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segunda-feira, 10 de março de 2025

Bancos e sindicatos de bancários oferecem 3.100 bolsas de estudo para mulheres na área de tecnologia

Objetivo é reduzir a lacuna de gênero no setor de TI, capacitando mulheres para atuar em uma das áreas que mais crescem no Brasil 

 

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e as Confederações de Bancários (Contraf e Contec) irão oferecer 3.100 bolsas de estudo gratuitas para capacitar mulheres no setor de tecnologia. 

Serão 3 mil bolsas de iniciação em programação e outras 100 bolsas destinadas à formação em análise de dados. O treinamento visa ampliar e gerar oportunidades para a contratação de mulheres e para evolução de carreira, em uma área onde elas ainda são minoria. 

A iniciativa faz parte da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2024/2026, negociada entre as entidades de trabalhadores e dos empregadores, que, entre outros temas, prevê a realização de ações para promoção e inclusão, como a equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. 

Os cursos são coordenados por dois institutos de referência. São eles: 

 

PrograMaria: 

Serão oferecidas 3.000 bolsas ao longo de 2025 e 2026. Podem se candidatar mulheres de todas as regiões do Brasil, com prioridade para aquelas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. As aulas de introdução à programação terão entre 15 e 20 horas de conteúdo. As atividades são 100% online, desenvolvidas em tempo real com videoaulas gravadas e exercícios de código, além de encontros para tirar dúvida e projeto final “mão na massa”. Ao final do curso, as alunas recebem certificado. 

As interessadas em participar do processo seletivo poderão se inscrever para um entre dois cursos:

 

Análise de Dados: Meus Primeiros Passos em Python

  • Introdução à Análise de Dados: fundamentos da análise, primeiras análises com planilhas.
  • Python e Jupyter Notebook: programação em Python, utilizando bibliotecas como Pandas e Numpy.
  • Banco de Dados e SQL: conceitos de bancos relacionais e SQL, com ferramentas como DBeaver e SQLite.
  • Visualização de Dados: criação de gráficos e dashboards com matplotlib e Looker.
  • Machine Learning e Próximos Passos: noções de machine learning e dicas para os próximos passos na carreira.


Front-End: Minha Primeira Página Web

  • Conceitos Iniciais em HTML: Estruturação de páginas web com HTML, aprendendo a criar cabeçalhos, parágrafos, menus, imagens e links.
  • Conceitos Iniciais em CSS: Estilização de páginas com CSS, alterando textos, cores, fontes, tamanhos e organizando o layout.
  • Conceitos Iniciais em JavaScript: Adicionando interatividade com JavaScript, criando funções para ações como notificações ao clicar em botões.
  • Conceitos de Lógica de Programação: Compreensão de lógica de programação, utilizando estruturas como o “If” e orientações para avançar na carreira. 

Cada curso abordará os primeiros passos práticos, capacitando as mulheres a publicar uma página web.

O processo seletivo está dividido em três etapas:

  • Inscrição: por meio de formulário, com envio das informações solicitadas;
  • Atividade prática: envio de “tarefa” por e-mail, com tempo limite de até 2 horas para sua realização; e
  • Resultado: por e-mail, no endereço eletrônico informado pela candidata no momento da inscrição. 

O curso Análise de dados: Meus Primeiros Passos em Python receberá inscrições até 19/3/25 e as aulas da 1ª turma terão início em 28/3. O formulário de inscrição está neste link. 

As selecionadas receberão as orientações via e-mail para resgate da bolsa e realização da matrícula. 

 

Laboratória: 

Serão ofertadas 100 bolsas de estudo. Durante o curso, as alunas irão aprender a preparar e processar bases de dados, realizar análises exploratórias, criar dashboards e relatórios, aplicar técnicas de segmentação e validação de hipóteses. Também irão desenvolver a habilidade de apresentar resultados de forma clara e estratégica, contribuindo para tomadas de decisão mais assertivas. 

O curso terá duração de 6 meses, com 600 horas de conteúdo. A formação requer dedicação semanal de 4 horas em tempo real e de 10 horas remotas, ao longo das 20 semanas. Diversos profissionais do mercado participarão do curso, garantindo uma troca atualizada sobre as tendências em dados. 

Os requisitos para concorrer às vagas são:

  • Identificar-se como mulher e ter 18 anos ou mais;
  • Ter concluído o ensino médio;
  • Ter grande interesse em tecnologia e dados;
  • Ter disponibilidade semanal de 4 horas presenciais, em tempo real, e 10 horas remotas, a serem realizadas de acordo com a disponibilidade do aluno.

 

O passo a passo para a inscrição inclui:

  • Envio de formulário preenchido e resposta ao questionário disponível na plataforma, até o dia 14/3/25;
  • Realização de teste online pelas candidatas elegíveis;
  • Entrevista, com as candidatas aprovadas, realizada por vídeo; e
  • Divulgação dos resultados com orientações, às candidatas aprovadas, sobre o início do curso.

 

As informações para participar do processo seletivo estão neste link.

