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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

5 dicas para controlar o colesterol alto

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No Dia Nacional de Combate ao Colesterol (8/8), especialistas alertam para o risco silencioso do colesterol alto, um dos principais fatores para doenças cardiovasculares, responsáveis pela maior causa de mortes no Brasil
  

 

As doenças cardiovasculares ocupam o primeiro lugar entre as causas de morte no Brasil, com mais de 350 mil óbitos por ano, segundo o Ministério da Saúde. O estudo Prevalência de colesterol total e frações alterados na população adulta brasileira: Pesquisa Nacional de Saúde, mostra que pela primeira vez no Brasil, a prevalência de níveis de colesterol total, LDL e HDL alterados e aponta que cerca de um terço dos adultos apresentam alterações do colesterol.A condição é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares como infarto e AVC, que lideram o ranking de mortes no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde.  

 

Embora essencial para funções importantes do organismo, como a produção de hormônios e a estrutura das células, o colesterol em níveis elevados, especialmente o LDL, conhecido como "colesterol ruim", favorece o acúmulo de placas nas artérias. Esse processo estreita os vasos e aumenta a probabilidade de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). No Dia Nacional do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, especialistas destacam a importância do diagnóstico precoce e de hábitos saudáveis para evitar complicações.  

 

Dados apresentados no estudo mostram que a prevalência de colesterol total maior ou igual a 200 mg/dL na população foi de 32,7%, e mais elevada em mulheres (35,1%). Já a prevalência de HDL alterado foi de 31,8%, sendo de 42,8% no sexo masculino e 22,0% no feminino. O LDL maior ou igual 130 mg/dL foi observado em 18,6%, com prevalência mais elevada em mulheres (19,9%). 

 

Outro estudo da Universidade Federal de Minas Gerais mostra que no Brasil 27% das crianças e adolescentes têm colesterol alto e cerca de 20%, 1 em cada 5, tem o LDL alto, também conhecido como “colesterol ruim”. 

 

Interesse crescente em colesterol aquece buscas pelo termo   

Dados da Doctoralia, maior plataforma de agendamento de consultas do mundo, revelam um crescimento expressivo na procura por informações relacionadas ao colesterol. Entre o segundo semestre de 2024 e os primeiros sete meses de 2025, a busca pelo termo duplicou, o que reflete um interesse cada vez maior da população no tema. 

 

“Os termos mais buscados como “colesterol alto” e “hipercolesterolemia” também são os que geram maior volume de cliques em perfis médicos”, destaca Flávia Soccol, Head de Patient Care da Doctoralia. “Além disso, condições relacionadas, ainda que com menor volume de buscas como “fígado gorduroso”, “disbiose intestinal”, “obesidade” e “nódulo da glândula tireoide” despertam atenção e geram procura ativa por profissionais da área.” 

 

Esses dados reforçam não apenas a relevância do tema para a saúde da população, mas também a oportunidade estratégica para especialistas que desejam ampliar sua visibilidade e se conectar com pacientes que estão em busca de orientação e cuidados médicos.    

 

Na seção Pergunte ao Especialista, há cerca de 900 questões relacionadas ao colesterol, que em 2024 receberam 429.511 visualizações. Nos primeiros sete meses de 2024, foram mais de 289 mil visualizações, e no mesmo período em 2025, mais de 98 mil. As perguntas mais acessadas tratam, principalmente, de dúvidas sobre alimentação, medicamentos e tratamentos. Entre elas estão questões como quais alimentos excluir da dieta em caso de colesterol alto, o consumo de ovos para quem tem triglicérides e colesterol elevados, o consumo de arroz branco, interpretações de exames com alterações hepáticas associadas ao colesterol, e o tempo que medicamentos como a sinvastatina levam para reduzir o colesterol.    

 

Sobre esse aumento da busca por informação e o controle do colesterol, o cardiologista Mozar Suzigan, médico parceiro da Doctoralia, destaca que o controle do colesterol é um dos principais pilares da saúde cardiovascular e deve ser prioridade em todas as idades. “Pequenas mudanças de hábitos trazem benefícios duradouros”, destaca.  

 

Confira 5 dicas para controlar o colesterol    

  1. Adote uma alimentação saudável. Invista em frutas, verduras, legumes e grãos integrais. Reduza gorduras saturadas (frituras, carnes gordurosas, embutidos), evite também o consumo excessivo de açúcar e carboidratos refinados, e limite o consumo de ultraprocessados.   
  2. Pratique atividades físicas regularmente. O exercício ajuda a aumentar o HDL (“colesterol bom”) e controlar o peso.   
  3. Mantenha o peso adequado. O sobrepeso e a obesidade estão diretamente ligados ao aumento do colesterol.   
  4. Evite fumar e consumir álcool em excesso. O tabagismo e o álcool contribuem para alterações no perfil lipídico.   
  5. Realize exames periódicos. O acompanhamento médico e a avaliação regular do colesterol são essenciais para identificar alterações precocemente e prevenir doenças cardiovasculares.   

   

Fique atento aos sinais   

 

O colesterol alto raramente apresenta sintomas. Por isso, a melhor forma de prevenção é a orientação médica e os exames de rotina. "O controle do colesterol é um dos pilares da saúde cardiovascular e deve ser prioridade em todas as idades. Pequenas mudanças de hábitos trazem benefícios duradouros", ressalta o cardiologista.   


  

Novidades no tratamento do colesterol    


No Brasil, as novidades no tratamento do colesterol alto incluem duas classes promissoras de medicações injetáveis e orais. Entre as injetáveis, destaca-se o inclisirana, aprovado pela Anvisa, que age ao limitar a produção da proteína PCSK9 no fígado, responsável pela degradação dos receptores que removem o LDL ("colesterol ruim") da circulação sanguínea. “Todo adulto deve saber os seus valores de colesterol, apolipoproteina B e lipoproteína A e conhecendo os seus números, vai juntamente com o seu médico entender o quanto precisa controlar, e se é necessário reduzir esses valores, seja com remédios ou com mudanças no estilo de vida. O controle do colesterol sempre deve ser prioridade”, explica Dr. Mozar Suzigan.    

