
1,3 milhão de pessoas possuem esteatose hepática
no mundo. Até 2050 podem ser 1,8 milhão de pacientes Shutterstock
No Dia Mundial do Fígado, 19 de abril,
especialistas ressaltam que, enquanto a prevalência mundial da esteatose
hepática na população fica próxima de 30%, latino-americanos atingem 44%.
A esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado, já atinge cerca de 30% da população mundial e cresce de forma acelerada nas últimas décadas. Na América Latina, o cenário é ainda mais preocupante: a doença alcança aproximadamente 44% das pessoas. O alerta ganha força com a chegada do Dia Mundial do Fígado, data lembrada neste 19 de abril, que em 2026 tem como foco a prevenção por meio de hábitos saudáveis.
Considerada hoje uma das doenças hepáticas mais comuns no mundo, a esteatose hepática - tecnicamente chamada de MASLD (doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica) - está diretamente ligada ao estilo de vida moderno, marcado por sedentarismo, má alimentação e aumento da obesidade.
Estudos internacionais indicam que cerca de 1,3 bilhão de pessoas convivem atualmente com a condição, número que pode chegar a 1,8 bilhão até 2050. Há projeções ainda mais alarmantes: mais da metade da população adulta mundial pode desenvolver a doença até 2040.
No Brasil, embora não haja um levantamento nacional consolidado
recente, o consenso científico aponta que entre 30% e 35% da
população adulta tenha gordura no fígado, índice que pode chegar a 40% em
grupos de risco, como pessoas com obesidade ou diabetes.
Doença silenciosa e ligada ao estilo de vida
A esteatose hepática é caracterizada pelo acúmulo de gordura nas células do fígado. Pequenas quantidades são consideradas normais, mas a partir de 5% já se configura a doença.
Segundo a hepatologista Dra. Claudia Ivantes, o grande desafio é que a condição costuma evoluir de forma silenciosa. “Na maioria dos casos, a esteatose hepática não apresenta sintomas nas fases iniciais. Quando surgem sinais como cansaço, dor abdominal, inchaço ou até pele amarelada, a doença pode já estar em estágio mais avançado, o que é muito temeroso”, explica.
Entre os principais fatores de risco estão o diabetes tipo 2,
obesidade e sobrepeso. De acordo com o Ministério da Saúde, o excesso de peso
está presente em cerca de 60% dos casos.
Pode evoluir para cirrose e câncer
Sem diagnóstico e tratamento adequados, a gordura no fígado pode evoluir em aproximadamente 25% dos casos para quadros mais graves. “A progressão da doença acontece em etapas: começa com o acúmulo de gordura, pode evoluir para inflamação, depois fibrose, cirrose e, em alguns casos, câncer de fígado. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental”, alerta a médica.
A esteatose hepática já é considerada a doença hepática crônica
que mais cresce no mundo e, em países como os Estados Unidos, se tornou a
principal causa de transplante de fígado. Isso já está ocorrendo no Brasil
também.
Diagnóstico começa no check-up
Apesar da gravidade, o rastreamento da doença é relativamente simples e acessível. A ultrassonografia abdominal é o exame mais utilizado para confirmar o acúmulo de gordura no fígado.
Em casos mais específicos, podem ser indicados exames para avaliar de forma não invasiva o grau de fibrose hepática como elastografia hepática transitória.
“O clínico geral pode iniciar essa investigação durante um
check-up de rotina. Se houver alteração, o paciente pode ser encaminhado para
um gastroenterologista ou hepatologista”, destaca a Dra. Claudia.
Tratamento é baseado em mudança de hábitos e atualmente,
medicação
Diferente do que muitos imaginam, o tratamento da esteatose hepática não depende unicamente de medicamentos. “A base do tratamento é a mudança de estilo de vida. Alimentação equilibrada, perda de peso e prática regular de atividade física são as medidas mais eficazes e, muitas vezes, suficientes para reverter o quadro”, afirma.
Medicamentos podem ser utilizados em situações específicas, mas não são considerados a principal estratégia terapêutica. Em casos associados à obesidade grave, a cirurgia bariátrica pode ser indicada.
Conforme o Dr. Eduardo Ramos, que é especialista em cirurgia de fígado, nos estágios mais avançados, quando há cirrose ou falência hepática, o transplante de fígado pode se tornar necessário. “No entanto, esse é o cenário extremo. A grande maioria dos casos pode ser controlada e até revertida com diagnóstico precoce, mudança de hábitos e uso de medicação”, reforça o especialista.
Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos indicam
que o Brasil realizou 2.365 transplantes hepáticos em 2023. É um número
recorde, mas ainda insuficiente para atender à demanda.
Diagnóstico ainda é baixo
Apesar da alta prevalência, o diagnóstico da esteatose hepática ainda é limitado. Pesquisas apontam que apenas uma pequena parcela da população sabe que tem a doença. Nem sabe que precisa rastreá-la e como fazer isso. Isso preocupa especialistas, já que a condição pode evoluir por anos sem que o paciente perceba.
“Existe um grande desconhecimento da população. Muitas pessoas só
descobrem quando a doença já está avançada. Por isso, campanhas como o Dia
Mundial do Fígado são fundamentais”, diz a Dra. Claudia.
Dia Mundial do Fígado reforça prevenção
Lembrado no dia 19 de abril, o Dia Mundial do Fígado tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da saúde hepática. Em 2026, a campanha internacional destaca o tema “Hábitos saudáveis, fígado saudável”, reforçando que escolhas diárias, como alimentação equilibrada, prática de exercícios e redução do consumo de álcool, têm impacto direto na saúde do órgão.
A mobilização é apoiada por sociedades científicas em todo o
mundo, incluindo a Sociedade Brasileira de Hepatologia, e busca frear o avanço
de doenças como a esteatose hepática, cirrose e hepatites. A esteatose tem se
tornado um dos principais desafios de saúde pública na atualidade.
Tratamento da esteatose hepática
O Dr. Eduardo Ramos é cirurgião de fígado, pâncreas e vias
biliares e especialista em transplantes. Dra Claudia Ivantes é médica
hepatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Possuem
um serviço completo de diagnóstico e tratamento das doenças do sistema
digestivo no CIGHEP (Centro de Gastroenterologia e Hepatologia do Hospital
Nossa Senhora das Graças) Saiba mais pelo site ou pelas redes sociais
do Dr. Eduardo.
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