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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Inovação na oncologia ginecológica redefine tratamento do câncer com abordagens mais eficazes e menos invasivas

Técnicas de alta precisão, terapias personalizadas e novos dispositivos médicos melhoram a qualidade de vida de pacientes e ampliam as chances de cura

 

Os avanços da medicina no tratamento do câncer ginecológico têm mudado radicalmente a experiência de mulheres diagnosticadas com tumores no útero, ovários, trompas ou colo do útero. Com a adoção de cirurgias menos agressivas, dispositivos inovadores e terapias cada vez mais personalizadas, a oncologia ginecológica entra em uma nova era — mais eficiente, menos traumática e centrada na preservação da qualidade de vida das pacientes.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de colo do útero é o terceiro tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras, com estimativa de 17.010 novos casos em 2023. A doença, que pode comprometer a fertilidade e exigir intervenções complexas, têm encontrado novas possibilidades de tratamento graças ao fortalecimento da pesquisa clínica no país.


Cirurgias de precisão e novos dispositivos ganham protagonismo

Entre as transformações mais significativas está a ampliação do uso de cirurgias minimamente invasivas, como a laparoscopia e robótica, que permitem a remoção de tumores com menor trauma cirúrgico, menos dor pós-operatória e uma recuperação mais rápida. Esse tipo de abordagem tem sido fundamental para reduzir complicações e preservar estruturas importantes, como o útero e os ovários, principalmente em pacientes diagnosticadas precocemente.

“Hoje conseguimos oferecer tratamentos mais direcionados e menos mutilantes, que respeitam o corpo e os planos de vida da paciente. Isso representa um avanço tanto técnico quanto humano no cuidado oncológico”, afirma Marcelo Vieira, cirurgião oncológico e especialista em técnicas ginecológicas de alta precisão.

Além das técnicas cirúrgicas, a adoção de dispositivos médicos também está ampliando as opções terapêuticas. Um exemplo é o Duda — Dispositivo Uterino para Dilatar o Anel Endocervical — aprovado pela Anvisa e criado por Marcelo Vieira. Usado em pacientes com câncer do colo do útero em estágio inicial, o equipamento evita o fechamento do canal endocervical após a cirurgia, permitindo o fluxo menstrual e preservando a chance de gravidez. “Inovações como essa mostram como a tecnologia pode ser aliada da fertilidade e da autonomia da mulher, mesmo diante de um diagnóstico difícil”, explica o médico.


Medicina personalizada e pesquisa clínica ampliam possibilidades 

Outra frente de inovação é o avanço da medicina personalizada na oncologia ginecológica. A identificação de mutações genéticas específicas permite que as pacientes sejam tratadas com terapias direcionadas, como os inibidores de PARP para câncer de ovário associado a mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Esse tipo de abordagem reduz efeitos colaterais e melhora os índices de resposta ao tratamento.

O investimento em pesquisa clínica tem sido determinante para validar essas estratégias e acelerar sua incorporação no sistema de saúde. Em Barretos, o Hospital de Amor conduz estudos com tecnologias como o Duda, acompanhando 240 pacientes em um ensaio clínico randomizado com critérios rigorosos de seleção. O objetivo é medir a eficácia da técnica na preservação do canal endocervical, nas taxas de gravidez e no impacto na qualidade de vida das pacientes.

“Para que a inovação chegue ao maior número de mulheres, precisamos produzir evidência científica robusta e trabalhar pela acessibilidade. A pesquisa clínica é o elo entre a descoberta e a transformação real na vida das pacientes”, reforça Marcelo Vieira.

A evolução da oncologia ginecológica brasileira passa, hoje, pelo compromisso com a tecnologia, a personalização do cuidado e o respeito à individualidade de cada mulher. Com mais precisão, menos invasividade e melhores resultados, a medicina oferece novos caminhos para o tratamento do câncer — caminhos que não apenas prolongam a vida, mas garantem que ela continue com mais dignidade e autonomia. 



Dr. Marcelo Vieira - cirurgião oncológico, especialista em cirurgias minimamente invasivas e mentor de cirurgiões. Com mais de 20 anos de experiência, iniciou sua trajetória no Hospital de Câncer de Barretos, onde atuou como chefe da Ginecologia e se dedicou ao atendimento 100% SUS. Em 2019, realizou o primeiro transplante robótico intervivos do Brasil, um marco na medicina nacional. Após essa conquista, decidiu empreender e criou o Curso de Metodologia Cirúrgica, com a missão de transformar cirurgiões e salvar vidas. Também fundou o Cadáver Lab, um treinamento imersivo de dissecção e anatomia pélvica avançada, além de liderar programas de mentoria de alta performance, como Precisão Cirúrgica e Cirurgião de Elite.
Para mais informações, visite o site oficial ou pelo instagram.


Reconstrução mamária: Projeto Mama Minha atende mulheres na fila do SUS


O Projeto Mama Minha é uma iniciativa dedicada a transformar a vida de mulheres que aguardam na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) por cirurgias de reconstrução mamária. Idealizado pelo cirurgião plástico Dr. Fernando Amato, a iniciativa já realizou mais de 80 cirurgias e pretende operar pelo menos 100 pacientes na fase atual. 

Para viabilizar as cirurgias, o Dr. Fernando Amato conta com doações, parcerias institucionais, recursos públicos e privados, além do apoio de emendas parlamentares — entre elas, da deputada federal Tabata Amaral — e da colaboração da equipe de cirurgia plástica do Hospital São Paulo e da Escola Paulista de Medicina. O foco permanece no atendimento humanizado e na conscientização das pacientes sobre o processo de reconstrução mamária. 

