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sexta-feira, 6 de junho de 2025

Junho Lilás destaca a importância do Teste do Pezinho Ampliado para todo o Brasi

Infográfico sobre o Teste do Pezinho e sua contribuição
desde o início da implementação em 1976
 Foto: Instituto Jô Clemente
Divulgação

O Instituto Jô Clemente (IJC) reforça a necessidade do diagnóstico precoce para garantir qualidade de vida aos bebês com Doenças Raras e outras condições graves

 

Junho Lilás marca o mês de conscientização sobre a importância do Teste do Pezinho, exame realizado, preferencialmente, após 48h do nascimento até o 5º dia de vida, por meio da coleta de algumas gotas de sangue do calcanhar do bebê. Enquanto a versão ampliada do teste pode identificar cerca de 50 Doenças Raras, genéticas, metabólicas, imunológicas e infecciosas – muitas silenciosas nos primeiros meses de vida, grande parte do país realiza somente a versão básica oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que rastreia seis doenças. 

Nesse cenário, o Instituto Jô Clemente (IJC), Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos dedicada à saúde e inclusão de pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras, atua na ampliação do acesso ao diagnóstico precoce de Doenças Raras logo nos primeiros dias de vida, por meio do Teste do Pezinho, também conhecido como Triagem Neonatal Biológica. 

“O Teste do Pezinho é mais do que um exame, é um direito garantido por lei. E quando falamos sobre Doenças Raras, cada dia faz diferença para garantir o início do tratamento antes do aparecimento dos sintomas. O diagnóstico precoce permite que a criança tenha mais qualidade de vida, evitando danos irreparáveis”, afirma Daniella Neves, Gerente de Saúde do Instituto Jô Clemente (IJC). 

Em 64 anos de atuação, o IJC já triou mais de 18,5 milhões de bebês no Testes do Pezinho, consolidando-se como um dos principais Serviços de Referência em Triagem Neonatal (SRTN) do país, serviço este credenciado pelo Ministério da Saúde.

A ampliação da Triagem Neonatal também tem avançado no setor público. A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), registrou entre os anos de 2021 e 2024 um total de 339.379 procedimentos de Triagem Neonatal Ampliada (TNA) – o nome técnico do Teste do Pezinho realizado na rede municipal. No mesmo período, também foram realizados 478 testes metabólicos confirmatórios, 952 testes imunológicos confirmatórios e 743 testes genéticos confirmatórios, todos relacionados à Triagem Neonatal Ampliada (TNA). Já no período de janeiro a abril de 2025, foram realizados 27.494 procedimentos de Triagem Neonatal Ampliada (TNA), além de 62 testes metabólicos confirmatórios, 106 testes imunológicos confirmatórios e 55 testes genéticos confirmatórios.
 

“A ampliação do Teste do Pezinho foi um grande avanço para o município de São Paulo, pois permite o diagnóstico precoce dessas doenças, evita danos relacionados ao desenvolvimento neuropsicomotor, sequelas, internações e até óbitos”, reforça o secretário municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco.

 

Diagnóstico precoce salva vidas 

Como parte das ações contínuas de inovação em Triagem Neonatal Biológica, o IJC lidera, desde 2023, um Projeto Piloto para rastreamento de Atrofia Muscular Espinhal 5q (AME-5q) no Estado de São Paulo, uma doença genética rara e grave que compromete a força muscular e pode levar à perda de movimentos e funções vitais como engolir, respirar e andar do bebê. 

Causada por uma alteração no gene SMN1, a AME-5q afeta cerca de 1 a cada 6.000 a 11.800 nascidos vivos.

O Projeto conta com o apoio das farmacêuticas Biogen, Novartis, Roche e parceria com a Secretaria Estadual e Municipal de Saúde de São Paulo, que já triou mais de 125 mil recém-nascidos na rede pública de saúde do município de São Paulo, alcançando também parte do estado por meio do Projeto Piloto. As crianças identificadas já estão em tratamento por meio do SUS. 

A experiência rendeu publicação científica internacional na revista Genes, fortalecendo o protagonismo brasileiro em políticas públicas de saúde neonatal. O fim do projeto está previsto para outubro de 2025. 

“Esse projeto é um marco na história da Triagem Neonatal no Brasil. Graças à iniciativa, 12 bebês foram diagnosticados precocemente até março de 2025 e encaminhados para tratamento especializado. Cada vida protegida representa o impacto real de uma Triagem Neonatal eficiente”, destaca a Dra. Vanessa Romanelli, geneticista e supervisora do Laboratório de Biologia Molecular e pesquisadora do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI) do Instituto Jô Clemente (IJC). 

Ao identificar uma possível alteração no Teste do Pezinho, o Instituto Jô Clemente (IJC) aciona imediatamente sua equipe de Busca Ativa, que entra em contato com a família e realiza exames confirmatórios com agilidade e acolhimento. Após a confirmação diagnóstica, o bebê é encaminhado a um centro de referência especializado e inicia o tratamento. 

O acompanhamento é contínuo, realizado por equipes multidisciplinares que monitoram a evolução da criança, ajustam condutas terapêuticas e oferecem suporte integral às famílias.

 

O Teste do Pezinho é da Gente! 

A campanha Junho Lilás foi instaurada pela União Nacional dos Serviços de Referência em Triagem Neonatal (UNISERT) com o objetivo de fortalecer o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), criado em 2001. O Teste do Pezinho, desenvolvido nos anos 1960 com base nos estudos do Dr. Robert Guthrie, tornou-se obrigatório no Brasil em 2001. A Lei nº 14.154/2021, sancionada em 26 de maio de 2021, ampliou o número de doenças rastreadas pelo Teste do Pezinho no SUS para cerca de 50 doenças. 

Pioneiro no Teste do Pezinho no Brasil, o Laboratório do Instituto Jô Clemente (IJC) é credenciado pelo Ministério da Saúde como Serviço de Referência em Triagem Neonatal e é o maior em número de exames realizados e bebês triados O Teste do Pezinho Ampliado na rede pública do município de São Paulo, contempla o diagnóstico precoce de cerca de 50 doenças, incluindo dezenas de condições raras. O IJC também é um centro de referência no tratamento de Fenilcetonúria, Deficiência de Biotinidase e Hipotireoidismo Congênito, doenças detectadas no Teste do Pezinho que podem evoluir para a Deficiência Intelectual se não tratadas precocemente. 

