Número de pessoas com sobrepeso e obesidade pode ultrapassar 4 bilhões nas próximas décadas, segundo projeção internacional; nutróloga explica os principais fatores e orienta como agir
Se nada mudar, mais da metade da população mundial
poderá estar com sobrepeso ou obesidade até 2035. A projeção é da Organização
Mundial da Saúde (OMS) e do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME),
que alertam para a urgência de ações globais na prevenção da doença.
Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas convivem com
obesidade no planeta. Os dados referentes a 2022, publicados na revista
científica The Lancet, fazem parte de uma análise conduzida pela NCD Risk
Factor Collaboration (NCD-RisC) em parceria com a OMS. O levantamento mostra
que a obesidade entre adultos mais que dobrou desde 1990, e entre crianças e
adolescentes, quadruplicou.
“Esses números não representam apenas questões
estéticas. A obesidade é um problema sério de saúde pública, ligado a doenças
cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer", alerta a médica
nutróloga Fernanda Vasconcelos, do Instituto Qualitté.
Situação no Brasil também
preocupa
No Brasil, os dados mais recentes da pesquisa
Vigitel 2023, divulgado pelo Ministério da Saúde, mostram que 57,5% dos adultos
estão acima do peso, com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 25 kg/m². Já
a obesidade atinge 24,05% da população adulta, com IMC a partir de 30 kg/m².
“Mais da metade da população adulta já enfrenta
sobrepeso, e um quarto convive com obesidade. É um quadro que exige atenção
imediata”, explica a Dra. Fernanda.
Por que os casos aumentaram?
Segundo a médica, a obesidade é resultado de
múltiplos fatores. Veja os principais:
- Alimentação
rica em ultraprocessados, como fast food e bebidas açucaradas
- Sedentarismo,
impulsionado pelo uso excessivo de tecnologia e rotina urbana
- Estresse
e sono ruim, que alteram o funcionamento hormonal do corpo
- Ambientes
obesogênicos, como cidades e empresas que estimulam maus em vez de hábitos
saudáveis
- Fatores
genéticos e metabólicos, que podem agravar o quadro em algumas pessoas
Quais os impactos da
obesidade?
Além dos riscos à saúde individual, a obesidade
também afeta a sociedade como um todo. Entre os principais impactos estão:
- Redução
da expectativa de vida
- Aumento
de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e problemas cardíacos
- Sobrecarga
dos sistemas de saúde
- Queda
na produtividade, por causa das condições crônicas associadas
O que pode ser feito?
Para a Dra. Fernanda, a reversão do cenário depende
de um esforço coletivo. “Será imprescindível a implementação de políticas
públicas, como a taxação de ultraprocessados e o incentivo à prática de
atividades físicas em todos os níveis”, defende.
Entre as estratégias recomendadas estão:
- Mudanças
no padrão alimentar
- Educação
nutricional desde cedo
- Acesso
a atividades físicas regulares
- Tratamentos
personalizados, com acompanhamento médico especializado
- Uso
de tecnologias e programas de intervenção metabólica
“A obesidade pode até virar o novo normal, mas
ainda há tempo de mudar esse caminho. É fundamental reconhecer que se trata de
uma doença e que quem convive com ela precisa de acolhimento e tratamento
adequado”, finaliza a especialista.

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