 

Além do inclisirana, os inibidores de pcsk9 já estão no mercado, e também são injetáveis e levam a grandes reduções no colesterol.


A chegada de um novo medicamento oral com a ação do ácido bempedoico, que age como um inibidor da ATP-citrato liase (enzima envolvida na produção de colesterol no fígado) também é uma aposta no tratamento. Essa nova classe de medicação representa uma opção para pacientes que não toleram as estatinas ou para complementar o tratamento, reduzindo o colesterol LDL com menor risco de efeitos colaterais musculares. “Essas medicações são indicadas principalmente para casos em que o paciente apresenta alta resistência ao tratamento convencional, é intolerante às estatinas e ezetimiba, ou mantém níveis elevados de colesterol apesar das terapias padrão”, afirma o cardiologista.   


As injeções, como o inclisirana e os inibidores de pcsk9, ainda são muito caras e, por isso, indicadas para perfis específicos de pacientes com necessidades clínicas graves. “Essas inovações podem mudar muito a maneira dos pacientes verem o tratamento e facilitar muito a adesão ao controle do colesterol, além de abrirem um novo capítulo no manejo da hipercolesterolemia no Brasil e no mundo”, finaliza o especialista.  



Burnout e alimentação: quando o corpo grita, o cuidado começa pelo básico

Nutricionista Alice Paiva explica como uma alimentação equilibrada pode ajudar o corpo a lidar com os impactos do estresse crônico

 

Sentir-se esgotada, sem energia, sem foco e emocionalmente sobrecarregada é mais comum do que se imagina, especialmente em tempos de demandas aceleradas e jornadas exaustivas. O burnout, antes associado apenas ao ambiente de trabalho, hoje é reconhecido como uma síndrome que afeta o corpo todo: altera o sono, afeta a imunidade, desregula o apetite e compromete a saúde mental. Diante desse cenário, a nutricionista esportiva Alice Paiva, especialista em emagrecimento e reeducação alimentar, traz orientações práticas sobre como a alimentação pode ser uma aliada importante na recuperação do equilíbrio físico e emocional. 
 

Quando o corpo entra em colapso 

O burnout ativa o eixo do estresse de forma contínua e desequilibrada. O corpo permanece em estado de alerta, com produção constante de cortisol e picos de adrenalina, o que resulta em exaustão física e emocional. Os sintomas se manifestam de maneira ampla: cansaço extremo, alterações no sono, dores de cabeça, compulsão alimentar, queda na imunidade e até distúrbios gastrointestinais. 

A alimentação, nesse contexto, pode ajudar a reorganizar o organismo. De acordo com Alice Paiva, os alimentos certos atuam como reguladores naturais, ajudando a reduzir inflamações, estabilizar o açúcar no sangue e apoiar o sistema nervoso.
 

Alimentação e saúde mental: uma via de mão dupla 

O que comemos afeta diretamente a produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA, fundamentais para regular humor, sono, foco e disposição. Esses neurotransmissores dependem de nutrientes específicos para serem produzidos. Além disso, o intestino, responsável por boa parte da produção de serotonina, se comunica constantemente com o cérebro, o que reforça ainda mais o papel da alimentação na saúde mental. 

Uma dieta equilibrada, rica em vitaminas, minerais, fibras, antioxidantes e compostos bioativos, oferece ao corpo as ferramentas necessárias para lidar melhor com o estresse, enquanto uma alimentação pobre em nutrientes pode agravar quadros emocionais.
 

Os alimentos que ajudam e os que atrapalham
  

Entre os alimentos que auxiliam na recuperação mental estão os ricos em triptofano, como banana, grão-de-bico, ovos e cacau; os que fornecem ômega-3, como salmão, sardinha, chia e linhaça; e fontes de vitaminas do complexo B, como vegetais verdes escuros e cereais integrais. Polifenóis e antioxidantes, presentes em frutas vermelhas, chá verde, cúrcuma e azeite, também contribuem para a saúde do cérebro. 

Em contrapartida, alguns alimentos são verdadeiros sabotadores do equilíbrio. O consumo excessivo de café pode piorar a ansiedade e o sono. Açúcares simples provocam picos e quedas rápidas de energia e humor. Alimentos ultraprocessados, pobres em nutrientes e ricos em aditivos e gorduras inflamatórias, afetam negativamente o funcionamento cerebral e o bem-estar geral.
 

Mais do que dieta: uma estratégia de cuidado real 

Não existe uma “dieta anti-burnout”, mas sim uma estratégia alimentar pensada para cada fase da recuperação. “O plano nutricional precisa ser possível dentro da rotina da pessoa, respeitando seus limites e desafios. Muitos pacientes, segundo ela, chegam se culpando por falta de disciplina, quando, na verdade, estão apenas exaustos demais para manter hábitos rígidos”, comentou Alice. 

Nesse momento, escuta, empatia e acolhimento fazem parte do processo nutricional. A alimentação entra como ferramenta de recuperação, e não de cobrança. O foco é reorganizar os horários das refeições, oferecer saciedade e bem-estar, evitar longos períodos de jejum e incluir nutrientes que sustentam emocionalmente, como magnésio, ômega-3 e triptofano.
 

Erros comuns em tempos de esgotamento 

Pular refeições, comer por impulso, exagerar no café ou nos doces e esquecer de se hidratar são comportamentos frequentes em quem está sobrecarregado. Esses hábitos, no entanto, agravam o cansaço, reduzem a concentração e desregulam o humor. Pequenas mudanças, como estabelecer horários regulares para comer e manter uma boa ingestão de água, já ajudam a restabelecer o equilíbrio.
 