 

Formação gratuita do Instituto Algar que prepara jovens para o mercado de trabalho está com inscrições abertas

Jovens entre 15 a 17 anos, de qualquer parte do país, podem participar de turma online do programa Talentos de Futuro, que visa desenvolver competências para a vida e o mundo do trabalho

 

Uberlândia - Jovens que estão na faixa etária entre 15 e 17 anos têm a oportunidade de participar de uma formação gratuita do Instituto Algar. A formação busca desenvolver competências para a vida e facilitar a entrada no mercado de trabalho. As inscrições para o Talentos de Futuro já estão abertas pelo site talentosdefuturo.com e jovens de qualquer parte do país podem participar da turma online da iniciativa.

Para participar do programa, além de estar na idade entre 15 e 17 anos, também são critérios:

  • estar cursando ou ter concluído o ensino médio em escola pública,
  • ter renda per capita mensal de até 1,5 salário mínimo e
  • não ter experiência de trabalho formal.

A formação, que acontece no período vespertino, terá início em março de 2025 com uma turma online, em que jovens de qualquer parte do Brasil podem participar, e duas turmas totalmente presenciais em Uberlândia (MG). Na modalidade presencial, as atividades acontecem na Faculdade Esamc e na Escola Estadual do Parque São Jorge. 

O Talentos de Futuro é um programa que está em seu 10º ano de realização e já fez a diferença na vida de milhares de jovens. Na formação, são abordados temas que vão contribuir para o desenvolvimento de habilidades e competências para a vida e para um bom desempenho no mundo do trabalho. Para isso são realizadas atividades relacionadas aos seguintes temas:

  • Competências comportamentais: comunicação, ética, trabalho em equipe, atitude, negociação e inovação.
  • Temas transversais: autoconhecimento, inteligência emocional, diversidade, liderança, protagonismo e gestão de tempo.
  • Competências técnicas: informática básica.
  • Preparação para processos seletivos: currículo, entrevistas e LinkedIn.

 

Serviço

Inscrições abertas para o Talentos de Futuro

Link para inscrição:talentosdefuturo.com/

Período de inscrição: até 16/03


Obras da Estação Santa Marina da Linha 6-Laranja ultrapassam 72% de execução


Obras da Estação Santa Marina da Linha
 6-Laranja de metrô
Divulgação: Linha Uni

Com estimativa de entrega para o segundo semestre de 2026, a estação terá 30 metros de profundidade e é a com maior avanço físico do projeto

 

Com cerca de 30 metros de profundidade, a estação Santa Marina, uma das com maior avanço físico da Linha 6-Laranja, que ligará a Brasilândia, na zona norte da capital paulista, à Liberdade, no Centro, já atingiu 72,47% de execução. 

 

Na obra da Linha 6-Laranja como um todo, são mais de 10 mil funcionários trabalhando ao longo de 15,3 km de extensão, onde, até o momento, já foram instalados mais de 10 mil metros de trilhos para compor a linha que contará com 15 estações.

Dentre elas, a Santa Marina está entre as que serão entregues na primeira parte do projeto, previsto para o final de 2026. Em estágio avançado de execução, encontra-se na fase de acabamentos. Os pisos de granito já foram instalados, assim como as escadas rolantes e corrimãos. O envidraçamento dos guarda-corpos também já foi realizado e atualmente está sendo feito o revestimento de paredes das áreas de acesso. Ao todo, serão 15 escadas rolantes e seis elevadores no local. 

 

Passarela da Estação Santa Marina da Linha
 6-Laranja de metrô
Divulgação: Linha Uni
A instalação de trilhos está sendo realizada simultaneamente com as obras civis nas futuras plataformas de embarque, que contarão com portas de segurança para os passageiros. Na área externa, os trabalhos estão concentrados nos acessos e na passarela entre a Praça Doutor Pedro Corazza e as Avenidas Ermano Marchetti e Marquês de São Vicente, que conta com sete metros de altura e chama atenção de quem passa pela zona oeste da cidade.


Com fluxo estimado em 52 mil passageiros diariamente, o acesso à estação será realizado por três locais, sendo o principal localizado no corpo da estação e os demais por meio de passarelas, conectando-se também com a Universidade Paulista (UNIP). Os endereços são: Avenida Santa Marina, 1158; Praça Dr. Pedro Corazza, 613; e Avenida Marquês de São Vicente, 3065.


Compras online: especialista do CEUB dá dicas para evitar transtornos em ofertas do Dia do Consumidor

Atrasos, defeitos e golpes são riscos do comércio digital. Procedência, proteção e informação são essenciais para uma compra segura 

 

Comprar online está cada vez mais prático e vantajoso, com preços competitivos e opções de compras internacionais ou conjuntas. No entanto, questões como prazos de entrega, trocas e devoluções podem gerar transtornos. Para além das campanhas do varejo para atrair clientes, o dia 15 de março reforça a importância dos direitos do consumidor. O professor Nauê Bernardo, especialista em Direito do Consumidor do Centro Universitário de Brasília (CEUB), compartilha orientações para evitar problemas e garantir uma experiência digital mais segura. 

Confira entrevista, na íntegra: 


Quais são os direitos do consumidor em compras realizadas pela internet e como eles se comparam aos direitos em compras nas lojas físicas?

NB: Os consumidores que fazem compras pela internet têm exatamente os mesmos direitos daqueles que compram em lojas físicas, acrescido o fato de que é possível exercer o chamado direito ao arrependimento. Ou seja, caso receba um produto e - no prazo de até sete dias - decida não mais ficar com ele ou precisar trocar por alguma razão, este pode devolver o produto sem qualquer ônus. E, com isso, pedir outro produto ou a devolução integral do dinheiro sem custo adicional. 

