Estimativas
apontam que mais de 78 mil pirarucus serão capturados até novembro. Destes, 34
mil estão nas áreas de atuação do Coletivo do Pirarucu.
Eduardo Anizelli/ Folhapress
Durante a reunião anual do Coletivo do Pirarucu, um
grupo formado por diversas organizações e lideranças comunitárias que trabalham
com o manejo do pirarucu em unidades de conservação, terras indígenas e áreas
de acordo de pesca no Amazonas, foram discutidos os preparativos para a
temporada da pesca em 2023. Este coletivo engloba áreas que produzem cerca de
50% do total de pirarucu oriundo de pesca manejada do Amazonas. O evento
on-line foi realizado em julho e reuniu mais de 50 pessoas representando 18
organizações, entre associações comunitárias, organizações não governamentais
de apoio direto na assessoria técnica e órgãos de governo.
Apesar das limitações de acesso à internet, o
encontro contou com a sólida participação de lideranças de comunidades
manejadoras. A Associação do Povo Deni do Rio Xeruã (Aspodex) e a Associação
Indígena do Povo das Águas (Aipa), representando o povo Deni e o povo Paumari,
respectivamente, integram o Coletivo e participaram ativamente da reunião.
Durante o encontro, a Aspodex expressou as suas
articulações de parceria com os grupos de manejo vizinhos do Médio Juruá. Já a
Aipa, aproveitou a presença de representantes do Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para enfatizar a
necessidade que as ações de fiscalização nas Terras Indígenas sejam retomadas
para apoiar a proteção territorial contra explorações ilegais e predatórias.
Previsões para a temporada da
pesca em 2023
Durante a reunião, foi apresentado o levantamento
dos números previstos para a pesca de 2023 no Amazonas. Até novembro, segundo
dados do Ibama, estima-se que serão pescados 78.223 pirarucus. Destes, 34.589
peixes somente na área de atuação do Coletivo, envolvendo diretamente mais de
3.000 pessoas em diversas comunidades manejadoras do estado.
Com o apoio do projeto Raízes do Purus, realizado
pela OPAN com patrocínio da Petrobras e do Governo Federal, os povos indígenas
Paumari e Deni têm se dedicado de forma constante e progressiva ao
fortalecimento de processos relacionados ao manejo sustentável de pirarucu,
resultando em avanços significativos.
Somente nas terras indígenas do povo Paumari, a
estimativa da Aipa é que sejam pescados 650 pirarucus até outubro deste ano,
envolvendo diretamente cerca de 100 pessoas na atividade. Já na Terra Indígena
Deni, a estimativa da Aspodex é que 150 pirarucus sejam pescados este ano, com
a participação de mais de 200 pessoas.
A Aspodex e a Aipa integram o arranjo comercial
Gosto da Amazônia, articulado pelo Coletivo e coordenado pela Associação dos
Produtores Rurais de Carauari (Asproc). Essa iniciativa tem como objetivo
principal garantir uma remuneração mais justa às comunidades que realizam o
manejo do peixe, ao mesmo tempo que desencoraja a atuação de atravessadores e
exploradores, promovendo assim um comércio baseado em princípios de equidade e
solidariedade.
Preços justos impulsionam a
conservação e o comércio solidário do pirarucu
O levantamento feito pelo Coletivo trouxe também um
mapeamento dos acordos comerciais para a venda do pirarucu manejado, bem como
os preços praticados em cada região, que variam entre R$ 5,00 e R$ 10,00 por kg
do pirarucu pagos diretamente aos grupos de manejo. Adevaldo Dias, presidente
do Memorial Chico Mendes e assessor da Associação dos Produtores Rurais de
Carauari (Asproc), organização que lidera o arranjo comercial coletivo Gosto da
Amazônia, fala sobre o preço pago pela Asproc aos manejadores. "O trabalho
feito pela associação acaba atuando como um regulador de preços de mercado,
pois ao pagar melhor as comunidades manejadoras pelo peixe manejado, inibe a
ação dos atravessadores e exploradores, e fortalece o comércio justo e
solidário", avalia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário