Da transmissão ao tratamento, especialista avalia erros comuns propagados no debate sobre a doença
No primeiro mês do ano acontece o Janeiro Roxo, campanha que visa conscientizar o combate à hanseníase, antes conhecida como “lepra”. De acordo com um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2025, o Brasil é o segundo país com mais número de casos em todo o mundo, atrás somente da Índia.
A doença é transmitida pela bactéria conhecida como Mycobacterium leprae e a contaminação acontece através de vias inalatórias e por meio do contato prolongado com o enfermo. A enfermidade causa lesões na pele que se agravam e se apresentam com manchas brancas ou avermelhadas, o que provoca a falta de sensibilidade na região, levando ao comprometimento dos nervos periféricos.
Para a enfermeira Andrea Tavares, da Cuidare Alphaville Pernambuco, a campanha também pode promover a redução gradual dos preconceitos sofridos pelas vítimas da doença. “O tema pode ser delicado para os pacientes que enfrentam a hanseníase e, por isso, buscam evitar ao máximo falar sobre o assunto. Dessa forma, o tratamento tem início tardio, o que torna a condição ainda mais agravada”, explica.
Com isso, a especialista apresenta sete mitos
sobre a doença. Confira:
1 - A Hanseníase é uma doença transmitida através do contato
com os enfermos, de diferentes formas: a
falsa afirmação fez com que muita gente se isolasse involuntariamente das
famílias e amigos. Muitos eram colocados em locais de isolamento, os famosos
leprosários. Hoje, sabemos que o compartilhamento de objetos não resulta na
transmissão da doença.
2 - A Hanseníase é uma doença de transmissão fácil: é preciso estar por um longo tempo convivendo com alguém
com a doença e numa mesma residência para ser contaminado pela Hanseníase.
Pessoas que possuem contato breve ou que não ficam constantemente na mesma
residência que o enfermo são mais difíceis de serem infectadas.
3 - A Hanseníase é uma doença hereditária: a enfermidade não é passada pelos genes familiares, fato
anteriormente disseminado e confiado pela população. A transmissão ocorre
apenas por vias respiratórias, através de espirros ou tosses.
4 - Não existe tratamento adequado para a doença: com o avanço da ciência, os médicos descobriram remédios
capazes de curar quem possui Hanseníase. Medicamentos como rifampicina, dapsona
e clofazimina - três antimicrobianos - atuam na ‘destruição’ do bacilo
Mycobacterium leprae, agente causador da doença. Vale salientar que o
tratamento só ocorre na rede pública de saúde, com o controle da doença feito
pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
5 - Pacientes com hanseníase precisam ser afastados das
pessoas, do convívio social e familiar: diferentemente
do que era feito no passado, os pacientes não precisam sofrer isolamento total
de todos para serem tratados e também não transmitirem a doença. Com os
tratamentos sendo feitos corretamente e as recomendações necessárias que
pessoas ao redor precisam tomar, o enfermo não há de ser excluído socialmente
como no passado.
6 - A Hanseníase não tem cura: assim como explicado no tópico 3, o avanço da ciência
contribuiu para tratamentos eficazes e que tiram totalmente a possibilidade da
doença continuar na pessoa. Vale salientar que isso só ocorre caso todo o
tratamento seja feito corretamente e, mesmo depois, é preciso estar alerta para
não se contaminar novamente.
7 - O
paciente em tratamento continua podendo transmitir a doença: os enfermos que começam o tratamento
contra a doença deixam de ser transmissores logo após algumas semanas. Ainda
assim, é preciso que os cuidados médicos continuem durante os seis meses
(pacientes com hanseníase paucibacilar - PB) ou um ano (pacientes com
hanseníase multibacilar - MB).

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