Recuperação possível e gradual 

O burnout tem tratamento, e a alimentação é parte essencial do processo. Comer bem sinaliza ao corpo que ele está em segurança, o que favorece a restauração hormonal, emocional e energética. A nutrição não age sozinha, mas integra um plano mais amplo de cuidado, que envolve descanso, psicoterapia, movimento corporal e reorganização da rotina. 

"Mais do que contar calorias, o desafio é devolver vitalidade. Uma refeição nutritiva pode não resolver todos os problemas do dia, mas pode ser o primeiro gesto de reconexão com o corpo e com a vida", conclui a nutricionista.
 

Alice Paiva - nutricionista esportiva especializada em emagrecimento e reeducação alimentar. Com vasta experiência no desenvolvimento de estratégias nutricionais personalizadas, Alice se destaca pela abordagem prática e eficaz, que permite a seus pacientes alcançarem seus objetivos de forma saudável e sustentável. Reconhecida pelo trabalho focado na educação alimentar, Alice incentiva escolhas inteligentes e substituições nutricionais que favorecem o equilíbrio e a qualidade de vida, sempre valorizando o sabor e o prazer à mesa.


Como evitar lesões ao praticar exercícios físicos no frio?

Temperaturas baixas exigem mais atenção ao corpo antes e durante os treinos

 

Com a chegada do inverno, o corpo tende a ficar mais rígido, exigindo atenção redobrada na hora de praticar atividades físicas para evitar o risco de lesões. Aquecimento adequado, roupas apropriadas e regularidade nos exercícios são medidas importantes para manter a saúde em dia e evitar contusões nesta época do ano.

Segundo Diogo Van Bavel, coordenador do curso de Educação Física da UNINASSAU Rio de Janeiro, treinar sem o preparo adequado em dias frios aumenta as chances de contusões musculares e articulares. “A transferência térmica entre o corpo e o ambiente é maior no frio e isso interfere diretamente na flexibilidade e contração muscular. Se não houver um bom aquecimento, o risco de lesões aumenta bastante. Para prevenir essas situações, é recomendável que o treino seja iniciado com exercícios leves de mobilidade e alongamento”, alerta.

Outro ponto importante são as roupas. É preciso usar peças adequadas, de preferência em camadas. Isso ajuda a manter a temperatura corporal sem provocar superaquecimento. Além disso, a regularidade dos treinos mesmo no frio é essencial para que o corpo continue adaptado e fortalecido. Com atenção e alguns ajustes, é possível garantir uma rotina ativa e segura durante todo o inverno.

A alimentação equilibrada e a escolha de atividades prazerosas também são estratégias importantes, pois ajudam a manter o corpo aquecido e a evitar o sedentarismo, que costuma se intensificar no inverno. Exercícios ao ar livre, quando bem definidos, também são uma boa opção.

“Aproveite os espaços abertos e menos cheios durante essa época. O ar fresco e o movimento ajudam até na melhora do humor. Além disso, sair da rotina e mudar o ambiente do treino pode trazer mais motivação e tornar a prática mais leve e prazerosa, o que contribui para a constância”, conclui.


Produtividade em excesso ou fuga emocional? O que a rotina não diz, mas o corpo sente

Entre os sintomas mais comuns estão insônia, taquicardia, irritabilidade, tensão muscular persistente e episódios de ansiedade 

 

A obsessão pela produtividade ultrapassou os limites de um traço comportamental desejável e passou a ser reconhecida como um fenômeno de saúde mental. Segundo dados da Fiocruz, mais da metade dos trabalhadores brasileiros apresenta sinais de exaustão mental crônica, efeito direto da pressão por desempenho que, em muitos casos, se aproxima de um padrão compulsivo. 

Para o psicólogo Jair Soares, doutorando em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO), na Argentina, e fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT), o comportamento produtivo excessivo pode funcionar como uma estratégia inconsciente de evitação emocional. “A compulsão por produtividade muitas vezes não tem relação com ambição ou eficiência, mas sim com mecanismos psíquicos de fuga emocional. Muitas pessoas usam o trabalho e o controle como forma de não entrar em contato com feridas emocionais profundas. É uma anestesia socialmente aceita”, afirma.

A hiperprodutividade, explica Soares, atua como um mecanismo de defesa emocional. Sem perceber, o indivíduo transforma a própria rotina em um escudo contra a ansiedade e o medo do vazio. “O vício em produtividade costuma ter origem em experiências passadas de desvalorização, rejeição ou necessidade de aprovação. Quando essas memórias não são processadas, moldam o comportamento adulto e geram uma urgência constante por validação através do fazer”, observa o psicólogo.

O corpo, por sua vez, tende a manifestar os sinais de sobrecarga. Entre os sintomas mais comuns estão insônia, taquicardia, irritabilidade, tensão muscular persistente e episódios de ansiedade. Um levantamento da Associação Brasileira de Psiquiatria mostra que os casos de transtornos de ansiedade cresceram 25% entre 2020 e 2023. 

Mesmo com o fim das restrições impostas pela pandemia, muitos indivíduos mantêm o funcionamento mental em estado de alerta máximo. “É comum que quem vive esse padrão receba elogios por sua eficiência. Mas, por trás da performance, existe uma mente em guerra, que aprendeu a associar relaxamento ao risco. Essas pessoas não descansam porque, emocionalmente, acreditam que não podem”, afirma Soares. 

Como abordagem terapêutica, o psicólogo aplica a Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), método desenvolvido por ele próprio, com foco na reestruturação de memórias que sustentam comportamentos compulsivos. “O método atua com reprocessamento, e não com ressignificação. O objetivo é permitir que corpo e cérebro reconheçam que aquela dor do passado não precisa mais ser evitada. Quando isso acontece, a urgência perde força e a produtividade volta a ser uma escolha, não uma prisão”, explica o especialista.

Para Soares, o alerta é direto. “O novo vício do século não está nas substâncias, mas nos comportamentos que normalizamos. A produtividade descontrolada é uma tentativa de dar conta de dores que não foram escutadas. E isso precisa ser tratado com o mesmo cuidado que qualquer outra dependência emocional ", conclui.

