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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Serviço Geológico do Brasil esclarece dúvidas sobre potencial do país para terras raras e minerais estratégico

Brasil detém a segunda maior reserva/recurso de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas estimadas 

 


O Serviço Geológico do Brasil (SGB) é o órgão do governo federal responsável pelo mapeamento geológico, produção e disseminação do conhecimento geocientífico, que inclui a avaliação do potencial mineral do território nacional. No contexto dos Elementos Terras Raras (ETR) e demais minerais estratégicos, o SGB atua na identificação de áreas com potencial mineral, com a aquisição e processamento de dados geológicos, geofísicos e geoquímicos, úteis para subsidiar a avaliação de viabilidade técnica e econômica de recursos minerais.

“O trabalho que realizamos subsidia políticas públicas, orienta investimentos privados e fortalece a presença do Brasil em cadeias produtivas globais essenciais para a transição energética, segurança alimentar e o desenvolvimento tecnológico”, destaca o diretor-presidente do SGB, Inácio Melo.

Com recursos minerais expressivos, projetos em expansão e pesquisas coordenadas pelo SGB, o país busca fortalecer sua posição na cadeia global desses minerais que estão no centro das discussões geopolíticas e industriais globais devido à sua aplicação na indústria de alta tecnologia.

O Brasil é o maior detentor global de reservas de nióbio (94%) – com 16 milhões de toneladas. No ranking global, é o segundo maior em reservas de grafita, com 74 milhões de toneladas (26%), e de terras raras, com 21 milhões de toneladas (23%). No caso do níquel, o Brasil possui a terceira maior reserva global, com 16 milhões de toneladas (12%) das reservas mundiais. Os dados são apresentados na publicação “Uma Visão Geral do Potencial de Minerais Críticos e Estratégicos do Brasil”, do SGB.


Potencial do país no cenário global

O Brasil é o detentor da segunda maior reserva mineral de ETR do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, o que representa cerca de 23% das reservas/recursos globais, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). O diretor Inácio Melo afirma que o protagonismo do Brasil na produção de ETR é inevitável: “O Brasil se tornará o maior produtor global de ETRs”.

Para Melo, os desafios do Brasil para as próximas décadas são ampliar o conhecimento geológico e transformar o enorme potencial geológico dos recursos minerais estratégicos em reservas minerais explotáveis e bem conhecidas. “Precisamos descobrir novas ocorrências e superar as limitações tecnológicas e logísticas”, afirmou. Apesar do potencial mineral, o país produziu, em 2024, apenas 20 toneladas de terras raras, menos de 1% da produção mundial, que foi de 390 mil toneladas.

Atualmente, a China detém uma posição dominante não apenas nos volumes de suas reservas e produção de elementos terras raras, mas, sobretudo, na cadeia tecnológica de separação e refino para obtenção de óxidos de alta pureza (em inglês, REO). “Parcerias entre o SGB, outras ICTs e o setor privado serão o caminho seguro para o desenvolvimento de novas tecnologias que se tornarão a chave para o Brasil transformar recursos estimados em depósitos minerais medidos e viáveis economicamente”, destaca o diretor-presidente.

O termo técnico reserva mineral refere-se à porção economicamente explotável de um recurso mineral medido ou indicado, demonstrada por estudos técnicos (pré-viabilidade ou viabilidade). No caso da maior parte dos ETR do Brasil, o mais adequado é aplicar a terminologia recurso mineral, que é uma concentração ou ocorrência com interesse econômico na crosta terrestre, cuja quantidade, qualidade, continuidade e distribuição são conhecidas ou estimadas com base em evidências geológicas, mas que ainda não é viável economicamente ou apresenta estudos em andamento.


Onde estão os principais recursos de ETR do Brasil

A maior parte dos recursos medidos de Elementos Terras Raras (ETRs) no Brasil está concentrada, principalmente, nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia, além de Sergipe. Esses estados abrigam os principais tipos de depósitos com potencial econômico de ETRs, conforme levantamentos do SGB, da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de estudos técnicos consolidados.


Elementos Terras raras


As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos com propriedades similares encontradas em alguns minerais. São definidos como terras raras os 15 lantanídeos, além do escândio (Sc) e do ítrio (Y). Os principais elementos são os utilizados para fabricação dos ímãs magnéticos, que são o neodímio (Nd), praseodímio (Pr), térbio (Tb) e o disprósio (Dy).

Os elementos terras raras são encontradas como produtos secundários em depósitos de outros bens minerais, principalmente em depósitos de nióbio (Nb) e fosfato (PO4). Dos mais de 200 minerais que contêm ETR, apenas alguns têm potencial para formar depósitos econômicos desses elementos e são explorados atualmente: bastnaesita, monazita, xenotímio e loparita.

Apesar de não serem escassos na natureza, os elementos terras raras (ETR) são considerados críticos devido à complexidade dos processos envolvidos em sua extração e beneficiamento.


Aplicações


Os elementos terras raras são usados para melhorar a eficiência de diversos produtos de alta tecnologia e de energia limpa, com destaque para a aplicação em turbinas eólicas e motores elétricos, além da aplicação em equipamentos aeroespaciais, como satélites, foguetes e mísseis. Os elementos têm altas propriedades magnéticas, elétricas, catalíticas e luminescentes.


Pesquisas do Serviço Geológico do Brasil sobre ETR

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) desenvolve estudos para identificar áreas com potencial e impulsionar o desenvolvimento da cadeia de valor de terras raras. A principal iniciativa é o Projeto de Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil, inserido na linha de atuação “Minerais Estratégicos para Transição Energética”, dentro da Ação do Programa de Aceleração do Crescimento-PAC do governo federal.

Atualmente, o projeto desenvolve atividades nos estados de Goiás e Tocantins (Província Estanífera de Goiás), Minas Gerais (Província Alto Paranaíba), Bahia (Província Jequié e região de Prado) e Paraná, São Paulo e Santa Catarina (Vale do Ribeira). Além desse projeto, há outras pesquisas do SGB relacionadas a terras raras em áreas potenciais dos estados Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Piauí. A Elevação do Rio Grande também tem sido estudada. Em todo o país, o SGB realiza pesquisas sobre o potencial mineral e identifica áreas com indícios favoráveis à presença de elementos terras raras e outros minerais estratégicos.


Principais depósitos de terras raras


Minas Gerais

Em Araxá (MG), está a única reserva oficialmente reconhecida de terras raras do Brasil. Os minerais com terras raras nas rochas alcalinas são: apatita e calcita. Na região de Poços de Caldas (MG), há diversas empresas de mineração pesquisando para terras raras e já identificaram recursos de 950 milhões de toneladas com teor de 0,25% de TREO. As pesquisas do SGB também indicam ocorrências de terras raras no município de Tapira (MG), conhecido pelas mineralizações de fosfato, nióbio e titânio.



Goiás

O estado de Goiás é destaque nacional por ter uma mina ativa de elementos terras raras na cidade de Minaçu (GO). Os recursos estimados são de 910 milhões de toneladas. É a primeira mina fora da Ásia a operar um depósito de argila iônica – um tipo de mineralização considerada a principal fonte de terras raras pesadas do mundo e que possui o processo de extração de ETR com maior rentabilidade. Até então, apenas a China produzia terras raras em depósitos desse tipo. A mina de Serra Verde possui recursos medidos de cerca de 22 milhões de toneladas, conforme o relatório técnico da empresa de 2015.

O termo produção industrial de terras raras refere-se ao conjunto de operações, como processos físicos, químicos e metalúrgicos, necessários para transformar minérios contendo ETRs em produtos comercializáveis em escala industrial, em especial os óxidos de terras raras – produtos de alto valor agregado. A Mineração Serra Verde, em Minaçu (GO), comercializa como produto final um concentrado misto de óxidos de terras raras (REO – Rare Earth Oxides), com destaque para os elementos magnéticos críticos.

Em Nova Roma (GO), há um projeto com recursos de terras raras estimados em 168,1 milhões de toneladas. Além disso, há ocorrências nas regiões de Catalão (GO) e em outros corpos graníticos da Província Estanífera de Goiás (GO).



Amazonas

No Amazonas, há ocorrências identificadas no depósito de Seis Lagos, localizado a 64 km a nordeste do município de São Gabriel da Cachoeira. Esse é um depósito de nióbio com altas concentrações de terras raras. O recurso estimado é de 43,5 milhões de toneladas de ETR. É importante reforçar que a região é uma reserva legal índigena, portanto, a exploração é impedida por restrições legais.

O depósito de Pitinga, no município de Presidente Figueiredo (AM), é também conhecido como distrito mineiro de vários bens minerais, dos quais a cassiterita é o bem mineral principal. Os elementos terras raras são encontrados nos minerais xenotima, gagarinita, niobidatos e fluocerita. Desses, a xenotima é o principal mineral com terras raras. Esse depósito é considerado um dos poucos com potencial expressivo de ETRs pesados, mas ainda sem exploração dedicada.



Bahia

Na Bahia, o Complexo de Jequié tem depósito de bauxita conhecido e recentemente tem se destacado como uma província mineral com mineralizações de alto teor de terras raras (11,2% de TREO) associados a outros bens minerais como nióbio, urânio, tântalo, escândio, bauxita e gálio no Projeto Pelé. O depósito pesquisado pela Brazilian Rare Earth tem mineralização associada a rocha com teor de até 40,5% de TREO no Projeto Velhinhas e em rocha alterada, denominada areais de monazita que chegam a teor de 7, 9% no projeto Pelé.

Além deste, na região de Prado há depósito de monazita em minerais pesados da planície costeira. No início do século passado, a região de Cumuruxatiba foi produtora de monazita.



Sergipe

Em Sergipe, na porção norte do estado, há depósito de monazita em minerais pesados em antigos cordões litorâneos e dunas do delta do Rio São Francisco. Há recursos JORC totais de 196 milhões de toneladas com 0,4% de concentrado de monazita. Este é um novo projeto na região.



Entrevista com o diretor-presidente do SGB, Inácio Melo, sobre terras raras


1. Qual é o papel do SGB na agenda de minerais estratégicos, como as terras raras?


R: O SGB atua na identificação de áreas com potencial mineral, realiza mapeamentos, aquisição e processamento de dados geológicos, geoquímicos e geofísicos. Esses trabalhos subsidiam políticas públicas, orientam investimentos privados e fortalecem a presença do Brasil em cadeias produtivas globais ligadas à transição energética e ao desenvolvimento tecnológico.


2. Por que as terras raras são tão estratégicas para o Brasil e para o mundo? 

R: As terras raras são essenciais para tecnologias de baixo carbono, como turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias e equipamentos eletrônicos. Esses elementos também têm aplicações relevantes na indústria bélica e aeroespacial, sendo utilizados em caças, satélites e mísseis.

Embora não sejam escassas na natureza, são difíceis de extrair e processar, o que as torna críticas do ponto de vista tecnológico, econômico e ambiental. Além disso, a maior parte das reservas conhecidas estão concentradas na China, que domina também as tecnologias de beneficiamento e refino.

Nesse contexto, o Brasil, que possui a segunda maior reserva global de terras raras, tem uma posição estratégica e tem atraído atenção do mundo para diversificar a oferta, atrair investimentos, fortalecer cadeias produtivas e ampliar sua relevância geopolítica em temas ligados à transição energética e à inovação tecnológica. Esse é um ponto forte que pode ser evidenciado nas discussões internacionais.


3. O Brasil tem potencial para se tornar um líder global na produção de terras raras?


R: Sim. O Brasil possui a segunda maior reserva do mundo, concentrando 23% das reservas globais. Além disso, o país conta com projetos em expansão e pesquisas coordenadas pelo SGB que podem ampliar esse potencial e consolidar o país como um polo global estratégico na produção desses elementos.

Nossos pesquisadores realizam estudos em todo o território nacional para identificar novas áreas com potencial para terras raras. Estes estudos estimulam a atração de investimentos em pesquisa mineral, o desenvolvimento de projetos sustentáveis e o fortalecimento das cadeias produtivas ligadas à transição energética e à inovação tecnológica.

Também estamos avançando em parcerias com outros institutos de ciência e tecnologia e o setor privado para encontrar soluções que ajudem a superar as limitações tecnológicas e logísticas para que o Brasil possa transformar recursos estimados em depósitos minerais medidos e viáveis economicamente.


4. Quais são os principais projetos do SGB voltados para terras raras?


R: O principal é o Projeto de Avaliação do Potencial de Terras Raras no Brasil, parte da linha “Minerais Estratégicos para Transição Energética”. Atuamos em diversas províncias geológicas nos estados de Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Paraná, São Paulo e Santa Catarina, além de pesquisas por meio de outros projetos em estados como Amazonas, Roraima, Rondônia, Pará e Piauí.


5. Quais os desafios para que essas ocorrências e recursos se tornem produção efetiva?


R: Os principais desafios são tecnológicos, logísticos, ambientais e de viabilidade econômica. A maturação dos projetos exige tempo e investimento, além de soluções para garantir sustentabilidade ambiental. Em alguns casos, como em Seis Lagos e Repartimento, há restrições legais por serem áreas de proteção ambiental ou territórios indígenas. Os elementos terras raras, apesar de não serem raros no solo, estão presentes em concentrações muito baixas, o que exige tecnologias avançadas para separação, concentração e beneficiamento.