De acordo com a Lei do E-commerce, também conhecida como Lei do Comércio Eletrônico ou Lei do Consumidor Online, Lei nº 12.965/2014, o consumidor tem o direito de receber informações precisas sobre produtos e serviços, bem como prazos de entrega, formas de pagamento e política de devolução, entre outras disposições.

 

Como os consumidores podem verificar a segurança de um site de compras online antes de realizar uma compra?

NB: Sempre é muito importante pesquisar a procedência da loja online antes de fazer qualquer compra. Ou procurar em plataformas como “Reclame Aqui” que possam expor eventuais condutas boas e ruins desse estabelecimento online. Essa precaução é muito importante porque gera uma camada a mais de segurança para o consumidor que opte por fazer a compra pela internet.

 

Como os consumidores podem agir em casos de produtos entregues com defeito ou que não correspondem ao que foi comprado?

NB: Caso o produto seja entregue com algum tipo de falha, avaria ou vício, o consumidor tem um prazo, no caso de produtos duráveis, de até 90 dias, para fazer a reclamação e pedir a substituição pelo mesmo produto, o abatimento proporcional devido ao vício ou mesmo realizar sua devolução sem ônus. Neste prazo também é possível fazer uma reclamação judicial a respeito daquele defeito.

 

Qual é a responsabilidade das empresas em relação à entrega dos produtos comprados online e como os consumidores podem exigir seus direitos em caso de atrasos ou extravios?

NB: Atrasos ou extravios configuram algum tipo de falha na prestação do serviço. Nesses casos, o consumidor pode exigir, seja pelas esferas governamentais e administrativas, como o Procon- Proteção e Defesa do Consumidor, ou o próprio poder judiciário, a reparação por quaisquer danos que tenham sido provocados a partir desta falha na entrega. O Procon é um órgão público responsável por receber, avaliar e encaminhar denúncias de consumidores sobre problemas com empresas. Já o Juizado Especial Cível é um órgão do Poder Judiciário que trata de causas de menor complexidade e de menor valor financeiro.

 

Na escuridão: a luta contra a violência e os avanços da legislação

 

Nas sombras das ruas, os pedidos de socorro ecoam em silêncio, enquanto o mundo, impassível, se recusa a ouvir. Dentro dos lares, nos cantos esquecidos das cidades, mulheres vivem aprisionadas em um silêncio que nunca escolheram. A violência se reinventa a cada dia: o stalking se torna uma sombra constante; a violência psicológica corrói a alma; o assédio moral e sexual sufoca com crueldade; e o estelionato sentimental manipula, destruindo sonhos e vidas. Cada agressão, física ou verbal, deixa cicatrizes invisíveis – marcas de um sistema que ainda não oferece proteção plena às vítimas. 

Diante desse cenário de dor e desamparo, a legislação tenta, com rigor, acompanhar o clamor por justiça. A Lei do Feminicídio (13.104/2015) celebra agora uma década de combate à barbárie. Além disso, a Lei 14.994/24, conhecida como Pacote Antifeminicídio, impõe penas de até 40 anos para os responsáveis e estabelece condições agravantes que podem aumentar a punição em até um terço, especialmente quando o crime é cometido durante a gestação, nos três meses posteriores ao parto ou na presença de pais e filhos da vítima. 

Outras penalidades foram reforçadas para casos de lesões corporais, crimes contra a honra, ameaças e descumprimento de medidas protetivas. Em situações de saídas temporárias – os chamados “saidões” –, o agressor é obrigado a usar tornozeleira eletrônica, perdendo o direito a visitas conjugais. A progressão de regime só ocorre após o cumprimento de, no mínimo, 55% da pena (ou 50% para homicídios), e a sentença retira do agressor não apenas o convívio familiar, mas também a possibilidade de ocupar cargos públicos até o cumprimento integral de sua punição. 

Mesmo com esses avanços, a dor permanece oculta – escondida atrás de portas trancadas, refletida em olhos que evitam o espelho e silenciada em vozes que não encontram forças para se erguer. Não basta enxergar essa escuridão; é preciso acender uma luz intensa. Romper o silêncio, oferecer acolhimento que renove a esperança e fortalecer redes de apoio são essenciais para amparar cada mulher que, por tanto tempo, se sentiu sozinha. 

Vale aqui uma reflexão: o respeito não se suplica – ele se impõe. A coragem não nasce do medo – ela se fortalece no apoio. E, acima de tudo, toda mulher merece muito mais do que simplesmente sobreviver: ela merece, enfim, viver. 



Raquel Gallinati - Diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil e Secretária de Segurança Pública de Santos.


Inteligência Artificial (IA) nas escolas: especialista ressalta os benefícios da ferramenta no ambiente escolar

O professor de física Felipe Guisoli, à frente da escola online Universo Narrado, responde até que ponto a ferramenta ajuda os estudantes


Com o avanço constante da inteligência artificial (IA), alunos e professores por todo o país começam a inserir a tecnologia à rotina de estudos dos alunos. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceram o estado do Piauí como o primeiro território nas Américas a implementar o ensino de inteligência artificial na educação básica. A disciplina é obrigatória aos alunos do 9º ano do ensino fundamental e das três séries do ensino médio desde o início de 2024. Para o professor de física Felipe Guisoli, à frente da escola online Universo Narrado, o uso da IA na educação pode ser uma grande ferramenta de transformação, mas alerta para o uso em excesso e a falta de regras. 

