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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Cirurgia robótica é alternativa mais segura para pessoas com câncer de bexiga, aponta especialista

Nova abordagem cirúrgica ganha espaço no tratamento de tumores avançados da doença, que atinge majoritariamente homens acima dos 60 anos 

 

Presença de sangue na urina e incontinência urinária muitas vezes são sintomas comumente associados a infecções urinárias ou ao envelhecimento. No entanto, quando persistem sem causa aparente, esses sinais podem indicar câncer de bexiga, uma neoplasia maligna que atinge os tecidos da bexiga urinária e é mais prevalente entre homens acima dos 60 anos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 11.370 novos casos da doença em 2025, sendo 7.870 em homens e 3.500 em mulheres. 

A maioria dos casos se manifesta de forma superficial, afetando a camada mais interna da bexiga, chamada de mucosa. Nesses casos, o tumor ainda não invadiu partes mais profundas da bexiga ou de outros órgãos. O principal fator de risco para desenvolver a doença é o tabagismo. “Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores as chances de sucesso no tratamento. Quando o tempo entre o aparecimento dos sintomas e o início do tratamento passa de oito semanas, há risco de progressão para formas mais invasivas”, explica André Berger, urologista e coordenador do Núcleo de Medicina Robótica do Hospital Moinhos de Vento. 

Nos casos mais avançados, quando o tumor invade camadas mais profundas ou órgãos vizinhos, o tratamento pode incluir a cistectomia radical (remoção da bexiga), dos gânglios linfáticos e reconstrução do trato urinário. Um procedimento que antes só poderia ser feito por via aberta com cortes extensos acompanhado de uma longa recuperação. Graças ao uso da cirurgia robótica isso vem sendo transformado através de um processo menos invasivo e com melhores resultados na recuperação do paciente. 

A técnica permite a retirada da bexiga e dos gânglios linfáticos por pequenas incisões, seguida da reconstrução do trato urinário com parte do intestino. O procedimento resulta em menor perda sanguínea, sobrevida livre de progressão da doença¹ e internação geralmente dura menos de uma semana. “Apesar da cirurgia robótica ter uma duração maior, de 4 a 5 horas, ela reduz sangramentos, a necessidade de transfusões, o risco de infecções no local da incisão e o tempo de internação do paciente. O que a torna uma opção mais segura e menos invasiva, especialmente para idosos, que costumam ter maior fragilidade clínica”, afirma Berger. 

No Hospital Moinhos de Vento, são realizados anualmente mais de 50 procedimentos do tipo, principalmente em pacientes idosos, sempre com o suporte de uma equipe multiprofissional. Berger complementa, “Cada paciente requer uma abordagem personalizada. A integração entre diferentes especialidades garante decisões mais precisas e seguras. Em pacientes idosos, por exemplo, muitas vezes há outras comorbidades – como doenças cardiovasculares ou pulmonares –, além de casos de desnutrição. Por isso, esses pacientes precisam de um plano nutricional adequado e de preparação pré-operatória”. 

Além da cirurgia, o tratamento também pode incluir o uso de medicamentos que ativam o sistema imunológico contra as células tumorais. Dependendo das características do tumor, essa abordagem é indicada para reduzir o risco de recorrência, especialmente em tumores superficiais de comportamento agressivo.
 

¹ Estudo sobre Cistectomia radical aberta versus assistida por robótica: um ensaio randomizado. Link 


Hospital Moinhos de Vento
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