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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Burnout e alimentação: quando o corpo grita, o cuidado começa pelo básico

Nutricionista Alice Paiva explica como uma alimentação equilibrada pode ajudar o corpo a lidar com os impactos do estresse crônico

 

Sentir-se esgotada, sem energia, sem foco e emocionalmente sobrecarregada é mais comum do que se imagina, especialmente em tempos de demandas aceleradas e jornadas exaustivas. O burnout, antes associado apenas ao ambiente de trabalho, hoje é reconhecido como uma síndrome que afeta o corpo todo: altera o sono, afeta a imunidade, desregula o apetite e compromete a saúde mental. Diante desse cenário, a nutricionista esportiva Alice Paiva, especialista em emagrecimento e reeducação alimentar, traz orientações práticas sobre como a alimentação pode ser uma aliada importante na recuperação do equilíbrio físico e emocional. 
 

Quando o corpo entra em colapso 

O burnout ativa o eixo do estresse de forma contínua e desequilibrada. O corpo permanece em estado de alerta, com produção constante de cortisol e picos de adrenalina, o que resulta em exaustão física e emocional. Os sintomas se manifestam de maneira ampla: cansaço extremo, alterações no sono, dores de cabeça, compulsão alimentar, queda na imunidade e até distúrbios gastrointestinais. 

A alimentação, nesse contexto, pode ajudar a reorganizar o organismo. De acordo com Alice Paiva, os alimentos certos atuam como reguladores naturais, ajudando a reduzir inflamações, estabilizar o açúcar no sangue e apoiar o sistema nervoso.
 

Alimentação e saúde mental: uma via de mão dupla 

O que comemos afeta diretamente a produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA, fundamentais para regular humor, sono, foco e disposição. Esses neurotransmissores dependem de nutrientes específicos para serem produzidos. Além disso, o intestino, responsável por boa parte da produção de serotonina, se comunica constantemente com o cérebro, o que reforça ainda mais o papel da alimentação na saúde mental. 

Uma dieta equilibrada, rica em vitaminas, minerais, fibras, antioxidantes e compostos bioativos, oferece ao corpo as ferramentas necessárias para lidar melhor com o estresse, enquanto uma alimentação pobre em nutrientes pode agravar quadros emocionais.
 

Os alimentos que ajudam e os que atrapalham
  

Entre os alimentos que auxiliam na recuperação mental estão os ricos em triptofano, como banana, grão-de-bico, ovos e cacau; os que fornecem ômega-3, como salmão, sardinha, chia e linhaça; e fontes de vitaminas do complexo B, como vegetais verdes escuros e cereais integrais. Polifenóis e antioxidantes, presentes em frutas vermelhas, chá verde, cúrcuma e azeite, também contribuem para a saúde do cérebro. 

Em contrapartida, alguns alimentos são verdadeiros sabotadores do equilíbrio. O consumo excessivo de café pode piorar a ansiedade e o sono. Açúcares simples provocam picos e quedas rápidas de energia e humor. Alimentos ultraprocessados, pobres em nutrientes e ricos em aditivos e gorduras inflamatórias, afetam negativamente o funcionamento cerebral e o bem-estar geral.
 

Mais do que dieta: uma estratégia de cuidado real 

Não existe uma “dieta anti-burnout”, mas sim uma estratégia alimentar pensada para cada fase da recuperação. “O plano nutricional precisa ser possível dentro da rotina da pessoa, respeitando seus limites e desafios. Muitos pacientes, segundo ela, chegam se culpando por falta de disciplina, quando, na verdade, estão apenas exaustos demais para manter hábitos rígidos”, comentou Alice. 

Nesse momento, escuta, empatia e acolhimento fazem parte do processo nutricional. A alimentação entra como ferramenta de recuperação, e não de cobrança. O foco é reorganizar os horários das refeições, oferecer saciedade e bem-estar, evitar longos períodos de jejum e incluir nutrientes que sustentam emocionalmente, como magnésio, ômega-3 e triptofano.
 

Erros comuns em tempos de esgotamento 

Pular refeições, comer por impulso, exagerar no café ou nos doces e esquecer de se hidratar são comportamentos frequentes em quem está sobrecarregado. Esses hábitos, no entanto, agravam o cansaço, reduzem a concentração e desregulam o humor. Pequenas mudanças, como estabelecer horários regulares para comer e manter uma boa ingestão de água, já ajudam a restabelecer o equilíbrio.
 

Recuperação possível e gradual 

O burnout tem tratamento, e a alimentação é parte essencial do processo. Comer bem sinaliza ao corpo que ele está em segurança, o que favorece a restauração hormonal, emocional e energética. A nutrição não age sozinha, mas integra um plano mais amplo de cuidado, que envolve descanso, psicoterapia, movimento corporal e reorganização da rotina. 

"Mais do que contar calorias, o desafio é devolver vitalidade. Uma refeição nutritiva pode não resolver todos os problemas do dia, mas pode ser o primeiro gesto de reconexão com o corpo e com a vida", conclui a nutricionista.
 

Alice Paiva - nutricionista esportiva especializada em emagrecimento e reeducação alimentar. Com vasta experiência no desenvolvimento de estratégias nutricionais personalizadas, Alice se destaca pela abordagem prática e eficaz, que permite a seus pacientes alcançarem seus objetivos de forma saudável e sustentável. Reconhecida pelo trabalho focado na educação alimentar, Alice incentiva escolhas inteligentes e substituições nutricionais que favorecem o equilíbrio e a qualidade de vida, sempre valorizando o sabor e o prazer à mesa.


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