“A IA é uma ferramenta poderosa para otimizar os estudos de física e matemática, mas deve ser usada com estratégia. Em vez de apenas buscar respostas prontas, o ideal é utilizá-la para testar hipóteses, gerar explicações alternativas e identificar lacunas no próprio entendimento. Além disso, é essencial equilibrar o uso da IA com o desenvolvimento do raciocínio próprio, resolvendo problemas manualmente e construindo intuições matemáticas sólidas. A IA pode acelerar o aprendizado, mas não substitui o esforço ativo e a prática consistente”, ressalta Felipe. 

Na última sexta-feira, dia 21 de fevereiro, foi oficializada uma parceria entre o Governo do Estado do Paraná e o Google. A iniciativa foi firmada com objetivo de viabilizar recursos tecnológicos de ponta, que possibilitarão o uso da Inteligência Artificial (IA) em diversas frentes da administração estadual e, na educação, o escopo é aprimorar o aprendizado dos estudantes por meio de recursos educacionais digitais baseados em IA, que serão incorporados ao dia a dia nas escolas, ao longo do ano. 

Felipe salienta, ainda, que é necessário ter responsabilidade, uma boa formação dos professores e ética para o uso. “Professores devem enxergar a IA como uma aliada no ensino de física e matemática, mas sem abrir mão do pensamento crítico dos alunos. Em sala de aula, a IA pode ser usada para personalizar o ensino, gerar exemplos sob demanda e explorar abordagens alternativas para um mesmo conceito. No entanto, é crucial que os professores incentivem os alunos a questionar as respostas geradas, validar os resultados e compreender o raciocínio por trás de cada solução. A IA deve complementar o aprendizado, não substituir o processo ativo de construção do conhecimento”, afirma Felipe Guisoli, à frente do Universo Narrado. 

Em agosto de 2024o governo federal lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028 com o objetivo de traçar metas para a implementação e eficiência do uso da inteligência artificial no setor público. São 6 propostas na área de educação:

  • Sistema Gestão Presente: está parcialmente desenvolvido e já vem sendo utilizado para a viabilização do Programa Pé-de-Meia. Os entes cadastrados, como secretarias estaduais, enviam os dados dos estudantes matriculados e frequência na escola.
  • Controle da Qualidade das Aquisições de alimentos: a ferramenta, que está em fase de implementação, pretende identificar padrões de compras de alimentos e auxiliar o MEC na avaliação dos produtos oferecidos aos estudantes nas redes de ensino, certificando a conformidade com as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
  • Sistema de Predição e Proteção de Trajetória dos Estudantes: o sistema pretende gerar um diagnóstico para identificar e prever fatores que levam o estudante ao abandono escolar. A pasta ainda está começando a desenhar o protótipo para implementar a ferramenta.
  • Soluções Adaptativas com IA Generativa de Avaliação Formativa e Diagnóstica para Alfabetização e Letramento e Sistemas de Tutoria Inteligentes de Matemática Desplugado com IA Generativa: o projeto ainda está em elaboração e pretende implementar a inteligência artificial no processo de aprendizado dos alunos brasileiros.
  • Melhoria da aprendizagem e bem-estar dos estudantes: projeto em elaboração que busca criar um ambiente de inovação contínua em sala de aula. 

Felipe Guisoli possui mais de 10 anos de experiência, tendo ajudado milhares de alunos a serem aprovados em cursos concorridos, como Medicina na FUVEST, e em concursos como Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e Instituto Militar de Engenharia (IME). O professor acredita que o que impede muitas pessoas de evoluírem em Física e Matemática é näo aprender como estudar de forma estratégica e profunda. ''Näo é só estudar mais, é saber como estudar'' - afirma. 



Felipe Guisoli - físico e mestre em física teórica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é escritor e criador do Universo Narrado, uma escola online de física e matemática para estudantes de todo o Brasil.

Universo Narrado
@universonarrado


IA impulsiona micro e pequenos negócios com financiamento da Desenvolve SP

Desenvolve SP disponibiliza linhas de crédito voltadas à inovação; Inscrições para curso de capacitação em IA termina em 31 de março

 

Com o apoio da Desenvolve SP, empresas e prefeituras paulistas estão investindo em soluções inovadoras para tornar processos mais ágeis, reduzir custos e aumentar a eficiência.

A Inteligência Artificial (IA) permite a automação de tarefas, a análise inteligente de dados e a otimização de serviços, beneficiando tanto o setor privado quanto o público, por isso, seu uso tem se tornado um diferencial estratégico para o crescimento de micro e pequenos negócios além de administrações públicas paulistas.

Pequenas empresas têm utilizado chatbots para atendimento ao cliente, assistentes virtuais para gestão de tarefas e ferramentas de análise de dados para aprimorar a tomada de decisões. Já os municípios estão investindo em projetos de cidades inteligentes, como modernização da gestão pública e otimização de serviços urbanos.