O país está avançando com políticas públicas para fortalecer a cadeia produtiva, visando desenvolver infraestrutura, atrair investimentos e capacitar mão de obra. Tudo isso é parte do esforço do governo federal para consolidar o país como um destino atrativo para o desenvolvimento de pesquisa mineral.

Há várias ações governamentais em curso, por exemplo, o edital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) com a chamada pública para seleção de planos de negócio para investimentos na transformação de minerais estratégicos para transição energética e descarbonização. Há também a chamada pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para expansão e consolidação do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) – minerais estratégicos estão entre os temas. Outro exemplo é a criação do Primeiro laboratório-fábrica de ligas e ímãs de terras-raras do hemisfério sul (LabFabITR), iniciativa da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge).


6. Como o SGB apoia políticas públicas e investimentos privados nesse setor?

R: Oferecendo dados geocientíficos qualificados, atualizados e de acesso público. Nossos estudos orientam desde políticas de segurança energética até decisões de investidores que buscam oportunidades em minerais estratégicos. O conhecimento que geramos reduz incertezas e acelera o desenvolvimento de projetos.


7. O país tem potencial para outros minerais estratégicos?

R: O Brasil tem grande potencial geológico e abriga reservas/recursos minerais significativos de diversos minerais estratégicos, além das terras raras. Podemos destacar o lítio, fundamental para baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia; o nióbio, usado em superligas de alta resistência; o grafita e o grafeno, com aplicações em diversas tecnologias avançadas; e o cobre e o níquel, essenciais para a transição energética.

O SGB realiza pesquisas em diferentes regiões do país para identificar novas áreas promissoras e apoiar o aproveitamento sustentável desses recursos. Nos próximos dias, entregaremos o Plano Decenal de Pesquisa de Recursos Minerais (PlanGeo 2026–2035) — um documento estratégico que direciona a pesquisa mineral para a próxima década, alinhada com o planejamento do mapeamento geológico básico, definindo as áreas que serão estudadas nos próximos anos, em conformidade com as demandas nacionais e os desafios do cenário global.



Nova portaria da ANAC sobre transporte aéreo de animais gera críticas e é vista como retrocesso por especialistas

Advogado Leandro Petraglia afirma que nova regra ignora a realidade dos tutores e reforça interesses das companhias aéreas ao excluir animais de suporte emocional da cabine 

 

Publicada em julho deste ano, a nova Portaria nº 17.476/SAS da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) promete atualizar as regras para o transporte aéreo de animais domésticos. Entretanto, o texto, que só entra em vigor no dia 20 de outubro, já não é bem-visto por parte de especialistas em direito animal. Para o especialista em direito animal, Leandro Petraglia, a norma favorece abertamente as companhias aéreas, em detrimento do bem-estar dos animais e de seus tutores. “Representa um retrocesso disfarçado de modernização”, explica.

A nova portaria revoga a anterior, de número 12.307, mas mantém a essência que, segundo Petraglia, tem sido a tônica da atuação da ANAC nos últimos anos. “A agência novamente se omite sobre o ponto central da discussão, a garantia de que animais de suporte emocional possam ser transportados em cabine. Em vez disso, reafirma que as companhias apenas o farão se quiserem. Na prática, isso significa que ninguém leva”, afirma.

 

Uma das principais mudanças trazidas pelo novo texto é a ampliação do vocabulário normativo, com a introdução de conceitos como “animal de suporte emocional”, “animal de serviço” e “animal doméstico”. Mas, na avaliação do advogado, isso não representa avanço real. “A portaria anterior já tratava de forma simplificada esses termos, e a nova apenas os redefine, sem criar qualquer efeito prático. É uma tecnicalidade que só serve para reafirmar a exclusão dos animais de suporte emocional’, ressalta.

 

Para Leandro, o ponto mais preocupante da nova norma é justamente a delimitação expressa de que apenas cães-guia — que acompanham pessoas com deficiência visual — são considerados animais de serviço. “Esse é o verdadeiro objetivo da portaria, fechar juridicamente a porta para qualquer possibilidade de equiparação entre os animais de suporte emocional e os cães-guia. A ANAC quer afastar de vez essa discussão, ignorando o papel legítimo e comprovado que esses animais têm no auxílio à saúde mental dos seus tutores”, destaca.

 

A nova portaria também autoriza, pela primeira vez, que as companhias aéreas ofereçam o serviço de rastreamento por meio de dispositivos eletrônicos, como as tags da Apple, nas caixas de transporte de animais despachados. Embora essa medida possa ser vista como um ponto positivo, Petraglia relativiza sua eficácia. “É uma medida paliativa e, provavelmente, cobrada à parte. Não soluciona o problema central, que é a insegurança do transporte de animais fora da cabine, onde os riscos à saúde e à vida dos bichos são reais.”

 

Outra questão criticada pelo especialista é a manutenção do caráter facultativo do transporte de animais em cabine. De acordo com ele, a ANAC apenas repete o que já vem sendo feito, deixar a critério das empresas a decisão de permitir ou não o embarque. “A LATAM, por exemplo, leva animais de suporte emocional em voos longos, como São Paulo–Cidade do México, com mais de nove horas de duração, mas se recusa a permitir o mesmo em um voo de 40 minutos entre São Paulo e Rio de Janeiro. E, muitas vezes, com a mesma aeronave, com a mesma tripulação. Isso é uma incoerência inaceitável”, afirma.

 

Para Petraglia, a nova regulamentação acaba por incentivar ainda mais a judicialização dos casos. “É o Código de Defesa do Consumidor que tem garantido direitos a tutores que sofrem com a recusa das companhias. A portaria não cria novos direitos nem fortalece os existentes. Ela apenas reafirma que o transporte em cabine é uma concessão, e não um direito, o que fere frontalmente os princípios da dignidade animal e da acessibilidade emocional.”

 

Em resumo, a nova portaria da ANAC, embora traga atualizações pontuais, é vista por especialistas como uma medida que protege mais os interesses das companhias aéreas do que os dos passageiros e seus animais. “Estamos diante de um texto que não resolve os problemas práticos e ainda institucionaliza a exclusão dos animais de suporte emocional do direito de viajar junto a seus tutores. É uma regulamentação que ignora a realidade emocional de milhares de pessoas no país”, conclui Petraglia.

 

A norma entra em vigor oficialmente no dia 20 de outubro de 2025, após o período de vacância previsto pela própria agência.

 

 

Furno Petraglia e Pérez Advocacia

 


Você conhece o seu gato?

 No Dia Internacional do Gato, celebrado em 8 de agosto, a ROYAL CANIN® ajuda a decifrar os mistérios que cercam os felinos, para uma vida mais feliz juntos

 

Observadores, seletivos e independentes, os gatos conquistam tutores ao redor do mundo com seu comportamento único. Sua trajetória ao lado dos humanos começou há milhares de anos e foi marcada por diferentes simbolismos culturais, avanços na domesticação e descobertas científicas. Ainda assim, muitos de seus traços seguem despertando fascínio.

