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Endocrinologista explica como o metabolismo, hormônios e composição corporal mudam ao longo da vida adulta; cuidar da saúde desde cedo faz diferença
Comemorado nesta quinta-feira (15), o Dia do Adulto convida à reflexão sobre as transformações naturais do corpo ao longo da vida e a importância do autocuidado. A partir dos 30 anos, alterações hormonais e metabólicas passam a ocorrer de forma progressiva e silenciosa, impactando o peso, a disposição e a saúde como um todo. Segundo Marcelo Miranda, endocrinologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), “há uma redução progressiva do hormônio do crescimento e dos hormônios sexuais, especialmente da testosterona nos homens. Além disso, o metabolismo basal diminui, favorecendo o acúmulo de gordura corporal”.
De acordo com o especialista, isso é o resultado de uma combinação de fatores hormonais, perda de massa muscular, estresse crônico e hábitos de vida cada vez mais sedentários. “O estresse cotidiano, a sobrecarga de responsabilidades, a falta de tempo para atividade física e os distúrbios do sono interferem diretamente em hormônios como o cortisol, que favorece o ganho de peso, além de desregular o apetite”, adiciona.
A alimentação também exerce papel central nesse processo. “Com a
correria do dia a dia, é comum substituir a comida de verdade por alimentos
ultraprocessados e fast food, que têm alta densidade calórica, baixo valor
nutricional e aditivos químicos que prejudicam o metabolismo”, alerta. Com o
avançar da idade, o ganho de peso tende a se concentrar principalmente na
região abdominal, e emagrecer se torna mais difícil. “As estratégias que
funcionavam antes passam a ter menos efeito. Ainda assim, o principal desafio
está no estilo de vida estressante, e a solução passa pela mudança de hábitos”.
Mulheres X Homens
Nas mulheres, as alterações hormonais começam antes da menopausa. “Os hormônios sexuais femininos entram em declínio progressivo anos antes da menopausa. Enquanto os ciclos menstruais são regulares, o impacto é menor, mas as falhas menstruais que surgem nesse período já podem prejudicar o metabolismo”, explica. Já nos homens, a queda da testosterona ocorre de forma lenta e contínua a partir dos 30 anos, sendo mais comum a deficiência hormonal após os 50. “Hoje, porém, vemos esse diagnóstico cada vez mais precoce, associado à obesidade, diabetes tipo 2 e gordura no fígado”, completa.
Miranda salienta a necessidade de atenção, pois o corpo costuma
dar sinais quando algo não vai bem. “Desânimo, cansaço, sonolência excessiva,
redução da força muscular, diminuição da libido, ganho de peso e flacidez são
sintomas que merecem atenção”.
Mais problemas
A perda de massa muscular associada ao aumento de gordura corporal eleva significativamente o risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, insuficiência renal, alguns tipos de câncer, além de problemas hormonais, articulares e ósseos, como osteoartrite e osteoporose, por exemplo. E, segundo o médico, avaliações simples ajudam a acompanhar a saúde metabólica. “Peso corporal, circunferência abdominal, análise da composição corporal, testes de força muscular e exames laboratoriais direcionados são ferramentas importantes para diagnóstico e prevenção”.
Para manter a saúde ao longo dos anos, a prevenção é o melhor caminho e o cuidado não deve ser adiado. “Apesar das mudanças naturais do tempo, os hábitos de vida são os maiores determinantes da saúde metabólica. Dormir bem, manter uma rotina de atividade física e priorizar uma alimentação natural fazem toda a diferença. A prevenção deve começar a partir dos 30 anos, ou antes, caso haja excesso de peso ou hábitos desequilibrados”, orienta o especialista.
Por fim, Miranda deixa um conselho direto: “Assuma hoje a
responsabilidade pela qualidade de vida de amanhã. Não espere ter tempo ou
ânimo. Priorize o sono, movimente-se, reduza o tempo sentado, escolha comida de
verdade e acompanhe seu peso. O ânimo vem como consequência da ação; e o
endocrinologista estará ao seu lado em toda essa jornada”.
Vera
Cruz Hospital

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