorização consistente quando bem estruturado juridicamente.

Outro ponto de atenção para os próximos anos é o alinhamento entre desenvolvimento imobiliário e sustentabilidade. Projetos de loteamento, inclusive em áreas de origem rural, enfrentam exigências cada vez maiores relacionadas ao licenciamento ambiental, à preservação de áreas verdes e ao uso racional do solo. O descumprimento dessas normas pode resultar em embargos, multas e perda de valor do empreendimento.

“Os municípios também estão cada vez mais atentos as inovações e mudanças, e é cada vez mais comum nas ocasiões de revisão de plano diretor a inclusão de novas normas e regras que buscam otimizar o aproveitamento do solo com o emprego de novas regras de ordens urbanísticas e paisagísticas.”, afirma o advogado.

Nesse contexto, a atuação preventiva do jurídico se torna essencial, uma vez que determinadas exigências para determinadas áreas podem até mesmo inviabilizar economicamente o empreendimento. “O maior erro é buscar assessoria apenas quando o problema já existe. O planejamento jurídico antecipado permite reduzir riscos, otimizar custos e aumentar a atratividade do projeto para o mercado”, destaca Carlos Alberto Zonta Junior. Para ele, quem se antecipa às exigências legais e organiza seu patrimônio imobiliário com base em dados, estratégia e conformidade normativa tende a aproveitar melhor o ciclo de crescimento esperado para 2026.

Com a combinação entre mercado aquecido, mudanças regulatórias e maior profissionalização do setor, os loteamentos seguem como uma das principais apostas do imobiliário brasileiro. Para investidores e proprietários de áreas rurais, o desafio não está apenas em identificar oportunidades, mas em estruturar projetos sólidos, juridicamente seguros e alinhados às novas exigências do mercado. 



Carlos Alberto Zonta Junior - OAB/PR 77920 - Advogado Imobiliário
@bzonta
contato@zonta.adv.br
www.zonta.adv.br
Avenida Horácio Racanello Filho, 5550, Zona 07, Maringá – PR.

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Dia do Adulto: os sinais que o corpo envia aos 30, 40 e 50 anos de idade

Freepik

Endocrinologista explica como o metabolismo, hormônios e composição corporal mudam ao longo da vida adulta; cuidar da saúde desde cedo faz diferença

 

Comemorado nesta quinta-feira (15), o Dia do Adulto convida à reflexão sobre as transformações naturais do corpo ao longo da vida e a importância do autocuidado. A partir dos 30 anos, alterações hormonais e metabólicas passam a ocorrer de forma progressiva e silenciosa, impactando o peso, a disposição e a saúde como um todo. Segundo Marcelo Miranda, endocrinologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), “há uma redução progressiva do hormônio do crescimento e dos hormônios sexuais, especialmente da testosterona nos homens. Além disso, o metabolismo basal diminui, favorecendo o acúmulo de gordura corporal”. 

De acordo com o especialista, isso é o resultado de uma combinação de fatores hormonais, perda de massa muscular, estresse crônico e hábitos de vida cada vez mais sedentários. “O estresse cotidiano, a sobrecarga de responsabilidades, a falta de tempo para atividade física e os distúrbios do sono interferem diretamente em hormônios como o cortisol, que favorece o ganho de peso, além de desregular o apetite”, adiciona. 

A alimentação também exerce papel central nesse processo. “Com a correria do dia a dia, é comum substituir a comida de verdade por alimentos ultraprocessados e fast food, que têm alta densidade calórica, baixo valor nutricional e aditivos químicos que prejudicam o metabolismo”, alerta. Com o avançar da idade, o ganho de peso tende a se concentrar principalmente na região abdominal, e emagrecer se torna mais difícil. “As estratégias que funcionavam antes passam a ter menos efeito. Ainda assim, o principal desafio está no estilo de vida estressante, e a solução passa pela mudança de hábitos”.