 

“As características fisiológicas e comportamentais únicas dos gatos influenciam diretamente a forma como se alimentam, interagem com o ambiente e se relacionam com os humanos. Quanto mais os tutores compreendem esses aspectos, mais preparados estarão para oferecer os cuidados necessários ao longo de toda a vida dos pets”, explica Priscila Rizelo, Médica-Veterinária e Gerente de Comunicação e Assuntos Científicos da Royal Canin Brasil.

 

Para celebrar a data, a ROYAL CANIN®, marca que oferece Saúde Através da Nutrição para gatos e cães e comprometida com o bem-estar animal, reuniu uma série de fatos interessantes que contribuem para uma melhor compreensão dos felinos. Confira!

 

Origem


O gato doméstico (Felis catus) descende do Felis lybica, felino selvagem que habitava regiões desérticas do norte da África e do sudoeste da Ásia. A convivência com os humanos teve início de forma gradual, favorecida pela habilidade desses animais em controlar roedores nos assentamentos. A adaptação a ambientes áridos também explica a baixa ingestão espontânea de água. Esse comportamento é herdado de seus ancestrais, que obtinham grande parte da hidratação por meio dos alimentos. Embora hoje os gatos vivam em ambientes totalmente diferentes de seus habitats de origem, é fundamental estimular o consumo hídrico por meio da oferta de alimentos úmidos e de diferentes fontes de água acessíveis ao longo do dia.

 

Paladar seletivo, ausência de percepção doce e olfato apurado


Seu paladar é altamente específico e adaptado às particularidades da espécie. Os gatos possuem um número reduzido de papilas gustativas e não têm receptores para o sabor doce, sendo biologicamente incapazes de percebê-lo. Além disso, têm o olfato bastante desenvolvido e utilizam principalmente esse sentido para avaliar se um alimento é atrativo ou não. Essas características influenciam diretamente suas preferências alimentares e reforçam a importância de oferecer alimentos formulados especialmente para atender tanto às suas necessidades nutricionais quanto sensoriais.

 

Longos períodos de sono


Gatos costumam dormir entre 12 e 16 horas por dia, podendo chegar a até 20 horas em certas fases da vida. Esse comportamento está ligado à conservação de energia e ao padrão natural de atividade, mais intenso ao amanhecer e ao entardecer — momentos em que suas presas costumavam estar mais ativas na natureza. O hábito também é herdado de seus ancestrais caçadores, que alternavam repouso e vigília com estratégia e eficiência. Por isso, o descanso prolongado é parte natural da rotina felina.

 

Vibrissas como ferramentas sensoriais


Os bigodes dos gatos, chamados de vibrissas, estão presentes não só nas laterais do focinho, mas também acima dos olhos, nas bochechas e nas patas dianteiras. Altamente sensíveis, essas estruturas funcionam como sensores táteis e ajudam o animal a perceber variações sutis no ambiente, como correntes de ar, obstáculos e espaços estreitos. Também contribuem para a orientação e o equilíbrio, mesmo em locais pouco iluminados.

 

Ronronar nem sempre indica prazer


Embora frequentemente associado ao bem-estar, o ronronar também pode ocorrer em situações de dor, medo ou estresse. Trata-se de um comportamento com diferentes funções, que pode ter efeito calmante e auxiliar na autorregulação emocional. Observar o contexto em que o ronronar acontece é essencial para compreender o estado emocional do animal e oferecer os cuidados apropriados.

 

Visão adaptada à baixa luminosidade


Seus olhos contam com uma estrutura chamada tapetum lucidum, que reflete a luz e amplia a capacidade de enxergar em ambientes com pouca iluminação. Isso os torna mais ativos ao entardecer e durante a noite. Sua visão periférica também é mais ampla do que a dos humanos, o que favorece a detecção de movimentos ao redor. Essa habilidade é especialmente importante para a caça.

 

Comunicação olfativa avançada


O olfato é um dos sentidos mais desenvolvidos dos gatos e exerce papel fundamental na forma como se relacionam com o mundo. Além de odores comuns, eles captam feromônios, substâncias químicas utilizadas na comunicação entre indivíduos da mesma espécie. Essas informações são processadas por um órgão especializado chamado órgão de Jacobson, ou vomeronasal, ativado durante a expressão conhecida como flehmen, quando permanecem com a boca entreaberta após cheirar algo intensamente.

 

Miado é voltado à comunicação com humanos


Ao contrário do que muitos imaginam, gatos adultos quase não miam entre si. O miado é uma vocalização direcionada principalmente aos humanos, usada para expressar desejos, chamar atenção ou manifestar desconforto. Entre si, eles se comunicam por meio de sinais corporais, posturas, expressões faciais, vocalizações específicas como rosnados e silvos, além de marcas olfativas. Essa adaptação demonstra a inteligência e a capacidade da espécie de ajustar seu comportamento à convivência doméstica.

 

Organização territorial estruturada


Os felinos dividem seu ambiente em zonas específicas para atividades como alimentação, descanso, eliminação e brincadeiras. Essa setorização é instintiva e essencial para o bem-estar emocional, pois permite que o gato se sinta seguro e no controle do seu território. Mudanças bruscas ou desestruturação desses espaços podem gerar estresse. Por isso, é fundamental respeitar seu território e manter rotinas previsíveis.

 

Instinto de caça preservado


Mesmo bem adaptados à vida doméstica, os gatos mantêm comportamentos ligados ao instinto de caça. Perseguir, agarrar e capturar objetos durante brincadeiras são formas naturais de expressão desse comportamento. Estimular essas atividades com brinquedos interativos promove saúde física, equilíbrio emocional e fortalece o vínculo com o tutor.

 

Apesar de todas as evoluções e mudanças às quais foram submetidos, o instinto de caça e as necessidades naturais dos gatos permanecem intactos. Conhecê-los, compreendê-los e respeitá-los é essencial para assegurar seu bem-estar.

 

“Entendemos que é responsabilidade dos tutores adaptar o ambiente e até mesmo seu próprio comportamento às necessidades dos pets. Não apenas para promover bem-estar e uma boa convivência, mas também para prevenir problemas comportamentais e impactos negativos na saúde a longo prazo. A missão da ROYAL CANIN® vai além de desenvolver e fornecer uma nutrição adaptada a cada animal — é também compartilhar conhecimento e torná-lo acessível para o maior número possível de pessoas”, complementa Priscila.

 

Para conhecer mais sobre os alimentos para gatos de todas as espécies, acesse o site da ROYAL CANIN®.