O projeto Mama Minha visa atender pacientes que sofrem com deformidades mamárias e que, muitas vezes, esperam anos por um procedimento que restaure sua autoestima e qualidade de vida. "A mama para a mulher tem um significado muito importante. Quando a paciente tem a sua mama mutilada, ela se sente incompleta e com o Mama Minha proporcionamos não só a reconstrução da mama como o resgate da autoestima dessa mulher”, explica Dr. Amato. 

O projeto nasceu da observação das inúmeras dificuldades enfrentadas pelas pacientes no SUS. Procedimentos eletivos mais rápidos são priorizados em detrimento de cirurgias complexas, como a reconstrução mamária. Além disso, o valor pago pelo SUS para implantes mamários é inferior aos valores praticados pelas empresas. Há também uma escassez de profissionais especializados disponíveis para realizar esses procedimentos.

 

Como participar: Atualmente, existem duas formas de participação no Projeto Mama Minha. A primeira é o método utilizado nos últimos quatro anos, com recursos próprios do Dr. Fernando e sua equipe, no qual a paciente deve preencher o cadastro disponível no site do projeto. Após o cadastro, a paciente entra em uma fila para a análise cadastral para verificar, inclusive, se é elegível para fazer a cirurgia de reconstrução mamária. 

A segunda forma de participar do Mama Minha é por meio do encaminhamento pelo SUS para o Hospital São Paulo, onde são realizadas as cirurgias com apoio da emenda parlamentar. 

Com um histórico de dedicação à medicina pública, Dr. Amato construiu o projeto Mama Minha a partir de experiências em instituições como o Hospital Vila Alpina, Hospital São Paulo e o Instituto Brasileiro de Combate ao Câncer. 

"O Projeto Mama Minha representa uma nova esperança para muitas mulheres, reafirmando o compromisso com a dignidade e a qualidade de vida”, conclui Dr. Fernando Amato, que também é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e membro da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica.




Dr. Fernando C. M. Amato – Graduação, Cirurgia Geral, Cirurgia Plástica e Mestrado pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP). Membro Titular pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS).
https://plastico.pro/
www.amato.com.br
https://www.instagram.com/meu.plastico.pro/

 

Maio Laranja’: Psicóloga alerta para prevenção do abuso sexual infantil

Divulgação


 A Psicóloga Ana Carolina Veiga destaca a importância da atenção aos sinais de violência contra crianças e adolescentes


No dia 18 de maio, celebramos o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes", uma data que reforça a importância de proteger nossas crianças. O mês de maio é dedicado à campanha "Maio Laranja", que tem como objetivo sensibilizar e mobilizar toda a sociedade para a prevenção e o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), citados pela psicóloga Ana Carolina especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, "uma em cada cinco meninas sofre abuso sexual". Essa realidade traz consequências profundas no comportamento social dessas mulheres na fase adulta. Ela explica que "pesquisas mostram que mulheres que sofreram violência sexual na infância enfrentam dificuldades em relacionamentos, sentimentos de culpa, disfunções sexuais, além de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade, depressão, entre outros problemas".



Alerta e tratamento

Um dos pontos alarmantes que a psicóloga levanta é de que esses abusos são cometidos com frequência em locais onde as crianças deveriam se sentir seguras e protegidas. "Esses abusos geralmente são cometidos em locais onde as crianças deveriam estar seguras, como em casa, casa de parentes, creches, escolas", alerta Ana Carolina.

A psicoterapia é um elemento chave na tratativa das vítimas.  "A psicoterapia apresenta-se como componente extremamente necessário ao tratamento de vítimas de abuso sexual infantil, em alguns casos, é superior ao tratamento farmacológico", afirma a especialista. No caso específico da Terapia Cognitivo Comportamental, o tratamento "foca sobretudo na exposição e reestruturação cognitiva".

A especialista ressalta ainda a importância de pais e cuidadores estarem atentos a mudanças comportamentais nas crianças. "Criança que teve mudança brusca no comportamento, ou está mais calada, mais triste, ou mais agitada e agressiva. Esteja sempre atento a esses sinais", orienta.

"Como psicóloga é importante ressaltar o combate à desinformação, é necessário que todos enquanto sociedade, pais, professores, cuidadores... estejam alertas a qualquer sinal. Muitas vezes a criança não tem sua fala validada. Por isso, a qualquer pequeno sinal, se informe, investigue, vá a fundo nas investigações, sempre que possível, busque ajuda de um profissional para acolher, ouvir e tratar essa criança", conclui a especialista.


8 de maio - conscientização sobre o câncer de ovário

Dia 8 de maio marca a data para a conscientização sobre o câncer de ovário. Neste dia, diversas campanhas e eventos são organizados globalmente para aumentar a conscientização sobre essa doença e as suas implicações. 

A doença é a terceira neoplasia ginecológica mais comum, e fica atrás apenas do câncer de colo de útero e do endométrio. De acordo com o INCA, em 2025, no Brasil, são esperados aproximadamente 7 mil novos casos de câncer de ovário. 

O câncer de ovário é um tipo de neoplasia que se forma nos ovários, glândulas reprodutivas femininas responsáveis pela produção de óvulos e hormônios. No entanto, esse tipo de câncer pode ser particularmente traiçoeiro, haja vista que muitas vezes não apresenta sintomas em suas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir dor abdominal, inchaço, alterações nos hábitos intestinais e perda de peso inexplicada. 