“Com isso, podemos reduzir a morbimortalidade infantil e proporcionar qualidade de vida para as crianças e suas famílias”, afirma a diretora do departamento de Apoio à Atenção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e pediatra, Athenê Maria de Marco Mauro. 

O Instituto Jô Clemente (IJC) realiza o Teste do Pezinho em 68% dos recém-nascidos do Estado de São Paulo e em 100% da rede pública municipal, fortalecendo sua atuação na prevenção e promoção da saúde infantil. 

Reforçando esse compromisso, em junho, o IJC lançará sua nova loja on-line do Teste do Pezinho — mais moderna, intuitiva e acessível — para facilitar a experiência do usuário na aquisição dos exames e ampliar o acesso ao diagnóstico precoce. Clique aqui para acessar a plataforma (selecione uma data de nascimento para navegar).

 “O Teste do Pezinho precisa ser defendido e ampliado. É um exame simples, mas com potencial de mudar o curso de uma vida inteira. Nosso compromisso, enquanto sociedade, é garantir que toda criança, independentemente da região onde nasceu, tenha acesso a este direito”, reforça Daniella Neves, Gerente de Saúde do Instituto Jô Clemente (IJC).  

Clique aqui e saiba mais sobre o tema.

 

Instituto Jô Clemente (IJC)



Junho é o mês da conscientização sobre o lipedema

Campanhas visam ampliar o conhecimento sobre a condição que atinge milhões de mulheres e é comumente confundida com obesidade ou linfedema

 

Junho marca o mês da conscientização sobre o lipedema, uma doença crônica, progressiva e ainda pouco conhecida, que atinge majoritariamente mulheres. Caracterizada pelo acúmulo anormal e doloroso de gordura subcutânea, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços, a condição é frequentemente confundida com obesidade ou linfedema, o que dificulta o diagnóstico e o tratamento adequados.

Segundo o estudo “Prevalência e Fatores de Risco para Lipedema no Brasil”, realizado em 2023, o problema atinge 12,3% das mulheres brasileiras, o que representa cerca de 200 mil casos só no Espírito Santo e milhões no Brasil. O lipedema costuma surgir na puberdade e pode se agravar com a obesidade. Muitas pacientes relatam sintomas como pernas pesadas, hematomas frequentes, inchaços e sensibilidade ao toque, além de um aspecto ondulado na pele, similar à celulite.

“O lipedema ainda é pouco reconhecido, mesmo entre profissionais da saúde, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento. Conscientizar é fundamental para que mais mulheres possam identificar os sintomas, buscar ajuda especializada e evitar o avanço da doença”, destaca o médico Diego Torrico.

A campanha tem como objetivo informar a população e os profissionais de saúde sobre os sinais da doença, suas causas, formas de diagnóstico e opções de tratamento. “Os sintomas mais comuns incluem dor, sensibilidade ao toque, inchaço desproporcional e facilidade em formar hematomas. Como o lipedema não melhora com dieta ou exercícios físicos, muitas mulheres enfrentam anos de frustração até receberem um diagnóstico correto”, explica.

 

Impactos psicológicos: uma dor que vai além do físico

Segundo o médico Diego Torrico, por trás das queixas de dor, inchaço, hematomas frequentes e sensibilidade, existe também um histórico de sofrimento emocional. Muitas pacientes passaram anos, ou até décadas, sendo invalidadas, ridicularizadas e culpabilizadas pelo próprio corpo.

“Muitas dessas mulheres foram vistas como ‘desleixadas’ ou ‘sem disciplina’, mesmo levando uma vida ativa, com alimentação controlada, exercícios regulares e, ainda assim, sem resultados nas áreas afetadas”, diz o Dr. Diego Torrico.

Essa invalidação constante gera impactos profundos na saúde mental. “O ciclo de dor crônica, com tentativas frustradas de emagrecimento e a dificuldade no reconhecimento da doença levam muitas pacientes a desenvolverem quadros de ansiedade, depressão, isolamento social, transtornos alimentares e queda na autoestima”, afirma Torrico.

“Quando o próprio médico não acredita em você, você começa a duvidar de si mesma. O lipedema não afeta só o corpo. Ele adoece também a mente”, relata a paciente Valéria Mendes Magalhães, que descobriu a doença já no grau 3.

Por isso, o tratamento do lipedema precisa ser multidisciplinar, incluindo não só a abordagem clínica e física, mas também o acolhimento psicológico, que é essencial para resgatar a autoestima, restaurar a relação com o próprio corpo e lidar com os impactos emocionais da doença.

Junho é muito mais do que um mês de conscientização. É um movimento de resistência, de acolhimento e de empoderamento para todas as mulheres que carregaram, por muito tempo, a culpa de um corpo que nunca foi entendido — nem por elas, nem pelos profissionais que deveriam cuidar delas.


Acne no couro cabeludo pode sinalizar desequilíbrios invisíveis e exige tratamento adequado

 

iStock

Dermatologista alerta para causas como oleosidade, resíduos de cosméticos e inflamações silenciosas


Apesar de pouco comentada, a acne no couro cabeludo é uma condição frequente que merece atenção. Ela pode surgir como espinhas, caroços ou pústulas ao longo da linha do cabelo ou sob os fios, causando incômodo e, em alguns casos, dor. De acordo com a dermatologista Mayla Carbone, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, é essencial diferenciar a acne de outras condições semelhantes, como a foliculite, uma inflamação nos folículos pilosos que pode ser confundida com espinhas.

“A pele do couro cabeludo é uma extensão da pele do rosto, por isso é comum que pessoas que têm acne facial também desenvolvam lesões nessa região. O problema pode ser causado por fatores como oleosidade excessiva, acúmulo de resíduos de produtos capilares, estresse, poluição, suor excessivo e até uso inadequado de bonés e chapéus”, explica a especialista.

A médica ressalta que o uso frequente de cosméticos capilares, como pomadas, sprays e finalizadores, também pode obstruir os poros e piorar o quadro. “A limpeza do couro cabeludo deve ser feita com xampus adequados, preferencialmente sem sulfatos e não comedogênicos, respeitando a frequência de lavagens indicada para cada tipo de pele”, alerta.