 

Linhas de Crédito para Inovação e Tecnologia

Para viabilizar esses avanços, a Desenvolve SP disponibiliza linhas de crédito voltadas à inovação:

  • Linha de Crédito para Inovação: Financia até R$ 30 milhões para o desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços inovadores.
  • Linha Municípios Sustentáveis: Apoia projetos de inovação e sustentabilidade, incluindo iniciativas de cidades inteligentes.
  • Linha de Apoio a Investimentos Municipais: Destinada à modernização da gestão pública, promovendo eficiência e inovação.


Capacitação Gratuita em IA para Empreendedores e Gestores Públicos

Além do crédito, a qualificação profissional é fundamental para a adoção da IA. O Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), está oferecendo 1 milhão de vagas em um curso gratuito de Inteligência Artificial.

O curso, com carga horária de quatro horas e certificação pela StartSe, é aberto a qualquer morador do estado alfabetizado, sem restrição de idade. As inscrições estão disponíveis até 31 de março pelo site www.qualificasp.sp.gov.br.  



Desenvolve SP
www.desenvolvesp.com.br


Em eras trumpianas, o brasileiro ainda consegue morar nos EUA

Freepik
Apesar das políticas restritivas, profissionais qualificados ainda têm oportunidades

 

 Em meio às incertezas geradas pelas políticas de imigração do presidente Donald Trump, as portas dos EUA permanecem abertas para profissionais qualificados. Como o próprio Trump afirmou, "tem que ter gente de qualidade chegando", sinalizando que imigrantes com habilidades e competências comprovadas ainda são bem-vindos. 

A distinção entre imigração legal e ilegal tornou-se ainda mais crucial. Enquanto a entrada ilegal pode resultar em deportação, a imigração legal, baseada em vistos de trabalho, continua a oferecer oportunidades e direitos aos imigrantes. 

Dados recentes do Departamento de Estado dos EUA mostram um aumento de 58% na emissão de vistos EB-1 e EB-2 para brasileiros com habilidades extraordinárias e grau acadêmico avançado nos primeiros oito meses de 2024, comparado ao mesmo período de 2023. Isso indica que, mesmo em tempos desafiadores, profissionais qualificados ainda encontram caminhos para a imigração legal. 

De acordo com relatório mais recente divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, cerca de 4,9 milhões de brasileiros vivem no exterior — um aumento de aproximadamente 400 mil pessoas em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos são, justamente, o país com o maior número de expatriados, com 2,085 milhões, sendo 185 mil apenas no último ano. As regiões de Nova York, com 500 mil, seguida por Boston (420 mil), Miami (400 mil), Orlando (190 mil), Atlanta (120 mil), Los Angeles (120 mil) e Houston (110 mil) são os distritos com os maiores números de brasileiros no país. 

A assessoria imigratória D4U Immigration tem se destacado neste cenário, com um impressionante índice de sucesso: 39% do total de brasileiros aprovados para os vistos EB no primeiro trimestre do ano fiscal americano de 2024 (1 de outubro de 2023 a 31 de dezembro de 2023) são clientes D4U. Este dado ressalta a eficácia e importância de conhecimento especializado em um cenário de imigração cada vez mais complexo. 

"Nossa missão é garantir que os brasileiros possam realizar o sonho de morar nos Estados Unidos de forma legal e segura, mesmo em tempos de políticas mais rigorosas. É importante notar que, embora as oportunidades persistam, os processos podem se tornar mais demorados", afirma Wagner Pontes, CEO da D4U Immigration. 

Para aqueles que desejam explorar as possibilidades de viver e trabalhar legalmente nos Estados Unidos, mesmo em tempos de incerteza, a D4U Immigration convida a agendar uma consulta gratuita. 




D4U Immigration


Aquecimento da renda fixa impulsiona tecnologia em bancos para validar grandes volumes de transações

  • Popularização de modalidade requer soluções robustas para que as aplicações possam ser feitas de forma digital
  • Topaz oferece eficiência e disponibilidade para conectar clientes às ofertas de produtos de investimento do universo bancário moderno

 

Os juros elevados no país abrem oportunidade para a valorização da renda fixa com altos retornos e baixo risco, categoria considerada mais segura. Em um cenário no qual as projeções mostram que a Selic pode chegar a 15% em 2025, esse tipo de investimento é atrativo para os brasileiros, como os títulos de CDBs, LCAs, LCIs. Em 2024, grandes bancos tiveram receita de R$ 10,2 bilhões com o volume de emissões de créditos, um aumento de 28,4% em relação a 2023.

Com a taxa de juros subindo e o mercado superativo, a tecnologia se mostra como uma solução na agilidade do atendimento digital para estas ofertas por meio dos canais bancários, além de suportar o volume de transações necessária para essas operações. O que no passado era feito de forma presencial, na agência do banco junto ao gerente, hoje, com a digitalização, essa contratação pode ser feita de forma online.

“Há 20 anos, não era possível fazer essas aplicações por meio do celular. Os sistemas legados de renda fixa não tinham capacidade de processar grandes volumes, eram mais lentos e processavam menos transações anualmente. Hoje, temos em nossos dispositivos aplicativos de instituições com uma lista de investimentos que podemos acionar de forma online e simplificada, através de um botão”, comenta Flávio Gaspar, CPO da Topaz, uma das maiores empresas de tecnologia especializada em soluções financeiras digitais do mundo.