A dificuldade de um diagnóstico precoce faz com que cerca de 60 a 70% dos pacientes com a doença possam vir a óbito morrer em função dela.

A conscientização sobre o câncer de ovário é crucial porque ajuda a educar as mulheres sobre os fatores de risco, como histórico familiar e genética, e a importância da detecção precoce. Além disso, promove discussões sobre opções de tratamento e suporte para aquelas que estão enfrentando a doença. 

Um dos principais objetivos das campanhas nesse dia é encorajar as mulheres a procurarem cuidados médicos regulares e a estarem atentas aos sinais e sintomas que podem indicar problemas. O diagnóstico precoce pode fazer uma grande diferença no tratamento e nas chances de recuperação.

 

*Diagnóstico*

Atualmente, há marcadores tumorais CA 125, CEA, AFP e BhCG, que são exames realizados a partir de uma simples coleta de sangue do paciente no laboratório e podem auxiliar no diagnóstico, prognóstico e monitoramento da eficácia do tratamento. Embora os marcadores tumorais não gerem diagnóstico definitivo, eles são um dos indicativos da doença e aliados a outros métodos - ultrassom transvaginal, ressonância magnética, tomografia computadorizada - e ao quadro clínico do paciente, possibilitam um diagnóstico mais assertivo. 

Os exames de marcadores tumorais estão disponíveis no SUS e na rede privada de saúde. Feitos por meio de coleta de sangue, os resultados ficam prontos de 4 dias a uma semana.

 


Dr. Wesley Pereira Andrade – mestre em oncologia e cirurgião

Dra. Monique Novacek – ginecologista da Clínica Mantelli

Dra. Maria Carolina Dalboni – ginecologista

Marcelo Gonçalves – farmacêutico bioquímico (diagnóstico)


Ozempic x Mounjaro: qual é o melhor no tratamento do diabetes e para o controle de peso?

 

O Ozempic, nome comercial da semaglutida, promove tanto o controle da glicose quanto a perda de peso. O medicamento age nos centros reguladores do apetite, no nível hipotalâmico e sistema nervoso central e periféricos, através da diminuição da velocidade de esvaziamento gástrico. Isso contribui para uma sensação prolongada de saciedade após as refeições. A semaglutida, além de ser aprovada para o tratamento do diabetes, também é reconhecida sob o nome de Wegovy para o controle da obesidade e do excesso de peso. 

“Por outro lado, o Mounjaro representa um avanço significativo no tratamento do diabetes. Esta medicação, conhecida como tirzepatida, combina análogos do GLP-1 com a molécula GIP em uma única estrutura. Esta associação se mostrou superior na perda de peso e controle da glicemia em comparação ao uso isolado de semaglutida. Embora ainda não aprovado com este fim no Brasil, o ZepBound (tirzepatida para o tratamento da obesidade) já está regulamentado nos Estados Unidos”, explica a endocrinologista Dra. Lorena Lima Amato. 

A especialista conta que, mesmo antes da aprovação mundial, o Mounjaro começou a ser utilizado para a perda de peso com base em sua segurança e eficácia, similar ao precedente estabelecido pelo uso off-label do Ozempic para controle de peso. “A escolha entre essas medicações deve considerar a tolerância individual a medicamentos como o Wegovy. Além disso, o Mounjaro pode ser uma alternativa, especialmente quando é necessária uma perda de peso mais significativa ou quando os efeitos colaterais da semaglutida são uma preocupação”, orienta Dra. Lorena Amato. 

Cada paciente requer uma abordagem personalizada e, segundo a endocrinologista, decidir entre Ozempic e Mounjaro deve contemplar preferências pessoais e os efeitos colaterais, já que cada paciente responde ao tratamento de formas distintas. 



Dra. Lorena Lima Amato - endocrinologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com título da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM), endocrinopediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e doutora pela USP.
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OMS alerta para 3,5 milhões de mortes por infecções evitáveis até 2050 no mundo

SOBRASP ressalta que o uso desnecessário de antimicrobianos pode ocasionar resistência bacteriana, cursar com efeitos colaterais e gerar custos desnecessários para o sistema de saúde.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta, através de sua campanha “Salve Vidas: Higienize Suas Mãos”, a importância da higienização das mãos como uma das medidas mais eficazes para prevenir infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS).

“Estudos da OMS relatam que o simples ato de lavar as mãos pode reduzir em até 40% o risco de adquirir infecções, tais como gripe, diarreia, conjuntivite, dentre outras, além de evitar a transmissão de infecções relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), ressalta a infectologista e diretora de Educação e Formação Profissional, Cláudia Vidal.

A situação é ainda mais preocupante em países de baixa e média renda (PBMR). Nesses lugares, a incidência de infecções é maior: em média, de cada 100 pacientes internados em Unidades de Cuidados Intensivos (UTI), 7 em países de alta renda (PAR) e 15 em PBMR vão desenvolver, pelo menos, uma infecção durante a internação. Nas UTIs, quase um terço dos pacientes (30%) podem ser afetados, com taxas de infecção duas a vinte vezes maiores em PBMR, especialmente entre os recém-nascidos.

Segundo o relatório global divulgado, recentemente, pela OMS, analisado pela SOBRASP, as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) continuam sendo uma das principais causas de eventos adversos. Estima-se que, até 2050, essas infecções possam ocasionar cerca de 3,5 milhões de mortes por ano no mundo.