 

Mulheres X Homens

Nas mulheres, as alterações hormonais começam antes da menopausa. “Os hormônios sexuais femininos entram em declínio progressivo anos antes da menopausa. Enquanto os ciclos menstruais são regulares, o impacto é menor, mas as falhas menstruais que surgem nesse período já podem prejudicar o metabolismo”, explica. Já nos homens, a queda da testosterona ocorre de forma lenta e contínua a partir dos 30 anos, sendo mais comum a deficiência hormonal após os 50. “Hoje, porém, vemos esse diagnóstico cada vez mais precoce, associado à obesidade, diabetes tipo 2 e gordura no fígado”, completa. 

Miranda salienta a necessidade de atenção, pois o corpo costuma dar sinais quando algo não vai bem. “Desânimo, cansaço, sonolência excessiva, redução da força muscular, diminuição da libido, ganho de peso e flacidez são sintomas que merecem atenção”.

 

Mais problemas

A perda de massa muscular associada ao aumento de gordura corporal eleva significativamente o risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, insuficiência renal, alguns tipos de câncer, além de problemas hormonais, articulares e ósseos, como osteoartrite e osteoporose, por exemplo. E, segundo o médico, avaliações simples ajudam a acompanhar a saúde metabólica. “Peso corporal, circunferência abdominal, análise da composição corporal, testes de força muscular e exames laboratoriais direcionados são ferramentas importantes para diagnóstico e prevenção”. 

Para manter a saúde ao longo dos anos, a prevenção é o melhor caminho e o cuidado não deve ser adiado. “Apesar das mudanças naturais do tempo, os hábitos de vida são os maiores determinantes da saúde metabólica. Dormir bem, manter uma rotina de atividade física e priorizar uma alimentação natural fazem toda a diferença. A prevenção deve começar a partir dos 30 anos, ou antes, caso haja excesso de peso ou hábitos desequilibrados”, orienta o especialista. 

Por fim, Miranda deixa um conselho direto: “Assuma hoje a responsabilidade pela qualidade de vida de amanhã. Não espere ter tempo ou ânimo. Priorize o sono, movimente-se, reduza o tempo sentado, escolha comida de verdade e acompanhe seu peso. O ânimo vem como consequência da ação; e o endocrinologista estará ao seu lado em toda essa jornada”.

  

Vera Cruz Hospital


Mergulho em água rasa, comuns no verão, pode causar lesões graves e irreversíveis

Para Dr. Rodrigo Góes, ortopedista e especialista em coluna, a prática comum em rios, praias e piscinas é uma das principais causas de traumatismo da coluna vertebral no Brasil


Com a chegada do verão é comum que brasileiros busquem se refrescar em praias, piscinas e cachoeiras. O que poderia ser simples um momento de lazer para muitos, também revela um perigo que coloca vidas em risco: o mergulho em água rasa. Não à toa, segundo a Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), a prática é a quarta maior causa de lesão medular no Brasil e se torna a segunda durante o verão, ficando atrás apenas de acidentes automobilísticos. Para o Dr. Rodrigo Góes, ortopedista e especialista em coluna, as consequências mais graves do acidente estão a paralisia de braços e pernas, danos severos na coluna, além de fraturas.

"O principal perigo está no impacto direto da cabeça ou do pescoço contra o fundo da água. Em águas rasas, a profundidade insuficiente não permite que o corpo desacelere de forma segura, fazendo com que a força do mergulho seja absorvida pela coluna cervical, uma região extremamente sensível. O acidente pode acontecer numa fração de segundo, em muitos casos, os pacientes chegam conscientes ao hospital, mas já sem movimentos nos braços ou nas pernas", explica o médico.

Segundo Dr. Rodrigo, entre as lesões mais comuns estão fraturas cervicais, danos à medula espinhal e traumatismo craniano. Ainda de acordo com o ortopedista, alguns casos são irreversíveis, resultando em tetraplegia e paraplegia. Dependendo da gravidade, além da vítima perder movimentos e a sensibilidade, pode não ter mais a capacidade de respirar sem ajuda de aparelhos. Em casos mais graves, o acidente é fatal.

"Esse tipo de acidente é mais comum entre adolescentes e jovens adultos, é um grupo que, infelizmente, costuma subestimar os riscos e superestimar a profundidade da água, além de estarem sob efeitos de álcool ao mergulhar. O risco é ainda maior em ambientes naturais, como rios e lagos, são especialmente perigosos, já que o nível da água pode variar e esconder pedras, troncos ou bancos de areia", explica o ortopedista.