Para tratar a acne, Mayla reforça que o ideal é buscar orientação dermatológica antes de recorrer a receitas caseiras ou produtos aleatórios. “Muitas vezes, o tratamento envolve o uso de produtos tópicos com ação anti-inflamatória, antibacteriana ou até medicamentos via oral, dependendo da gravidade. O diagnóstico preciso evita complicações, como infecções mais profundas ou cicatrizes”, completa.

Segundo a especialista, além do tratamento, a prevenção é fundamental. Evitar dormir com o cabelo molhado, limpar escovas e pentes com frequência, reduzir o uso de produtos pesados e manter uma rotina de cuidados equilibrada são medidas que ajudam a manter o couro cabeludo saudável.

  • Lave os cabelos regularmente com um xampu sem sulfato e não comedogênico
  • Evite o acúmulo de finalizadores, sprays e óleos na raiz
  • Não durma com os cabelos úmidos ou molhados
  • Higienize pentes, escovas e acessórios como bonés e chapéus com frequência
  • Faça limpeza dupla: primeiro para remover resíduos, depois para higienizar o couro cabeludo
  • Mantenha a alimentação equilibrada e reduza o estresse, que pode agravar quadros de acne. 


Mayla Carbone – Dermatologista, graduada em Medicina pela Universidade Lusíadas (UNILUS – Santos) há mais de 10 anos com residência em Clínica Médica na Santa Casa em São Paulo e em Dermatologia pela Universidade de Santo Amaro (UNISA-SP). É membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e também da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Já participou de diversos congressos e realizou diversos cursos nacionais e internacionais voltados para especialização.
Instagram: @dramaylacarbone
https://grupomaylacarbone.com.br/


Exercício físico reduz em 28% risco de recidiva do câncer de cólon, revela estudo internacional

Pesquisa publicada no New England Journal of Medicine comprova que programa estruturado de atividade física após quimioterapia melhora sobrevida e diminui chances de retorno do tumor


Um programa estruturado de exercícios físicos pode ser a chave para evitar que o câncer de cólon retorne. É o que revela o estudo CHALLENGE, publicado em 1º de junho no New England Journal of Medicine, que acompanhou 889 pacientes por quase oito anos em 55 centros oncológicos de seis países. 

A pesquisa mostrou que pacientes com câncer colorretal em estádio III ou II de alto risco que seguiram um programa supervisionado de exercícios por três anos após o término da quimioterapia tiveram uma redução de 28% no risco de recidiva ou desenvolvimento de um novo câncer. Além disso, o risco de morte caiu 37% em comparação com o grupo que recebeu apenas orientações gerais de saúde. 

Os resultados são ainda mais impressionantes quando analisados a longo prazo. Após cinco anos, a taxa de sobrevida livre de doença foi de 80,3% no grupo que se exercitou, contra 73,9% no grupo controle. Já a sobrevida global em oito anos chegou a 90,3% versus 83,2%, respectivamente.
 

Caminhada como medicina 

O protocolo do estudo era simples, mas rigoroso: principalmente caminhadas rápidas de 45 minutos, quatro vezes por semana, totalizando cerca de 150 minutos semanais de exercício moderado. O programa contou com supervisão profissional e metas claras, fatores que os pesquisadores consideram fundamentais para o sucesso da intervenção.

"É um marco. Ver um estudo de fase 3 publicado em uma revista de renome internacional ganhar destaque com um tema como esse reforça a importância de irmos além das intervenções medicamentosas", afirma Aline Chaves Andrade, oncologista da Oncoclínicas. 

Para a especialista, o estudo comprova cientificamente o que já se observava na prática clínica. "Durante muito tempo, o foco esteve apenas nos medicamentos. Agora, a ciência mostra que, após o tratamento, a responsabilidade é compartilhada: cabe à medicina oferecer os melhores protocolos, mas também cabe ao paciente se envolver ativamente no cuidado com o corpo e a saúde", explica.
 

Survivorship: o cuidado que continua

O estudo CHALLENGE representa um marco no que se chama de "survivorship" - termo que se refere aos cuidados contínuos prestados aos pacientes após o término do tratamento oncológico. Segundo os pesquisadores, o exercício físico atua como intervenção terapêutica com impacto direto na sobrevida, modulando fatores como inflamação, sensibilidade à insulina, vigilância imunológica e equilíbrio hormonal. 

"Estamos diante de evidência científica robusta que reforça a urgência de integrar o exercício físico aos programas de survivorship oncológicos. Essa prática simples, acessível e segura pode salvar vidas", destaca Luciana Landeiro, líder nacional do OC Sobreviver, programa de survivorship da Oncoclínicas. 

No Brasil, onde os casos de câncer de cólon vêm aumentando, inclusive entre jovens, essa abordagem representa uma oportunidade concreta de transformar o cuidado oncológico. O estudo também levanta reflexões importantes sobre como estratégias de reabilitação e promoção da saúde podem ser adaptadas à realidade do Sistema Único de Saúde (SUS).
 

Mudança de paradigma 

A pesquisa internacional, apresentada durante a ASCO 2025, maior congresso mundial dedicado à oncologia, marca uma mudança de paradigma no tratamento oncológico. Além do exercício físico, outros temas como alimentação e controle da síndrome metabólica também ganharam espaço na programação científica do evento, reforçando a importância de abordagens integradas no combate ao câncer. 

"Esse é o momento de repensar os hábitos. Exercício não é mais só um conselho de bem-estar. É parte ativa da estratégia para evitar que o tumor volte. Precisamos levar essas evidências para o consultório, com o mesmo peso que damos às opções terapêuticas. O cuidado com o paciente continua depois da última dose de quimioterapia", conclui Aline Chaves Andrade. 

Os resultados do estudo CHALLENGE representam uma nova era no cuidado oncológico, onde o estilo de vida saudável deixa de ser apenas uma recomendação para se tornar parte fundamental do plano terapêutico dos pacientes com câncer.



Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com


ESCOLIOSE: DESCUBRA OS TIPOS, DIAGNÓSTICOS E TRATAMENTOS

Junho Verde: entenda a importância da identificação e como a fisioterapia pode ajudar na correção da escoliose.