 

ROYAL CANIN®

Para saber mais visite o site.

 

08/08 - Dia Internacional do Gato: como entender e cuidar melhor do seu felino

Psicóloga Juliana Sato, especialista em comportamento pet, explica as peculiaridades dos gatos e como criar um vínculo saudável com eles


O Dia Internacional do Gato, comemorado em 8 de agosto, foi criado pelo Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal para conscientizar a população sobre a importância de proteger e cuidar da saúde dos felinos. Entender como se comportam e sentem o meio ambiente é fundamental para criar um vínculo mais saudável com o pet e se tornar um tutor melhor, ressalta a psicóloga Juliana Sato, referência em luto e comportamento pet.

Embora sejam mais independentes e pareçam mais distantes dos seres humanos, os gatos não são autossuficientes nem exigem menos atenção do que os cachorros ou outros pets. “São animais que precisam de cuidados específicos e preventivos, como ambiente limpo, rotina alimentar adequada e espaços enriquecidos – com esconderijos e prateleiras para circulação – que garantam sua privacidade e, ao mesmo tempo, ofereçam estímulos, além de tempo de qualidade para interação e descanso”, afirma a especialista. “Por isso, antes de adotar um felino, é essencial avaliar ainda se o ambiente é seguro – principalmente para evitar fugas, que são recorrentes – e se a família está disposta a respeitar o ritmo e as necessidades do animal”, ressalta. 

Outro erro bastante comum é tratar o gato como se fosse um cão, o que acaba frustrando as expectativas do tutor, principalmente em relação à afetividade, segundo a psicóloga. “Os gatos expressam sua afetividade de forma mais sutil e silenciosa, porém não menos profunda. Diferentemente dos cães, os gatos escolhem quando e como se aproximar. São companheiros atentos, sensíveis ao meio ambiente e à rotina do tutor”, observa. “Quando criam vínculo, costumam seguir a pessoa pela casa, esperar na porta, deitar por perto e até trazer pequenos presentes como demonstração de afeto”. 

Para ajudar os tutores a criar um vínculo especial com seu mascote felino e protegê-lo, Juliana Sato listou algumas peculiaridades deste animal e como lidar com eles: 


  • Gatos gostam de limpeza: por isso, mantenha o ambiente e a caixa de areia sempre limpos para evitar doenças. Deixe-os à vontade para se limparem, lambendo o próprio corpo. 

  • Fujões por natureza: a fuga é bastante comum em gatos. Por isso, além de instalar telas de proteção nas janelas e manter as portas fechadas, é preciso fazê-los se sentir seguros e acolhidos. “É possível construir um vínculo tão seguro e prazeroso que o gato não sinta necessidade de sair em busca de aventuras externas. A forte conexão com o tutor também acaba aumentando as chances de retorno, caso ele fuja”, afirma Juliana. O segredo está em oferecer um ambiente rico em estímulos, com brinquedos, prateleiras e outras interações, livre de estressores. A castração também ajuda a reduzir o instinto de fuga. 

  • Sentidos extremamente aguçados: os gatos são mais sensíveis a mudanças, sons e cheiros. Odores intensos, barulhos e som alto podem causar estresse ou problemas de saúde. Por isso, observe sinais como mudanças no apetite, nos padrões de higiene, sono ou comportamento de aproximação.

 

  • Precisam ter espaço próprio: os gatos gostam de descansar em lugares tranquilos, assim como se movimentar pela casa e buscar algo para se entreter. É importante instalar esconderijos, prateleiras e nichos em locais altos, arranhadores e dar liberdade para escolher onde estar.

 

  • Necessitam de tempo para ganhar confiança: respeitar o tempo do gato é o primeiro passo para construir um vínculo saudável. Portanto, não o coloque no colo à força. Permita que o animal venha quando quiser. A previsibilidade na rotina e o tom de voz calmo ajudam a criar segurança. Brincadeiras diárias, interações positivas e atenção – mesmo que silenciosa – fortalecem a relação. “O gato precisa saber que pode confiar no ambiente e nas pessoas ao redor”, explica. 

Informar-se ao máximo sobre o comportamento natural dos gatos é fundamental para cativar o animal, fortalecer o vínculo e ser um tutor melhor. “Prepare o ambiente com segurança e enriquecimento, abra espaço para que ele seja o que é: um animal sensível, inteligente e cheio de nuances”, conclui.

 

 

Juliana Sato - Psicóloga graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, com pós-graduação em distúrbio alimentar pela Unifesp, Juliana Sato é certificada pela renomada Association for Pet Loss and Bereavement, entidade pioneira e referência em luto pet nos Estados Unidos. Desde 2023, ela atua com consultoria e atendimento em saúde mental para profissionais do segmento Pet Vet, além de oferecer mentorias para empresas e lideranças que desejam construir culturas organizacionais mais humanas, seguras e sustentáveis. Em 2024, passou a integrar a diretoria da Ekôa Vet – Associação Brasileira em Prol da Saúde Mental na Medicina Veterinária. Também é criadora do canal VibeZenCast, onde compartilha conteúdos sobre saúde mental, autocuidado e bem-estar. Saiba mais no site da especialista ou no Instagram @julianasato.



quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Dia dos Pais

 A saúde vascular dos homens traz um alerta que não pode esperar 

 

A história se repete com frequência nos consultórios médicos. Homens na faixa dos 40 ou 50 anos aparecem com queixas de cansaço inexplicável, dores nas pernas ou dificuldades íntimas, apenas para descobrir que seus vasos sanguíneos estão envelhecendo a um ritmo acelerado. O que muitos não percebem é que esse processo começou silenciosamente uma ou duas décadas antes, quando os primeiros sinais poderiam ter sido detectados e controlados. 

A medicina conhece bem essa disparidade de gênero quando o assunto é saúde vascular. Enquanto as mulheres contam com a proteção relativa dos hormônios femininos até a menopausa, os homens enfrentam desde cedo um quadro mais desafiador. A testosterona, amplamente reconhecida por seu papel no desenvolvimento das características masculinas, parece ter um lado menos nobre quando se trata da delicada camada endotelial que reveste os vasos sanguíneos. Essa predisposição biológica, combinada com hábitos culturais que desvalorizam a prevenção, cria uma condição perfeita para o desenvolvimento precoce de problemas circulatórios. 

O paradoxo é que os sinais iniciais de alerta vascular em homens são frequentemente ignorados ou associados ao simples "cansaço da idade". A disfunção erétil, por exemplo, raramente é reconhecida como o marcador precoce de doença cardiovascular que realmente é. Os pequenos vasos do pênis funcionam como sentinelas, e nesse caso, os primeiros a sofrer quando a circulação começa a falhar. Estudos mostram que problemas de ereção podem preceder em anos o diagnóstico de doença arterial coronariana e oferecem uma janela de oportunidade para intervenção precoce que frequentemente é desperdiçada. 