Infecções de Corrente Sanguínea (ICS) em UTIs: Um alerta vermelho

As Infecções de Corrente Sanguínea (ICS), especialmente aquelas associadas ao uso de cateter venoso central, são consideradas as mais graves entre as IRAS, devido à sua alta taxa de mortalidade e complexidade no tratamento.

Segundo dados do Boletim Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde nº 31 da ANVISA, publicado em 2023, e compilados pela SOBRASP, as ICS representam uma das principais causas de infecções em UTIs no Brasil.

No Brasil, foram registradas 34.428 mil infecções por ICS em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), sendo 24.430 em UTIs adulto, 6.826 em neonatal e 3.172 em UTIs pediátricas.

 

Resistência Antimicrobiana: A ameaça Invisível

A resistência antimicrobiana (RAM) é uma consequência direta do uso inadequado de antibióticos e da disseminação de infecções hospitalares. A OMS alerta que, se medidas eficazes não forem implementadas, até 2050 poderemos enfrentar 10 milhões de mortes anuais devido a infecções resistentes a medicamentos.

O uso indiscriminado de antibióticos é uma questão de saúde pública no mundo, pois leva ao desenvolvimento da resistência microbiana, tornando o tratamento de infecções mais difícil e, em muitos casos, impossível de tratar. A previsão é que ocorram aproximadamente 136 milhões de casos anuais de infecções resistentes a antibióticos no mundo.

O uso desnecessário de antimicrobianos pode ocasionar resistência bacteriana, cursar com efeitos colaterais e gerar custos desnecessários para o sistema de saúde. O Brasil é um dos maiores consumidores de antibióticos do mundo, segundo a OMS, superando países como a Europa, Canadá e Japão”, ressalta a diretora.


Prevenção: A Chave Está em Nossas Mãos

A implementação de Programas coordenados de Prevenção e Controle de Infecções (PCI), incluindo a higienização rigorosa das mãos, pode reduzir significativamente a incidência de IRAS. Programas de PCI bem estruturados, com sistemas de monitoramento e gestão, podem fazer uma grande diferença.

A estimativa é que essas ações têm o potencial de evitar até 821 mil mortes por ano globalmente até 2050, segundo a OMS. Em países de baixa e média renda, as intervenções de PCI poderiam prevenir até 337 mil mortes anuais relacionadas às resistências antimicrobianas. https://www.sobrasp.org.br/


Cinco dicas para evitar crises de asma em crianças

Higiene adequada do espaçador e controle da umidade do ambiente estão entre as ações que ajudam a controlar a doença


Com a chegada do outono e do inverno, aumentam os casos de doenças respiratórias. Uma das doenças que ganham força nessa época do ano é a asma uma condição respiratória comum entre crianças, caracterizada pelo chiado no peito, tosse e falta de ar. No Sistema Único de Saúde (SUS), a asma é a terceira doença crônica mais atendida do país. Dados do Ministério da Saúde mostram que são cerca de 20 milhões de brasileiros asmáticos, com alta prevalência entre crianças e adolescentes.

Segundo a médica Marcela Maciel Villela de Marco Sacho, pneumologista do Ambulatório Multiassistencial (AMAS), unidade de saúde pública sob a gestão do Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês, a prevenção das crises de asma é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar dos pequenos. “É preciso educar o paciente e sua família para executar medidas relacionadas à higiene do ambiente em que vivem, evitar fatores desencadeantes como os alérgicos e identificar rapidamente a perda de controle da doença para que a criança seja levada para atendimento médico”, explica a médica.

A especialista elenca abaixo cinco dicas essenciais para evitar crises de asma em crianças:

  1. Higienize adequadamente os inalatórios: O uso inadequado dos dispositivos como os espaçadores podem desencadear novas crises. Para limpar o espaçador é preciso desmontar o dispositivo, lavar com água corrente e detergente neutro usando a própria mão. Não utilize esponjas para esfregar! Após isso, coloque de molho com 1 litro de água e 2 gotas de detergente por 15 minutos, retire e deixe secar no papel toalha. Importante que escorra naturalmente para que o detergente forme uma película que evita a eletricidade estática. O recomendado é que a higienização seja feita pelo menos 1 vez por semana.
  2. Mantenha a medicação em dia: Quando o paciente suspende o medicamento por conta própria ou não o utiliza da forma adequada, as chances de desencadear novas crises aumentam.  É fundamental seguir as orientações do médico, tirar dúvidas em relação ao uso do medicamento e sempre estar com um plano de emergência.
  3. Evite objetos que acumulem poeira: Objetos como pelúcias, cortinas pesadas e tapetes podem acumular poeira e desencadear crises. É recomendado optar por materiais que sejam mais fáceis de limpar e que não retenham alérgenos.
  4. Controle a umidade do ambiente: Ambientes muito úmidos podem favorecer o crescimento de fungos e ácaros. Manter a ventilação adequada são medidas que podem ajudar a prevenir crises.
  5. Promova um estilo de vida saudável: A prática regular de atividades físicas e uma alimentação equilibrada são fundamentais. Exercícios leves, como caminhadas, podem fortalecer os pulmões e diminuir a frequência de crises.

Com essas dicas, os pais podem ajudar a proteger seus filhos e garantir que eles tenham uma vida ativa e saudável, apesar da condição da asma. A especialista lembra que, mesmo com essas ações, as visitas periódicas ao médico são essenciais para monitorar a condição da criança e ajustar o tratamento conforme necessário.