 



Jair Soares dos Santos - psicólogo, terapeuta, hipnólogo, pesquisador e professor, além de ser o fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT). Criador da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), sua trajetória é marcada por desafios pessoais que o motivaram a buscar soluções eficazes para o sofrimento emocional. Após enfrentar episódios de depressão e insatisfação com abordagens terapêuticas tradicionais, Jair dedicou-se ao desenvolvimento de uma metodologia que pudesse proporcionar alívio real e duradouro aos pacientes. Sua formação inclui graduação em Psicologia pela Faculdade Integrada do Recife e especializações em áreas como hipnoterapia e análise comportamental. Atualmente é doutorando em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO) na Argentina, onde desenvolve uma pesquisa com a TRG em pessoas com depressão e ansiedade, alcançando resultados promissores com a remissão dos sintomas nestes participantes. Há mais dois doutorados com a TRG a serem desenvolvidos neste momento.
Para mais informações, visite o Instagram.


Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT)

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Doenças da retina podem avançar silenciosamente e roubar a visão

O Prof. Dr. Michel Farah diz que é importante buscar tratamento e alerta que o avanço da idade, o diabetes e a pressão alta estão entre os fatores de risco

 

O envelhecimento natural do olho e os danos acumulados ao longo do tempo podem afetar a retina de várias maneiras e favorecer o surgimento de doenças oculares. Entre os fatores de risco também estão problemas crônicos de saúde como o diabetes e a hipertensão, assim como a exposição excessiva dos olhos aos raios ultravioleta. 

Localizada no fundo do globo ocular, a retina é uma camada de tecido nervoso que converte a luz em sinais elétricos e os envia ao cérebro, através do nervo óptico, para permitir a formação da imagem que enxergamos. “Muitas vezes as doenças retinianas avançam de forma silenciosa e só são percebidas em uma consulta de rotina”, alerta o Prof. Dr. Michel Farah, oftalmologista do H.Olhos Unidade CEOSP, da rede Vision One. 

De acordo com o médico, o diagnóstico geralmente é feito por meios dos exames do fundo do olho, entre eles o mapeamento da retina, método que possibilita identificar e monitorar diversas doenças oculares. Outro recurso utilizado, que permite avaliar todas as camadas da retina, é a tomografia de coerência óptica. Os dois exames são em geral realizados com dilatação da pupila. 

O Prof. Dr. Michel Farah cita alguns sintomas que podem indicar problemas na retina:

- visão embaçada;

- sensação de insetos voando na frente dos olhos;

- flashes luminosos no campo de visão;

- dificuldade para se adaptar à baixa luminosidade;

- alteração na percepção de cores;

- sensibilidade à luz;

- perda parcial ou total da visão;

- dor ocular, em casos de inflamação ou infecção. 

Uma situação oftalmológica grave que pode ocorrer em qualquer idade e que requer atendimento médico imediato é o descolamento de retina. Geralmente ocorre um rasgo ou ruptura que permite a infiltração de líquido sob a retina separando-a de sua base; essa separação pode impedir a retina de receber oxigênio e os nutrientes adequados, com risco de cegueira. “O principal sintoma é a diminuição do campo de visão, sendo que na maioria dos casos o tratamento é cirúrgico”, afirma o oftalmologista. 

Já entre os idosos, uma condição que merece atenção e que sem tratamento pode causar a perda da visão é a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), doença ocular que afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão detalhada e central. A Retinopatia Diabética, complicação do diabetes que afeta a retina, também oferece riscos e exige cuidados. 

“Fazer o controle rigoroso do nível de glicose no sangue e da pressão arterial é fundamental para reduzir os danos aos vasos sanguíneos da retina e prevenir a progressão da Retinopatia Diabética. Em relação à DMRI, doença que se apresenta nas formas seca e úmida, a prevenção é feita com hábitos saudáveis de vida como evitar o tabagismo, manter uma dieta equilibrada, praticar atividades físicas e utilizar óculos escuros em dias ensolarados”, recomenda o oftalmologista. 

O tratamento é definido com base na doença retiniana e seu estágio. “Hoje podemos oferecer abordagens cada vez mais modernas aos pacientes. Tanto na Retinopatia Diabética, quanto na DMRI úmida, muitos casos são tratados com as injeções intravítreas. Os medicamentos são aplicados diretamente no vítreo, substância transparente que preenche a parte interna do olho, maximizando sua eficácia para melhorar a função da retina com grande segurança", explica o Prof. Dr. Michel Farah. 

“Outra inovação é o uso do Valeda, um equipamento de ponta para tratar a DMRI seca, forma mais comum da doença ocular. O dispositivo utiliza a fotobiomodulação, técnica que emite luzes com 3 comprimentos de onda específicos e de baixa intensidade com o objetivo de estimular as células doentes da retina para que voltem a funcionar de forma mais adequada, possibilitando retardar a progressão da doença e até melhorar um pouco a acuidade visual em certas situações”, complementa o médico. 

Existem diversos tipos de doenças da retina e é importante o paciente passar sempre pela avaliação de um oftalmologista, para receber orientações sobre o diagnóstico e o tratamento mais adequado. Realizar consultas oftalmológicas regularmente também é fundamental para garantir o diagnóstico precoce de possíveis doenças oculares, antes mesmo do aparecimento dos sintomas.


De enjoo à redução do crânio: médico esclarece dúvidas e alerta para riscos

Mitos e verdades sobre Ozempic, Mounjaro e Wegovy: especialista reúne as principais dúvidas dos pacientes no consultório e desmonta crenças infundadas sobre os medicamentos para emagrecimento 

 

Com o aumento expressivo do uso de medicamentos como Ozempic, Mounjaro, Wegovy e Saxenda para fins de emagrecimento, o médico especialista em exercício e esporte, doutor Fernando Hess, faz um alerta: a desinformação tem levado muitos pacientes a enfrentarem efeitos colaterais evitáveis e frustrações com os resultados.   