O estilo de vida moderno parece ter sido quase que desenhado para prejudicar a saúde vascular masculina. Longas horas sentados no trabalho, alimentação rica em processados, estresse crônico e aquele copo a mais de bebida alcoólica no final de semana - tudo isso se acumula silenciosamente e danifica o equilíbrio do sistema circulatório. O resultado é visível nas estatísticas: homens desenvolvem doenças cardiovasculares em média 10 anos antes que mulheres, e com desfechos frequentemente mais graves. 

A solução, no entanto, não requer mudanças radicais, mas sim uma abordagem consciente. Fazer do check-up vascular um ritual tão normal quanto a troca de óleo do carro. Reconhecer que a pressão arterial elevada é também um sinal de alerta que merece atenção. Entender que aquele ronco noturno pode ser associado a danos vasculares precoces. 

No Dia dos Pais, talvez o presente mais valioso que se pode dar - ou receber - seja uma mudança de perspectiva. Cuidar da saúde vascular não é um sinal de fraqueza, mas de sabedoria. Não se trata apenas de adicionar anos à vida, mas de garantir qualidade e vitalidade em cada um desses anos. Afinal, que pai não deseja estar presente - plenamente presente - para acompanhar os momentos mais importantes da vida de seus filhos?  

 


Dra. Haila Almeida - Médica cirurgiã vascular com atuação focada em tratamentos de vasinhos e varizes por meio da tecnologia a laser, fundadora e líder do Instituto Alphaveins.



10 mitos e verdades sobre o DIU que você talvez não sabia

Médica desmistifica o método contraceptivo de longa duração e reforça a importância de informação no planejamento reprodutivo

 

O DIU (Dispositivo Intrauterino) é um dos métodos contraceptivos mais eficazes e duradouros disponíveis atualmente. No entanto, apesar de sua popularidade crescente, ainda há muitas dúvidas e informações equivocadas circulando por aí. Para esclarecer o que é fato e o que é mito, a médica ginecologista Carla Cooper, parceira da DKT South America, organização dedicada à promoção da saúde sexual e reprodutiva, responde às principais dúvidas sobre o tema:


1. O DIU é só para quem já teve filhos.

Mito. “O DIU pode ser utilizado por mulheres que nunca engravidaram. O mais importante é passar por uma avaliação médica para ver se o método é adequado ao perfil da paciente”, explica a ginecologista.


2. O DIU pode causar infertilidade.

Mito. Não há evidências científicas que relacionem o uso do DIU à infertilidade. “A fertilidade é retomada logo após a retirada do dispositivo”, afirma a médica.


3. Existem DIUs com e sem hormônio.

Verdade. Há dois principais tipos de DIU: o de cobre (sem hormônio) e o hormonal (libera progestagênio). Ambos são altamente eficazes.


4. O DIU aumenta o risco de infecções.

Mito. O risco de infecção é maior apenas nas primeiras semanas após a inserção, mas é muito baixo quando o procedimento é feito com higiene e por um profissional capacitado. Ao ser descartado sinais de infecção ginecológica durante o exame físico, imediatamente antes da inserção do DIU.


5. O DIU pode se deslocar dentro do útero.

Verdade. Isso pode acontecer em casos raros, especialmente nos primeiros meses. Por isso, o acompanhamento médico é importante.


6. Mulheres com fluxo intenso não podem usar DIU.

Parcialmente verdade. “O DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual, então, nesses casos, o modelo hormonal pode ser mais indicado. O ginecologista deve avaliar”, recomenda a especialista.


7. O DIU pode ser usado como contraceptivo de emergência.

Verdade. “O DIU de cobre e cobre com prata pode ser inserido em até 5 dias após a relação desprotegida e tem mais de 99% de eficácia”, explica a médica.


8. O DIU interfere no prazer sexual.

Mito. O DIU fica dentro do útero, e não interfere nas sensações durante a relação sexual.


9. O DIU é um método permanente.

Mito. Ele é de longa duração, mas totalmente reversível. Pode ser retirado a qualquer momento, com retorno imediato da fertilidade.


10. O DIU está disponível gratuitamente pelo SUS.

Verdade. O DIU de cobre pode ser inserido gratuitamente em unidades básicas de saúde. “Esse acesso é um direito e deve ser mais divulgado”, finaliza Carla.

Falar sobre contracepção com clareza e responsabilidade é fundamental para que mais mulheres possam tomar decisões informadas sobre seu corpo e sua saúde reprodutiva. Desmistificar o uso do DIU e ampliar o acesso a informações seguras é um passo importante para garantir mais autonomia, bem-estar e liberdade de escolha para todas.


DKT South America
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7 em cada 10 brasileiros sofrem com gastrite. Entenda os sinais, riscos e como aliviar os sintomas

Com mais de 59 milhões de internações por gastrite e duodenite nos últimos anos, especialista alerta: a inflamação no estômago está ligada à alimentação, estresse, uso de medicamentos e até cigarro e pode ser evitada com mudanças simples na rotina

 

Dor, queimação, náuseas, empachamento, desconforto abdominal… Esses sintomas fazem parte da realidade de milhões de brasileiros diagnosticados com gastrite, inflamação da mucosa do estômago que pode ter diferentes causas e níveis de gravidade. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, cerca de 7 em cada 10 brasileiros sofrem com algum tipo da condição. Entre 2019 e 2023, o país registrou mais de 59 milhões de internações por gastrite e duodenite, com maior incidência nas regiões Sudeste e Nordeste, segundo estudo do Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences.

“A gastrite pode ser silenciosa por um tempo, mas quando se manifesta, os sintomas comprometem seriamente a qualidade de vida”, explica Dra. Lilian Curvelo Gastroenterologista e Hepatologista, do Hospital Israelita Albert Einstein. Ela alerta que as causas vão muito além da alimentação: “O uso indiscriminado de anti-inflamatórios, o estresse crônico e até o tabagismo podem desencadear ou agravar a inflamação.”

Quais são os sintomas mais comuns?

  • Dor ou queimação no estômago (especialmente em jejum)
  • Náuseas e vômitos
  • Sensação de estômago cheio logo após comer pouco
  • Azia, refluxo e má digestão
  • Desconforto abdominal constante


Aguda x Crônica: quais são as causas?

A gastrite aguda é de curta duração e geralmente causada por consumo excessivo de álcool, uso de anti-inflamatórios (como ibuprofeno e aspirina), estresse intenso ou infecções. Já a gastrite crônica é mais duradoura e pode estar ligada à infecção por H. pylori, uso contínuo de medicamentos, refluxo gastroesofágico, doenças autoimunes e envelhecimento da mucosa gástrica.

