Nova abordagem cirúrgica ganha espaço no tratamento de tumores avançados da doença, que atinge majoritariamente homens acima dos 60 anos
Presença
de sangue na urina e incontinência urinária muitas vezes são sintomas comumente
associados a infecções urinárias ou ao envelhecimento. No entanto, quando
persistem sem causa aparente, esses sinais podem indicar câncer de bexiga, uma
neoplasia maligna que atinge os tecidos da bexiga urinária e é mais prevalente
entre homens acima dos 60 anos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA),
o Brasil deverá registrar 11.370 novos casos da doença em 2025, sendo 7.870 em
homens e 3.500 em mulheres.
A
maioria dos casos se manifesta de forma superficial, afetando a camada mais
interna da bexiga, chamada de mucosa. Nesses casos, o tumor ainda não invadiu
partes mais profundas da bexiga ou de outros órgãos. O principal fator de risco
para desenvolver a doença é o tabagismo. “Quanto mais precoce for o
diagnóstico, maiores as chances de sucesso no tratamento. Quando o tempo entre
o aparecimento dos sintomas e o início do tratamento passa de oito semanas, há
risco de progressão para formas mais invasivas”, explica André Berger,
urologista e coordenador do Núcleo de Medicina Robótica do Hospital
Moinhos de Vento.
Nos
casos mais avançados, quando o tumor invade camadas mais profundas ou órgãos
vizinhos, o tratamento pode incluir a cistectomia radical (remoção da bexiga),
dos gânglios linfáticos e reconstrução do trato urinário. Um procedimento que
antes só poderia ser feito por via aberta com cortes extensos acompanhado de
uma longa recuperação. Graças ao uso da cirurgia robótica isso vem sendo
transformado através de um processo menos invasivo e com melhores resultados na
recuperação do paciente.
A
técnica permite a retirada da bexiga e dos gânglios linfáticos por pequenas
incisões, seguida da reconstrução do trato urinário com parte do intestino. O
procedimento resulta em menor perda sanguínea, sobrevida livre de progressão da
doença¹ e internação geralmente dura menos de uma semana. “Apesar da cirurgia
robótica ter uma duração maior, de 4 a 5 horas, ela reduz sangramentos, a
necessidade de transfusões, o risco de infecções no local da incisão e o tempo
de internação do paciente. O que a torna uma opção mais segura e menos
invasiva, especialmente para idosos, que costumam ter maior fragilidade
clínica”, afirma Berger.
No
Hospital Moinhos de Vento, são realizados anualmente mais de 50 procedimentos
do tipo, principalmente em pacientes idosos, sempre com o suporte de uma equipe
multiprofissional. Berger complementa, “Cada paciente requer uma abordagem
personalizada. A integração entre diferentes especialidades garante decisões
mais precisas e seguras. Em pacientes idosos, por exemplo, muitas vezes há
outras comorbidades – como doenças cardiovasculares ou pulmonares –, além de
casos de desnutrição. Por isso, esses pacientes precisam de um plano
nutricional adequado e de preparação pré-operatória”.
Além
da cirurgia, o tratamento também pode incluir o uso de medicamentos que ativam
o sistema imunológico contra as células tumorais. Dependendo das
características do tumor, essa abordagem é indicada para reduzir o risco de
recorrência, especialmente em tumores superficiais de comportamento agressivo.
¹ Estudo sobre Cistectomia radical aberta versus assistida por robótica: um ensaio randomizado. Link
Hospital Moinhos de Vento
Saiba mais no nosso site
LinkedIn e Instagram.
Nenhum comentário:
Postar um comentário