Especialista da Afya Educação Médica de Goiânia explica a importância do aleitamento materno e oferece dicas nutricionais para mães que amamentam ou vão amamentar
O aleitamento
materno é amplamente reconhecido como uma das estratégias mais eficazes para a
promoção da saúde infantil e materna. Seus benefícios vão além da nutrição, com
impactos significativos no desenvolvimento cognitivo das crianças, na prevenção
de doenças e na redução dos custos para os sistemas de saúde pública. Por isso,
a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo
das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)
recomendam que a amamentação seja iniciada ainda na primeira hora após o parto,
mantida de forma exclusiva até os seis meses de vida e continuada, juntamente
com a introdução alimentar adequada, até os dois anos ou mais.
Os efeitos
positivos do aleitamento materno são amplos e duradouros, beneficiando tanto o
bebê quanto a mãe. Para os pequenos, o leite materno representa a principal
fonte de proteção imunológica nos primeiros meses de vida, reduzindo
comprovadamente o risco de infecções respiratórias, diarreias, otites,
obesidade, asma, diabetes tipo 1 e até a síndrome da morte súbita infantil
(SIDS), além de promover melhorias no desempenho cognitivo e no desenvolvimento
emocional.
Para as mães,
amamentar diminui o risco de câncer de mama e ovário, diabetes tipo 2,
hipertensão e síndrome metabólica, além de auxiliar na recuperação pós-parto e
fortalecer o vínculo afetivo com o bebê. Diante de tantos benefícios, a amamentação
deve ser entendida não apenas como uma escolha individual, mas como uma prática
que precisa ser incentivada, protegida e apoiada por toda a sociedade.
Segundo Marcela
Rages de Faria, médica e professora de Nutrologia na Afya Educação Médica de
Goiânia, garantir que mães recebam orientação adequada e apoio durante o
pré-natal e o pós-parto é essencial para o sucesso do aleitamento. “O leite
materno é um recurso natural, completo e acessível, com potencial de salvar
vidas e transformar o futuro de milhares de crianças. Ele é considerado o
alimento mais completo para o bebê nos primeiros meses de vida, pois contém
todos os nutrientes necessários, anticorpos que fortalecem a imunidade e é de
fácil digestão”.
Além disso, a
especialista destaca a importância na promoção do vínculo afetivo entre mãe e
filho, que reduz riscos de doenças respiratórias, diarreias e até obesidade no
futuro. “Nosso papel como profissionais de saúde é oferecer informação de
qualidade e apoio contínuo para que mais mulheres possam amamentar de forma
segura, tranquila e com confiança”, afirma a médica da Afya Goiânia.
Para auxiliar as
mães que amamentam e também as que estão se preparando para este momento, a
Dra. Marcela compartilha algumas dicas fundamentais:
1.
Priorize uma alimentação equilibrada
Durante a gravidez e
o período de amamentação, é fundamental que a mãe mantenha uma alimentação
equilibrada, rica em nutrientes essenciais. Isso significa consumir boas fontes
de proteínas magras, como ovos, carnes magras, peixes e leguminosas, além de
incluir gorduras saudáveis presentes no abacate, azeite de oliva, castanhas e
sementes. Os carboidratos devem ser preferencialmente integrais, como arroz
integral, aveia e batata-doce, sempre acompanhados de uma boa variedade de
frutas e vegetais, que são importantes para fornecer vitaminas, minerais e
fibras.
2.
Hidratação é essencial
A hidratação também
merece atenção especial. Como a produção de leite aumenta a necessidade de
líquidos, recomenda-se que a mãe beba pelo menos 2,5 a 3 litros de água por
dia. Chás leves como camomila e erva-doce podem ser bons aliados, mas o consumo
de refrigerantes, bebidas açucaradas e cafeína deve ser limitado, pois podem
afetar tanto a saúde da mãe quanto o bem-estar do bebê.
3.
Suplementação pode ser necessária
Durante o período
de amamentação, a suplementação pode ser necessária para garantir a saúde da
mãe e o pleno desenvolvimento do bebê, mas sempre deve ser feita com
acompanhamento médico. Nutrientes como ferro, vitamina D, cálcio, ômega-3
(especialmente o DHA), iodo e vitamina B12 podem precisar ser suplementados
conforme as necessidades específicas de cada mulher. O ferro, por exemplo, é
essencial para prevenir anemia, sobretudo em casos de perda sanguínea no parto.
Já a vitamina D contribui para a imunidade e o metabolismo ósseo, enquanto o
DHA é fundamental para o desenvolvimento neurológico do bebê, especialmente se
a mãe não consome peixes com regularidade. O iodo, por sua vez, é importante
para o bom funcionamento da tireoide, que tem papel direto na produção de
leite. Mulheres vegetarianas ou veganas devem ter atenção especial à vitamina
B12, cuja suplementação costuma ser indispensável. Em alguns casos, pode-se
indicar um polivitamínico pós-natal, desde que fundamentado em exames
laboratoriais e na avaliação clínica.
4.
Evite dietas restritivas
É importante lembrar
que esse não é o momento ideal para fazer dietas restritivas ou tentar
emagrecer rapidamente. O foco deve ser oferecer ao corpo todos os nutrientes
necessários para a produção de leite e recuperação do parto. Dietas muito
restritas podem prejudicar a qualidade do leite e a saúde da mãe. Por isso, o
ideal é realizar refeições equilibradas e fracionadas ao longo do dia,
garantindo energia constante e prevenindo picos de fome.
5.
Limite alimentos ultraprocessados
Evite produtos com
excesso de açúcar, sódio e aditivos químicos. Isso pode afetar sua saúde e,
indiretamente, o bebê.
6.
Atenção ao consumo de cafeína e álcool
O consumo de álcool
deve ser evitado, pois pode passar para o leite; caso ocorra, é necessário respeitar
um intervalo de pelo menos 2 a 3 horas por dose antes de amamentar. A cafeína
também deve ser limitada, pois em excesso pode deixar o bebê mais irritado ou
atrapalhar o sono dele.
7.
Fique atenta a possíveis alimentos que causam desconforto no bebê
8.
Coma pequenas porções, várias vezes ao dia
Isso ajuda a
manter a energia estável, evita picos de fome e melhora o controle do peso a
longo prazo.
9.
Tome cuidado com “chás milagrosos”ou receitas caseiras
Nem todo chá é seguro
na amamentação (como boldo, sene, hibisco). Sempre pergunte ao seu médico ou
nutróloga.
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