O especialista em coluna reforça que a melhor forma de prevenção é evitar qualquer tipo de mergulho de cabeça em locais desconhecidos ou rasos. Entrar na água com os pés primeiro, verificar a profundidade e respeitar placas de sinalização são atitudes básicas que evitam esse tipo de acidente.




Dr. Rodrigo Góes - Formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e especialista em Ortopedia e Traumatologia e Cirurgia da Coluna Vertebral pelo "Pavilhão Fernandinho Simonsen"- Hospital da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Dr. Rodrigo Góes Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Também é Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Coluna e Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica. Membro da North American Spine Society. Fellow pela Campbell Clinic na University of Tennessee Health Science Center. Médico Colaborador do Grupo de Afecções e Cirurgia da Coluna da Santa Casa de São Paulo. Possui Mestrado em Pesquisa em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Doutorado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Além disso, é Médico Plantonista do Pronto Atendimento do Hospital Albert Einstein; da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; e do Núcleo de Coluna do Hospital Santa Isabel; Coordenação da Pós de Endoscopia do Hospital Albert.

 

Janeiro roxo: conheça sete mitos da Hanseníase

Da transmissão ao tratamento, especialista avalia erros comuns propagados no debate sobre a doença

 

No primeiro mês do ano acontece o Janeiro Roxo, campanha que visa conscientizar o combate à hanseníase, antes conhecida como “lepra”. De acordo com um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2025, o Brasil é o segundo país com mais número de casos em todo o mundo, atrás somente da Índia. 

A doença é transmitida pela bactéria conhecida como Mycobacterium leprae e a contaminação acontece através de vias inalatórias e por meio do contato prolongado com o enfermo. A enfermidade causa lesões na pele que se agravam e se apresentam com manchas brancas ou avermelhadas, o que provoca a falta de sensibilidade na região, levando ao comprometimento dos nervos periféricos. 

Para a enfermeira Andrea Tavares, da Cuidare Alphaville Pernambuco, a campanha também pode promover a redução gradual dos preconceitos sofridos pelas vítimas da doença. “O tema pode ser delicado para os pacientes que enfrentam a hanseníase e, por isso, buscam evitar ao máximo falar sobre o assunto. Dessa forma, o tratamento tem início tardio, o que torna a condição ainda mais agravada”, explica. 

Com isso, a especialista apresenta sete mitos sobre a doença. Confira: 

 

1 - A Hanseníase é uma doença transmitida através do contato com os enfermos, de diferentes formas: a falsa afirmação fez com que muita gente se isolasse involuntariamente das famílias e amigos. Muitos eram colocados em locais de isolamento, os famosos leprosários. Hoje, sabemos que o compartilhamento de objetos não resulta na transmissão da doença.

 

2 - A Hanseníase é uma doença de transmissão fácil: é preciso estar por um longo tempo convivendo com alguém com a doença e numa mesma residência para ser contaminado pela Hanseníase. Pessoas que possuem contato breve ou que não ficam constantemente na mesma residência que o enfermo são mais difíceis de serem infectadas.

 

3 - A Hanseníase é uma doença hereditária: a enfermidade não é passada pelos genes familiares, fato anteriormente disseminado e confiado pela população. A transmissão ocorre apenas por vias respiratórias, através de espirros ou tosses. 

 

4 - Não existe tratamento adequado para a doença: com o avanço da ciência, os médicos descobriram remédios capazes de curar quem possui Hanseníase. Medicamentos como rifampicina, dapsona e clofazimina - três antimicrobianos - atuam na ‘destruição’ do bacilo Mycobacterium leprae, agente causador da doença. Vale salientar que o tratamento só ocorre na rede pública de saúde, com o controle da doença feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 

5 - Pacientes com hanseníase precisam ser afastados das pessoas, do convívio social e familiar: diferentemente do que era feito no passado, os pacientes não precisam sofrer isolamento total de todos para serem tratados e também não transmitirem a doença. Com os tratamentos sendo feitos corretamente e as recomendações necessárias que pessoas ao redor precisam tomar, o enfermo não há de ser excluído socialmente como no passado.  