Com a mudança da economia para um mercado inovador, sustentado por tecnologias digitais para que o consumidor tenha na palma da mão uma série de títulos para comprar e vender com facilidade, as instituições bancárias precisam de um software mais robusto, estável, atual e condizente com essa nova realidade. “É uma área da Topaz que estamos investindo, para ter esses softwares de renda fixa mais aderentes às tecnologias atuais e disponíveis em cloud para poder oferecer essa inovação para os bancos que estão passando por essa transformação e estão vivenciando a explosão de investimentos através do app”, adiciona Gaspar.

O executivo relata que a contração no mercado de renda fixa em 2025 é uma forte tendência no setor financeiro. “Popularizar essa modalidade gera uma pressão na área de tecnologia para validar grandes volumes de transações. Com o rendimento fixo relevante para este ano, oferecemos eficiência nesse processo, com um ecossistema completo de soluções tecnológicas que simplificam a gestão e que são referência no setor, para que clientes explorem o mundo dos investimentos e tenham uma experiência excepcional no mercado de capitais, privilegiando mobilidade, agilidade e inovação”, conclui o CPO da Topaz.

 

Flávio Gaspar - CPO da Topaz.


Como o mercado brasileiro lida com a Inteligência Artificial?

O boom da Inteligência Artificial pelo mundo inteiro continua gerando polêmicas por onde passa, ao impactar diferentes áreas e segmentos. A mais recente está relacionada à IA de origem chinesa - a DeepSeek -, que vem dando o que falar, já que se apresenta como um modelo avançado, tendo a capacidade de realizar tarefas mais complexas e com custos operacionais em valor reduzido.

O lançamento da DeepSeek-R1, uma das versões da IA, fez com que o mercado - em especial o financeiro - ficasse abalado, e ações de empresas, como Microsoft e NVIDIA, registraram quedas expressivas em um curto período. Afinal, ninguém esperava o surgimento de um concorrente que se coloca em um patamar tão alto, trazendo abordagens aparentemente mais acessíveis e eficientes que o clássico Chat GPT, por exemplo.

No entanto, sempre costumo me questionar sobre a eficiência das inteligências artificiais. É inegável que funcionam e podem sim ser úteis em diversas tarefas e atividades do nosso dia a dia, facilitando alguns aspectos da rotina e tornando a entrega de determinadas atividades mais rápida e prática. Porém, será que as pessoas sabem o real impacto da IA no mercado brasileiro?

A verdade é que a maioria dos pontos envolvendo IA no Brasil ainda estão em uma fase de amadurecimento e podemos perceber isso diante da falta de habilidade das autoridades para lidarem com as questões, incluindo a sua regulamentação, que ainda não foi definida. Vejo muitas empresas curiosas e interessadas por tecnologias como a DeepSeek, diante de seus aparentes benefícios, mas sem saber ao certo como utilizá-la.

Neste sentido, acredito que para que a Inteligência Artificial realmente impacte o mercado brasileiro de forma positiva é necessário sair do frenesi e pensar em investimentos em recursos e profissionalização de uma maneira racional. Porque a partir do momento que temos recursos, é viável ter uma estrutura melhor, o que possibilita a capacitação de talentos, que estarão qualificados para lidarem com os diferentes tipos de IA e as possibilidades que ela oferece.

De acordo com os balanços divulgados recentemente, os investimentos em inteligência artificial de grandes empresas como Amazon, Microsoft, Google e Meta devem chegar a US$ 320 bilhões em 2025. Isso só mostra que apesar do “susto” com a DeepSeek, as big techs americanas pretendem continuar investindo na tecnologia. Isso reforça a importância do Brasil também se colocar nessa corrida, para que não fique muito para trás.

No meu segmento, desde a explosão do ChatGPT quando foi lançado, vi profissionais testando e ‘ensinando’ a IA a construir OKRs, inclusive, postando seus resultados nas redes sociais de forma orgulhosa. Já vi executivos falando de boca cheia que agora seus OKRs seriam construídos com a ajuda de software com IA. Porém, o resultado que vi, tanto na rede social, como no software, continua igual.

Ou seja, se não souber como usar a ferramenta, não vamos alcançar o benefício proposto pelo uso dela. Mais uma vez, dependemos primeiro da iniciativa livre dos cidadãos, afinal, temos vários capacitados para surfar esta onda e gerar valor para os indivíduos e para a sociedade. Do poder público, esperamos uma regulamentação e ajustes na legislação para que se possa colher os benefícios sem prejudicar os direitos individuais.
 

 

Pedro Signorelli - um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/


Orçamento público e desafios de gênero no direito tributário

 

A elaboração do orçamento público é um dos principais mecanismos para a efetivação de políticas sociais, viabilizando a prestação de serviços essenciais e a promoção dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal. Todo e qualquer direito possui um custo econômico, de modo que o sistema tributário atua como uma via de mão dupla: de um lado, arrecada tributos para financiar o Estado; de outro, provê bens e serviços à sociedade. 

Nesse contexto, a forma como os tributos são cobrados e os recursos orçamentários são alocados impacta de maneira distinta os diversos grupos sociais, especialmente em um país como o Brasil, marcado por acentuadas desigualdades de renda, gênero e raça. O mês de março e o Dia Internacional da Mulher representam um momento oportuno para o reforço desse debate, que já existe há muito tempo e que deve continuar por todo o ano.