 

A coluna vertebral é a base estrutural do corpo humano e exerce um papel vital na sustentação e movimentação do organismo. Por isso, qualquer alteração que comprometa sua integridade pode trazer sérias consequências à saúde. Uma dessas condições é a escoliose, uma deformidade morfológica da coluna que, embora pareça inofensiva em estágios iniciais, pode evoluir e até afetar o funcionamento de órgãos vitais. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 2% e 4% da população mundial sofre com a escoliose. Para ampliar o debate sobre o tema, junho foi instituído como o mês de conscientização sobre a escoliose, com ações que reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. 

Segundo o fisioterapeuta Bernardo Sampaio, diretor clínico do ITC Vertebral de Guarulhos, uma das explicações para o surgimento da escoliose se dá pelas modificações que o corpo passa ao longo da vida, sendo mais comuns em jovens em fase de crescimento, embora não seja um determinante. “O corpo vai realizando ajustes por conta da nossa postura, do peso que carregamos nos ombros, na maneira como sentamos, mas nenhum deles é responsável 100% pelo desenvolvimento da escoliose, porém podem favorecer o aparecimento”, explica o fisioterapeuta.
 

Tipos de escoliose

Segundo Bernardo, a escoliose pode se manifestar de diferentes formas, sendo as principais:

  • Congênita: causada por uma malformação das vértebras ainda na fase embrionária;
  • Idiopática: (não possui causa comprovada cientificamente), porém é a mais comum na população.


Diagnóstico e sinais de alerta 

Um dos grandes desafios no combate à escoliose é a ausência de dor nos estágios iniciais, o que dificulta a percepção do problema. No entanto, é possível fazer um teste simples em casa: basta inclinar o tronco para frente, como se fosse encostar as mãos no chão, e observar se há algum lado das costas mais elevado que o outro. “Caso exista uma diferença perceptível entre os lados, é fundamental procurar um especialista para uma avaliação detalhada”, orienta Sampaio.
 

Tratamento e prevenção 

O tratamento da escoliose varia de acordo com o grau da curvatura e a idade do paciente. Na maioria dos casos, não é necessário intervenções cirúrgicas, que são indicadas apenas em casos mais graves; assim como muitos problemas de coluna, quadril e joelho. Em graus menores, são sempre tratadas com exercícios e posturas. "Pequenas ações diárias, como manter uma boa postura, praticar exercícios regularmente e garantir um ambiente ergonômico, podem fazer uma grande diferença na prevenção da progressão da escoliose”, comenta.

Bernardo também ressalta a importância do envolvimento dos fisioterapeutas no manejo da escoliose. Segundo ele, "a escoliose é uma condição que requer abordagem multidisciplinar, e os fisioterapeutas são cruciais para a correção da postura e fortalecimento dos músculos envolvidos na estabilização da coluna. É fundamental buscar orientação profissional para o desenvolvimento de um programa de exercícios adequado às necessidades individuais ", reforça o profissional.


Bernardo Sampaio - Fisioterapeuta pela PUC Campinas, possui especialização e aprimoramento pela Santa Casa de São Paulo e é mestrando em Ciências da Saúde pela mesma instituição. Atua como professor universitário em cursos de pós-graduação na área de fisioterapia músculo esquelética e é Diretor Clínico do Centro Especializado em Movimento (CEM), ITC Vertebral e Instituto Trata, de Guarulhos.

 

Junho Vermelho: doação de sangue é um ato que atravessa séculos e salva vidas todos os dias

Dia 14 de junho é o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em 2005, a data foi instituída pela Assembleia Mundial da Saúde como um dia especial para agradecer aos doadores e incentivar mais indivíduos a doar sangue livremente.  

 

Segundo registros históricos compilados pela Britannica Education, a história da doação de sangue remonta ao século XVII. Em 1667, o médico inglês Richard Lower realizou uma das primeiras transfusões documentadas, ao transferir o sangue de um cordeiro para um homem. Na mesma época, na França, Jean-Baptiste Denis, médico do rei Luís XIV, também realizava experiências semelhantes. Embora rudimentares e de alto risco, essas primeiras tentativas abriram caminho para o desenvolvimento de técnicas cada vez mais seguras, que transformaram a transfusão sanguínea em um dos procedimentos mais essenciais da medicina moderna.   

No Brasil, o cenário da doação de sangue ainda exige atenção. Dados de 2022 do Ministério da Saúde mostram que aproximadamente 1,4% da população brasileira doa sangue regularmente, o que equivale a 14 doadores a cada mil habitantes e um total de 3.159.774 doações por ano no Sistema Único de Saúde (SUS). Esse índice está dentro da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere que entre 1% e 3% da população de cada país seja doadora. Apesar disso, o Ministério da Saúde alerta que é fundamental ampliar o número de doadores para garantir estoques seguros e constantes, evitando riscos de desabastecimento.  

A jornalista Nathalia Gorga é um exemplo do impacto desse gesto. Nascida prematura, com apenas 890 gramas e seis meses de gestação, ela passou vários meses na incubadora e, em determinado momento, desenvolveu um quadro severo de anemia. Para sobreviver, precisou de mais de um litro de sangue.   

Na época, o sangue dos pais e dos familiares não era compatível com o dela, devido ao tipo sanguíneo e outros fatores. Foi necessário buscar um doador externo. A mobilização foi fundamental, e um amigo da família acabou sendo a pessoa que fez a doação que salvou sua vida. Foi então que um amigo da família, sensibilizado pela situação, realizou a doação que salvou sua vida. “Se estou aqui, mais de 30 anos depois, é graças a essa doação. Um gesto que faz toda a diferença na vida de qualquer ser humano”, afirma.   

Para ser um doador de sangue, é necessário atender a alguns critérios básicos: estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos (lembrando que a primeira doação deve ser feita até os 60 anos), e pesar no mínimo 50 kg. No dia da doação, é importante não estar em jejum, mas também evitar alimentos gordurosos nas quatro horas que antecedem o procedimento. Além disso, o doador deve estar bem descansado, tendo dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas.  

Em São Paulo, por exemplo, é possível doar no Hemocentro da Santa Casa, no Hospital das Clínicas, ou na Fundação Pró-Sangue. Diversos hemocentros pelo Brasil também funcionam com agendamento online, facilitando o processo para os voluntários. 

 

Britannica Education  

 

Cirurgias Reparadoras Pós-Bariátricas: Um Direito do Paciente

A cirurgia bariátrica é um marco na vida de quem enfrenta a obesidade, mas a jornada não termina aí. Muitos pacientes, após uma perda de peso significativa, enfrentam um novo desafio: o excesso de pele que causa desconforto físico e emocional. Como advogada especializada em Direito Médico e sócia de uma clínica de excelência, afirmo com propriedade: as cirurgias reparadoras pós-bariátricas são um direito do paciente e devem ser custeadas pelos planos de saúde como parte integrante do tratamento da obesidade. Neste artigo, explico os fundamentos legais, os procedimentos cobertos e como garantir esse direito.

 

Por Que as Cirurgias Reparadoras São um Direito?  

"O excesso de pele após a perda de peso massiva não é apenas uma questão estética. Pode causar dermatites, infecções, dores nas costas e mobilidade reduzida", explica a Dra. Beatriz Guedes. "Por isso, o Poder Judiciário e o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já consolidaram o entendimento de que essas cirurgias são etapas essenciais no tratamento da obesidade mórbida."  

 

Ela cita o Tema Repetitivo 1.069 do STJ, que estabeleceu:  

"É de cobertura obrigatória pelos planos de saúde a cirurgia plástica de caráter reparador ou funcional indicada pelo médico assistente, em paciente pós-cirurgia bariátrica, visto ser parte decorrente do tratamento da obesidade mórbida."  

 

Quais Procedimentos São Cobertos?  

"Muitos planos tentam limitar a cobertura apenas à abdominoplastia (retirada do 'avental abdominal'), alegando que outros procedimentos seriam 'estéticos'. Isso é um equívoco grave", alerta a Dra. Beatriz.  

 

Segundo Dra Beatriz Guedes, todas as cirurgias reparadoras com indicação médica devem ser custeadas, incluindo:  

- Braquioplastia (remoção de pele dos braços).  

- Cruroplastia (correção das coxas).  

- Mamoplastia (reconstrução mamária, incluindo próteses se houver perda de volume).  

- Lifting facial e blefaroplastia (para excesso de pele no rosto e pálpebras).  

 

"A ANS incluiu a abdominoplastia no Rol de Procedimentos Obrigatórios, mas as demais cirurgias também são de direito do paciente, desde que comprovada a necessidade funcional ou médica", reforça. 


Por Que os Planos de Saúde Recusam?  

"Infelizmente, os planos alegam que esses procedimentos são 'cosméticos' para evitar custos", diz a Dra. Beatriz. "Mas a Justiça tem rejeitado esse argumento reiteradamente. Se há sobra de pele que causa problemas de saúde, o caráter é reparador, não estético."  

 

Ela destaca casos emblemáticos que venceu na Justiça:  

- Paciente com dermatites crônicas devido ao excesso de pele nas coxas que obteve custeio da cruroplastia.  

- Mulher que precisou de mamoplastia com prótese após perda severa de volume mamário pós-bariátrica.  

 

Como Garantir Seu Direito?  

A Dra. Beatriz orienta um passo a passo para pacientes:  

 

1. Documentação Médica  

   - Obtenha um laudo detalhado do cirurgião plástico, vinculando o excesso de pele a problemas de saúde (ex.: infecções, assaduras, dores).  

 

2. Solicitação ao Plano de Saúde  

   - Formalize o pedido por escrito, com todos os exames e laudos. Exija uma resposta por escrito em até 15 dias (prazo legal).  

 

3. Recursos Administrativos  

   - Se negado, recorra à ouvidoria do plano e à ANS. Muitas vezes, a pressão regulatória resolve.  

 

4. Ação Judicial  

   "Se o plano persistir na negativa, uma ação judicial resolve em média em 6 a 12 meses", afirma a Dra. Beatriz. "Já conseguimos liminares em 30 dias para pacientes com urgência médica."  

 

Conclusão: Não Desista do Seu Direito  

"Lutei por centenas de pacientes nessa situação e vi como essas cirurgias transformam vidas", diz a Dra. Beatriz Guedes. "Se o seu plano negou a cobertura, busque um advogado especializado em Direito Médico. Você não está sozinho nessa jornada."  


Para Saber Mais:

- Consulte o Tema 1.069 do STJ no site [www.stj.jus.br](https://www.stj.jus.br).  

- Acesse o Rol da ANS para ver a abdominoplastia (Procedimento nº 4.07.04.01-5).  

 

 Dra. Beatriz Guedes - Advogada Especialista em Direito Médico. Sócia da Clínica Libria – Sua Saúde, Nossa Missão


Butantan e FAPESP lançam chamada conjunta para atrair pesquisadores internacionais

Iniciativa busca recrutar oito cientistas altamente qualificados com o objetivo de desenvolver projetos inovadores que beneficiem a saúde pública brasileira

 

O Instituto Butantan, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) de São Paulo, e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) acabam de anunciar uma chamada de propostas para auxílio a pesquisadores internacionais. A ação visa impulsionar a liderança científica e tecnológica do estado de São Paulo em áreas específicas do conhecimento relacionadas à missão do Butantan, como desenvolvimento de vacinas e terapias para doenças infecciosas emergentes.

Os interessados devem propor projetos de pesquisa inovadores e de alto impacto na saúde pública, com duração de 60 meses, e que fomentem o desenvolvimento de programas de graduação, pós-graduação e pós-doutorado.

"Esse é um momento crítico no cenário internacional, mas que representa também uma oportunidade de atrair talentos e pesquisadores com excelência comprovada em suas áreas de atuação. Para nós, significa a possibilidade de trazer pesquisadores estrangeiros ou repatriar grandes cientistas que construíram parte de suas carreiras em centros internacionais e agora podem trazer seu conhecimento para desenvolver nosso país", afirma o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.

