‘A declaração exige responsabilidade
e precisão. Ao adotar uma postura diligente no preenchimento das informações, o
contribuinte evita transtornos futuros com a entidade arrecadadora’
IMAGEM: DC
A chegada do final do prazo para
a entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) mobiliza
milhões de brasileiros. No entanto, o que para muitos representa o cumprimento
de uma obrigação fiscal, para outros pode se tornar uma fonte de preocupações e
potenciais problemas com a Receita Federal. O preenchimento da declaração exige
atenção meticulosa aos detalhes, pois deslizes aparentemente simples podem
gerar desde notificações e a inclusão na temida malha fina, até multas
significativas e, em casos mais graves, implicações legais.
A
armadilha da omissão: rendimentos declarados são a chave
Um dos erros mais primários,
porém, de alto risco, é a omissão de rendimentos. Seja ele proveniente de
salários, aluguéis, investimentos financeiros, pensões ou qualquer outra fonte,
todo valor recebido pelo contribuinte ao longo do ano-calendário deve ser
declarado. A Receita Federal dispõe de sofisticados mecanismos de cruzamento de
informações, confrontando os dados declarados com as informações fornecidas por
empregadores, instituições financeiras e outras fontes pagadoras.
A omissão invariavelmente será
detectada, resultando em uma multa de ofício que pode variar de 75% a 150% do
imposto devido, acrescida de juros Selic. Em situações de comprovada intenção
de fraude, as consequências podem transcender a esfera financeira, alcançando o
âmbito criminal.
A exatidão das informações
inseridas na declaração é fundamental. Erros de digitação em valores, dados
bancários incorretos para restituição, ou a falta de informações sobre
dependentes e bens podem gerar inconsistências que levam a declaração à malha
fina. Uma vez retida, o contribuinte precisará comprovar a veracidade dos
dados, podendo ser obrigado a retificar a declaração e pagar eventuais
diferenças de imposto com multa e juros. A restituição, quando devida, também
pode ser bloqueada até a completa regularização da situação.
Deduções
As deduções são um direito do
contribuinte, mas sua utilização inadequada representa um risco significativo.
Incluir despesas que não se enquadram nos critérios de dedutibilidade (como
gastos com vestuário ou alimentação fora de contextos específicos de saúde) ou
ultrapassar os limites estabelecidos para deduções como educação e dependentes
pode gerar problemas sérios. A Receita Federal realiza um rigoroso cruzamento
de dados com prestadores de serviços e outras fontes, identificando facilmente
as deduções indevidas. A consequência é a retenção da declaração e a obrigação
de pagar o imposto devido com as penalidades cabíveis.
Já a declaração de bens e direitos, incluindo imóveis, veículos e investimentos acima de um determinado valor, bem como participações societárias e créditos a receber, é uma exigência da Receita Federal. A omissão ou a declaração incorreta desses itens pode gerar multa específica. Além disso, a Receita utiliza essas informações para verificar a compatibilidade entre a evolução patrimonial do contribuinte e os rendimentos declarados, sendo um ponto crucial na análise de possíveis inconsistências.
Alerta
Dependentes: Informações conflitantes sobre um mesmo dependente em diferentes
declarações ou a inclusão de dependentes que não atendem aos critérios legais
são erros comuns que levam à malha fina.
Tipos de
rendimentos e deduções: A confusão entre as
categorias de rendimentos e os campos corretos para dedução pode levar a
cálculos errôneos do imposto.
Prazos: A entrega da declaração fora do prazo estabelecido acarreta multa
por atraso, mesmo que não haja imposto a pagar.
Autônomos
e o livro caixa: A utilização inadequada do
livro caixa por profissionais autônomos, incluindo despesas não relacionadas à
atividade, é passível de questionamento e glosa pela Receita.
Desconhecimento
da legislação: A complexidade da legislação
tributária exige atualização constante. O desconhecimento das regras não exime
o contribuinte de suas responsabilidades e pode levar a erros custosos.
Para evitar os riscos e perigos
inerentes ao preenchimento da declaração do IRPF, algumas medidas são cruciais.
Por exemplo, tenha a organização antecipada, ou seja, reúna todos os documentos
comprobatórios de rendimentos, pagamentos dedutíveis e bens com antecedência.
Leitura
atenta das instruções: Dedique
tempo para compreender as orientações da Receita Federal.
Utilização
consciente do programa gerador: Preencha
todos os campos com atenção, revisando cada informação antes do envio.
E evite a
pressa: Ou seja, não deixe a declaração
para a última hora, permitindo tempo suficiente para uma análise cuidadosa.
A declaração do Imposto de Renda
exige responsabilidade e precisão. Ao estar ciente dos riscos e perigos
potenciais e adotar uma postura diligente no preenchimento das informações, o
contribuinte garante a conformidade com a legislação tributária e evita
transtornos futuros com a entidade arrecadadora.
João Eloi Olenike - presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT)
Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/cuidado-contribuinte-como-evitar-os-riscos-e-perigos-na-declaracao-do-irpf
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