Pós-doutor em Ciências da Reabilitação e coordenador do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa), Hess relata um crescimento significativo na procura por orientação médica sobre os análogos de GLP-1. “Muitos chegam ao consultório com expectativas irreais e orientações completamente equivocadas, desde a progressão de dose até os pré-requisitos dietéticos durante o tratamento”, afirma o médico.  

Um artigo publicado na PubMed, intitulado “Pancreatitis and GLP-1 receptor agonists” analisou a relação entre o uso desses medicamentos e a ocorrência de pancreatite aguda. O estudo discute evidências de que os agonistas do receptor GLP-1 podem estar associados a um risco aumentado de inflamação pancreática, embora os dados ainda sejam inconclusivos. Acredita-se que o estímulo prolongado do receptor possa levar à hiperplasia das células do ducto pancreático, o que, em alguns casos, pode desencadear inflamação.   

Embora raros, há relatos de casos graves, e até fatais, de pancreatite associados ao uso desses remédios, especialmente em pacientes com fatores de risco prévios, como histórico de pancreatite, consumo excessivo de álcool ou presença de cálculos biliares. Por isso, o Dr. Fernando recomenda cautela e reforça a importância da monitorização de sintomas como dor abdominal intensa, náuseas e vômitos. “É fundamental buscar orientação médica”, alerta Hess.   

Entre os mitos mais recorrentes estão crenças de que as canetas podem aumentar órgãos reprodutores, causar cegueira ou até reduzir o tamanho da cabeça. “Não há qualquer comprovação científica que sustente essas afirmações. São boatos que circulam sem respaldo médico”, esclarece o especialista.   

Erros frequentes no uso das canetas emagrecedoras: segundo o Dr. Hess, os principais equívocos observados entre os pacientes incluem:   

·         Progressão de dose inadequada: muitos iniciam o tratamento com doses elevadas ou aumentam rapidamente, sem respeitar o tempo de adaptação do organismo. 

·         Indicação incorreta: o uso sem avaliação médica pode gerar riscos desnecessários. 

·         Falta de orientação nutricional: a eficácia do tratamento depende de uma alimentação equilibrada e acompanhamento profissional. 

 

Expectativas versus realidade 


A perda de peso varia de pessoa para pessoa, influenciada por fatores como metabolismo, estilo de vida e adesão ao tratamento. “Não existe uma fórmula única. O acompanhamento médico é essencial para ajustar o tratamento às necessidades individuais”, reforça Hess. 

  

Como economizar com segurança 


O médico também destaca que é possível reduzir os custos do tratamento sem comprometer sua eficácia, desde que haja orientação adequada. “Existem estratégias seguras para otimizar o uso da medicação, mas isso exige conhecimento técnico que muitos prescritores ainda não dominam”, pontua o doutor. 

  

Diferenças entre os medicamentos: embora todos atuem como agonistas do GLP-1, há diferenças importantes entre os principais medicamentos disponíveis: 

  

·         Ozempic: originalmente indicado para diabetes tipo 2, tem como efeito secundário a perda de peso. 

·         Wegovy: versão do Ozempic com dosagem específica para o tratamento da obesidade. 

·         Mounjaro: mais recente no Brasil, atua em dois receptores hormonais e apresenta potencial superior de emagrecimento. 

·         Saxenda: um dos primeiros a serem utilizados para obesidade, com mecanismo de ação distinto dos demais.  

O uso das canetas emagrecedoras deve ser sempre acompanhado por profissionais capacitados. “Mais do que emagrecer, é preciso cuidar da saúde com responsabilidade. O medicamento é uma ferramenta, não uma solução mágica”, conclui o doutor Fernando Hess.  

  

Universidade Santo Amaro – Unisa

 

Mito do leite fraco: nutricionista do CEUB revela o que realmente interfere na amamentação

No Agosto Dourado, especialista reforça importância da alimentação e hidratação das lactantes para garantir qualidade do leite materno

 

A crença de que algumas mães produzem “leite fraco” ainda persiste, mas não encontra respaldo na ciência. Em alusão ao Agosto Dourado – mês de incentivo ao aleitamento materno –, a nutricionista e professora do Centro Universitário de Brasília (CEUB) Paloma Popov revela que a composição do leite materno é naturalmente adequada para o bebê e, portanto, não existe leite fraco. O que pode, de fato, interferir na produção e na qualidade do leite são fatores como alimentação desequilibrada e baixa ingestão de líquidos por parte da lactante. 

“O leite materno é uma fonte completa de nutrientes nos primeiros seis meses de vida, com água, proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas, sais minerais e imunoglobulinas, auxilia no desenvolvimento do imunológico, neurológico e metabólico da criança”, explica a especialista. “Com o sistema imunológico fortalecido, a criança combate mais facilmente infecções e doenças", acrescenta Popov. 

Para manter essa composição rica, a mãe deve priorizar uma dieta variada e manter-se bem hidratada. Além de alimentar, o ato de amamentar promove o vínculo entre mãe e filho e traz benefícios para a saúde: reduz os riscos de câncer de mama e colo do útero, além de auxiliar na recuperação pós-parto. “É um processo poderoso tanto do ponto de vista nutricional quanto emocional”, destaca a docente do CEUB. 

O Brasil apresenta índices positivos no início da amamentação: de acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), 96,2% das crianças brasileiras foram amamentadas em algum momento, e 62,4% receberam leite materno já na primeira hora de vida. A média de amamentação ultrapassa 1 ano e 4 meses no país. 

Para mães com dietas restritivas, como vegetarianas ou veganas, a especialista reforça que a amamentação continua sendo segura, desde que a mãe tenha uma alimentação adequada e hidratação suficiente - preferencialmente com acompanhamento profissional. “Existem muitos mitos em relação à força do leite produzido pelas mães, mas a única coisa que pode aumentar a quantidade e qualidade do leite materno é a mãe priorizar uma alimentação balanceada associada à hidratação”.
 