 

6 - A Hanseníase não tem cura: assim como explicado no tópico 3, o avanço da ciência contribuiu para tratamentos eficazes e que tiram totalmente a possibilidade da doença continuar na pessoa. Vale salientar que isso só ocorre caso todo o tratamento seja feito corretamente e, mesmo depois, é preciso estar alerta para não se contaminar novamente.  

 

7 - O paciente em tratamento continua podendo transmitir a doença: os enfermos que começam o tratamento contra a doença deixam de ser transmissores logo após algumas semanas. Ainda assim, é preciso que os cuidados médicos continuem durante os seis meses (pacientes com hanseníase paucibacilar - PB) ou um ano (pacientes com hanseníase multibacilar - MB).


Uso de inteligência artificial como coach de emagrecimento cresce, e especialista alerta para os riscos

“O algoritmo trabalha com padrões gerais e não reconhece limites individuais”, afirma o médico Gabriel Almeida

 

A popularização de ferramentas de inteligência artificial tem levado cada vez mais pessoas a utilizarem chatbots e aplicativos como substitutos de nutricionistas e médicos em processos de emagrecimento. Nas redes sociais, usuários relatam seguir dietas, rotinas de exercícios e protocolos de jejum criados por algoritmos, muitas vezes sem qualquer avaliação clínica prévia ou acompanhamento profissional. O fenômeno acompanha o avanço da IA no cotidiano e levanta preocupações na área da saúde. 

Relatos compartilhados em plataformas como TikTok, Instagram e fóruns online mostram pessoas utilizando sistemas de IA para montar cardápios com déficit calórico extremo, definir períodos prolongados de jejum e estruturar treinos intensos, baseados apenas em comandos genéricos. Estudos recentes sobre comportamento digital indicam que esse tipo de uso tem crescido, especialmente entre jovens, impulsionado pela promessa de soluções rápidas, personalizadas e de baixo custo para emagrecer. 

Para o médico Gabriel Almeida (CRM-SP 180956 | RQE 121513), especialista em emagrecimento e saúde metabólica, o principal risco está na falsa sensação de personalização oferecida pela tecnologia. Segundo ele, algoritmos operam a partir de padrões estatísticos e não conseguem avaliar condições individuais. “O algoritmo trabalha com dados gerais. Ele não reconhece histórico de transtornos alimentares, doenças hormonais, uso de medicamentos ou sinais de desnutrição”, explica. 

O médico ressalta que sistemas automatizados também não identificam quando o corpo começa a dar sinais de alerta. “A inteligência artificial não percebe quando o organismo está entrando em colapso. Ela não avalia exames, não acompanha sintomas e não ajusta condutas diante de efeitos adversos”, afirma. 

Outro ponto de preocupação é o reforço de comportamentos extremos. Especialistas em saúde têm observado que dietas muito restritivas, jejuns prolongados sem indicação clínica e treinos extenuantes podem ser facilmente sugeridos por algoritmos quando o usuário busca resultados rápidos. “Transferir decisões sobre o próprio corpo para um sistema sem responsabilidade clínica transforma o emagrecimento em um experimento automatizado, sem rede de proteção”, diz Gabriel Almeida. 

Do ponto de vista médico, essas práticas não promovem emagrecimento sustentável e aumentam o risco de desidratação, desequilíbrios hormonais, perda de massa muscular, alterações cardíacas e agravamento de transtornos alimentares, especialmente em pessoas mais jovens ou vulneráveis. O especialista alerta que o impacto nem sempre é imediato. “O corpo até pode responder no curto prazo, mas o custo aparece depois, muitas vezes de forma silenciosa”, afirma. 

Para Gabriel Almeida, a inteligência artificial pode ter papel complementar na organização de informações gerais, mas não deve substituir o acompanhamento profissional. “Quando se trata de saúde, não existe atalho seguro. Emagrecimento é um processo clínico, individual e gradual. Nenhum algoritmo consegue substituir isso”, conclui.


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