A maldição do Titanic? Depois da recente e trágica implosão do submersível que vitimou cinco pessoas numa jornada para ver os restos do naufrágio do famoso navio Titanic (afundado a uma profundidade de mais de 3.800 metros da superfície), a mítica embarcação, mais de 110 anos depois do primeiro acidente, passou a ter mais uma tragédia adicionada a sua história.
No primeiro naufrágio, acontecido em 1912, morreram mais de 1.500 pessoas.
Certamente, todo mundo deve ter ouvido a história e se lembrar da frase dita
pelo comandante do navio no filme (Titanic - 1997): “Nem Deus conseguirá
afundar esse navio!” Nesse sentido, somos levados a refletir sobre um tema que
nem sempre é lembrado em nossas decisões, e muitas vezes não só não é pensado,
como também é negligenciado: o risco!
Afinal, o que é risco? É a possibilidade, descrita normalmente em porcentagens
de probabilidade, de algo dar errado. Em investimentos e finanças, é a
possibilidade de você ter perdas. Outra definição de risco é a possibilidade de
você ter perda definitiva de capital em algum investimento.
O diretor de cinema James Cameron, que dirigiu o famoso filme sobre o
naufrágio, declarou que tinha receio de que as pessoas que estavam participando
dessas expedições de submersíveis para visitar o icônico naufrágio, não
tivessem acesso à informação completa dos riscos envolvidos. Ou seja, as
pessoas estavam participando de uma atividade de altíssimo risco e podiam não
estar totalmente cientes do que realmente poderia acontecer e também das
probabilidades de cada resultado possível. Isso me lembra a história da roleta
russa.
Risco e tomada de decisão
Numa roleta russa, uma pessoa usa um revólver que contém somente uma bala
dentro das seis câmaras possíveis. Então, a câmara é girada e, quando o giro
termina, o gatilho é acionado, apontado para a cabeça do apostador. Por isso o
nome roleta. A probabilidade da bala estar na câmara acionada é de 16,7% - uma
vez a cada 6 acionadas. Porém, a questão que se apresenta aqui não é a
estatística em si, e sim uma decisão moral.
Quanto vale uma vida? Decisões morais dizem respeito ao conceito mais profundo
de certo e errado na vida das pessoas.
Do ponto de vista de uma empresa seguradora, o valor da vida é mensurado sob um
aspecto meramente financeiro. É comum, em coberturas de seguros, o cálculo ser
feito a partir de uma referência de geração de renda ou riqueza pela pessoa a
ser segurada.
Porém, do ponto de vista da própria pessoa, o cálculo é outro. Se é que deveria
existir esse cálculo. Quando o que a pessoa tem a perder não pode ser
substituído, mesmo que seja baixa a probabilidade de isso acontecer, a pessoa
não deveria fazer a aposta, ou se colocar na situação. Não deveria participar
do jogo, ou da jornada, no caso do submersível.
Aprenda a controlar seus riscos nas finanças
Nos investimentos, a analogia também pode ser aplicada. O investidor de bom
senso - que busca ter uma vida financeira equilibrada - não coloca todos os
seus recursos numa só aposta. Mesmo que o risco de perda seja baixo. Essa é uma
decisão difícil para o investidor.
O senhor mercado chama isso de “All in”, ou seja, o investidor coloca
100% de suas economias numa aposta só – ações, renda fixa, imóveis, etc. Claro
que tem gente que tem 100% de sua grana em imóveis e está satisfeito com isso.
Mas lembre-se, por exemplo, da época da Covid 19 e das pessoas que tinham
investimentos em imóveis comerciais.
Durante um período grande de tempo, lojas foram fechadas, imóveis devolvidos e
isso demorou para mudar. Na realidade, em diversos locais, ainda hoje não
voltou 100% ao que era antes. Num momento de virada (ou de crise) no mercado em
que o investidor está 100% investido num tipo só de ativo, ele pode sair
machucado, ou até sair do jogo: perder tudo.
Em investidores que apostam em posições vendidas, naquele em que você aposta
que uma ação vai cair, e ela eventualmente sobe muito rapidamente (evento
chamado short squeeze), a perda pode ser incalculável, não tem
limite!
Quais são os tipos de riscos a que você tem exposição ao investir? O
investimento é uma atividade como qualquer outra que envolve risco. Dessa
maneira, é preciso conhecer os tipos de risco a que você se expõe ao entrar em
um investimento.
Risco de mercado
O risco de mercado está relacionado às flutuações de indicadores macroeconômicos, como taxa de juros, inflação, câmbio e seus possíveis impactos no mercado de capitais (ações, títulos, etc). Para reduzir o risco de mercado, é essencial diversificar seus investimentos, reduzindo sua exposição a apenas um tipo de risco.
Risco de liquidez
Já o risco de liquidez diz respeito a dois fatores principais: O primeiro tem a ver com o tempo/demora para o dinheiro entrar na conta. Pensando nisso, avalie com cuidado as datas de vencimento/resgate de seu investimento, para que você tenha um bom gerenciamento de risco e, assim, diminua as chances de não ter dinheiro em conta quando precisar. O segundo está relacionado à quantidade de compradores dispostos a adquirirem o papel que você queira vender no momento. Caso não haja nenhum agente interessado, você pode se ver na alternativa de ter que abaixar o preço de venda para conseguir comprador.
Risco de crédito
O risco de crédito, por sua vez, está relacionado à capacidade (ou não) de
a empresa (ou o governo) pagar o que deve. Em bom português, estamos falando do
famoso “risco de calote”. Dessa maneira, uma das formas de gerenciar adequadamente
seu risco de crédito é avaliar a nota das empresas/governos para os quais você
empresta seu dinheiro, através dos ratings (classificações de risco dadas
por agências como Fitch, S&P, Moody’s). Verifique se o título em que você
planeja investir possui garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).
Além destes três tipos principais de risco, ainda temos os seguintes:
Risco Operacional: a possibilidade de perder dinheiro
num investimento que foi mal administrado - Ações de empresas com executivos incompetentes,
por exemplo.
Risco Legal: uma modificação na legislação que causa uma
perda definitiva para seu investimento - Aumento de algum imposto sobre um
título que não ainda não está apto a ser liquidado/recebido.
Risco Reputacional: uma queda na confiabilidade da
empresa que vende uma debênture, por algum escândalo de má gestão.
Risco Ambiental: cada vez mais discutido e levado em
consideração nos investimentos – uma empresa que comete algum crime ambiental,
ou não segue uma regra, colocando em risco seus negócios ou parte deles. Vários
exemplos vem ocorrendo nos últimos anos – empresas que têm plantas fabris com
problemas de segurança aos funcionários, que sujam o meio ambiente, ou fabricam
produtos sem a devida fiscalização de qualidade. Estruturas que causam
acidentes de grande magnitude, impactando a comunidade ao redor. Vazamentos de
produtos contaminantes, entre outros.
Enfim, é preciso, em todos os sentidos, analisar os riscos, pois eles são
sombras que nos acompanham sempre e servem para nos deixar alertas.
João Victorino - administrador de empresas e
especialista em finanças pessoais. Com uma carreira bem-sucedida, é líder em
diversidade e inclusão na Visa, atuando em prol de pessoas com deficiência.
Busca contribuir para que pessoas melhorem suas finanças e prosperem em seus
projetos e carreiras. Para isso, idealizou e lidera o canal A Hora do Dinheiro
com conteúdo gratuito e uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.
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