O que é o Agosto Dourado? 

Criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela UNICEF, a Semana Mundial da Amamentação, celebrada em agosto, deu origem ao chamado Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção e conscientização sobre a importância do aleitamento materno. A cor dourada foi escolhida para simbolizar o “padrão ouro” de qualidade do leite materno. A recomendação oficial da OMS e do Ministério da Saúde é o aleitamento exclusivo até os seis meses e complementar até os dois anos ou mais.


Cirurgia robótica é alternativa mais segura para pessoas com câncer de bexiga, aponta especialista

Nova abordagem cirúrgica ganha espaço no tratamento de tumores avançados da doença, que atinge majoritariamente homens acima dos 60 anos 

 

Presença de sangue na urina e incontinência urinária muitas vezes são sintomas comumente associados a infecções urinárias ou ao envelhecimento. No entanto, quando persistem sem causa aparente, esses sinais podem indicar câncer de bexiga, uma neoplasia maligna que atinge os tecidos da bexiga urinária e é mais prevalente entre homens acima dos 60 anos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 11.370 novos casos da doença em 2025, sendo 7.870 em homens e 3.500 em mulheres. 

A maioria dos casos se manifesta de forma superficial, afetando a camada mais interna da bexiga, chamada de mucosa. Nesses casos, o tumor ainda não invadiu partes mais profundas da bexiga ou de outros órgãos. O principal fator de risco para desenvolver a doença é o tabagismo. “Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores as chances de sucesso no tratamento. Quando o tempo entre o aparecimento dos sintomas e o início do tratamento passa de oito semanas, há risco de progressão para formas mais invasivas”, explica André Berger, urologista e coordenador do Núcleo de Medicina Robótica do Hospital Moinhos de Vento. 

Nos casos mais avançados, quando o tumor invade camadas mais profundas ou órgãos vizinhos, o tratamento pode incluir a cistectomia radical (remoção da bexiga), dos gânglios linfáticos e reconstrução do trato urinário. Um procedimento que antes só poderia ser feito por via aberta com cortes extensos acompanhado de uma longa recuperação. Graças ao uso da cirurgia robótica isso vem sendo transformado através de um processo menos invasivo e com melhores resultados na recuperação do paciente. 

A técnica permite a retirada da bexiga e dos gânglios linfáticos por pequenas incisões, seguida da reconstrução do trato urinário com parte do intestino. O procedimento resulta em menor perda sanguínea, sobrevida livre de progressão da doença¹ e internação geralmente dura menos de uma semana. “Apesar da cirurgia robótica ter uma duração maior, de 4 a 5 horas, ela reduz sangramentos, a necessidade de transfusões, o risco de infecções no local da incisão e o tempo de internação do paciente. O que a torna uma opção mais segura e menos invasiva, especialmente para idosos, que costumam ter maior fragilidade clínica”, afirma Berger. 

No Hospital Moinhos de Vento, são realizados anualmente mais de 50 procedimentos do tipo, principalmente em pacientes idosos, sempre com o suporte de uma equipe multiprofissional. Berger complementa, “Cada paciente requer uma abordagem personalizada. A integração entre diferentes especialidades garante decisões mais precisas e seguras. Em pacientes idosos, por exemplo, muitas vezes há outras comorbidades – como doenças cardiovasculares ou pulmonares –, além de casos de desnutrição. Por isso, esses pacientes precisam de um plano nutricional adequado e de preparação pré-operatória”. 

Além da cirurgia, o tratamento também pode incluir o uso de medicamentos que ativam o sistema imunológico contra as células tumorais. Dependendo das características do tumor, essa abordagem é indicada para reduzir o risco de recorrência, especialmente em tumores superficiais de comportamento agressivo.
 

¹ Estudo sobre Cistectomia radical aberta versus assistida por robótica: um ensaio randomizado. Link 


Hospital Moinhos de Vento
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Quando o acesso transforma: o que a jornada de uma paciente revela sobre as doenças raras no Brasil

Com diagnósticos desafiadores e tratamentos de alto custo, pacientes com doenças raras enfrentam um sistema ainda pouco preparado para acolher suas jornadas no Brasil 

 

Receber o diagnóstico de uma doença rara foi um baque para Thais Cândido. Ela não aceitava que, entre milhões de pessoas, justo ela tivesse a Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), uma doença que afeta apenas 1,3 pessoas a cada milhão.1 “Eu precisei entender e aceitar aquele diagnóstico, porque, se eu não aceitasse, teria duas batalhas pela frente: a da doença e a da negação", diz Thais. 

A HPN é uma doença rara, causada por uma mutação genética que gera insuficiência na atuação da medula óssea, o que pode levar à sua destruição prematura dentro dos vasos sanguíneos por mecanismos regulares de defesa do próprio corpo, o sistema complemento. A doença pode causar danos a órgãos prioritários, como rins e pulmões, e a formação excessiva de coágulos que podem vir a bloquear o fluxo sanguíneo.1 

Natural de Olinda, Thais tem 31 anos e recebeu o seu diagnóstico há dez. Antes de descobrir o que tinha, ela costumava sentir muito cansaço, fadiga e chegava até a ter desmaios, mas achava que esses sintomas eram efeitos de uma rotina cansativa. Em um dos episódios mais críticos, sua hemoglobina caiu a 1,5 g/dL (o normal para mulheres varia entre 12,0 e 15,5 g/dL). “Eu estava praticamente morta. Tenho esse exame guardado até hoje, pois ele é uma lembrança de que eu cheguei até aqui e existe um propósito para a minha vida”, conta. 