O desafio não é recente e a perspectiva de gênero no orçamento público já é adotada por diversos países, como México, Equador, El Salvador e Bolívia, conforme estudo do Fundo Monetário Internacional. No Brasil, avanços ocorreram desde 2003, com a criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e, posteriormente, com os Planos Plurianuais (PNP) que incorporaram diretrizes para a redução das desigualdades de gênero.

Mesmo assim, a execução orçamentária ainda enfrenta desafios para garantir a efetividade das políticas de gênero. Isso se agrava dentro da estrutura tributária brasileira, caracterizada não só pela maior tributação sobre o consumo, como pela isenção de impostos sobre os mais ricos, com destaque para lucros e dividendos, o que afeta de maneira desproporcional mulheres negras e de baixa renda. Elas estão na base da nossa pirâmide social, com 64% dos lares chefiados por mulheres negras abaixo da linha da pobreza, conforme apontado por relatório elaborado pelo Instituto Justiça Fiscal em 2023.

Dados da Receita Federal demonstram que tributação sobre bens e serviços contribui para cerca de 45% da arrecadação, enquanto a participação da tributação de renda é de, apenas, 21%. A tributação sobre a propriedade, por seu turno, gira em torno de 4,5% da arrecadação tributária total.  

Ao analisar a distribuição de rendimentos no Brasil, é possível observar, ainda, que as mulheres negras dependem predominantemente de salários provenientes de empregos formais ou informais, enquanto os homens brancos possuem uma parcela significativa de sua renda oriunda de outras fontes, como lucros e dividendos. A própria remuneração decorrente de salários, por sinal, também é desigual: de acordo com um relatório divulgado pelo projeto Mude com Elas em 2024, o salário recebido por mulheres negras no Brasil é 47% menor do que a média dos salários recebidos por homens brancos.

Dessa forma, a estrutura da tributação de renda no Brasil, que incide de forma mais pesada sobre rendimentos do trabalho e menos sobre rendimentos do capital, acaba por perpetuar e até ampliar as disparidades de renda existentes entre mulheres negras e homens brancos, o que indica a necessidade urgente de uma reforma sobre renda e patrimônio. Para isso, Isabelle Rocha, em seu livro "Tributação e Gênero: como o Imposto de Renda da Pessoa Física afeta as desiguldades entre homens e mulheres", sugere que ações como o aumento dos limites de dedução com dependentes e com instrução e a atualização da faixa de isenção do IRPF são um bom começo para a redução da desigualdade.

De forma adicional, políticas públicas complementares, como programas de transferência de renda, cotas em universidades, disponibilização de creches, políticas de impedimentos do pink tax, revisão de regras de licença para cuidado dos filhos recém-nascidos, ampliando a licença paternidade e incentivando a participação dos homens no cuidado familiar, assim como incentivos ao empreendedorismo feminino, são essenciais para mitigar os efeitos regressivos do sistema tributário.

Com relação à própria tributação sobre o consumo, também não é preciso ir muito longe para entender como esse problema se agrava para as mulheres: atualmente, a carga tributária dos preservativos masculinos, por exemplo, é de 9,25%, enquanto a das pílulas anticoncepcionais é de 30% e do DIU, de 32,45%, uma tributação três vezes maior, conforme estudo elaborado por Luiza Menezes em 2023 sobre a tributação de produtos ligados ao trabalho de cuidado e à fisiologia feminina.

Nesse contexto, a promulgação da EC 132/2023, que aprovou a Reforma Tributária sobre o consumo, já é um marco importante, ao prever expressamente que “as alterações na legislação tributária buscarão atenuar efeitos regressivos”. Ainda no âmbito da Reforma, a recém aprovada Lei Complementar nº 214/2025 traz avanços ao reduzir a zero as alíquotas de produtos essenciais para a saúde menstrual, como absorventes e coletores menstruais, e instituir alíquota reduzida para fraldas infantis e geriátricas, assim como para preservativos e dispositivos intrauterinos.

A mencionada Reforma também instituiu a previsão de avaliação quinquenal dos benefícios e regimes tributários específicos do IBS e da CBS, disciplinando expressamente que tal avaliação “deverá considerar, inclusive, o impacto da legislação do IBS e da CBS na promoção da igualdade entre homens e mulheres e étnico-racial.” É um começo, mas ainda há muito a ser feito: a inclusão de armas e munições no imposto seletivo, por exemplo, ficou de fora da Reforma, representando uma perda não só pela diminuição da arrecadação de tributos sobre esses bens, como também pelo potencial aumento de gasto público para o sistema de saúde com vítimas de armas de fogo e da violência contra mulheres.

A promoção da justiça fiscal deve ser acompanhada da efetivação de um orçamento público que contemple as especificidades de gênero e raça, garantindo equidade na distribuição dos recursos e o fortalecimento da cidadania fiscal para todas as mulheres brasileiras.

Os dados aqui apresentados deixam claro que a igualdade não pode ser concebida apenas sob a ótica formal, que pressupõe um tratamento idêntico a todos, sem considerar as desigualdades estruturais que moldam a sociedade. A igualdade substantiva, por sua vez, busca corrigir essas distorções, garantindo que o sistema jurídico e tributário reflita a realidade social e promova justiça fiscal.

