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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Como professores podem identificar e lidar com alunos em sofrimento psicológico

Capacitação docente é fundamental para reconhecer sinais de alerta e garantir o acolhimento adequado de crianças e adolescentes com transtornos mentais

 

Queda no rendimento escolar, retraimento repentino, dificuldade de socialização e mudanças bruscas de comportamento. Esses são alguns dos principais sinais de alerta que podem indicar sofrimento emocional ou transtornos mentais em crianças e adolescentes dentro do ambiente escolar. Reconhecer esses sintomas precocemente é essencial para promover intervenções eficazes e evitar que problemas de saúde mental comprometam o desenvolvimento educacional e social dos alunos.

            Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% a 20% dos adolescentes em todo o mundo convivem com algum transtorno mental. No Brasil, o cenário preocupa: um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria aponta que transtornos como ansiedade, depressão, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e TEA (Transtorno do Espectro Autista) têm crescido nas salas de aula. Esses quadros, muitas vezes, ainda são mal compreendidos por parte da comunidade escolar. Um exemplo histórico é o de Thomas Edison, inventor e cientista americano, que foi expulso da escola aos sete anos de idade por ser considerado "mentalmente lento".             Segundo biógrafos como Paul Israel (em Edison: A Life ofInvention, 1998), Edison apresentava comportamentos compatíveis com o que hoje se conhece como TDAH, mas, na época, essas características foram interpretadas como indisciplina e incapacidade. Seu potencial só foi desenvolvido porque sua mãe decidiu educá-lo em casa, reconhecendo sua curiosidade e inteligência.

            Diante dessa realidade, o preparo dos professores se torna peça-chave para acolher e encaminhar adequadamente os estudantes que hoje, como Edison no passado, apresentam dificuldades de aprendizagem que escondem talentos.

            Para o médico Dr. Thyago Henrique, formado em Psiquiatria pelo Hospital Albert Einstein, capacitar educadores para identificar e manejar casos de sofrimento psicológico é um passo essencial não apenas para o bem-estar individual dos alunos, mas para toda a sociedade.

            “Quando uma criança tem um transtorno mental, ela precisa de um cuidado multidisciplinar. E o professor faz parte dessa equipe. É ele quem passa mais tempo com o aluno e está na linha de frente para perceber mudanças de comportamento. Se esse profissional estiver capacitado, ele pode atuar de forma decisiva na vida da criança”, afirma o médico.

            Dr. Thyago explica que, muitas vezes, sinais sutis como o isolamento ou a recusa em brincar são negligenciados. “Criança é curiosa, é bagunceira. Quando isso muda, e ela passa a ficar mais calada, mais arredia, já acendemos o sinal de alerta. A chave está na quebra de padrão comportamental. Nem toda criança introvertida está com um problema, mas toda mudança significativa de comportamento merece atenção.”

            Além da observação atenta, o psiquiatra defende que a escola mantenha um diálogo constante com a família e promova campanhas de conscientização entre alunos e professores. “Mais importante do que perguntar diretamente à criança o que está acontecendo é conversar com os pais. A família precisa ser envolvida no processo.”

 

Educação e acolhimento evitam a evasão escolar

            Sem suporte adequado, crianças com transtornos mentais podem ter um declínio significativo no desempenho acadêmico e acabar deixando a escola. Isso tem consequências diretas na vida adulta, com maior risco de desemprego, informalidade e até envolvimento com a criminalidade.

            “O trabalho da criança é estudar. Se ela está doente, ela não consegue aprender. E isso vira uma bola de neve que impacta toda a estrutura social”, alerta Dr. Thyago. “É por isso que saúde mental infantil é também uma questão de segurança pública, de economia e de futuro.”

            A capacitação dos professores, segundo ele, deve incluir noções básicas sobre os principais transtornos, formas respeitosas de abordagem e estratégias de manejo em sala de aula. Mas o médico ressalta: o educador nunca deve sugerir medicações ou diagnósticos. Seu papel é o de apoio e observação qualificada.

            Outro ponto sensível destacado por Dr. Thyago é a saúde mental dos próprios docentes. Sem preparo emocional e técnico, muitos acabam adoecendo. “O professor está em um ambiente de alta carga emocional. Se ele não estiver bem, ele não consegue ensinar nem acolher. É preciso cuidar de quem cuida.”

            A aposta em formação continuada e em redes de apoio dentro das escolas é uma das propostas do projeto de capacitação que o psiquiatra integra. A ideia é transformar a escola em um espaço mais humano, capaz de reconhecer e respeitar a individualidade de cada aluno.

            “Conhecimento é a principal arma. Professores bem formados ajudam a transformar vidas e a garantir que menos crianças fiquem para trás. Afinal, quantos Thomas Edisons já não perdemos por falta de acolhimento e compreensão?”, conclui.

 

Dr. Thyago Henrique - médico formado pela Universidade José do Rosário Velano, com pós-graduação em Psiquiatria pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Israelita Albert Einstein – SP. Posteriormente, aprofundou seus estudos em Psiquiatria Infantil pelo Instituto IBCMED. Sua atuação se destaca na área da psiquiatria preventiva e da performance mental, tornando-se referência no atendimento a profissionais do mundo sertanejo, música eletrônica, políticos e atletas de alto rendimento. Além de sua expertise na psiquiatria, o Dr. Thyago acumulou vasta experiência em diversas áreas da medicina antes de se consolidar como autoridade em saúde mental. Atuou como médico de time profissional de futebol, médico de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e também em setores de urgência e emergência, adquirindo uma visão ampla e aprofundada sobre os impactos da saúde física e emocional no bem-estar dos pacientes. Sempre em busca de atualização e aprofundamento, atualmente é mestrando em Neurociências pela Universityof Orlando, em parceria com o Instituto Conhecimento Integrado - Centro Educacional, e doutorando em Psicologia Clínica pela Christian Business School (CBS). Sua trajetória é marcada pela dedicação à ciência, à educação e à democratização do conhecimento sobre saúde mental.


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