 
Arquivo Pessoal/Thais Cândido

Foram anos até o diagnóstico correto. Nesse caminho, Thais passou por diversos médicos e hospitais que não conseguiam identificar a causa da sua hemoglobina baixa. Quando a resposta ainda parecia distante, Thais foi atendida em um hospital da rede pública de saúde da sua cidade, onde foi encaminhada à Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (HEMOPE). Lá ela realizou diversos exames, entre eles, a imunofenotipagem por citometria de fluxo, que analisa o sangue para identificar as células doentes. Após uma longa e difícil busca por respostas, ela finalmente recebeu a notícia que transformaria a sua vida. 

Mas Thais não caminhou sozinha. O apoio da família, de amigos e da associação de pacientes foi crucial. “Ninguém na minha família tinha sequer ouvido falar na doença. Mas eles estiveram comigo o tempo todo. Eu não teria conseguido sem isso”, afirma. Segundo Ana Paula Azambuja, hematologista responsável pelo ambulatório de HPN e anemia aplástica do HC de Curitiba/PR, a HPN não é uma doença hereditária, ou seja, não passa de pais para filhos. Ela é causada por uma mutação adquirida ao longo da vida em uma célula da medula óssea, e pessoas com doenças da medula óssea, como anemia aplástica, têm maior risco de desenvolvê-la. 

A HPN pode resultar em complicações graves como trombose, anemia severa, fadiga, hemoglobinúria, envolvimento renal, dor abdominal, disfagia (dificuldade de deglutição) e dispneia (falta de ar).2 De acordo com Ana Paula, os principais tratamentos para a doença são medicamentos que bloqueiam uma parte do sistema complemento, impedindo a destruição das células sanguíneas. Eles ajudam a controlar os sintomas, reduzem o risco de trombose e melhoram a qualidade de vida do paciente. 

Após o diagnóstico, Thais iniciou alguns tratamentos, mas não teve resultados expressivos — até começar a usar a pegcetacoplana. Em um mês, os benefícios do tratamento começaram a aparecer. “Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, eu sou muito grata a Deus e a todos que correram atrás dessa terapia junto comigo”, afirma. Além da melhora clínica, o impacto foi emocional. A icterícia, característica da doença, deixava sua pele e os olhos amarelados, afetando diretamente sua autoestima. “A medicação não trouxe só saúde. Trouxe de volta a vontade de viver”, ela compartilha. 

A jornada de Thais é parecida com a de muitos pacientes com doenças raras no Brasil. O país ainda enfrenta entraves importantes na incorporação e disponibilização de terapias inovadoras no sistema público e privado, além de desafios para o diagnóstico precoce das doenças e para a disseminação de conhecimento técnico entre profissionais da ponta. A hematologista Ana Paula explica que esses tratamentos representam um grande avanço da medicina, já que, até pouco tempo atrás, a maioria das doenças raras como a HPN, não tinha tratamento específico. “As terapias inovadoras aumentam a sobrevida, controlam sintomas graves e devolvem autonomia aos pacientes. A falta de acesso a elas causa atrasos e incertezas no cuidado médico dessas doenças”, complementa. 

Para Ângelo Maiolino, médico hematologista e presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), que é um defensor ativo do acesso a essas terapias e reforça que o inconformismo aliado à inovação e à busca por excelência clínica é um motor poderoso para transformar realidades. "O acesso às novas terapias fez a diferença na vida de milhares de pacientes. Nosso papel é continuar inconformados, buscar inovação e pressionar por sua incorporação”, afirmou o especialista durante a 2ª edição do SPHERE – Summit Pint Pharma in Hematology and Rare Diseases, realizada em abril de 2025. 

Inconformismo que vai além da busca por tratamentos inovadores mas que precisa fazer parte de toda a cadeia envolvida na jornada de um paciente raro. Pacientes precisam se inconformar com a falta de acesso a tratamentos, médicos e outros profissionais da saúde precisam sair da zona de conforto de “apenas clinicar ou receitar um medicamento” e assumir um protagonismo pela causa, e associações precisam buscar caminhos para transformar o cenário de raras no Brasil. Não se conformar é a chave para mudanças. 

Para Thais, o diagnóstico já não é mais uma sentença. Ela ressignificou muitos aspectos na sua vida com o descobrimento da doença e transformou a dificuldade em força. Porém, ela sabe que existem muitas pessoas que continuam esperando, procurando respostas, tentando sobreviver ao desconhecido, e deseja que todas as pessoas possam ter a rede de apoio que ela teve, com família, médicos e associações empenhados em facilitar a caminhada desses pacientes.

 




Referências

1 BRASIL. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC). Relatório de recomendação nº 954 - Pegcetacoplana para o tratamento de pacientes adultos com hemoglobinúria paroxística noturna previamente tratados com inibidores do complemento. Brasília: CONITEC, dez. 2024. Disponível em:Link Acesso em: 02 jul. 2025.

2 Parker C., et al. (2016). "Diagnosis and management of paroxysmal nocturnal hemoglobinuria." Blood, 127(3): 420-427. doi:10.1182/blood-2015-11-620666.



Por que perder peso não significa emagrecer?

Luta contra a obesidade e o emagrecimento vai além dos números indicados pela balança

 

É comum encontrar pessoas que lutam contra a perda de peso e até têm resultados na balança, mas fisicamente a gordura localizada permanece no corpo. Enquanto o peso corporal total engloba músculos, ossos, líquidos e gordura, emagrecer refere-se especificamente à redução da gordura corporal. Portanto, é possível perder peso eliminando líquidos ou massa muscular, sem que haja uma diminuição significativa da gordura.

Estudos científicos reforçam essa distinção entre perda de peso e emagrecimento. Uma pesquisa publicada no Journal of Obesity & Metabolic Syndrome, em 2020, demonstrou que intervenções focadas apenas na balança podem resultar em perda de massa muscular e líquidos, mas com pouca ou nenhuma redução significativa na gordura corporal.

Segundo o estudo, estratégias de emagrecimento eficazes precisam priorizar a redução da gordura visceral, especialmente a abdominal, em vez da simples queda numérica no peso total. Além da luta contra medidas, essa diferença é essencial para ganhos reais em saúde metabólica no geral e ajuda na prevenção de doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão.

