Entre os sintomas
mais comuns estão insônia, taquicardia, irritabilidade, tensão muscular
persistente e episódios de ansiedade
A obsessão pela produtividade ultrapassou os
limites de um traço comportamental desejável e passou a ser reconhecida como um
fenômeno de saúde mental. Segundo dados da Fiocruz, mais da metade dos
trabalhadores brasileiros apresenta sinais de exaustão mental crônica, efeito
direto da pressão por desempenho que, em muitos casos, se aproxima de um padrão
compulsivo.
Para o psicólogo Jair Soares, doutorando
em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO), na Argentina, e fundador do
Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT),
o comportamento produtivo excessivo pode funcionar como uma estratégia
inconsciente de evitação emocional. “A compulsão por produtividade muitas vezes
não tem relação com ambição ou eficiência, mas sim com mecanismos psíquicos de
fuga emocional. Muitas pessoas usam o trabalho e o controle como forma de não
entrar em contato com feridas emocionais profundas. É uma anestesia socialmente
aceita”, afirma.
A hiperprodutividade, explica Soares, atua como um
mecanismo de defesa emocional. Sem perceber, o indivíduo transforma a própria
rotina em um escudo contra a ansiedade e o medo do vazio. “O vício em
produtividade costuma ter origem em experiências passadas de desvalorização,
rejeição ou necessidade de aprovação. Quando essas memórias não são
processadas, moldam o comportamento adulto e geram uma urgência constante por
validação através do fazer”, observa o psicólogo.
O corpo, por sua vez, tende a manifestar os sinais
de sobrecarga. Entre os sintomas mais comuns estão insônia, taquicardia,
irritabilidade, tensão muscular persistente e episódios de ansiedade. Um
levantamento da Associação Brasileira de Psiquiatria mostra que os casos de
transtornos de ansiedade cresceram 25% entre 2020 e 2023.
Mesmo com o fim das restrições impostas pela pandemia, muitos indivíduos mantêm o funcionamento mental em estado de alerta máximo. “É comum que quem vive esse padrão receba elogios por sua eficiência. Mas, por trás da performance, existe uma mente em guerra, que aprendeu a associar relaxamento ao risco. Essas pessoas não descansam porque, emocionalmente, acreditam que não podem”, afirma Soares.
Como abordagem terapêutica, o psicólogo aplica a
Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), método desenvolvido por ele
próprio, com foco na reestruturação de memórias que sustentam comportamentos
compulsivos. “O método atua com reprocessamento, e não com ressignificação. O
objetivo é permitir que corpo e cérebro reconheçam que aquela dor do passado
não precisa mais ser evitada. Quando isso acontece, a urgência perde força e a
produtividade volta a ser uma escolha, não uma prisão”, explica o especialista.
Para Soares, o alerta é direto. “O novo vício do século não está nas substâncias, mas nos comportamentos que normalizamos. A produtividade descontrolada é uma tentativa de dar conta de dores que não foram escutadas. E isso precisa ser tratado com o mesmo cuidado que qualquer outra dependência emocional ", conclui.
Jair Soares dos Santos - psicólogo, terapeuta, hipnólogo, pesquisador e professor, além de ser o fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT). Criador da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), sua trajetória é marcada por desafios pessoais que o motivaram a buscar soluções eficazes para o sofrimento emocional. Após enfrentar episódios de depressão e insatisfação com abordagens terapêuticas tradicionais, Jair dedicou-se ao desenvolvimento de uma metodologia que pudesse proporcionar alívio real e duradouro aos pacientes. Sua formação inclui graduação em Psicologia pela Faculdade Integrada do Recife e especializações em áreas como hipnoterapia e análise comportamental. Atualmente é doutorando em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO) na Argentina, onde desenvolve uma pesquisa com a TRG em pessoas com depressão e ansiedade, alcançando resultados promissores com a remissão dos sintomas nestes participantes. Há mais dois doutorados com a TRG a serem desenvolvidos neste momento.
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