 

Maternidade em compasso de espera: o que toda mulher deve saber

O número de bebês nascidos de mulheres acima de 40 anos de idade é maior que o de adolescentes pela primeira vez na história americana, segundo dados do National Center for Health Statistics (NCHS).  Os partos em mulheres acima de 40 anos aumentaram 193% desde a década de 90 enquanto caíram 7% naquelas entre 20 e 24 anos. Em nossos país houve um aumento de 56% no número de partos em mulheres na faixa etária de 35 a 39 anos e de 36% na faixa de 40 a 44 anos. 

A fecundidade vem caindo em países como Estados Unidos, Portugal, Espanha e França. Os números têm ficado abaixo de 2.1 criança por mulher, o que é considerada uma taxa adequada para recompor a população. No Brasil, observam-se números semelhantes: a taxa de fecundidade vem caindo: era de 2,32 filhos por mulher em 2000 e caiu para 1,57 em 2023.

As taxas de fecundidade devem continuar caindo até 2030 segundo algumas previsões. As mudanças culturais e sociais levaram as mulheres ao mercado de trabalho e a procura de mais educação, aliadas à menor mortalidade infantil e aos elevados custos da educação dos filhos, são fatores que podem explicar o fenômeno que não poupa nenhum país, mesmo aqueles tradicionalmente com altas taxas de natalidade como a China e a Índia. 

A infertilidade, por outro lado, está aumentando e pode afetar uma em cada seis pessoas em todo o mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em muitos casos, o tratamento dessas pessoas implica na realização de técnicas de reprodução assistida que, infelizmente, não estão disponíveis para todos. Dados recentes revelam que à medida que as mulheres buscam mais educação e têm acesso ao planejamento reprodutivo acabam por adiar a gestação e, quando decidem engravidar, o número de filhos é reduzido. 

Engravidar ou não engravidar é uma pergunta que muitas mulheres eventualmente se fazem e, talvez durante o mês de maio quando se celebra as mães, muitas são chamadas a refletir sobre o tema. Em meio a essa avalanche de mudanças sociais, culturais e econômicas ocorridas nos últimos 50 anos, a maternidade também evoluiu assim como a postura das mulheres diante da gravidez e da construção de uma família. As mulheres, entretanto, não podem ignorar um fato biológico: há um número não renovável de óvulos em seus ovários, que se reduz rapidamente a partir dos 35 anos e, infelizmente, não há métodos conhecidos para manter nem renovar a chamada “reserva ovariana”.  Nesses casos, o congelamento de óvulos é a solução para quem não sabe ou não se decidiu sobre a maternidade. 

Muitas mulheres pensam que podem adiar a gravidez confiando nos avanços da ciência para ajudá-las a alcançar a maternidade quando assim o quiserem, o que pode não ser verdade. Infelizmente, o declínio da fertilidade já começa naturalmente por volta dos 25-30 anos de idade, e segue acelerado após os 35 anos, de forma que as chances de infertilidade podem chegar a 50% aos 41 anos e 90% aos 45. Mesmo quando são utilizadas as modernas técnicas de reprodução assistida (TRA), a idade feminina é o principal fator limitante de sucesso. 

É verdade que os avanços científicos e tecnológicos no campo da Medicina Reprodutiva deram às mulheres novas perspectivas, pois além de poder controlar seu ciclo reprodutivo com o uso dos modernos contraceptivos, permitiram escolher ou não a maternidade, o número de filhos e quando tê-los. As técnicas de reprodução assistida (TRA) abriram inúmeras oportunidades para a formação de novas famílias. Mulheres com os mais variados problemas além da infertilidade podem receber tratamentos sofisticados que permitem, por exemplo, que aquelas sem útero, casais homoafetivos femininos e masculinos ou aquelas que entraram na menopausa precocemente engravidem e tenham filhos saudáveis.  

Neste mês de maio quando as campanhas publicitárias em todas as mídias fazem uma apologia à maternidade e muitas mulheres se sentem pressionadas pelo relógio biológico implacável algumas reflexões são necessárias. Conciliar a maternidade com os compromissos profissionais é uma tarefa complexa e os níveis de burnout (esgotamento físico e mental) nessas mulheres têm aumentado. O mercado de trabalho nem sempre acolhe aquelas que escolhem serem mães e a maternidade é um dos fatores que acentua a desigualdade salarial entre homens e mulheres. 

Na verdade, as mulheres da geração Z têm adiado ou desistido da maternidade em prol da carreira e da saúde mental, pois acompanharam os enormes desafios enfrentados pela geração millenial. Pesquisas recentes revelam que a maternidade é ponto importante de desigualdade salarial e avanços na carreira, o que tem levado muitas mulheres jovens a desistir de engravidar. Muitas daquelas que regressam ao trabalho após o parto não têm acesso a benefícios como creche ou licença parental para cuidar de uma criança doente, por exemplo.  

Além disso, aquelas que precisam enfrentar tratamentos de reprodução assistida têm pouco apoio financeiro e emocional no trabalho. Assim, para que as novas gerações não tenham que escolher entre ter uma carreira ou uma família, é preciso rever as políticas de auxílio a apoio para que o direito humano básico de decidir quando e como formar uma família seja devidamente respeitado, pois estudos revelam que a prosperidade, a alegria e o crescimento econômico serão a recompensa para aqueles que se atreverem a juntar-se à luta pelo acesso universal aos cuidados de saúde reprodutiva e construção de famílias. 