Para além da contagem de calorias e das dietas passageiras, o emagrecimento sustentável exige uma compreensão mais profunda do funcionamento do corpo humano. “Essas células não desaparecem com a perda de peso. Elas apenas encolhem. E se os hábitos inadequados retornarem, elas voltam a se expandir. É por isso que a manutenção do peso exige mudanças contínuas na rotina e acompanhamento com profissionais especializados”, afirma o gastroenterologista e cirurgião geral Mauro Lúcio Jácome, diretor da Clínica Cronos. 

Muito além do que indica a fita métrica, a obesidade é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos maiores problemas de saúde pública do Século XXI. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2023 revelaram que cerca de 22% da população adulta é obesa, enquanto mais da metade, 56,8%, está com excesso de peso.

Ampliando a magnitude, no mundo, a situação é igualmente alarmante. Um relatório da própria OMS de 2022 estimou que mais de 1 bilhão de pessoas convivem com sobrepeso ou obesidade. Isso inclui 650 milhões de adultos, 340 milhões de adolescentes e ainda 39 milhões de crianças.

Contudo, para Dr. Mauro, o desafio, no entanto, vai além da balança. “Perder peso é só o começo. O mais difícil é sustentar a perda. Trata-se de um processo multifatorial e mais complexo, que exige até mesmo acompanhamento contínuo e regularidade nos seus processos. Isso inclui uma equipe multidisciplinar, seja com nutricionista, endocrinologista, psicólogo e até mesmo o educador físico”, completa.

Entretanto, o avanço da medicina tem ampliado as alternativas terapêuticas para pessoas com obesidade. “Procedimentos como a cirurgia bariátrica e a colocação do balão intragástrico são cada vez mais recomendados, especialmente em casos nos quais a reeducação alimentar e a atividade física não geram os resultados necessários. O balão intragástrico, por exemplo, ocupa parte do estômago e contribui para a saciedade precoce. Já a bariátrica, indicada para obesidade grau II com comorbidades ou grau III, promove uma alteração estrutural no trato gastrointestinal com impacto direto na absorção de calorias”, acrescenta o médico.

Seja qual for o caminho, o combate à obesidade exige, portanto, uma abordagem ampla, baseada em evidências científicas, ações de saúde pública e, sobretudo, educação continuada da população. Afinal, como mostram os dados, a gordura pode até diminuir, mas ela permanece à espreita, pronta para voltar se o corpo for negligenciado.

“O ganho de peso não acontece do dia para a noite. O quadro de obesidade é progressivo, baseado no acúmulo de maus hábitos que, por meses e até anos, seguem lineares. O emagrecimento é como se fosse um combate a esse tempo de ganho. O paciente precisa ter paciência, mudar a rotina e levar isso adiante. Sem desanimar. Só assim as células de gordura vão perder seu tamanho e o emagrecimento acontecerá de verdade, tanto na balança quanto no espelho”, finaliza Dr. Mauro.

 

APAEs não são coisa do passado

 

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Como expresso no título desse texto, as APAEs não são coisa do passado. Pelo contrário, as escolas especializadas são parte inescapável do futuro, a não ser que decidamos nos afastar dos princípios fundamentais dos Direitos Humanos e abandonar as pessoas com deficiência com quadros com maior comprometimento.

Desde há muito se faz, no Brasil, o discurso de que salas e escolas especializadas são “coisa do passado”, “retrocesso” e que o único espaço de escolarização das pessoas com deficiência é a sala comum. Mas como definir se algo é ultrapassado? Como saber se a adoção de uma certa abordagem é um retrocesso?

É difícil responder a essa provocação, mas sigamos aqui duas diretrizes: a) olhando para os países desenvolvidos; b) olhando para os resultados de pesquisa que avaliem os desfechos daquilo que se propõe.

Então vamos começar pelos países desenvolvidos: no caso dos autistas, nos EUA cerca de 5,4% estão em escolas especializadas, enquanto na Finlândia são cerca de 8,6%, só para ficar em dois exemplos. Se for melhor uma afirmação mais peremptória, neste caso, ela é fácil – não existe nenhum país desenvolvido no planeta que tenha acabado com as escolas especializadas.

O segundo tópico, os resultados de pesquisa, é muito mais complexo, uma vez que não dá para fazer estudos randomizados em que os cientistas decidem a vida escolar de crianças com deficiência, essa é uma decisão dos pais, que tende a encaminhar casos com maior comprometimento para escolas especializadas e com menor comprometimento para escolas comuns, é o natural, mais dificulta a vida do pobre cientista.

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Dentro de uma avaliação compreensiva de todo o conjunto de pesquisas disponível, entende-se que a escola comum é o melhor ambiente de escolarização da maior parte dos estudantes com deficiência, lá eles aprendem mais, fazem mais amizade e, de quebra, ajudam os colegas sem deficiência a lidarem melhor com a diversidade do mundo.

Mas esta não é a verdade para todos os alunos, uma porção com maior comprometimento, normalmente autistas de nível 3, alunos com deficiências múltiplas ou com Deficiência Intelectual grave ou profunda, se beneficiam mais de escolas especializadas.

Nas escolas comuns esses alunos não aprendem o currículo e também não socializam. Para eles, uma escola altamente especializada e com forte integração terapêutica é a melhor hipótese, inclusive a que produz as melhores taxas de empregabilidade na vida adulta.

Não resta dúvida, as escolas especializadas, em geral e as APAEs, em específico, não estão em nosso passado, estão no horizonte, ao menos se quisermos apoiar da melhor forma possível as pessoas com deficiência com maior comprometimento!

 

Lucelmo Lacerda - doutor em educação, pesquisador na Universidade da Carolina do Norte (EUA), ativista do TEA e autor de “Crítica à pseudociência em educação especial”.

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