“Identificar o tipo de gastrite e a causa exata é essencial para o tratamento adequado. E mais: hábitos simples do dia a dia podem ajudar e muito a aliviar os sintomas”, reforça a especialista.
 

Dra. Lilian listou cinco estratégias eficazes para aliviar e evitar crises de gastrite:
 

1-Mude sua alimentação

Evite alimentos gordurosos, ácidos, condimentados, fritos, cítricos, café, refrigerantes e álcool. Prefira refeições leves, naturais e ricas em fibras, com frutas, legumes e grãos integrais.
 

2-Coma em menor quantidade, mais vezes ao dia

Fracionar as refeições e mastigar bem os alimentos ajuda a reduzir a sobrecarga do estômago e alivia a sensação de empachamento.
 

3-Hidrate-se bem

A ingestão de água ajuda a diluir os ácidos estomacais e melhora os sintomas. Água fria ou água de coco podem trazer alívio momentâneo.
 

4-Cuide do emocional

O estresse agrava a produção de ácido, dificulta a digestão e aumenta a sensibilidade gástrica. Técnicas de relaxamento, exercícios físicos e sono de qualidade são grandes aliados.
 

5-Evite automedicação

Anti-inflamatórios comuns podem agravar a gastrite. Sempre procure um médico antes de tomar medicamentos por conta própria.
 

“A gastrite não deve ser negligenciada. Com diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida, é possível controlar e até reverter o quadro”, finaliza a médica.
 

DRA. LILIAN CURVELO Gastroenterologista e Hepatologista - CRM 78.526/SP - RQE 84418 - Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com especialização e doutorado em Gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e pós-doutorado em transplante de fígado pela Universidade Erasmus-MC na Holanda. Há mais de 25 anos dedica-se ao estudo, diagnóstico e tratamento clínico das doenças do aparelho digestivo e do fígado.

 

Campanha Agosto Dourado lembra que amamentação é um direito protegido por lei

Advogado especialista em direito público e de saúde discute legislação que protege lactantes

 

Chegou a campanha Agosto Dourado, que simboliza a luta pelo incentivo à amamentação e pela conscientização sobre a importância do leite materno para a saúde do bebê e da mãe. Mas além da dimensão social e de saúde pública, o aleitamento materno também é uma pauta jurídica com proteções legais garantidas à mulher que amamenta, especialmente no ambiente de trabalho.

Isso porque a legislação brasileira é clara ao assegurar direitos à lactante. O artigo 396 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por exemplo, garante à mulher dois descansos especiais de meia hora durante a jornada de trabalho para amamentar o próprio filho até os seis meses de vida. Esse período pode ser ampliado mediante recomendação médica.

Além disso, a amamentação é considerada parte dos direitos fundamentais relacionados à dignidade da pessoa humana e à proteção da infância, previstos na Constituição Federal. “Trata-se de um direito social, de dupla dimensão: protege a criança e também garante condições adequadas à mãe trabalhadora”, pontua o advogado Thayan Fernando Ferreira, especialista em direito público e direito de saúde, membro da comissão de direito médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados.

O especialista destaca ainda que impedir ou constranger a mulher a amamentar em locais públicos ou no trabalho pode configurar prática discriminatória e gerar responsabilização. O advogado também reforça que, apesar da legislação, ainda há barreiras culturais que dificultam o pleno exercício desse direito.

“É preciso desmistificar a ideia de que amamentar é um ato que deve ser restrito ao espaço privado. O aleitamento é natural, essencial e protegido por lei. O Agosto Dourado é, acima de tudo, uma oportunidade para conscientizar empresas, instituições e a sociedade como um todo sobre esse tema”, completa Thayan.

Entretanto, apesar da proteção legal, mulheres ainda enfrentam constrangimentos ao amamentar em público uma prática que, embora natural e respaldada por leis estaduais e municipais em várias partes do país, continua cercada de preconceito. Em São Paulo, por exemplo, a Lei nº 16.161/2015 estabelece multa para estabelecimentos que tentarem impedir o ato.

“Amamentar em público é um direito e não pode ser cerceado. Qualquer tentativa de impedir esse ato pode configurar violação à dignidade da mulher e da criança, além de responsabilização civil e até administrativa do agente ou da instituição. Enfim, garantir o direito de amamentar onde for necessário é também uma forma de combater a sexualização indevida do corpo feminino e fortalecer políticas de inclusão e respeito”, finaliza o advogado.

 

Atividade física pode ser aliada poderosa na prevenção de transtornos mentais, afirma psiquiatra

Exercício regular ajuda a regular o humor, controlar a ansiedade e melhorar o sono, segundo Bianca Bolonhezi, psiquiatra e CEO do Instituto Macabi

 

Em um momento em que os índices de ansiedade e depressão crescem de forma expressiva, a ciência aponta caminhos eficazes e acessíveis para a promoção da saúde mental. Um deles é a atividade física regular. Mais do que cuidar do corpo, o movimento se mostra uma ferramenta poderosa para regular o humor, controlar a ansiedade e fortalecer a resiliência emocional.


“Quando a gente fala de exercício físico, ele atua de várias formas no nosso organismo. A prática libera neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfina — substâncias ligadas ao bem-estar e à felicidade —, além de reduzir o cortisol, que é o hormônio do estresse”, explica a psiquiatra Bianca Bolonhezi, CEO do Instituto Macabi.


Além dos efeitos diretos sobre o humor, a prática regular também estimula o aumento do BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), uma proteína fundamental para a neuroplasticidade — a capacidade que o cérebro tem de formar e fortalecer conexões, essencial para o aprendizado e a resiliência emocional.


Segundo a especialista, os efeitos se estendem ao cotidiano de forma ampla. “A atividade física reduz sintomas depressivos, melhora a autoestima e a motivação, além de contribuir significativamente para a qualidade do sono. Ao gastar energia e reduzir o nível de cortisol em horários inadequados, o corpo tende a descansar melhor à noite, o que impacta diretamente na estabilidade emocional”, destaca Bianca.


No caso da ansiedade, o exercício também se mostra eficaz. Isso porque, ao promover uma respiração controlada e manter o foco no momento presente — algo semelhante ao efeito do mindfulness —, ele ajuda a aliviar sintomas como taquicardia, tensão muscular e pensamentos acelerados.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, o equivalente a 30 minutos em cinco dias. Mas, segundo a médica, até quantidades menores já podem trazer benefícios, especialmente para quem está começando.

 

A prática de atividade física traz benefícios importantes para a saúde mental, mas é fundamental compreender seus limites em casos mais complexos. Bianca explica que, em quadros leves de ansiedade e depressão, mudanças no estilo de vida — como uma rotina equilibrada e a prática regular de exercícios — podem ajudar na melhora dos sintomas.


