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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Boletim da Fiocruz divulgado neste ano alerta para o crescimento de síndromes respiratórias entre crianças e adolescentes logo após o retorno escolar. Especialistas explicam os principais vírus em circulação, sintomas de alerta e como prevenir o contágio em casa e na escola

 

Com o retorno às aulas no segundo semestre, aumenta também o número de crianças e adolescentes nos consultórios e prontos-socorros por conta de doenças respiratórias. Segundo o Boletim InfoGripe da Fiocruz divulgado este ano, há uma tendência de crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) na faixa etária entre 5 e 14 anos, especialmente nas semanas seguintes ao retorno escolar. Entre os principais motivos estão o maior tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação e contato próximo, que favorecem a circulação de vírus.

“A cada volta às aulas, é comum vermos surtos de gripes, resfriados, viroses e até quadros mais graves como bronquiolite e pneumonia. As salas de aula fechadas, os brinquedos compartilhados e o contato próximo entre as crianças criam um cenário propício para a propagação desses agentes infecciosos”, alerta Dra. Roberta Pilla otorrinolaringologista, membro da ABORL-CCF.

Entre as doenças mais comuns nesse período, destacam-se:

  • Gripe e resfriado: causadas por vírus como Influenza e Rinovírus, geram febre, tosse, coriza e mal-estar.
  • Sinusite e rinite: associadas à inflamação nasal, causam dor de cabeça, secreção espessa e obstrução.
  • Bronquite, bronquiolite e pneumonia: afetam os pulmões, com sintomas como chiado, febre persistente e dificuldade para respirar.
  • Asma: pode ser desencadeada por infecções virais ou exposição a alérgenos como ácaros e mofo.

Dra. Maura Neves otorrinolaringologista pela USP, reforça que alergias respiratórias também são recorrentes nessa época, especialmente em crianças que frequentam escolas com acúmulo de poeira ou pouca ventilação. “Além das viroses, quadros como rinite alérgica e conjuntivite podem piorar ou surgir com mais frequência após o retorno às aulas”, explica.
 

Quando os pais devem se preocupar?

  • Febre por mais de 3 dias ou maior que 39ºC
  • Dificuldade para respirar ou respiração acelerada
  • Chiado no peito
  • Cansaço excessivo ou sonolência
  • Recusa alimentar ou dificuldade para mamar
  • Tosse persistente que piora à noite
  • Secreção nasal espessa com dor de cabeça associada

“Esses sinais podem indicar agravamento do quadro viral ou infecção bacteriana, como sinusite ou pneumonia, que exigem tratamento específico”, afirma Dra. Roberta.
 

Viroses também são vilãs no ambiente escolar? 

Sim. O termo “virose” abrange diferentes infecções virais, como gripes, gastroenterites e resfriados, que se espalham com facilidade entre os alunos. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, contato com secreções ou superfícies contaminadas, e os sintomas mais frequentes são febre, tosse, coriza, vômitos, diarreia e mal-estar. O tratamento é apenas de suporte: repouso, boa hidratação e medicamentos sintomáticos.
 

Segundo as especialistas, a prevenção é simples, mas precisa ser constante:

  • Vacinação em dia, principalmente contra gripe e, nos bebês, contra o vírus sincicial respiratório (VSR)
  • Higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel
  • Ambientes ventilados e limpos
  • Evitar compartilhamento de objetos pessoais
  • Manter crianças doentes em casa até melhora completa
  • Boa alimentação, hidratação e rotina de sono adequada

“Além da escola, é importante que os mesmos cuidados sejam adotados em casa. Uma criança com boa imunidade e hábitos saudáveis tem mais chances de passar ilesa pelos surtos respiratórios do semestre”, finaliza Dra. Dra. Maura Neves.
 


Dra. Maura Neves – Otorrinolaringologista; Formação: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP, Residência médica em Otorrinolaringologia no Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP; Fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasal no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP; Título de especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial - ABORL-CCF; Doutorado pelo Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP.


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