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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Outono e inverno acendem o alerta para quem convive com doenças reumáticas: frio e variações de temperatura intensificam dores nas articulações

Especialista explica por que baixas temperaturas agravam condições como artrose, artrite reumatoide e fibromialgia, e aponta medidas simples para minimizar o desconforto

 

Com a chegada do outono e a aproximação do inverno, muitos pacientes com doenças reumáticas começam a relatar o que já conhecem bem: as dores voltam com mais força, as articulações parecem mais rígidas e até os movimentos simples do cotidiano se tornam mais difíceis. O fenômeno tem explicação científica e merece atenção tanto dos pacientes quanto de quem ainda não tem diagnóstico estabelecido. 

O reumatologista Dr. Sergio Bontempi Lanzotti, especialista no tratamento de doenças que afetam articulações, ossos, músculos e tecidos conjuntivos, esclarece que o agravamento dos sintomas nesse período do ano não é coincidência nem imaginação dos pacientes. Pelo contrário, é uma resposta fisiológica do organismo às mudanças climáticas. 

"Quando a temperatura cai, o organismo responde reduzindo a circulação sanguínea nas extremidades e nas articulações para preservar o calor central do corpo. Isso leva a menor lubrificação articular, maior rigidez dos tecidos ao redor das articulações e contração muscular protetora, que aumenta a tensão e, consequentemente, a dor. Além disso, as variações de pressão atmosférica típicas do outono e do inverno também influenciam diretamente a percepção dolorosa", explica o Dr. Sergio Bontempi Lanzotti. 

Entre as condições que mais se agravam com o frio, a osteoartrite, conhecida popularmente como artrose, está entre as mais prevalentes. Muito comum em joelhos, mãos e coluna, essa doença degenerativa causa dor e rigidez que pioram sensivelmente quando as temperaturas caem, deixando a articulação com uma sensação de "travamento" que dificulta os movimentos logo ao acordar ou após períodos de repouso. 

A artrite reumatoide é outra condição que responde mal ao frio. Doença autoimune que provoca inflamação nas articulações com dor, inchaço e rigidez, ela costuma apresentar piora marcante nos dias mais frios. A chamada rigidez matinal, queixa frequente dos pacientes, tende a ser mais intensa e prolongada durante o inverno, podendo comprometer significativamente a qualidade de vida e a rotina de trabalho. 

A fibromialgia, síndrome caracterizada por dor difusa em todo o corpo, também figura entre as condições que mais sofrem com as oscilações térmicas. O frio intensifica a hipersensibilidade à dor, característica central da doença, e pode vir acompanhado de fadiga aumentada e piora na qualidade do sono, criando um ciclo que compromete ainda mais o bem-estar do paciente. 

"Outras doenças como o lúpus eritematoso sistêmico, a espondilite anquilosante e a gota também podem ter seus sintomas exacerbados pelo frio. No caso da espondilite, a rigidez na coluna ao acordar pode ser especialmente intensa nos dias mais gelados. Na gota, o frio nas extremidades favorece o acúmulo de cristais de ácido úrico, desencadeando crises dolorosas intensas, geralmente no dedão do pé", detalha o especialista. 

O impacto do inverno sobre os pacientes reumáticos vai além do frio em si. A queda de temperatura costuma desestimular a prática de atividade física, e o sedentarismo é um dos maiores inimigos das articulações. Sem o movimento regular, músculos enfraquecem, articulações perdem a mobilidade e o sistema circulatório trabalha com menos eficiência, criando um ambiente ainda mais favorável ao agravamento das dores. 

Diante desse cenário, o Dr. Sergio Bontempi Lanzotti reforça que medidas simples podem fazer grande diferença no controle dos sintomas durante os meses mais frios. Manter o corpo aquecido com roupas adequadas, luvas e meias é o primeiro passo. Banhos mornos ou quentes ajudam a relaxar a musculatura e a aliviar a rigidez, especialmente pela manhã, quando os sintomas costumam ser mais pronunciados. 

A prática regular de exercícios leves, mesmo durante o inverno, é especialmente recomendada. Caminhadas em ambientes aquecidos, hidroginástica em piscinas aquecidas, yoga e pilates são aliados importantes para manter a mobilidade articular e a força muscular. O alongamento diário também tem papel fundamental, especialmente antes de iniciar as atividades do dia. 

"A fisioterapia pode ser indicada em casos onde os sintomas se intensificam muito. E é fundamental que o paciente mantenha o uso correto dos medicamentos prescritos pelo reumatologista, sem interromper o tratamento por conta própria. O inverno é justamente o período em que a adesão ao tratamento precisa ser ainda mais cuidadosa", orienta o Dr. Sergio Bontempi Lanzotti. 

Para quem ainda não tem diagnóstico, mas percebe piora de dores articulares, rigidez pela manhã ou sensação de cansaço muscular excessivo com a chegada do frio, o reumatologista recomenda não ignorar os sintomas. A busca por avaliação especializada precoce pode ser determinante para o diagnóstico correto e para a adoção de um tratamento eficaz, que preserve a qualidade de vida mesmo nos meses mais desafiadores do ano.


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