O edital está aberto a candidatos de todas as nacionalidades que estejam trabalhando e vivendo no exterior há pelo menos dois anos. Serão recrutados até oito pesquisadores científicos, que deverão atuar em diferentes laboratórios do Butantan. Para se inscrever, é preciso submeter uma pré-proposta em inglês até 1/8 por meio do sistema SAGe. Incluindo bolsa da FAPESP e auxílios da Fundação Butantan, os valores variam entre R$ 22.500,00 e R$ 26.500,00.

Essa iniciativa representa mais um importante passo do Butantan rumo à inovação e à internacionalização. Com 124 anos de tradição no desenvolvimento de soros e vacinas, o Instituto possui 105 patentes depositadas e cerca de 6 mil publicações, fruto de um trabalho que hoje é conduzido por centenas de pesquisadores distribuídos em 25 laboratórios. As linhas de pesquisa incluem virologia, imunologia, bioquímica, farmacologia, toxinologia, ecologia, entre outras.

Recentemente, o Butantan também anunciou a abertura de 11 vagas de pesquisador científico nível I em novo concurso público, aprovado pelo Governo do Estado de São Paulo em 2024.

 

CHAMADA BUTANTAN E FAPESP PARA PESQUISADORES INTERNACIONAIS

Submissão das pré-propostas: até 1/8/2025

Resultado da seleção de pré-propostas: 29/8/2025

Submissão das propostas completas: até 20/9/2025

Resultados: 28/11/2025

Início do projeto: a partir de 1/12/2025

Mais informações disponíveis aqui. 



Portal do Butantan: butantan.gov.br
Facebook: Butantan Oficial
Instagram: @butantanoficial
YouTube: @CanalButantan
X/Twitter: @butantanoficial
LinkedIn: Instituto Butantan
TikTok: @institutobutantan



No frio, quem também sofre é o seu intestino: Nutricionista explica como o inverno afeta a microbiota intestinal e o que fazer para proteger sua saúde nessa estação

Alice Paiva revela como as baixas temperaturas afetam o equilíbrio intestinal, aumentam a fome e influenciam até o humor
 

Com a chegada dos dias frios, aumenta o apetite, a vontade por alimentos calóricos e até a sensação de cansaço. Mas o que muitos não sabem é que essas mudanças têm relação direta com a microbiota intestinal. A nutricionista Alice Paiva, especialista em emagrecimento e reeducação alimentar, revela os principais impactos do frio no intestino e como cuidar da saúde intestinal durante o inverno. 

A microbiota intestinal é o conjunto de trilhões de microrganismos que habitam o intestino humano. Segundo Alice, ela vai muito além da digestão: “Ela regula o sistema imune, influencia a produção de neurotransmissores e até interfere nas escolhas alimentares. É uma peça-chave para o equilíbrio do organismo”, explica. No inverno, fatores como menor consumo de fibras, ingestão maior de gorduras e mudanças no ritmo biológico alteram a composição dessas bactérias, diminuindo sua diversidade e afetando negativamente a saúde.
 

Frio, o metabolismo e o apetite, afinal, qual a relação?

Outro ponto de destaque apontado por Alice é a relação entre o frio, o metabolismo e o apetite. “Nos dias gelados, o corpo precisa de mais energia para manter a temperatura. Isso ativa hormônios como a grelina e aumenta a fome, especialmente por comidas ricas em calorias”, afirma. A microbiota também participa desse processo, produzindo sinais que impactam a saciedade e os desejos alimentares. Ou seja, não é apenas uma questão comportamental: há todo um mecanismo fisiológico por trás da vontade de comer mais no inverno. 

''Não é só comportamento, é também uma resposta natural do corpo! O frio faz com que o organismo gaste mais energia para manter a temperatura corporal. Esse gasto extra acontece principalmente com a produção de calor, ou seja, o corpo queima mais calorias sem você perceber. Para compensar essa queima maior, o cérebro manda sinais de que você precisa comer mais, especialmente alimentos mais calóricos e reconfortantes”, revela Alice. 

Mas nem tudo são más notícias. A nutricionista garante que é possível atravessar o inverno com equilíbrio e bem-estar intestinal. Para isso, ela recomenda uma alimentação rica em fibras, prebióticos e probióticos. “Sopas com legumes, fermentados naturais como kefir, chás com especiarias, além de alimentos integrais e boas fontes de gordura são grandes aliados da microbiota nesta estação”, indica. 

Alice também destaca o papel do intestino na imunidade, ainda mais relevante em tempos de aumento de gripes e resfriados: “Cerca de 70% das células imunes estão no intestino. Fortalecer a microbiota é fortalecer o sistema de defesa”. 

O frio pode até ser inevitável, mas seus efeitos sobre o organismo podem ser amenizados com boas escolhas alimentares. Para Alice Paiva, cuidar da microbiota é mais do que uma estratégia nutricional, é uma forma de cuidar da saúde como um todo.
 

Alice Paiva - nutricionista esportiva especializada em emagrecimento e reeducação alimentar. Com vasta experiência no desenvolvimento de estratégias nutricionais personalizadas, Alice se destaca pela abordagem prática e eficaz, que permite a seus pacientes alcançarem seus objetivos de forma saudável e sustentável. Reconhecida pelo trabalho focado na educação alimentar, Alice incentiva escolhas inteligentes e substituições nutricionais que favorecem o equilíbrio e a qualidade de vida, sempre valorizando o sabor e o prazer à mesa.



Climatério não é depressão: conversa necessária entre mulheres

Alunas do curso de Psicologia da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio realizaram no último sábado, 31 de maio, a 1ª Roda de Conversa - Perimenopausa, da dúvida ao autocuidado, com mulheres de diversas idades. O objetivo deste encontro foi conversar abertamente sobre o assunto e dividir suas histórias para que mais pessoas saibam sobre esse momento tão delicado da vida feminina.

Participaram dessa roda calorosa 14 mulheres, além das cinco alunas do curso. Todas queriam muito dividir suas experiências. As estudantes observaram que o assunto ainda é pouco falado e que toda mulher deveria saber sobre o tema, pois o conhecimento auxilia na hora de procurar ajuda, além de permitir entender que está tudo dentro da normalidade do ciclo da vida de um corpo feminino.

