Estudo recente aponta que uma única infusão de ferro no terceiro trimestre pode ser mais eficaz do que comprimidos orais. O que isso muda na saúde das gestantes — e por que o ferro é tão importante desde antes da concepção?
Durante a gravidez, cada vitamina, mineral e
nutriente assume um papel essencial, mas o ferro se destaca como um alicerce da
saúde materna e fetal. Um estudo recente do Instituto WEHI (Austrália) e da
Unidade de Excelência em Pesquisa e Treinamento (Malawi), publicado na Nature
Medicine, analisou 590 gestantes e revelou que, ao final da gravidez, a anemia
afetava 46,7% das mulheres que receberam ferro intravenoso, contra 62,7%
daquelas que tomaram comprimidos orais1.
A importância do ferro se manifesta antes mesmo da
gravidez. A Dra. Adriana Campaner, ginecologista do Alta Diagnósticos, da Dasa,
destaca que " Mulheres em idade fértil, especialmente aquelas com
menstruação intensa ou dietas restritivas, podem apresentar níveis de ferro
abaixo do ideal. Por isso, a preparação para essa nova etapa da vida deve
incluir a avaliação dos níveis de ferro, além do ácido fólico, para evitar
complicações futuras".
Aumenta o volume de sangue, aumentam as
necessidades
“Durante a gravidez, o volume de sangue da mulher
cresce cerca de 50%. O ferro é essencial para produzir novas células vermelhas
e transportar oxigênio para a mãe e para o bebê. Quando falta, surgem sintomas
como cansaço extremo, fraqueza e até dificuldade de concentração”, pontua a
ginecologista Andrea Sales, do Delboni e Salomão Zoppi.
Nos casos em que, sempre com a orientação e
acompanhamento médico, a suplementação oral não é suficiente — seja por má
absorção ou intolerância gastrointestinal — a infusão de ferro por via
intravenosa é uma alternativa eficaz e segura.
O papel da infusão na maternidade
A reposição de ferro intravenosa (IV) é indicada
principalmente em pacientes que apresentam falha no tratamento com ferro oral.
“Diretrizes de sociedades internacionais de gastroenterologia orientam a
reposição de ferro IV quando a via oral está contraindicada, é ineficaz ou mal
tolerada, ou ainda quando existe urgência na reposição do mineral”, reforça a
Dra. Andrea.
A administração deve ser realizada em ambiente
monitorado, e as pacientes devem permanecer em observação por, pelo menos, 30
minutos. Embora reações alérgicas leves possam ocorrer, eventos adversos graves
são raros.
Existem diferentes formulações disponíveis
atualmente, como carboximaltose férrica, sacarato de hidróxido férrico,
dextrano de ferro de baixo peso molecular (ferro dextrano) e derisomaltose
férrica. A escolha da deve ser individualizada de acordo com o perfil da
paciente, a disponibilidade e o custo. O procedimento pode ser realizado em uma
única dose ou em aplicações fracionadas, conforme a necessidade.
"Garantir reservas adequadas de ferro é um
investimento na saúde do bebê, pois ele depende desses estoques para o
desenvolvimento nos primeiros meses de vida. A prevenção é sempre o melhor
caminho, e isso inclui monitorar e corrigir a deficiência de ferro antes mesmo
da concepção," finaliza a ginecologista do Alta Diagnósticos.
Referência
PASRICHA, S.-R.; MOYA, E.; ATAÍDE, R.; MZEMBE, G.; HARDING, R.; MWANGI, M. N.; ZINENANI, T.; PRANG, K.-H.; KAUNDA, J.; MTAMBO, O. P. L.; VOKHIWA, M.; MHANGO, G.; MAMANI-MATEGULA, E.; FIELDING, C.; DEMIR, A.; VON DINKLAGE, N.; VERHOEF, H.; McLEAN, A. R. D.; MANDA-TAYLOR, L.; BRAAT, S.; PHIRI, K. S. Carboximaltose férrica para anemia no final da gravidez: um ensaio clínico randomizado. Nature Medicine, v. 31, p. 197–206, 2025. DOI: https://doi.org/10.1038/s41591-024-03385-w.

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