 

Márcia Mendonça Carneiro - Diretora científica Clínica Origen BH. Professora Titular- Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – Faculdade de Medicina da UFMG. Embaixadora da Campanha IFFS #MaisAlegria


Estresse e ansiedade podem agravar a asma?

Especialista explica como o fator psicológico pode afetar a saúde física dos asmáticos

 

Uma pesquisa recente do Jornal Brasileiro de Pneumologia1 apontou que 30% das pessoas com asma apresentam ansiedade e 9% depressão. Esses transtornos, além de afetarem o estado emocional, estão associados à piora dos quadros clínicos e podem ser tanto consequência quanto gatilho para novas crises.

 

Nos dias de hoje, os distúrbios e doenças relacionadas à saúde mental, têm se tornado cada vez mais comuns. E, embora afetem principalmente o bem-estar psicológico, esses desequilíbrios também podem impactar diretamente a saúde física, especialmente em quem convive com a asma crônica.

 

As reações do corpo estão profundamente conectadas às emoções e aos sentimentos. Segundo o Dr. Mauro Gomes, pneumologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e consultor da farmacêutica Glenmark, “o sistema imunológico traduz no corpo as reações do estado emocional. Por isso, em pessoas asmáticas, quando a ansiedade, estresse ou raiva, pode acelerar a frequência respiratória e provocar as crises”, explica.

 

Além disso, o estresse crônico pode contribuir para a resistência ao cortisol, favorecendo a inflamação das vias aéreas e agravando as crises de asma. A resposta reduzida aos glicocorticoides — principal terapia anti-inflamatória para a doença — pode ser influenciada por fatores genéticos e adquiridos, incluindo o estresse psicológico.

 

Os sintomas de uma crise asmática desencadeada por questões emocionais são similares aos de uma crise asmática por alergia. “Falta de ar, chiado no peito e tosse são sinais que podem aparecer em crises asmáticas emocionais”, diz o especialista.

 

Segundo o Dr. Mauro, a ansiedade pode ter um papel ambíguo na vida de quem convive com a asma: “Assim como o estado emocional abalado pode desencadear as crises, essas mesmas crises podem gerar ansiedade ou até depressão, já que o paciente vive com o receio constante de sofrer um novo episódio ou precisar de internação emergencial”.

 

Embora a asma não tenha cura, o tratamento envolve o uso de sprays e corticoides inalatórios para controlar e aliviar os sintomas. No entanto, os cuidados não se limitam à medicação. O Dr. Mauro reforça a importância do bem-estar emocional: “A gestão adequada do estresse pode ser uma estratégia valiosa para melhorar o controle da asma”.

 

Encontrar tempo para descansar, fazer atividades prazerosas, dormir bem e, sempre que possível, contar com o acompanhamento de um psicólogo, são atitudes essenciais para controlar o estresse e a ansiedade. Assim, as crises tendem a diminuir, e a qualidade de vida, a melhorar. 





Glenmark Pharmaceuticals

1Asma e doença pulmonar obstrutiva crônica: uma comparação entre variáveis de ansiedade e depressão


Cólica menstrual não é normal, diz médica

Ginecologista ressalta que não é normal ter cólicas intensas,
 esse pode ser sintoma da endometriose
Freepik
No Dia Internacional da Luta contra a Endometriose especialista destaca que este é um dos sinais da doença 


Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) em 2023 aponta que a cólica faz parte da vida de mais de 75% das brasileiras. Essa dor é causada pela contração do útero para expulsar o sangue da menstruação e pode ser vivenciada de forma leve a moderada, geralmente melhorando com analgésicos simples e sem interferir nas atividades diárias. No entanto, se foge desse padrão, é preciso ficar atenta. 

“Não é normal ter cólicas menstruais intensas. Fomos ensinadas, geração após geração, que ‘sentir dor faz parte de ser mulher’, que a cólica é um ‘sofrimento esperado’ do ciclo menstrual. Essa ideia está tão enraizada que muitas mulheres deixam de procurar ajuda e convivem por anos com dores incapacitantes, mas é preciso dizer com todas as letras: dor não é normal. E não deve ser tolerada como se fosse”, ressalta a ginecologista Luciana dos Anjos, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia. 

Neste 7 de maio é o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, doença que tem como um dos sintomas dores intensas durante a menstruação. “A normalização da cólica faz com que mulheres demorem anos para receber um diagnóstico preciso e, com isso, a doença evolui silenciosamente, causando mais dor, inflamação, infertilidade e, muitas vezes, exigindo cirurgias mais complexas. Quando a dor é banalizada, perde-se uma oportunidade valiosa de intervenção precoce. Se acolhida e investigada no início, a endometriose pode ser tratada com muito mais eficácia, evitando sofrimento e complicações futuras”, pontua a especialista.

 

Sinais de alerta

Luciana dos Anjos destaca que quando a cólica atrapalha a rotina ela não é normal. “É sinal de alerta quando interfere nas atividades do dia a dia, como trabalho ou estudos, exige o uso frequente de medicações para ser tolerada, piora com o tempo ou vem acompanhada de outros sintomas, está associada à dor na relação sexual, alterações intestinais (diarréia, constipação, dor para evacuar) ou urinárias durante o período menstrual. Esses sinais podem indicar doenças ginecológicas como a endometriose, que é uma condição crônica, inflamatória e ainda subdiagnosticada”. 