"Vimos, entre elas, a falta de informação sobre até mesmo o que é perimenopausa. Nem todas sabiam que ela começa 10 anos antes da menopausa chegar, e isso impactou todas as participantes. Outro ponto, foi a questão dos médicos. Muitos ainda não associam a perimenopausa com sintomas de tristeza e já logo indicam um psiquiatra. Algumas falaram que se sentiram silenciadas neste momento, como se quase tudo fosse stress, ansiedade e depressão feminina", disse a aluna Gabriela Bonder, do 3° período do curso de Psicologia.

Uma das participantes, Sonia Regina Soares da Costa Faria, afirmou que o tema da roda foi de extrema importância. "Houve empatia, escuta respeitosa e congruência. O tema foi direto, mas todas ficaram à vontade para falar. Vemos muita gente nas redes sociais que postam só a parte externa, mas temos que cuidar da parte interior para ter uma saúde perfeita. Esse é um tema que fala da mulher e que não tem sido colocado nas conversas. Precisamos trazer a consciência de todas as pessoas e profissionais de saúde. Que esse encontro seja o primeiro de muitos."

O climatério é um período de várias alterações no corpo da mulher como fogachos (ondas de calor), secura vaginal, alterações da pele, irritabilidade, fadiga, depressão, problemas cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, dislipidemia, além de situações de estresse, como por exemplo ter de lidar com problemas de filhos, “síndrome do ninho vazio”, sensação de envelhecimento, problemas conjugais e profissionais.

Segundo o Doutor Luiz Antônio Sá, professor de Clínica Médica, Geriatria e Gerontologia da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR), esse é um momento de profundas transformações na vida da mulher e que podem até causar alterações na memória. Muitas mulheres relatam lapsos de memória, dificuldade para realizar multitarefas e atenção diminuída. Estudos indicam que mais de 60% das mulheres nessa fase têm queixas relacionadas à cognição. A ciência ainda não explica totalmente as razões dessas alterações cognitivas, todavia, os sintomas coincidem com a deficiência de estrogênio, hormônio que desempenha função em circuitos cerebrais relacionados à memória e à atenção, e sua ausência pode aumentar o risco de doenças neurológicas cognitivas na mulher que está envelhecendo. “Com as orientações adequadas, o climatério pode ser enfrentado com serenidade e confiança, permitindo às mulheres viverem essa fase da vida com plenitude e bem-estar.", afirma o doutor. 

Ao final do evento, cada participante escreveu uma mensagem que foi sorteada entre elas, com o intuito de apoiar ou demonstrar que ninguém está passando por essa fase sozinha. A coordenadora adjunta do curso de Direito, Isabelli Gravatá, participou da roda de conversa e recebeu a seguinte mensagem: "Não é à toa que a peça mais forte do jogo é a dama! Você é essa peça, lembre-se disso!". E ela comentou como foi essa troca de experiências. “A quebra de tabu, poder conversar sobre dúvidas, medos e incertezas foram fundamentais para nos assegurarmos que todas passaremos por essa fase da vida. Nossas mães pouco conversaram conosco sobre menstruação, quanto mais sobre menopausa. Hoje entendemos que o que falamos com nossas filhas, precisamos esclarecer e debater com nossas amigas. As informações que não tivemos serão as que levaremos para as próximas gerações. Medicina integrativa, reposição hormonal, calores, oscilação de humor, de hoje em diante serão assuntos frequentes para mulheres que querem se entender melhor e adquirem qualidade física e emocional de vida”, disse. 

A ação, além de ampliar o diálogo e aproximar as mulheres que estão nesta fase, faz parte dos projetos de extensão dedicados à comunidade. Todos os depoimentos serão colocados num relatório que será apresentado em sala de aula.


Gripe aviária alastra mundo à fora e mostra ser problema de saúde pública

Advogado especialista em direito de saúde esclarece atuação do poder público frente à crescente demanda sanitária contra a doença


A gripe aviária caminha para ser o novo problema sanitário mundial. Mesmo que ainda muito distante do que foi o alastramento da Covid-19, a doença, causada pelo vírus influenza A (H5N1), já ultrapassou as barreiras tradicionais da fauna aviária e preocupa por sua capacidade de adaptação a mamíferos, incluindo humanos. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), houve um aumento significativo nos surtos de gripe aviária entre mamíferos em 2024, com registros de casos em 55 países e envolvimento de animais como bovinos, cães e gatos.

No Brasil, a confirmação de casos no Rio Grande do Sul, em maio de 2024, levou a uma resposta emergencial por parte do Ministério da Agricultura e da Saúde, incluindo o abate sanitário de aves, bloqueios no transporte rural e a suspensão temporária das exportações avícolas. A medida foi eficaz para conter o avanço imediato do vírus, mas acende um sinal de alerta para o futuro.

“A situação exige um olhar estratégico e multidisciplinar. A atuação das autoridades sanitárias deve ir além da contenção pontual — deve ser preventiva, educativa e estruturada para evitar que o vírus se torne uma ameaça coletiva”, afirma o advogado Thayan Fernando Ferreira, especialista em direito de saúde e direito público, membro da comissão de direito médico da OAB-MG e diretor do escritório Ferreira Cruz Advogados.

Embora o H5N1 atinja majoritariamente aves selvagens e domésticas, a infecção já foi identificada em humanos que tiveram contato direto com animais infectados, especialmente nos Estados Unidos, onde foi registrada, em janeiro de 2024, a primeira morte pela doença no ano. A gripe aviária pode causar desde sintomas leves até quadros graves de síndrome respiratória aguda, com potencial letalidade. Nesse contexto, a abordagem de “Uma Só Saúde”, promovida por instituições como a OMSA, torna-se ainda mais relevante.

Ela reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental e propõe políticas integradas de prevenção e resposta. “O desafio está em equilibrar a proteção sanitária com a sustentabilidade econômica. Um país preparado é aquele que protege sua população sem comprometer a produção de alimentos e o comércio internacional”, reforça Thayan.

O advogado acredita que, diante da potencial ameaça representada pela gripe aviária, o papel da Saúde Pública deve ser fortalecido, com investimentos em vigilância epidemiológica, capacitação de profissionais, comunicação transparente com a população e políticas de prevenção. “Não se pode mais falar em saúde pública de forma isolada. A integração entre os setores é a única maneira de mitigar riscos sanitários em uma sociedade interconectada. A atuação do agente sanitário deve ser vista como essencial para manter o equilíbrio entre saúde, meio ambiente e produção de alimentos”, completa.

