Com novas regras
tributárias, o spread cambial se torna o principal vilão dos gastos fora do
país; especialistas destacam os métodos mais eficientes para reduzir despesas
em viagens internacionais
A partir da recente mudança na legislação cambial
brasileira, todas as operações financeiras relacionadas a viagens
internacionais passaram a ser tributadas com a mesma alíquota de 3,5% de IOF
(Imposto sobre Operações Financeiras). A medida, que unificou a
tributação antes segmentada por tipo de operação, impacta diretamente
consumidores e, principalmente, empresas que realizam viagens corporativas
frequentes.
Antes da mudança, o IOF variava de acordo com o
formato de transação: 3,38% para cartão de crédito, 1,1% para cartões
pré-pagos, remessas para contas internacionais e compra de papel moeda. Agora,
todos os métodos foram equiparados a 3,5%, o que reduziu a vantagem tributária
de alguns formatos que, até então, eram considerados mais econômicos.
Apesar da padronização, os custos ainda variam — e
muito — entre os meios de pagamento, principalmente por conta do spread
cambial, a diferença entre o câmbio comercial e o valor
efetivamente cobrado ao cliente por bancos e operadoras de cartão.
“A unificação do IOF deu a impressão de que todas
as formas de pagamento no exterior passaram a ter o mesmo custo, mas isso está
longe da realidade. O spread se tornou o principal fator de perda financeira
para quem não se planeja”, alerta Wilson Silva, diretor de marketing e tecnologia da
R3 Viagens, uma das principais agências de viagens corporativas
em São Paulo.
O que muda na prática para o
viajante?
O cartão de crédito, embora prático e amplamente
aceito, segue como a opção mais cara, já que utiliza o dólar turismo
com spreads que variam entre 4% e 7%, além do IOF elevado. O
pagamento só é convertido no fechamento da fatura, o que expõe o viajante à
flutuação cambial e pode gerar surpresas negativas.
Já o uso de contas internacionais digitais,
como Wise, Nomad e C6 Global, se consolida como o método mais vantajoso. Essas
plataformas operam com o câmbio comercial, aplicam spreads
reduzidos (entre 0,5% e 1,5%) e permitem que o valor da remessa
seja travado no momento da conversão. “Isso dá previsibilidade, algo essencial
para empresas que buscam controle de custos em viagens internacionais”, afirma
Wilson.
O dinheiro em espécie, que antes era considerado
uma alternativa barata, também perdeu competitividade. Com o novo IOF, somado à
cotação baseada no dólar turismo e à ausência de rastreabilidade, a
recomendação é usá-lo apenas para pequenos gastos ou emergências.
Impacto direto nas viagens
corporativas
Para empresas, a mudança exige uma revisão imediata
nas políticas de reembolso, adiantamentos e formas de pagamento durante viagens
ao exterior. Segundo a R3 Viagens, companhias que utilizam apenas cartão
corporativo podem estar gastando até 10% a mais por viagem do que
aquelas que operam com soluções digitais otimizadas.
“Há uma diferença real entre pagar R$ 5.000 e
receber o equivalente a US$ 970 ou apenas US$ 912. Em viagens constantes, essa
variação representa uma economia anual significativa. É fundamental que os
gestores de viagens entendam esse novo cenário e atuem com estratégias claras”,
acrescenta Wilson Silva.
Recomendações práticas da R3
Viagens
Com base no novo panorama tributário, a R3 Viagens,
especialista em gestão de viagens corporativas, recomenda:
- Evitar
o uso do cartão de crédito tradicional como forma principal de
pagamento no exterior;
- Planejar
a remessa de valores com antecedência, aproveitando momentos de
câmbio favorável;
- Optar
por contas internacionais com débito, que oferecem melhor
custo-benefício e maior controle;
- Levar
apenas valores pequenos em espécie, para despesas locais que não aceitam cartão.
https://www.r3viagens.com.br
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