A médica explica que a investigação do problema deve começar com uma escuta atenta, uma avaliação ginecológica detalhada e, quando necessário, exames de imagem específicos como Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e ressonância magnética da pelve com protocolo para endometriose. “Mas aqui está um ponto crucial, esses exames precisam ser realizados por profissionais com experiência em endometriose.

Tanto o exame quanto à interpretação exigem expertise técnica e olhar treinado, o que infelizmente ainda não é a realidade em muitos locais, e é uma das principais causas do atraso no diagnóstico”. 

De acordo com a ginecologista, o tratamento da dor menstrual depende da causa. “Para cólicas leves, medidas como atividade física regular, alimentação equilibrada e uso ocasional de analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser suficientes. Quando a dor é persistente, incapacitante ou interfere na qualidade de vida, é essencial investigar a fundo e tratar a origem do problema e não apenas os sintomas”, afirma. “No caso da endometriose, a abordagem deve ser individualizada, levando em conta a localização e a gravidade da doença (ovários, intestino, bexiga, ureteres, parede vaginal, etc.), o desejo reprodutivo da paciente, se deseja engravidar agora, no futuro ou não tem planos de gestação, e o impacto da dor nas funções intestinais, urinárias, sexuais e na qualidade de vida como um todo”.

 

Endometriose e menstruação

Segundo Luciana dos Anjos a mulher com endometriose não deve menstruar. “A menstruação estimula e alimenta o processo inflamatório da doença. Permitir que a paciente com endometriose siga menstruando, exceto se estiver em tratamento para engravidar, é perpetuar o ciclo da dor e da progressão da doença. Por isso, o tratamento clínico, na maioria dos casos, visa justamente interromper os ciclos menstruais”, destaca. “A endometriose não é uma doença fácil de diagnosticar, e o caminho até o tratamento correto começa com um ginecologista capacitado e familiarizado com dor pélvica crônica. A dor não deve ser minimizada, deve ser investigada com precisão e acolhimento”, completa. 

Em algumas situações uma cirurgia pode ser indicada.  “É fundamental esclarecer que os medicamentos não curam a endometriose. Eles têm papel no controle dos sintomas, estabilização da doença e preservação da fertilidade. Nos casos em que há falha do tratamento clínico, efeitos colaterais importantes ou comprometimento de órgãos como o intestino ou os ureteres, pode ser indicada a cirurgia minimamente invasiva com equipe especializada em endometriose”, explica a ginecologista. 

A especialista salienta que os cuidados são distintos para cada caso. “Cada mulher é única. E o tratamento precisa ser tão individual quanto a história de dor de cada uma. A paciente com endometriose precisa ser cuidada de forma ampla, profunda e respeitosa. Isso significa uma equipe transdisciplinar: ginecologista especializada, fisioterapeuta pélvica, nutricionista, psicóloga, sexóloga, especialistas em dor e, quando necessário, cirurgião do aparelho digestivo ou urologista. Quando combinamos escuta atenta, conhecimento técnico e cuidado real, conseguimos restaurar mais do que saúde, restauramos liberdade, autonomia e dignidade”, ressalta Luciana dos Anjos.


Como professores podem identificar e lidar com alunos em sofrimento psicológico

Capacitação docente é fundamental para reconhecer sinais de alerta e garantir o acolhimento adequado de crianças e adolescentes com transtornos mentais

 

Queda no rendimento escolar, retraimento repentino, dificuldade de socialização e mudanças bruscas de comportamento. Esses são alguns dos principais sinais de alerta que podem indicar sofrimento emocional ou transtornos mentais em crianças e adolescentes dentro do ambiente escolar. Reconhecer esses sintomas precocemente é essencial para promover intervenções eficazes e evitar que problemas de saúde mental comprometam o desenvolvimento educacional e social dos alunos.

            Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% a 20% dos adolescentes em todo o mundo convivem com algum transtorno mental. No Brasil, o cenário preocupa: um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria aponta que transtornos como ansiedade, depressão, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e TEA (Transtorno do Espectro Autista) têm crescido nas salas de aula. Esses quadros, muitas vezes, ainda são mal compreendidos por parte da comunidade escolar. Um exemplo histórico é o de Thomas Edison, inventor e cientista americano, que foi expulso da escola aos sete anos de idade por ser considerado "mentalmente lento".             Segundo biógrafos como Paul Israel (em Edison: A Life ofInvention, 1998), Edison apresentava comportamentos compatíveis com o que hoje se conhece como TDAH, mas, na época, essas características foram interpretadas como indisciplina e incapacidade. Seu potencial só foi desenvolvido porque sua mãe decidiu educá-lo em casa, reconhecendo sua curiosidade e inteligência.

            Diante dessa realidade, o preparo dos professores se torna peça-chave para acolher e encaminhar adequadamente os estudantes que hoje, como Edison no passado, apresentam dificuldades de aprendizagem que escondem talentos.

            Para o médico Dr. Thyago Henrique, formado em Psiquiatria pelo Hospital Albert Einstein, capacitar educadores para identificar e manejar casos de sofrimento psicológico é um passo essencial não apenas para o bem-estar individual dos alunos, mas para toda a sociedade.

            “Quando uma criança tem um transtorno mental, ela precisa de um cuidado multidisciplinar. E o professor faz parte dessa equipe. É ele quem passa mais tempo com o aluno e está na linha de frente para perceber mudanças de comportamento. Se esse profissional estiver capacitado, ele pode atuar de forma decisiva na vida da criança”, afirma o médico.