Contudo, diante da potencial ameaça representada pela gripe aviária, o papel da Saúde Pública deve ser fortalecido, com investimentos em vigilância epidemiológica, capacitação de profissionais, comunicação transparente com a população e políticas de prevenção. A vacinação de aves, o monitoramento de animais silvestres e domésticos e a detecção precoce de surtos são algumas das ações necessárias para conter o avanço do vírus.

Apesar dos esforços locais, o risco de uma pandemia persiste, especialmente se houver uma mutação que permita a transmissão sustentada entre humanos. Por isso, especialistas destacam que a resposta à gripe aviária precisa ser global, integrada e baseada na ciência.

“O Brasil precisa investir de forma contínua em uma rede de saúde pública robusta e preparada. Não podemos mais agir apenas na emergência. O planejamento estratégico é o que diferencia um país que responde de um país que antecipa. A gripe aviária, hoje ainda considerada uma ameaça em potencial, pode ser evitada como a próxima grande pandemia — mas apenas se a vigilância, a ação sanitária e a cooperação internacional continuarem a se fortalecer a cada novo alerta”, finaliza Thayan.


Asma é a terceira doença crônica mais atendida pelo SUS

Com mais de 20 milhões de brasileiros acometidas, é um dos maiores desafios da saúde pública do país

 

A doença, que atinge cerca de 20 milhões de brasileiros, representa um dos maiores desafios respiratórios no país. Ainda cercada por mitos, a asma é uma condição crônica que, apesar de não ter cura, pode ser controlada com acompanhamento adequado e o uso correto de medicamentos. Segundo dados do Ministério da Saúde, só entre dezembro de 2023 e abril de 2024 foram registradas 1.885 ocorrências de síndromes respiratórias agudas graves, muitas delas associadas à asma, que continua sendo a terceira doença crônica mais atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nos últimos cinco anos, mais de 12 mil brasileiros perderam a vida por complicações relacionadas à condição.

Com cerca de 20 milhões de asmáticos no Brasil, o monitoramento da função pulmonar se torna essencial para evitar crises e hospitalizações. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) reforça que a asma pode ser controlada com o uso adequado de medicamentos e acompanhamento frequente. Uma ferramenta essencial para o acompanhamento da asma é o medidor de pico de fluxo expiratório (PFE), um dispositivo portátil que permite monitorar a variabilidade da obstrução das vias aéreas e detectar sinais precoces de crises antes mesmo do agravamento dos sintomas. Estudos publicados no Jornal Brasileiro de Pneumologia destacam que a medição seriada do PFE pode auxiliar na predição da doença, enquanto as orientações da Global Initiative for Asthma (GINA) e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) recomendam seu uso como estratégia para otimizar o tratamento. O monitoramento regular possibilita ajustes mais precisos na medicação e na rotina do paciente, o que pode reduzir significativamente a necessidade de internações hospitalares relacionadas a crises asmáticas.

Pedro Henrique de Abreu, gerente de Marketing e Produtos da G-Tech, empresa referência em soluções de saúde domiciliar e hospitalar, enfatiza o quanto a tecnologia auxilia no controle da doença "O medidor de pico de fluxo expiratório é uma ferramenta não utilizada para a detecção precoce de alterações nas vias aéreas, mas também permite uma abordagem mais personalizada do manejo da doença. Ele oferece aos pacientes e médicos dados precisos, possibilitando o ajude antecipado no tratamento, antes mesmo dos sintomas se manifestarem”, afirma. "Essa capacidade de monitorar e agir de forma proativa pode ser determinante para evitar complicações mais graves". 

Entre os principais desafios no combate à asma, estão a desinformação e os equívocos sobre a doença. Mitos como a ideia de que a asma desaparece com a idade ou que impede a prática de exercícios físicos dificultam o tratamento adequado. No entanto, especialistas reforçam que a asma pode ser controlada e que pacientes bem acompanhados podem levar uma vida ativa sem grandes limitações.

Diante do impacto da asma na saúde pública, médicos e especialistas alertam para a necessidade de reforçar o acompanhamento médico, especialmente durante o outono e inverno, quando os fatores ambientais aumentam o risco de crises. Além do monitoramento respiratório, cuidados como manter os ambientes bem ventilados, evitar acúmulo de poeira e seguir rigorosamente as orientações médicas são fundamentais para prevenir complicações. "Com o uso da tecnologia aliada ao conhecimento médico, é possível reduzir significativamente o impacto da asma na qualidade de vida dos pacientes e no sistema de saúde", conclui Abreu.

Novo medidor como apoio ao diagnóstico precoce ganha reforço

Para tornar esse acompanhamento mais simples e eficiente, a G-Tech acaba de lançar um novo modelo de medidor de pico de fluxo expiratório que pode ser usado tanto por adultos quanto por crianças. O aparelho mede a força com que o ar é expirado pelos pulmões, ajudando a identificar sinais de obstrução nas vias respiratórias ainda em estágio inicial. Isso permite que pacientes e médicos reajam com mais rapidez e segurança diante de qualquer alteração no quadro. Simples de usar, o dispositivo pode ser utilizado em casa ou em hospitais e consultórios.

Entre os principais benefícios estão a facilidade no controle diário da asma, o acompanhamento da eficácia dos medicamentos e a possibilidade de ajustar o tratamento antes mesmo dos sintomas aparecerem.

“O grande valor desse tipo de tecnologia está em antecipar problemas. Quando o paciente consegue identificar que algo está diferente na respiração antes de sentir falta de ar, ele ganha tempo e qualidade de vida. É um cuidado que traz autonomia e tranquilidade”, afirma Pedro Henrique de Abreu, gerente de Marketing e Produtos da G-Tech.

A indicação é que o uso do medidor seja orientado por profissionais de saúde e incorporado à rotina dos pacientes com histórico de instabilidade respiratória. Ao registrar os valores de pico de fluxo ao longo do tempo, o equipamento contribui para decisões clínicas mais precisas e fortalece estratégias de prevenção. Em períodos mais frios, quando há maior incidência de crises, o monitoramento contínuo pode reduzir internações e melhorar o controle da doença.


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