No entanto, quando há prejuízo funcional, ou seja, quando a pessoa passa a ter dificuldades para trabalhar, estudar, manter relações sociais ou cuidar de si, a intervenção médica se torna necessária. “Em quadros moderados a graves, é comum que o tratamento envolva o uso de medicamentos junto com a psicoterapia e a atividade física”, afirma.


Nos casos de transtornos mais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar, a atividade física tem papel importante como coadjuvante, mas não substitui o tratamento medicamentoso. “Nestes transtornos, o remédio é indispensável e deve caminhar junto com o exercício físico”, completa a especialista.


Para Bianca, o mais importante é entender que o cuidado com a saúde mental é construído no dia a dia, e a atividade física pode ser uma aliada acessível, natural e altamente eficaz nesse processo.



Técnica menos invasiva para Câncer de Colo de Útero mostra maior sobrevida que Cirurgia Padrão, aponta estudo apresentado na ASCO

Estudo PHENIX, destaque no principal congresso de oncologia do mundo, revela que biópsia de linfonodo sentinela está associada a menos mortes específicas por câncer e menor recorrência.

 

Um novo estudo internacional randomizado (PHENIX), apresentado no congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), o mais importante do mundo na área, traz resultados transformadores para o tratamento cirúrgico do câncer de colo de útero em estágio inicial. 

A pesquisa indica que a técnica menos invasiva, conhecida como biópsia de linfonodo sentinela (BLS), está associada a uma maior taxa de sobrevida específica por câncer em comparação com o procedimento padrão, mais agressivo. 

O estudo comparou a BLS com a linfadenectomia pélvica completa (LP), que é a remoção total dos gânglios da pelve. Enquanto a LP era o padrão, ela frequentemente causa mais complicações pós-operatórias. A nova pesquisa, realizada entre 2015 e 2023 com 908 pacientes, buscava confirmar se a abordagem mais conservadora era igualmente segura. Os resultados, no entanto, foram além e mostraram uma tendência de superioridade para a técnica menos invasiva. 

No principal grupo analisado (pacientes com linfonodos sentinela negativos), a taxa de sobrevida livre de doença em 3 anos foi de 96,8% para o grupo da biópsia de linfonodo sentinela, contra 94,5% para o grupo da cirurgia padrão. Mais impactante ainda foi a taxa de sobrevida específica por câncer em 3 anos: 100% para o grupo da biópsia de linfonodo sentinela, contra 97,8% no grupo da cirurgia tradicional. Isso se refletiu no número de mortes específicas pela doença: foram 3 no grupo da BLS contra 14 no grupo da LP. 

Para o Prof. Dr. José Carlos Sadalla, especialista em Mastologia e Oncoginecologia da Clínica Andrade & Sadalla, os resultados são um divisor de águas. "O estudo é um marco, consolidando a técnica do linfonodo sentinela como novo padrão no tratamento cirúrgico dos casos de câncer de colo inicial. É a ciência e a tecnologia aliadas numa cirurgia de maior qualidade e menos morbidade para a paciente", afirma o médico. 

A conclusão do estudo reforça que, quando a biópsia de linfonodo sentinela é bem-sucedida, a remoção completa dos gânglios deve ser abandonada, pois não oferece benefício de sobrevida,além de poder aumentar as complicações.

 

Clínica Andrade & Sadalla
Endereço: Avenida Ibirapuera, 2907, conjunto 720 – Moema, São Paulo
Telefone/WhatsApp: (11) 94241-4896 Instagram: @clinicaandradesadalla

 

Hospital Sapiranga reforça importância da amamentação durante campanha mundial

Na Semana Mundial da Amamentação, hospital reforça importância do leite materno como fonte de nutrição, vínculo e sustentabilidade 

 

O Hospital Sapiranga se une institucionalmente à mobilização da Semana Mundial da Amamentação (SMAM) 2025, que ocorre de 1º a 7 de agosto com o tema “Priorize a Amamentação: Crie Sistemas de Apoio Sustentáveis”. A campanha, promovida internacionalmente pela World Alliance for Breastfeeding Action (WABA) e apoiada no Brasil pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria, chama a atenção para o aleitamento materno como uma prática fundamental para a saúde das crianças, das mulheres e também para a preservação ambiental.

Neste ano, o foco está nas conexões entre amamentação e sustentabilidade, reforçando que o leite materno é um alimento natural, renovável e produzido sem causar poluição, desperdício ou uso de embalagens. A amamentação evita o uso de fórmulas artificiais que geram resíduos e dependem de cadeias industriais de produção e transporte com alto impacto ambiental.

“O leite materno é completo, está sempre disponível e vem na temperatura ideal. Amamentar, além de nutrir, protege contra infecções, fortalece o sistema imunológico e reduz o risco de doenças crônicas. E para a mãe, também traz inúmeros benefícios, como a redução no risco de câncer de mama e ovário”, explica a fonoaudióloga do Hospital Sapiranga, Magela Rosa Paz.

Ela destaca que, embora natural, a amamentação pode ser desafiadora para muitas mulheres, especialmente sem o apoio adequado. Entre os principais obstáculos estão o retorno precoce ao trabalho, a falta de informações baseadas em evidências, a insegurança diante das dificuldades iniciais e a pressão por parte da indústria de fórmulas.

“É essencial oferecer acolhimento, orientação técnica e emocional desde a maternidade. O início precoce da amamentação, de preferência na primeira hora de vida, e a prática em livre demanda são fatores decisivos para o sucesso. Também é importante garantir que a mãe saiba reconhecer os sinais de fome do bebê e tenha suporte profissional se houver dúvidas ou dificuldades com a pega e o posicionamento”, complementa a fonoaudióloga.

De acordo com Magela, ambientes que acolhem e incentivam a amamentação — tanto na rede de saúde quanto no ambiente de trabalho ou na comunidade — são indispensáveis. O fortalecimento de políticas públicas, como a ampliação da licença maternidade e o incentivo a salas de apoio à amamentação, são passos fundamentais para criar um sistema sustentável de suporte à mãe que amamenta.

Campanhas como a SMAM e o Agosto Dourado, que marca nacionalmente o mês de incentivo ao aleitamento materno, ajudam a sensibilizar gestores, profissionais e a sociedade como um todo sobre a necessidade de proteger, promover e apoiar o aleitamento.

“Investir na amamentação é investir em saúde pública, na economia de recursos e na construção de um futuro mais sustentável. Todos temos um papel nesse processo: profissionais, instituições, empresas e familiares”, conclui Magela.

Para mais informações sobre os cuidados com a amamentação e os serviços oferecidos pelo Hospital Sapiranga, entre em contato pelo telefone (51) 3599-8100 ou acesse www.hospitalsapiranga.com.br. 

 

Marcelo Matusiak

 

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