No contexto constitucional, essa abordagem é essencial para interpretar normas e estruturar um modelo tributário alinhado ao pacto democrático. Somente ao articular os princípios da Constituição com o reconhecimento concreto das desigualdades de gênero será possível construir uma tributação mais justa e compatível com os ideais de equidade que o ordenamento jurídico brasileiro se propõe a garantir. 

*Paola de Castro Esotico é advogada há 15 anos, pesquisadora de Tributação e Gênero (FGV/SP), especialista em Direito Tributário e Mestra em Processo Civil (PUC/SP). Com uma atuação voltada para o contencioso e o consultivo tributário, Paola oferece serviços jurídicos especializados com foco em mulheres e pequenos e médios negócios.

 

Paola de Castro Esotico - advogada e especialista em Direito Tributário


Navegando na Tempestade: Como a nuvem, dados e IA estão moldando o futuro do Setor de Seguros

 

O setor de Seguros, outrora um bastião de estabilidade, está em plena metamorfose. As tradicionais bases de dados históricos e padrões previsíveis já não são suficientes para avaliar riscos e precificar apólices em um mundo cada vez mais complexo e imprevisível. A era da transformação digital chegou, e com ela, a necessidade de repensar estratégias e abraçar a inovação.

 

No Brasil (e no mundo) as seguradoras enfrentam uma série de desafios: o aumento dos custos de servir, a frequência crescente de eventos climáticos extremos, a demanda por serviços rápidos e personalizados, e a crescente sofisticação dos riscos cibernéticos. Esses fatores ameaçam a estabilidade do setor, exigindo uma abordagem proativa e estratégica.

 

Nesse cenário, a integração entre nuvem, análise de dados e Inteligência Artificial (IA) emerge como um fator crítico para o sucesso. Assim como ocorreu com os demais players do setor financeiro nos últimos anos, o setor de Seguros também enfrenta um momento de consolidação, com aquisições de carteiras e saída de algumas empresas do mercado brasileiro. No entanto, a falta de integração entre os sistemas dessas companhias tem criado desafios operacionais significativos.

 

Historicamente, seguradoras operaram com dados fragmentados em silos vinculados a produtos específicos, dificultando a construção de uma visão unificada do cliente. Para resolver essa questão, a nuvem surge como um habilitador essencial. Ao migrar suas bases de dados para a nuvem e modernizar seus sistemas, as seguradoras podem consolidar informações dispersas e criar uma estrutura integrada, preparando o terreno para a aplicação de IA de maneira mais eficaz.

 

Atualmente, o uso de IA no setor de Seguros ainda é incipiente devido à fragmentação dos dados e a definição correta dos casos de uso que gerem valor ao negócio. Com informações dispersas e pouco estruturadas, a IA tem dificuldade justamente em gerar insights valiosos. Contudo, algumas iniciativas já começam a despontar. Um exemplo foi o anúncio de uma grande organização do setor sobre o uso de IA na redação de cláusulas contratuais. Além disso, a IA também tem sido utilizada para otimizar processos internos e melhorar a eficiência operacional, desde o atendimento ao cliente até a gestão de sinistros.

 

Uma vez estabelecida a fonte única da verdade em nuvem, abre-se o caminho para análises de dados verdadeiramente transformadoras. As seguradoras podem agora extrair insights valiosos de seu patrimônio informacional, identificando padrões de comportamento, tendências de sinistros e oportunidades de cross-selling que permaneciam invisíveis quando os dados estavam fragmentados. Este novo paradigma analítico permite avaliações de risco mais precisas, precificação personalizada e, consequentemente, produtos mais alinhados às necessidades específicas de cada perfil de cliente.

 

A integração de plataformas tem sido uma demanda crescente no setor. Algumas empresas estão apostando em soluções como Salesforce e ServiceNow, que funcionam como plataformas de serviço (PaaS) para melhorar a gestão de processos e a experiência do cliente. Essas ferramentas permitem uma visão mais ampla e interconectada, garantindo que todas as etapas, do back-office ao atendimento, funcionem de maneira mais fluída e eficiente.

 

Entretanto, um dos principais desafios para a adoção massiva da IA nas seguradoras é a questão cultural e organizacional. O setor é tradicionalmente avesso a riscos, possuindo uma abordagem cautelosa na adoção de novas tecnologias, principalmente quando envolvem riscos de "alucinações" da IA, que poderiam prejudicar a reputação das empresas. Muitas seguradoras ainda adotam uma postura conservadora, esperando que outras empresas testem e validem soluções antes de implementá-las.

 

Para superar essa barreira, é necessário um esforço de mudança de mentalidade dentro das organizações. É fundamental adotar uma abordagem mais aberta à experimentação e à inovação, permitindo testes controlados e ajustes conforme necessário. A transformação digital das seguradoras depende tanto da evolução tecnológica quanto da disposição das lideranças em abraçar um novo paradigma.

 

O setor de Seguros está em um ponto de inflexão e o próximo passo passará pela modernização em nuvem, dados e IA. Para que essas tecnologias tragam impactos reais, é essencial que as empresas abandonem modelos fragmentados e apostem na consolidação de dados e na automação inteligente. A jornada de transformação pode ser complexa, mas as recompensas são significativas: maior eficiência operacional, melhor experiência do cliente, maior capacidade de gestão de riscos e um futuro mais resiliente. 

 



Antonio Darcio Valerio Filho - Business Vice President da GFT Technologies no Brasil


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