            Dr. Thyago explica que, muitas vezes, sinais sutis como o isolamento ou a recusa em brincar são negligenciados. “Criança é curiosa, é bagunceira. Quando isso muda, e ela passa a ficar mais calada, mais arredia, já acendemos o sinal de alerta. A chave está na quebra de padrão comportamental. Nem toda criança introvertida está com um problema, mas toda mudança significativa de comportamento merece atenção.”

            Além da observação atenta, o psiquiatra defende que a escola mantenha um diálogo constante com a família e promova campanhas de conscientização entre alunos e professores. “Mais importante do que perguntar diretamente à criança o que está acontecendo é conversar com os pais. A família precisa ser envolvida no processo.”

 

Educação e acolhimento evitam a evasão escolar

            Sem suporte adequado, crianças com transtornos mentais podem ter um declínio significativo no desempenho acadêmico e acabar deixando a escola. Isso tem consequências diretas na vida adulta, com maior risco de desemprego, informalidade e até envolvimento com a criminalidade.

            “O trabalho da criança é estudar. Se ela está doente, ela não consegue aprender. E isso vira uma bola de neve que impacta toda a estrutura social”, alerta Dr. Thyago. “É por isso que saúde mental infantil é também uma questão de segurança pública, de economia e de futuro.”

            A capacitação dos professores, segundo ele, deve incluir noções básicas sobre os principais transtornos, formas respeitosas de abordagem e estratégias de manejo em sala de aula. Mas o médico ressalta: o educador nunca deve sugerir medicações ou diagnósticos. Seu papel é o de apoio e observação qualificada.

            Outro ponto sensível destacado por Dr. Thyago é a saúde mental dos próprios docentes. Sem preparo emocional e técnico, muitos acabam adoecendo. “O professor está em um ambiente de alta carga emocional. Se ele não estiver bem, ele não consegue ensinar nem acolher. É preciso cuidar de quem cuida.”

            A aposta em formação continuada e em redes de apoio dentro das escolas é uma das propostas do projeto de capacitação que o psiquiatra integra. A ideia é transformar a escola em um espaço mais humano, capaz de reconhecer e respeitar a individualidade de cada aluno.

            “Conhecimento é a principal arma. Professores bem formados ajudam a transformar vidas e a garantir que menos crianças fiquem para trás. Afinal, quantos Thomas Edisons já não perdemos por falta de acolhimento e compreensão?”, conclui.

 

Dr. Thyago Henrique - médico formado pela Universidade José do Rosário Velano, com pós-graduação em Psiquiatria pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein – SP. Posteriormente, aprofundou seus estudos em Psiquiatria Infantil pelo Instituto IBCMED. Sua atuação se destaca na área da psiquiatria preventiva e da performance mental, tornando-se referência no atendimento a profissionais do mundo sertanejo, música eletrônica, políticos e atletas de alto rendimento. Além de sua expertise na psiquiatria, o Dr. Thyago acumulou vasta experiência em diversas áreas da medicina antes de se consolidar como autoridade em saúde mental. Atuou como médico de time profissional de futebol, médico de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e também em setores de urgência e emergência, adquirindo uma visão ampla e aprofundada sobre os impactos da saúde física e emocional no bem-estar dos pacientes. Sempre em busca de atualização e aprofundamento, atualmente é mestrando em Neurociências pela Universityof Orlando, em parceria com o Instituto Conhecimento Integrado - Centro Educacional, e doutorando em Psicologia Clínica pela Christian Business School (CBS). Sua trajetória é marcada pela dedicação à ciência, à educação e à democratização do conhecimento sobre saúde mental.


Anvisa suspende proibição de suplementos com ora-pro-nóbis após recurso de empresas

A comercialização de suplementos alimentares que contenham Pereskia aculeata – planta popularmente conhecida como ora-pro-nóbis – voltou a ser permitida no Brasil, ao menos temporariamente. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu os efeitos da Resolução RE nº 1.282/2025, que proibia esses produtos, após a apresentação de recursos administrativos por empresas do setor. 

De acordo com a advogada Claudia Lucca Mano, do escritório Claudia Mano Advocacia, que acompanha o caso, a suspensão ocorre automaticamente conforme previsto no regulamento interno da agência, sempre que há interposição de recurso administrativo contra medidas cautelares como essa. “Enquanto o recurso não for julgado, a resolução fica sem efeito, o que significa que a venda dos suplementos com ora-pro-nóbis pode ser retomada”, explica a advogada. 

Embora a nota de proibição publicada no portal da Anvisa em abril ainda permaneça disponível, a medida cautelar está formalmente suspensa, revela Claudia Mano. "A atualização na plataforma de produtos irregulares da agência já reflete essa mudança. Agora, o setor aguarda a decisão final da Anvisa sobre o tema. Até lá, os suplementos contendo ora-pro-nóbis podem ser comercializados normalmente.", afirma. 

A especialista em regulação sanitária ressalta que "em outros casos de medidas cautelares restritivas sob nossos cuidados, a Anvisa sequer altera a tela de consulta de produtos irregulares, como fez com a ora-pro-nobis”. 

A ora-pro-nóbis é uma planta nativa do Brasil, conhecida por seu alto teor de proteínas e fibras. Nos últimos anos, ganhou popularidade como ingrediente de suplementos alimentares voltados à saúde intestinal, fortalecimento imunológico e dietas vegetarianas.


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