Nutricionista Alice Paiva explica como uma alimentação equilibrada pode ajudar o corpo a lidar com os impactos do estresse crônico
Sentir-se
esgotada, sem energia, sem foco e emocionalmente sobrecarregada é mais comum do
que se imagina, especialmente em tempos de demandas aceleradas e jornadas
exaustivas. O burnout, antes associado apenas ao ambiente de trabalho, hoje é
reconhecido como uma síndrome que afeta o corpo todo: altera o sono, afeta a
imunidade, desregula o apetite e compromete a saúde mental. Diante desse
cenário, a nutricionista esportiva Alice Paiva, especialista em emagrecimento e
reeducação alimentar, traz orientações práticas sobre como a alimentação pode
ser uma aliada importante na recuperação do equilíbrio físico e emocional.
Quando o corpo entra em colapso
O
burnout ativa o eixo do estresse de forma contínua e desequilibrada. O corpo
permanece em estado de alerta, com produção constante de cortisol e picos de
adrenalina, o que resulta em exaustão física e emocional. Os sintomas se
manifestam de maneira ampla: cansaço extremo, alterações no sono, dores de
cabeça, compulsão alimentar, queda na imunidade e até distúrbios
gastrointestinais.
A
alimentação, nesse contexto, pode ajudar a reorganizar o organismo. De acordo
com Alice Paiva, os alimentos certos atuam como reguladores naturais, ajudando
a reduzir inflamações, estabilizar o açúcar no sangue e apoiar o sistema
nervoso.
Alimentação e saúde mental: uma via de mão dupla
O
que comemos afeta diretamente a produção de neurotransmissores como serotonina,
dopamina e GABA, fundamentais para regular humor, sono, foco e disposição.
Esses neurotransmissores dependem de nutrientes específicos para serem
produzidos. Além disso, o intestino, responsável por boa parte da produção de
serotonina, se comunica constantemente com o cérebro, o que reforça ainda mais
o papel da alimentação na saúde mental.
Uma
dieta equilibrada, rica em vitaminas, minerais, fibras, antioxidantes e
compostos bioativos, oferece ao corpo as ferramentas necessárias para lidar
melhor com o estresse, enquanto uma alimentação pobre em nutrientes pode
agravar quadros emocionais.
Os alimentos que ajudam e os que atrapalham
Entre os alimentos que auxiliam na recuperação mental estão os ricos em triptofano, como banana, grão-de-bico, ovos e cacau; os que fornecem ômega-3, como salmão, sardinha, chia e linhaça; e fontes de vitaminas do complexo B, como vegetais verdes escuros e cereais integrais. Polifenóis e antioxidantes, presentes em frutas vermelhas, chá verde, cúrcuma e azeite, também contribuem para a saúde do cérebro.
Em
contrapartida, alguns alimentos são verdadeiros sabotadores do equilíbrio. O
consumo excessivo de café pode piorar a ansiedade e o sono. Açúcares simples
provocam picos e quedas rápidas de energia e humor. Alimentos ultraprocessados,
pobres em nutrientes e ricos em aditivos e gorduras inflamatórias, afetam negativamente
o funcionamento cerebral e o bem-estar geral.
Mais do que dieta: uma estratégia de cuidado real
Não
existe uma “dieta anti-burnout”, mas sim uma estratégia alimentar pensada para
cada fase da recuperação. “O plano nutricional precisa ser possível dentro
da rotina da pessoa, respeitando seus limites e desafios. Muitos pacientes,
segundo ela, chegam se culpando por falta de disciplina, quando, na verdade,
estão apenas exaustos demais para manter hábitos rígidos”, comentou Alice.
Nesse
momento, escuta, empatia e acolhimento fazem parte do processo nutricional. A
alimentação entra como ferramenta de recuperação, e não de cobrança. O foco é
reorganizar os horários das refeições, oferecer saciedade e bem-estar, evitar
longos períodos de jejum e incluir nutrientes que sustentam emocionalmente,
como magnésio, ômega-3 e triptofano.
Erros comuns em tempos de esgotamento
Pular
refeições, comer por impulso, exagerar no café ou nos doces e esquecer de se
hidratar são comportamentos frequentes em quem está sobrecarregado. Esses
hábitos, no entanto, agravam o cansaço, reduzem a concentração e desregulam o
humor. Pequenas mudanças, como estabelecer horários regulares para comer e
manter uma boa ingestão de água, já ajudam a restabelecer o equilíbrio.
Recuperação possível e gradual
O
burnout tem tratamento, e a alimentação é parte essencial do processo. Comer
bem sinaliza ao corpo que ele está em segurança, o que favorece a restauração
hormonal, emocional e energética. A nutrição não age sozinha, mas integra um
plano mais amplo de cuidado, que envolve descanso, psicoterapia, movimento
corporal e reorganização da rotina.
"Mais
do que contar calorias, o desafio é devolver vitalidade. Uma refeição nutritiva
pode não resolver todos os problemas do dia, mas pode ser o primeiro gesto de
reconexão com o corpo e com a vida", conclui a nutricionista.
Alice Paiva - nutricionista
esportiva especializada em emagrecimento e reeducação alimentar. Com vasta
experiência no desenvolvimento de estratégias nutricionais personalizadas,
Alice se destaca pela abordagem prática e eficaz, que permite a seus pacientes
alcançarem seus objetivos de forma saudável e sustentável. Reconhecida pelo
trabalho focado na educação alimentar, Alice incentiva escolhas inteligentes e
substituições nutricionais que favorecem o equilíbrio e a qualidade de vida,
sempre valorizando o sabor e o prazer à mesa.
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