O futuro do trabalho já chegou — e está mudando a forma como vivemos e pensamos nossas carreiras. O The Future of Jobs Report 2025, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, estima que até 2030, 22% dos empregos atuais serão impactados: 14% com a criação de novas funções e 8% com a extinção de posições tradicionais. Em números, significa que 92 milhões de vagas deixarão de existir, ao mesmo tempo em que milhões de novas oportunidades surgirão, especialmente em áreas ligadas à tecnologia.
Esse cenário exige que os jovens em início de
carreira e empresas compreendam algo fundamental: a tecnologia não é ameaça,
pelo contrário. É ferramenta para impulsionar a transformação e para construir
novos caminhos de prosperidade socioeconômica. Saber se reinventar, aprender
continuamente e se conectar às novas demandas digitais será o diferencial entre
quem se torna protagonista e quem fica para trás.
Mais do que uma tendência econômica, essa
transformação tem um caráter social. No Brasil, jovens de baixa renda e
oriundos da periferia enfrentam barreiras históricas para acessar o ensino
superior e o mercado de trabalho formal. A tecnologia, quando combinada a
políticas públicas e ações afirmativas de inclusão e programas de capacitação
com proposta de um impacto positivo perene, pode quebrar esse ciclo, porque
abre portas para carreiras de alta demanda e remuneração, conectando talentos
(ainda invisíveis) às oportunidades de crescimento e a crença do
protagonismo das juventudes na construção de uma país menos desigual.
Na Pulse Mais, organização que impulsiona talentos
de regiões periféricas para o setor de tecnologia, testemunho diariamente esse
ciclo positivo. Jovens que não acreditavam na possibilidade de ter um espaço de
entrada e crescimento no mercado de trabalho, que encontram oportunidades de
aprendizado, ingressam em universidades e conquistam seu primeiro emprego em
empresas ou cargos tecnológicos.
São muitas histórias parecidas. Entre elas, de um
dos mentorados da Pulse Mais, que iniciou sua jornada conosco sem qualquer
experiência em tecnologia. Em poucos meses, depois de se dedicar ao
desenvolvimento de habilidades essenciais para o mercado de trabalho em
TI e participar de mentorias temáticas para direcionamento de carreira,
ele conseguiu sua primeira vaga formal na área. Essa conquista não mudou apenas
sua vida profissional, mas trouxe novas perspectivas para toda sua
família.
Esse é o impacto que a tecnologia tem e traz
esperança para tornarmos o mundo o melhor lugar para mudarmos o mundo. Mas,
para isso, é preciso preparo e dedicação. Não basta um diploma ou um curso
rápido. Não existem atalhos reais para problemas estruturais e sistêmicos. O que
se exige é a oportunidade de desenvolver a mentalidade de aprendizagem contínua
e o pensamento crítico e criativo em que cada conquista como o ponto de partida
para o próximo desafio.
O mundo também avança nessa direção. A China
anunciou recentemente o visto K, destinado a jovens talentos globais em ciência
e tecnologia. A iniciativa busca atrair profissionais com habilidades em
inteligência artificial, big data e áreas correlatas, sem exigir vínculo prévio
com empresas locais. O recado é claro: países e empresas querem estar cercados
de pessoas que não apenas dominem ferramentas, mas que tenham a capacidade de
aprender e se reinventar constantemente em uma planeta cada vez mais
globalizado, digitalmente conectado e ambíguo.
Diante desse movimento global, o Brasil tem um
desafio e uma oportunidade. De um lado, precisamos reduzir as barreiras
socioeconômicas que afastam jovens periféricos da formação em tecnologia. De
outro, temos a chance de formar uma geração capaz de liderar essa
transformação, tornando-se referência em inovação, diversidade e impacto
social.
A tecnologia já é a linguagem do futuro e os jovens que quiserem aprender, explorar e se reinventar a partir dela, terão a oportunidade de transformar não apenas suas trajetórias individuais, mas também o destino de comunidades inteiras.
Eduardo Cavalheiro Moura - diretor executivo da Pulse Mais, Organização Sem Fins Lucrativos de impacto social que empodera jovens talentos para se tornarem líderes no mercado de tecnologia.
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